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ONU aponta pobreza e falta de serviços como factores que alimentam terrorismo em Moçambique

Nampula (IKWELI) – O Relator Especial das Nações Unidas sobre a promoção e protecção dos direitos humanos no âmbito da luta contra o terrorismo, Ben Saul, alerta que várias condições sociais e económicas existentes no norte de Moçambique continuam a criar um ambiente favorável ao recrutamento e à expansão dos grupos extremistas.

Segundo a declaração por ocasião do encerramento da missão realizada em Moçambique de 4 a 14 de Agosto de 2026, entre as principais condições identificadas estão a pobreza, a insuficiência de serviços básicos e infra-estruturas, as limitadas oportunidades económicas, a percepção de negligência histórica por parte do Estado e a distribuição desigual dos benefícios provenientes da exploração dos recursos naturais.

O documento refere que a corrupção, os conflitos relacionados com a posse da terra, a falta de confiança nas instituições do Estado e as tensões entre comunidades étnicas e religiosas constituem outros factores explorados pelos extremistas. O grupo armado também tem recorrido a raptos, coacção e manipulação para recrutar jovens, oferecendo-lhes, segundo o relatório, sentimento de pertença, estatuto e poder.

“Os extremistas religiosos (incluindo influências estrangeiras) têm recrutado explorando queixas como a pobreza, a insuficiência de serviços básicos e infraestruturas e as oportunidades económicas limitadas, a percepção de negligência histórica por parte do Estado e a distribuição desigual dos benefícios da exploração dos recursos naturais (incluindo gás, minerais e madeira), a corrupção,  os litígios fundiários, as violações dos direitos humanos por parte do Estado no âmbito da luta contra o terrorismo, nomeadamente contra comunidades acusadas de colaborar com terroristas,  a falta de confiança nas instituições estatais e as tensões étnico-religiosas entre comunidades.”

A ONU estima que, desde Outubro de 2017 até meados de 2026, Moçambique registou pelo menos 2.408 ataques e 6.632 mortes relacionadas com a violência terrorista, incluindo 2.772 civis. O conflito provocou ainda o deslocamento de cerca de 1,5 milhões de pessoas, enquanto 1,7 milhões necessitam de assistência humanitária em 2026.

Apesar dos progressos registados na recuperação de alguns territórios e no regresso de deslocados às suas zonas de origem, o relator Ben Saul considera que a segurança continua frágil em algumas áreas. Indica igualmente que a frequência, gravidade e expansão dos ataques contra civis aumentaram ao longo do último ano, com o grupo armado a manter presença em Cabo Delgado e a infiltrar-se nas províncias de Niassa e Nampula.

O relator manifesta igualmente preocupação com alegadas violações dos direitos humanos cometidas por elementos da polícia, forças armadas e forças locais durante a resposta ao terrorismo. As denúncias incluem uso excessivo da força, execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados, detenções arbitrárias, tortura, maus-tratos e violência sexual, além de deficiências na investigação independente e responsabilização.

“As alegações incluem uso excessivo da força, execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados, detenções arbitrárias, tortura e maus-tratos, violência sexual, sexo transacional e falhas na protecção diligente dos civis. Apesar dos procedimentos formais, na prática, as investigações independentes, a responsabilização e as medidas de reparação parecem apresentar graves deficiências.”

No domínio humanitário, Ben Saul chama atenção para as dificuldades enfrentadas pelas pessoas deslocadas, incluindo a falta de serviços, infra-estruturas e meios de subsistência adequados em algumas zonas de reassentamento, por isso, recomenda o aumento do financiamento e da assistência humanitária, maior acesso aos serviços e uma participação mais activa dos deslocados nas decisões relacionadas com o seu futuro.

