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À semelhança dos jornalistas: Magistrados do Ministério Públicos pedem protecção

Nampula (IKWELI) – A tramitação de processos complexos, por parte dos magistrados do Ministério Público, coloca a estes actores judiciais numa situação de vulnerabilidade e de insegurança, ao que os procuradores pedem para que seja melhorada a sua segurança.

Das contas da Associação Moçambicana dos Magistrados do Ministério Público, há o registo de dois casos de intimidação de dois profissionais associados na cidade de Maputo, capital do país, mas também, há a memória recente de assassinato de um outro procurador.

O que, actualmente, o estado moçambicano fornece de segurança para este grupo de magistrados revela-se ineficaz e incapaz de assegurar a onda do crime organizado, que em muitos casos é chamado a acusação pelos procuradores.

Na cidade de Nampula, Eduardo Sumana, presidente da Associação Moçambicana dos Magistrados do Ministério Público, disse que a situação tem se manifestado complexa a cada ano.

“Ano passado nem tanto, mas este é um problema latente. Na verdade, quem lida com matérias sensíveis e, que nalgum momento, tem de lidar com criminosos está sujeito a isso [ameaças] ”, disse a fonte.

O dirigente desta agremiação disse que esta e outras preocupações foram já encaminhados ao governo para tomar medidas e salvaguardar a integridade dos magistrados. “O que nós fazemos é acolher as preocupações e encaminhar a quem de direito no sentido de ver resolvida esta questão”.

Perguntamos ao presidente da associação se tinha mantinha alguma esperança em ver o governo a solucionar o problema, ao que nos respondeu: “pensamos que sim, porque ninguém, obviamente, poderá ficar indiferente quando um magistrado esteja a sofrer ameaças, isso era colocar em causa o próprio Estado de Direito. Como sabem, nós os magistrados do Ministério Público e os outros são a máquina repreensiva do próprio Estado. Então, se o Estado ficasse indiferente a sua máquina repreensiva então já se imaginou o que seria. Temos sentido que há uma preocupação, mas naturalmente isto deve ser analisado caso-a-caso”.

Ainda assim, Sumana garante que “não nos sentimos abalados com isso. São riscos inerentes a própria profissão”. (Sitoi Lutxeque)

MISA-Moçambique condena ameaças contra jornalistas do Ikweli, em Nampula.

Maputo (IKWELI) – O MISA-Moçambique está preocupado com informações sobre alegadas ameaças de morte e outros actos de intimidação dirigidos a Jornalistas do diário Ikweli, baseado na cidade de Nampula.

Segundo dados colhidos pelo MISA-Moçambique, as referidas ameaças surgem na sequência de uma carta publicada pelo jornal, na qual funcionários do Tribunal Administrativo daquela Província denunciam situações de alegada má gestão naquela instituição. Segundo o director editorial do Ikweli, os funcionários vinham com a intenção de pedir esclarecimento sobre “quem fez a denúncia, conhecerem os jornalistas que escreveram a matéria” e ainda “exigirem que o jornal desminta que a carta citada vinha dos funcionários do TA (Tribunal Administrativo)”. Os referidos funcionários ameaçaram os jornalistas afirmando que “eles veriam o que lhes iria acontecer” e  que eles “pagariam caro”. Mais tarde, um dos autores da matéria (Celestino Manuel) recebeu cinco chamadas telefónicas (três de homens e duas de mulheres), todas elas ameaçando-o de morte.

O Ikweli refere que concedeu entrevista a um dos funcionários integrantes do grupo para exercer o seu contraditório, na qual “negavam referir-se ao conteúdo da carta citada pelo jornal, mas apenas se distanciando da mesma e não do conteúdo”.
De referir que a notícia em causa foi publicada após o apuramento dos factos, incluindo a confrontação das partes visadas que, no lugar de prestar os esclarecimentos que lhes foram solicitados, limitaram-se a desqualificar o jornalista que os entrevistou.

As ameaças de morte e actos de intimidação continuaram na sexta-feira (08.11.2019), através de chamadas telefónicas anónimas, uma das quais direccionada ao jornalista Celestino Manuel.

O MISA-Moçambique repudia estes actos, que considera um grave atentado à Liberdade de Imprensa, consagrada no artigo 48 da Constituição da República.

O MISA exige, por isso, o fim imediato destas interferências e intimidações atípicas de um Estado de Direito Democrático como é o caso de Moçambique.

Em fase de instrução preparatória: GPCC de Nampula move processo contra o Juiz Presidente do TAPN

Nampula (IKWELI) – O Gabinete Provincial de Combate a Corrupção (GPCC) de Nampula confirmou ao Ikweli a entrada de uma denúncia contra algumas figuras do Tribunal Administrativo Provincial de Nampula (TAPN) dando conta da prática de diversos actos criminais na instituição.

