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Uma “decepção” chamada Vahanle: Cidadãos em Nampula começam a procurar soluções próprias para resolver problemas da autarquia

  • Nas unidades residenciais de Muthita e Piloto, no posto administrativo autárquico de Muatala, residentes locais estão a melhorar as vias de acesso sob pretexto de que “não se pode esperar por um inoperante” como o autarca Paulo Vahanle.

Nampula (IKWELI) – As condições de saneamento do meio, transitabilidade e mobilidade rodoviária na autarquia de Nampula, maior e mais importante do norte de Moçambique, estão cada vez mais degradadas, perante o olhar despreocupado do presidente Paulo Vahanle.

Sensibilizados com a situação, e cansados de esperar uma resposta por parte dos gestores da autarquia, moradores locais começam a procurar soluções para os vários problemas que os bairros vivem e que contribuem na deterioração da qualidade de vida dos citadinos.

Por exemplo, nas unidades residenciais de Muthita e Piloto, no posto administrativo autárquico de Muatala, os moradores decidiram por se organizar e melhorar as vias de acesso, incluindo a abertura de outras novas vias, no sentido de garantir a mobilidade naquelas comunidades vizinhas.

No último sábado, os moradores abriram uma via de acesso, em estrada, de pouco mais de meio quilómetro.

“Já fizemos vários pedidos, tanto ao Posto Administrativo de Muatala assim como ao Conselho Municipal, para cederem-nos uma máquina para apoiar-nos na abertura da estrada, de modo a facilitar a ligação entre as duas zonas, mas nunca tivemos resposta satisfatória. Por isso, preferimos organizarmo-nos e reabrirmos a rua”, disse Araújo Ernesto, morador da unidade comunal Muthita.

Para materializar o projecto, segundo Araújo, os moradores tinham de contribuir com um valor monetário que variava entre 50,00Mt (cinquenta meticais) a 200,00Mt (duzentos meticais) para, sobretudo, a compra de pedras e saibro para o improviso de uma ponteca sobre o rio Naphutha, que liga as unidades comunais Muthita e Piloto.

Um outro cidadão que preferiu o anonimato lamentou a inércia das autoridades autárquicas, mas mesmo assim apelou aos demais munícipes na situação de aflição, em resolver um problema que deveria contar com apoio da edilidade, a colocar a “mão na massa”.

“Nós sabemos que o município tem máquinas, incluindo bulldozer, destinadas a manutenção de estradas nos bairros e/ou abertura de novas, por isso queremos pedir para um dia sermos cedidos e a gente melhorar as nossas estradas. Estamos dispostos para colaborar com as autoridades, razão pela qual, mesmo sem nenhuma intervenção, decidimos alargar a nossa estrada que permite a ligação rodoviária com a outra unidade comunal”, frisou. (Sitoi Lutxeque)

Contra a expectativa de tudo e de todos: Gondola exorta aos edis a manterem sigilo sobre a contaminação pela covid-19

  • “Se nos perguntarem com os jornalistas, talvez devemos falar que estamos preocupados e o que estamos a fazer, e em relação a quantos temos, etc, esta informação tem que ser partilhada por um único órgão”.
  • “Por favor, não abram novas zonas de comunicação”.
  • “Focamo-nos no nosso trabalho e deixemos a comunicação ao órgão central”.

Nampula (IKWEL) – O Secretário de Estado da província de Nampula, no norte de Moçambique, Mety Gondola, apelou aos presidentes dos sete Concelhos Autárquicos da província, e os respectivos administradores distritais, a serem sigilosos na partilha de informação sobre a evolução da pandemia do novo coronavírus, nos seus respectivos territórios, deixando apenas ao critério do ministério da Saúde.

Mety Gondola fez estes pronunciamentos, na última terça-feira (26), em dois encontros, separados, que manteve com administradores dos distritos da província e os presidentes dos Conselhos Autárquicos, que tinha como um dos objectivos analisar a situação actual da pandemia do novo coronavírus, e traçar-se estratégias para a mitigação da enfermidade nesta parcela moçambicana.

