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Cinco roceadores expulsos por desvio de insecticidas em Nampula

Nampula (IKWELI) – Pelos menos 5 roceadores dos distritos de Nampula e Eráti, no norte de Moçambique, foram expulsos da campanha de pulverização intra-domiciliária contra o mosquito causador da malaria, em curso na região, indiciados de desvio de insecticidas.

De acordo com Geraldino Avalinho, chefe do departamento de Saúde Pública em Nampula, os indiciados traficavam o material a produtores de hortícolas, e faziam-no durante a pulverização nas residências dos interessados.

“Nós temos um cumulativo de cinco ressoadores, sendo um no distrito de Eráti e quatro em Nampula, que desviaram insecticidas. Após a descoberta eles devolveram e, finalmente, foram afastados no processo de pulverização para desencorajar os outros que fazem parte do grupo. Infelizmente, alguns desviam para usar nas horticulturas ou em outras actividades que consiste na eliminação de insectos ou vectores”, informou a fonte.

Daí, “queremos desencorajar alguns cidadãos que, infelizmente, forjam os nossos roceadores a desviarem o insecticida que é usado para a pulverização intra-domiciliária para a prevenção da malária, visto que este produto foi adquirido olhando para aquilo que é o número de casas que devem ser abrangidas até ao final deste processo”, prosseguiu Avalinho.

Aquele responsável da Saúde Pública nos serviços provinciais de Assuntos Sociais de Nampula, deu a conhecer que não foram identificadas as pessoas que forjaram os roceadores a desviarem o insecticida. No entanto, chama atenção aos líderes comunitários no sentido de vigiarem esta prática, de maneiras que o produto adquirido pelas autoridades seja suficiente para o número de casas previsto para pulverizar.

O que acontece é que “quando um roceador sai ao campo com um determinado número de pacotes de insecticida, sabemos quantas casa ele poderá abranger com aquela quantidade. Neste sentido, no fim de trabalho, ele volta com uma ficha onde reporta o número de casas que foram abrangidas o que deve ser igual ao número de pacotes usados. Aliás, o stock deve ser algo que justifique o seu desempenho e uso de insecticida quando comparado com o que ele terá levado”.

Outrossim, “acontece que alguns perderam o controlo, tendo em conta que os líderes comunitários têm a responsabilidade de assinar as fichas de forma a confirmar que os roceadores pulverizaram um certo número de casa. Porém, há roceadores que não apresentam as suas fichas aos líderes comunitários, facto que nos chama atenção”.

De referir que na província de Nampula, as autoridades da saúde pretendem pulverizar 647 (seiscentas e quarenta e sete) residências num universo de 2.955,402 (duas milhões, novecentas e cinquenta e cinco mil e quatrocentas e duas) pessoas, na presente campanha que vai abranger oitos distritos, nomeadamente, Eráti, Nampula, Ribáuè, Nacala-Porto, Angoche, Monapo, Malema e Meconta.

A nossa fonte conclui que a escolha desses oito distritos se deve ao facto de serem as regiões que, nos últimos dois anos, apresentaram casos elevados de malária, o que preocupa as autoridades governamentais desta província e o seu lançamento foi feito no distrito de Eráti.(Esmeraldo Boquisse)

HCN opera 10 homens que padeciam do cancro da mama

Nampula (IKWELI) – Entre o ano passado de 2019 a esta parte de 2020, o Hospital Central de Nampula (HCN), no norte de país, refere que submeteu a cirurgia, pelo menos, 10 homens que padeciam do cancro da mama.

A ocorrência do cancro da mama em homens é ainda um fenómeno desconhecido pela população, por isso, em muitos casos, a mesma é negligenciada.

De acordo com o director dos Serviços de Cirurgia I, no HCN, Dr. Dércio Amade, esta situação é preocupante, sobretudo porque os pacientes dão entrada naquela unidade sanitária num estágio avançado da doença.

O cirurgião aponta ainda que os pacientes operados são pessoas com ligações ao sector da saúde e/ou com parentes com conhecimentos em torno, por isso apela uma maior transmissão de informação sobre a doença no seio da comunidade.

“Neste exacto momento, temos uma média de 10 homens operados por conta do cancro de mama entre o ano passado e este ano”, precisou a nossa fonte, reconhecendo ser “verdade que os homens não são tanto quanto as mulheres que sofrem desta doença e se fazem a este hospital, mas também acreditamos que na medida em que passamos as mensagens as pessoas do sexo masculino vão aparecendo nas nossas unidades sanitárias”, por isso “o que acontece é que os homens, infelizmente, aparecem num estado avançado, alguns deles até morrem nas comunidades e os que conseguem ir ao hospital são aqueles que residem na cidade, sobretudo, na zona urbana”.