De acordo com o porta-voz da instituição, Dr. Freddy Jamal, “de facto, nós como Gabinete Provincial de Combate a Corrupção de Nampula, tomamos conhecimento por via de uma denúncia anónima que deu entrada neste gabinete onde são avançados vários factos que são propensos de serem indiciados como crime, contra algumas figuras do Tribunal Administrativo, exclusivamente na pessoa do Juiz Presidente”.

O Juiz Presidente do Tribunal Administrativo Provincial de Nampula é o Dr. Alexandre Manhiça, o qual, durante o dia da legalidade, celebrado recentemente, desvalorizou as denúncias quando contactado por um jornalista do Ikweli para pronunciar-se a respeito.

Ainda na semana passada, um grupo de funcionários do TAPN dirigiu-se a sede do Ikweli para dentre várias coisas, incluindo ameaças, obrigar ao jornal a publicar a versão deles em que se distanciam da carta. Um dos elementos do grupo que falou com os nossos repórteres escusou-se a comentar sobre o conteúdo da carta, limitando-se, apenas, a afirmar que como parte dos funcionários vinha distanciar-se da autoria da carta.

Num outro desenvolvimento, o porta-voz do GPCC de Nampula disse que “o que nós podemos dizer nesta fase da instrução é que já existe um processo. Deixou de ser uma simples denúncia e passou a ser um processo”, e que “estamos a investigar de facto sobre o que é que existe e que é apontado na própria denúncia”.

“Pela forma que é denunciado há elementos que nos possam conduzir a um crime. Quando temos essas situações, nós temos que avançar exactamente com um processo em instrução preparatória para apurar se de facto as pessoas cometeram ou não cometeram”, concluiu o Dr. Freddy Jamal.

Nota importante é que os colaboradores do Ikweli tem vindo a receber ameaças de morte através de chamadas telefónicas com números bloqueados.

Porem, pela qualidade do sujeito, o processo deverá subir para a Sub-Procuradoria Geral da República, órgão que tem competências para ouvir um Juiz Presidente de nível provincial, ainda que os trâmites comecem a correr no Gabinete Provincial de Combate a Corrupção. (Aunício da Silva)

Em “defesa” do Juiz Presidente: Funcionários em posição de chefia “assaltam” sede do Ikweli

Nampula (IKWELI) – Um grupo de funcionários do Tribunal Administrativo Provincial de Nampula (TAPN), na sua maioria desempenhando funções de chefia e afectos ao departamento de vistos, decidiu, aparentemente, por iniciativa própria exigir a direcção editorial do Ikweli, nas primeiras horas laborais desta quinta-feira (7), publicar uma versão deles em que se distanciam das acusações que pesam contra o respectivo Juiz Presidente (JP), Alexandre Manhiça.

Em mais de uma dezena, o grupo de funcionários foi recebido pelo director editorial do Ikweli, Aunício da Silva, o qual, serenamente, escutou a razão da visita deles as nossas instalações.

A conversa durou perto de dez minutos, sob condição de as 14h do mesmo dia voltarem todos para serem entrevistados, individualmente, pelos colaboradores da publicação.

Funcionarios do Tribunal Administrativo com o director editorial do Ikweli, Aunicio da Silva
Momento em que o Director Editorial do Ikweli, Aunício da Silva, explicava ao grupo dos funcionários do TAPN sobre os procedimentos do direito à resposta

No meio de ânimos e exigências descabidas, o director editorial explicou ao grupo os procedimentos para um direito à resposta, segunda manda a lei de imprensa, enquanto parte dos membros do grupo filmavam com recurso a telefones celulares a conversa para exibirem, provavelmente, ao Dr. Alexandre Manhiça, o qual depois da publicação da notícia dando conta do mau ambiente que se vive na instituição que dirige pouco se fez presente às instalações do tribunal, localizadas na mesma avenida onde funciona  a sede do jornal Ikweli.

Nossas fontes no TAPN, garantiram-nos que, cerca de duas horas depois, o mesmo grupo de funcionários reuniu-se com o Juiz Presidente, e o conteúdo das discussões publicaremos na próxima edição, enquanto aguardamos a entrevista com os referidos funcionários. (Redacção)

Há barulho na Magistratura Administrativa em Nampula: Juiz Presidente “enfrenta duro combate” com os seus colegas

  • Os funcionários acusam ao Dr. Alexandre Manhiça de promover maus tratos, assédio sexual e expropriação de bens do estado.

