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Celebrar a alfabetização, mas sem perder de vista os desafios que permanecem!!

Por: Adelino Inácio Assane

A celebração da Semana da Alfabetização constitui uma oportunidade importante para o país reconhecer o valor da educação de jovens e adultos e reafirmar o compromisso com a construção de uma sociedade em que saber ler, escrever, interpretar e utilizar a informação seja um direito efectivamente acessível a todos. Mais do que uma efeméride inscrita no calendário educativo, esta semana deveria constituir um momento de balanço, de questionamento e, sobretudo, de renovação dos compromissos públicos com milhões de moçambicanos que, por diferentes razões, não tiveram a oportunidade de frequentar ou concluir a escolaridade básica. Afinal, celebrar a alfabetização não pode significar apenas organizar cerimónias, proferir discursos e apresentar resultados; deve significar perguntar se estamos, de facto, a criar condições para que cada cidadão possa adquirir e utilizar competências fundamentais para participar plenamente na vida social, económica, política e cultural.

Esta reflexão torna-se particularmente necessária num contexto em que o analfabetismo continua a constituir um dos grandes desafios do desenvolvimento humano em Moçambique. Dados oficiais indicam que a taxa de analfabetismo entre a população com 15 ou mais anos permanecia elevada, tendo passado de 39,9% em 2019/20 para 38,3% em 2022, com desigualdades muito acentuadas entre mulheres e homens e entre zonas rurais e urbanas. Portanto, embora se reconheçam avanços, não seria prudente interpretar a redução registada como sinal de que o problema está resolvido. Pelo contrário, os números devem interpelar-nos sobre a dimensão, a qualidade e a sustentabilidade das respostas que estão a ser implementadas.

É neste quadro que a formação dos alfabetizadores merece uma atenção especial. Não existe alfabetização de qualidade sem alfabetizadores preparados para compreender as características dos jovens e adultos, os seus conhecimentos prévios, as suas experiências de vida, as suas línguas, as suas necessidades e as condições sociais em que vivem. A alfabetização de adultos não pode ser reduzida à reprodução de métodos concebidos para crianças, nem o alfabetizador pode ser visto simplesmente como alguém que domina a leitura e a escrita e, por isso, está automaticamente habilitado para ensinar outros. Alfabetizar é uma actividade pedagógica que exige conhecimentos, competências, acompanhamento e formação contínua.

Por isso, a discussão sobre os centros de formação de alfabetizadores deve ocupar um lugar central nas políticas do sector. Se, por um lado, se pretende expandir a alfabetização, por outro, é necessário perguntar onde e como estão a ser formados os profissionais que asseguram essa expansão. O encerramento ou redução de estruturas vocacionadas para a formação de alfabetizadores coloca uma contradição que merece ser discutida: como ampliar significativamente a cobertura da alfabetização sem ampliar, simultaneamente, a capacidade de formação, acompanhamento e valorização daqueles que trabalham directamente com os alfabetizandos? A expansão quantitativa sem investimento equivalente na qualidade dos agentes educativos pode produzir números favoráveis, mas resultados frágeis.

A questão da remuneração dos alfabetizadores torna esta contradição ainda mais evidente. Durante muito tempo, a figura do alfabetizador voluntário foi apresentada como uma solução para garantir a expansão da educação de adultos, sobretudo em contextos de escassez de recursos. Contudo, importa questionar o próprio significado do voluntariado nas políticas públicas. Voluntariado é uma expressão de solidariedade, participação cívica e compromisso comunitário; não deve, porém, transformar-se num mecanismo permanente para substituir responsabilidades do Estado ou justificar a precarização de uma actividade essencial à realização de um direito constitucional.

Quando um cidadão dedica regularmente o seu tempo, conhecimento e trabalho à alfabetização de outros cidadãos, utilizando metodologias pedagógicas, cumprindo horários, preparando actividades e assumindo responsabilidades perante uma instituição ou comunidade, é legítimo perguntar até que ponto estamos perante voluntariado ou perante uma forma de trabalho educativo que deve ser devidamente reconhecida e compensada. A questão não é eliminar o voluntariado comunitário, que tem enorme valor social, mas estabelecer fronteiras claras entre participação voluntária e prestação regular de um serviço público. O compromisso com a alfabetização não pode assentar indefinidamente na expectativa de que determinados cidadãos trabalharão sem receber atempadamente pelo seu esforço.

