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Depois da tragédia no showmicio do candidato da Frelimo: as verdades e as dores pairam sobre Nampula

  • O simpático comandante provincial da PRM, Joaquim Sive, foi a primeira vítima viva da responsabilização. Foi suspenso pelo ministro do Interior, Basílio Monteiro, por sinal chefe da brigada central do partido Frelimo de assistência a vizinha província da Zambézia.

Nampula (IKWELI) – Ainda ao princípio da noite de ontem, quarta-feira (11), a cidade de Nampula expressava-se triste e com dor de perda de vidas humanas e ferimentos graves de parte dos seus moradores que, voluntariamente ou não, decidiram assistir a um evento de campanha eleitoral orientado pelo candidato do partido Frelimo à presidência da República, Filipe Nyusi, no estádio 25 de Junho, nos arredores do maior concelho autárquico do norte do país.

Tal como reportamos na noite passada, as vítimas encontraram a morte em consequência da cedência de uma banca que resultou na tentativa de se fugir do interior do estado, o que mais tarde veio a causar mortes por asfixiamento.

Oficialmente, de acordo com o director do Hospital Central de Nampula (HCN), Cachimo Molina, contam-se 10 vítimas mortais [todos membros do partido Frelimo], 14 feridos que ainda estão merecendo cuidados nas enfermarias de ortopedia e cirurgia, e ainda 74 outros pacientes receberam alta depois de terem sido assistidas na mesma noite de 11 de Setembro.

Roque Silva, Secretário – geral da Frelimo, garantiu, na manha desta quinta-feira (12), após visitar algumas vítimas internadas no HCN, que o seu partido vai prestar todo apoio necessário para elas e para as suas famílias, incluindo as dos malogrados.

 

Um dos sobreviventes no leito hospitalar
Um dos sobreviventes

Pela voz de Moisés Augusto, director de Inspecção do Comando – Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), a população de Nampula foi informada que Joaquim Sive está suspenso das funções de comandante provincial, cargo para qual foi empossado ainda neste ano.

Com efeito, uma comissão composta por 4 membros da corporação foi criada a mando do ministro do Interior, Jaime Basílio Monteiro, esperando-se que em 15 dias apresentem um relatório pormenorizado sobre o incidente.

A Comissão de Inquérito é constituída por Paulo Chachine (1ª Comissário da Polícia e Comandante do Ramo da Polícia da Ordem e segurança Pública), Domingos Jofane (1º Adjunto Comissário da Polícia e Director-Geral do Serviço Nacional de Investigação Criminal), Abílio Arnaldo (Adjunto Comissário da Polícia e Director do Pessoal e Formação no Comando-Geral) e Ana Cipriano (Superintendente da Polícia e Chefe do Departamento Jurídico do Comando-Geral).

Formalidades fora, o facto é que as famílias e amigos estão sofrendo pelas perdas em Nampula. O ambiente é de pesar, dor e luto.

O Ikweli conversou com algumas famílias, as quais estão revoltadas pelo incidente que tirou vida a seus parentes.

Dentre as vítimas mortais, o Ikweli apurou que, na sua maioria, eram profissionais competentes afectos a empresas públicas, professores, crianças e outros quadros.

Já no fim da noite do mesmo dia 11 de Setembro, o primeiro secretário da Frelimo em Nampula, Agostinho Trinta, falou a imprensa, lamentando a ocorrência. (Aunício da Silva e Celestino Manuel)

 

11 de Setembro: dia inglorioso para o candidato do glorioso*

  • Pelos menos, doze pessoas poderão ter perdido a vida no fim do showmicio orientado por Filipe Nyusi na cidade de Nampula.

Nampula (IKWELI) – O dia 11 de Setembro de 2019 ficará negativamente registado na história política e democrática de Moçambique, sobretudo para o partido Frelimo, o qual viu, pelo menos, doze dos seus membros e simpatizantes mortos em consequência de uma confusão registada no fim do showmicio orientado por Filipe Nyusi, candidato a sua própria sucessão na presidência da República.