A não afluência de pessoas de sexo masculino para o rastreio do cancro de mama, segundo o nosso interlocutor, explica-se pela falta de conhecimento transmitido sobre a existência desta doença nos homens, razão pela qual, o sector da saúde em todo o território nacional deve envidar esforços no sentido de informar a comunidade da existência de cancro de mama em homens.

Por outro lado, segundo o director dos Serviços de Cirurgia I no HCN, “estamos numa comunidade cheia de tabus, onde para você explicar que o homem, também, tem mama é um assunto complicado, as pessoas não percebem que ele (homem) tem um tecido glandular embora reduzido quando comparado com o da mulher. Temos ainda de treinar as nossas equipas a nível das unidades sanitárias”.

Para o nosso interlocutor, este é o momento de as autoridades promoverem programas de rastreio porque, segundo ele, são fundamentais para o nosso país. Aliás, faz parte do rastreio a educação para a saúde.

“Temos de começar a adoptar os programas de rastreio que é a partir deles que podemos banir com o preconceito possuído pela população sobre esta doença que, também, afecta os homens. Nós gostaríamos que um dia a informação sobre o cancro de mama nos homens estivesse tão expandida e percebida tal como a malária, onde as pessoas quando têm febre e/ou dores de cabeça suspeita ter malária. Felizmente, o nosso hospital está equipado para assistir os doentes de cancro de mama, sejam eles mulheres assim como homens”, anotou.

Dércio Amade Fernandes deu a conhecer ainda que no nosso país, o cancro da mama acontece mais nas mulheres em relação aos homens, e é o segundo cancro que mais mata sendo o primeiro cancro do colo do útero. Igualmente, para a fonte o cancro da mama quando afecta o homem é mais agressivo, progride de forma rápida em todo o organismo. (Esmeraldo Boquisse)

Em TIC’s e 5G: HUAWEI gradua 50 estudantes universitários em Moçambique

Maputo (IKWELI) – Numa cerimónia dirigida pelo Ministro dos Transportes e Comunicações, Janfar Abdulai, e contou com a presença do Embaixador da China em Moçambique,Wang Hejun, e o CEO da HUAWEI para Moçambique, realizou-se no dia 9 de Novembro de 2010, a mesma teve lugar num dos hotéis da capital do País, foram graduados 50 estudantes universitários, provenientes de todas as províncias do País.

Ao todo foram 800 estudantes que se candidataram a nível nacional no programa da Huawei denominado: ‘’Seeds of The Future’’ ou seja ‘’Sementes do Futuro”, destes 800 foram selecionados 50 estudantes. o programa tem como objectivo identificar, encaminhar os talentos que despontam na área das tecnologias de informação e comunicação.

Este ano devido a pandemia que assola todo Mundo, COVID-19, o treinamento foi ministrado virtualmente, que para além dos 50 estudantes universitários da parte de Moçambique, participaram também estudantes da Bélgica e Luxemburgo.

O Ministro dos Transportes de Comunicações, instou os estudantes a não se deixarem cair no esquecimento, pois dos conhecidos tidos na formação devem servir como ferramenta principal de contributo do desenvolvimento do País, especialmente das suas zonas de origem, enquanto que o CEO da Huawei para Moçambique mostrou-se feliz por em ver todos os selecionados a serem certificados depois da conclusão da formação com sucesso, o mesmo frisou que o conhecimento que estes obtiveram é apenas uma pequena amostra do que mais eles podem aprender.  E espera que este conhecimento ajude aos graduados a verem como diferentes tecnologias se encaixam na construção de um Moçambique digital, e que também ajude aos graduados a identificarem em qual área eles desejam estudar mais e, em seguida, trabalhar.

Dos 50 estudantes graduados, 10 estudantes se notabilizaram como melhores da formação. E para no próximo ano, 10 estudantes serão seleccionados e formados na República Popular da China no âmbito do mesmo programa. (Redação)

Escola Secundária de Napipine retoma aulas com uma autorização via telefónica

Nampula (IKWELI) – Algumas escolas públicas, dentre primárias e secundárias, localizadas no distrito de Nampula, no norte de Moçambique, retomaram as aulas presenciais desde a semana passada sem, ao menos, criar as mínimas condições exigidas pelas autoridades de saúde no âmbito da prevenção da pandemia da covid-19.

Uma denúncia chegou a redação do Ikwelicom este propósito. E da ronda efectuada, pelas principais escolas do distrito de Nampula, notamos que, por exemplo, a Escola Secundária de Napipine e Escola Primária e Completa de Napipine constituem o exemplo de como não se devem reabrir para colocar crianças em situação de risco.