“Recomenda-se que o Governo e os seus parceiros: aumentem o financiamento e a prestação equitativa de ajuda humanitária e o acesso aos serviços, dando resposta às necessidades das pessoas deslocadas internamente e das comunidades de acolhimento, facilitem uma acção humanitária segura, sustentada e baseada em princípios, reforcem a prestação de informações relevantes às pessoas deslocadas internamente e as oportunidades para a sua participação activa nos processos que as afectam, explorem possibilidades de integração local como solução duradoura, reforcem a monitoria da protecção dos direitos humanos, das situações de deslocamento e do acesso aos serviços, e aumentem a assistência a grupos vulneráveis, incluindo chefes de família solteiros, crianças, pessoas com deficiência e idosos.”

No domínio da protecção infantil, a ONU verificou 552 violações graves dos direitos das crianças em 2025, incluindo recrutamento e utilização forçados, raptos, homicídios, mutilações, violência sexual e ataques contra escolas e hospitais. Ben Saul recomenda ao Governo o reforço dos mecanismos para a saída segura de crianças dos grupos armados, bem como a sua protecção, recuperação, reabilitação e reintegração nas comunidades. (Malito João)

“Pobreza extrema está por trás do consumo de drogas e do regresso do Grupo-15 em Nampula,” diz o arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure

Nampula (IKWELI) – O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, aponta a pobreza extrema e a “pobreza humana” como alguns dos factores que estão por de trás do consumo de drogas e do recrudescimento da criminalidade, com a actuação desumana do famigerado Grupo-15, que tem protagonizado actos de agressão e assaltos em algumas comunidades da província de Nampula.

A declaração foi feita no último domingo (16), numa homilia no Santuário Maria Mãe do Redentor, em Meconta, durante a peregrinação arquidiocesana. Na ocasião, Dom Inácio Saure apelou aos fiéis para reforçarem a caridade nas famílias e nas comunidades cristãs, como forma de enfrentar os desafios sociais que afectam a população.

“Ao sairmos daqui, ao regressar às nossas famílias e paróquias, nossas casas, devemos fazer diferença, há muito sofrimento na nossa terra, pobreza humana, material, espiritual da nossa terra, é a pobreza humana que leva os jovens a constituir o grupo que não come, é a pobreza que leva nossos filhos a constituir o grupo dos 15 que agora está de volta, não para fazer o bem, mas para fazer agressões na calada da noite, eles não assaltam residência dos grandes porque não têm como ir, vão ser mortos, assaltam nós, os pobres.”

O Arcebispo citou, igualmente, o recente assalto ocorrido no distrito de Mecubúri, envolvendo religiosas, para ilustrar a gravidade da situação. “Em Mecubúri, no dia 8 deste mês, eles assaltaram a casa das irmãs Franciscanas do Bom Pastor e para além de torturar guarda quase até a morte, torturam também seriamente duas religiosas, exigindo dinheiro, mesmo depois de as religiosas terem dado o pouco dinheiro que tinham, isto foi uma autêntica profanação, não só da casa religiosa, mas sobretudo das próprias pessoas criadas a imagem e semelhança de Deus.”

Para Dom Inácio Saure, o aumento do consumo de drogas entre adolescentes constitui igualmente um sinal preocupante da degradação social. O líder religioso defende que as famílias e as comunidades devem redobrar esforços para prevenir o envolvimento dos jovens em práticas que podem comprometer o seu futuro.

“É a pobreza humana que leva os nossos adolescentes a consumir Makha, deveríamos estar a chorar, é grave, é uma sociedade que está a ser destruída, o que fazem eles tomam makha para se evadir da vida real, ei, as ilusões de delírio, acreditam estar a viver bem, é a pobreza humana cultivada neste país durante décadas, desumanização da pessoa ao negar-se toda referência ao transcendente até ao cúmulo da negação de Deus, do homem que estragou.”

O Arcebispo de Nampula considera que a resposta aos problemas sociais não deve limitar-se à repressão, defendendo também uma maior intervenção das famílias, da Igreja e da sociedade na recuperação da dignidade humana e na criação de condições para que os jovens tenham perspectivas do futuro.

