Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Manuel Rodrigues, mostra-se agastado com a persistência de maus gestores em algumas escolas da província, por considerar que os mesmos põem em causa o normal funcionamento dos estabelecimentos de ensino, e por conta disso, promete levar a cabo uma acção de responsabilização aos maus gestores.
A preocupação de Manuel Rodrigues foi manifestada nesta quarta-feira (29 de Julho), durante a visita que efectuou nas escolas secundárias públicas e privadas, ao nível da cidade de Nampula, no âmbito de monitoria e avaliação de criação de condições para o possível reinício do processo de ensino e aprendizagem.
“Estamos preocupados com algumas escolas, nós já estivemos em algumas escolas onde para além do movimento que estamos a criar ao nível nacional e provincial, em específico, de criação de condições por causa da covid-19 e a necessidade do reinício, mas há um problema grosseiro de deficiente gestão das nossas escolas”, começou por anotar Manuel Rodrigues, acrescentando que “nós vimos problemas que não têm nada a ver com saneamento. Vimos, por exemplo, lâmpadas que não funcionam, torneiras estragadas e a falta de limpeza nas casas de banho. Isso não tem a ver com o coronavírus, são problemas que derivam do desinteresse e desleixo por parte dos gestores de algumas das nossas escolas”.
Com estas contratações, o chefe do Conselho Executivo Provincial de Nampula disse, portanto, que “teremos que, escola por escola responsabilizar alguns gestores e, havendo necessidade, podemos até ir ao extremo de termos que fazer a lubrificação da máquina de gestão das nossas infra-estruturas escolares”, isso porque “a escola tem que ser um local exemplar, tem que ser ali onde o aluno quando vai aprende tudo, aprende do professor, em termos como é que ele faz a gestão, como é que ele vê o ambiente escolar e, também, aprende a ciência e a técnica. Portanto, é importante nós começarmos a ser implacáveis ao nível da província de Nampula para os maus gestores das escolas. Esta etapa de governacao que é muito exigente, a nossa população exige demais”.
De igual modo, Rodrigues chama atenção aos gestores escolares, a necessidade do uso racional e direccionado aos fundos alocados às escolas, no âmbito da covid-19. “Nós recomendamos para o uso criterioso e adequado dos recursos que estão sendo disponibilizados em todas escolas secundárias. Portanto, as escolas estão a receber os fundos, algumas já começaram a usar e, nós estamos a dizer para eles que não usem esses fundos para pagar as dívidas que têm, na compra de coisas que não têm nada a ver com o processo. Vamos usar o fundo para o destino que foi, efectivamente, definido ao nível do governo que é a criação de condições para o reinício do ensino e aprendizagem no nosso país, que é importante que os alunos voltem às escolas”, disse.
Manuel Rodrigues, na manhã de ontem, visitou as escolas secundárias 22 de Agosto, Paraíso do Céu, Instituto Criança, 12 de Outubro, bêabá, Consolata e Nampaco. Foi depois da visita a escola secundária de Nampaco que o primeiro governador eleito de Nampula se mostrou desgastado com as condições que viu nos mesmos estabelecimentos de ensino.
Em relação a criação de condições para o reinício das aulas ao nível das escolas visitadas, Manuel Rodrigues disse que “pensamos que há uma mistura de conclusão de que devemos tomar, tendo em conta que visitamos as escolas públicas e as privadas e, de uma forma geral, há um esforço de todas as estruturas das escolas para a criação de condições para o reinício do ensino presencial. Assistimos, portanto, o redimensionamento das salas de aula, a colocação do material de higiene nos recintos escolares tanto nos sanitários, há também reabilitação das infra-estruturas, portanto, o importante é que despertaram essa necessidade de que o ensino tem que ser feito em condições de saneamento adequado para não perigar as nossas crianças, isso é importante”. (Constantino Henriques)
Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, no norte do país, registou uma redução drástica de casos da malária durante os primeiros seis meses do corrente ano, sobretudo no período referente a observância do estado de emergência por conta da pandemia da covid-19.
Segundo apurámos, por receio de contaminação pelo coronavírus, muitas pessoas não vão aos hospitais quando se queixam de qualquer outro problema de saúde, o que faz com as estatísticas hospitalares ressintam-se.
Entre Janeiro e Junho do corrente ano de 2020, a mais populosa província do país registou, apenas, 925 (novecentos e vinte e cinco) casos da malária, contra os 140.308 (cento e quarenta mil, trezentos e oito) casos registados no igual período do ano transacto.