Esta questão ganha maior relevância quando o próprio Estado reconhece dificuldades no pagamento dos subsídios aos alfabetizadores. Em 2025, o Governo reconheceu constrangimentos relacionados com pagamentos de anos anteriores e informou que os subsídios estavam a ser regularizados de forma faseada. Para 2026, estava igualmente prevista a contratação de mais de dez mil alfabetizadores, em consonância com a meta de expansão da alfabetização. O desafio, portanto, não está apenas em contratar mais alfabetizadores, mas em garantir que a expansão seja acompanhada por financiamento previsível, pagamento atempado, formação adequada e mecanismos de acompanhamento pedagógico.

Outro problema que merece reflexão é a qualidade das estatísticas da alfabetização. Não basta saber quantos centros existem, quantos alfabetizadores foram mobilizados ou quantos cidadãos foram inscritos. É necessário saber quantos iniciaram efectivamente o processo, quantos o concluíram, quantos adquiriram competências de leitura e escrita e quantos continuam a utilizar essas competências depois de concluído o programa. As estatísticas precisam de deixar de ser predominantemente estatísticas de entrada para se transformarem também em estatísticas de resultados.

Os dados disponíveis mostram que, em 2025, o sistema público registava 4.257 centros de alfabetização, 169.341 alfabetizandos e 9.247 alfabetizadores. Estes números são importantes, mas dizem pouco sobre a aprendizagem efectiva se não forem acompanhados por indicadores de aproveitamento, permanência, conclusão e domínio das competências adquiridas. Uma política pública moderna de alfabetização precisa de responder não apenas à pergunta “quantos foram inscritos?”, mas sobretudo a outras perguntas: “quantos aprenderam?”, “o que aprenderam?”, “conseguem utilizar o que aprenderam?” e “que impacto essa aprendizagem produziu nas suas vidas?”.

É precisamente aqui que surge um desafio ainda mais complexo: o analfabetismo funcional. Uma pessoa pode ser capaz de decifrar palavras ou escrever o próprio nome e, entretanto, encontrar dificuldades para compreender um texto, preencher um formulário, interpretar uma informação de saúde, fazer cálculos elementares, compreender instruções, utilizar informação digital ou tomar decisões com base em dados escritos. Alfabetizar, no século XXI, significa, portanto, muito mais do que ensinar o código escrito. Significa desenvolver literacia e numeracia suficientes para que o cidadão possa actuar com autonomia no seu quotidiano.

Esta questão torna-se particularmente importante numa sociedade em rápida transformação tecnológica. Hoje, o cidadão encontra informação em mensagens telefónicas, redes sociais, plataformas digitais, formulários electrónicos, serviços bancários e diferentes meios de comunicação. Consequentemente, uma alfabetização centrada exclusivamente na capacidade de ler e escrever palavras corre o risco de preparar o cidadão para uma realidade que já não existe. A alfabetização precisa de incorporar competências funcionais, digitais, financeiras, sociais e de cidadania, sem perder, naturalmente, os seus fundamentos de leitura, escrita e cálculo.

Por conseguinte, a Semana da Alfabetização deveria ser aproveitada para lançar um debate nacional sobre o modelo de alfabetização que Moçambique pretende construir. Precisamos de centros acessíveis, alfabetizadores formados, remuneração digna e atempada, materiais adequados, metodologias contextualizadas, produção regular de estatísticas e avaliação da aprendizagem. Precisamos, igualmente, de uma articulação mais forte entre alfabetização, educação de adultos, formação profissional, desenvolvimento comunitário e inclusão digital.

Não menos importante é a necessidade de reconhecer que a alfabetização não pode ser responsabilidade exclusiva do sector da educação. Municípios, instituições de ensino superior, organizações da sociedade civil, empresas, comunidades, meios de comunicação e diferentes sectores do Estado podem desempenhar um papel relevante. As universidades, em particular, podem contribuir através da investigação, formação de alfabetizadores, desenvolvimento de materiais didácticos, avaliação de programas e produção de conhecimento sobre as práticas de alfabetização existentes no país.

