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Nampula: Há jovens que fingem serem surdos para “sacar” alguma esmola nas ruas

Nampula (IKWELI) – A direcção provincial do Género, Criança e Acção Social em Nampula denuncia haverem jovens que se fazem passar por pessoas surdas nas ruas para poderem amealhar algum rendimento através de esmolas dadas por pessoas de boa-fé.

O governo diz que vai sancioná-los, de forma a desmotivar tais práticas desonestas.

Benvinda Maulana, chefe da repartida da pessoa idosa naquela instituição, explica que o fenómeno remota desde 2022 e que parte dessas pessoas usam documentos com símbolos da Associação dos Surdos de Moçambique (ASSUMO).

Como forma de combater o fenómeno, aquela responsável fez saber que, neste momento, está em curso uma campanha de sensibilização contra a mendicidade, envolvendo pessoas com diferentes tipos de deficiência ao nível da província de Nampula, com vista a sua inclusão em programas que serão implementados pelo Governo, em coordenação com os seus parceiros de cooperação, incluindo as associações que protegem os direitos das pessoas com deficiência.

“Fizemos uma campanha de sensibilização contra a mendicidade, porque constatávamos que existiam grupinhos de jovens oportunistas que andavam com papéis nas estradas, com símbolos da ASSUMO, a dizer que eram da associação e a pedir algum apoio. Mas, na verdade, não era bem assim. Nós sabemos disso e estamos a fazer um programa para combater a situação de mendicidade, porque já estava a acontecer que a província de Nampula estava a ficar cheia de pessoas a pedir esmola”, disse a nossa interlocutora.

Segundo Benvinda Maulana, nos últimos meses, a situação deixou de ser registada com a mesma frequência, ao contrário do que acontecia anteriormente, quando o fenómeno era notório em quase todos os cantos da província de Nampula, sobretudo na zona urbana. (Virgínia Emília)

MIREME garante normalização do abastecimento de gasolina em Nampula e Nacala a partir de amanhã

Maputo (IKWELI) – O ministério moçambicano dos Recursos Minerais e Energia (MIREM), reconheceu, nesta terça-feira (22) através de um comunicado de imprensa, que os postos de abastecimento de combustível nas cidades de Nampula e Nacala, com maior incidência em Nampula, registaram nos últimos dois dias escassez de gasolina, garantindo reposição da situação a partir de amanhã, quarta-feira (23).

“A situação teve origem na chegada tardia do navio responsável pela reposição de gasolina na zona norte, devido ao mau tempo registado em Durban, na Africa do Sul, que impediu a realização das operações portuárias dentro do prazo previsto,” justifica o MIREM na nota, cujo conteúdo temos vindo a citar, assegurando que “neste momento, o navio já segue viagem para o Porto de Nacala, com atracação prevista para quinta-feira, dia 24 de Setembro.”

Segundo o mesmo documento, para garantir a reposição normal da rede, estão a ser carregados camiões a partir de Pemba e Nacala. Esta operação permitiu o início hoje, 22/09/2026, do reabastecimento de vários postos de abastecimento na cidade de Nampula.

“Os carregamentos de camiões vão continuar, de forma a garantir aos munícipes acesso livre e seguro ao combustível. Estamos a acompanhar a operação de perto e contamos ter a rede completamente reposta a partir de amanhã, quarta-feira, dia 23 de Setembro”, afirmou Felisbela Cunhete, Directora Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis.

As equipas de fiscalização do MIREME, em coordenação com o Governo de Nampula, estarão posicionadas no terreno para garantir que todos os consumidores tenham acesso ao combustível disponível.

O MIREME apela à população de Nacala e Nampula para que mantenha a calma e redobre a vigilância, denunciando toda e qualquer acção de açambarcamento ou venda de combustível a preços especulativos. (Redação)

Chapo já está em Nova Iorque para a 81ª Assembleia geral da ONU

Nova Iorque (IKWELI) – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, já se encontra em Nova Iorque, onde vai partilhar a experiência de Moçambique na promoção da paz e do desenvolvimento, com destaque para o Diálogo Nacional Inclusivo, durante uma intensa agenda de alto nível que inclui encontros com dirigentes das Nações Unidas, instituições financeiras internacionais e o sector privado.