O director provincial da Saúde em Nampula, Fernando Mitano, explicou que a redução de casos tem a ver com a falta de consultas nas unidades sanitárias, uma vez que parte da população descarta os serviços básicos de saúde, alegadamente, porque temem a contaminação pelo vírus da covid-19, uma pandemia que já matou mais de uma dezena de moçambicanos.
A cidade de Nampula e os distritos de Malema e Meconta são os que apresentam mais casos da doença, ainda que os restantes, também, apresentem alguns dados de forma equilibrada.
“Nós temos um programa de prevenção à malária em todos o país. Em Nampula, além da educação sanitária, sensibilizamos as pessoas a tomarem cuidado da doença e, igualmente, distribuímos redes mosquiteiras que são instrumentos importantes para a protecção da população, sobretudo as crianças. Damos educação sanitária no sentido de as pessoas limparem os seus lares e destruir os charcos que acumulam águas estagnadas dentro das comunidades”, disse.
O director provincial da Saúde mostrou-se preocupado, ainda, com o facto de casos de diarreia revelarem um aumento. Neste período, a província registou 30.175. a cólera, também, aumentou em 100%, ao registar o total de 560 casos.
“A nossa província apresenta números preocupantes. Entretanto, nos preocupa bastante a situação epidemiológica no geral, sobretudo as doenças de notificação obrigatória, como é o caso da malária, disenteria, diarreia, mordedura canina, entre outras”, concluiu, Fernando Mitano, director provincial da Saúde em Nampula. (Esmeraldo Boquisse)
Nampula (IKWELI) – Um professor que exerce as suas funções na cidade da Ilha de Moçambique, no norte do país, é indiciado de ter abusado sexualmente a uma menor de 14 anos de idade no bairro de Napipine, na capital provincial de Nampula.
A menor em causa, ajudava a sua mãe no atendimento ao público na venda de bebidas alcoólicas na casa da família. Foi neste local que o violador levou a vítima para a casa de banho, local onde consumou o acto na última terça-feira (28).
A menor conta que “no primeiro dia quando ele [o professor] veio disse que queria namorar comigo, e eu neguei porque ele é um senhor grande. Naquele dia, meu pai encontrou ele no quintal, zangou e lhe disse para não voltar”, para depois avançar que “no dia seguinte, ele voltou a me insistir. Levou-me para a casa de banho e disse que não iria me deixar sem fazer sexo comigo. Tirou-me a roupa e começou a me violar, sem parar. Eu não queria, ele me agrediu e insistiu-me, depois disse para eu não falar nada porque iria me fazer mal”.
A mãe da menor disse ter notado um movimento estranho quando o professor não parava de frequentar a sua casa em horas impróprias, alegadamente, porque vinha comprar e consumir bebidas alcoólicas.
“Naquele dia, eu estava doente e minha filha estava a ajudar-me a vender cervejas no quintal da nossa casa. O meu marido já tinha proibido a entrada daquele senhor aqui no quintal, foi aí que preferiu entrar de noite e levou a minha filha para fazer sexo. Eu ouvi gritos, e quando sai o professor fugiu”, disse a mãe da vítima, acrescentando que “a seguir eu não vi a minha filha bem, por isso lhe levei para o hospital”.
Segundo uma fonte policial, o autor já foi recolhido para as celas da corporação, aguardando pela tramitação do processo, a fim da sua responsabilização.
Mais duas menores violadas em Mutauanha
Já no bairro de Mutauanha, nos arredores da mesma cidade de Nampula, duas menores de cinco (5) e seis (6) anos, respectivamente, também, foram violadas sexualmente por um indivíduo de 18 anos de idade.
Este hediondo crime ocorreu na tarde do último domingo (26), quando os pais das vítimas tinham se ausentado para participar em cerimónias fúnebres. E para a guarda e segurança das duas crianças, os progenitores confiaram no violador.
O predador é tio (irmão da mãe) de uma das vítimas, a menor de 6 anos de idade, e vive na mesma casa.
Depois de chegar a sua casa, a senhora notou algo estranho na sua filha, sobretudo porque não parava de chorar e andava de forma anormal. Quando a questionou, ficou a saber que tinha sido violada sexualmente, incluindo a sua amiga de cinco anos, pelo tio.
Entretanto, após tomar conhecimento do assunto, a mãe da menor contou ao seu marido que, despreocupado, não tomou atenção do caso e nem denunciou as autoridades policiais, mesmo depois de notar sequelas na sua filha.