Assim, celebrar a Semana da Alfabetização deve significar muito mais do que celebrar o que já foi feito. Deve significar reconhecer os avanços, mas também ter a coragem de olhar para aquilo que ainda não funciona. Deve significar perguntar se os alfabetizadores estão suficientemente preparados, se são devidamente valorizados, se o conceito de voluntariado está a ser utilizado de forma adequada, se os centros existentes respondem às necessidades das comunidades e se as estatísticas permitem realmente medir o progresso.

Moçambique não precisa apenas de mais alfabetizados contabilizados nas estatísticas; precisa de cidadãos efectivamente alfabetizados, capazes de ler o mundo, interpretar a realidade, tomar decisões, participar na sociedade e melhorar as suas condições de vida. A verdadeira medida do sucesso da alfabetização não deve ser apenas o número de pessoas que entram numa sala de aula, mas o número de pessoas que, depois desse percurso, conseguem utilizar o conhecimento para viver com maior autonomia e dignidade.

É, pois, tempo de transformar a Semana da Alfabetização numa semana de compromisso, avaliação e decisão. Se o analfabetismo continua a limitar as oportunidades de milhares de cidadãos, a resposta não pode ser episódica. É necessária uma política pública consistente, financiada, monitorada e baseada em evidências. Afinal, alfabetizar não é simplesmente ensinar alguém a ler e escrever; é abrir-lhe uma porta para a cidadania. E uma sociedade que pretende construir um futuro mais justo, inclusivo e desenvolvido não pode aceitar que essa porta permaneça fechada para uma parte significativa dos seus cidadãos.

Até Já!!!

Graduados da UniLúrio desafiados a se reinventar em meio a era da IA

Nampula (IKWELI) – A Universidade Lúrio lançou, na sexta-feira (11), um total de 474 profissionais de diversas áreas, dos quais 231 são mulheres, e 203 homens, dados que, segundo o seu reitor, Eusébio Macete, representam um avanço para aquela instituição de ensino superior, concebida para alinhar-se as transformações sociais e tecnológicas.

Falando na ocasião, Macete referiu que o momento revela o término de um ciclo e o começo de outro, por isso exortou aos graduados a investirem o seu saber no desenvolvimento de Nampula e do país. “Hoje celebramos a graduação de 474 novos profissionais, dos quais 231 são mulheres e 203 são homens, concluem uma importante etapa da sua formação, são agora chamados a colocar o conhecimento adquirido ao serviço desta província, não só, deste pais, é motivo de total satisfação constatar que as mulheres estão na dianteira desta  graduação, o que significa um avanço no compreender da sociedade moçambicana que a educação não é só para o homem,” disse, acrescentando que “mais do que um número nesta cerimónia, também testemunhamos a constituição crescente da universidade, em termos da constituição do passado humano para o desenvolvimento, esta cerimónia também acontece num momento de desenvolvimento da universidade, queremos uma universidade Lúrio dinâmica, capaz de acompanhar com rapidez as transformações sociais, tecnológicas, capaz de saber que tem que ser digital, tem que acompanhar a inteligência artificial.”

O governador da província de Nampula, Eduardo Mariano Abdula, por sua vez, recomendou aos graduados a pautarem pela humildade e servirem as comunidades com dedicação. “O poder pode te fazer crer que és semideus, hoje vocês recebem o poder através destes mais de 400 diplomas, quando nós pensamos que somos semideuses, a humildade desaparece, eu não quero que vocês saiam daqui a pensar que são semideuses. Devemos manter a nossa humildade, sermos servos do povo, porque é este povo que pagou o nascimento desta universidade, e o povo contribui ao Estado e o Estado constrói ou construiu esta belíssima universidade, vocês têm que ser servos de Nampula e de Moçambique, que precisa do vosso talento, nós o povo de Nampula precisamos de vocês,” declarou.