Durante a sua intervenção, Dom Inácio Saure exortou ainda os fiéis a transformarem a mensagem da peregrinação em acções concretas de solidariedade, sobretudo junto das famílias que enfrentam situações de pobreza e vulnerabilidade, numa altura em que comunidades da província continuam a enfrentar desafios relacionados com criminalidade, drogas e exclusão social. (Malito João)

William Tunzine confronta desafios da escola básica de Namicopo-sede e apela responsabilidade aos professores

Nampula (IKWELI) – O director provincial da Educação de Nampula, William Tunzine, desafiou a comunidade escolar em Namicopo Sede para um maior engajamento na melhoria das condições de ensino no local.

Tunzine visitou Namicopo sede no último fim-de-semana, ocasião em reuniu-se com a comunidade, professores, gestores escolares e pais e encarregados de educação.

Esta fonte apelou aos pais e encarregados de educação para acompanharem e garantirem a permanência dos seus educandos na sala de aulas. “A educação é um dos principais vectores para a transformação do comportamento das comunidades,” afirmou o dirigente.

A presença de Tunzine numa reunião directa com a comunidade escolar foi recebida com satisfação pelos pais e encarregados de educação, que consideraram o encontro uma oportunidade para expor, sem intermediários, os principais obstáculos enfrentados pela escola.

Entre as dificuldades apresentadas estão a insuficiência de carteiras, o número reduzido de salas de aula e as limitações no acesso à água, situações que, segundo os encarregados de educação, continuam a afectar o ambiente de aprendizagem dos alunos.

Os pais também defenderam a manutenção do horário de entrada dos alunos, fixado para as 6:00h, mas pediram maior flexibilidade para os alunos que chegam atrasados ao primeiro tempo. A proposta é que estes possam assistir às aulas seguintes, evitando que um atraso resulte na perda de todo o período lectivo.

Apesar dos constrangimentos, os encarregados de educação reconheceram o trabalho da direcção da escola e dos professores, assumindo o compromisso de reforçar o acompanhamento dos filhos e aprofundar a colaboração com os docentes.

Perante as preocupações levantadas, William Simão Tunzine valorizou a abertura demonstrada pela comunidade escolar e considerou que a auscultação permite transformar os problemas identificados em acções concretas.

O Director Provincial da Educação manifestou igualmente satisfação pelo compromisso assumido pelos pais e salientou a importância de enquadrar as preocupações apresentadas nos esforços em curso para a requalificação e melhoria das condições da instituição.

Tunzine exortou igualmente os professores a manterem-se afastados do tráfico e consumo de drogas, defendendo que os profissionais da educação devem constituir uma referência para os alunos e para a sociedade.

De acordo com o dirigente, o envolvimento de professores em práticas incompatíveis com a sua missão profissional pode prejudicar a imagem da classe e enfraquecer a confiança da sociedade nas instituições de ensino. (Malito João)

Em Alto Molócuè: Incêndio destrói parte do Instituto Politécnico de Ciências Humanas de Moçambique

Alto Molócuè (IKWELI) – Um incêndio consumiu, na manhã de domingo (16), uma parte de bens do Instituto Politécnico de Ciências Humanas de Moçambique em Alto Molócuè, na província da Zambézia.

O fogo que não foi possível apurar às circunstâncias da sua origem, consumiu diversos bens e materiais de carácter institucional, tendo igualmente causado danos em parte das infraestruturas da instituição, concretamente em salas de aulas e escritórios de diferentes sectores.

Segundo fontes locais, não aconteceu o pior devido a pronta intervenção dos munícipes, com destaque para praticantes da actividade de moto táxi, formandos, funcionários e pessoas de boa-vontade. (Francisco Mário)

Há 2 mil dias que saímos com rigor, compromisso com a verdade e desafios do mercado

Nampula (IKWELI) – Hoje, no ano em que comemoramos o 10ª ano da criação do Ikweli, celebramos a edição 2000. São dois mil dias que saímos com regularidade, com rigor e compromisso com a verdade, superando os desafios do mercado e da realidade mediática moçambicana.