Da outra família, da menor de cinco anos, o Ikwelirecebeu a denúncia. “Eu saí de casa na manhã de domingo e deixei a minha filha a brincar com as amigas na casa vizinha onde foi violada. Quando regressei, e porque já era noite, não prestei atenção na minha filha. Só que às 19:00 horas da segunda-feira notei que ela chorava tanto e um pouco de sangue saía nos seus órgãos genitais, o que me deixou preocupada, e quando a perguntei ela revelou que um jovem manteve relações sexuais com ela”, disse uma das parentes da segunda vítima.
Ela prosseguiu que “quando fui me aperceber da situação a pessoa que violou a minha filha não me respondia nada, ainda por cima, o tio dele que, também, a filha foi violada desprezou a minha preocupação, motivo pelo qual me fez chamar o meu irmão e juntos fomos ao posto policial de Muthita para dar a queixa. De lá fomos orientados a ir ao hospital onde as análises deram a conhecer que ela foi violada”.
Outro membro da família disse ao Ikwelique os encarregados de educação do acusado tentaram, sem sucesso, negociar com a sua família para que o caso não fosse apresentado à polícia, temendo a sua responsabilização.
Um dos parentes do violador, também, confirmou a ocorrência ao Ikweli, afirmando que “eu, pessoalmente, confirmei através de consultas médicas que as duas crianças foram violadas sexualmente. Antes, quando perguntei ao meu primo, ele recusou ter violado as menores, mas mais tarde assumiu revelando que de certeza praticou o acto”.
O comando provincial da PRM em Nampula, através do chefe do Departamento de Relações Públicas, Dércio Samuel, confirmou a detenção do criminoso violador de menores. (Elisabeth José e Esmeraldo Boquisse)
Nampula (IKWELI) – Dois agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), uma especialidade da Polícia da República de Moçambique (PRM), são indiciados de terem disparado contra um elemento da Polícia Municipal e de Fiscalização da cidade de Nampula, no norte do país.
O crime teve palco na unidade comunal Eduardo Mondlane, no bairro de Nampaco, na madrugada da última terça-feira (28), e os autores protagonizaram, deliberadamente, o disparo que tirou a vida de Selemane Assane, de 40 anos de idade, na presença do seu filho.
Segundo contou o menino de 16 anos, tudo se deu quando o seu pai retornava a casa de carro, pouco depois da 1h de madrugada, e foi interpelado pelos dois agentes da UIR, os quais exigiram que a vítima justificasse a sua procedência.
“Ele [a vítima] já estava no portão de entrada de casa. Eles exigiram ao meu pai que liga-se para alguém da sua residência, como forma de confirmar que vivia ali. Ele ligou para mim e eu fui abri o portão, e quando ele entrou, na tentativa de estacionar o carro, os dois agentes entram no quintal, e perguntaram onde trabalhava, quando ele respondeu que trabalha no município, um deles disse que: são esses bandidos, por isso considere-se como óbito”, contou o menor, visivelmente traumatizado.
Posto isto, segundo a fonte, um dos policiais disparou contra a vítima, tendo-a atingido no peito, e de seguida puseram-se em fuga. De seguida, ainda consciente, o malogrado e o filho saíram, na viatura, em direcção ao Hospital Central de Nampula (HCN), onde veio a perder a vida na entrada do mesmo.
A família da vítima exige que a justiça seja feita, tal como disse ao Ikwelio irmão do malogrado, Sualehe Assane, o qual defende que o seu irmão era um honesto e temente a Deus, por isso dedicava-se a religião.
“Não sabemos a quem confiar, o polícia que foi formado para defender a população, mas em contrapartida ė o mesmo que é inimigo da população. Afinal estamos em que país?”, disse Sualehe Assane.
“Ele disse para mim que já estou morto, cuide dos nossos filhos”, estas foram as últimas palavras que a vítima dirigiu para a sua esposa, segundo a mesma, Júlia Dimas.
O comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, através do chefe do Departamento de Relações Públicas, Dércio Samuel, confirmou a ocorrência ao Ikweli e garantiu que há trabalhos em curso, no sentido de esclarecer o sucedido. (Celestino Manuel)
Nampula (IKWELI) – A exploração da mão-de-obra infantil no sector pesqueiro, com destaque para a pesca artesanal, é uma realidade indiscutível no distrito de Angoche, no norte do país, que ocorre com anuência dos pais e encarregados de educação.