Nos dois encontros em que o Ikweliesteve presente, os governantes olharam com grande preocupação a situação actual da pandemia do coronavírus ao nível da província. Aliás, até a realização daqueles encontros, Nampula contava com oito casos positivos da covid-19, e um óbito, registados em dois dias.

Nos referidos eventos, os governantes traçaram, como estratégia de prevenção da pandemia, o reforço no cumprimento das medidas constantes no decreto presidencial, que decreta o estado de emergência no território moçambicano, com destaque para o uso obrigatório de máscaras de protecção. Alias, discutiu-se, igualmente, a necessidade de apoiar as pessoas desfavorecidas com a disponibilização de máscaras.

Na sua intervenção, Mety Gondola exortou aos participantes a serem sigilosos na partilha de informação referente, sobretudo, a evolução epidemiológica da covid-19 nos distritos, apontado o ministério de Saúde, como sendo o único órgão indicado para o efeito. “A questão mais importante neste momento, reconhecemos que temos um problema, mas é preciso não deixar que haja pânico, é uma doença. A única diferença é que a velocidade de contágio é exagerada, mas não criemos pânico, nós temos que tranquilizar”, começou por dizer o SdE.

“Por favor, não abram novas zonas de comunicação. Vamos deixar que o órgão central continue a ser a porta de partilha de informação, é o ministério que está a gerir esse processo. Nós podemos, talvez, se nos perguntarem com os jornalistas, falar que estamos preocupados e o que estamos a fazer, em relação a quantos temos, etc., esta informação tem que ser partilhada por um único órgão, para evitar criarmos uma confusão. Focamo-nos no nosso trabalho e deixemos a comunicação ao órgão central”, disse Gondola.

Aquele governante apelou, igualmente, aos administradores e autarcas para que “se têm informação sobre as pessoas que testaram positivo ou não, por favor não partilhem. Protejamos os dados pessoais”, sustentando que “nós sabemos que por vezes há discriminação dessas pessoas que testaram positivo, mas continuam sendo nossos irmãos ou familiares, então vamos evitar partilhar porque, por vezes, essa discriminação chega à violência a essas pessoas, linchamento, e isso pode fazer com que dificulte o trabalho dos órgãos da saúde porque as pessoas tendo medo colaboram menos. Bastar existir um ou dois casos de linchamento, todo aquele que tiver informação não vai colaborar e vamos perder o controlo de onde é anda. Então, nós temos que resguardar, guarnecer ao máximo esta informação que nós temos acesso, e lutar para que não haja discriminação”.

Apelou, também, a necessidade de redobrar esforço de forma a evitar que o pior não aconteça na província mais populosa do país, devido a covid-19. “Vamos pedir para dar continuidade a esse trabalho, já fizemos muito e conseguimos nossos resultados, então não pode ser agora que devemos parar”, disse a fonte, recomendando aos edis e os respectivos administradores para desenvolverem trabalhos em conjunto para o alcance de objectivos comuns, independente da cor partidária de cada um.

“Não politizemos, por favor, este assunto, não politizemos. Ainda há muito espaço para se fazer política. Não brinquemos com a vida das pessoas, porque este assunto pode chegar na sua própria casa”, concluiu Mety Gondola. (Texto: Constantino Henriques, Foto: Hermínio Raja)

Adelaide Muianga é a nova “boss” da PRM em Nampula

Nampula (IKWELI) – Tomou posse na manhã de ontem, quarta-feira (27), a nova comandante provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, Adelaide Muianga, em substituição de Moisés Gueve, que dirigiu a corporação no maior círculo eleitoral do país por apenas 8 (oito) meses.

Gueve, inicialmente, veio a Nampula para comandar uma comissão de inquérito e preencher a vacatura originada pela suspensão do “bom” comandante Joaquim Sive, que viu a sua posição tremida depois de que em um evento do partido Frelimo, no estádio 25 de Junho, mais de uma dezena de cidadãos perdeu a vida, numa tragedia que até aos dias que correm ainda não foi esclarecida. Foi Filipe Nyusi, então candidato presidencial da Frelimo, que estava a orientar o comício de pedido de votos para as 6ª eleições, quando logo depois da sua saída do local, uma tragedia resultou em mortes e feridos, dentre graves e ligeiros.