Oficialmente, até as 22h desta quarta-feira (11), nenhuma entidade tinha se pronunciado a respeito. Esta matéria, produzimos no momento em que um batalhão de jornalistas aguardava, no comité provincial da Frelimo em Nampula, uma conferência de imprensa para esclarecer o sucedido.

Vindo da província da Zambézia, através do distrito de Malema, Nyusi começou a apelar aos eleitores do maior círculo eleitoral do país para que o votem no dia 15 de Outubro, renovando promessas e ajustando com novas tendências. Durante a manha e o princípio da tarde, o candidato dos camaradas trabalhou nos distritos de Malema e Ribáuè.

O grande momento, onde Nyusi apresentou o seu compromisso, ficou agendado para a cidade de Nampula, concretamente no bairro de Carrupeia, no estádio 25 de Junho, pertencente ao clube Ferroviário de Nampula.

O evento foi até pouco depois das 17h, mas o fim não foi dos melhores. Segundo apurou o Ikweli, parte de uma bancada, concretamente a localizada na parte directa do portão principal do estádio cedeu e, com efeito, os espectadores ficaram em pânico, o que resultou na procura, em debandada, de uma saída.

Neste processo, segundo observamos no terreno, as pessoas foram se pisoteando, o que poderá ter resultado na morte, por asfixia, das doze vítimas e um número, ainda, não quantificado de feridos, dentre graves e ligeiros.

Há indicações que membros seniores da Frelimo, ao nível central, terão contraído ferimentos, também, graves, mas o Ikweli não apurou a prova material da ocorrência.

As vítimas foram socorridas para o Hospital Central de Nampula (HCN), para onde familiares, amigos, membros e simpatizantes da Frelimo, também, se deslocaram para apurar as identidades das vítimas.

O ambiente era tenso e perverso, incluindo ameaças a jornalistas que a todo o custo procuravam trazer o caso ao público para informar aos residentes da cidade de Nampula, sobre o que, de facto, aconteceu.

Dentre as vítimas, há crianças que estavam a assistir o showmicio que mobilizou artistas de diferentes calibres para o santuário 25 de Junho. (Aunício da Silva e Sitoi Lutxeque)

*Foto: Sala da Paz

As promessas do candidato Filipe: Emprego para Juventude e trabalho para os moçambicanos

 

Ribáuè (IKWELI) – O candidato do partido Frelimo, Filie Nyusi, trabalhou no fim da manha e no princípio da tarde desta quarta-feira (11) na vila sede do dsitrito de Ribáuè, na província de Nampula, onde pediu ao eleitorado para que o confiasse pela segunda vez para dirigir o país.

Nyusi justificou ao público do maior círculo eleitoral do país que aceitou o desafio do seu partido em candidatar-se, pela segunda vez, para garantir que os projectos que iniciou os conclua, sobretudo no contexto de desenvolvimento económico e social.

O candidato da Frelimo começou a sua intervenção com piadas, gozando os seus directos adversários que os seus comícios nao têm sido concorridos como os que ele dirige.

Ao longo do seu discurso Nyusi passou em radiografia as acções que desenvolveu durante o seu reinado iniciado em 2015. Igualmente, disse que pelos contextos de procura de paz e da crise economica mundial, muito ficou por fazer, mas está disposto a lutar pelo bem-estar do cidadão.

Das promessas, Nyusi assegurou que quer construir estrada de raiz que liga a sede de Ribáuè com a sede do vizinho distrito de Lalaua.

O aumento da produção e produtividade, também, está na agenda do programa de governação que está a “venda” em manifesto neste momento. E como demonstração de capacidade informou ao público que acorreu ao campo distrital de Ribáuè, Nyusi falou do projecto SUSTENTA, cujo impacto ditou o aumento da produção nos distritos abrangidos para mais de 800 mil toneladas.

