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Governador de Nampula insatisfeito com o informe da DPEDH

  • O facto se deve a não inclusão dos níveis de preparação dos estabelecimentos de ensino público para a retoma das aulas.
  • Em resposta, Mariamo Agostinho disse que apenas 13 escolas, das 54 secundárias, é que dispõem de condições para o efeito.

Nampula (IKWELI) – O governador da província de Nampula, no norte de Moçambique, Manuel Rodrigues, mostrou-se indignado, na última segunda-feira (13), com o informe da direcção provincial da Educação e Desenvolvimento Humano (DPEDH), por conta da não inclusão das acções em curso com vista a garantia de um ambiente escolar saudável para a retoma das aulas.

Segundo decisão do governo, a 27 do corrente mês de Julho, algumas escolas secundárias deverão estar funcionais para determinadas classes, sobretudo as com exame.

O governante foi insistente, por isso a directora do sector, Mariamo Agostinho, fez saber que ao nível da mais populosa província do país, 54 estabelecimentos de ensino público do ensino secundário poderão retomar ao processo de ensino e aprendizagem na referida data.

Porém, Agostinho informou que, apenas, 13 das 54 escolas é que dispõem de condições para o efeito, sendo que nas restantes as condições estão sendo criadas, um esforço coordenado com a assistência de parceiros de cooperação e desenvolvimento.

“Das escolas que visitamos, as condições estão sendo criadas, e o número de escolas está a aumentar, uma vez que as orientações que deixamos os colegas, estão a cumprir”, disse a directora da Educação e Desenvolvimento Humano de Nampula ao governador provincial.

Ao nível da cidade de Nampula, segundo Mariamo Agostinho, a escola secundária de Namicopo é uma das que não apresenta condições para a retoma de aulas, mas uma ronda efectuada pelo Ikweliconstatou que, mesmo a escola secundária de Nampula, também, está longe de acolher alunos numa situação de pandemia, cuja prevenção principal acomoda a higienização e um saneamento do meio qualitativo.

Ao todo, espera-se que, em Nampula, pelo menos 14 (catorze) mil alunos, da 12ª classe, retomem as escolas no dia 27 deste Julho.

Numa outra abordagem, Manuel Rodrigues focou a sua atenção ao aspecto de abastecimento de água as escolas, não entendendo que a falta deste precioso líquido nos estabelecimentos de ensino seja uma justificação que se aceite.

“Esse assunto é sério, nós já estamos numa fase de transmissão comunitária da pandemia do coronavírus, daí que o reinício das aulas é um desafio para o sector da educação e os pais encarregados de educação, por isso a directora deve monitorar esse assunto com seriedade”, recomendou Rodrigues.

Na mesma segunda-feira o governador da província de Nampula, manteve encontro com presidentes dos Conselhos das Escolas da Cidade de Nampula, e estes louvaram o retorno das aulas presencias, no entanto, apelaram ao ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, para criar as condições para que as escolas não sejam focos de transmissão da covidi-19.

A presidente do Conselho de Escola, da Escola Secundária de Nampula, Mariamo Atumane, apontou que aquele estabelecimento de ensino não devia constar da lista das que vão abrir no dia 27, por conta da inexistência de condições para o efeito.

“Os pais devem estar convencidos que na escola, onde o meu filho estuda, as condições já foram criadas”, disse a fonte, para depois concluir que “na escola secundária de Nampula não há condições para o retorno das aulas”. (Celestino Manuel)

HCN poderá fazer a testagem nocturna da covid-19

Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (HCN), no norte do país, equaciona introduzir serviços ininterruptos, incluindo nas noites, de testagem da covid-19, pandemia mundial causada pelo novo coronavírus, nos próximos tempos.

Manuel Lázaro é o chefe do Laboratório de Análises Clínicas (LAC) do HCN, e foi da sua locução que o Ikweli apurou esta novidade, por isso defende a necessidade de dar vazão as amostradas colectadas ao nível dos distritos da província, bem como dos vizinhos de Cabo Delgado e Niassa.

“Neste momento, oferecemos os serviços que vão até ao início da noite, e se a situação for progressiva com tendências de aumento de casos, o que se verifica, implicará, para nós, a adaptação de novas medidas de introduzir os serviços no período da noite, o que, também, nos exigirá uma equipa de técnicos, totalmente, treinada. , disse Manuel Lázaro, garantindo que “o laboratório oferece a capacidade, e até ao momento não nos encontramos sufocados.”

