Gondola “quer” levar ZAC Construções a barra da justiça por causa da estrada de Marrere

Nampula (IKWELI) – O Secretário de Estado na província de Nampula, Mety Gondola, dedicou as primeiras horas desta quinta-feira, 3 de Março, a visitar infra-estruturas afectadas pela depressão tropical ANA ao nível do distrito de Nampula, e na área municipal o dirigente visitou a estrada que liga a EN1 ao Hospital Geral do Marrere.

Nesta visita, Gondola se fez acompanhar por Paulo Vahanle, autarca da cidade de Nampula, eleito pelo partido Renamo, e durante esta actividade o dirigente referiu-se, reiteradamente, a intensão de levar o empreiteiro da obra, ZAC Construções para a barra da justiça por incumprimento do que lhe foi atribuído e pago.

Durante o ano 2021, o Conselho Autárquico de Nampula adjudicou duas obras a ZAC Construções, nomeadamente 1.200 metros da parte da estrada que liga a EN1 e o Hospital Geral do Marrere e a segunda faixa da avenida Eduardo Mondlane. Por sucessivos incumprimentos das metas, a execução das obras da segunda faixa da Eduardo foi retirada a ZAC Construções, tendo ficado com a outra obra. Sucede que na obra do Marrere a execução não foi das melhores, e logo com as primeiras chuvas tudo se destapou e o trânsito ficou interrompido, novamente.

Sensibilizado, Gondola foi ao local acompanhado por técnicos da Administração Nacional de Estrada (ANE) e dos Serviços Provinciais de Infra-Estruturas.

Inicialmente, com “cara de pouco amigos”, o Secretário de Estado na província de Nampula deixou claro que não gostou o facto de o Engenheiro Gil de Carvalho, director dos Serviços Provinciais de Infra-Estruturas ter chegado atrasado ao local.

“Gil vocês estão aí a mais a conversar, esse assunto é mais vosso”, disse primeiramente Gondola, para depois apontar que “não podem fazer isso, nem. Mas o problema não é esse. Porque é que veio sem motorista. Você sabe que essa actividade é sua”.

Posto isso, Mety Gondola se reergueu e dirigiu-se a edilidade. O jovem vereador Yazido Muhidine foi a figura que, prontamente, respondeu as perguntas do Secretário de Estado, e mais tarde interveio Paulo Vahanle e o disponível presidente da Assembleia Autárquica, Tertuliano Juma, com ar de quem sabe da ciência.

O que é que está a acontecer?

Esta foi a pergunta de partida feita pelo Mety Gondola, ao que Muhidine responde que “nós temos a via interrompida faz tempo, que é por causa da movimentação dos solos. A base toda, a partir deste ponto (próximo a ponte) até 80 metros que era a área…”.

Antes mesmo de terminar esta explicação, Gondola interrompeu e perguntou: “80 metros faz ali onde tem a ponte?”, e Yazido Muhidine respondeu que “não” e explicou que “a movimentação dos solos foi mesmo antes da ponte, até onde está a ponte foi feito corte por causa da drenagem subterrânea que pretende se fazer até mesmo ao longo da ponte, mas a movimentação aconteceu nesse troço de 80 metros que é por causa do lençol e as duas nascentes que existem foram criando a desestabilização da base e da sub-base”.

O vereador Muhidine assume que “existiu um processo de tratamento desta área do lençol freático que, totalmente, falhou. Nós pagamos um valor que era para o tratamento que era suposto que tivesse sido feito nessa área”.

“O empreiteiro depois comunicou-nos que é necessário fazer esse tratamento, a risco de termos esse problema”, disse a fonte, respondendo ao Gondola que “foi o empreiteiro e o fiscal”, e que “fizeram-nos uma nota que era para nós fazermos um pagamento adicional que era para fazer o tratamento desta zona crítica. Então, passando tempo, tendo sido feito o tratamento que não resultou, tivemos a primeira semana e a segunda semana de uso que depois da época chuvosa começou a fazer isso”.

Feito a um bom samaritano, Mety Gondola foi fazendo as suas questões, e as responsabilidades recaiam sobre o empreiteiro, e de vez em quando ao fiscal, mas o delegado da Administração Nacional de Estradas (ANE), em Nampula, Celsi Mabjaia, tinha tendência de defender este último interveniente.

Proposta de solução?