Esta actividade é de risco, que se torna mais perigoso neste tempo em que o mundo regista uma pandemia global, cuja prevenção, os especialistas, recomendam o distanciamento social.
As famílias defendem que, mandar crianças para a pesca, é uma das formas encontradas para suprir as dificuldades económicas por que elas passam, mesmo reconhecendo os riscos.
Nas comunidades, há um consolo cultural que se cria para minimizar a dor das vítimas, aceitando-se que a tradição e os costumes dos seus antepassados devem continuar a ser praticados a fim de imortalizar a cultura local.
As vítimas são forçadas e estimuladas a praticarem esta actividade de risco, mesmo sem capacidade física e psicológica para o efeito. Em virtude disso, muitas crianças perdem a vida vítimas de afogamento, pelo facto de não terem habilidades para a natação. Igualmente, estas crianças, também, perdem a oportunidade de crescerem num ambiente próprio para a idade delas, sobretudo a frequência escolar.
A reportagem do Ikweli visitou algumas comunidades do distrito de Angoche, de onde recolheu histórias tristes e perplexas de crianças que adiaram a sua infância para se dedicarem a actividades pesadas, em clara violação dos seus direitos. A idade das crianças varia dos 6 aos 15 anos de idade.
Os mais novos ficam fora do mar, esperando o regresso dos barcos de pesca para ajudarem a puxar a rede. Os outros ainda vão para o mar, em canoas e pequenas embarcações.
Esta actividade ocorre, maioritariamente, no período nocturno, por isso, logo pelas primeiras horas de manhã, de caras felizes ou tristes, dependendo do resultado da faina, as crianças voltam para o convívio familiar.
O encerramento de estabelecimentos de ensino, também, concorre para uma maior exposição das crianças e exploração na actividade piscatória. As famílias, no lugar de manterem as crianças em casa para protegê-las da covid-19, mandam-nas para a labuta.
Amade Saíde, menor de 10 anos de idade, conta que começou a frequentar o mar como ajudante para puxar a rede e ganhar algum peixe. Este produto servia para suprir as necessidades alimentar da família do menor.
Órfão de pais, o pequeno Amade vive com a sua avó, que não dispõe de condições para sustentar a família, viu-se obrigado a abandonar a escola, onde frequentava a 3ª classe, para se dedicar a pesca.
Este menor tem a praia de Thamole como o seu centro de produção, e refere que “até as 4horas da manhã já estou aqui. Como ainda não tenho um barco de pesca pessoal, normalmente tenho usado os mesmos barcos dos colegas, depois da viagem sou dado a minha parte que outra vendo para comprar farinha de milho e a outra parte guardo para servir de caril’.
Zacarias Chalé, menor de 9 anos de idade, desenvolve a sua actividade de pescador na praia do Porto, na localidade de Serema. Ainda frequentando a escola, este menor dedica mais o seu tempo e esforço a pesca.
Esta vítima do trabalho infantil ganha, diariamente entre 30,00Mt (trinta meticais) a 60,00Mt (sessenta meticais), e por vezes a compensação é mesmo por produto.
“Meus pais não trabalham, e para nós conseguirmos comida tem sido um esforço grande para os meus pais. Então, sempre que posso venho ajudar os pescadores para me pagarem e ajudo um pouco na alimentação de casa, outra parte compro meus cadernos”, apontou Chalé, para depois acrescentar que “o dinheiro que ganho aqui serve para coisas mais importantes, que é a comida”.
Zacarias Chalé, uma das vítimas do trabalho infantil
Desprotegido, esta vítima comenta que gostava de ter, pelo menos, uma máscara para se prevenir da covid-19. “Infelizmente, não tenho máscara”, disse Zacarias Chalé, visivelmente triste.
Outros menores, inocentes, gabam-se que praticar a pesca é uma forma de honrar a masculinidade e a sua família. “Meu pai é que me leva, sempre, para aprender a pescar, para ser um grande pescador como ele e como o meu avô”, disse Chandes Mohamede.
A preocupação do Núcleo de Pescadores
Zero Atumane, presidente do Núcleo dos Pescadores de Angoche, em entrevista ao Ikweli, disse ser preocupação da agremiação que dirige o combate da exploração da mão-de-obra infantil no ramo.
Igualmente, esta fonte avança que muitas das pessoas que usam crianças na pesca, neste momento de pandemia global, não conseguem oferecer condições de prevenção e proteção aos petizes.