Têm sido dois mil dias bons, mas muito pesados, pesados porque diariamente lidamos com a mania da insegurança e perseguição aos jornalistas. Pesados porque não estamos no mercado para agradar qualquer um poder, quer político, quer económico, por isso, temos sobrevivido a vários riscos, a várias tentações.

Uma equipa, continuamente jovem e cometida, galga as ruas, avenidas e matas dessa região norte de Moçambique, trazendo a verdade nua e crua, sem filtros, mesmo reconhecendo os riscos que disso advêm.

São 2 mil dias bons, mas muito bons. Crescemos, fizemos muito bons amigos e um público leitor exigente a medida da nossa qualidade que sempre teimará em existir.

O nosso compromisso continua sendo “Informar para o Desenvolvimento”. Estamos certos que com o crescimento mais desafios vêm, mas a nossa promessa é a de sempre: Não vergaremos enquanto a verdade não prevalecer, enquanto a mídia não ser tomada, validamente, como um outro espaço formal e/ou informal de governação.

Estamos cientes que há uns que não gostam de nós, sobretudo detentores de cargos públicos, que não querem ser escrutinados, mesmo sabendo que aquela posição precisamente, exactamente, deste exercício e quem melhor que a imprensa para revelar as verdades.

Contaram histórias de um povo, vidas de pessoas, conquistas, perdas e ganho têm sido um prazer para toda uma equipa, que acorda planificando e executando, analisando os riscos e criando mecanismos próprios de protecção.

Queremos chegar aos 10 mil dias, convosco, caros leitores, sabemos que poderemos. O nosso avanço depende de vós, usando os nossos serviços, confiando-nos as vossas histórias para continuarmos a contar.

Moyana vê Chapo no seu “melhor momento” à frente do país e da Frelimo

Maputo (IKWELI) – O jornalista e comentador Salomão Moyana considera que Daniel Chapo atravessa o seu “melhor momento” desde que assumiu a liderança do país e da Frelimo, apontando resultados no combate aos raptos, medidas económicas, mudanças no partido e sinais de maior pressão contra a corrupção.
A avaliação foi feita no programa “A Semana com Salomão Moyana”, na MBC, durante uma análise de cerca de 24 minutos sobre o desempenho do Presidente da República e o contexto em que participa, pela primeira vez como presidente da Frelimo, na Reunião Nacional de Quadros do partido, em Chimoio.
“Eu acho que ele vai no seu melhor momento, em termos de liderança política, não só do partido como também do país. Está num momento em que tem alguma obra feita em tão curto espaço de tempo”, afirmou Moyana.
Entre os resultados que sustentam a sua avaliação, o comentador destacou a redução dos raptos, considerando que o cenário começa a devolver confiança ao sector empresarial. Segundo relatou, alguns empresários moçambicanos que haviam transferido investimentos para o exterior começam a avaliar a possibilidade de regressar ao país.
Moyana apontou também iniciativas económicas como o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), fundos destinados às mulheres e outros mecanismos de apoio às comunidades. Na sua leitura, apesar de não beneficiarem toda a população, estas iniciativas podem gerar rendimento e estimular pequenos investimentos locais.
Outro sinal positivo apontado pelo comentador é a reorganização da LAM, através do reforço da frota e da expansão das ligações aéreas. “Estamos gradualmente a encarrilar o país que estava descarrilado”, afirmou.
No plano económico, Moyana defendeu ainda as medidas de controlo das importações de produtos como arroz e trigo. Argumentou que, passados vários meses desde a introdução das mudanças, não se verificou a crise de abastecimento que alguns sectores receavam, considerando que o modelo pode ajudar a controlar a saída de divisas.
Dentro da Frelimo, destacou alterações efectuadas em estruturas provinciais e defendeu que as mudanças revelam maior cobrança sobre o desempenho dos dirigentes. Para Moyana, essa postura poderá ganhar novo impulso depois da Reunião Nacional de Quadros.
O comentador reconheceu, entretanto, que Moçambique continua a enfrentar dificuldades e que o combate à corrupção está longe de estar concluído. Ainda assim, entende que as medidas adoptadas nos primeiros meses da liderança de Chapo apresentam sinais que considera encorajadores para os próximos anos. (Redação)