Mais adiante, Mety Gondola perguntou se já havia uma proposta de solução, e Yazido Muhidine respondeu que “a prior eles trouxeram uma proposta de solução que no primeiro período era interromper a via, voltar a fazer o corte geral desses 80 metros, remover todo o material que já está danificado. Tirar e colocar um dreno subterrâneo ao longo da faixa, no ponto da nascente até ao rio. Voltar a fazer uma nova base, e já nesta fase com um material diferente por causa da área que é instável”.

“O lençol vai continuar, mas temos o dreno para poder tirar a água e vamos reforçar a sub-base e a base”, explicou Muhidine.

Virando-se ao pessoal da ANE, Gondola perguntou se tinham percebido a questão, ao que prontamente lhe foi confirmado que sim.

O que diz o Mabjaia?

“As soluções que aqui foram apresentadas pelo colega fazem algum sentido. Baixar o nível freático e depois fazer a remoção daquela base que foi danificada. Eu penso que, da informação, a base estava cheia de argila e com a presença das águas ela fragiliza automaticamente”, disse, intervindo, Celsi Mabjaia, comentado de seguida que “as soluções que avançou não sei se é só o cimento ou se há outro tipo de solução aqui a colocar”, e Yazido respondeu que será uma intervenção torvenal.

Mabjaia sugeriu, também, uma drenagem obliqua a via para a recolha das águas, porque se tem no local duas nascentes.

No seu cantinho, sem expressão e nem identificação, o responsável da obra garantiu que há uma drenagem obliqua no local.

E os papeis?

Outro dado que precisou de tempo para discussão, foi em torno da existência de um projecto já feito e pronto com o actual figurino. Inicialmente, Yazido deixou transparecer que o mesmo existe, mas as perguntas de Mety Gondola destaparam a ideia de que nada existe, senão palavras.

Foi nessa discussão que Tertuliano Juma, presidente da Assembleia Municipal, não se conteve e interveio. “A drenagem foi garantida através de um rebaixamento”.

Não havendo nada em concreto para esta fase, Mety Gondola insistiu na necessidade da existência de um projecto em concreto, o que pode permitir, futuramente, a exigência de contas.

Para esta fase, o Secretário de Estado na província de Nampula quer que, antes de qualquer aplicação, o material seja testado em laboratório, tanto que disponibilizou técnicos da ANE e dos Serviços Provinciais de Infra-Estruturas para colaborar com a edilidade.

Vahanle, nesta fase da visita, interveio, mas continuando a chorar pelo dinheiro que a edilidade investiu na obra, por isso, tecnicamente, Tertuliano Juma teve de socorre-lo. “Penso que a fragilidade, não podemos esconder, é que não houve estudo de geotecnia. Podiam ter sido detectadas todas as profundidas das coisas críticas”, disse o presidente da Assembleia Autárquica.

Gondola perguntou se os estudos de geotecnia não estavam previstos no caderno de encargos, e foi lhe dito por Yazido Muhidine que tais aspectos constavam dos Termos de Referência, ao que se esperava que estivesse reflectido no caderno de encargos.

“Eles disseram que tinham feito o estudo”, acrescentou Vahanle, e o Gondola sublinhou: “enquanto não fizeram”, e o autarca prosseguiu que eles disseram que “já tinham feito o projecto, por isso que orçaram naquela primeira linha aqueles 29 milhões”.

É aqui onde começa a se falar de dinheiros que Gondola chama a presença do empreiteiro, e para a sua surpresa nem este, nem se quer o fiscal, estava presente, notando-se um pessoal júnior da instituição executora, constituída por um senhor de meia idade (encarregado da obra) acompanhado por uma meia dezena de jovens. Isto não agradou aos dirigentes, e para Vahanle a ZAC Construções está a fugir.

“O que estamos a constatar é que os Termos de Referência previam que se fizesse o estudo geotécnico. O que aconteceu é que aquele que ganhou se comprometeu a fazer os estudos. Eles disseram fizeram o estudo enquanto não fizeram”, resumiu Gondola, para depois virar aos representantes da ZAC no local e perguntar: “vocês já tinham feito o estudo? É o empreiteiro?”, ao que foi respondido que “não”, e o Mety prosseguiu que “o que está claro é que não foi feito o estudo”.

E do fundo Vahanle surgiu dizendo que “por isso estamos a reivindicar o nosso dinheiro, porque há uma parte que nos cobraram sem que tenham feito o trabalho”, e o Gondola encaixou que “se não fizeram o estudo significa que vocês agiram de má-fé. Os Termos de Referência eram claros e vocês não quiseram seguir. Se tivessem feito o estudo não teríamos esses problemas”.