Para os serviços de testagem da covid-19, de acordo com o chefe do LAC, o hospital precisa de, pelo menos, quatro técnicos capacitados em cada turno.

“Dois técnicos a fazerem extracção, uma vez que a tecnologia montada no laboratório é de DNA, o que é preciso reinventar com as células e obter o material genético. Igualmente, temos que ter mais um a fazer as misturas dos reagentes e outro a fazer corridas no equipamento. Isso não contempla a parte administrativa, ligada ao registo das informações que são trazidas, o cadastro das amostras e finalmente, a compilação dos resultados emitidos pelo laboratório”, explicou a fonte, ao referir que isso tudo significa desafios para frente.

Desde a montagem do equipamento, para a testagem da covid-19, até esta semana, o laboratório de análises clínicas do Hospital central de Nampula recebeu e testou cerca de 200 amostras trazidas dos vários distritos da província.

No entanto, Manuel Lázaro considera positivo o número significativo das amostras porque, segundo ele, constitui um grande nível de preparação dos distritos que redobram os esforços nos principais pontos estratégicos de vigilância. “Há, na verdade, suspeitas de casos de covid-19 e trabalho está a ser feito no local para fazer face ao dilema”.

O equipamento de testagem das amostras para a covid-19, na maior unidade sanitária da zona Norte de Moçambique foi instalado no laboratório de tuberculose que, também, de acordo com a nossa fonte, oferecia todas as condições possíveis para a testagem desta enfermidade mundial. O que se fez apenas é a acomodação da nova e mais apurada tecnologia de testagem dentro do laboratório.(Esmeraldo Boquisse)

Nampula regista mais 4 novos casos positivos da covid-19

Nampula (IKWELI) – A cidade de Nampula, no norte do país, registou, nesta terça-feira (17), mais 4 (quatro) novos casos positivos da covid-19, subindo assim o número para um cumulativo de 250 pessoas infectadas pelo novo coronavírus na mais populosa província de Moçambique.

Ao todo, o país registou no mesmo período 49 novos casos positivos, de um total de 884 amostras testadas.

“Das amostras testadas nas últimas 24h, 89 provêm da Província de Cabo Delgado, 65 de Nampula, 197 da Zambézia, 2 de Inhambane, 32 da Província de Maputo e 211 da Cidade de Maputo. Das amostras testadas em laboratórios do sector privado, 190 provêm da Província de Cabo Delgado e 98 da Cidade de Maputo”, refere um comunicado de imprensa do ministério da Saúde distribuído a partir de Maputo.

A vizinha província de Cabo Delgado registou 9 novos casos (todos na cidade de Pemba), a província de Maputo contou com 25 casos (23 no posto transfronteiriço de Ressano Garcia, 1 em Tenga e 1 no distrito de Boane) e a cidade de Maputo testou positivo 11 casos.

Segundo a mesma nota, “Moçambique tem, actualmente, um cumulativo de 30 indivíduos internados devido a covid-19. Destes, 7 estão sob cuidados hospitalares. Os mesmos padecem de patologias crônicas diversas, associadas a covid-19. A Província de Inhambane registou nas últimas 24h, uma alta clínica de um paciente que vai continuar com o isolamento domiciliária”. (Redação)

Mercado do Waresta poderá reabrir a partir de hoje: A grande preocupação é a redução do número de bancas

  • Antes da retirada dos vendedores, ao todo, o espaço era ocupado por 2 mil comerciantes, e após a requalificação, apenas, a metade é que terá espaço.

 Nampula (IKWELI) – Receando uma provável revolução, não pacífica, por parte dos vendedores retirados do mercado do Waresta, na cidade de Nampula, a vereação da Promoção Económica, Mercados e Feiras decidiu por reabrir o espaço, mas o desafio é de não ter lugares suficientes para todos os comerciantes.

Na nossa edição de ontem, segunda-feira (13), publicamos a notícia da pretensão dos vendedores em tomarem, por assalto, o mercado por temerem a venda do espaço a cidadãos somalianos, uma operação liderada pelo presidente da Assembleia Autárquica de Nampula, Tertuliano Juma, sob cumplicidade do vereador Institucional, Desenvolvimento e Cooperação, Chehate Aliasse Essimela, sem anuência do autarca Paulo Vahanle.

