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Do empoderamento económico a roubalheira: Há cada vez mais mulheres a fugirem com dinheiro de PCR

Nampula (IKWELI) – Com o advento dos movimentos feministas e o empoderamento da mulher na sociedade, a perspectiva económica passou a ser uma das mais dominantes, e com o efeito organizações não-governamentais tomaram a dianteira do processo, advogando a criação de grupos de Poupança e Crédito Rotativo (PCR).

Esta prática (PCR) foi ganhando vida e réplica em vários pontos da província de Nampula, incluindo que o melhoramento da vida de alguns membros de certos grupos foi motivando mulheres de outras comunidades a juntarem-se, mesmo sem assistência especializada, para desenvolverem a actividade.

Todavia, volvidos estes anos, a grande preocupação é com mulheres de conduta duvidosa que tem aderido aos grupos para burlar as companheiras. Algumas tem sido tesoureiras dos grupos que desaparecem com os valores na caixa, outras decidem ser primeiras a receber o crédito e a posterior desaparecem.

A direcção provincial do Género, Criança e Acção Social de Nampula confirma a ocorrência de casos de burla nestes grupos, tal como nos disse a senhora Hermenegilda Miguel, funcionária daquela instituição.

“Já tivemos vários casos. O último foi registado no distrito de Eráti. Era um grupo misto de homens e mulheres e tentamos resolver o caso pacificamente, mas não estávamos a conseguir. Acabamos levando o caso para as autoridades. Nós, como instituição, em relação aos nossos grupos de poupança e associações temos feito o acompanhamento para dar o apoio técnico e ajudando na resolução de possíveis conflitos”, disse a nossa fonte governamental.

Um caso recente de burla em grupo de PCR foi registado na semana passada, no bairro Muhala Belenenses, nos arredores da cidade de Nampula.

Segundo apurou o Ikweli das integrantes do grupo, o mesmo era, anteriormente, constituído por 9 senhoras, e nos últimos dias chegou uma nova senhora que pediu para integrar o grupo.

Nisto, segundo nos contaram, a mesma pediu para ser a primeira a receber o valor, cujo ciclo de reembolso é semanal.

Na nova data para a entrega da próxima beneficiária, a referida burladora não apareceu, e desligou as suas formas de contacto, incluindo a residência que indicou como a sua moradia não a pertence.

Ao que tudo indica, a referida cidadã sumiu com, pelo menos, 10.800,00Mt (dez mil e oitocentos meticais).

“Essa senhora veio ter connosco no início deste mês e disse que queria fazer parte do grupo de xitique, nós aceitamos porque já víamos ela sempre aqui no bairro. Pediu para ser a primeira a receber, juntamos o dinheiro e entregamos. Cada uma de nós tirou 1.200,00Mt (mil e duzentos meticais). Eramos 9 pessoas, e no total saio 10.800,00Mt (dez mil e oitocentos meticais). Foi a primeira a receber, no dia 20 para que ela utilizasse no dia 22 (dia da cidade de Nampula)”, disse ao Ikweli a senhora Julieta Luís, membro do referido grupo, acrescentando que “tínhamos marcado uma sentada para o dia 23 de Agosto (domingo), e ela não apareceu. Tentamos ligar para o número dela e está desligado. Na casa onde ela dizia morar, os donos de casa dizem que ela não vivia lá. Procuramos em todos os lugares onde suspeitávamos e não a encontramos”.

“Vamos procurar a ela até encontrar para levarmos a polícia”, disse a outro membro Anastácia Jorge, apontando que “isso nunca aconteceu com esse grupo, e estamos há bom tempo a fazer poupança”.

Hermenegilda Miguel reconhece, para este grupo, que “essa senhora ao desaparecer prejudicou as outras, porque cada uma já tinha feito os seus planos e objetivos. Esse comportamento vem minar aquilo que é a confiança dos membros, e em consequência disso as mulheres ficam com medo de fazer a poupança, e atrasa o desenvolvimento delas”. Elisabeth José

Paroquia da Santa Cruz, na cidade de Nampula, acolhe mais 2.500 deslocados de guerra de Cabo Delgado

Nampula (IKWELI) – Pelo menos 2.614 (duas mil, seiscentas e catorze) pessoas que fogem dos ataques terrorista na província de Cabo Delgado, no norte do país, recorreram a paroquia da Santa Cruz, na cidade de Nampula, como porto de segurança e refúgio.

Os crentes daquele templo cristão localizado no bairro de Muahivire distribuíram as 400 famílias para outras comunidades a ela pertencente, nomeadamente a comunidade – sede (Santa Cruz), a comunidade de São Paulo e a comunidade de São João de Brito.

Para confortar aos deslocados, os crentes têm se desdobrado em prover apoio diverso, dentre alimentos, vestuários e cobertores desde o mês de Maio que, aos poucos, as vítimas começaram a chegar naquela paroquia.

De acordo com o Padre Davide De Guidi, pároco da Santa Cruz, “acolher estas pessoas tem sido muito difícil, porque frequentemente chegam a nossa paróquia pouco mais de 200 pessoas vindos de Cabo Delgado a fugir da guerra. Igualmente, dificulta como encontrar abrigo e alimentação para os mesmos, uma vez que chegam com fome e não têm aonde descansar depois de uma longa caminhada. Daí que juntamos os nossos esforços e damos a estes, produtos alimentares, como óleo de cozinha, farinha de milho, arroz, entre outros. Também oferecemos esteiras, cobertores e artigos de vestuário”.

Dos crentes e de outros organizações da igreja católica, até ao momento, já foi possível juntar mais de 700.000,00Mt (setecentos mil meticais) para apoiar as vítimas dos ataques terroristas de Cabo Delgado. “O que acontece é que quando as pessoas chegam entram nas famílias dos crentes, sem antecedência. Porém, porque as residências são pequenas e o número de membros é acima de 15 pessoas, corre-se o risco de contaminar o coronavírus, entre outras doenças. Aliás, a fome começa a ter lugar no seio das famílias, o que nos leva a levantar a mão para apoiar”, apontou o clérigo Guidi.

Parte dos deslocados acolhidos pelas comunidades da Paroquia Santa Cruz

De Guidi reconheceu, em entrevista ao Ikweli que, que esta situação constitui um enorme desafio, sobretudo em momentos como este que o mundo atravessa uma das priores pandemias, mas adverte para que não seja perca de vista o apoio as vítimas da guerra terrorista, por isso, para ele, este é o momento em que o governo e a sociedade não devem abandonar as pessoas e a situação em que foram submetidas merece compaixão e atendimento rápido.

Aquele padre, da congregação dos missionários Combonianos do Coração de Jesus, entende que, neste momento de tristeza, as paróquias devem servir de um lugar de experiência de Deus. Os jovens, por exemplo, estão a viver um  momento de fragilidade, o que lhes pode mover à outras práticas não dignas a vida humana, sobretudo, as mulheres que se podem enveredar pelo caminho do casamento, não por amor, mas porque procuram as melhores formas de vida.

Daí que, “é importantíssimo e primário, o governo e a comunidade acolher e dar dignidade aos nossos irmãos que vêm de Cabo Delgado. Nós ressuscitamos em Cristo, se fazermos ressuscitar os nossos irmãos, vivemos se fazermos viver os nossos amigos e por fim, temos futuro melhor, se damos também um futuro aos carentes”, defende a fonte.