Aqui Gondola distribuiu a culpa pela aldeia, e disse que logo no início a edilidade devia ter exigido estes documentos, por isso que “estamos combinados que a partir de agora, todos as obras, no início, voltamos a solicitar relatórios para não ser enganados mais uma vez desta forma”.

Igualmente, solicitou-se a presença do fiscal, mas em vão. O mesmo não se encontrava no local, e Vahanle disse ser comportamento deles “fugir” visitas, mas Celsi Mabjaia acabou por defende-lo afirmando que “o fiscal disse que o material tem muita argila. Tem relatórios, há informação”, mas o autarca rebateu e disse que “talvez a ANE tem mais informação”.

Nessa procura pelos responsáveis da ZAC Construções e do fiscal, Vahanle soltou-se e apontou: “excelência, para melhor explicação desses factos, não devem ser estes, não estou a menosprezar a eles. Não são pessoas indicadas para esclarecer, deviam ser os donos”, e Gondola se sobrepôs dizendo que “mas sabiam que nós estamos a vir, o que nós queremos são as pessoas certas para poderem responder”, e de novo, dos fundos, ouviu-se Vahanle a dizer que “sumiram. Sumiram excelência”.

“Vocês não estão aqui, esse assunto nós vamos levar a Procuradoria. Não pensaram que vai acabar assim como está. Não é um exercício de como se estivemos a sair de casa e fazer um passeio. Há responsabilidade em relação a isso”, avisou Gondola, visivelmente, desgastado.

As curiosidades da missão

Durante a visita muitos episódios mereceram a atenção, e foram dignos de registo. E o primeiro, por sinal o mais caricato, é o modelo de trabalho dos homens armados que garantem a segurança do Secretário de Estado na província de Nampula.

Ainda que a via esteja interrompida, transeuntes e operadores de táxi de mota ainda podem circular na via, mas a presença de Mety Gondola foi um autêntico martírio para as pessoas que tentavam ir aos seus afazeres e ganhar a vida.

Armados com armas de fogo do tipo AK47, os seguranças iam intimidando a população, incluindo houve uns empurrões para os cidadãos mais renitentes que procuravam passar dirigente os seus motociclos.

Enquanto isso, do outro lado, desentendia-se o director de Comunicação e Imagem da edilidade, Nelson Carvalho, e o comandante da escolta do Secretário de Estado. Carvalho queria instruir ao seu presidente sobre o que dizer a imprensa, mas o comandante da escolta queria, imediatamente, o Vahanle ao lado de Gondola enquanto este falava a imprensa. Como resultado, Paulo Vahanle zangou-se e nem uma palavra disse a mídia. (Aunício da Silva *Fotos: Hermínio Raja)

Vahanle “chora” pelo dinheiro que investiu na estrada de Marrere

Nampula (IKWELI) – A execução de qualidade, e consequente produto desejado, era um dos maiores trunfos com que o autarca de Nampula, Paulo Vahanle, e o seu partido Renamo contavam com o término das obras de construção dos 1200 metros da estrada que liga a EN1 e o Hospital Geral de Marrere, mas a realidade mostrou cenário indesejado.

Com pompas e circunstância, Vahanle inaugurou a estradas, mas o teste veio com as primeiras chuvas. O mínimo de alcatrão que tinha sido colocado foi arrastado pelas águas das chuvas, e como se não bastasse, a transitabilidade ficou interrompida.

Para executar aquela obra edilidade dispunha de 28.994.771,80 (vinte e oito milhões, novecentos e noventa e quatro mil, setecentos e setenta e um meticais e oitenta centavos), e o foi a ZAC Construções que venceu o concurso público para aquela obra histórica. Mais adiante, o empreiteiro e o fiscal da obra concluíram que o valor inicial não era suficiente para cobrir, e com efeito o dono da obra teve de injectar mais 11.507.656,85 (onze milhões, quinhentos e sete mil, seiscentos e cinquenta e seis meticais e oitenta e cinco centavos), totalizando 40.502.428,65 (quarenta milhões, quinhentos e dois mil e quatrocentos e vinte e oito meticais e sessenta e cinco centavos).

A má qualidade da obra virou conversa de esquinas, café, bares e chapa-100 na cidade de Nampula, e um pouco por todo o país, o que fez com que pressão arterial do autarca do maior centro urbano do norte de Moçambique explodisse.