Logo pelas primeiras horas de ontem, os vendedores amotinaram-se no local, facto que obrigou a deslocação de Osvaldo Ossufo Momade, vereador do pelouro da Promoção Económica, Mercados e Feiras, a fim de garantir que hoje, terça-feira (14) o mercado volte a ser reutilizado.

Mas, o problema mesmo, é que as bancas reduziram, e os espaços impróprios para a prática de venda de produtos não serão mais utilizados, como são os casos das vias de acesso e passeios. Assim, no lugar de 2 mil lugares, apenas passam a existir 1.000 lugares, o que fará com quem parte dos vendedores continue no mercado de Natikiri, local para onde foram transferidos no processo da requalificação do maior mercado grossista do norte do pais.

A requalificação de mercados, na cidade de Nampula, é uma medida adoptada pela edilidade no âmbito da prevenção contra a pandemia da covid-19.

Expectativa dos vendedores

O Ikweli acompanhou, no terreno, o processo de atribuição dos espaços aos vendedores. No interior, alguns vendedores já conheciam os seus novos espaços, e no exterior, os que ainda não tinham os seus espaços, aguardavam, ansiosamente.

Saíde Alexandre é vendedor de capulanas no Waresta, e a nossa equipa de reportagem disse que “estão a distribuir talhões lá dentro para aquelas pessoas que haviam sido tiradas daqui para lá no novo mercado. Eles haviam dito que devíamos ficar lá noutro mercado e que chegaria a vez que iríamos voltar ao mercado de Waresta”, para depois acrescentar que “estão a seguir a lista. Primeiro começaram os vendedores de calamidade (roupa de segunda mão), depois foram os vendedores de tomate, assim em diante. Eu sou vendedor de capulanas e ainda não fui chamado, não sei se vou recuperar o meu espaço, mas continuo a alimentar esperanças porque o meu nome está na lista”.

Um outro vendedor que esperava, para ser chamado, é o senhor Albino Momade, vendedor de cebola. “Estou aqui desde de manhã, vim receber espaço. Eu vendo cebola neste mercado do Waresta, deixei porque diziam que queriam organizar o mercado, e hoje é o próprio dia de conhecermos onde vamos ficar para continuarmos com os nossos trabalhos, normalmente, visto que lá onde nos mandavam as coisas não corriam como queríamos”.

Por outro lado, satisfeitos estavam os vendedores que já conheciam os seus espaços. “Graças a Deus já consegui o meu espaço, e estou muito feliz”, disse Julai Gilo, vendedor de roupa usada (calamidade)

“Já consegui meu espaço, agora me sinto feliz. Depois da suspensão deste mercado, uma vez fui lá em Natikiri, mas não consegui vantagem porque o negócio estava fraco. Agora já estou de volta a casa”, disse Izy Normal, outro vendedor que acabava de ser atribuído um espaço nas novas demarcações no mercado grossista do Waresta.

O mercado está preparado

 “Depois deste trabalho que nos submetemos a fazer, que era de três dias, mas depois tivemos que prolongar era mais para melhorar o nosso mercado e já ultimamos com todo processo. Já fizemos a limpeza, o distanciamento social, inclusive já fizemos a pulverização. Então, o mercado agora está preparado para receber comerciantes e clientes, principalmente no âmbito da prevenção da covid-19”, disse ao Ikweli o vereador Osvaldo Ossufo Momade, para quem “estamos muito felizes pelo feito porque não é fácil, assim como os comerciantes, também, estão felizes”.

Num outro desenvolvimento, o vereador comentou sobre a informação que dá conta de que o presidente da Assembleia Autárquica vendeu o mercado. “Surgiu muito boato neste período, ora vendemos o mercado, ora assim que mudaram para lá não irão voltar para sempre, mas agora já estamos a voltar, já estamos a devolver o mercado aos nossos munícipes, e isso nos deixa tão satisfeitos”.

Quanto a distribuição dos espaços, Momade apontou que “logo na retirada de todos os comerciantes, o mercado tem secções, e cada secção tem seus chefes, entretanto os chefes passaram os nomes dos seus utentes e é com base naquelas listas que nós estamos a fazer chamadas para depois indicarmos os espaços”.