“Sou pescador desde cedo. A minha vida toda te sido na pesca, e tenho visto o fim de muitas crianças aqui na praia por afogamento, e isso piora nos tempos que a maré está forte. Temos participado casos de crianças que desapareceram na água, e até hoje não foram vistas e isso é lamentável”, avançou Atumane, certificando que “nem todas as crianças que se fazem a pesca são mandadas pelos seus pais. Há crianças rebeldes que vem a pesca sem a permissão dos pais, e nós acolhemos essas crianças e começamos a trabalhar juntamente com elas”.
As lideranças tradicionais e religiosas de Angoche, também, apontam factores culturais como o factor fundamental que motiva a aderência de crianças a pesca.
Muanjuro Ahamada é líder comunitário no bairro de Ínguri, e ao Ikweli disse que “as crianças daqui, desde cedo, são estimuladas a irem a pesca, principalmente os do sexo masculino”.
A luta é de todos
Tanto o governo, assim como organizações que trabalham na defesa e promoção dos direitos da criança, também, andam preocupados com esta situação da exploração da mão-de-obra infantil na pesca.
Cândido Ualuto, director dos Serviços Distritais de Actividades Económicas (SDAE) de Angoche, disse que o governo não sabe, ao certo, quantas crianças estão envolvidas nesta actividade. “A mão de obra infantil no sector pesqueiro, infelizmente, é uma realidade aqui no nosso distrito” confirmou a fonte governamental, para depois continuar que “a nós, como governo, nos preocupa o facto de mesmo em tempos de pandemia da covid-19 as crianças continuarem a ir à pesca. Alguns pais e encarregados de educação tem levado os seus filhos para actividade pesqueira e nos preocupa mais porque uns chegam até a ir no interior do mar, outros ficam para puxar a rede, outros transportam e vendem normalmente, embora exista uma legislação especifica que proíbe essas actividades alguns encarregados de educação continuam a levar as crianças no mar”.
Para reverter o cenário, o governo de Angoche, em colaboração com os Conselhos Comunitários de Pesca (CCP) tem vindo a sensibilizar o não envolvimento de crianças na actividade piscatória.
“Capacitamos os membros do CCP em matéria de legislação pesqueira com documentos legais para trabalharam com os pais e encarregados de educação na sensibilização dos mesmos, e com base nisso divulgamos os instrumentos que proíbem as crianças nas actividades de pesca”, fez saber Ualuto, para depois concluir que “chegou uma época em que as pessoas já estavam a acatar as mensagens de sensibilização, mas com a pandemia da covid-19 a situação piorou, porque as crianças estão sem fazer nada em casa e se refugiam na pesca”.
Candido Ualuto, SDAE de Angoche
O coordenador da UNICEF em Nampula, Baisamo Juaia, lamenta o facto de existirem crianças que, no lugar de ficar em casa para se prevenir da covid-19, optam em ir ao mar para se dedicar a pesca.
“Olhando aquilo que são as possíveis razões, muitas das vezes o trabalho infantil é o resultado de violação de outros direitos”, disse a fonte.
Juaia aponta que o fim do trabalho infantil na pesca não tem fim a vista, mas apela que os esforços nesse sentido não parem.
Segundo o Inquérito do Orçamento Familiar (IOF) 2014/2015 a taxa de emprego infantil foi de 22% ao nível Nacional, sendo que 6.1% nas zonas urbanas e 28.6% nas zonas rurais. E a província de Nampula tem a taxa de 22.3%. (Texto: Elisabeth José *Fotos: Hermínio Raja)
*Este artigo foi produzido com o apoio da RECAC, no âmbito do Fundo de Apoio a Trabalhos Jornalísticos sobre a criança
São trabalhadores de agências bancárias que enganavam clientes com depósitos chorudos não efectuados, e outros são seguranças privados que alugavam armas a malfeitores.
Nampula (IKWELI) – O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em Nampula, apresentou a imprensa, na terça-feira (21) da corrente semana, três grupos de meliantes que aterrorizavam o maior centro urbano do norte de Moçambique, os quais actuavam com modos diferenciados e sofisticados.
O primeiro grupo era constituído por três indivíduos, os quais, em conluio com seguranças privados afectos a agências bancárias assaltavam clientes que fossem ao banco levantar avultadas somas monetárias. Era papel dos seguranças alertar aos seus comparsas sobre a saída de clientes com dinheiro em numerário dos estabelecimentos bancários. O segundo grupo, com quatro indivíduos, actuava nas ruas com auxílio de motorizadas, assaltando cidadãos indefesos. E o último grupo, terceiro, e com dois indivíduos era constituído por trabalhadores bancários, os quais defraudaram clientes com depósitos simulados, ou seja, administração danosa.