Nampula (IKWELI) – O ambiente que se vive no Tribunal Administrativo de Nampula, no norte do país, é de cortar a faca, os funcionários acusam ao Juiz Presidente, Alexandre Manhiça, de estar a protagonizar desmandos e de minar o bom funcionamento da instituição.

Uma carta denúncia chegou a redacção do Ikweli e depois de meses de investigação, apuramos que as alegações nela constantes aproximam-se da verdade material, a qual circunscreve-se no abuso de poder, assédio sexual e expropriação de bens do estado, sobretudo electrodomésticos.

Como consequência, a actuação do mais importante magistrado administrativo na mais populosa província do país está a criar um clima de instabilidade e tensão, alimentando murmúrios nas conversas de esquina e de café da instituição.

Vindo da província de Sofala, o Dr. Manhiça chegou à Nampula com ar de quem tem a faca e o queijo, incluindo a confiança política necessária para fazer das suas, segundo contaram ao Ikweli os funcionários da instituição subscritores da carta-denúncia.

“Desde a sua chegada a este tribunal como juiz presidente, a 1ª advertência que nos dirigiu foi que nunca escrevêssemos para os seus superiores porque o gabinete dele estaria aberto a qualquer funcionário que tivesse preocupação, sugestões ou mesmo conselho a partilhar. Com o decorrer do tempo, passou a citar um novo slogan: “Eu, ninguém me toca. Fui enviado para ficar aqui durante 10 anos”, escrevem os funcionários do TA de Nampula na carta endereçada a nossa redacção que, também, apontam que progressões na carreira são mediante troca de favores, incluindo sexuais.

Outro dado relevante que se apercebe do sofrimento dos funcionários do TA em Nampula, semeado pelo respectivo juiz presidente, é sobre “quando o Juiz Presidente tomou a sua liderança no TAPN [Tribunal Administrativo da Província de Nampula] a primeira falcatrua que cometeu foi a de desmontar, das paredes onde estavam afixadas, três plasmas, património do tribunal administrativo provincial: Um plasma de 32 polegadas da sala de espera, um outro plasma de 40 polegadas na sala de audiências para os juízes do tribunal e outro plasma de 50 polegadas que estava na sala de sessões. Essa roubalheira aconteceu de forma premeditada e num fim-de-semana, sem ter informado ao pessoal de controlo interno. Também, retirou os sofás que estavam na sala de espera para a casa dele. O pessoal responsável pelo património da instituição quando perguntou ao JP [Juiz Presidente] numa das reuniões de programação que tem sido semanalmente, este simplesmente berrou e ralhou com eles, obrigando estes a ficarem encolhidos sem mais hipóteses de perguntar por aqueles bens, como também por outros bens que o JP surripiou das instalações do tribunal sem anuência da comissão de controlo interno do património”.

Uso indevido de fundos do Estado

Por outro lado, continuam os funcionários na mesma carta, cujo conteúdo temos vindo a citar depois de observadas várias apurações, que o Dr. Alexandre Manhiça decidiu, unilateralmente, arrendar uma casa, onde actualmente reside, por valores astronómicos.

Contam as nossas fontes que o magistrado paga, mensalmente, 100.000,00Mt (Cem Mil Meticais) para a residência, onde terá ficado perto de um ano sem viver nela.

“Sempre que ele viaja, seja a Maputo como ao exterior, traz receitas hospitalares, para fins de reembolso no SAF (Sector de Administração e Finanças) do tribunal que dirige. As frequentes ausências não são comunicadas por ordem de serviço escrito e se tem havido substitutos, também, a informação talvez tem sido verbal e de natureza confidencial”, ficamos a saber das nossas fontes naquela instituição.

Adiantam os denunciantes que “o JP rescindiu um contrato com a empresa MOZ CLEAN que prestava boa limpeza e pagávamos, mensalmente, 35.000,00mt (Trinta e Cinco Mil Meticais), em detrimento duma outra empresa, que ele acabou contratando com o valor contratual de 45.000,00mt (Quarenta e Cinco Mil Meticais)”.

Num outro desenvolvimento, apuramos ainda que há dois anos, no âmbito da contratação de uma empreitada de obras, o JP ordenou ao júri do concurso para apurar a uma empresa proveniente da Beira, capital da província de Sofala, onde ele exercia as mesmas funções, para a realização de obras de ampliação dos anexos da instituição, nos quais funciona o cartório.

Por fim, as obras não foram executadas a tempo, e a qualidade deixa a desejar pois, em pouco tempo, as chapas usadas na sua cobertura começaram a perder a qualidade inicial, o que demonstra que não eram da qualidade desejada.