Uma nota de imprensa da Presidência da República, explica que a informação foi avançada pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria dos Santos Lucas, à imprensa, por ocasião da chegada do Chefe do Estado à cidade norte americana, onde participa na 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU).

Segundo a governante, a partilha da experiência moçambicana sobre paz e desenvolvimento constitui uma das actividades que serão chefiadas pelo Presidente da República durante a sua estadia em Nova Iorque, nos dias 22 e 23 de Setembro.

“Sua Excelência o Presidente traz a mensagem de paz. E como dizemos aqui, vem partilhar com o mundo sobre o Diálogo Nacional Inclusivo”, afirmou Maria Lucas, acrescentando que a experiência de Moçambique tem despertado interesse de outros países, particularmente da região. Além da participação nas actividades das Nações Unidas, o Presidente da República vai manter contactos com o sector privado e instituições financeiras internacionais, incluindo um encontro com a directora-geral do Fundo Monetário Internacional,” afirma a ministra citada na nota, prosseguindo que “Sua Excelência o Presidente vai ter não só actividades nas Nações Unidas, mas também com o sector privado, também com as instituições financeiras internacionais, incluindo com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional”, explicou a ministra.

A agenda presidencial inclui igualmente o lançamento da versão inglesa da autobiografia de Daniel Francisco Chapo, intitulada “Do Cativeiro à Presidência”, numa das actividades previstas para os dois dias de permanência do Chefe do Estado em Nova Iorque.

No quadro dos contactos diplomáticos, o Chefe do Estado moçambicano terá ainda um encontro de cortesia com o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, num momento em que termina o seu mandato e decorre o processo para a eleição do próximo titular da organização. (Redação)

Falta de instituições profissionais e escolas adequadas à sua realidade preocupa pessoas surdas em Nampula

Nampula (IKWELI) – As pessoas surdas, também referidas como pessoas com deficiência auditiva, na província de Nampula, denunciam, com enorme preocupação, a prevalência de dificuldades no acesso ao ensino e a oportunidades profissionais, devido à falta de instituições de ensino superior e escolas destinadas a esta camada social.

Trata-se de uma situação que compromete o futuro das pessoas surdas, sobretudo no acesso à assistência médica, educação, formação profissional e oportunidades de emprego.

A preocupação foi manifestada na tarde desta segunda-feira (21) por representantes das três associações que lutam pelos direitos e pela proteção das pessoas surdas, concretamente a Associação de Mulheres Surdas (AMAMO), a Associação de Jovens Surdos (AJOSMEM) e a Associação dos Surdos de Moçambique (ASSUMO), durante a cerimónia de lançamento oficial da Semana Internacional da Pessoa Surda, celebrada anualmente entre os dias 21 e 28 de setembro.

Este ano, a semana decorre sob o lema “Declarando os Direitos Humanos das Pessoas Surdas” e contou com a participação de cerca de 350 pessoas surdas, entre crianças, jovens e adultos, de ambos os géneros.

Durante a ocasião, as pessoas surdas pediram aos dirigentes locais e ao Governo moçambicano que promovam capacitações destinadas à sociedade e aos funcionários públicos e privados, incluindo programas de inclusão que contemplem a língua de sinais, com vista a facilitar a comunicação e o acesso a diversas oportunidades.

Abdul Saíde, presidente da ASSUMO em Nampula, através de Muze Sude, intérprete de língua de sinais da direção provincial de Género, Criança e Acção Social, durante a interação com os participantes com deficiência auditiva, explicou que “estão preocupados em advogar pelos direitos das pessoas com deficiência, e a nossa preocupação é a vida e não a discriminação, porque as pessoas com deficiência também têm os mesmos direitos à vida que as outras pessoas”.

Na ocasião, aquele dirigente concluiu com um pedido “aos nossos parceiros que nos ajudem nos locais de trabalho. Se existe uma pessoa que entende a língua de sinais, que nos mostrem, para garantir a nossa comunicação”.