De acordo com a porta-voz do SERNIC em Nampula, Enina Tsinine, das diligências efectuadas, pelo menos, foi recuperada uma arma de fogo do tipo pistola e uma motorizada.
A detenção dos assaltantes, com recurso a motorizadas, teve efeitos colaterais. Durante a perseguição, a polícia viu-se obrigada a disparar contra o grupo, e em consequência um dos integrantes contraiu ferimentos que o levaram ao internamente no Hospital Central de Nampula (HCN).
Em relação aos trabalhadores bancários, Tsinine referiu que “eles simulavam lançamento nas contas os lavores, que não ficava disponível na conta dos clientes, e de seguida levavam o valor para usos pessoais”.
A fonte deu a conhecer que, em menos de uma semana, estes funcionários de uma agência bancária, saquearam mais de 12 milhões de meticais, e depois da denúncia feita ao SERNIC foram lançadas as linhas operativas que culminaram com a detenção de um funcionário na capital do país, Maputo, e um deles, está a monte.
A fonte concluiu que os trabalhadores bancários, aplicavam o dinheiro defraudado aos clientes em jogos de sorte e azar, legalmente, estabelecidos na cidade de Nampula.
Por seu turno, o comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, ao fim da manhã desta sexta-feira (24) convocou a imprensa para exibir mais três grupos de meliantes que passeavam a sua classe no maior centro urna do norte de Moçambique.
Nesta leva de exibição de supostos criminosos, o primeiro grupo, também, actuava num banco de investimento. E através de operações simuladas defraudaram ao banco valor estimado em 40.000,00Mt (quarenta mil meticais).
Um segundo grupo é dos famosos “águias”, motoqueiros que se dedicam a assaltos na via pública, sendo a preferencial deles telefones celulares e cabelos femininos artificiais. Por fim, foi apresentado um individuo que se dedicava a arrobamento de viaturas com recursos a chaves falsas, para do seu interior retirar bens.
Todos os integrantes dos grupos são confessos, e apresentavam comportamento de arrependimento, ainda que a maioria delas seja renitente.
Dércio Samuel, chefe de Relações Públicas no comando da PRM em Nampula, disse a imprensa que os grupos actuavam de forma sofistica, incluindo com uso da forca para intimidar as vítimas. (Texto:Aunício da Silva e Celestino Manuel *Foto: Hermínio Raja)
Nampula (IKWELI) – A Ilha de Moçambique, distrito insolar de Nampula, registou nesta quarta-feira (22), dois (2) novos casos positivos da covid – 19, de um total de 10 casos positivos registados na província mais populosa do país, e os restantes foram registados na capital provincial.
Ao todo, nas últimas 24h o país registou 21 casos positivos, de um total de 839 amostras testadas. “Das amostras testadas nas últimas 24h no sector público, 2 provêm da província de Niassa, 161 de Nampula, 12 da Zambézia, 28 de Tete, 54 de Manica, 50 de Sofala, 6 de Gaza, 70 da Província de Maputo e 67 da Cidade de Maputo”, refere o comunicado de actualização diária do ministério da Saúde.
O mesmo documento aponta que “os casos novos hoje reportados são todos de transmissão local e incluem 19 indivíduos de nacionalidade moçambicana e 2 indivíduos de nacionalidade Indiana. Os mesmos resultam da vigilância nas Unidades Sanitárias e do rastreio de contactos de casos positivos”.
“Moçambique tem, actualmente, 1.021 casos activos da covid-19, distribuídos da seguinte forma: província de Niassa – 19; Cabo Delgado – 203; Nampula – 239; Zambézia – 28; Tete – 22; Manica – 23; Sofala – 21; Inhambane – 39; Gaza – 54; Província de Maputo – 191 e Cidade Maputo – 182”, concluiu o comunicado governamental. (Redação)
Nampula (IKWELI) – Um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, é acusado de ter destruído a residência de um casal de idosos, no último sábado (18), na unidade comunal 1º de Maio, no bairro de Carrupeia, na cidade de Nampula, deixando-os sem abrigo, por razões ainda desconhecidas.
Armindo Mwassuca, vítima da brutalidade do agente policial, conta que antes da destruição da sua moradia foi recolhido e detido na 3ª Esquadra, durante quatro dias, pelo seu vizinho que é membro da corporação, sem razão aparente.