Na 11ª conferência Nacional de quadros da Frelimo: Nampula vai a Chimoio para discutir problemas que apoquentam a população local

Nampula (IKWELI) – O Primeiro Secretário da FRELIMO em Nampula, Gilberto Francisco, pediu, nesta segunda-feira (17), aos delegados destacados a participar da 11ª conferência nacional de quadros do partido a levarem os problemas reais de Nampula ao evento.
O encontro decorre de 21 a 23 de Agosto corrente e vai ter lugar na cidade de Chimoio, na província de Manica, tendo como objectivo debater a situação política, económica e social do país.

“Nós como partido ao nível da nossa província, vamos a 11ᵃ conferência Nacional de Quadros da Frelimo discutir assuntos sobre a unidade nacional para que seja concretizado e abordar a questão de sustentabilidade do partido e queremos sair da dependência económico, estas questões foram discutidas e tem grande relevo.”


“Queremos defender os interesses da população e do partido, vamos a Chimoio unidos e coesos, quando regressarmos cada delegado deve ter a capacidade de levar as orientações da conferência para ultrapassar os desafios como a questão económica, o desemprego juvenil”. (Nelsa Momade)

Presidente da República lamenta morte do artista gráfico Justino Cardoso

Créditos: https://mozentretenimento.co.mz/62745/2026/08/presidente-chapo-lamenta-morte-de-justino-cardoso-e-destaca-legado-do-artista/

Nampula (IKWELI) – O Presidente da República de Moçambique (PR), Daniel Francisco Chapo, lamentou a morte do artista gráfico Justino António Cardoso, ocorrida na madrugada desta segunda-feira (17), em Nampula, vítima de doença.

Numa mensagem de condolências, o Chefe do Estado destacou o percurso nacional e internacional do artista e o seu contributo para as artes, a cultura e a valorização da identidade moçambicana.

Segundo Chapo, Justino Cardoso destacou-se pela capacidade de abordar, através da imagem, diferentes temas relacionados com a história, cultura e realidade social do país, tendo levado o seu trabalho para além das fronteiras nacionais.

Para além da produção artística, o Chefe do Estado realçou o papel de Justino Cardoso na formação e inspiração de jovens, bem como o seu contributo para o desenvolvimento das artes gráficas, do design e da comunicação, particularmente na província de Nampula destacando que o artista foi igualmente distinguido com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Lúrio, em reconhecimento do seu contributo para as artes e a cultura.

Na mensagem, Daniel Chapo considera que o Justino deixa um legado de criatividade, dedicação e amor às artes, reconhecido dentro e fora de Moçambique, é por isso que “neste momento de dor e luto, o Presidente Daniel Francisco Chapo endereça, em nome do Governo e do Povo moçambicanos, e em seu próprio, à família enlutada, aos amigos, colegas e à comunidade artística e cultural as suas mais sentidas condolências”, lê-se na mensagem do presidente da república. (Malito João)

LAM deixa de ser uma companhia sem aviões próprios

Nacala (IKWELI) – As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) deixam para trás o cenário de uma companhia sem aeronaves próprias, com a entrada em operação de dois aviões Embraer 190 que passam a reforçar a sua frota e a capacidade operacional, numa nova fase do processo de transformação da companhia de bandeira.

A entrada em operação da aeronave “Limpopo” marca uma nova etapa para a LAM, que agora voa sob o branding Air Mozambique, num momento em que a companhia procura recuperar a sua capacidade operacional e reforçar a oferta de voos domésticos. O momento foi testemunhado, na passada sexta-feira (14), em Nacala, pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, durante a apresentação da aeronave, que realizou o seu primeiro voo na ligação Maputo–Nacala.