Segundo apurou a nossa equipa de reportagem, com o regresso a escola, menores, descuidados, são vistos a circularem sem máscaras, numa situação em que nem se quer estas duas escolas tem condições para a higienização das mãos, incluindo a observância do distanciamento social.

Foi a 26 de Outubro findo que a Escola Secundária de Napipine retomou as aulas, enquanto que a EPC de Napipine começou a receber alunos ontem, segunda-feira (2 de Novembro).

Os funcionários daqueles dois estabelecimentos de ensino estão alarmados, e reivindicam intervenção de quem de direito.

“Na escola onde estou, em Napipine, não reunimos, em princípio, todos os pressupostos, sobretudo, os sanitários. Quando surge uma pandemia constitui uma preocupação não só aos gestores das escolas, como também do governo de Moçambique, daí a exigência da criação de condições para a retoma”, disse, entrevistado pelo Ikweli, Francisco Mbasse, director da escola secundária de Napipine.

Este director esclarece que “nós não temos um documento que certifique a autorização, mas fomos comunicados, telefonicamente, para reabrirmos. Primeiro foi uma brigada da saúde que visitou a escola e ficou com uma impressão de que era possível retomar as aulas, mas mesmo assim tínhamos de continuar a criar condições e alguns planos técnicos, como por exemplo, como gerir os resíduos sólidos, os intervalos. A seguir, recebi um telefonema da directora distrital da educação que, após reunir com 30 professores e igual número de pais e encarregados de educação, o conselho de escola e a direcção, autorizou a retoma das aulas”.

A nossa reportagem dirigiu-se na última sexta-feira aos serviços distritais da Educação, Juventude e Tecnologia de Nampula onde a directora daquele órgão confirmou ter comunicado à direcção de Napipine para retomar com as aulas, enquanto aguardam pelo documento de autorização assinado pelo administrador do distrito desta região.

Com Cecília Tacarindua, directora dos serviços distritais da Educação, Juventude e Tecnologia de Nampula, a nossa reportagem soube que para além da escola secundária de Napipine, existem outras que, também, poderão retomarão as aulas mesmo sem completar as condições exigidas pelas autoridades.

Contudo, segundo a dirigente, “regista-se a deficiência no abastecimento de água, este líquido não é distribuído da melhor forma, razão pela qual contactamos ao Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG) que de seguida, respondeu positivamente e está a fazer a distribuição da água directamente nos reservatórios. Para além disso, as mínimas condições foram criadas e neste momento a preocupação fica para o ensino primário”. (Esmeraldo Boquisse *Foto: Hermínio Raja)

Chuva faz estragos em Nampula

  • No princípio da noite de ontem, quarta-feira (28), mais de 50 barracas precárias foram destruídas pelas águas das chuvas.

 Nampula (IKWELI) – As chuvas que se registaram na última quarta-feira (28), acompanhadas por ventos fortes, destruíram parte das bancas e barracas de construção não convencional nos mercados localizados em diferentes bairros da cidade de Nampula, tendo afectado a vida comercial dos seus utentes.

Trata-se da segunda chuva consecutiva a registar-se na cidade de Nampula neste Outubro, sendo que a primeira se verificou em princípio do mesmo mês, também, acompanhada de ventos fortes e que deixou como marca, a destruição de habitações, assim como os estabelecimentos públicos e privados.

Alguns mercados que não resistiram à fúria do vento os da zona vulgarmente conhecida por Prédio Maconde, no interior do bairro de Muahivire, mercado Pakai e do campo dos Macondes, ambos localizados no bairro de Namutequeliua.

No mercado da zona do campo dos Macondes, por exemplo, onde o Ikweli apurou que mais de 50 bancas ficaram totalmente destruídas, afectando igual número de comerciantes. Segundo contaram os afectados, até por volta das 16 horas da última quarta-feira, momento em que começaram os primeiros sinais de chuva, não imaginavam que terminaria em desgraça.

No local, para além da destruição das bancas alguns comerciantes contraíram ferimentos, dentre graves e ligeiros, uma vez que, segundo reportam as próprias vítimas, a estrutura das bancas caiu sobre eles, uma vez que alguns encontravam-se sentados e a exercer as suas actividades comerciais.

“Perdemos muita coisa aqui, muitas mulheres que vendiam aqui sofreram muito, até para serem removidas não foi fácil, porque o alpendre caiu sobre elas, mas, graças a Deus, já foram levadas ao hospital. Para além disso, perdeu-se muito dinheiro neste lugar, porque os comerciantes não conseguiram levar nem os próprios cofres. Muita coisa foi levada por pessoas de má fé que quando se aperceberam que havia esse incidente correram para aqui não para salvar, mas para outras intenções”, disse Hawa Amisse, uma das comerciantes do mercado do Campo dos Macondes, na unidade Comunal Marien Nguabi.