Já o Secretário de Estado na província de Nampula, Fernando Bemane, sublinhou o impacto social gerado pela universidade ao longo dos últimos 5 anos e recomendou a continuidade das acções. “Notamos com satisfação que nos últimos 5 anos, de 2021 a 2025, esta universidade graduou 2400 profissionais em diferentes áreas do conhecimento, dos quais, 1040 são mulheres, estes indicadores privilegiam a contribuição da UniLúrio na disponibilização de recursos humanos qualificados para responder as necessidades do país, sobretudo na zona norte e em particular na nossa província de Nampula. Apraz-nos igualmente sublinhar com satisfação, o impacto do projecto ‘Um estudante, Uma família,’ que coloca os estudantes em contacto directo com as famílias, assegurando que os conhecimentos teóricos se transformem em dimensões práticas, este programa beneficiou 1159 famílias, só pela faculdade de ciências de saúde, se assume como um mecanismo pelo qual, a universidade realiza com sucesso o seu papel de formação de futuros profissionais e participa na busca de soluções para os problemas da comunidade promovendo bem-estar nas famílias.” (Felismina Maposse, Foto: Belto Samuel)

Pesquisador propõe negociação para terminar terrorismo em Moçambique

Nampula (IKWELI) – O pesquisador e escritor moçambicano Marchal Manufredo defende que a negociação é o único mecanismo para eliminar o terrorismo que a assola a zona norte de Moçambique porque são pessoas localizáveis.

Manufredo falava ao Ikweli em reação aos recentes ataques na província do Niassa que precipitaram a deslocação de mais de duas mil pessoas. “É preciso abrir uma janela de negociação, há pessoas capazes de mediar com os terroristas. O conflito na zona Norte deve deixar de ter conceitos de que é um conflito de desconhecidos,” disse.

Ainda de acordo com o nosso entrevistado, “é preciso primeiro reconhecer como moçambicanos que falhamos ao deixar a nossa costa vulnerável e propensa a permitir que qualquer um entre no nosso país porque esta vulnerabilidade do país faz com que nós não tenhamos a noção social por parte dos terroristas,” realçou.

“É preciso perguntar que se aqueles foram julgados pelo crime de terrorismo, chegaram a ser provados materialmente e moralmente. Nós falhamos ali na concepção   de terrorismo. A província de Nampula ainda está em risco porque nós não temos a capacidade de controlar a parte do litoral porque se a droga entra então, é capaz também que os terroristas entrem,” sublinhou Manufredo.

Manufredo, propõe igualmente, que o comando militar esteja na zona Norte para ser fácil a operação nas três províncias que os terroristas passeiam a classe, sem comprometer a política de segurança. “O Estado maior general deve estar em Cabo-Delgado ou em Nampula porque temos o ministro da casa civil que garante a segurança da presidência daí que devem estra próximos dos conflitos,” considerou. (Francisco Mário)

Salomão Moiane entende que o diálogo Nacional Inclusivo não vai evitar conflitos pós-eleitorais

Nampula (IKWELI) – O jornalista e analista político moçambicano, Salomão Moiane, entende que o diálogo Nacional Inclusivo não vai evitar conflitos pós-eleitorais em Moçambique, porque a forma como o processo eleitoral é conduzido no país permite que haja desconfianças.

Moiane falava em um debate promovido pelo Centro de Integridade Pública (CIP) em análise sobre as actividades realizadas pela Comissão Técnica do Diálogo Inclusivo, defendendo que durante o diálogo não se verificou a discussão sobre os mecanismos para combater a fraude eleitoral.

“Até aqui não se discutiu a fraude em Moçambique, nas próximas eleições vamos ter uma fraude monumental e as pessoas que manifestaram contra os resultados em 2024 vão continuar a se manifestar, talvez em escala maior, porque já tiveram experiências de fazer manifestação de forma organizada. E a polícia que matou, se calhar vai matar mais,” argumentou.

“Eu queria saber o que a COTE discute lá que mostra que desta vez não haverá fraudes, fala-se do cenário moderado, sete anos não é nada, isso é instrumentalização de pessoas. Quando iniciamos com o debate da COTE era para encontrar mecanismos para que as pessoas saiam das eleições felizes,” disse.

O jornalista destacou que se o grupo político que vai ser entregue o pacote eleitoral não divulgar a proposta e discutir, optando apenas em mandar a assembleia, vai ser aprovada como vai ser proposta. “O parlamento é uma espécie de um notário, tudo o que chega lá é carimbado e acabou. Era bom que as propostas que vão estar prontas até Dezembro viessem para o debate público para nós darmos a nossa opinião,” realçou.