A redução de espaços não escapou dos comentários do jovem vereador. “Antes deste trabalho, nós tínhamos cerca de 2000 comerciantes, mas agora, depois do distanciamento social, estamos com cerca de 1000 bancas, mas isso não é problema, porque algumas secções vamos separar pelo que não constitui problema mesmo assim”, apontou a fonte, para depois avançar que “para nós, o mais importante é a saúde dos nossos munícipes. Agora, se alguém ficar sem espaço, bom, é normal porque, para este tipo de trabalho nem todo mundo vai sair feliz, mas o que nos interessa é que a maioria está feliz e, também, o que mais nos satisfaz é que estamos a devolver o mercado, isso é que é o mais importante para nós”.

“Para todos os cidadãos tenho a dizer que o Waresta está de volta, e encontra-se ainda mais melhorado. Para os nossos irmãos que não conseguirem espaço aqui, que não fiquem tristes, porque temos vários mercados que deverão ser acomodados, temos por exemplo o de Natikiri que é um mercado que o município quer apostar a 100%, assim como Waresta. Que não criem tumultos, porque vamos continuar com os nossos trabalhos normalmente, e esperamos com esta medida que tomamos no Waresta abranger todos os mercados da nossa autarquia”, concluiu o nosso interlocutor, assegurando que até o mercado grossista do Waresta estará em uso pleno.  (Texto: Aunício da Silva e Constantino Henriques *Foto: Hermínio Raja)

Jornalista do Ikweli agraciado com prémio “jornalista amigo da criança 2019”

Nampula (IKWELI) – O jornalista do Ikweli, Celestino Manuel, foi um dos vencedores do prémio “jornalista amigo da criança 2019”, um reconhecimento da Rede de Comunicadores Amigos da Criança (RECAC), uma organização moçambicana que advoga pelos direitos da criança na mídia.

O anúncio do reconhecimento foi feito na quinta-feira da semana passada (9 de Julho), na cidade de Maputo.

Celestino Manuel tem se dedicado na produção de história jornalísticas reportando diversos assuntos que envolvem a criança na província de Nampula, com destaque para crianças órfãs e vulneráveis, bem como menores vítimas de abuso sexual. (Redação)

Monapo regista primeiro caso positivo para a covid-19

Nampula (IKWELI) – O distrito de Monapo, na província de Nampula, testou positivo para a covid-19 o primeiro caso neste sábado (11), de um total de 3 casos positivos registado nas últimas 24 horas para a província mais populosa do país.

Ao todo, segundo o comunicado de actualização diária do ministério moçambicano da Saúde, o país registou neste sábado 24 casos positivos, de um total de 1.081 amostras testadas.

“Das amostras testadas nas últimas 24h, 9 provêm da Província de Cabo Delgado, 87 de Nampula, 53 da Zambézia, 155 de Tete, 116 de Sofala, 2 de Inhambane, 128 de Gaza, 128 da Província de Maputo e 153 da Cidade de Maputo”, lê-se na mesma nota de imprensa, que descrimina que dos casos positivos “dois (02) casos são da província de Cabo Delgado. Destes, 1 caso na Cidade de Pemba e 1 caso no Distrito de Mueda; Três (03) casos na Província de Nampula, destes, 2 casos na Cidade de Nampula e 1 caso no Distrito de Monapo; Três (03) casos na Província de Tete, destes, 2 casos na Cidade de Tete e 1 caso no Distrito de Mutarara; e dezasseis (16) casos na Província de Maputo, todos casos no Distrito de Boane”.

O mesmo documento refere que “registamos mais cinco (05) casos totalmente recuperados da COVID-19; dois (02) casos na Província de Cabo Delgado, um (01) caso na Província da Zambézia e dois (02) casos na Cidade de Maputo. Destes, quatro (04) são indivíduos de nacionalidade moçambicana e uma de nacionalidade sul-africana. Todos cumpriram com isolamento domiciliar durante o período da doença”para o caso de Nampula, o documento do MISAU aponta que existem, actualmente, o total de 256 casos activos. (Redacção)

 

Ilha de Moçambique testa positivo primeiro caso para a covid-19

Nampula (IKWELI) – A primeira capital do país, Ilha de Moçambique, testou o primeiro caso positivo para a pandemia da covid-19, segundo dados tornados públicos pelo ministério moçambicano da Saúde.

Nampula, província onde se localizada a Ilha de Moçambique, testou positivo para a doença, nas últimas 24horas, o total de 6 seis casos, sendo que três (3) deles foram registados na capital provincial e dois (2) em Nacala-Porto, principal entreposto comercial do norte do país.