Simão Armindo, vendedor de material de construção, disse que “perdi tudo que estava na minha banca, porque quando aconteceu o incidente com aquela preocupação de socorrer as nossas vidas, as pessoas de má fé invadiram o sítio e levaram tudo. Eu tinha uma mercadoria avaliada em cerca de 50,000.00MT (cinquenta mil meticais), assim não sei como me virar, porque o único dinheiro que tinha, ontem acabei investindo no mesmo negócio”, lamentou a fonte.

“Eu vendo peixe, tomate, repolho, cebola e outro material da cozinha, então, tudo isso já perdi, porque as pessoas aproveitaram-se da situação e apoderaram-se dos bens. Não era muita coisa, mas tendo em conta aquilo que é a minha capacidade de negócio, a mercadoria que levaram se vendesse todo dinheiro chegaria pelo menos 4,000.00MT quatro mil)”, precisou Momade Hermínio, outro vendedor entrevistado pelo Ikweli.

Essiaca Raul Ernesto, chefe daquele centro comercial, confirmou que “houve muitos prejuízos em termos de danos materiais, assim como muitas pessoas contraíram ferimentos aqui. Aquilo ninguém previa, de repente vimos o alpendre a cair. Na ocasião foram seis pessoas que contraíram ferimentos graves, mas depois foram evacuadas ao hospital”.

Município vai reconstruir os mercados

Reconhecendo o impacto que os mercados informais têm na economia do Conselho Municipal de Nampula, Osvaldo Ossufo Momade, vereador do pelouro de Mercados e Feiras e Promoção Económica da cidade de Nampula, garantiu ao Ikweli que a edilidade dispõe de material para ajudar na reconstrução dos mercados abrangidos nesta parcela moçambicana.

“Ainda estamos a fazer o levantamento dos mercados afectados, mas o que tenho a dizer é que a situação ainda não é alarmante ao nível da nossa cidade”, disse Osvaldo Ossufo Momade, para quem “o município já está preparado para intervir em casos de destruição das bancas construídas de material precário, neste momento em que falamos, já temos stock de corda, bambus, plásticos e outros materiais de construção”, assegurou o dirigente. (Constantino Henriques)

Administrador condenado por vender terra cessa funções em Murrupula

Nampula (IKWELI) – Crisanto Estêvão Impila, administrador do distrito de Murrupula, que em sede de julgamento foi provada a sua participação no crime de atribuição ilegal de terra naquela circunscrição, viu a sua posição destituída na semana passada.

A 26 de Março do corrente ano de 2020, Impila foi condenado no âmbito do processo 11/2019, deitando abaixo a sua arrogância de cidadão intocável por ser antigo combatente.

Para o efeito, foi nomeada Regina Paulino para liderar Murrupula, e tomou posse numa cerimónia onde, também, tomou posse a directora dos Serviços Provinciais de Assuntos Sociais (Munira Aboudu) e a nova médica chefe provincial, Selma Luísa da Costa Xavier, fazendo juras perante o Secretário de Estado da província de Nampula, Mety Gondola.

“Estou a apelar a vocês para se distanciarem do mal que retarda o desenvolvimento do nosso país, que se chama a corrupção”, apelou Gondola, recordando a memoria que o administrador cessante de Murrupula tem uma condenação pela prática do mesmo tipo legal de crime.

A fonte, também, avançou Regina Paulino, apelando que “senhora administradora, quero lhe apelar para ser bastante humana nas relações que vai exercer, deve ser dirigente mais próxima da população, e dos seus colegas, sobretudo deve ser sensível nas preocupações da população daquele ponto da província”.

E esta empossada disse que vai a Murrupula focada no aumento da produção e produtividade agrária, aproveitando, efectivamente, as qualidades naturais para o efeito existentes naquele distrito.

O desafio assumido pela Doutora Munira Aboudu está voltado ao combate a mortalidade materno-infantil.(Celestino Manuel)

Manuel Rodrigues acusa a edilidade de Nacala-Porto de desinformar sobre a covid-19

Nampula (IKWELI) – O Governador da província de Nampula, Manuel Rodrigues, acusa as autoridades municipais da cidade de Nacala – porto de estarem a incitar os munícipes locais para não observarem as medidas constantes nos decretos presidenciais e das entidades de saúde sobre a prevenção para a mitigação dos impactos da pandemia da covid-19.

“O cidadão aqui em Nacala é orientado a confundir as mensagens do governo para a prevenção do covid-19 como uma acção política, por isso, de forma veemente, nós queremos repudiar e condenar esta atitude de infantilidade que está a ser demonstrada por parte dos dirigentes do município de Nacala a mobilizar as pessoas para que não observem as medidas de covid-19”, disse Manuel Rodrigues, governador de Nampula que, recentemente, esteve em visita de trabalho naquele distrito costeiro.