Num outro desenvolvimento, o padre Davide De Guidi deu a conhecer que, na passada terça-feira (11), um recém-nascido de apenas quatro meses, de uma mãe vítima da insurgência, perdeu a vida.

Este incidente leva ainda ao padre De Guidi a apelar as autoridades governamentais e a sociedade em geral, a prestar assistência alimentar, médica e medicamentosa aos deslocados, isto para evitar casos do género.

O gesto conforta as vítimas

Sem gravar a entrevista os cidadãos vindos de Cabo Delgado por causa dos ataques manifestaram o seu agrado pelo gesto que a população de Nampula está a dar, sobretudo, os crentes da paróquia Santa Cruz, assim como os líderes comunitários dos bairros de Muahivire e Muhala-Expansão, respectivamente, Muatala e zona residencial Militar.

“Eu recebi da igreja, um saco de 25 quilogramas de farinha de milho, uma barra de sabão, quatro mantas e igual número de esteiras. Por isso, estou muito agradecido porque não imaginava isso, uma vez que o que vivemos e os nossos conterrâneos que estão em Cabo Delgado passam, actualmente, é doloroso. Nós passamos dias e noites a correr de um lado para o outro a procura de um espaço para descansar, muitos morreram, casas foram incendiadas e outros bens destruídos”, contou-nos Abdala Juma Cha, jovem deslocado do distrito da Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado. (Esmeraldo Boquisse)

Em 40 dias Nampula testou, localmente, mais de 3 mil amostras da covid-19 contra perto das 8 mil que se esperavam

  • Devido a problemas técnicos, o equipamento instalado no HCN já leu resultados diferentes do que devia ser.

 Nampula (IKWELI) – O laboratório de Nampula para a testagem da covid-19 testou o universo de 3.054 (três mil e cinquenta e quatro) amostras de casos suspeitos do novo coronavírus, desde que entrou em funcionamento no dia 2 do mês de Julho findo.

As autoridades de tutela justificam que a falta de recursos humanos para o mapeamento e colecta de amostras de contactos dos casos positivos, ao nível dos distritos da mais populosa província do país, contribui para este reduzido número de testagens.

A referida unidade de testagem está sob alçada do Ministério da Saúde, através do Instituto Nacional de Saúde (INS), e foi instalada com o propósito de efectuar testagens massivas de pessoas suspeitas de serem portadoras da covid-19. O investimento financeiro não foi tornado público.

A cidade de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, foi o primeiro ponto geográfico a ser declarado com padrão de transmissão comunitária.

“Achamos que o processo vai permitir maior celeridade na testagem, mas também, vai permitir que possamos diminuir o tempo necessário para o fornecimento dos resultados”, disse o ministro da Saúde, Armindo Tiago, a quando da inauguração daquele equipamento hospitalar, acrescentando que “temos que associar esta capacidade de testagem com o inquérito que já foi realizado nesta cidade, sobretudo. Portanto, vai harmonizar isso e poderá aumentar o número de casos, que é aquilo que é esperado normalmente”.

Na altura, Armindo Tiago disse, aos jornalistas, que o laboratório tinha a capacidade de testar em média 150 a 200 amostras, diariamente.  Com base nestes dados ministeriais, era presumível que, volvidos 40 dias após a sua inauguração, o laboratório de Nampula tivesse analisado entre 6.000 (seis mil) a 8.000 (oito mil) amostras, o que não chegou de se concretizar.

Aliás, o número das amostras testadas pelo laboratório de referência de Nampula, durante o período em estudo, foi de 3054 (três mil e cinquenta e quatro) amostras, o que significa que, em média diária foram analisados 76 dados, um incumprimento na ordem de 61%.

Das amostras testadas, nos primeiros 40 dias do funcionamento do referido laboratório, segundo dados que tivemos acesso, 156 pessoas revelaram-se positivas para o SARS-CoV2, o que representa uma taxa de positividade fixada em 5% (cinco por cento).

Durante o período em análise, os distritos que fizeram o referenciamento das amostras, destacam-se Nampula com 1781 amostras, Eráti com 43, Larde com 225, Ilha de Moçambique com 122, Angoche com 24, Mossuril com 82, Murrupula com 58, Meconta com 124, Nacala-Porto com 326, Rapale com 24, Mogovolas com 77, Muecate com 30, Monapo com 25, Moma com 91, e Mecubúri com 5.

A informação foi facultada, exclusivamente, ao Ikweli na terça-feira (11 de Agosto) por Manuel Lázaro, chefe do Laboratório de testagem da covid-19 de Nampula.

Manuel Lázaro garantiu-nos que desde que o laboratório entrou em funcionamento nunca teve anomalias de grande vulto que justificasse a paralisação dos trabalhos de testagem, e disse possuir técnicos de qualidade admirável, e com vontade de trabalhar com vista a contribuir na mitigação dos impactos negativos da pandemia.

Entretanto, para a baixa media diária das amostras testadas ,desde que o laboratório entrou em funcionamento, apontou a falta de celeridade dos técnicos de campo, que são repontáveis pela colecta e canalização das amostras para alimentar aquele departamento laboratorial, recordando que “nós temos a capacidade de superar 200 amostras ao dia, se formos a trabalhar 24 horas, o laboratório faz 200 a 300 amostras, a vontade, mas como sabe, o laboratório para ter as amostras depende de quem está no campo. Então, isso depende daquilo que é o funcionamento das equipas de vigilância activa. Os positivos que acontecem, eles ditam as pessoas que vão ser colhidas, são os contactos, as portas de rastreio, por exemplo, o facto de um distrito ter um caso positivo indica que o distrito é sujeito a um rastreio, se as equipas estiverem a funcionar cabalmente, como manda a regra. Agora, se os números de positivos nos distritos estão a crescer e o número de amostras que é referida ao hospital está a reduzir, isso é um indicador de que alguma coisa que deveria ser feita não está a ser feita como deveria ser feita. Porque, só o rastreio de contacto é suficiente para deixar-nos sem tempo nenhum para o descanso, eles podem cobrir no máximo”, enfatizou o profissional da saúde.

Reiterando a sua posição, o nosso interlocutor precisou que devido a pouca demanda, desde que o laboratório foi inaugurado nunca funcionou acima de 12 horas diárias. “Até ao momento não houve razões que justificassem a operacionalização em 24 horas, nós apenas trabalhamos em 12 horas, havendo dias em que podemos estender até 15 horas de trabalho, nós estamos preparados para adequar a máquina para que possamos trabalhar, mas até o momento nada justifica para trabalharmos em 24 horas”, referiu o epidemiologista.

Há o registo de problemas técnicos

Depois da instalação e inauguração do laboratório de testagem da covid-19 de Nampula, observou-se um período em que a província mais populosa de Moçambique não emitia resultados, facto que abriu espaço para a especulação de que o equipamento alocado a esta parcela do país estava avariado.

Entretanto, e nesta reportagem, Manuel Lazaro, chefe do laboratório fez saber que não se tratava de avaria do equipamento, mas sim alguns problemas técnicos que faziam com que os resultados obtidos despertassem inconformismo no seio dos técnicos da linha da frente e, como não bastasse, toda corrida do dia era invalidada para, posteriormente seguir-se a nova testagem.