Diante desta situação, Paulo Vahanle viu-se obrigado a tomar alguma providencia. Convocou o empreiteiro, o fiscal, membros do seu elenco, da Assembleia Municipal e jornalistas para ao vivo enxovalhar os que tinham a responsabilidade de garantir a execução de uma obra com qualidade desejada.

“Meus senhores, nós inauguramos a estrada de Marrere no dia 04 de Janeiro. Havia muita inquietação sobre a qualidade da via e eu respondia que nós contratamos uma empresa que exibiu documentos e fazia-nos entender que era empresa ideal para construção. Aliás, era uma empresa de elaboração de projecto e seguido da construção da mesma estrada. Caso haja alguma irregularidade nós vamos responsabilizar, porque ainda estamos no período de garantia”, recordou o edil as suas palavras aquando da inauguração da estrada.

É dentro deste prazo de garantia que as águas das chuvas arrastaram tudo, e é, também, na mesma situação que ainda Vahanle tem por pagar a ZAC Construções o total de 8.000.000,00 (oito milhões de meticais).

Na reunião da última terça-feira (15), Vahanle disse que a mesma serviu para se explicar o por quê da estrada estar nas condições em que está, actualmente, depois da inauguração, enquanto ao fiscal da obra deve esclarecimentos da garantia por este dada ao município de que a infra-estrutura estava em condições.

Até porque o edil Vahanle vazou a informação segundo a qual, a empresa ZAC Construções usou 150 tambores do asfalto do município, uma vez que a firma disse que não tinha o material.

Recorde-se que este produto faz parte do lote de que o Ikweli escreveu, no passado (Edição 467 e 477), que o mesmo encontrava-se fora do prazo.

E agora….?

Chamados a responder as inquietações colocadas com um tom ameaçador, o fiscal Agostinho Euadera deu a conhecer que o parecer técnico indicava que o empreiteiro devia fazer a revisão topográfica, projecto de estrutura da ponte, o que culminou com o redimensionamento para garantir a estabilidade da mesma e a revisão da componente geotécnica, este último factor que propiciou a degradação da estrada.

Para o fiscal, o estudo geotécnico é o elemento principal que fez com que a estrada não durasse. Ademais, “através de um estudo conseguimos identificar uma zona estável no quilómetro 540, onde existiam um lençol freático muito elevado comparativamente aos outros pontos da via”. Além disso, “nesta situação elaboramos um parecer técnico ao dono da obra para que pudesse nos apoiar no melhoramento e este respondeu positivamente, tanto é que o departamento de construção do município dirigiu-se ao local e verificou de forma conjunta e de facto, o dono da obra aprovou o processo de estabilização daquela zona”.

No entanto, “o empreiteiro executou a estabilização. Infelizmente tivemos duas situações inesperadas que é, primeiro, quando foi feito o processo de estabilização era na época seca”, explicou o fiscal quando foi interrompido pelo presidente Vahanle exigindo a explicação clara sobre o que falhou para a má qualidade da obra, tendo o fiscal respondido que “o que falhou foi o estudo geotécnico. O estudo geotécnico foi o factor em causa, porque o projecto sem este estudo ficou difícil de avaliar quais eram as condições hidrológicas do mesmo. Quando apareceram as fissuras tivemos que fazer uma inspecção novamente o que nos levou a constatar que naquela zona tem três nascentes de água”.

Aliado ao fiscal da obra, o técnico de terraplanagem da obra, Bernardo Francisco, em representação do director técnico da estrada de Marrere e o director executivo da ZAC Construções, respectivamente, justificou-se nos mesmos moldes, o que não agradou ao Vahanle e o seu executivo que esperavam a presença de quem de direito da empresa que ganhou o concurso para a construção da estrada. (Esmeraldo Boquisse)

Estrada do Marrere: desgastado, Vahanle exige esclarecimento a ZAC Construções

Nampula (IKWELI) – O autarca da Cidade de Nampula, Paulo Vahanle, manterá na tarde desta terça-feira (15) um encontro de esclarecimento junto do empreiteiro da obra da estrada que dá acesso a zona de Marrere, sobre as péssimas qualidades com que a mesma se revela, um mês depois da sua inauguração.

O encontro previsto para as 15 horas desta terça-feira, no salão nobre do Conselho Municipal da Cidade de Nampula, vai contar, também, com a participação do fiscal da obra e estará aberto a jornalistas.