Antes de trabalhar na vila de Ribáuè, Filipe Nyusi trabalhou no distrito de Malema, prevendo realizar um comicio na cidade de Nampula, onde vai lançar o seu compromisso. Amanha, Nyusi escala o distrito de Angoche, para depois rumar a Erati e Nacala-Porto. (Aunício da Silva, nosso enviado a Ribáuè)

Detido membro da Frelimo indiciado de recolher cartões de eleitores na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – Um membro do partido Frelimo, cuja identidade omitimos por presunção de inocência, foi flagrado na manha deste sábado (07), na cidade de Nampula, capital do maior círculo eleitoral do país, inscrevendo números de cartões de eleitores e contactos telefónicos em uma ficha da sua formação política.

O indiciado foi interceptado por membros e simpatizantes do partido Renamo, no bairro dos Belenenses, onde se encontrava a passar de casa em casa, incluindo nas barracas, recolhendo estes dados, sobretudo de alunos.

Na 2ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique, na cidade de Nampula, o indivíduo contou duas versões sobre a lista, tendo na primeira referido que a mesma tratavasse de uma lista de presença dos professores da Escola Secundária 12 de Outubro nas cerimonias do dia 7 de Setembro na praça dos heróis moçambicanos. A segunda referia-se que na mesma constavam dados dos membros da OJM do círculo da Escola Secundária 12 de Outubro.

Lista que estava sendo preenchida no bairro dos Belenenses

Entretanto, Arnaldo Chalaua, membro da Renamo que comandou o grupo dos jovens que interceptou o professor da Escola Secundária 12 de Outubro, disse, em exclusivo ao Ikweli, que “o que substancia ilícito eleitoral é o acto da inscrição das pessoas, princípio de coação das pessoas para aderirem ao partido Frelimo através de listas em que há uma obrigação de se entregar cartão de eleitor em troca de uma camiseta e o número de telefone da pessoa em campanha eleitoral”.

“Em nossa análise, como partido Renamo, percebemos que aqui há um indício e levamos o caso a esquadra e está a se dar seguimento ao caso”, disse a nossa fonte, para quem, “no fundo o que nos preocupa é o facto de haver um comportamento e uma obrigação de as pessoas serem forçadas a votarem no partido Frelimo. Sabemos que eleição é um processo livre, não há nenhuma obrigação”.

Chalaua apela as autoridades para que trabalhem no caso e haja esclarecimento, porque “não podemos continuar a ter processos eleitorais viciados”. (Aunício da Silva)

 

Aos 95 anos morre Robert Mugabe vítima de doença e da idade

Singapura (IKWELI) – Robert Mugabe, o primeiro presidente zimbabueano pós-independência, morreu aos 95 anos de idade, noticia a imprensa internacional na manha desta sexta-feira (6 de Setembro).

Mugabe, segundo notícia avançada pela BBC e confirmada por fonte familiar, morre dois anos após deixar de forma ingloriosa a presidência do Zimbabwe.

Através da sua conta na rede social Twitter, Emmerson Mnangagwa, sucessor do finado confirmou a morte do ditador, que começou herói para o seu povo e terminou saindo pela porta dos fundos.

“É com muita tristeza que anuncio a morte do pai fundador e ex-presidente do Zimbabwe, major Robert Mugabe”, lê-se no post de Mnangagwa

O antigo presidente encontrava-se internado em Singapura desde Abril último, e as suas últimas aparições, em redes sociais, foram sempre por cima de cadeira de rodas e ladeado da sua família.