As negações do Juiz

Ontem, terça-feira (5), por ocasião do Dia da Legalidade, os magistrados, de todos os sectores, foram recebidos, em saudação, pelo governador de Nampula, Victor Borges, e o Ikweli, também, aproveitou a ocasião para colocar ao Dr. Alexandre Manhiça o direito de resposta face as acusações provenientes dos seus colegas.

Com alguma cordialidade Manhiça começou por negar as acusações, distanciando-se de qualquer forma de ser promotor de um mau ambiente na instituição que dirige.

Dr. Alexandre Manhiça, Juiz Presidente do TA de Nampula

Diante da nossa insistência, o Juiz Presidente do Tribunal Administrativo da Província de Nampula, partiu para agressões verbais, com tendência para intimidação a nossa equipa de repórteres, ao que nos valeu o registo de algumas das suas palavras.

“Jornalista incompetente e que não tem ética profissional”, disse no momento o magistrado, apontando para o nosso jornalista, alegadamente pela insistência, para depois concluir que “nunca ouvi as histórias de assédios sexuais no Tribunal Administrativo. Peço ao senhor jornalista para que me mostre a carta de denúncia que teve acesso”. (Texto: Sitoi Lutxeque e Celestino Manuel, Fotos: Hermínio Raja)

ARA Centro-Norte, Hospital Geral do Marrere e direcção dos Combatentes de Nampula nas malhas do GPCC de Nampula

Nampula (IKWELI) – O Gabinete Provincial de Combate a Corrupção (GPCC) de Nampula está implacável na investigação e produção de provas da prática de actos de corrupção envolvendo funcionários e agentes do estado naquele ponto do país.

De acordo com o porta-voz da instituição, Dr. Freddy Jamal, neste momento correm respectivos trâmites quatro principais processos de impacto maior pela qualidade dos arguidos.

“São vários os casos, mas nós consideramos como sendo de impacto quatro, nomeadamente os processos 111/2019, 103/2019, 70/2019 e 107/2019”, disse o Dr. Freddy Jamal, em exclusivo ao Ikweli.

Nestes processos, os funcionários indiciados estão afectos a instituições como a Administração Regional de Águas Centro – Norte (ARA Centro – Norte), Serviços Distritais de Educação Juventude e Tecnologia de Monapo, Hospital Geral de Marrere e direcção provincial dos Combatentes de Nampula.

Segundo a nossa fonte, o “processo 103/2019 é um processo contra funcionários da ARA Centro – Norte que são indiciados da prática de crimes de abuso de cargo e/ou função, falsificação de documentos autênticos”. Este processo tem a ver com um concurso de ingresso na instituição que, efectivamente, não existiu, ou seja, foram admitidos funcionários para o aparelho do estado sem a observância dos procedimentos legais.

Por outro lado, está o processo 70/2019, tendo como arguidos do sector de educação no distrito de Monapo que “são indiciados da prática de crimes de peculato, pelo facto de, de forma fraudulenta, terem efectuado mudanças de carreira no sistema e-Cafe, onde recadastraram um funcionário aposentado, reactivaram-no no sistema, e por via disso efectuaram o cadastro de uma conta bancária a favor de um terceiro que não era a conta bancária deste funcionário recadastrado. Estamos a falar de um prejuízo ao estado a rondar nos 179.980,00Mt”.

Jamal aponta que o “processo 111/2019 é referente ao Hospital Geral de Marrere que de facto está a correr neste gabinete em que é indiciada a gestora deste hospital de ter-se apoderado, fraudulentamente, de valores doados por uma organização de caridade, na ordem de 343.415,00Mt. O processo está na fase de instrução. Ainda não está ninguém constituído arguido, mas há indiciados, tal como eu bem disse essa denúncia é contra a gestora do Hospital Geral de Marrere”.

Quanto ao caso do Hospital Geral de Marrere, o Ikweli publicou na sua edição 344, da última sexta-feira (25 de Outubro), uma reportagem dando conta do assunto através de uma denúncia feita por uma missionária.

“No processo 107/2019 são indiciados funcionários da direcção provincial dos Combatentes da prática de abuso de cargo e/ou função na sequência de adjudicação de um concurso para uma empresa para a construção de vários monumentos. As obras foram adjudicadas a uma determinada empresa, foram pagos os valores na totalidade, mas os trabalhos não foram efectuados”, esclareceu a nossa fonte do GPCC de Nampula, para depois referir que “existem outros casos, mas estes são os com mais impacto pela qualidade dos seus arguidos”.

 

O Dr. Freddy Jamal voltou a falar dos números baixos de julgamentos de processos ligados a prática da corrupção na província, o que, sobremaneira, preocupa a instituição.