A informação foi partilhada ao Ikweli pelo chefe do gabinete de Paulo Vahanle, Ossufo Ulane. “A questão do fundo será sobre a má qualidade com que a estrada de Marrere apresenta neste momento”, disse a fonte.

Segundo Ulane, a edilidade ficou surpreendida com o estado em que a via Marrere se encontra, uma vez o município ter colaborado nas exigências que o empreiteiro impunha ao longo da sua execução. “Quer-se saber do empreiteiro dos sinais da estrada, porque o município deu responsabilidades ao empreiteiro, inclusive o município pagou a adenda (valor adicional) que a empresa exigia, e esperávamos um trabalho de qualidade. Foi o empreiteiro que fez e executou o projecto e o fiscal terá recomendado para fazer obra de qualidade”.

Outra questão que será colocada a ZAC Construções, empreiteiro da referida obra, é sobre o encerramento da via, aos munícipes, antes de uma comunicação oficial a edilidade. “Quando o município inaugurou a via antes de terminar era mesmo para permitir que a população tive passagem, para reduzir o sofrimento, sobretudo neste tempo chuvoso, mas o que aconteceu é que o empreiteiro fechou, alegadamente, para permitir a realização dos seus trabalhos. Encerrou sem comunicação oficial ao município, e o pior de tudo isso, o empreiteiro não criou condições adequadas para a transitabilidade nas vias alternativas que fez”, acrescentou Ossufo Ulane. (Constantino Henriques)

No dia do seu aniversário: Vahanle inaugura estrada com obras ainda por terminar

Nampula (IKWELI) – O autarca de Nampula, Paulo Vahanle, que celebrou nesta terça-feira (4) o seu aniversário natalício, acabou por se presentear com a inauguração de uma via de acesso ainda em obras.

Trata-se de 1.200 quilómetros da rua que dá acesso ao Hospital Geral de Marrere, cujas obras, em atraso de conclusão significativo, estão avaliadas em 40,500,000.00Mt (quarenta milhões e quinhentos mil meticais) e a execução está a cargo da ZAC Construções, empreitada que viu o seu outro contrato na execução das obras da segunda faixa da avenida Eduardo Mondlane cancelado.

Ainda assim, os utentes não escondem a sua satisfação, por entender que a estrada vai aliviar um sofrimento que prevalece desde o tempo colonial, sendo mais caótica na época chuvosa.

Nesta terça-feira, comentários em conversas de esquina, nos “chapa-100” e nas redes sociais, eram mesmo em torno da inauguração, sendo uns mais críticos e outros nem por isso.

Na ocasião, Vahanle disse que “o empreendimento irá dinamizar a circulação de pessoas e bens aqui na zona de Marrere, na cidade de Nampula. A circulação de viaturas, bens e munícipes destacando ambulâncias que levam doentes para o Hospital Geral de Marrere está a tornar-se cada vez mais melhor com a asfaltagem desta via. Queremos, ainda, garantir que, neste primeiro trimestre de 2022, vamos iniciar a construção da segunda fase da estrada, cujos processos estão bem encaminhados, significa que não nos falta quase nada, senão iniciarmos”.

Igualmente, o autarca não escondeu o seu desagrado com as transferências tardias de verbas por parte do governo central, mas diz que isso não o desmotivará. “Eles guardaram o fundo de investimento todo o ano, apenas trouxeram no mês Novembro, e nós já tínhamos arrancado”. Entretanto, “construir vias de acesso e melhorar serviços básicos que todos os munícipes possam beneficiar é e será, durante a nossa governação, a agenda de trabalho. É tendo em conta a este aspecto que foram construídas vias de acesso em 2021. Enquanto estivermos com vida, mostraremos como vale a nossa governação, promovendo mais projectos de construção das vias de acesso”.

Consta no plano de acção do município de Nampula a reabilitação e construção de outras vias de acesso, como a “Rua Filipe Samuel Magaia, mais conhecida por Rua das Flores, ligando a sede do partido FRELIMO na avenida Eduardo Mondlane, Rua Mártires de Mueda, a estrada que liga bairro de Mutauanha e Muatala, pavimentação da rua do antigo Matadouro municipal até a escola primária de Muatala, estrada da Mucuache, pavimentação da estrada que liga o posto de saúde de Namicopo a escola secundária Marcelino dos Santos. Abertura da estrada cabo Lourenço ligando com a estrada de Angoche, entre outros”.