“Os problemas técnicos num laboratório de biologia molecular são esperados, porque estamos a trabalhar com matéria molecular, estamos a trabalhar com DNA, RNA. Quem trabalha com RNA precisa ter muito cuidado. Por exemplo, se começam amplificações que nos trazem reticências na cabeça, nós temos que abortar a corrida. Nós já tivemos situações em que tivemos que abortar a corrida, isto também pode afectar o funcionamento ou o reporte de resultados, pode ser o caso, mas nós como laboratório nunca tivemos casos em que paramos como tal, mas já tivemos situações em que as corridas foram abortadas, porque os nossos resultados têm que ser de qualidade. Se o resultado que obtivemos não nos convencer, nós não emitimos o resultado”, disse o epidemiologista, acrescentando que “nós precisamos de três genes para poder emitir resultados positivos, temos o gene ORF, N e E, são esses três genes que nós usamos para emitir resultado positivo. Para tal, a água que em princípio não tem material genético ela tem que ser negativa, agora se por uma e outra razão a água apresentar genes, nós abortamos a corrida toda e já tivemos situações dessas, cada dia que passa quando se trabalha com DNA é um aprendizado, então nós tivemos e cortamos, isso é assim, é preciso o controlo de qualidade, não só testar, não, é testar e fazer crítica aos resultados que vais ter. Se o resultado te dá certeza, então emite-se, ao contrário deve-se repetir a testagem”.

Nessa maratona, Lázaro contou-nos que num certo dia a sua equipa de trabalho foi surpreendida com resultados que não iam de acordo com a realidade, e como não bastasse, “informamos a capital que nós não estamos neste momento em condições de emitir esse resultado e continuamos ainda a fazer o nosso trabalho de casa até acertar, é uma situação técnica”.

O nosso interlocutor mostra-se optimista com a capacidade técnica dos profissionais com quem trabalha. Aliás, alguns problemas técnicos que o equipamento tem enfrentado, são solucionados localmente. “Primeiro nunca tivemos apagão nas máquinas, nunca tivemos falta de material, nunca tivemos falta de pessoal, já tivemos situações em que depois de fazer crítica aos resultados tivemos que parar com a corrida e quem resolveu o problema foram os meninos da casa”.

Melhorou o tempo de espera de resultados

 Num outro desenvolvimento, Manuel Lázaro fez saber que uma das grandes conquistas, nos primeiros 40 dias do funcionamento daquele laboratório, é a redução do tempo de espera para se emitir o resultado, por parte dos pacientes.

Mesmo sem avançar com o tempo exacto, o nosso interlocutor recordou que os dias que antecederam a inauguração do laboratório de referência de Nampula, o tempo que os pacientes levavam para terem acesso aos resultados dos testes era de tal forma que sufocava as pessoas, para além de dificultar o próprio controlo da pandemia a nível das comunidades.

Manuel Lázaro, responsável do Laboratório de Testagem da Covid-19 em Nampula

“Importa referir que, apesar de nós termos definido 48 horas como tempo de resposta, quer dizer, com o trabalho concluído, nós temos a responder em 24 horas. Isso é muito bom para o próprio processo de vigilância, assim como no processo de flexibilização da resposta, principalmente para o paciente que está dependente do resultado da covid-19 para fazer-se seus seguimentos”, destaca a fonte, para recordar que “os nossos positivos, como tem estado a acompanhar, eles estão distribuídos por alguns distritos da província de Nampula. Essa é a nossa forma de participar naquilo que é a vigilância ao nível da província. Nós já temos casos positivos nos distritos de Mossuril, Ilha de Moçambique, Nacala – Porto, Meconta, Larde, Murrupula, Moma, Angoche e o próprio distrito de Nampula, então, como pode ver, é uma situação que exige de nós um pouco de esforço acrescido de modo que possamos travar a propagação da covid-19 a nível da província, mas estamos satisfeitos com o evoluir, nós estávamos no princípio com taxas relativamente altas em termos de positividade mas, ultimamente os positivos estão a reduzir”.

O país precisando Nampula pode “acudir”

Paralelamente, Manuel Lázaro disse que o desejo actual é tornar o laboratório de Nampula como recurso para a testagem de casos da covid-19 à escala nacional, ao avaliar as condições do equipamento instalado, aliado com o nível de resposta dos seus colegas do sector.

Lembre-se que, a quando da inauguração do laboratório em destaque, o ministro da saúde do nosso país, Armindo Tiago, havia referido que para além de Nampula, o mesmo serviria para o referenciamento das amostras das províncias vizinhas de Cabo Delgado, Niassa, incluindo Zambézia. Entretanto, volvidos 40 dias, de acordo com Manuel Lazaro, Nampula ainda não recebeu casos destas províncias, “mas acreditamos nós que a medida que o tempo vai passando, como sabe, Maputo passou a uma situação daquilo que Nampula viveu, e eu acredito que Maputo poderá vir a ficar sufocado, quer dizer, Maputo poderá ter muitas solicitações para testagem e, nessa altura, creio eu que pelo menos Niassa poderá passar a referir para Nampula, tendo em conta, principalmente, o nosso tempo de resposta”, contextualizou.

“Nós temos nosso tempo de resposta muito bom, que é a metade do tempo de resposta que havíamos definido, isso é muito e muito bom. São, exactamente, esses dados que fazem com que nós nos candidatemos a ser ponto de referência para essas províncias que não têm laboratório. Nós esperamos, ainda, que venhamos a ser um laboratório de recurso a nível nacional, o nosso sonho é esse, que sejamos um laboratório de recurso em que, nalgum momento, Maputo precisando de um apoio Nampula poderá dar mão a Maputo e nós estamos abertos a isso, não nos limitamos apenas a região norte”.

É indispensável cumprir medidas de prevenção

O epidemiologista Manuel Lázaro, também, entra na onda dos apelos renovados às populações para a necessidade do cumprimento das medidas de prevenção do novo coronavírus, com vista a retardar os impactos nefastos da pandemia, porque “uma das grandes preocupações, ultimamente não está a se usar máscara nos estabelecimentos, não está a se medir temperatura, os baldes que deveriam ter água andam vazios na maior parte deles e os chapas andam superlotados. Quer dizer que está um desmando total”.

“Gostaria de apelar a população a respeitar o momento em que estamos, o estado de emergência decretado de modo ajudar a nós, sector da saúde, para controlarmos essa pandemia. A situação de covid-19 tem que se controlar, pelo menos nós temos que estar na lista dos locais que um dia vai ser silenciado e gostaria que fosse o mais rápido possível, que tivéssemos zero covid-19 e, isso vai ser possível se a população colaborar”, concluiu a nossa fonte. (Constantino Henriques)

Empoderamento da mulher: uma luta que começa a surtir efeitos em Nampula

Nampula (IKWELI) – O empoderamento da mulher em Moçambique, em particular na província de Nampula, a mais populosa do país, ainda continua a ser um desafio para este grupo social, pese embora haja, nos últimos anos, relativa evolução nesta componente.

Dados do último censo populacional de 2017 indicam que a província de Nampula conta com mais de sete milhões de habitantes, dois quais mais de 50 porcento são mulheres, grupo social que, também, é maioria em Moçambique. Ainda assim, as mulheres continuam a liderar a baixa representatividade no poder político-governamental em quase todos os sectores, uma situação que as inquieta bastante.

A título de exemplo, a província de Nampula conta com sete autarquias, mas nenhuma delas é gerida por uma mulher, apesar de ela estar representada, também em número reduzido, nas Assembleias Autárquicas quase sem nenhuma posição de relevo.

Para as mulheres da província de Nampula, a falta de empoderamento tem contribuído sobremaneira no aumento de casos de violência doméstica e abuso sexual contra as mulheres e raparigas bem como a privação de liberdade de expressão no seio das comunidades e nos lares.