Pertencente à etnia shona e antigo professor, Mugabe foi secretário-geral da União Nacional Africana do Zimbabwe (Zanu) a partir de 1963. Preso entre 1964 e 1974 pelo governo de minoria branca, fundiu o seu partido em 1976 com a União do Povo Africano do Zimbabwe (Zapu) de Joshua Nkomo, dominada pela etnia ndeble, dando lugar à criação de uma Frente Patriótica. As duas organizações lutaram juntas contra o governo da minoria branca de Ian Smith e, a partir de 1979, contra o governo de transição de Abel T. Muzorewa. Com a esmagadora vitória nas primeiras eleições do Zimbabwe independente, em 1980, Mugabe foi eleito primeiro-ministro e, com a introdução do sistema presidencialista em 1987, tornou-se presidente do país. Foi reeleito em 1990 e 1996. (Redacção)

Eleições gerais 2019: Mário Albino, do AMUSI, denuncia ameaças de morte

Nampula (IKWELI) – Mário Albino Muquissince, candidato a presidência da República de Moçambique pelo partido Acção de Movimento Unido para Salvação Integral (AMUSI), convocou a imprensa na manha desta terça-feira (3), para denunciar supostas ameaças de morte de que tem vindo a sofrer desde que iniciou a campanha eleitoral a 31 de Agosto último.

Segundo a fonte, as ameaças são protagonizadas pelo partido Frelimo, alegadamente porque a sua surpreendente candidatura, conjugado com o seu potencial político no maior círculo eleitoral do país, não deixa sossegado o partido no poder.

“No primeiro dia os nossos homens, do partido, constataram a presença de algumas pessoas estranhas que se identificavam como sendo do SISE e questionados se tinham credencial eles disseram que não tinham, e nós chamamos as pessoas e aconselhamos que não deviam se fazer presentes numa multidão como aquela porque estamos numa campanha eleitoral e esses irmãos se retiraram. O segundo dia tivemos a mesma intervenção de três senhoras, com mesmos dizeres, e nós aconselhamos a elas para que não pautassem por esta presença estranha sem a devida credenciação”, explicou o candidato Mário Albino, para depois prosseguir que “o nosso espanto é que ontem recebemos um irmão que dizia que tinha uma informação muito segura de que a FRELIMO estava a planificar o assassinato do candidato do AMUSI à presidente da Republica, como forma de não tirar aqueles 15 milhões [referentes ao financiamento público da campanha eleitoral de um candidato a presidência] que, no seu entender, vai fazer crescer o partido no norte, então devia retardar a entrega enquanto estão a procura executar este plano”.

“A pergunta que fica é, será que para sermos entregue esse valor precisamos de tanto sacrifício ou é necessário num mundo democrático, partidos grandes pautarem por aquilo que é uma vergonha para Moçambique, planificando-se assassinatos?”, questiona Mário Albino, para depois avançar que “tirar a vida, como aconteceu com Amurane, para silenciar o norte como forma de silenciar a democracia não é a solução, e nós repudiamos esse comportamento. Queremos dizer a FRELIMO e a CNE que este comportamento deve ser descartado em Moçambique porque os moçambicanos já acordaram”.

Chamado a reagir a esta acusação, Caifadine Manasse, porta-voz do partido Frelimo, desdramatizou a situação, afirmando que “a questão que ele levanta não faz parte da agenda do partido”.

“A FRELIMO é um partido de paz, um partido de tranquilidade, temos um manifesto eleitoral e temos uma agenda para a campanha eleitoral que é para divulgar o nosso manifesto, e acho que todos partidos deviam fazer a mesma coisa e não procurar malabarismo para tentar confundir a opinião pública. Essa é uma brincadeira, e uma forma de se empoleirar acima da FRELIMO que respeita todos os partidos políticos”, disse Manasse, em contacto telefónico com o Ikweli.

Caifadine Manasse concluiu a entrevista afirmando que “qualquer malabarismo que atente a ordem e tranquilidade pública acho que é a polícia onde deve-se entregar e resolver-se lá na polícia. O que está acontecer, acho que são pequenas brincadeiras que alguns partidos políticos quando chega este momento andam a fazer”. (Constantino Henriques)

Caça ao voto arranca entre passividade e violação de legislação no maior círculo eleitoral do país

Nampula (IKWELI) – Arrancou neste sábado, 31 de Agosto de 2019, a campanha eleitoral com vista as eleições de 15 de Outubro próximo, e no maior círculo eleitoral do país, Nampula, o evento arrancou, aparentemente, pouco violento, mas com anotações infinitas de violação da lei.

