
Nampula (IKWELI) – O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, aponta a pobreza extrema e a “pobreza humana” como alguns dos factores que estão por de trás do consumo de drogas e do recrudescimento da criminalidade, com a actuação desumana do famigerado Grupo-15, que tem protagonizado actos de agressão e assaltos em algumas comunidades da província de Nampula.
A declaração foi feita no último domingo (16), numa homilia no Santuário Maria Mãe do Redentor, em Meconta, durante a peregrinação arquidiocesana. Na ocasião, Dom Inácio Saure apelou aos fiéis para reforçarem a caridade nas famílias e nas comunidades cristãs, como forma de enfrentar os desafios sociais que afectam a população.
“Ao sairmos daqui, ao regressar às nossas famílias e paróquias, nossas casas, devemos fazer diferença, há muito sofrimento na nossa terra, pobreza humana, material, espiritual da nossa terra, é a pobreza humana que leva os jovens a constituir o grupo que não come, é a pobreza que leva nossos filhos a constituir o grupo dos 15 que agora está de volta, não para fazer o bem, mas para fazer agressões na calada da noite, eles não assaltam residência dos grandes porque não têm como ir, vão ser mortos, assaltam nós, os pobres.”
O Arcebispo citou, igualmente, o recente assalto ocorrido no distrito de Mecubúri, envolvendo religiosas, para ilustrar a gravidade da situação. “Em Mecubúri, no dia 8 deste mês, eles assaltaram a casa das irmãs Franciscanas do Bom Pastor e para além de torturar guarda quase até a morte, torturam também seriamente duas religiosas, exigindo dinheiro, mesmo depois de as religiosas terem dado o pouco dinheiro que tinham, isto foi uma autêntica profanação, não só da casa religiosa, mas sobretudo das próprias pessoas criadas a imagem e semelhança de Deus.”
Para Dom Inácio Saure, o aumento do consumo de drogas entre adolescentes constitui igualmente um sinal preocupante da degradação social. O líder religioso defende que as famílias e as comunidades devem redobrar esforços para prevenir o envolvimento dos jovens em práticas que podem comprometer o seu futuro.
“É a pobreza humana que leva os nossos adolescentes a consumir Makha, deveríamos estar a chorar, é grave, é uma sociedade que está a ser destruída, o que fazem eles tomam makha para se evadir da vida real, ei, as ilusões de delírio, acreditam estar a viver bem, é a pobreza humana cultivada neste país durante décadas, desumanização da pessoa ao negar-se toda referência ao transcendente até ao cúmulo da negação de Deus, do homem que estragou.”
O Arcebispo de Nampula considera que a resposta aos problemas sociais não deve limitar-se à repressão, defendendo também uma maior intervenção das famílias, da Igreja e da sociedade na recuperação da dignidade humana e na criação de condições para que os jovens tenham perspectivas do futuro.
Durante a sua intervenção, Dom Inácio Saure exortou ainda os fiéis a transformarem a mensagem da peregrinação em acções concretas de solidariedade, sobretudo junto das famílias que enfrentam situações de pobreza e vulnerabilidade, numa altura em que comunidades da província continuam a enfrentar desafios relacionados com criminalidade, drogas e exclusão social. (Malito João)