Por outro lado, Ribeiro Age, adjunto do presidente da mesma associação, assegurou que “temos muitas barreiras em todos os sectores e estamos a pedir que os institutos de formação superior abram as portas para que as pessoas surdas possam participar normalmente na sociedade. Pode ser no trabalho de limpeza e em outras actividades, já que temos dificuldades de ouvir. Nos locais de trabalho, as pessoas não sabem que nós existimos”.

Ribeiro Age acrescentou igualmente que “nas escolas há muita dificuldade porque os professores não conhecem a língua de sinais e ensinam crianças ouvintes, enquanto a pessoa que está lá com deficiência auditiva não percebe. Então, estamos a pedir que abram espaço para que as pessoas tenham a oportunidade de aprender a língua de sinais e produzam materiais para as pessoas surdas”.

Governo reconhece os desafios

A chefe da Repartição da Pessoa Idosa, Benvinda Maulana, em representação da diretora Provincial de Género, Criança e Ação Social (DPGCAS) em Nampula, Cedinha Mpila, diz ter conhecimento dos desafios enfrentados pelas pessoas surdas no acesso a oportunidades de emprego e ao ensino e aprendizagem nas instituições públicas e privadas.

A responsável garante, contudo, que estão em curso acções de combate a esses problemas, através do reforço de políticas e programas que assegurem a promoção e a proteção dos direitos das pessoas com deficiência, como forma de responder às suas necessidades no seio das comunidades.

Igualmente, acrescentou que a DPGCAS, em Nampula, pretende levar a cabo uma capacitação de curta duração destinada aos profissionais dos sectores da Saúde, Educação e da Polícia da República de Moçambique (PRM), entre os meses de outubro e novembro do corrente ano.

A formação abrangerá, numa primeira fase, apenas o distrito de Nampula, por ter, alegadamente, sectores onde se verifica com maior frequência a existência de barreiras para as pessoas surdas que necessitam daqueles serviços. Contudo, a responsável não avançou dados numéricos sobre as denúncias recebidas.

Aquela representante acrescentou que, na segunda fase, prevista para o próximo ano, a iniciativa poderá abranger cerca de cinco distritos: Nacala-Porto, Murrupula, Meconta, Mogovolas e Nacarôa.

Acrescentou ainda que, no mês de julho do presente ano, foi possível capacitar um total de 30 pessoas com deficiência auditiva em matérias de inclusão e língua de sinais.

Benvinda Maulana, embora desconheça os dados relativos às denúncias de pessoas surdas sobre a falta de acesso aos serviços nas instituições públicas e privadas, acrescentou que “os direitos da pessoa surda não devem ser apenas vistos na perspetiva da capacidade de ouvir, mas também da eliminação das barreiras que impedem a participação e a inclusão dessas pessoas, nomeadamente a falta de respeito pelas suas necessidades, a falta de informação e a ausência de intérpretes, incluindo a falta de materiais acessíveis e de conhecimento sobre a língua de sinais”.

Aquela representante assegurou igualmente que “uma sociedade inclusiva precisa de escolas onde crianças e jovens surdos possam aprender em condições adequadas e com comunicação acessível. Estamos a pensar em capacitar os profissionais de saúde, educação e da polícia em matérias de língua de sinais. Ainda não temos o número exato, mas depois vamos alargar para outras instituições onde este grupo-alvo procura os seus serviços”.

Na ocasião, apelou à sociedade para que apoie as crianças e os jovens surdos, promovendo o respeito, a valorização e a empatia, em condições de igualdade com as pessoas surdas, com vista à criação de ambientes saudáveis e inclusivos.

Instou igualmente aos funcionários públicos e privados para que prestem os seus serviços de forma acessível às pessoas com deficiência. (Virgínia Emília)

″Chapo Chapo″ prepara equipamentos para 154 distritos e prevê envolver 40 mil atletas

Nampula (IKWELI) – O Recreativo Desportivo “Chapo Chapo” prepara o envio de equipamentos desportivos para os 154 distritos de Moçambique, numa iniciativa que deverá abranger cerca de 40 mil atletas e mil árbitros, segundo o coordenador provincial da organização, Joconias Malmembane.