Os cruzamentos entre caravanas de partidos políticos diferentes não ofereceu trabalho a polícia, porque os seguidores respeitaram-se.

Maioritariamente, os partidos políticos colaram os seus panfletos e dos seus candidatos a presidência da República em locais proibidos por lei, mormente praças, monumentos, espaços públicos (escolas e centros de saúde), bem como locais de culto.

Nossos correspondentes, em todos os 23 distritos que Nampula dispõe, referiram-se de casos de violação de lei protagonizados, sobretudo, pelo partido Frelimo.

Em Nacala-Porto, a estátua de Eduardo Mondlane ficou vestida pelas cores da Frelimo. Igualmente, bens do estado, como viaturas e pessoal foram dispensados para colorir a campanha. Agentes económicos locais, também, foram ameaçados para prestarem apoio a Frelimo.

As caravanas eram, maioritariamente, constituídas por mulheres, as quais desconhecem os manifestos eleitorais dos seus partidos.

 

Das promessas

 

O candidato presidencial pelo partido Acção do Movimento Unido para Salvação (AMUSI), Mário Albino Muquissince, quer tornar Moçambique produtivo em todos os pontos, e a suam maior aposta é tornar as matas da Gorongosa, no centro de país, em uma referência de produção agrária.

“A nossa primeira coisa a atacar, se formos governo, é sobre a estrada nacional numero um. Aquilo é vergonha. Nós não podemos continuar a transitar moçambicanos naquelas condições, é vergonha. Aquilo deve se transformar em auto-estrada e no mínimo deve ter três faixas para que os moçambicanos do norte ao sul virem verdadeiramente irmãos. Esse projecto vai se secundar com a transformação da mata de Gorongosa em centro de agricultura industrializada e que aquela estrada seja livre daquela mata que eles criam para atormentar os moçambicanos depois das eleições. Nós não queremos voltar a ver isso, os moçambicanos desta vez têm a capacidade de lutar para que isso torne uma realidade para que aquela mata, uma vez por todas, depois de tomarmos posse atacamos e distribuímos os jovens que querem trabalhar, distribuímos tractores, dinheiros para as pessoas fazerem agricultura com financiamento forte e com uma assistência até se possível com uma cooperação internacional”, prometeu Mário Albino.

Luís Trinta Mecupia, cabeça-de-lista da Renamo a governador de Nampula, começou a sua campanha eleitoral no populoso bairro de Muhala – Expansão, onde começou por retratar Paulo Vahanle por não estar a pagar aos varredores de rua, sobretudo os voluntários.

A perdiz começou com uma passeata pelas principais artérias da cidade capital do maior círculo eleitoral do país.

“Um pai não nasce um filho com o seu coração, mas mesmo assim é o seu filho”, desculpou-se Trinta quanto a inoperactividade do autarca Vahanle, para depois prosseguir dizendo que “não é justo, mesmo se fosse no seu caso, atribuir uma tarefa, ou mesmo que venha fazer tarefa de forma voluntaria, e de pois de terminar a mesma não dar água para lavar as mãos e agradecer. Se eu não faço isso, não estou a ser justo. A pessoa se ajuda um irmão, o irmão tem de reconhecer isso”.

Quanto as promessas, Luís Trinta Mecupia começou por oferecer garantias de trabalho do lado que bem conhece: electricidade. A cara visível da Renamo pela eleição provincial em Nampula pretende expandir a rede eléctrica, viária, sanitária, educação e de abastecimento de água.

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) foi ao mais populoso bairro do país, Namicopo, onde pediu para que lhes seja garantido o voto a 15 de Outubro, no sentido de oferecer melhores serviços ao povo.