Os dados sobre violência contra a mulher e a rapariga, em Nampula, são cada vez mais assustadores, devido ao facto de as comunidades terem despertado ao facto de tais práticas serem crimes. Actualmente, e em muitas comunidades, as uniões prematuras, por exemplo, já não são toleradas, e quando detectadas são denunciadas as autoridades competentes. O mesmo acontece com as violações e abusos sexuais que encontravam assento de resolução nos consensos familiares.

O percurso e victória…

Algumas mulheres entrevistadas pelo Ikweli, assumem não ser um processo fácil o empoderamento delas, mas apontam que o primeiro passo, para alcançar a liberdade feminina na sociedade, começa com a independência no lar, vencendo o machismo e passando pela liberdade financeira.

A dona Cristina da Conceição, de 60 anos de idade e residente na cidade de Nampula, é aposentada no Ministério da Saúde há 4 anos, onde desempenhou as funções de enfermeira. Actualmente, a idosa dedica-se a arte de corte e costura, no centro da cidade de Nampula, onde tem a sua própria alfaiataria.

Cristina contou que durante a sua formação viu mulheres que desistiram do curso, por causa dos seus parceiros, mas no lugar de ela, também, abandonar, ganhou a coragem de desafiar os mesmos obstáculos que forçaram as suas colegas a desistirem.

Ela entende que a dependência aos seus esposos é um dos maiores problemas que trava o empoderamento da mulher, daí que incentiva as mesmas a começarem a criar iniciativas empreendedoras que possam garantir o sustento das suas despesas diárias.

A nossa entrevistada revelou-nos que, através da sua actividade de costureira e com parte do seu salário de enfermeira, conseguiu realizar quase todos os seus sonhos, entre os quais custear a formação superior dos seus filhos, e diz ter conseguido graças a sua auto-determinação, pese embora existam pessoas que não acreditavam que ela seria independente. Por isso, a senhora Cristina considera-se livre e empoderada, pois, apesar da falta de oportunidades, trilha os mesmos patamares com os homens.

“A mulher deve sempre se auto confiar, e saber que ela pode estar em qualquer patamar, desde que ela lute e acredite em si”, disse a nossa entrevistada, que revelou que nunca permitiu que o seu parceiro a privasse de liberdades.

“Uma mulher tem de ir à luta, não só para ser empoderada, como também, para ajudar ao seu parceiro. Não precisa esperar ter um emprego, basta que não fique parada; entrar no grupo de mulheres para fazer poupança, fazer um negócio, qualquer coisa, mas sempre procurar ser independente, só assim poderá ser uma mulher empoderada”, rematou.

Ana Figueiredo, de 42 anos, também, considera-se empoderada. Casada e mãe de três filhos, Ana é formada em Psicopedagogia. À semelhança da dona Cristina, ela lamenta o crescente número de mulheres que ainda continuam prisioneiras nos seus lares.

A nossa interlocutora advoga que uma mulher empoderada pode mudar o mundo, por isso encoraja a união dos esforços para alcançar essa posição, bem como a igualdade de género em todas as frentes da sociedade. “Uma mulher empoderada sabe o seu lugar e partilha conhecimentos para o desenvolvimento do país, espero que todas as mulheres percebam isso”, disse.

O Ikweli apurou que, apesar de forma tímida, nas zonas rurais o empoderamento da mulher está se fazer sentir. Um exemplo concreto é da dona Katiza de Lurdes, de 35 anos, residente no Posto Administrativo de Anchilo, no distrito de Nampula. Katiza revelou-nos que no passado sofreu bastante para se livrar da dependência directa do seu parceiro, mas mercê de incentivos de amigas que ultrapassou essa barreira, através da aderência de grupos de crédito e poupança rotativa.

Como resultado, a jovem conseguiu abrir o seu próprio negócio, e actualmente, vende comida confeccionada na sua zona.

Presentemente com cinco colaboradores, Katiza conta que se dependesse do seu parceiro ela nem sequer teria concluído o ensino médio, e que hoje estaria a gerir um negócio que emprega outros seus compatriotas. “O meu marido é machista! Se dependesse dele nem teria terminado a 12ª classe, mas hoje ele fica feliz, pois consigo ajudar nas despesas de casa. Não esperei ter um trabalho do escritório. Nenhuma mulher vai se sentir empoderada enquanto não for independente. Eu fui à luta e hoje sou dona de um negócio que me dá dinheiro para sustentar a minha família, por isso as mulheres só serão livres se deixarem de ser dependentes dos esposos”, disse.

O preconceito dos homens

Numa altura em que toda a sociedade luta pela igualdade de género e empoderamento da mulher, há homens em Nampula que ainda pensam que o empoderamento feminino  está a ser justificação para a falta de respeito nos lares, e segundo eles, não vai ajudar em nada no desenvolvimento do país, apesar de ser notável a existência de muitas mulheres que fazem diferença com os homens.

Edson Malique é uma das vozes que não concorda muito com a igualdade e empoderamento feminino, pelo facto de, segundo disse, estar a fomentar muita crise de relacionamento nos lares, por conta da incorrecta interpretação do empoderamento.

O nosso entrevistado diz, por exemplo, que na sua residência ele e sua esposa têm emprego, mas ele tem de, mensalmente, suportar todas as despesas de casa, pagar escolas das crianças e inclusive suportar todas as necessidades básicas da sua parceira.

“As mulheres só cantam igualdade de género, mas no final das contas elas não querem ajudar a pagar as contas de casa. Minha mulher é licenciada em contabilidade e, actualmente, trabalha numa empresa privada, mas ela nunca tem dinheiro para as despesas de casa”, disse esta fonte, para depois questionar “onde está essa igualdade de género?”.

Rúben José é um outro cidadão que se opõe os que defendem a igualdade de género e o empoderamento da mulher, por entender que, em termos materiais nada muda. “Nossas mulheres já mentalizam que quem deve pagar às contas é o homem, mesmo que elas trabalhem”, disse, para depois questionar que “a final essa igualdade de género que tanto almejam é para que finalidade?”.

A luta continua…

Organizações feministas, incluindo o governo, continuam a lutar pela igualdade do género e empoderamento da mulher, por isso advogam o entendimento da causa.

A Associação Moçambicana de Mulheres de Careira Jurídica (AMMCJ), uma organização que defende os interesses das mulheres, manifesta a sua insatisfação pela prevalência de mulheres que ainda continuam a negar a mudança rumo a igualdade e empoderamento.

“A falta de auto-confiança e determinação para vencer continuam a deixar muitas mulheres privadas de liberdade”, disse Licínia Aligy, delegada da AMMCJ na cidade de Nampula. A nossa entrevistada anotou que a sua agremiação está a trabalhar em prol da defesa das mulheres que ainda não alcançaram o empoderamento e que ficam submetidas a diversos tipos de violência.

 

Hermenegilda Miguel, da direcção provincial de Género, Criança e Acção Social

“Usamos o método de aconselhamento e acompanhamento dos casos, de modo a demonstrar as mulheres que é preciso que saibamos que para alcançar o empoderamento o primeiro passo é se tornar independente”, disse a fonte.

Entretanto, o governo, através da direcção provincial do Género, Criança e Acção Social em Nampula, reitera o comprometimento de garantir a valorização dos direitos da mulher, bem como o incentivo ao empreendedorismo como forma de sair da dependência.