O anúncio foi feito durante o confronto entre as equipas da Vila Municipal da Ilha de Moçambique e do distrito de Mossuril, realizado no último fim-de-semana, no âmbito das celebrações dos 208 anos da Ilha de Moçambique, tendo a partida terminado com vitória da equipa anfitriã por 2-0.

A iniciativa mobilizou populares das duas regiões, com a chegada da caravana à Ilha de Moçambique a provocar a concentração de adeptos e amantes do desporto, num ambiente que, para além da competição, serviu para promover talentos e fortalecer a convivência entre as comunidades.

Joconias Malmembane explicou que, apesar de a vitória ter ficado com a Ilha de Moçambique, o principal ganho está nos Moçambicanos na mobilização da juventude através do desporto.

“Foi mais um evento que juntou a juventude, foi segundo jogo a se cruzar essa duas equipas e quis o destino que a Ilha de Moçambique pudesse ganhar é um presente para pela celebração do aniversário da própria Ilha. Próximos passos que nós podemos aqui anunciar é que já temos equipamentos para os 154 distritos, estamos a falar perto de 40 mil atletas e por aí mil árbitros o que nós estamos a fazer neste momento é organizar os próximos passos vai ser o reenvio desses equipamentos para esses distritos, criar condições para Recreativo de desporto Chapo Chapo arranque sem sobressaltos”.

Por sua vez, a administradora da Ilha de Moçambique, Josina Taipo, considerou a vitória resultado do potencial desportivo existente no distrito e garantiu apoio à iniciativa, destacando a participação de jovens no desporto desde a tenra idade.

“Na Ilha de Moçambique temos muitos jovens a praticar o desporto desde a tenra idade então não foi nenhuma surpresa e também acolhemos bem recreativo ″Chapo Chapo″ e vamos a poiar, conforme eu disse a Ilha de Moçambique é um distrito desportivo em todos bairros e locais isto invectiva daí que estamos preparados, estamos de parabéns estão de parabéns os jogadores da Ilha de Moçambique”.

O presidente do Município da Ilha de Moçambique, Momade Amisse Ali, destacou igualmente a importância da iniciativa na ocupação saudável dos jovens e no combate a problemas sociais. “Agradecemos bastante o presente o presente do presidente Chapo que decidiu nos dar hoje, felizmente conseguimos ganhar o jogo e queríamos agradecer ao presidente Chapo mais uma vez, porque este movimento desportivo para os nossos jovens é muito importante, nós nos deparamos com questões de consumo drogas com questões de violência estão para nós é importante que jovens estejam ocupados com actividades mais saudável e sustentável”.

Os jogadores que participaram na partida também louvaram a iniciativa, considerando que a promoção do desporto contribui para ocupar a juventude e criar alternativas às práticas consideradas nocivas, incluindo o consumo de álcool e a famosa Makha. (Malito João)

Nampula de olhos postos ao campeonato nacional do ciclismo 

Nampula (IKWELI) – Decorreu entre sábado e domingo (19 e 20) na cidade de Nampula, o campeonato provincial do ciclismo com o intuito de selecionar e apurar os atletas que vão representar a capital do Norte na fase nacional marcada para 24 a 27 do corrente mês na província de Manica, no centro de Moçambique.

Trata-se de 12 (doze) ciclistas dos distritos de Rapale e Nampula que participaram no sábado a prova da pista no percurso de 30 (trinta) quilómetros, de Marrere a Lourenço e no domingo aconteceu a prova de relógio no mesmo troço da primeira competição, onde os organizadores consideram satisfatória a prestação.

“Nós fizemos este campeonato provincial que é para seleccionar os ciclistas que vão representar a nossa província em Manica, pois assim podemos fazer um apuramento forte visto que alguns do distrito de Rapale ganharam. Estamos numa pré-selecção, haverá outra fase onde entre os vencedores, pudermos seleccionar aqueles que vão dignificar a nossa província,” disse Franganito Uissitomo, presidente da associação do ciclismo em Nampula.

Uissitomo considera desafiadora a prova que vai decorre em Manica, pois a província de Nampula está na fase piloto na modalidade e que outras províncias têm ciclistas de grande relevância que correm na á Africa de Sul, Malawi, no entanto com muita experiência em relação a circunscrição geográfica que dirige.