Vasco Napaua, delegado político provincial do MDM em Nampula, foi a cara visível na passeata e pedido de voto. “O partido vai a estas eleições propondo, efectivamente, a melhoria dos sectores da educação, saúde, infra-estruturas e meio ambiente”.

E a Frelimo, através de Margarida Talapa, chefe da brigada central de assistência a Nampula, focou-se no seu candidato presidencial, Filipe Nyusi, incluindo a instrução dos seus membros e simpatizantes sobre como votar.

A Frelimo começou a sua caça ao voto na cidade de Nampula, com uma passeata, desaguando no estádio 25 de Junho, um espaço público vendido por Castro Sanfins Namuaca, membro do mesmo partido quando autarca de Nampula. (Aunício da Silva, Celestino Manuel, Constantino Henriques, Elisabeth José e Sitoi Lutxeque)

Eleições 2019: CPE de Nampula “nega” acreditar jornalistas e observadores

Nampula (IKWELI) – A observação e cobertura jornalística eleitorais constituem direitos previstos no ordenamento jurídico moçambicano, e para o efeito, os interessados devem solicitar a sua acreditação junto dos órgãos de administração eleitoral.

Na província de Nampula, maior círculo eleitoral do país, os observadores (por via de organizações da sociedade civil) e jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social com sede e/ou representação naquele ponto de Moçambique queixam-se de a Comissão Provincial de Eleições (CPE) não estar a emitir crachás/credenciais desde Abril último.

Segundo apurou o Ikweli, muitos dos interessados submeteram os seus pedidos de acreditação com o intuito de acompanharem todo o processo, desde o recenseamento eleitoral até a fase de apuramento.

Sucede, porém, que quando os interessados que apresentaram os seus pedidos dirigem-se ao CPE são informados que “não há sistema e/ou há avaria nas máquinas que imprimem os crachás”.

Ao nível do Gabinete de Comunicação e Imagem do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE), direcção provincial de Nampula, entidade que cuida do processo técnico, a informação é a mesma. Alias, há mais de quatro meses que as instalações andam quase que as moscas, porque os funcionários ali afectos nada fazem.

Para os interessados, a situação não passa de uma manobra dilatória para que os jornalistas e observadores não possam usufruir do seu direito nas eleições de 15 de Outubro próximo.

A campanha eleitoral arranca a 31 do corrente mês e os órgãos de administração eleitoral ainda não emitiram alguma informação oficial sobre a situação.

Outra interpretação é que, segundo nossas fontes que pediram o anonimato, “isto é prenúncio de um conflito eleitoral que os órgãos de administração eleitoral estão a preparar porque não se percebe o que eles escondem para que não estejam a acreditar os jornalistas e observadores”. (Aunício da Silva)

MARIANO NYONGO E A PAZ.

No último texto de opinião escrevi que a eficácia e o cumprimento do acordo subscrito na Praça da Paz algures em Maputo entre o Governo e o líder da RENAMO, Ossufo Momade, dependia muito daquilo que seria o balanço da campanha eleitoral prestes a começar e os resultados das eleições de 15 de Outubro próximo. Debalde, a campanha eleitoral (na sua verdadeira essência e por força da lei eleitoral) nem começou ainda e nem precisou irmos aos votos e anunciar – se os resultados para servir de termómetro para aferir sobre os êxitos alcançados com a assinatura dos acordos de paz.

Se anteriormente, entenda – se, antes da subscrição dos acordos de paz na praça que leva o nome de paz, o aparecimento no seio da RENAMO do grupo chefiado pelo General Mariano Nyongo para desacreditar Ossufo Momade como presidente eleito a luz dos estatutos do partido da perdiz, era visto por alguns como um bom sinal para fragilizar a RENAMO, naquilo que na gíria se chama dividir para reinar, depois da subscrição dos acordos, o sentimento é de repulsa contra o General Nyongo e os seus seguidores. Afinal entende – se que a paz de que tanto o povo moçambicano merece desfrutar está sendo posta em causa pelo grupelho Nyongo.