Moiane criticou, igualmente, a postura dos partidos políticos e entende que não há oposição, só ganham conforto e garantias materiais. “Temos três líderes dos partidos que estão no parlamento, outros sentados no Conselho de Estado, para ganhar imunidade, importância e não para ir trabalhar. O resultado é que os três que estão no parlamento não se reúnem desde que os líderes deles entraram no Conselho de Estado, não há reunião nem da comissão política nem do conselho nacional e nem de nada, estão sentados porque lá eles conseguem comer, ter os seus fatos engomados,” disse e acrescentou que “a oposição que temos é faz de conta. Oposição que passa seis meses sem aparecer a público para dar uma opinião, uma oposição que fica calada perante o custo de vida. Muitos partidos pensam que ficando calados vão ter algo, mas alguns não terão nem deputado e vão reclamar dizendo que nós apoiamos, trabalhamos juntos.  Muitos pensam que vão ter votos sem o povo.” (Francisco Mário)

Voluntários que combatem lixo pedem material de trabalho em Nampula

Nampula (IKWELI) – Alguns munícipes que decidiram unir-se e formar uma associação para remover lixo nas artérias da cidade de Nampula, pedem ao autarca local, Luís Giquira, um apoio em material de trabalho para facilitar a remoção dos resíduos sólidos.

Trata-se de uma iniciativa de alguns voluntários, maioritariamente mulheres que ao constatar, em alguns pontos da cidade, que o lixo chega até aos quintais, pensaram em procurar uma alternativa de modo a minimizar a situação.

A presidente do grupo, Fátima Ferreira Liberato, explicou a imprensa que uma das acções que têm desenvolvido para o combate do lixo é o plantio de hortas. “Hoje estamos aqui em Napipine, onde havia uma grande lixeira, que, por conta disso, havia assaltos no período da noite. Tirámos o montão de lixo e colocamos hortas, como uma forma de combater o lixo,” afirmou.

A responsável disse ainda que os membros enfrentam algumas dificuldades com o material de trabalho. “Tentamos marcar várias vezes audiência com o presidente do município e não nos deixaram, não era por mal, nós gostaríamos de ter apenas apoio de luvas, ancinhos, máscaras, coletes e sementes para que depois de tirar o lixo possamos semear. Quando vamos ao município querendo falar com o presidente nos despacham,” lamentou.

A nossa entrevistada disse que a semelhança do que fizeram em Napipine, pretendem levar para outros pontos da cidade principalmente aqueles lugares onde se encontram grande quantidades de resíduos sólidos. (Francisco Mário, Foto: Higino Carlos)

ASCON exorta África a comprar, produzir e comerciar seus próprios produtos

Acra/Lusaka (IKWELI) – O Professor Douglas K. Boateng, Embaixador Extraordinário da Boa Vontade da Confederação Africana da Cadeia de Suprimentos (ASCON), dirá, aos líderes da cadeia de suprimentos que reunirão na Zâmbia no corrente mês, que a África precisa produzir mais do que consome, comprar mais do que produz e levar com orgulho seus próprios produtos para o mundo se quiser criar empregos e construir uma força econômica duradoura.

O Professor Boateng fará o discurso de abertura na Conferência ASCON 2026, que se espera ser o maior encontro continental deste ano focado em cadeias de suprimentos e industrialização, reunindo profissionais de compras, formuladores de políticas, executivos corporativos, acadêmicos e tomadores de decisão de toda a África.

Intitulada “Quebrando Barreiras Através do ‘Feito na África’”, a palestra do Professor Boateng abordará a importância vital de o continente se apropriar de seus próprios produtos. “Os produtos manufaturados na África devem, progressivamente, ostentar a expressão ‘FEITO NA ÁFRICA’ como sua identidade continental, qualificada pelo país de produção: FEITO NA ÁFRICA, Produzido em Gana; FEITO NA ÁFRICA, Produzido na Nigéria; FEITO NA ÁFRICA, Produzido na Zâmbia”, afirma, enfatizando que o continente também não deve hesitar em utilizar todas as letras maiúsculas na rotulagem dos produtos.

“O país de produção indica a origem do produto. “FABRICADO NA ÁFRICA” informa ao mundo a família econômica à qual ele pertence”, afirma o Professor Boateng. “Um produto pode ser orgulhosamente produzido em Gana e orgulhosamente fabricado na África. O orgulho nacional e a identidade econômica pan-africana devem se reforçar, e não competir entre si”, acrescenta.