Antes de passar a comandar a corporação na província mais populosa província do país, o comandante, ora exonerado, chefiava a alegada comissão de inquerito criado por Jaime Basílio Monteiro, então ministro do Interior, cujo objectivo era esclarecer o que originou a tragédia do estádio 25 de Junho.

Assim, Adelaide Muianga, que prestou juramento em cerimónia pública, presidida pelo comandante do ramo da Polícia e Ordem, do Comando Geral da Polícia da República de Moçambique, Paulo Chachine, é a segunda mulher a comandar a corporação em Nampula, depois da Arsénia Massingue.

No acto da investidura, Paulo Chachine explicou que a nomeação e o respectivo empossamento enquadram-se num processo dinâmico que consiste na mudança constante dos dirigentes em prol da melhoria das actividades na ordem, segurança e tranquilidade públicas dos moçambicanos.

A fonte exortou a nova comandante para respeitar e valorizar os recursos humanos e todos os intervenientes que encontra no comando provincial, de modo a obter sucessos no exercício das funções que lhe foram confiadas.

Defender a circulação de pessoas e bens, a ordem e segurança públicas dos moçambicanos, bem como contribuir e garantir a soberania da pátria são outros desafios deixados, por Paulo Chachine, à nova comandante da província de Nampula.

No seu adeus, Moisés Gueve, comandante cessante, aproveitou a ocasião para agradecer o envolvimento de todos os membros da corporação pela colaboração e apoio durante o exercício das suas funções.

Gueve enalteceu ainda o trabalho dos profissionais de vários órgãos de comunicação social, sediados na província de Nampula, que “de forma directa ou não, serviram como fonte de informação no combate a criminalidade no seio das comunidades”.

Por seu turno, Adelaide Muianga, a nova timoneira da Polícia em Nampula, manifestou o seu comprometimento em dirigir a corporação. Ela pediu ainda o apoio dos membros que fazem parte do seu sector nesta circunscrição geográfica de Moçambique. (Esmeraldo Boquisse)

Nampula regista primeiros 3 casos positivos de covid-19

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, a mais populosa do país, entrou hoje na lista das províncias com casos testados positivos do novo coronavírus, a covid-19.

No habitual briefing diário, sobre a doença, as autoridades nacionais da saúde referiram que neste domingo (24), o país registou, ao todo, mais 26 novos casos da doença, de um total de 516 suspeitas testadas nas últimas 24 horas.

Até ao momento, este é o dia em que mais casos positivos foram registados no país, perfazendo assim, um cumulativo de 194 casos da covid-19 em Moçambique.

De acordo com a directora nacional de Saúde Pública, Rosa Marlene, dos três casos registados em Nampula, um corresponde a uma criança abaixo de 5 anos de idade.

A província de Cabo Delgado volta a registar, mais uma vez, números estrondosos, ao se contabilizarem, nas últimas 24, mais 22 casos positivos.(Redação)

Bispos da província eclesiástica de Nampula preocupados com a deterioração da situação de Cabo Delgado

Nampula (IKWELI) – A deterioração da situação do conflito armado que assola os distritos do norte da província de Cabo Delgado, preocupa os bispos da província eclesiástica de Nampula, os quais estiveram reunidos, entre os dias 5 a 8 do corrente mês de Maio, na cidade de Nampula, para discutir os problemas que apoquentam os fiéis da igreja católica na região, e a população em geral.

A província eclesiástica de Nampula, da igreja católica, compreende a Arquidiocese de Nampula e as Dioceses de Pemba, Lichinga, Nacala-Porto e Gurúè.

“Como pastores que o Senhor Jesus, morto e ressuscitado, chamou e colocou à frente do Seu rebanho, estamos profundamente preocupados com o agravamento da situação em Cabo Delegado que, na prática, se transformou em palco de uma guerra misteriosa e incompreensível, onde se travam violentos combates. De facto, a guerra já se instalou desde Outubro de 2017 e vai-se estendendo em toda a província e com ela tantas outras formas de violência e violação dos direitos humanos, deteriorando as condições de vida, já precárias, e causando grande sofrimento às populações”, lê-se no comunicado final dos bispos enviado aos fiéis da igreja.