Sempre reparei com olhos de desconfiança o aparecimento do grupo “rebelde” liderado pelo General Nyongo, quer antes da subscrição dos acordos bem como depois deles.

No meu modesto entender, sem descurar a possibilidade de estar errado, afinal sou humano e como humano, sou falível, entendo haver um grupo de pessoas interessadas que Nyongo continue a reivindicar que Ossufo Momade seja deposto, que seja a Junta Militar da RENAMO a representar este movimento fundado por André Matsangaissa e liderado por muito tempo por Afonso Dlhakama no pleito que se aproxima sob liderança de Mariano Nyongo e que para tal haja o adiamento das eleições.

Se são legítimas ou não as reivindicações do General Nyongo, dos seus seguidores e de quem os instiga, este é um assunto que diz respeito completamente a RENAMO e o seu líder Ossufo Momade. O que não se deve é acomodar por parte do Governo tais reivindicações, sob pena de banalizar – se o Estado que se quer de Direito e Democrático tal como a Constituição da República de Moçambique consagra. Mas não só, há o risco de uma vez acomodadas as reivindicações da Junta Militar da RENAMO por parte do Governo, criar – se um precedente de aparecer mais Nyongos desta vida a reclamar que as suas reivindicações sejam acolhidas só porque dispõe umas dezenas de espingardas na sua posse.

A bem do Estado de Direito e Democrático, que o bom senso prevaleça, sem com isso significar hipotecar este princípio sacrossanto para acolher as reivindicações de uma Junta Militar que sabe onde deve canalizar as suas reivindicações, no seio do seu partido RENAMO através do líder democraticamente eleito Ossufo Momade. (Danilo Tiago)

Frelimo assalta os 63 anos da cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – Membros e simpatizantes do partido Frelimo, na cidade, no norte de Moçambique “assaltaram” a praça dos heróis, local que acolheu a cerimónia de deposição de coroa de flores alusiva aos 63 anos de elevação da urbe à categoria de cidade.

Empunhando bandeiras e vestidos a rigor com as cores do partido, os camaradas entoavam canções de exaltação ao seu presidente, Filipe Nyusi, e apelando voto nas eleições de 15 de Outubro próximo.

Igualmente, as canções referiam-se a qualidades sobrenaturais do presidente que cumpre, desde ontem, uma visita de estado a Federação Russa.

O autarca de Nampula, Paulo Vahanle, não gostou da atitude e tratou de reclamar, imediatamente, junto da imprensa presente no local.

“Estou agastado. Não estamos na época de campanha eleitoral. Hoje é o dia da cidade de Nampula, dia de festa”, disse Vahanle, em protesto, a onda vermelha criada na praça dos heróis de Nampula.

Os membros e simpatizantes da Frelimo, também, deambularam pelas ruas da autarquia, fazendo-se transportar em viaturas, incluindo do estado, motorizadas e a pé, publicitando o seu partido.

Instado a pronunciar-se sobre esta acção, Orlando Impissa, Primeiro – Secretário da Frelimo na cidade de Nampula, justificou-se dizendo que é um dia normal e que qualquer cidadão, independentemente do seu traje, pode ir a praça dos heróis.

Os membros cantaram o nome de Filipe Nyusi, apelaram ao voto para as eleicoes de 15 de Outubro
Membros da Frelimo na Praça dos Heróis de Nampula

Impissa foi mais longe ao afirmar que o seu partido, a Frelimo, é que construiu a cidade de Nampula, criticando o suposto estado de abandono a que a mesma está voltada.

Este político apenas fixou as suas críticas na actual direcção de Paulo Vahanle, e não se predispôs a reparar os tempos em que a autarquia era dirigida por Castro Sanfins Namuaca, actual director provincial da Economia e Finanças de Inhambane e membro da Frelimo, que deixou a urbe ao cabo de dez anos de dois mandatos, aos escombros. (Texto: Aunício da Silva e Celestino Manuel  *Fotos: Hermínio Raja)