“Em relação a casos julgados continuamos com os números muito baixos e isso continua a preocupar-nos, mas estamos a fazer um trabalho junto do Tribunal Judicial da Província de Nampula no sentido de, também, fazer pressão do seu lado como judicial”, disse o porta-voz do GPCC, apontando que “nós, como gabinete, não temos como fazer pressão da marcação de julgamentos ou interferir na agenda dos juízes, mas continuamos preocupados e a fazer pressão para ver se o número de processos julgados sobe”.

Educação cívica

 Durante o último trimestre, segundo a nossa fonte, o GPCC de Nampula promoveu várias acções de prevenção e combate a corrupção com actores distintos, como forma de consciencializa-los sobre o mal.

“Os principais actores que nós envolvemos são os agentes económicos e organizações da sociedade civil no âmbito de acções de prevenção e combate a corrupção”, explicou o Dr. Freddy Jamal, para de seguida referir que “estamos expectantes na criação de um fórum de prevenção e combate a corrupção, como resultado das acções de capacitação desenvolvidas com os organismos da sociedade civil”.

“Antes de finalizar o ano, estamos a planificar o ataque as fronteiras ao nível da zona norte do país no sentido de fazermos uma acção de sensibilização nesses pontos”, concluiu a nossa fonte. (Aunício da Silva)

Outubro Rosa: Activista social apela as mulheres a fazerem diagnóstico precoce do cancro da mama

Nampula (IKWELI) – A activista social Deleila Tajú apelou, durante um evento sobre a doença no campus da Universidade Lúrio (UniLúrio), em Nampula, para que as mulheres possam ter a coragem de fazer o rastreio do cancro da mama de forma permanente para que no caso de ocorrência possam procurar pelo tratamento adequado.

O cancro da mama ou câncer de mama ou carcinoma da mama é o cancro que se desenvolve no tecido mamário. Entre os sinais de cancro da mama estão o aparecimento de um nódulo na mama ou perto da mama na zona da axila; alterações na forma ou na aparência da mama, como retracção do mamilo, pele da mama ou aréola, mamilo com aparência escamosa, vermelha, inchada ou com saliências e reentrâncias; ou ainda sensibilidade no mamilo e secreção ou perda de líquido pelo mamilo. Em pessoas com a doença disseminada, pode também verificar-se dor óssea, gânglios linfáticos inchados, falta de ar e icterícia.

Entre os factores de risco para o desenvolvimento de cancro da mama estão o sexo feminino, a idade, obesidade, falta de exercício físico, o consumo de álcool, a terapia de reposição hormonal durante a menopausa, radiação ionizante, idade precoce da primeira menstruação, ter filhos em idade tardia ou não ter tido filhos. Entre 5 e 10% dos casos são causados por genes herdados dos pais da pessoa, entre os quais o BRCA1 e o BRCA2. O cancro da mama geralmente desenvolve-se nas células do revestimento dos canais mamários e dos lóbulos onde é produzido o leite. Os cancros que se desenvolvem nos canais são denominados carcinomas ductais, enquanto que os que se desenvolvem nos lóbulos são denominados carcinomas lobulares. Existem ainda mais 18 subtipos de cancro da mama. Alguns cancros desenvolvem-se a partir de condições pré-malignas como o carcinoma ductal in situ. O diagnóstico de cancro da mama é confirmado através de uma biopsia do nódulo em questão. Uma vez realizado o diagnóstico, são realizados mais exames para determinar se o cancro se disseminou para além da mama e a que tratamentos podem responder.

cancro da mama esta a preocupar as mulheres

A ponderação entre as vantagens e desvantagens do rastreio do cancro da mama ainda é um tópico controverso. Uma revisão de 2013 da Cochrane afirmou que não é claro que o rastreio mamográfico tenha mais benefícios ou malefícios. Outra revisão de 2009 por um grupo de trabalho dos EUA (US Preventive Services Task Force) encontrou evidências de benefícios em pessoas com 40 a 70 anos de idade, tendo recomendado o rastreio a cada dois anos para as mulheres entre os 50 e 74 anos de idade.

A senhora Deleila tem se destacado na luta contra a doença em Moçambique, por isso defende a não estigmatização das pessoas que sofrem deste mal, o que pode contribuir na redução das suas vítimas mortais.

Segundo esta activista, no mundo inteiro, perto de 4,4 milhões de mulheres são afectadas pelo cancro da mama.

Vítima da doença, esta nossa fonte conta que perdeu uma das suas mamas em Setembro de 2017, e de lá para cá decidiu dar as suas energias para o combate da doença.