“Como governo, temos vindo a realizar várias acções visando basicamente estimular o crescimento da nossa cidade, este é o nosso desafio. Hoje testemunhamos, com enorme satisfação, a entrega desta estrada, é o maior sonho tornado realidade, pois nenhum de nós imaginavam, muito menos a FRELIMO, porque para eles era um mostro de sete cabeças”, gabou-se o governante.

“O facto desta estrada de Marrere aglutinar vários beneficiários, responde a visão da nossa governação, a de aproximar cada vez mais às comunidades os serviços que podem reduzir o tempo gasto em transporte de um ponto para outro. Esta estrada concorre para transformar a zona de Marrere em uma zona referencial e um bairro moderno de padrão invejável e apetecível para morar e instalação de vários serviços. Por isso alegra-nos o facto de esta infra-estrutura termos concebido para aliviar o sofrimento dos munícipes, funcionários de várias instituições”, concluiu Paulo Vahanle. (Hermínio Raja e Redação)

Vahanle retira ZAC Construções dos prestadores de serviço da edilidade

Nampula (IKWELI) – As obras da segunda faixa de rodagem da Avenida Eduardo Mondlane, uma das importantes vias de acessos da cidade de Nampula, no norte de Moçambique, está longe de ser concluída, e as autoridades municipais invocam vários erros cometidos pelo empreiteiro da obra como estando na origem do incumprimento acentuado dos prazos.

Os trabalhos para a asfaltagem da segunda faixa de rodagem da avenida Eduardo Mondlane, tiveram seu início em 20 de Abril do ano em curso com término previsto apara o dia 20 de Setembro deste ano, mas volvido este período a obra está longe de ser concluída. Aliás, segundo o que se pode observar no terreno, nem 10% da obra foi executada.

Por essa razão e para tentar dinamizar o rumo dos trabalhos daquela almejada obra, as autoridades municipais decidiram romper a relação contratual com o empreiteiro ZAC Construções, por alegados sucessivos erros cometidos pela empresa contratada.

“Relactivamente a segunda faixa de Eduardo Mondlane, há dois dias eu tive que reunir com o empreiteiro que ganhou as obras, e nós até agora estamos a cumprir com os prazos, mas tivemos que rescindir o contrato com a ZAC Construções em relação a segunda faixa da Avenida a Eduardo Mondlane e, neste momento, estamos a envidar esforços para negociação com o segundo concorrente que é a empresa do Faizal (ECRAM Construções). Portanto, queremos ver se estará em condições de dar continuidade”, fez saber Paulo Vahanle, presidente do Conselho Autárquico de Nampula.

“Provamos que este concorrente (ZAC Construções) havia cometido erros naquilo que eram projeções do contrato, que era o estudo do projecto e de seguida fazer a construção. Ele, portanto, não cumpriu com essas cláusulas, apesar de ter ganho o concurso, então disse encontrar dificuldades por causa do solo freático (por causa de muita água ao longo da faixa)”, continuou o autarca do terceiro mais importante centro urbano de Moçambique.

“Nós não negamos fazer o acréscimo do orçamento, pura e simplesmente porque ele (ZAC Construções) não mostrou a parte que nós acordamos, não fez um trabalho cotado no sentido de merecer esta adenda”, precisou Paulo Vahanle, para quem “por isso achamos que a segunda faixa de Eduardo Mondlane vai falhar alguma coisa”.

A ZAC Construções, refira-se, é o mesmo empreiteiro que ganhou o concurso para a construção da estrada de Marrere, cujas obras, também, estão fora dos prazos acordados. Aliás, em conformidade com Vahanle, o referido empreiteiro não será readmitido para dar continuidade na segunda fase de pavimentação da estrada em causa.

“Em relação a estrada de Marrere ele (ZAC Construções) promete concluir com a obra apesar de ter falhado com os prazos, mas vai cumprir e, por essa razão, nós neste momento já lançamos concurso para se dar continuidade dessa estrada até o Hospital Geral de Marrere, porque, afinal de conta, tínhamos dividido aquela estrada em duas fases, parece que sabíamos, mas valeu a pena. A primeira fase queríamos ver qual seria o empenho do empreiteiro, daí seguiria – se a segunda fase, mas por causa dessas irregularidades que o empreiteiro cometeu, então apenas vai cumprir a primeira fase e a outra fase teremos que adjudicar outras empresas competentes”, rematou Paulo Vahanle. (Constantino Henriques)