Na mesma missiva, os bispos avançam que “a nossa missão de pastores do rebanho do Senhor não nos permite fechar os olhos nem ficar calados perante o clamor do povo esmagado pelo sofrimento. As consequências dramáticas desta crise multifacetada são patentes: queimada das aldeias, destruição de infraestruturas económicas e sociais, populações assustadas e esfomeadas, famílias em fuga, literalmente confundidas e desorientadas sem saber aonde buscar abrigo e protecção. E como se isso não bastasse, a mesma província de Cabo Delgado, duramente atribulada, infelizmente converteu-se, em Moçambique, no epicentro do surto da pandemia global causada pelo Covid-19”.

Igualmente, os clérigos apontam que “as tensões e os conflitos armados que se travam numa das regiões saturadas de recursos naturais no nosso país e marcados pela falta de informação verdadeira e pela abundância de desinformação, têm muito a dizer sobre o nosso ser e agir como Povo Moçambicano: entre outras coisas, tornam manifesta e, ao mesmo tempo, aprofundam a situação de desarmonia, ambições inconfessadas e descontroladas, as dificuldades de construção da fraternidade na família moçambicana e de um estado de bem comum, as desigualdades sociais e de oportunidades, a condição de insegurança e precariedade, a impossibilidade de o povo trabalhar e levar um ritmo normal da vida, o aumento da fome, a falta de respeito pela dignidade das pessoas e a violação os direitos fundamentais das pessoas e das comunidades”, por isso “lamentavelmente, as principais vítimas de tudo isso são os jovens que, vendo-se excluídos das oportunidades e desejosos de sair da situação de pobreza em que estão mergulhados, acabam por se envolverem nos meandros do crime e da violência, caindo desta feita, num dilema: se, por um lado, se deixam aliciar e instrumentalizar, não se sabe se por poderes internos ou externos, para actuarem como protagonistas da criminalidade, caem na condenação reservada aos malfeitores e “insurgentes”; e se, por outro lado, resistem e se recusam a alinhar na prática da delinquência e violência contra o seu próprio povo, são eles mesmos os que são agredidos e barbaramente massacrados como vítimas de holocausto”.

No referido retiro realizado no início do corrente mês, os bispos da província eclesiástica de Nampula, também, honraram a vida e obra do arcebispo emérito de Nampula, Dom Manuel Vieira Pinto, falecido em finais de Abril último. (Redação)

Depois de um 7 de Abril nas “escondidas”: Mulheres de Nampula procuram organizar o 1 de Junho para as crianças

Nampula (IKWELI) – Os preparativos das celebrações do dia internacional da criança, uma efeméride cujas comemorações públicas são ainda uma incógnita, devido ao novo coronavírus que afecta o país e o mundo, está a arrastar pais e encarregados de educação dos petizes a desrespeitarem o distanciamento social, nas filas de lojas de venda de vestuários.

Diante de um movimento desusado pelas artérias do maior centro urbano do norte de Moçambique, o Ikweli decidiu por ir observar o ambiente que se registava em algumas lojas da cidade, e a imagem era de lamentar. Filas longas, em alguns casos, e em outros nem por isso, toda a gente estava aglomerada sem observância do distanciamento exigido.

As lojas PEPE, localizadas ao longo da rua Daniel Napatima e das avenidas Eduardo Mondlane e do Trabalho estavam abarrotadas de mães e encarregadas de educação que, ao todo o custo, procuravam adquirir calçados e vestuários para o 1 de Junho, e ainda para o Eid Ul-Fitri.

A única medida preventiva que notamos é apenas o uso obrigatório das máscaras e a lavagens das mãos, mesmo esta última que tem sido de forma tímida e em algum momento forçada por parte dos seguranças dos estabelecimentos comerciais.

Maura Valentim é mãe de três filhos. Ela esteve na loja com um deles, por sinal o mais novo, e que nem sequer portava máscaras numa situação de risco para a contaminação do novo coronavírus. Ainda no meio da fila, e sem observância do distanciamento social, a dona Maura, ao IKWELI, disse que não tinha nenhuma alternativa senão colocar, também, o seu filho exposto, tudo por conta dos vestuários que pretendia adquirir para eles.