O professor Boateng afirma que seu discurso visa abrir um diálogo construtivo sobre sua posição de que a verdadeira integração continental exige mais do que postos alfandegários e acordos comerciais. Em vez disso, requer o desmantelamento das barreiras psicológicas, de aquisição e institucionais que impedem os africanos de produzir, comercializar e comprar uns dos outros com confiança, explica ele.

“Por muito tempo, a África exportou o que tinha, importou o que conseguia aprender a produzir progressivamente e depois se perguntou por que empregos industriais estavam sendo criados em outros lugares”, afirma o professor Boateng. “Não podemos continuar exportando a semente, importando o fruto já pronto e reclamando que nossos jovens não conseguem encontrar trabalho.”

O professor Boateng também pretende desafiar os milhares de participantes especializados em cadeias de suprimentos a enxergarem suas decisões diárias como instrumentos de industrialização. “Toda decisão importante de compras é potencialmente uma decisão de industrialização”, afirma.

“Quando uma instituição gasta, ela também está decidindo qual fábrica receberá a demanda, quais trabalhadores permanecerão empregados e onde a capacidade produtiva de amanhã será construída”, acrescenta o professor Boateng.

O secretário-geral da ASCON, John Karani, afirma que a Conferência ASCON 2026, que será realizada entre 23 e 25 de setembro em Livingstone, Zâmbia, no Radisson Blu Mosi-Oa-Tunya Resort, representa uma oportunidade para conectar a capacidade profissional da África com suas ambições industriais mais amplas.

“Trata-se de mobilizar as pessoas cujas decisões diárias influenciam a produção, o abastecimento e o comércio em toda a África”, diz Karani. “Rotular com orgulho nossos produtos e beneficiamento como sendo feitos no continente, ao mesmo tempo que destacamos o país de origem, nos desafia a conectar a força produtiva nacional a um ecossistema econômico africano mais forte”, afirma.

O professor Boateng concluirá argumentando que o futuro industrial da África depende, em última análise, das escolhas que os próprios africanos fizerem, lançando um desafio prático a todos os profissionais da cadeia de suprimentos. “A África que desejamos não chegará simplesmente aos nossos portos em contêineres. Precisamos imaginá-la, financiá-la, obter seus insumos, produzi-la e comercializá-la com orgulho”, afirma.

“Aprenda globalmente. Compita globalmente. Mas produza produtos africanos e leve a excelência africana com confiança para o mundo. A África que desejamos permanece firmemente em nossas próprias mãos”, enfatiza o Professor Boateng. No espírito de NyansaKasa, palavras de sabedoria, ele diz: “A aldeia de onde veio o tambor merece reconhecimento, mas quando o ritmo do tambor viajar, o mundo deve saber que é africano.” (Redação)

“Deixem-nos arrumar e organizar a nossa província aqui. Deixem-nos trabalhar, deixem-nos,” recado do governador de Nampula aos membros da Frelimo que não deixam a província “avançar”

Nampula (IKWELI) – O comité provincial do partido Frelimo em Nampula organizou, no sábado (12), uma marcha de saudação ao seu presidente, Daniel Chapo, pela indicação da província para acolher o 13º Congresso da formação política em julho do próximo ano, 2027.

A marcha mobilizou muitos membros e simpatizantes, incluindo curiosos e o governador, Eduardo Mariamo Abdula, que é membro do Comité Central da Frelimo há mais de duas décadas, aproveitou da ocasião para apelar a outros camaradas que residem fora da província e que, a todo o custo, procuraram controlar o processo de tomada de decisões e o círculo de influências no maior círculo eleitoral, para que abandonem a prática.

No seu estilo característico, disposto e com maturidade política e intelectual, Abdula começou a sua intervenção com as seguintes palavras: “o pedido que eu quero fazer é para todos, a nível da nação.”

“Camaradas, eram aqui, já não são, façam lá trabalho lá [onde actualmente militam]. Deixem-nos arrumar e organizar a nossa província aqui. Deixem-nos trabalhar, deixem-nos,” este foi o pedido de Eduardo Abdula, deixando claro que “estão a ouvir onde eles estão, são nossos camaradas.”