De acordo com Hermenegilda Miguel, da direcção provincial de Género, Criança e Acção Social, actualmente a instituição trabalha com um total de 7.457 (Sete mil, quatrocentos e cinquenta e sete) mulheres, distribuídas em diferentes associações e/ou grupos de mulheres onde tem disseminado vários instrumentos legais que defendem aquele grupo social.

“Nós temos divulgado leis”, disse a fonte, apontando a “lei contra a violência doméstica e a lei da família, para salvaguardar os direitos das mulheres e raparigas. Temos organizado vários debates e palestras nas comunidades, e actualmente estamos a trabalhar   com cerca de 369 associações femininas onde incentivamos a criação de projectos de rendimentos para posteriormente angariarmos parceiros para o seu financiamento”, concluiu a fonte governamental.  (Texto: Elisabeth José *Fotos: Hermínio Raja)

Assentamentos informais comprometem abastecimento de água potável na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – O abastecimento regular de água potável aos cidadãos é um dos indicadores indispensáveis para a higiene e saneamento do meio saudáveis na vida urbana, assim como rural, mas na cidade de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, esta prática constitui um desafio por razões diversas.

Uma das principais razões tem sido os assentamentos informais, e a autarquia de Nampula tem, a maioria, dos seus bairros numa situação complexa de urbanização, sobretudo as unidades residenciais mais antigas. A guerra civil e o êxodo rural concorreram para que as populações abandonassem as suas terras no campo, e procurassem segurança e melhores condições de vida nas cidades.

Com um universo de 743.125 habitantes que a cidade de Nampula dispõe, de acordo com os dados do último Recenseamento Geral da População e Habitação de 2017, mais de 350.000 pessoas (trezentos e cinquenta mil pessoas) é que consomem água potável abastecida pelo Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG), o que representa 48 porcentos da cobertura de fornecimento, deixando de fora, e sem acesso ao preciosos liquido, mais da metade dos munícipes.

O desordenamento territorial é caracterizado pela construção desordenada de casas, edifícios comerciais, entre outras infra-estruturas sociais e económicas. Grande parte dos edifícios é construída com materiais convencionais em locais impróprios, o que dificulta a requalificação da autarquia de Nampula.

Sem contar com as zonas residenciais em expansão da urbe, nos 18 bairros existentes na capital provincial, o desordenamento é quase comum. Nos bairros de Murrapaniua, Natikiri, zona de Belenenses, Namicopo, Mutava-Rex, Carrupeia, Namutequeliua, Napipine, Mutauanha, unidade comunal de Piloto, visitados o Ikweli, os moradores continuam a tomar de “assalto” as ruas e espaços reservados para a passagem de condutas de água para a construção das suas moradias.

Os responsáveis do FIPAG, área operacional de Nampula, empresa provedora de água potável, reconhecem o quão é desafiador fornecer o precioso líquido aos bairros dado o problema de assentamentos informais.

Ao Ikweli, o chefe do departamento Técnico da Área Operacional no Fundo de Investimento de Património para o Abastecimento de Água em Nampula, Novais Brito Soca, disse que o problema de construções desordenadas condiciona, não apenas o abastecimento de água, como também o processo de manutenção da rede, quando se toma conhecimento de uma certa ruptura e fuga, uma vez que algumas pessoas erguem as suas residências sobre os sistemas de tubagem.

Torre de abastecimento do FIPAG na cidade de Nampula

“As construções desordenadas na cidade de Nampula são preocupantes em quase todas as zonas da urbe, e torna-se cada vez mais desafiador, porque, como se sabe, para prover água aos cidadãos tem de se fazer escavações para a montagem de condutas em áreas onde não correm risco de serem danificadas por automóveis e pessoas”, disse.

O nosso interlocutor considera que a falta de plano de urbanização da urbe, por parte do Conselho Autárquico, é um dos maiores constrangimentos que adia a expansão da rede de abastecimento para algumas zonas da cidade.

“As autoridades municipais devem envidar esforços para que não haja construção desordenada nesta cidade”, apontou Soca.

Assentamentos informais é sinonimo de pobreza

O arquitecto e docente da Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico, na Universidade Lúrio UniLúrio, em Nampula, António de Amurane, considera que a construção desordenada nas cidades moçambicanas, e em particular a de Nampula, resulta dos factores ligados a operacionalização de planos de urbanização, planeamento físico urbano não abrangente, conflitos armados, entre outros.

“Por um lado, a origem dos assentamentos informais está ligada com a pobreza que o país enfrenta, onde as pessoas se deslocam do campo para a cidade a procura de melhores condições de vida. Por outro, estão os problemas de guerra, face a esta situação a população procura refúgio na cidade onde estão os seus amigos e familiares que lhes possam acolher”, disse António de Amurane, para depois explicar que “este fenómeno é classificado em duas componentes: Física e Social. Na componente Física, nota-se que as casas não estão ordenadas. Cada um edifica a sua residência de acordo com as condições económicas que tem como, também, o espaço que possui. Verifica-se ainda, nesta forma, a construção ao longo dos rios assim como ruas estreitas”, afirmou o arquitecto, referindo que “a segunda forma social ilustra o que é mais preocupante, esta propaga actos de prostituição, vários tipos de crime no caso de roubo em residências, sequestros, elevadas taxas de doenças mentais, entre outros problemas de fórum social”.

Vista de um bairros da cidade de Nampula

O arquitecto anotou que construções desordenadas, actualmente, estão a tomar níveis alarmantes e são cada vez mais sólidos, o que pode dificultar a requalificação das zonas com este problema nos próximos tempos.

Possíveis soluções…

O arquitecto António de Amurane recomenda às autoridades municipais a fazerem o levantamento das zonas com problemas de assentamentos informais, o número de habitantes que vivem nessas condições, a superfície que estes assentamentos ocupam. Igualmente, defende o estudo do perfil dos cidadãos que nelas habitam, no que diz respeito ao nível económico e social, para posteriormente elaborar-se um plano de urbanização.

Amurane diz ser necessário educar os munícipes, visto que várias vezes grande parte dos que vivem nos sítios com este problema não têm conhecimento de como se vive na cidade, e vão vivendo de acordo com o que surge. Por isso, segundo o nosso entrevistado, “é preciso passar mensagens de que é necessário ter-se acesso aos serviços básicos sociais e evitar-se a construção desordenada”.

Geralmente, um dos principais problemas de assentamentos informais é a falta de vias de acesso, o que condiciona a edificação de infra-estruturas. Na cidade de Nampula estima-se que pouco mais de 60 por cento da área urbana é de zonas com problemas de assentamentos informais.

Município sem soluções 

O Conselho Autárquico de Nampula, através do pelouro de Urbanização, Infra-estruturas e Meio Ambiente, diz que não possui sequer um plano de requalificação de assentamentos informais em curso. Por isso, segundo o seu vereador do pelouro, Alves Carlos Correia, “nos vai ser difícil requalificar às zonas com construções desordenadas depois prover os serviços básicos sociais aos residentes, no caso específico da água potável”.

O nosso entrevistado entende ainda que para se ultrapassar o problema de abastecimento de água é preciso que o FIPAG e o Conselho Autárquico de Nampula façam um trabalho conjunto e coordenado. Ele vai mais longe ao afirmar que “não se justifica que seja apenas a população residente próximo a fonte (FIPAG) a se beneficiar do líquido precioso, em detrimento de outras mais recônditas”.