Na ocasião, João Matlombe disse que a entrada das duas aeronaves enquadra-se no processo de recuperação da capacidade operacional da LAM, estando prevista a utilização dos aviões para reforçar as ligações entre diferentes regiões do país.

Matlombe avançou ainda que a próxima aeronave poderá ser associada ao nome Namicopo, bairro mais populoso da província de Nampula, numa decisão que visa valorizar a identidade nacional na frota da companhia.

“O momento que hoje testemunhamos enquadra-se no processo de transformação que o Governo da República de Moçambique está a promover no sector de transporte e, em particular, na recuperação da capacidade operacional da nossa companhia de bandeira. A aeronave que hoje veio aterrar aqui na cidade de Nacala, e o nosso governador já pediu que o próximo seja Namicopo, nós tomámos nota e vamos orientar a empresa para que Namicopo, sendo o bairro mais populoso que nós temos na província de Nampula, e Nampula sejam parte da identidade das nossas aeronaves”, explicou João Matlombe.

O ministro acrescentou que, além do “Limpopo”, que realizou o voo Maputo–Nacala, outra aeronave Embraer-190 efectuou a ligação Maputo–Beira, devendo igualmente entrar em operação. De acordo com Matlombe, os dois aviões representam um reforço importante para a capacidade da companhia de bandeira.

“O investimento deve ser compreendido no contexto da estratégia do nosso Governo para a mobilidade no país e criar condições para uma maior integração económica territorial do nosso vasto Moçambique. O nosso país é extenso, com os seus principais centros de actividade económica distribuídos por diferentes regiões, por isso, a circulação de pessoas, bens, serviços e factores de produção é uma condição fundamental para o funcionamento da nossa economia”, afirmou.

Na mesma perspectiva, João Matlombe defendeu que o reforço da aviação poderá contribuir para dinamizar a economia nacional, ao facilitar a circulação de pessoas, bens e serviços e reduzir o tempo de deslocação entre as diferentes regiões do país.

“No quadro da nossa agenda de desenvolvimento, temos vindo a trabalhar como Governo para melhorar as infraestruturas e serviços de transporte, reforçar a articulação entre os diferentes modos de transporte, aumentar a eficiência dos sistemas de transporte em todo o país. Por esta razão, a aviação desempenha um papel específico no processo, sobretudo na capacidade de reduzir as distâncias deste vasto país e também o tempo de deslocação entre as diferentes regiões do nosso país. É também nessa perspectiva que o Governo está a acompanhar o processo de transformação da nossa companhia de bandeira”, afirmou.

O governante reconheceu, entretanto, que a recuperação da LAM exige mais do que a aquisição de aeronaves, defendendo a necessidade de melhorar a gestão, controlar os custos, racionalizar as operações e garantir maior qualidade no atendimento aos passageiros. Matlombe destacou ainda a importância de uma companhia financeiramente sustentável e operacionalmente eficiente.

“A situação que a companhia enfrentou e continua obviamente a atravessar neste momento, nos últimos anos em particular, exigiu do Governo tomar decisões e medidas, a reorganização da empresa, o controlo dos custos, a melhoria dos processos de gestão, racionalização das operações e o reforço da capacidade operacional. Contudo, é importante sublinhar que a recuperação da companhia não se resume apenas à aquisição de novas aeronaves. O nosso objectivo é criar uma companhia mais eficiente, financeiramente sustentável e capaz de prestar um serviço regular, seguro e de qualidade para os nossos cidadãos”, salientou.

Sobre os atrasos nos voos, João Matlombe reconheceu que estes podem ocorrer devido a diferentes razões operacionais, mas considerou fundamental que os passageiros sejam informados e devidamente assistidos durante essas situações.

“Atraso em qualquer companhia é normal, acontece por questões operacionais, por várias situações. O que não é admissível é quando há atraso não haver justificação para os passageiros, o que não é admissível é que os passageiros fiquem desprovidos de qualquer assistência quando há atraso de voo. É essa mudança que a marca exige, que as pessoas olhem para a marca e digam: há um atendimento diferente”.

