LAM deixa de ser uma companhia sem aviões próprios

Nacala (IKWELI) – As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) deixam para trás o cenário de uma companhia sem aeronaves próprias, com a entrada em operação de dois aviões Embraer 190 que passam a reforçar a sua frota e a capacidade operacional, numa nova fase do processo de transformação da companhia de bandeira.

A entrada em operação da aeronave “Limpopo” marca uma nova etapa para a LAM, que agora voa sob o branding Air Mozambique, num momento em que a companhia procura recuperar a sua capacidade operacional e reforçar a oferta de voos domésticos. O momento foi testemunhado, na passada sexta-feira (14), em Nacala, pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, durante a apresentação da aeronave, que realizou o seu primeiro voo na ligação Maputo–Nacala.

Na ocasião, João Matlombe disse que a entrada das duas aeronaves enquadra-se no processo de recuperação da capacidade operacional da LAM, estando prevista a utilização dos aviões para reforçar as ligações entre diferentes regiões do país.

Matlombe avançou ainda que a próxima aeronave poderá ser associada ao nome Namicopo, bairro mais populoso da província de Nampula, numa decisão que visa valorizar a identidade nacional na frota da companhia.

“O momento que hoje testemunhamos enquadra-se no processo de transformação que o Governo da República de Moçambique está a promover no sector de transporte e, em particular, na recuperação da capacidade operacional da nossa companhia de bandeira. A aeronave que hoje veio aterrar aqui na cidade de Nacala, e o nosso governador já pediu que o próximo seja Namicopo, nós tomámos nota e vamos orientar a empresa para que Namicopo, sendo o bairro mais populoso que nós temos na província de Nampula, e Nampula sejam parte da identidade das nossas aeronaves”, explicou João Matlombe.

O ministro acrescentou que, além do “Limpopo”, que realizou o voo Maputo–Nacala, outra aeronave Embraer-190 efectuou a ligação Maputo–Beira, devendo igualmente entrar em operação. De acordo com Matlombe, os dois aviões representam um reforço importante para a capacidade da companhia de bandeira.

“O investimento deve ser compreendido no contexto da estratégia do nosso Governo para a mobilidade no país e criar condições para uma maior integração económica territorial do nosso vasto Moçambique. O nosso país é extenso, com os seus principais centros de actividade económica distribuídos por diferentes regiões, por isso, a circulação de pessoas, bens, serviços e factores de produção é uma condição fundamental para o funcionamento da nossa economia”, afirmou.

Na mesma perspectiva, João Matlombe defendeu que o reforço da aviação poderá contribuir para dinamizar a economia nacional, ao facilitar a circulação de pessoas, bens e serviços e reduzir o tempo de deslocação entre as diferentes regiões do país.

“No quadro da nossa agenda de desenvolvimento, temos vindo a trabalhar como Governo para melhorar as infraestruturas e serviços de transporte, reforçar a articulação entre os diferentes modos de transporte, aumentar a eficiência dos sistemas de transporte em todo o país. Por esta razão, a aviação desempenha um papel específico no processo, sobretudo na capacidade de reduzir as distâncias deste vasto país e também o tempo de deslocação entre as diferentes regiões do nosso país. É também nessa perspectiva que o Governo está a acompanhar o processo de transformação da nossa companhia de bandeira”, afirmou.

O governante reconheceu, entretanto, que a recuperação da LAM exige mais do que a aquisição de aeronaves, defendendo a necessidade de melhorar a gestão, controlar os custos, racionalizar as operações e garantir maior qualidade no atendimento aos passageiros. Matlombe destacou ainda a importância de uma companhia financeiramente sustentável e operacionalmente eficiente.

“A situação que a companhia enfrentou e continua obviamente a atravessar neste momento, nos últimos anos em particular, exigiu do Governo tomar decisões e medidas, a reorganização da empresa, o controlo dos custos, a melhoria dos processos de gestão, racionalização das operações e o reforço da capacidade operacional. Contudo, é importante sublinhar que a recuperação da companhia não se resume apenas à aquisição de novas aeronaves. O nosso objectivo é criar uma companhia mais eficiente, financeiramente sustentável e capaz de prestar um serviço regular, seguro e de qualidade para os nossos cidadãos”, salientou.

Sobre os atrasos nos voos, João Matlombe reconheceu que estes podem ocorrer devido a diferentes razões operacionais, mas considerou fundamental que os passageiros sejam informados e devidamente assistidos durante essas situações.

“Atraso em qualquer companhia é normal, acontece por questões operacionais, por várias situações. O que não é admissível é quando há atraso não haver justificação para os passageiros, o que não é admissível é que os passageiros fiquem desprovidos de qualquer assistência quando há atraso de voo. É essa mudança que a marca exige, que as pessoas olhem para a marca e digam: há um atendimento diferente”.

Por sua vez, Agostinho Langa, Presidente do Consenlho de Administração da LAM, considerou que a entrada das novas aeronaves constitui uma demonstração concreta da transformação em curso na companhia, destacando igualmente as medidas de redução de custos e reorganização interna adoptadas nos últimos meses.

“Deixamos assim para trás o cenário de uma companhia sem aeronaves próprias. Hoje a LAM tem aviões que lhe pertencem. Para nós, enquanto administração da companhia, este é um dos momentos que demonstram, de forma concreta, que o processo de transformação da LAM é real e está em curso. A reestruturação da LAM, iniciada em Fevereiro de 2025 com a entrada dos CFM [Caminhos de Ferro de Moçambique], HCB [Hidroeléctrica de Cahora Bassa] e a EMOSE [Empresa Moçambicana de Seguros] na estrutura accionista, teve um propósito claro, criar uma companhia mais eficiente financeiramente, sustentável e operacionalmente preparada para responder às necessidades de mobilidade de Moçambique”, afirmou.

Langa apontou ainda resultados alcançados no âmbito da reestruturação, incluindo a redução do número de contratos sem activo, dos custos operacionais e administrativos, bem como das despesas com combustível e catering, medidas que, segundo explicou, permitiram gerar poupanças significativas para a companhia.

“E já temos resultados. Reduzimos o número de contratos sem activo de 447 para 208, reduzimos os custos operacionais e administrativos em cerca de 20%, os custos com combustível em aproximadamente 46% e os custos de catering em cerca de 50%. Estas medidas permitiram gerar poupanças anuais superiores a 3 milhões de dólares norte-americanos. A primeira fase da reestruturação da força de trabalho permitiu adicionalmente uma poupança anual de cerca de 3,4 milhões de dólares. São resultados que demonstram uma mudança de cultura de gestão da companhia”, concluiu Agostinho Langa. (Malito João)

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