O mesmo documento ministerial aponta que no mesmo período, foram registados, no país, o total de 19 casos, e que a maioria é de pessoas do sexo feminino, sendo que este é primeiro dia em que a maioria dos testados positivos é de mulheres.

“Igualmente, contamos com 756 casos activos, distribuídos da seguinte forma: Província de Niassa – 12; Cabo Delgado-187; Nampula-253; Zambézia-24; Tete-15; Manica-17; Sofala-21; Inhambane-29; Gaza-14; Província de Maputo – 78e Cidade Maputo-106” – lê-se na mesma nota de imprensa.

Do mesmo documento, pode-se concluir que “até ao presente momento, o nosso país tem um cumulativo de 1.307.864 pessoas rastreadas para a COVID-19 nos diferentes pontos de entrada. Destas, 21.143 foram submetidas à quarentena domiciliar. Neste momento, 2.262 pessoas observam ainda a quarentena domiciliar”. (Redacção)

Presidente da Assembleia Autárquica de Nampula indiciado de vender mercado do Waresta

  • Tertuliano Juma, na companhia do vereador Institucional, Cooperação e Desenvolvimento (Chehate Aliasse Essimela) ordenaram a destruição de mais de trinta barracas sem o conhecimento de Paulo Vahanle e ainda mostraram o espaço a compradores somalianos como estando disponível.

Nampula (IKWELI) – O controverso topografo e presidente da Assembleia Autárquica da cidade de Nampula, mais importante centro urbano do norte do país, Tertuliano Juma, é acusado por vendedores do mercado grossista do Waresta de estar a promover a destruição de barracas no espaço em requalificação para a posterior, vender para cidadãos de nacionalidade somaliana.

Segundo denúncias chegadas ao Ikweli, acompanhado pelo novo vereador Institucional, Cooperação e Desenvolvimento (Chehate Aliasse Essimela), Juma dirigiu-se ao referido local, cujos vendedores foram transferidos para o mercado de Natikiri, por forma a dar lugar as obras de requalificação, no âmbito da prevenção da covid-19, e ordenou a demolição de barracas, a sua maioria com bens dos comerciantes no seu interior.

No local, o presidente da Assembleia Autárquica que agiu como se de um membro do executivo municipal se tratasse, foi indicando áreas para a destruição imediata de, pelo menos, mais de 30 barracas de construção convencional. A actividade aconteceu na presença de tais somalianos, que se propõem a construir um centro comercial no espaço onde funciona o mercado grossista do Waresta.

A barraca de Paulo Vahanle, autarca de Nampula, também, não escapou das investidas de Tertuliano Juma. Quando membro da então Assembleia Municipal da Cidade de Nampula, o actual presidente do conselho municipal teve facilidades de adquirir um espaço no mesmo mercado, onde ergueu a sua barraca.

No mercado de Natikiri, local para onde foram transferidos os vendedores do mercado do Waresta, o Ikweli conversou com parte dos cidadãos que perderam electrodomésticos e outros produtos, incluindo mercadorias. Eles estão revoltados com a atitude do presidente da Assembleia Autárquica de Nampula.

“Sabemos que isso não vem do lado do presidente Vahanle. Aquele senhor claro e arrogante da assembleia municipal é que está a mandar destruir nossas barracas para vender aos somalianos”, disse a senhora Melita, vendedeira do mesmo mercado.

De acordo com o representante dos vendedores, Célio Alfredo, a informação dada pela direcção do mercado era de que a retirada deles tinha em vista a requalificação do mesmo, por forma a responder com as medidas de prevenção da covid-19, sobretudo o distanciamento social.

Concordado, segundo a fonte, para a surpresa deles, no dia 5, Tertuliano Juma, acompanhado pelo vereador, dirigiram-se ao mercado do Waresta onde ordenaram a destruição das barracas.

“Queremos que haja justiça. Queremos que sejamos recompensados pelas perdas que tivemos”, exige Alfredo, em nome dos vendedores do mercado do Waresta.

Esta fonte confirmou que, contactado, o presidente Paulo Vahanle não se fez de rogado e mobilizou uma equipa para esclarecer o sucedido.

Vereador “ataca” equipa do Ikweli

 Por seu turno, o vereador do pelouro Institucional, Cooperação e Desenvolvimento, Chehate Aliasse Essimela, solicitado, telefonicamente, pelo Ikweli para reagir no contexto do direito a resposta, recomendou a nossa equipa para que se dirigir ao seu gabinete de trabalho.