Em reunião mantida com líderes comunitários e mulheres de Nacala – Porto, Rodrigues proferiu essas acusações, e os outros participantes se queixaram da má gestão do autarca Raul Novinte.

“Portanto, nós ficamos tão tristes ao ver, por exemplo no mercado waJamal que é o mercado na entrada da nossa cidade de Nacala, uma afronta à saúde pública. Portanto, as pessoas, infelizmente, não põem a máscara devidamente, não há distanciamento social, sob olhar impávido das autoridades municipais. O município está impávido e sereno a assistir e como nada estivesse a acontecer neste nosso país e no mundo em geral, no que tange às mortes que estão a se verificar. As pessoas estão a morrer de coronavírus, os números de infecções aqui em Nacala estão a subir e para simplesmente o município nem está aí”, continuou Manuel Rodrigues.

Por outro lado, o chefe do conselho executivo provincial de Nampula precisou que “nós estamos muito tristes, e queríamos aqui dizer que, como governantes desta província de Nampula, como responsáveis que cuidam pela saúde da nossa população, queríamos a partir deste meio, chamarmos atenção no sentido de eles porem mão à consciência e abdicarem-se e refrescarem-se de brincar com o fogo. Portanto, a saúde é sagrada e é por isso que, quando se trata de vida, quando se trata de salvar as nossas próprias vidas, temos que ser sérios”.

Segundo apuramos, pesa também sobre o elenco chefiado por Raul Novinte, o desrespeito a outras autoridades governamentais do nível distrital. “De uma forma geral ficamos com a sensação de que o distrito de Nacala – porto enfrenta desafios, são desafios que derivam de confusão, infelizmente, premeditada e feita com uma dose de má fé por parte de alguns nossos concidadãos que, apesar de serem confiados a tarefa de estar a frente do nosso município de Nacala, furtam-se ao princípio de coordenação inter-institucional e essa falta de coordenação por parte do município que se furta de participar das reuniões que se tratam de assuntos candentes ao desenvolvimento de Nacala, tem estado a impactar naquilo que é o comportamento do nosso concidadão”, frisou o governador de Nampula.

Como possíveis soluções para contornar o referido cenário “é mesmo tomarmos medidas severas e, neste momento, nós já trabalhamos com a nossa polícia da República de Moçambique como entidade que tem a responsabilidade de manter a lei e ordem para agir de forma enérgica e sem complacência, aqui no município de Nacala – Porto. Portanto, nós vamos assistindo a um movimento infeliz de reposição da ordem e tranquilidade pública porque nós não queremos que uma parte da nossa província de Nampula esteja confrontado com esta triste realidade que estamos a viver aqui por incompetência, incongruência e, também, por falta de visão naquilo que é a gestão da coisa pública que nós estamos assistir no município de Nacala”, rematou o governante.

 

Isso é uma falsa acusação

Para as autoridades municipais da cidade de Nacala – Porto, faltou a tolerância política ao governador de Nampula ao avançar com a sua acusação.

Indicado para atender ao Ikweli, Arlindo Chissale, director do gabinete de Tecnologia, Comunicação e Imagem da autarquia de Nacala-porto, acrescentou que o governo municipal tem tudo feito no sentido de contribuir para não propagação do novo coronavírus ao nível das comunidades daquela circunscrição geográfica.

“Não constitui a verdade”, desmentiu Arlindo Chissale, justificando que “o município de Nacala mandou fazer e distribuiu, também recebeu dos agentes económicos e instituições religiosas milhares de máscaras e fomos distribuir, o próprio presidente fez frente. O sector de saúde, também, fez frente na redistribuição em locais de aglomerados bem como motoristas, agentes de longo percurso, entre outros”, para depois questionar se “isso é ou não é fazer? Deviam dizer, especificamente, como é que queriam que o município ajudasse”.

Segundo Chissale, as autoridades municipais em coordenação com o governo do distrito de Nacala têm levado a cabo campanhas de sensibilização às populações, em diferentes meios de comunicação com enfoque para as rádios locais, para conter os impactos da covid-19.