“Nalgum momento comparei-me com Jesus Cristo quando foi pregado na cruz. Ele foi levado a força. Igualmente eu, também, fui levada a força para aquela sala de cirurgia. Eu olhava para o médico e perguntava: o senhor vai me tirar a mama? A minha esperança era tanta que nalgum momento acreditava que ele não ia tirar a mama”, contou a activista para depois anotar que “a minha esperança de ter mama no peito acabou quando acordei”.

Outro apelo da senhora Deleila é no sentido de as mulheres perceberem a importância de fazerem o diagnóstico precoce da doença, de modo a evitar que ela se propague para outras partes do corpo.

“Nós somos muito desleixadas com o nosso corpo. Os homens casados e não só devem ajudar as suas mulheres de modo a reduzir a taxa de mortalidade por este mal. Cancro tem cura e pode se precaver quando cedo”, concluiu a nossa fonte. (Celestino Manuel e Elisabeth José)

“Entrei na política para ultrapassar as minhas dificuldades” – Ali Faque, conceituado músico moçambicano

Nampula (IKWELI) – No contexto das artes e letras em Moçambique, o nome Momade Ali Faque, ou simplesmente Ali Faque, é uma referência obrigatória quando o assunto é a música, sobretudo no que se refere a música tradicional macua.

Em entrevista exclusiva ao Ikweli, o actual director da Companhia Municipal de Canto e Dança, no concelho autárquico de Nampula, afirma que entrou para a política activa e abraçando um partido da oposição, a Renamo, como uma forma de ultrapassar as dificuldades que enfrenta e, sobretudo por ser deste lado da história do país onde se lhe é oferecido o acolhimento devido.

Ali Faque é pai de três filhos e conta que entrou para o mundo da música nos anos 80, onde, pela primeira vez gravou a sua primeira colectânea de músicas, a qual estava disponível em cassete. Fruto dessa obra, o artista vendeu a sua obra e dai rumou para a cidade capital do país, Maputo.

O nosso entrevistado recorda-se que teve inúmeras dificuldades em se inserir na arena artística nacional, incluindo na principal rádio pública do país, a Rádio Moçambique (RM), mas a sua persistência valeu-lhe o reconhecimento em vários momentos, incluindo as distinções de melhor voz de Moçambique, através das suas composições, destacadamente o Nikiriquita, Emma e Kinachukuro.

A sua vocação é mesmo a música, mas a sobrevivência exige um pouco mais do que a arte por isso, Ali Faque aceitou o convite do partido Renamo e ingressou para a política partidária activa, depois de ponderar todos os riscos e medir as consequências que poderão advir do regime.

Por outro lado, o músico queixa-se da pirataria que desgraça os fazedores da arte perante um olhar impávido das autoridades do sector.

“Eu entrei na política, especialmente na Renamo, porque foi ai onde me refugiei, olhando numa forma humana”, disse o Ali Faque, para depois prosseguir apontando que “na música, hoje em dia, existe muita pirataria e isso acaba não dando valor o nosso trabalho por esse motivo entrei na política e pretendo ficar por um bom tempo”.

Ali Faque está ciente que a música é o seu forte, por isso que “não esqueci a minha arte. Estou presente na vida artística, mas agora quero me dedicar a Renamo para fortalecer a música na minha terra”.

O conceituado músico é natural do distrito costeiro de Angoche e aponta que as oportunidades para os fazedores da arte estão concentradas na capital do país, Maputo, ainda que isoladamente há convites para músicos de outros pontos de Moçambique.

“Dificuldades são várias e não sou apenas eu que passo, são vários os artistas que passam dificuldades em impor o seu talento. As riquezas estão concentradas apenas no sul (Maputo) e os artistas do norte não tem”, concluiu o nosso entrevistado. (Elisabeth José)

David Charti, um guarda-redes que faz a diferença

Nampula (IKWELI) – Com 37 anos de idade, David Charti é um jogador de futebol onze que faz a diferença pelos clubes onde passa, mas o seu reconhecimento não é dos melhores e nem da proporção das contribuições que tem prestado.

O Ikweli tem estado a acompanhar o percurso deste jogador na posição guarda-redes, tanto dentro, assim como fora do país.

Há quatro épocas que Charti não milita no principal campeonato de futebol do país, o Moçambola, mas já aventurou pelas terras do Nyerere, onde militou no Ndimbua Sugar de Duara, e actualmente faz parte das apostas do Asante Clube de Nampula, a nova promessa do futebol nacional que entra para a divisão de honra da zona norte na próxima época.

O Moçambola não é novidade para o jovem atleta, entendendo que já defendeu as balizas do Ferroviário de Nampula e do Desportivo de Nacala.

Na presente época futebolística, defendendo as cores do Asante, Charti apenas sofreu 4 golos, o que lhe valeu a consagração de guarda-redes menos batido.