No local, o vereador, primeiro, começou por atacar verbalmente a nossa equipa, apontando que as denúncias e provas em nosso poder não passavam de fofoca.

Não gravamos a entrevista, mas durante a conversa, o questionamos se acompanhou ou não ao presidente da assembleia autárquica na destruição das barracas e demonstração do espaço ao grupo de somalianos, ao que não negou e nem confirmou, limitando-se apenas em dizer que a informação não passava de uma mentira e que se a publicássemos sentiríamos vergonha com a notícia.

Insistimos ao Chehate Aliasse Essimela se sabia que a acção que levou a cabo constituía anuência da usurpação dos poderes de um órgão executivo por um órgão fiscalizador, ao que, também, fugiu em dar resposta.

Na presença de duas senhoras, que se pressupõem funcionárias da edilidade, perguntamos, insistentemente, a fonte se estava presente no local na data dos factos ou não, mas não quis responder.

Aparentemente sufocado e arrogante, dispensou a nossa equipa de reportagem, subtendo ao porta-voz da instituição para mais esclarecimentos, depois de sucessivos ataques e tentativa de intimidação dos jornalistas do Ikweli.

Todavia, o Ikweli apurou de fontes credíveis na edilidade que o autarca Paulo Vahanle constituiu uma equipa de inquérito para apurar a veracidade dos factos.

Estou de férias

Contactado pelo Ikweli para reagir a estas questões, Tertuliano Juma, apenas limitou-se em dizer que “estou de férias”. Diante da nossa insistência, desligou o celular e não voltou a atender as chamadas subsequentes.

Fontes do Ikweli na assembleia autárquica de Nampula desmentiram que o seu presidente se encontrava de férias, confirmando que o seu pedido de gozo de licença disciplinar deu entrada na edilidade ontem, terça-feira (7), momentos depois de receber a chamada do Ikweli.

Igualmente, Juma gazetou a reunião convocada por Vahanle para compulsar os factos na presença dos lesados. (Aunício da Silva e Sitoi Lutxeque)

 

Nampula regista mais 8 novos casos positivos da covid-19

Nampula (IKWELI) – Nesta terça-feira (7), a província de Nampula, a mais populosa do país, registou oito (8) novos casos positivos da covid 19, de um total de 152 amostras testadas nas últimas 24h.

Destes casos, seis (6) são da cidade de Nampula e dois (2) da cidade de Nacala-Porto, segundo o comunicado de imprensa de actualização diária do ministério da Saúde. Assim, a província conta, actualmente, com o total de 297 casos activos.

Ao todo, o país registou o total de 28 novos casos positivos. E relação aos casos activos, Moçambique conta com 750 casos, distribuídos pelas províncias do Niassa (12), Cabo Delgado (153), Nampula (297), Zambézia (26), Tete (18), Manica (18), Sofala (19), Inhambane (19), Gaza (14), Maputo Província (76) e Maputo cidade (99). (Redação)

 

Os pecados da governação descentralizada: Incongruência discursiva distancia governador e SdE de Nampula

  • Por vezes, o desencontro dos discursos de Gondola e Rodrigues é de bradar os seus céus, deixando a impressão de que não partilham de mesmas agendas de governação e disciplina partidária.

Nampula (IKWELI) – O ano 2020 constitui um marco importante no processo democrático moçambicano. Com o advento dos entendimentos políticos – partidário e militares, a Constituição da República conheceu uma revisão pontual, em 2019, para a acomodação de interesses políticos, como forma de evitar confrontos militares constantes entre a Renamo e o governo da Frelimo.

Em consequência desses acordos, na sua maioria vistos como “acordos de cavalheiros”, foi introduzido um novo modelo de governação, que trouxe, como resultado, ao nível das províncias, entidades e instituições com atribuições similares. Na implementação da lei de descentralização, a impressão que fica é da duplicação de instituições e respectivos dirigentes, sendo que uns de nomeação de nível provincial (menos poderosos) e outros com ligações ao poder central, actuando como os “manda chuvas” e sem uma linha de orientação e prestação de contas clara. Todos eles reclamam pela promoção do crescimento e desenvolvimento económicos, bem como a satisfação dos problemas que apoquentam a qualidade de vida dos residentes locais.