“Não queremos interpretar que é perseguição política porque não temos. Há temas que podemos procurar de forma política, esse não é tema e estamos fora do risco vermelho. Em Nacala – Porto nós damos tudo e suficiente, repito, demos máscaras, temos fotografias que provam isso, também pode ser visitada a nossa página nas redes sociais, vai-se encontrar isso. Não queremos interpretar que estamos perseguidos, se é o partido Frelimo que persegue, o lugar propício para perseguir é no partido Renamo, não perseguir o município, também não acreditamos porque temos boas relações com o partido Frelimo em Nacala – Porto e demos cargos de chefia aos membros do partido Frelimo, por isso é uma falsa acusação”, concluiu Chissale. (Constantino Henriques)

Perto de 20 garimpeiros ilegais morrem soterrados a procura de ouro em Namaita

Nampula (IKWELI) – Cerca de 20 garimpeiros, na sua maioria jovens, perderam a vida na madrugada da última terça-feira (13) devido a fúria das águas do rio Meluli, nas comunidades de Natchetche e Nacuaho, no posto administrativo de Namaita, distrito de Rapale na província de Nampula, norte de Moçambique, por onde desde Setembro do ano em curso se dedicavam a extracção de ouro, um dos metais mais valiosos no mundo.

O Ikweli na sua edição electrónica número 535, publicado a 21 de Setembro do ano em curso, advertiu sobre a alegada descoberta do ouro no leito do rio Meluli e que, por conta disso, arrastava muitas pessoas, maior incidência para a camada jovem, que apontavam o local como o único para apagar as magoas provocadas pela pobreza acelerada pelo elevado índice de desemprego. Até ao dia do incidente, estima-se que mais de 400 garimpeiros ilegais estivessem fixados no referido minério, provenientes, maioritariamente, do distrito de Mogovolas.

No entanto, a madrugada da última terça-feira (13) viria a trágica para aquele grupo de jovens e para a história das comunidades de Natchetche e Nacuaho em Namaita, porque segundo apuramos, a fúria da corrente de água que inundou o rio Meluli arrastou um número indeterminado daqueles garimpeiros, sendo que cerca de 20 pessoas perderam a vida.

Segundo fontes no local do incidente, tudo começou quando parte dos garimpeiros decidiu dormir nas grutas localizadas sobre o leito do rio, como forma de evitar molhas provocadas pelo chuvisco que se fazia sentir durante a noite do dia anterior ao incidente. Na verdade, segundo as nossas fontes, localmente não chovia com grande intensidade pelo que as vitimas não encontraram motivo de desconfiança em recorrer aquele refúgio, dado que o leito do rio Meluli estava seco na altura. Aliás, segundo recordam, nunca antes teria chovido daquela forma em pleno mês de Outubro.

Em conformidade com os nossos interlocutores, a água que atingiu os níveis jamais vistos no rio Meluli, veio das regiões circunvizinhas onde, segundo fontes oficiais, em cinco horas a chuva caiu em 117 mm (117 milímetros).

Segundo Joaquim Eduardo, garimpeiro sobrevivente, “isto aconteceu porque não víamos onde dormir, porque a colômbia [designação dos abrigos dos garimpeiros ilegais] não está coberta, então quando começou a chover e como era noite, nós decidimos entrar nas cavernas para não apanharmos molha. Dali esquecemos e dormimos até por volta das zero horas, quando começou o aparecimento da água, e na altura estávamos com muito sono. Então, o tempo que acordamos ficamos sem norte, é dali que outros foram arrastados e mortos, e outros contraíram ferimentos graves”.

No posto administrativo de Namaita, concretamente nos povoados de Nacuaho e Natchetche, onde corre o rio Meluli, é dominado por montanhas, fazendo com que o seu leito seja dominado, inclusive, por pedras de diferentes dimensões e formatos. Aliás, aponta-se as principais razões que ditou na morte daqueles cidadãos, o excesso de pedras ao longo do rio.

Até ao meio dia desta quarta-feira (14) as autoridades governamentais, tanto do nível distrital assim como provincial, ainda não tinham o número harmonizado das vítimas daquele incidente, sendo que uma parte fala de 13 mortos e a outra parte de 16. Entretanto, nossas fontes que integram as equipas de resgate estimam em 20 o número de vítimas mortais, e prevê-se que ainda existam mais corpos por baixo das águas correntes daquele rio.

Joaquim Mário, líder comunitário no povoado de Nacuaho, disse lamentar o sucedido. A nossa reportagem recorda que antes do incidente terá alertado ao governo local sobre a existência daquele grupo, mas que nada foi intervencionado. “Tentei sensibilizar o grupo, mas não nos entendíamos, por isso canalizei o caso nas instâncias superiores do nosso posto, e lá haviam dito que viriam ter o encontro nesta quarta – feira (14) só que antes disso aconteceu este incidente”, disse Joaquim Mário, para quem “as pessoas foram arrastadas pela água, então de novo comuniquei sobre este acontecimento, e até neste momento estamos a recuperar corpos de pessoas sem vida ao longo deste rio”.