Natural de Nangade, um dos distritos que tem sido alvo das investidas de insurgências militares na província de Cabo Delgado, David Charti é uma miscelânea de culturas, pelo facto de ser filho de mãe moçambicana e pai tanzaniano, o que valeu a passagem da maior parte da sua infância naquelas terras vizinhas de iniciação a moçambicanidade.

Foi mesmo na Tanzânia que Charti começou a brincar com a bola e a desenvolver a sua paixão pelo futebol onze, sendo que fruto disso militou, por duas épocas, numa das melhores equipas do país.

De Duara, Charti foi “aliciado” para as terras moçambicanas, através da Associação Desportiva de Pemba e aqui as suas exibições chamaram a atenção dos melhores clubes do país, e foi o Ferroviário de Nampula que conseguiu segura-lo.

Em 2009, o Ferroviário de Nampula desceu de divisão e viu-se obrigado a disputar a poule de apuramento da região norte para que no ano de 2011 volta-se a fina flor do futebol nacional, e com isso a máquina devia estar afinada e o nome de David Charti veio a tona.

Com garras e unhas David defendeu a baliza dos axinenes de Nampula, ao que lhes valeu o regresso ao campeonato nacional de futebol da primeira divisão.

“Cheguei no Ferroviário de Nampula naquele tempo em que éramos treinados por Zainadine Mulungo. Comecei a treinar sem se quer ter a autorização do mister Macoca, que era o treinador dos guarda-redes. Eu era titular e fiz quase todos jogos até a grande final que tivemos em Quelimane, com o Ferroviário de Nacala, onde vencemos por 3-1 e apuramos para o Moçambola. Foi um ano em que mesmo eu estando doente tinha que vacinar para jogar. Eu fiz muito para o Ferroviário de Nampula”, recorda-se o guarda-redes.

Ora, após qualificar a equipa para o Moçambola, David conta que as suas expectativas foram defraudadas, porque em várias jornadas assistiu os jogos no banco de suplentes, e outras vezes fora da convocatória por opção do mister Mussá Ósman que acabara de assumir o comando técnico dos locomotivas.

Apesar disso, o nosso interlocutor recorda que nunca desanimou pelo que ia desenvolvendo, intensivamente, os trabalhos de treinamento como terceiro guarda-redes.

“As vezes, eu não viajava e outras não. Quando a equipa fosse a Beira, eu ficava em Nampula. Eu ficava chateado, mesmo assim continuei a trabalhar porque eu conhecia as minhas qualidades no futebol, para além de que tinha mais um ano de contrato com o clube Ferroviário de Nampula, não tinha como sair”, disse o nosso entrevistado, para depois acrescentar que “as coisas começaram a não andar bem para a equipa e houve mudanças, inclusive a equipa técnica chefiada por Ósman e veio o treinador Alex Alves. Daí comecei a mostrar minhas qualidades e passei a jogar quase todos os jogos e a equipa melhorou a classificação, depois veio um outro bom  guarda-redes, o brasileiro Caio, com quem tive boas relações. Ele ganhou a titularidade quando fiquei lesionado, não fiquei chateado porque ele, também, era mesmo bom”.

Despedimento Injusto

Depois de várias épocas como titular na baliza dos axinenes de Nampula, mesmo na era do técnico português Rogério Gonçalves, David contou ao Ikweli que em 2014 chegou-lhe a notícia da sua desligação com o Ferroviário de Nampula, casa onde tinha muita paixão.

A precipitada desvinculação do David ao Ferroviário de Nampula, segundo ele mesmo, deveu-se a uma derrota sofrida diante do Chingale de Tete, por uma bola sem resposta.

“No meio da época, eu tinha problemas de saúde. Sempre saia frúnculos no meu corpo. Naquele tempo o nosso massagista, o senhor Eusébio sabia da minha situação e ele tranquilizou-me que ia tratar da situação. Então, alguns jogos não estavam no meu nível porque jogava encomodado. Tivemos um jogo com o Chingale, se a memória não me traí, nessa partida eu não queria jogar e informei ao nosso massagista que eu não devia jogar, mas ele disse que não havia como não jogar e que iria exprimir o frúnculo e alinhar na partida”, conta Charti, para depois prosseguir que “não tinha como. Ele deu-me penso e entrei na baliza e quase no fim, o Zé do Chingale, grande jogador, rematou fora da área e a bola passou lá no ângulo. Viajei para lá, mas a bola entrou para o golo e perdemos o jogo. Fui para casa, mas com muita agitação dos adeptos porque não sabiam o que estava se passar comigo. No dia seguinte veio alguém da direcção a me dizer que não devia mais chegar ao campo, eu fiquei indignado, mas não havia como”.