“Foi na semana passada, eu tinha ido à machamba quando regresso, ele [polícia] mandou o sobrinho para atirar pedras sobre a minha casa. Então, quando procurei saber as motivações que levaram a atirar pedras no meu quintal ele veio, junto com o sobrinho, depois amarrou-me e pôs-me na motorizada, no caminho levou soruma e colocou no meu bolso, mas eu nunca fumei, apenas bebo quando eu entender”, contou o senhor Armindo, de 64 anos de idade.
“Na 3ª esquadra fiquei detido, durante quatro dias, e no quinto dia ele veio me buscar e disse pronto, a sua família não está aqui, vou-te tirar desta cadeia, depois levou-me até em casa da minha neta”, acrescentou a fonte.
O senhor Armindo disse, falando à imprensa, que tem sido vítima de abusos perpetrados pelo agente policial e a sua família, incluindo filhos menores que o tratam por ladrão.
A fonte conta, ainda, que pela manhã do dia da destruição da sua residência “fui a barragem, e na altura a minha mulher tinha ido à cidade [onde tem pedido esmola]. Então, quando regresso, por volta das 18 horas entrei. Ele voltou a dizer que iria me levar a cadeia, novamente, uma vez que a primeira foi ele quem me havia soltado, então quando perguntei as razões de, novamente, levar-me a cadeia é quando começou a destruir a minha casa. Eu estava lá dentro e a minha mulher era antes de chegar”, relatou o nosso interlocutor, para quem “dali não tive como sair e arranjei furo e fugi para a casa de outro vizinho, lá em cima, e só voltei mais tarde para defender minha mulher, caso viesse da cidade”.
Para além da destruição da sua residência, Armindo Mwassuca falou, igualmente, que perdeu alguns bens que se encontrava no interior da casa. “Levaram colchão que havia lá dentro, nosso dinheiro 12.500,00Mt (doze mil e quinhentos meticais) que estávamos a guardar para a recuperação da nossa casa porque, para além do valor que a minha mulher trazia da cidade, eu também conseguia como camponês”.
O caso, segundo a vítima, já deu entrada na 3ª esquadra da PRM, localizada no populoso bairro de Namicopo, de onde foi garantido que seria destacada uma equipa para averiguar a situação, mas que nenhum socorro foi prestado, até o fecho desta reportagem.
A fonte exige que a justiça seja feita perante as autoridades competentes, “porque isso aqui chama-se crime. Se eu não fugisse havia de me matar, havia de incendiar a casa. Eu sinto isso, mas como sou população que não tenho nome tudo dependerá das próprias autoridades sobre este assunto”, precisou a fonte.
Rassiki Amade, de 56 anos de idade, é a esposa do senhor Armindo. Para ela o incidente deixou-lhe chocada uma vez que o mesmo terá acontecido na sua ausência. “Eu estava lá na cidade a pedir esmola porque agora não tenho idade, já sou velha e não tenho filhos porque morreram e apenas fiquei com o meu marido e meus netos”, contextualizou a vítima, acrescentando que “quando cheguei apanhei o quintal caído, casa de banho destruída, toda casa partida, todas coisas ali dentro espalhadas, e fiquei preocupada sobre onde estava o meu marido”, contou a dona Rassiki, acrescentando que “eles levaram tudo, o dinheiro, o colchão, incluindo as panelas que estavam dentro e levaram parte da minha roupa”.
A senhora também fala que não teve pronto-socorro por parte da 3ª Esquadra da PRM, mesmo depois de o casal ter metido o caso, mas “depois passaram uma notificação e até hoje nada aconteceu”.
Lídia Arlindo, uma das residentes daquela unidade comunal, disse estranhar o cenário que se vive entre o agente policial e aqueles idosos. “Conheço esses velhos já faz tempo, quase todos que estão a residir agora encontraram esses velhos aqui. A contradição que sai sempre é com esse tal polícia que tem a tendência de ameaçar esses velhos para poderem se afastar e ficar a manifestar-se da maneira como ele [polícia] quer. É isso que estou a achar, porque ele convive com muita marginalidade e em nenhum momento já levou aqueles marginais para a esquadra, então, porque é um velho e está inconsciente, está sentado no seu quintal, leva e manda na esquadra”, lamentou a fonte.