“É muito triste o que aconteceu. Em princípio as buscas não terminam por aqui, os líderes comunitários junto com as estruturas locais vão continuar, porque como sabem é um rio grande e com água corrente, portanto, temos esta situação que, infelizmente, aconteceu depois de vários apelos que nós tínhamos feito, porque esta situação vem, sensivelmente, há um mês. Infelizmente, a primeira sensibilização não foi acatada, tivemos a segunda e a terceira vez viemos desactivar aquilo que era o acampamento deles”, disse Adelino Afonso Manuel, director dos Serviços Distritais das actividades económicas de Rapale, acrescentando que depois da referida desactivação do acampamento inicial “mudaram-se do local e nós íamos monitorizando a situação só que, o que não sabíamos era de que foram mais a montante do rio e foram-se esconder atrás da montanha e continuaram a fazer o trabalho às escondidas ”.

Situação complexa para todos

Adelino Afonso Manuel, director dos Serviços Distritais das Actividades Económicas de Rapale, confirmou a ocorrência do ouro ao longo do leito do rio Meluli. “Sim, confirmamos, o que não confirmamos são as quantidades, mas confirmamos a ocorrência de ouro ao longo do leito do rio Meluli, e isso cabe a Direcção Provincial dos Recursos Minerais e Energia, encontrar alguém que possa fazer prospecção para tentar determinar quais são as quantidades do ouro existente e, em passo disso, pode-se passar aos passos subsequentes, talvez licenciar-se alguém ou não. Nesse momento é prematuro dizer o que vai acontecer”.

Por seu turno, Adelto Augusto Cumbana, inspector chefe na Direcção Provincial dos Recursos Minerais e Energia (DPRME) de Nampula, também, confirmou a existência do minério de ouro no rio Meluli, em Namaita, mas olhando as condições existentes no local, influenciado com o incidente adiantou a possibilidade de se encerrar a referida mina.

“A ocorrência de ouro está mais que provada. As pessoas iam fazendo este trabalho porque iam captando algum ouro, e veja que depois de abandonar o primeiro local onde desactivamos, eles foram subindo o rio e iam fazendo a mineração”, disse a fonte, para quem “o que tem acontecido noutros locais nós avaliamos as condições da área para, exactamente, aconselharmos as comunidades a se legalizarem para poderem fazer uma actividade legal, e neste tipo de actividade não existem condições, porque, primeiro é no leito do rio, para além dos danos ambientais que são causados pelo rio, não há segurança para o próprio garimpeiro, uma situação dessas já prevíamos, e é por isso que quando sabemos disso nem demos passos para falar sobre a possibilidade de legalizar a actividade e, a única coisa que dissemos é que nunca devia ser feita aquela actividade ao longo do rio, não temos condições para legalizar essa actividade, vamos lutando com eles para que sempre que nos apercebemos que estão a fazer, termos que desactivar”.

De referir que, relacionado a essa proibição, a equipa de inspectores na DPRME de Nampula ateou fogo as cabanas dos garimpeiros, vulgo Colômbia, que tinham sido construídas nas margens do rio Meluli na zona de Nacuaho.

Outra nota não menos importante é que, apesar do incidente, nesta quarta-feira um número significativo de garimpeiros encontravam-se no local a fazer o garimpo. Quando questionamos sobre os porquês de continuarem com aquela actividade, mesmo sabendo que parte de corpos dos seus colegas não tinham sido localizados, eles disseram que “não temos como não continuarmos com este trabalho porque aqui onde estamos não temos dinheiro para garantir o nosso regresso. Assim estamos a tentar conseguir o ouro e vendermos depois voltarmos a casa”. Outros, inclusive, interpretam o incidente, como tratando-se de um acontecimento milagroso que visa o pagamento dos espíritos para autorizarem a pratica normal daquela actividade. (Constantino Henriques)

 

Bin Bique não resistiu visita da “mãe natureza”

Nampula (IKWELI) – Parte das instalações da Universidade Mussa Bin Bique (UMB) ficaram destruídas pela fúria de um vendaval que se fez sentir na tarde da última segunda-feira (12), em quase todos os bairros da cidade de Nampula, no norte de Moçambique.

Concretamente, aquele evento natural destruiu parcial e totalmente os tectos e o telhado de dois blocos, nomeadamente o bloco da Faculdade de Ciências Agrárias com um total de quatro salas de aulas, assim como o bloco onde funciona a sala de informática e do laboratório daquele estabelecimento de ensino superior.

“Como estão a verificar, fomos afectados por um vendaval”, confirmou Mussena Abdala Amade, vice-Reitor daquela universidade, para quem “não cruzamos os braços, por isso achamos conveniente chamarmos as pessoas especializadas logo pela manhã para fazer o levantamento e ver o que podemos fazer no passo a seguir. Estamos, também, a fazer o levantamento para apurar aquilo que é o custo dos danos provocados pelo vendaval”.