Novos horizontes

Na época seguinte, a sorte veio bater a porta do jogador para representar o Desportivo de Nacala. Na cidade portuária, o jogador actuou apenas duas temporadas porque o terceiro ano acabou se despedindo do clube uma vez que apresentava-se com constantes problemas no ombro devido a uma lesão que teria contraído num dos jogos.

“Em Nacala é difícil trabalhar quando não está a cem por cento, e eu não estava a treinar num bom nível. Então, o público começou a gritar dizendo que David já estava acabado e muita história.   Na pré-época me senti que não estava bem, e porque estava em Nacala, onde as exigências dos adeptos são maiores, achei que devia sair, e um dia fui ter com o presidente Munir manifestando a minha intenção de sair e ele disse que não era problema. Dali pendurei as botas”, conta o guarda-redes.

Começar do pouco e chegar longe

Com tudo aparentemente perdido, David decidiu recomeçar a sua carreira, através de uma oportunidade concedida pelo Asante Clube de Nampula, uma formação que sagrou-se campeã do campeonato provincial de Futebol, Nampulense 2019.

Em 2020, Charti vai representar a província, com o seu clube, na 2ª Divisão Zona norte, e um bom resultado pode ditar o seu regresso ao Moçambola.

No campeonato provincial, da 3ª divisão, Charti correu em 90% das partidas e teve um bom desempenho, o que encoraja a direcção do clube a mantê-lo.

Mercê da sua boa actuação, nada melhor que um guarda-redes menos batido fosse o título a lhe valer.

“Provincial para mim, neste momento, penso que não representa o meu nível. A minha qualidade é mesmo para jogar no Moçambola e eu sinto isso. O que falta, neste momento, é oportunidade porque vejo que quando o jogador fica mais velho fica mais melhor na baliza, estamos a ver o Bufon na Juventus da Itália. Quando fui chamado pelo Laly, presidente do Asante Sport Clube de Nampula, o plano era de identificar os jovens talentos, mas estou a ver que os putos não estão a corresponder. Há falta de seriedade nos jovens daqui em Nampula”, gaba-se Charti. (Constantino Henriques)

Por questões religiosas: Pais impedem menor de receber sangue e fogem do HCN

Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (HCN), no norte do país, registou na manha de ontem, terça-feira (22), um caso insólito em que uma menor de apenas 6 anos de idade que necessita de transfusão sanguínea foi raptada pelos próprios pais para evitar tal procedimentos por razões religiosas.

Segundo apurou o Ikweli, a menor deu entrada com o nível de hemoglobina fixado em 3.3 gramas, facto que imediatamente ditou que os médicos recomendassem a transfusão sanguínea, mas os seus pais, que professam a congregação Testemunhas de Jeová rebelaram-se contra a medida hospitalar e como alternativa fugiram com a menor.

O doutor Jaime Mepera foi quem recebeu a menor e explicou aos seus pais que o quadro não era dos melhores e que a alternativa era mesmo a transfusão sanguínea, mas estes recusaram-se, incluindo que nem se quer aceitaram que o médico pudesse abrir um processo atinente.

Este clínico disse que os pais da paciente disseram que o melhor a fazer era mesmo regressar a casa e esperar por uma resposta divina.

Os problemas de que a menor padece e que ditaram a perda de sangue estão ligados com questões financeiras, pois na casa onde ela mora, com a sua avó, as refeições são excepcionais.

O médico Jaime Mepera disse ao Ikweli que este não é o primeiro caso do género, e que nos últimos três anos a tendência é crescente, sobretudo de casos que vêm transferidos dos distritos.

“Essa não é a primeira vez que recebo casos como esse em que pais proíbem os seus filhos de seguir os procedimentos de medicação. É bastante lamentável porque devem existir mais pais e encarregados de educação que procedam de tal forma com os seus filhos e isso acrescenta, sem dúvidas, o índice de mortes de menores”.

O médico apela aos pastores e outros religiosos para que não transmitam estes procedimentos errados aos fiéis, sob risco permanente de colocar as suas vidas em risco.

“Eu sou religioso, conheço a bíblia e em nenhuma parte vem escrito tal coisa. Apelo a todos os pastores, de um modo particular os da congregação Testemunhas de Jeová, para que parem com isso”, disse a fonte para depois apelar para que “expliquem a verdadeira palavra de Deus pois, só assim, estaremos a evitar mortes”.

Voltando ao caso desta terça-feira, o doutor Mepera disse que “os pais dessa menor nunca tinham a levado ao hospital. Quando souberam que a criança deveria ser doada sangue negaram abrir processo e despistaram os técnicos de saúde, se colocando em fuga com a menor gravemente doente”. (Elisabeth José)