“Tinha de levar a criança para experimentar os artigos na loja, para não correr o risco de comprar roupa grande e/ou pequena. Esta criança não pode usar máscara, é muito pequena, por isso está assim”, disse a nossa interlocutora.

Juma Alije, um outro cidadão que esteve nas lojas PEPE para a mesma finalidade, comprar artigos para os seus filhos disse que “mesmo com essa doença, não podemos deixar de agradar as nossas crianças, não soubemos ao certo o que vai acontecer até lá, mas temos que comprar roupas para celebramos o dia do Eid em perfeitas condições, mesmo estando em nossas casas”.

A inobservância do distanciamento social nas fileiras dos estabelecimentos comerciais está, igualmente, a preocupar aos gestores e proprietários das lojas e uma das medidas para descongestionar as filas e as lojas é a não devolução dos produtos adquiridos, numa clara demonstração de que os clientes devem estar cientes nas suas escolhas.

Esaú Samo Gudo, Auditor Comercial da Região Norte das Lojas PEPE, disse, em entrevista exclusiva ao Ikweli, que “nós pedimos o uso obrigatório de máscaras e colocamos poucas pessoas na fila, de modo a observar o distanciamento social, mas algumas pessoas não acatam; os clientes são complicados e não ouvem”, lamentou. (Texto: Elisabeth José, Foto: Hermínio Raja)

AJUDEMU apoia pessoas carenciadas e vendedores de mercados a prevenirem-se do coronavírus

Nampula (IKWELI) – A Associação Juvenil para o Desenvolvimento de Murrupula (AJUDEMU), no norte de Moçambique, tem vindo a empreender esforços no sentido de prover recursos para a higienização e prevenção contra o novo coronavírus, a covid-19, para pessoas carenciadas e vendedores de mercados.

De acordo com Iassito Kamuendo, director executivo da AJUDEMU, na semana passada, a organização que dirige montou tambores de água e disponibilizou detergentes e sabão para a higienização dos vendedores do mercado da Cavalaria, na cidade de Nampula.

Também conhecido como sendo “na descida”, o mercado da Cavalaria é dos mais antigos espaços informais de venda de roupa usada da segunda mão, bem como materiais diversos para quase todas as áreas, incluindo de construção civil.

A iniciativa, segundo Kamuendo “é garantir que as pessoas que ali desenvolvem as suas actividades de venda de produtos diversos estejam protegidas, porque o mercado da Cavalaria é grande e muito frequentado por gente de diversos extractos sociais”.

O nosso interlocutor fez saber ainda que “ao nível do distrito de Murrupula temos estado a promover diversas acções para garantir que os mais desfavorecidos possam ter alguns meios de subsistência nesta fase difícil da vida de qualquer cidadão”.

O director executivo da AJUDEMU avançou ainda que para além da oferta de meios materiais, a organização tem estado a promover o acesso a informação através de debates e sessões de informação nas redes sociais, de forma que a informação útil chegue a mais pessoas. (Redação)

Manuel Rodrigues exorta executivo de Nampula a dominar a governação descentralizada

Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Manuel Rodrigues, exortou aos directores provinciais na última sexta-feira (15) para dominarem a lei sobre a governação descentralizada que, pela primeira vez, entra em vigor este ano no território moçambicano, na sequência da revisão pontual da Constituição da República, com vista evitar colisões no exercício das suas funções com os órgãos de representação de Estado na província.

Na Iª do órgão, o governante disse que “nós estamos a iniciar um novo ciclo de governação descentralizada, entenda-se, novo ciclo, pois ele deriva da revisão pontual da Constituição da República e subsequente aprovação das leis que dão corpo a esta governação descentralizada, portanto é uma nova forma de governação no nosso país. Ela tem como primazia a inclusão, a participação da população no processo de desenvolvimento. Tem como primazia a auscultação e envolvimento de todas as forças vivas, no caso específico da nossa província de Nampula, portanto, como luz, como plataforma de trabalho, cada um de nós deve rever por si está nova forma de governação descentralizada”, para depois avançar que “por isso, gostaria aqui de sublinhar a necessidade de todos termos presente que na província de Nampula nós temos um órgão do Estado que é a representação do governo central na província de Nampula, portanto, falo dos serviços de representação provincial que necessariamente o nosso parceiro indispensável. São Parceiro indispensável neste conselho executivo, tendo em conta que nós como órgãos autónomos, a nossa autonomia tem limite, e o limite é aquele que está estabelecido na Constituição, temos que respeitar todos os órgãos que estão na província de Nampula”.