Na província de Nampula, a mais populosa do país, e uma das mais pobres, está claro que a convivência entre estes dois poderes não está sendo algo fácil. Sem muito esforço, nota-se um certo desencontro nas agendas políticas e de governação, entre o governador Manuel Rodrigues (eleito) e o Secretário de Estado, Mety Gondola (nomeado pelo Presidente da República).

Volvidos perto de cinco meses que ambos comandam o maior círculo eleitoral do país, o Ikwelidecidiu trazer uma análise do desalinhamento e desentendimento entre estas duas individualidades.

O nosso ponto de comparação são as intervenções de Manuel Rodrigues e Mety Gondola na última reunião do Conselho Operativo de Emergência, realizada, recentemente na cidade de Nampula, depois de que, de forma recorrente, fomos anotando os desencontros e tratamento diferenciado no seio do sector público.

Manuel Rodrigues

O governador, eleito pela lista da Frelimo, em 2019, parece deslocado dos acontecimentos de coordenação inter-institucional que ocorrem na província onde dirige.

Na referida reunião do Conselho Operativo de Emergência (COE), Manuel Rodrigues interveio demostrando-se desactualizada quanto a participação de outros actores de desenvolvimento nos problemas da província.

“A quando da apresentação, nós nos referimos da UNICEF, e não tenho alguma objecção a esta referência, mas gostaria, realmente, que os outros parceiros entrassem, também, neste desafio. O que sinto é que parece que estamos a abraçar a UNICEF, e não sei os encontros que nós temos que realizar se com os parceiros que aqui estão presentes, se podemos juntar esforços para que nos relatórios não apareça só UNICEF”, disse o governante no momento da sua intervenção, para depois avançar que “esse é o gosto de termos esta coordenação de esforço que a sua excelência senhor ministro da Saúde estava a referir, a questão de coordenação, a questão de junção de recursos, que são escassos. Então, queria aqui, realmente, provocar e ouvir os parceiros sobre o que devemos fazer para nos juntarmos a este movimento, sobretudo a questão de abastecimento de água porque só ouvi que é a UNICEF que está aí, como se na província de facto tivéssemos só a UNICEF”.

Mety Gondola

O Secretário de Estado (SdE), Mety Gondola, nomeado pelo Filipe Nyusi para “dublar” os seus interesses em Nampula, veio discordar, a seguir, com o que acabara de ouvir do governador Manuel Rodrigues.

“Queria retomar, se calhar, pegando a última intervenção, que os nossos parceiros estão a trabalhar connosco. Não é novidade que este ano, praticamente estamos a funcionar com bastante exiguidade de recursos, e grande parte de intervenção que estamos a ter é mesmo dos apoios dos nossos parceiros, e nós estamos bastante grato com este apoio que nos têm dado”, clarificou o dirigente, para depois reconhecer que “eventualmente, pode surgir aqui, a necessidade de trazermos como decisão do órgão, uma informação a parte, e para além disso, se corporiza a totalidade dos apoios que nós temos e fornecemos. Portanto, o grande problema disso é o detalhe, mas queria mesmo retomar neste ponto, dizer que temos estado a trabalhar com os parceiros, a título de exemplo é que na liderança dos clusters (grupos) nós temos alguém do governo, mas sempre, também, parte dessa liderança temos os nossos parceiros lá enquadrados”, e justificar que “eventualmente porque, se calhar os outros clusters terão referido a menção especificamente da UNICEF, mas do nosso lado temos que assumir e dar a mão a palmatória se tivermos induzido uma má percepção em relação a esta questão, mas não gostaríamos de sair daqui com a percepção de que os nossos parceiros, de alguma forma, estejam ausentes do trabalho connosco, estão sempre presentes, têm sido bastantes colaborativos e têm estado bastante engajados na implementação daquilo que nós concordamos”.

“Aliás, foi decisão deste mesmo comité, foi decisão nossa de que os apoios todos deveriam ser centralizados de forma a não criar, de alguma forma, dispersão que seja”, precisou ainda o SdE Mety Gondola, para depois concluir que “excelência, temos estado a interagir de alguma forma com os nossos parceiros e, com alguma felicidade, vale a pena dar como referência que são vários os nossos parceiros que estão a actuar nos distritos, e nós temos recebido informação daquilo que vai acontecendo nos distritos”. (Aunício da Silva e Constantino Henriques)