O vereador reconheceu que, de facto, o abastecimento de água aos munícipes não tem sido abrangente, devido às construções desordenadas que ganham espaço na cidade de Nampula, mas mesmo assim não avança soluções a curto e médio prazo. (Texto: Esmeraldo Boquisse *Fotos: Hermínio Raja)

Guerra de Cabo Delgado começa a assombrar Nampula

Nampula (IKWELI) – O conflito armado e terrorista que se ocorre na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, desde Outubro de 2017, começa a ter impactos negativos para a mais populosa província do país, Nampula.

A chegada massiva de refugiados e o receio de Nampula ser um dos potenciais pontos de recrutamento de jovens para a insurgência está a afectar a estabilidade social, política, económica e cultural.

Regularmente, a Polícia da República de Moçambique (PRM) tem apresentado grupos de jovens que, alegadamente, foram neutralizados a caminho da província de Cabo Delgado sem objectivo claro da sua deslocação, concorrendo para a desconfiança de que os mesmos vão aquele ponto do país a fim de se juntarem aos terroristas. A título de exemplo, só no mês de Março passado, a PRM neutralizou, pelo menos, 77 (setenta e sete) jovens que seguiam para a província nortenha em conflito armado.

O então comandante provincial da PRM em Nampula, Moisés Gueve, dissera na altura que “este grupo de jovens é exemplo de vários outros que estão sendo enganados por indivíduos de má-fé com promessas de emprego, enquanto o destino é de ir engrossar as fileiras de criminosos que estão a desestabilizar algumas comunidades dos distritos de Cabo Delgado”.

O director do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE), Salvador Forquilha, que se tem dedicado a trabalhos de pesquisa sobre a violência armada em Cabo Delgado, citado pela Agência Lusa, disse que “a insurgência em Cabo Delgado se serve de Nampula como reservatório de recrutamento [de membros]”.

Para Forquilha, o facto de Nampula ser vizinha da província de Cabo Delgado, a presença de várias formas de Islão em ambas as províncias e a extrema pobreza, são factores que podem ajudar a explicar o recrutamento de jovens para os grupos armados que actuam em Cabo Delgado.

“Jovens pescadores de distritos costeiros de Nampula, numa situação de pobreza e em conflito com o Estado, veem perspectivas em migrar para Cabo Delgado, onde acabam ingressando na insurgência”, enfatizou Salvador Forquilha.

Refúgio para as famílias

 As características sócio-culturais comuns entre a maioria dos povos de Nampula e de Cabo Delgado, concorrem para que as famílias vítimas dos ataques terroristas encontrem segurança e ponto seguro para refúgio a mais populosa província do país.

O conflito armado de Cabo Delgado, segundo dados de pesquisadores diversos, estima-se que já tenha resultado em mais de 600 (seiscentas) mortes e mais de 200 mil pessoas tenham sido afectadas.

Os distritos de Meconta, Nampula, Rapale e Nacarôa são os pontos, oficialmente, onde estão surgindo comunidades provenientes de Cabo Delgado a procura de segurança e sossego para darem continuidade as suas vidas.

A maioria das pessoas tem famílias nestes pontos de Nampula, mas segundo o que o Ikweli observou em alguns bairros do maior centro urbano do norte de Moçambique, esse acolhimento está a concorrer para a deterioração da qualidade de vida das famílias acolhedoras, das comunidades, assim como dos próprios refugiados, pelo facto de os agregados que, agora se formam, estarem a consumir a capacidade de sustentabilidade das mesmas famílias.

Os traumas, em consequência da guerra, são notórios. No bairro de Namiepe, a quando da produção desta matéria, a nossa equipa de reportagem chegou a ser desconfiada, sobretudo pelas crianças, como se de militares se tratasse. “Papa, militares”, gritou, em maconde, um menor de 3 anos de idade quando viu a equipa do Ikweli acompanhada pelo secretário do bairro.

A posterior, o pai do menor, Saíde Abudo, explicou que “o meu filho já colocou na mente a forma de estar e de andar dos militares, por isso que mesmo quando está a brincar com os amigos, e vê alguém com qualquer fardamento, pode ser polícia, abandona a brincadeira e corre logo para casa a chorar, porque já gravou aquela situação que vivíamos na nossa terra”.

Abudo disse que não consegue viver em Nampula, porque a vida é diferente da de sua terra, onde para além de trabalhar como segurança, tinha outra profissão de saber fazer.

“Eu tenho o sonho de continuar a viver na minha terra, porque não estou a conseguir acostumar a vida daqui, porque lá, para além do meu emprego de segurança, eu fazia trabalhos de mecânica de motorizadas”, disse Abudo.

O senhor Martins Constâncio, também, deslocado em Namiepe, contou pelos maus momentos que passou para conseguir chegar a província de Nampula. Cada história é ainda mais triste que a outra.

“Receberam-nos com as duas mãos, porque sabem que, para além de sermos pessoas como eles, somos cidadãos moçambicanos que fugiram de uma guerra que não se sabe se vai ou não atingir Nampula”, apontou Constâncio.

A unidade comunal Marien Nguabi, no bairro de Namutequeliua, é referenciado como “bairro dos macondes”, e para lá, também, muitos deslocados acorreram, sobretudo pela facilidade de comunicação em língua nactiva.

“Na verdade, aqui já recebemos muitos deslocados, mas não há nenhum problema, porque os moradores daqui receberam-os com as duas mãos e juntos estão convivendo, normalmente, e sempre têm tido reuniões com pessoal do governo”, disse ao Ikweli o chefe de um dos quarteiros de Marien Nguabi, Rito Gabriel.

Um dos deslocados disse que “não fugimos para outro país, estamos aqui na mesma pátria, e é bom saber que as pessoas daqui sentem aquilo que vivemos na nossa terra e nos receberam para convivermos como compatriotas que somos”.

Falta tudo para a sobrevivência das famílias

Ainda que bem recebidas, as famílias queixam-se da falta de mantimentos para a sua sobrevivência, sobretudo alimentos, roupa e cobertores.

“Desde que chegamos estamos a passar frio, porque mesmo nas noites dormimos com as roupas que usamos sem nenhum cobertor, por isso pedimos ao governo para que nos ajude. Temos recebido por vezes comida, mas não chega para muito tempo”, disse Constâncio

Manuel Mbuere, outro deslocado e vítima dos ataques terroristas em Cabo Delgado, avança que “esperamos que o governo faça alguma coisa, de modo a acabar com aqueles ataques e se tudo estiver melhor, podermos voltar para as nossas zonas de origem, porque é lá onde estão as nossas machambas”.

Segundo Castro Amade, líder comunitário do segundo escalão naquela zona, por mais que recebam apoio da população local, os deslocados ainda enfrentam dificuldades.

A fonte disse que os deslocados de insurgência na província de Cabo Delgado, começaram a chegar em Namiepe, nos finais do mês de Maio, e quando notou o movimento estranho, procurou-os, conversou com eles e depois de perceber que se tratava de pessoas que fugiram da guerra informou as autoridades governamentais.

Para escapar do frio, segundo observou a nossa equipa de reportagem, as famílias recorrem a fogueiras durante as noites para se aquecerem.

“Na verdade, eles passam essas dificuldades, o governo em algumas vezes tem ajudado em cesta básica composta por arroz, feijão e óleo, mas, por a maioria deles serem muitos a viverem numa só casa, às vezes a comida serve só para, no máximo, uma semana e continuam a passar fome. Por exemplo, hoje [dia que realizamos a entrevista] levei a lista de mais de trinta famílias que acabam de chegar para o governo e ainda não tiveram apoio”, confirmou o líder.

