
Nampula (IKWELI) – O escritor, artista plástico e fotógrafo, AC Guimarães, entende que alguns padrões estéticos, fruto da herança colonial e o mau uso da inteligência artificial são alguns desafios que os artistas enfrentam na actualidade, daí que levanta a necessidade de rever algumas leis moçambicanas para coadunar com a realidade.
Guimarães falava a escritores no sábado (18), na cidade de Nampula, num debate sob tema: “Os desafios da expressão artística literária hoje,” tendo destacado que a transformação é um processo, e não existe idade suficiente de um escritor deixar de trazer ideias para a sociedade, apesar de a produtividade do seu pensamento não ser o mesmo enquanto jovem, e considera sem fundamento ideias de pensar que alguém está fora dos padrões socias.
“Muitas vezes temos que mentir quando vamos tratar Bilhete de Identidade, pois não aceitam as pessoas que tem a sua própria expressão natural. Para puder tirar a foto, deve inventar que sou artista, ir na casa de cultura pedir documento que diga que este senhor é um artista, ou seja, um documento que prove que eu sou eu, só assim é possível fazer a foto com dreads e cabelos longos para os homens, por exemplo, e isso é uma descriminação incrível porque há pessoas que vão com perucas e fazem a foto. Eu que tenho o que é meu, natural, tenho que ter comprovante,” disse.
No entender do escritor, a sociedade vê o falso e considera original e original falso, e é preciso de comprovativo para a sua originalidade. “Trago esta reflexões quando faço os meus textos porque eu percebo que a lei deve trazer novas abordagens, isso não há dúvidas. Arte sempre deve trazer mudanças na sociedade,” sublinhou.
“Continuamos com as ideias do colonialismo em que nós poderíamos ir à escola cortando o cabelo, como forma de ficar asseado, mas as crianças dos brancos eram aceites com o cabelo longo, portanto, estamos com visões colonialistas aplicandas entre nós e achamos que é normal, da mesma forma, que uma criança chama outra de preto. Como é que você continua a falar do mesmo assunto que já vivemos no passado? Conseguimos perceber que não conseguimos ultrapassar,” rebateu.
O outro especto que a fonte destacou, é relacionado ao acesso a informação, pois “estamos num espaço de acesso a informação, onde eu posso escolher o livro que bem entender onde em algum momento pode colocar em causa os ganhos do escritor. Hoje não espero muito tempo, faço pesquisa na Internet, vou procurar os autores que são mais lidos daquilo que eu estou à procura. Temos facilidade e informação auxiliar daquilo que estou a escrever,” disse.
Para Guimarães, não há dúvidas que a inteligência artificial vem ajudar a quem sabe porque tem algumas coisas que ainda não são coerentes pois ao longo do tempo é possível aperfeiçoar e anotou que todo mundo quer ganhar, e a inteligência artificial vem como uma possibilidade fácil de fazer o livro.
Todavia, “não acho bom um escritor deixar produzir o seu livro com o seu próprio esforço e confiar a inteligência artificial. Penso que no futuro, para quem tem um olho treinado vai puder perceber que este livro foi feito com a inteligência artificial ou não,” frisou. (Francisco Mário)