Por sua vez, Agostinho Langa, Presidente do Consenlho de Administração da LAM, considerou que a entrada das novas aeronaves constitui uma demonstração concreta da transformação em curso na companhia, destacando igualmente as medidas de redução de custos e reorganização interna adoptadas nos últimos meses.

“Deixamos assim para trás o cenário de uma companhia sem aeronaves próprias. Hoje a LAM tem aviões que lhe pertencem. Para nós, enquanto administração da companhia, este é um dos momentos que demonstram, de forma concreta, que o processo de transformação da LAM é real e está em curso. A reestruturação da LAM, iniciada em Fevereiro de 2025 com a entrada dos CFM [Caminhos de Ferro de Moçambique], HCB [Hidroeléctrica de Cahora Bassa] e a EMOSE [Empresa Moçambicana de Seguros] na estrutura accionista, teve um propósito claro, criar uma companhia mais eficiente financeiramente, sustentável e operacionalmente preparada para responder às necessidades de mobilidade de Moçambique”, afirmou.

Langa apontou ainda resultados alcançados no âmbito da reestruturação, incluindo a redução do número de contratos sem activo, dos custos operacionais e administrativos, bem como das despesas com combustível e catering, medidas que, segundo explicou, permitiram gerar poupanças significativas para a companhia.

“E já temos resultados. Reduzimos o número de contratos sem activo de 447 para 208, reduzimos os custos operacionais e administrativos em cerca de 20%, os custos com combustível em aproximadamente 46% e os custos de catering em cerca de 50%. Estas medidas permitiram gerar poupanças anuais superiores a 3 milhões de dólares norte-americanos. A primeira fase da reestruturação da força de trabalho permitiu adicionalmente uma poupança anual de cerca de 3,4 milhões de dólares. São resultados que demonstram uma mudança de cultura de gestão da companhia”, concluiu Agostinho Langa. (Malito João)

Músicos de Nampula sentem-se ameaçados com a IA

Nampula (IKWELI) – Alguns músicos da cidade Nampula dizem-se descontentes com a utilização, cada vez mais crescente, da Inteligência Artificial (IA) para gerar músicas e temem a desvalorização do talento humano e dos esforços de cada artista.

O músico e vocalista da Banda Marrove, Alcides Fernando, entende que a inteligência artificial pode ser um dos impulsionadores da preguiça entre os artistas. “O mercado musical está a ser comprometido por conta do uso abusivo da inteligência artificial, porque aquele que tenta engrenar na área acaba tendo preguiça de fazer suas próprias composições, e melodias, o que pode vir a matar a criatividade,” considerou Alcides.

O vocalista do Marrove já antevê a falta de espaço para os artistas no futuro. “Um dos problemas é que a inteligência artificial começa a criar preguiça no ser humano porque se formos a ver hoje, muitos já não pensam porque já tem algo que pensa por nós, cria dependência e também por causa desses processos de evolução corremos o risco de, nos próximos tempos, a própria classe artística, principalmente nós ligados a música, não termos espaços, uma vez que qualquer um pode se tornar músico pois a inteligência artificial vai criar e lançar no mercado,” realçou.

Por sua vez, o músico Agêncio João Abel, conhecido por Ageno, entende que as músicas feitas por inteligência artificial, aparentam ser boas, o que acaba sendo um desafio para os artistas. “As músicas que escutamos, como resultado da inteligência artificial, são bonitas e bem compostas, com uma boa métrica vocal que em algum momento mostra que nós temos que lutar para trabalhar daquela forma. Eu escuto as músicas de inteligência artificial e recebo como um desafio para lutar e tentar fazer do género, então, para os que são fracos e sem boa capacidade de compor ficam assustados, mas na verdade se cantarmos como deve ser haverá espaço de sermos recebidos,” sublinhou Ageno. (Francisco Mário)