De acordo com a fonte, o incidente não causou danos humanos, porque “até a altura que aconteceu o vendaval os estudantes não estavam aqui visto que nós trabalhamos em dias alternados, salvo erro, naqueles casos em que por uma e outra razão como a preparação, o estudante ache oportuno em estar aqui nas instalações da universidade, mas ninguém sofreu”.

Apesar da destruição daqueles blocos, Mussena Abdala Amade garantiu, em exclusivo ao Ikweli, que “as aulas não vão ficar paralisadas porque, como sabem, nós temos uma média de cinco blocos, agora só é um bloco afectado com quatro salas. Então temos outras salas e estamos a trabalhar com estudantes do quarto ano e, o número ainda é suficiente para trabalharmos com os blocos não afectados”.

Fazendo o balanço preliminar dos primeiros dias da retoma das aulas presenciais Mussena Abdala referiu que “as aulas estão a decorrer bem, até então, não sabemos o amanhã, mas até então as aulas estão a decorrer num ritmo normal como estamos a trabalhar com o quarto ano, que é aquilo que foi a orientação do ministério de ensino superior que na primeira fase só devíamos trabalhar com os estudantes finalistas”. (Costantino Henriques)

“Não há democracia sem direito humanos” – defende a Nova Democracia

Maputo (IKWELI) – O movimento partidário Nova Democracia (ND), em comunicado distribuído a partir de Maputo, defende que em Moçambique os direitos humanos têm sido postos em causa desde a conquista da independência até nos dias de hoje, mesmo com o advento da democratização.

“Os Direitos Humanos são postos em causa quando o acesso à educação e às oportunidades são limitados em função de castas sociais, as desigualdades sociais florescem, a pobreza é extrema, há exclusão e ostracismo político, a saúde pública é precária, dificílimo é o acesso à água potável e energia e os cidadãos transportados em negreiros de quatro rodas. Prevalece em Moçambique o abuso do poder, a cultura de raptos políticos e económicos, perseguições e fuzilamentos a civis. Tudo isto faz de Moçambique um país violador dos Direitos Humanos por tendência”, refere a Nova Democracia, explicando que “os Direitos Humanos são intimamente ligados à ideia da vida, liberdade de pensamento e de igualdade perante a lei, mas no país ceifa-se vidas edificantes e se sepulta o pensar diferente, prosperando a impunidade e a justiça selectiva”.

No mesmo comunicado, o partido aponta que “Moçambique caracteriza-se por profundas feridas derivadas das desigualdades sociais, da violência institucionalizada, das prisões arbitrárias, da corrupção endêmica, da espoliação dos recursos naturais e da partidarização das oportunidades, onde grupos mafiosos constroem instituições que funcionam como tropas inimigas da sanidade e da paz. Um Estado gangsterizado com licença para intimidar, perseguir, raptar, torturar, matar cidadãos e queimar jornais são algumas de muitas situações críticas, umas públicas e muitas outras anónimas, que retrocedem os esforços nacionais e globais pela efectivação dos direitos humanos”.

O Direito à vida, prossegue a nota, “assume duas dimensões sendo a primeira, o direito de permanecer existente e o segundo momento de um adequado nível de vida, restando ser terminantemente proibido uma pessoa tirar a vida à outra. Infelizmente, em Moçambique, nem possibilidade é; é uma miragem absoluta”.

“Ataca-se o cidadão pela gastrite da fome e paradoxalmente, envia- se a um hospital sem medicamentos, agredindo a dignidade humana”, lamento o partido, alertando que “no país os índices de insegurança pública são gritantes, a ordem pública está as avessas, abunda o crime e, na maioria dos casos, as violações dos direitos humanos envolvem agentes do Estado, tutelados ou subsidiados por sectores decadentes do regime”.

A Nova Democracia acredita que sem Direitos Humanos não há Democracia. Por isso, 30 anos de democracia não pode significar um entretenimento político.

“O Estado que almejamos tem o dever de proteger fundamentos essenciais na construção de uma vida digna para os Moçambicanos, mulheres e homens, jovens, adultos e idosos, com ou sem deficiência, independente do seu credo religioso, étnico ou político, o que se afigura imprescindível para o Estado de Direito Democrático inscrito na Constituição da República de Moçambique”, exige a Nova Democracia, concluindo que “evocamos o nosso interesse na consolidação da unidade nacional e repartição justa da riqueza nacional enquanto condição da paz e garantia para a valorização dos direitos Humanos”, e “reafirmamos aqui o combate diário para que Moçambique não deixe ninguém de fora e deixe de ser uma orquestra desafinada no concerto das Nações, ainda que novos sacrifícios e privações sejam necessários. Ninguém virá da lua para lutar por Moçambique”. (Redação)