Apesar de prever as dificuldades que podem ser enfrentados de acordo com o nosso entrevistado, “há espectativas de ocupar algum espaço, e a participação vai permitir ganhar experiência quando se trata do ciclismo,” sublinhou.

O presidente, apelou a sociedade de Nampula para que abrace a modalidade, pois é nova em termos de competitividade, dai que é preciso dar mão pois um dia pode levar Nampula ao mundial e que consequentemente elevação da província. (Francisco Mário)

“Padrões estéticos e inteligência artificial desafiam artistas literários”, entende escritor Guimarães

Nampula (IKWELI) – O escritor, artista plástico e fotógrafo, AC Guimarães, entende que alguns padrões estéticos, fruto da herança colonial e o mau uso da inteligência artificial são alguns desafios que os artistas enfrentam na actualidade, daí que levanta a necessidade de rever algumas leis moçambicanas para coadunar com a realidade.

Guimarães falava a escritores no sábado (18), na cidade de Nampula, num debate sob tema: “Os desafios da expressão artística literária hoje,” tendo destacado que a transformação é um processo, e não existe idade suficiente de um escritor deixar de trazer ideias para a sociedade, apesar de a produtividade do seu pensamento não ser o mesmo enquanto jovem, e considera sem fundamento ideias de pensar que alguém está fora dos padrões socias.

“Muitas vezes temos que mentir quando vamos tratar Bilhete de Identidade, pois não aceitam as pessoas que tem a sua própria expressão natural. Para puder tirar a foto, deve inventar que sou artista, ir na casa de cultura pedir documento que diga que este senhor é um artista, ou seja, um documento que prove que eu sou eu, só assim é possível fazer a foto com dreads e cabelos longos para os homens, por exemplo, e isso é uma descriminação incrível porque há pessoas que vão com perucas e fazem a foto. Eu que tenho o que é meu, natural, tenho que ter comprovante,” disse.

No entender do escritor, a sociedade vê o falso e considera original e original falso, e é preciso de comprovativo para a sua originalidade. “Trago esta reflexões quando faço os meus textos porque eu percebo que a lei deve trazer novas abordagens, isso não há dúvidas. Arte sempre deve trazer mudanças na sociedade,” sublinhou.

“Continuamos com as ideias do colonialismo em que nós poderíamos ir à escola cortando o cabelo, como forma de ficar asseado, mas as crianças dos brancos eram aceites com o cabelo longo, portanto, estamos com visões colonialistas aplicandas entre nós e achamos que é normal, da mesma forma, que uma criança chama outra de preto.  Como é que você continua a falar do mesmo assunto que já vivemos no passado? Conseguimos perceber que não conseguimos ultrapassar,” rebateu.

O outro especto que a fonte destacou, é relacionado ao acesso a informação, pois “estamos num espaço de acesso a informação, onde eu posso escolher o livro que bem entender onde em algum momento pode colocar em causa os ganhos do escritor. Hoje não espero muito tempo, faço pesquisa na Internet, vou procurar os autores que são mais lidos daquilo que eu estou à procura. Temos facilidade e informação auxiliar daquilo que estou a escrever,” disse.

Para Guimarães, não há dúvidas que a inteligência artificial vem ajudar a quem sabe porque tem algumas coisas que ainda não são coerentes pois ao longo do tempo é possível aperfeiçoar e anotou que todo mundo quer ganhar, e a inteligência artificial vem como uma possibilidade fácil de fazer o livro.

Todavia, “não acho bom um escritor deixar produzir o seu livro com o seu próprio esforço e confiar a inteligência artificial.  Penso que no futuro, para quem tem um olho treinado vai puder perceber que este livro foi feito com a inteligência artificial ou não,” frisou. (Francisco Mário)

Governo acelera transformação digital para reduzir contacto presencial

Maputo (IKWELI) – O Governo moçambicano reafirma o compromisso de acelerar a transformação digital da Administração Pública, com foco na consolidação do Portal do Cidadão, na implementação do Portal de Pagamentos de Serviços do Estado, na interoperabilidade dos sistemas, na CloudGov e no Centro de Dados do Governo.