Carlos dos Santos é o referido agente policial, afecto a 4ª Esquadra da cidade de Nampula. Contactado pelo Ikwelipara reagir as acusações que pesam sobre si, disse que as mesmas não constituem verdade. Aliás, segundo o nosso interlocutor, a destruição da residência daqueles idosos foi protagonizada pela “própria população” daquela zona que não compactua com o comportamento do senhor Armindo, caracterizado por insultos inclusive promessa de morte a outrem.
O Comando Provincial da PRM em Nampula, através do seu porta-voz Dércio Samuel, disse não ter o registo deste incidente, mas que garante pronunciar-se oportunamente. “Prometemos nos pronunciar num outro momento”, disse o porta-voz da corporação nesta segunda-feira (20), durante a conferência de imprensa. (Redação)
Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, no norte do país, registou, nesta quinta-feira (16), mais cinco (5) novos casos positivos da covid-19, totalizando, assim, cumulativamente, 260 casos da doença.
Os casos foram registados nas cidades de Nampula (2), Nacala-Porto (2) e no distrito Meconta (1).
Ao todo, nesta quinta-feira, Moçambique testou para a covid-19 o total de 53 novos casos, totalizando, cumulativamente, 1.383 casos positivos.
“Das amostras testadas nas últimas 24h, 51 provêm da Província de Niassa, 19 de Cabo Delgado, 87 de Nampula, 3 de Tete, 59 de Manica, 10 de Sofala, 2 de Inhambane, 59 de Gaza, 105 da Província de Maputo e 195 da Cidade de Maputo. Das amostras testadas em laboratórios do sector privado,402 provém da Província de Cabo Delgado e 108 da Cidade de Maputo”, refere o comunicado de actualização diária do ministério da Saúde enviado a partir de Maputo.
O mesmo documento aponta que a província do Niassa registou quatro (4) novos casos (todos na cidade de Lichinga), Cabo Delgado com vinte (20) novos casos (13 em Montepuez, 4 na cidade de Pemba e 3 no distrito de Mueda), Inhambane contribuiu com um (1) na cidade capital, Gaza com quatro (4) casos (1 na cidade de Xai-Xai, 1 no distrito de Chókwè, 1 no distrito de Bilene e 1 no distrito de Chonguene), seis (06) casos na província de Maputo (1 caso em Ressano Garcia, 1 caso no distrito de Marracuene, 2 casos na Cidade da Matola e 2 casos no distrito de Matutuine), e treze (13) casos na Cidade de Maputo. (Redação)
Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, no norte do país, registou nesta quarta-feira (15) cinco (5) novos casos positivos da covid-19, sendo que 4 (quatro) na cidade de Nacala-Porto, principal entreposto comercial da região, e 1 (um) na capital provincial.
Assim, Nampula, a mais população província do país, conta, actualmente, com 255 casos positivos da doença.
Ao todo, nesta quarta-feira, o país registou o total de 62 casos positivos, de um total de 806 amostras testadas em laboratórios públicos e privados.
“Das amostras testadas nas últimas 24h, 1 provêm da Província de Niassa, 83 de Cabo Delgado, 66 de Nampula, 5 da Zambézia, 113 de Tete, 50 de Manica, 131 de Sofala, 76 de Inhambane, 237 da Província de Maputo e 42 da Cidade de Maputo. A amostra testada em laboratório do sector privado provém da Cidade de Maputo”, lê-se no comunicado de imprensa do Ministério da Saúde (MISAU) enviado a partir de Maputo, acrescentando que “assim, o nosso país tem cumulativamente 1.330 casos positivos registados, sendo 1.195 de transmissão local e 135 casos importados”.
Igualmente, o comunicado aponta que “os casos novos hoje reportados incluem 60 indivíduos de nacionalidade moçambicana e 2 indivíduos de nacionalidade Indiana. Destes, registamos 50 casos de transmissão local e 12 casos importados. Os mesmos provêm da vigilância nas Unidades Sanitárias, vigilância activa e do rastreio de contactos de casos positivos”.
Aponta a mesma nota de imprensa que onze (11) casos foram registado na província de Cabo Delgado (todos na cidade de Pemba), quatro (4) na província de Tete (todos no distrito de Cahora Bassa), três (3) na província de Sofala (todos a cidade da Beira), três (3) na província de Inhambane (todos na cidade de Inhambane), dois (2) na província de Gaza (1 a cidade de Xai-Xai e 1 no distrito de Chókwè), trinta (30) na província de Maputo (9 em Ressano Garcia, 1 no distrito de Marracuene, 14 na cidade da Matola e 6 no distrito de Boane) e quatro (4) na cidade da Matola. (Redação)