 Governo prometo terras para cultivo e habitação

O Delegado Provincial do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), em Nampula, Alberto Armando, disse que enquanto os deslocados de insurgência nos diferentes distritos de Cabo Delgado escalados pelos terroristas não podem voltar para as suas terras de origem, o governo de Nampula já identificou um espaço na zona de Inthuthu, Posto Administrativo de Corane, que dista há 72 quilómetros da sede do distrito de Meconta e 62 da cidade de Nampula, onde serão atribuídos terra para a produção de comida e para a construção de habitações.

Segundo Armando, o local está próximo dos serviços essenciais, e um estudo preliminar efectuado indica que será necessário investir, pelo menos, mais de 72 milhões de meticais para garantir comodidade para as famílias.

“Serão construídas casas com material local cujo custo será de 60.000,00Mt (sessenta mil) meticais cada unidade, também se fez o mesmo exercício em relação a construção de furos de água, e nesta primeira fase serão abertos dois que terão um custo de cerca de 2.000.000,00Mt (dois milhões) de meticais. Na área de produção, onde consta os instrumentos e insumos necessários, e sementes, está estimado um valor de 7.481,00Mt (sete mil, quatrocentos e oitenta e um) meticais para cada família”, disse o delegado do INGC, para depois acrescentar que “as estruturas locais já estão a fazer o seu trabalho de sensibilização das comunidades circunvizinhas para que o trabalho ocorra sem sobressaltos”.

O medo da violência contra menores

  Oficialmente, sabe-se que a maioria dos deslocados são crianças e mulheres. Em relação a crianças, estima-se que 53% dos deslocados são menores de idade, e o facto preocupa as autoridades governamentais locais, segundo relatos apresentados pelo Secretário de Estado da província de Nampula, Mety Gondola, em reunião com a ministra moçambicana dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, que, recentemente, visitou Nampula.

“O facto da existência de maior número de crianças e mulheres, chama-nos atenção a necessidade de assegurarmos que possa se reduzir o risco potencial de existência de violência sexual contra a criança, prostituição infantil, crescimento de casos de casamentos prematuros e outros males que possam afectar aquela camada social”, disse Gondola, na ocasião.

Parte dos deslocados da guerra de Cabo Delgado acolhidos em Namialo

Para o governante, também, “é um desafio preparar a retoma das aulas e assegurar que as crianças possam encontrar um espaço de aprendizagem, certificar que elas não possam viver sem os cuidados de saúde básica e garantir que a vacinação seja respeitada dentro do espaço previsto e, acima de tudo, que possa existir um canto de esperança a cada uma delas que estão convivendo junto com as nativas e para que comunidade em geral, não esteja desestruturada em razão dos ataques violentos que estão a acontecer na vizinha província de Cabo Delgado”.

Não há riscos de discrepância de etnias

O sociólogo Dicson Guilherme refere que não há riscos de discrepâncias étnicas, porque Cabo Delgado é Moçambique, e todas as pessoas desse país são de uma só nação, daí que não há espaço de discriminação entre moçambicanos

“O facto de alguns cidadãos abandonarem os seus hábitos e costumes, não por livre vontade, para irem se integrar numa outra sociedade com diferentes rotinas, socialmente vai criar alguma transformação, porque as atitudes e o meio ambiente em Nampula são outros, mas acho que os nampulenses têm uma tarefa que é de receber e acolher esses irmãos, porque olhando para algumas zonas, numa casa avaliada para quatro pessoas, estão a viver mais de dez, e isso remete as pessoas circunvizinhas, a necessidade de acolher e amparar estes irmãos de Cabo Delgado. Por outro lado, o povo maconde precisa de olhar para sua etnia, seus hábitos e costumes, e conviver acreditando que estamos numa outra realidade. Provavelmente, as pessoas vem de um distrito ou uma localidade longe da vila do distrito por exemplo, mas estão aqui na cidade de Nampula, por sinal a mais importante da zona norte, e isso remete a outras formas de pensar e agir aceitando beber a água que se bebe em qualquer sociedade que está inserida”, disse Guilherme.

A fonte aponta a necessidade de algumas organizações não-governamentais serem impulsionadas para ajudarem, porque na sua qualidade de sociólogo, sente que o governo não está a ter a capacidade de resposta.

“É preciso encontrar ONGs que possam ajudar moral e materialmente as pessoas que estão a vir de Cabo Delgado, e tomar uma forma de controlo bastante séria no que diz respeito as medidas de segurança, porque é provável que as pessoas venham a cidade de Nampula ou algum distrito da província e envolver-se em actos criminais, daí que é necessário que o governo tome conta do recado para ajudar as pessoas que vem fazendo com que elas sejam integradas no convívio normal da cidade, como é o caso de Nampula, porque a vida no campo deve ser difícil, e devo acreditar que essas organizações poderiam ajudar a trazer um impulso sobre a continuidade da vida dos deslocados“, acrescentou o Sociólogo.

Mais um problema para Nampula

Para o presidente do partido Acção do Movimento Unido para a Salvação Pública Integral (AMUSI), Mário Albino, a situação de Cabo Delgado é mais um problema para a província de Nampula, porque as pessoas que se deslocam para esta região vão alterar as estatísticas nos processos eleitorais e não só, vai agravar a posição da pobreza na região.

“Como se sabe, a cidade de Nampula é a capital do norte e a mesma é a mais pobre em relação aos outros do centro e sul, por isso identificando-se com este problema e com os irmãos que chegam de Cabo Delgado fugindo da insurgência, vai complicar ainda mais a situação e vai agravar a pobreza, porque a população está cada vez mais a aumentar e os mercados onde todos poderiam procurar de comer fazendo negócios não podem ser ocupados por muitas pessoas devido ao coronavírus”, disse Albino.

O candidato presidencial do AMUSI para as eleicoes de 15 de Outubro proximo disse que esta a sofrer ameacas de morte, e disse que nao se pode ter o habito de matar pessoas como foi com o Amurane
Mário Albino, presidente do AMUSI, em campanha eleitoral 2019

O político concluiu que “isto é mais um desafio para a política, porque os partidos vão ter que trabalhar mais no sentido de abranger toda a sociedade, e também há necessidade de ser vigilantes porque não se sabe se nesta população que vem de Cabo Delgado não estão infiltrados os perpetradores dos actos terroristas naquele ponto do país daí o risco de um perigo para Nampula”.

A situação deve ser vista como de todo o país

Durante a sua estadia em Nampula, a ministra Verónica Macamo, também, elaborou sobre os deslocados de guerra e disse que “devemos ver aquele caso como uma situação de agressão a Moçambique que começou em Cabo delgado”, por isso os deslocados daquele ponto para qualquer província do país devem ser acolhidos como moçambicanos.

“Aquelas pessoas tem que ser bem recebidas em qualquer ponto do país, bem acarinhadas e apoiadas, recebendo um sítio onde possam alojar e ter condições básicas para que continuem a viver e olhar a vida com uma esperança, por isso gostaríamos de pedir a todos os que abraçaram esta causa e apoiam para que da mesma maneira que temos estado a trabalhar, devemos continuar porque o que implica colocar num local seguro e alimentar”, apelou Macamo. (Alfredo Célia)

Tito Lourenço já não é delegado do MDM na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – O Conselho Político Provincial do partido Movimento Democrático de Moçambique (MDM) exonerou, na manhã da última quarta-feira (08), Tito Lourenço, das funções de delegado político ao nível da cidade de Nampula.