A informação foi avançada esta segunda-feira (21), em Maputo, pelo ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, durante a segunda sessão da Comissão Técnica Multissectorial de Transformação Digital e Inovação, que debate o plano operacional para a digitalização dos serviços públicos na cidade de Maputo.

Segundo Impissa, o plano operacional em discussão pretende criar uma abordagem coordenada para a transformação digital do Estado, evitando que ministérios, institutos públicos e outras entidades desenvolvam plataformas e soluções tecnológicas de forma isolada.

“Não gostaríamos de, nos próximos tempos, por exemplo, ter ministérios, institutos públicos, direcções e todas as outras entidades que representam o Governo e o Estado, de repente, a conceberem plataformas e produtos informáticos fora do radar que nós queremos criar.”

De acordo com o ministro da Administração Estatal e Função Pública, o Estado deve ter uma característica própria, atribuída pelo Governo e assessorada tecnicamente pela Agência de Transformação Digital e Inovação do Sistema Público.

Entre as principais prioridades está a consolidação do Portal do Cidadão, que deverá permitir aos cidadãos aceder aos serviços públicos a partir de qualquer parte do mundo, solicitar serviços e obter respostas sem a necessidade de deslocações frequentes às instituições públicas.

A plataforma deverá igualmente facilitar o acesso aos serviços por parte de cidadãos, comerciantes, empresas e outras entidades, reduzindo as barreiras físicas no relacionamento com a Administração Pública.

Outra medida prevista é a implementação do Portal de Pagamentos de Serviços do Estado, que deverá permitir a realização de pagamentos através de meios digitais. A iniciativa é apresentada também como uma forma de reduzir o contacto directo entre cidadãos e instituições públicas e reforçar a rastreabilidade dos processos administrativos.

“Com a implementação do Portal de Pagamentos de Serviços do Estado, não só o serviço, mas também o pagamento, pretendemos que exista menos contacto entre o cidadão e as instituições públicas, para também limitar as oportunidades de corrupção que não são rastreadas.”

No domínio da integração dos sistemas, está previsto o lançamento do Portal de Interoperabilidade, concebido como uma ferramenta que permitirá a conexão entre os diferentes sistemas implementados nas instituições do Estado e a interconectividade com o Portal do Cidadão e o Portal de Pagamentos, com vista a facilitar a interacção com o público.

A agenda inclui ainda a implementação da CloudGov e do Centro de Dados do Governo. A iniciativa prevê maior eficiência no armazenamento e na gestão de dados, através de uma plataforma integrada para o acesso à informação das diferentes instituições públicas.

“Não há-de haver dados do Ministério A, do Ministério B, do sector K ou do sector Y. Têm de ser sectores ou dados pertencentes ao Estado. E este elemento, em particular, vai permitir que o Estado tenha soberania sobre os dados.”

Já o PCA da Agência de Transformação Digital e Inovação, Adilson Gomes, afirmou que o Portal do Cidadão é um dos produtos mais importantes da transformação digital em Moçambique e constitui a porta de entrada, sobretudo para os cidadãos que vivem nas zonas rurais, aos serviços do Estado.

Segundo explicou, o portal encontra-se actualmente em fase-piloto e já disponibiliza cerca de 26 serviços, contando com mais de três mil cidadãos que já acederam à plataforma.

Apesar de o lançamento oficial do Portal do Cidadão estar previsto para uma fase posterior, os cidadãos já podem utilizar os serviços disponíveis. A plataforma deverá continuar a receber novos serviços à medida que as instituições públicas desenvolvam capacidade para a sua integração. (Antónia Mazive)

Em seis meses: Tribunal Superior de Recurso regista 300 processos judiciais

Nampula (IKWELI) – O Tribunal Superior de Recurso na província de Nampula registou a entrada de 300 processos judiciais, dos quais 140 tiveram desfecho durante o primeiro semestre do ano em curso. Os processos estão relacionados com as áreas cível, criminal e laboral.