Outro apelo de Manuel Rodrigues, aos directores provinciais, é de que os mesmos sejam dinâmicos no exercício das suas funções, para permitir um desenvolvimento assinalável que tanto Nampula almeja, dai que “cada um libertar iniciativas, cada um abrir-se e movimentar-se. Não pode esperar que possa receber orientação, não pode haver orientação do governador ou do director do gabinete para avançar com uma iniciativa, ou não estou fazer porque um sector do Estado com quem me relaciono não me disse ainda que devo fazer, não queremos ouvir isso neste conselho executivo”, alertou Rodrigues sustentando que “para nós, o melhor quadro é aquele que quando amanhece, só, estamos a ver os resultados. Portanto, esse é que é o melhor quadro, melhor conselho executivo de Nampula porque a população não está a espera de ver quadros nos carros, quadros engravatados, está a espera de resultados, quer água, quer estrada, quer a sua comercialização feita, quer hospital a funcionar como deve ser, não queremos bichas nos hospitais, portanto, é preciso nos libertarmos para ver o que pode ser feito mais, temos que nos reinventar, reinventemo-nos carros membros do conselho executivo”.

Manuel Rodrigues disse, na ocasião, ser necessário a melhoria do ambiente entre o governo e os órgãos de comunicação social, por considerar que “os órgãos de comunicação social são os parceiros indispensáveis na promoção do desenvolvimento da província, por isso, abertura, o diálogo e a busca de inspiração dos órgãos de comunicação social, é indispensável, todos os órgãos sem distinção, tanto escrita, como a televisão, portanto cada um tem que partilhar a informação, porque o povo informado é o povo que efectivamente participa no processo de desenvolvimento”, concluiu Rodrigues. (Texto: Constantino Henriques, Foto: Hermínio Raja)

Mesmo presente: director do Serviço Provincial de Infra-Estruturas não tomou posse em Nampula

Nampula (IKWELI) – Tomaram posse na tarde de hoje, quarta-feira (13), oito dos nove directores dos serviços provinciais que vão constituir os órgãos de governação descentralizada em Nampula, e sem explicação, mesmo presente, não tomou posse Pedrito Raul Rocha, para o cargo de director do serviço provincial de Infra-Estruturas.

Rocha foi no mandato anterior director provincial das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, e durante a campanha eleitoral para as últimas eleições, em 2019, foi o director de campanha do partido Frelimo ao nível da província de Nampula.

O nome de Pedrito Rocha consta do guião para a cerimónia de tomada de posse, a que o Ikweli teve acesso no local, por isso não tendo sido solicitado para o efeito, o nosso repórter tentou perceber sobre o que se estava a passar.

“Os senhores é que dirigem hoje os nossos serviços? Nós é que empossamos, nós é que dirigimos, é que tomamos a decisão como é que o processo tem que ser conduzido e na devida altura sempre vão ser convidados”, reagiu Mety Gondola, Secretário do Estado da província de Nampula, quando questionado pelo Ikwelià propósito.

Na referida cerimónia, tomaram posse Tomé Agostinho Shakushasha, para o cargo de director do gabinete do Secretário de Estado da província, Jaime Roberto Chissico, para director do Serviço Provincial de Actividades Económicas, Munira Abubacar Bin Abudo, para o cargo de directora do Serviço Provincial de Assuntos Sociais, Cachimo Raul, para director do Serviço Provincial de Justiça e Luís Tomás Sande, para exercer o cargo de director de Serviço Provincial de Ambiente.