A reunião que decidiu pela destituição do delegado da cidade foi orientada pelo delegado político provincial, Vasco Napaua, nas instalações do partido do Galo, localizadas algures no bairro de Namutequeliua.

Lourenço esteve em frente do partido pelo período de 12 meses, durante o qual o MDM derrapou a sua influência e aceitação na capital do maior círculo eleitoral do país, sobretudo porque nas últimas eleições apenas conseguiu eleger um único deputado para a Assembleia da República e o candidato presidencial do movimento, Daviz Simango, averbou a pior derrotada de todos os tempos.

A delegação do MDM na cidade de Nampula tem andando em maus momentos desde a destituição de Rachade Carvalho, o delegado que conseguiu fazer eleger o primeiro presidente da autarquia de Nampula por aquele partido (o malogrado Mahamudo Amurane), e igualmente conseguiu ter a maioria na Assembleia Municipal.

A seguir a Rachade, entrou Luciano Tarieque que, também, deu cabo do partido, fomentando intrigas internas, ao ponto de Mahamudo Amurane abandonar o MDM.

Quanto ao Tito Lourenço, os comentários nos corredores do MDM na cidade de Nampula indicavam que o mesmo não dispunha de influência política na autarquia, sobretudo porque a população não o conhece.

Em exclusivo ao Ikweli, Vasco Napaua, delegado do MDM na província de Nampula, confirmou a cessação de funções do delegado da cidade, justificando que a decisão faz parte de um processo interno normal, por forma a criar uma nova dinâmica.

Para substituir Tito Lourenço, o MDM em Nampula decidiu pela indicação do então cabeça-de-lista e candidato a governador, Mussa Abudo, derrotado nas últimas eleições para as Assembleias Provinciais. (Aunício da Silva e Sitoi Lutxeque)

Nampula regista mais 7 novos casos positivos da covid-19

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, no norte do país, registou nesta terça-feira (4), sete (7) novos casos positivos da covid-19, subindo assim o número cumulativo de casos activos para 200 casos.

Os casos foram registados nas cidades de Nampula (2) e Nacala – Porto (2), e nos distritos de Mossuril (2) e Monapo (1).

Ao todo, o país registou 56 novos casos positivos da doença, de um total de 1900 amostras testadas.

“Das amostras testadas nas últimas 24h em laboratórios do sector público, 188 provêm da província de Niassa, 92 da província de Cabo-Delgado, 116 da província de Nampula, 126 da província da Zambézia, 50 da província de Tete, 94 da província de Manica, 14 da província de Sofala, 3 da província de Inhambane, 69 da província de Gaza, 196 da província de Maputo e 249 da Cidade de Maputo”, refere o comunicado de actualização diária do ministério da Saúde (MISAU), distribuído a partir de Maputo.

O mesmo documento aponta que “dos cinquenta e seis (56) casos hoje reportados, cinquenta e dois (52) são indivíduos de nacionalidade moçambicana e quatro (4) estrangeiros. Destes, três (3) são indivíduos de nacionalidade malawiana e um (1) indivíduo de nacionalidade zimbabweana. Destes, vinte e quatro (24) resultam da vigilância nas unidades sanitárias, dezoito (18) resultam de vigilância activa e catorze (14) resultam do rastreio de contactos de casos positivos”.

As outras províncias que registaram casos positivos da covid-19 neste 4 de Agosto são as de Cabo Delgado (5), Zambézia (1), Tete (3), Manica (1) Maputo província (9) e Cidade de Maputo (30).

Por fim, a mesma nota de imprensa avanca que “registamos mais oitenta e nove (89) casos totalmente recuperados da COVID-19: nove (9) na Província de Cabo-Delgado, cinquenta e dois (52) na Província de Nampula, três (3) na Província de Tete, dez (10) na Província de Gaza e quinze (15) na Província de Maputo”. (Redação)

Monapo regista o segundo caso positivo da covid-19

Nampula (IKWELI) – O distrito de Monapo, no norte de Moçambique, registou nesta segunda-feira (3), o segundo caso positivo da covid-19, de um total de 2 casos registados em Nampula.

Assim, a mais populosa província do país conta, actualmente, com um cumulativo de 245 casos activos.

Neste 3 de Agosto, Moçambique registou o total de 27 casos positivos, do total de 831 amostras testadas em laboratórios públicos e privados.

“Das amostras testadas nas últimas 24h em laboratórios do sector público, 127 proveem da província de Cabo-Delgado, 13 da província da Zambézia, 18 da província de Tete, 2 da província de Manica, 36 da província de Sofala, 19 da Província de Gaza, 112 da Província de Maputo e 128 da Cidade de Maputo. Das amostras testadas em laboratórios do sector privado, 256 proveem da província de Cabo-Delgado e 120 da Cidade de Maputo”, refere o comunicado de actualização diária do Ministério da Saúde.

O mesmo documento refere que “dos vinte e sete (27) casos hoje reportados, vinte e cinco (25) são indivíduos de nacionalidade moçambicana e dois (2) estrangeiros, de nacionalidade portuguesa. Destes, treze (13) resultam da vigilância nas unidades sanitárias, cinco (5) resultam de vigilância activa e nove (9) resultam do rastreio de contactos de casos positivos”. (Redação)

Mossuril regista o primeiro caso da covid-19

Nampula (IKWELI) – O distrito de Mossuril, localizado na região oriental de Nampula, entrou para a lista de territórios com casos positivos da covid-19 nesta quinta-feira (30), ao apontar o primeiro (1) caso positivo da doença, de um total de 19 casos registados na província.

O distrito de Mossuril é um dos principais locais turísticos e históricos da província de Nampula, sendo que a praia de Chocas Mar, uma das mais lindas do país, se localiza naquela circunscrição.

Para além das cidades de Nampula (com 2 casos) e Nacala-Porto (com 9 casos), os distritos de Meconta, Larde e Murrupula registaram, respectivamente um (1), cinco (5) e um (1) caso.

Segundo o comunicado de actualização diária do ministério da Saúde, o país registou ao todo sessenta (60) casos positivos, de um total de 949 amostras testadas. “Das amostras testadas nas últimas 24h, 1 provêm da província do Niassa, 39 da província de Cabo-Delgado, 133 da província de Nampula, 144 da Zambézia, 6 de Tete, 30 de Sofala, 104 de Inhambane, 136de Gaza, 192 da Província de Maputo e 164da Cidade de Maputo”.

O mesmo documento refere que “Dos sessenta (60) casos hoje reportados, cinquenta e quatro (54) são indivíduos de nacionalidade moçambicana, quatro (4) malawianos e dois (2) indianos. Destes, quarenta e oito (48) casos resultam da vigilância nas unidades sanitárias, dez (10) resultam de vigilância activa e dois (2) resultam do rastreio de contactos de casos positivos”.

Por fim, lê-se no comunicado que “actualmente o país tem 1.157 casos activos da COVID-19, distribuídos da seguinte forma: Província de Niassa – 21; Cabo Delgado – 231; Nampula – 226; Zambézia – 27; Tete – 19; Manica – 16; Sofala – 28; Inhambane – 28; Gaza – 54; Província de Maputo – 246 e Cidade Maputo – 261. (Redação)