A informação foi revelada nesta segunda-feira (21), durante a segunda edição da iniciativa “Portas Abertas”, que visa aproximar a administração da justiça à comunidade e garantir a mediação judicial.

De acordo com o juiz-presidente do Tribunal Superior de Recurso na província de Nampula, Pascoal Francisco, em 2026 transitam ainda 980 processos, enquanto 823 processos transitam de 2025.

“O movimento processual, em termos percentuais, é de 19,5% dos processos entrados e 23% dos processos findos. Neste semestre, findámos poucos processos, devido à alegada morosidade. Temos um colega em estado crítico de saúde e, neste momento, já foi criada a quarta secção para aliviar a carga processual, o que vai contribuir sobremaneira para reduzir esta morosidade”, explicou.

O juiz principal do Tribunal Superior de Recurso em Nampula afirmou que parte dos processos registados é proveniente dos tribunais judiciais das províncias de Nampula, Cabo Delgado, Zambézia e Niassa.

“As províncias de Nampula e Zambézia são as que mais recorrem ao Tribunal Superior de Recurso, e a secção criminal é a que possui mais processos. Daí que as portas estejam sempre abertas para responder aos desafios”, afirmou.

A fonte explicou ainda que a actividade de “Portas Abertas” tem a duração de quatro dias, de 21 a 24 de setembro com objectivo de aproximar as actividades à população “Queremos aproximar as comunidades e os estudantes universitários. Estamos disponíveis para transmitir conhecimentos sobre o funcionamento do Tribunal Superior de Recurso e queremos apelar à população em geral para expor as suas preocupações, em busca de soluções”, acrescentou. (Nelsa Momade)

Giquira acusa vendedores do 25 de Junho de poluírem o meio ambiente

Nampula (IKWELI) – O autarca da cidade de Nampula, província de Nampula, Luís Giquira, diz estar preocupado com a má gestão de resíduos sólidos no mercado 25 de Junho, vulgo Matadouro, onde acusa os próprios vendedores, sobretudo os informais, de estarem a poluir o meio ambiente naquele centro de comercialização.

As acusações foram feitas na tarde de sábado (19), durante as comemorações do Dia Internacional da Limpeza, que contaram com a participação de líderes religiosos e comunitários, associações de defesa do meio ambiente, além de munícipes voluntários.

Luís Giquira, em entrevista, condenou mau uso dos mercados enquanto o Conselho Municipal está empenhado na organização “O município, neste momento, não está a ganhar nada com os mercados. As pessoas usam o mercado de forma injusta, produzem resíduos sólidos, não limpam, fazem todo tipo de negócio, mas nós não estamos a ter nenhum benefício como município. O que nós queremos é organizar, apesar de não estarmos a ganhar, para, nos próximos tempos, termos um mercado de referência. Ninguém está a apropriar-se do espaço de ninguém e garantimos que, antes do Natal deste ano, vamos ter o mercado.”

Na entrevista ao Ikweli Giquirito garantiu concluir o mercado 25 de Junho “Contra várias correntes na nossa cidade, o que nós estamos a fazer no mercado 25 de Junho é melhorar as condições do mercado de referência. Queremos que os nossos vendedores informais tenham acesso a casas de banho e água potável, mas isso só é possível se conseguirmos construir o mercado 25 de Junho, para acomodar a maioria dos nossos vendedores informais, para exercerem o comércio formal.”

Por outro lado, o chefe do mercado 25 de Junho, vulgo Matadouro, Augusto Mulimiha, denunciou que os vendedores continuam ao relento, o que concorrem para um fraco sistema de higiene e saneamento do meio. “Os vendedores que estão ao relento continuam a pagar receitas diárias, para poderem organizar as novas bancas.”

Os vendedores dizem ter sido lesados com a demolição das suas bancas pelo município, por isso pressionam o município a o honrar o seu compromisso.

De acordo com o responsável do mercado 25 de Junho, vulgo Matadouro, o local conta atualmente com pelo menos 800 vendedores, entre mulheres e homens. Destes, 500 encontram-se ao relento a exercer as suas atividades comerciais. Há ainda 100 bancas demolidas, 208 não demolidas e 300 vendedores acomodados nos alpendres. (Virgínia Emília)