Para além dos directores dos Serviços provinciais, foram igualmente empossados os assessores do Secretário de Estado designadamente, Luís Massalo, Amir Aly Ussene e Agostinho José Lobato. (Texto: Constantino Henriques *Fotos: Hermínio Raja)

Mais de trezentos refugiados de guerra de Cabo Delgado fixam-se em Namialo

Nampula (IKWELI) – Pouco mais de 300 (trezentas) pessoas oriundas dos distritos onde ocorrem ataques armados na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, refugiaram-se na vila de Namialo, em Nampula, fugindo da acção dos terroristas.

Desde finais de Abril último que algumas destas pessoas foram acolhidas pelos seus familiares que residem naquele ponto do distrito de Meconta, facto que ditou o aumento dos agregados familiares, chegando, nalguns casos, a excederem 30 pessoas numa minúscula casa de construção precária.

Igualmente, o cenário ditou mudanças nas estruturas famílias, sobretudo na qualidade de vida destes cidadãos.

“Nós saímos assim mesmos, nem pasta, nem roupa, conforme estão a nos ver, é assim mesmo como saímos. Agradecemos ao governo daqui porque fomos bem recebidos. O que estamos a sofrer é o sítio para onde podemos dormir, conforme estão a nos ver, estas esteiras pedimos emprestado dos vizinhos e estamos a dormir aqui mesmo, não temos nem comida”, disse Maita Toshi, um dos integrantes daquele grupo.

“Não temos redes mosquiteiras, e somos picados por mosquitos. Estamos a agradecer ao governo e pedimos, também, para que se tiverem alguns sítios para podermos descansar porque lá a guerra continua, até todas as casas já queimaram lá”, precisou Maita Toshi, apresentando as preocupações do grupo, ao Secretário de Estado da Nampula, que escalou o local na última terça-feira (12).

“Eles estão a matar muitas pessoas lá. Não consegui ver o número de pessoas que mataram porque sai a fugir de lá para o mato. Eles, quando chegam na povoação, dizem que nós queremos muçulmanos, dizem que não querem pessoas que andam sem religião como um animal. Nós, também, somos muçulmanos, mas eles falam muita coisa, têm muitas formas que eles falam, até quando você corre para o mato eles, também, vão para lá”, acrescentou a fonte.

O número, de acordo com a chefe do posto administrativo de Namialo, Adelina Mucala, pode registar um aumento durante a semana porque a “cada dia que passa nós recebemos novas entradas. Eles estão em algumas residências de familiares. Este grupo, por exemplo, foi acolhido por duas famílias vizinhas. Eles vêm de vários distritos de Cabo Delgado como, Muidumbe, Mueda, Mocímboa da Praia …, e estão aqui”, explicou Adelina Mucala, acrescentando que “eles têm tudo destruído, segundo informação deles. Aqui é para ver se tentam um novo começo de vida. Eles têm a falta de comida, roupa, cobertores, não têm camas, são algumas preocupações que eles apresentam”, disse.

Mety Gondola, Secretário de Estado da província de Nampula, disse lamentar a situação. “Nós sabemos que esta é uma situação bastante difícil. É uma situação em que estamos todos tristes com o que está acontecer. O governo está a fazer todo esforço para resolver este problema”, referiu tranquilizando que “nós vamos ter que vos receber como irmãos, vamos ter que encontrar formas para que cada um, o pouco que tem, partilhar para que se, enquanto estamos a procurar de uma solução definitiva, pelo menos possamos continuar aqui juntos”.

Mety Gondola visitando uma das famílias em Namialo

“Lamentamos isso que está acontecer e estamos a nos esforçar para resolvermos este problema. Nós não estamos satisfeitos e, nunca estaríamos  satisfeitos porque, não podemos nos matar uns aos outros, nós somos irmãos.   Não podemos fazer mal a outra pessoa, aquilo que está acontecer todos nós temos que condenar e dizer que é muito mau”, disse o dirigente.

“Estamos felizes porque as nossas forças armadas estão a conseguir registar avanços, e esperamos que daqui a um tempinho possamos conseguir vitórias cada vez mais da nossa força armada e estabilizar aquela situação”, referiu Gondola, para depois concluir que “não vamos conseguir arranjar muita coisa, mas o pouco que tivermos para tentarmos apoiar, o pouco que tivermos vamos ajudar partilhando para podermos apoiar uma parte das necessidades que temos”. (Constantino Henriques)