Igualmente, o governador recordou aos seus camaradas a necessidade de seguir-se as orientações do presidente do partido, Daniel Chapo. “O Presidente [da Frelimo], lá em Manica [onde foi realizada a XI Conferência Nacional de Quadros da Frelimo] foi claro, disse que ‘não quero malandragem na Frelimo’”, então “não venham sentar aqui, montar gabinetes aqui, porque aquele [subentendendo-se Orlando Impissa, então primeiro secretário do comité distrital de Nampula] está a sair, já querem trazer um primeiro secretário aqui, não. Quem vai escolher são vocês [apontando a multidão dos membros e simpatizantes da Frelimo no local].

“Não vamos deixar interferência aqui, nós, aqui, é que vamos decidir quem queremos, o que queremos e para vamos levar,” concluiu o governador devolvendo a palavra ao primeiro secretário do comité provincial da Frelimo em Nampula, Gilberto Francisco. (Redação)

Flagrado a violar Código de Estrada: Agente da PRM flagrado abandona motorizada na via pública e foge

Nampula (IKWELI) – Um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), afecto numa das subunidades policiais da cidade de Nampula, fugiu ao ser flagrado sem capacete de proteção e problemas mecânicos na sua motorizada, abandonando o veículo na via pública.

O caso foi despoletado na sexta-feira (11), durante uma operação conjunta entre a Polícia de Proteção, Polícia de Trânsito (PT), Polícia Municipal e de Fiscalização, Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO) de Nampula, entre outras associações que velam pela segurança rodoviária na província.

O chefe da Secção de Instrução e Educação Pública, no Departamento da PT no Comando Provincial da PRM, Egídio Pedro, explicou que o suposto agente será sancionado. Só por violar as regras, não importa de que membro se trata, será sancionado e penalizado como os outros, dependendo da infracção que ele cometeu, irá ser sensibilizado de modo que amanhã não venha cometer o mesmo erro.”

A nossa equipe de reportagem entrevistou alguns motoqueiros que circulavam irregularmente na via pública e que se estiveram sob custódia da polícia, foram unânimes em afirmar que estão arrependidos por suas acções.  

“Fui capturado por não usar capacete e isso foi uma falha da minha parte, porque esqueci mesmo de levar em casa, como estava a me apressar para o mercado do Waresta para comprar cebola e depois vender,” contou Júlio Carlos

Por outro lado, Diocleciano Alfredo, taxista de motorizada há 3 anos, na praça do cemitério Novo da Faina e vendedor de peças de motorizada no mercado de Assanito, na cidade de Nampula, contou que “saí de casa com uma urgência e acabei esquecendo de levar o meu capacete, estava levar um cliente para o mercado Central. Sei dos riscos que posso estar a enfrentar aqui na estrada, e sabemos que a maioria das pessoas já tem o hábito de não pôr o capacete de protecção por causa de falta de fiscalização constante dos agentes da Polícia de Trânsito, e só por causa disso nós usamos apenas quando as viagens são longas, como distritais, eles fazem uma vez por cada ano, por isso estou muito arrependido.”

“Nos já pagamos várias vezes no comando da polícia, carta de condução e outros documentos só por causa da mesma situação, já gastamos dinheiro que variam de 500,00Mt (quinhentos meticais) a 1.000,00Mt (mil meticais), não estamos a ver a vantagem, este assunto não é por falta de capacete, mas sim eles querem nos prejudicar nós que sobrevivemos de táxi-mota,” rematou outro taxista de motorizada da cidade de Nampula, Faustino Amisse.

Durante a operação, foram apreendidas 150 motorizadas com diferentes tipos irregularidades de rodoviárias. (Virgínia Emília)

Há reformas no quadro de gestão do SERNAP

Nampula (IKWELI) – O Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP) reforçou a sua estrutura de liderança com a tomada de posse, no último fim-de-semana, a 22 membros da corporação, para cargos de direcção e chefia na Direcção-Geral e nos estabelecimentos penitenciários da Cidade e Província de Maputo.

Entre os empossados estão Sónia Carlos Cossa, Zacarias Manuel Chaguala, João Mateus Mathe, Cecília Vasco Manhiça Chilundo, Ismael Cassamo Fernando, Francisco Neto António e Amarina Paulino Wamusse, que passam a desempenhar diferentes funções na Direcção-Geral do SERNAP. Os restantes foram colocados em cargos de chefia nos estabelecimentos penitenciários Preventivo da Cidade de Maputo, Especial para Mulheres de Maputo, Máxima Segurança da Machava, Boane, Manhiça e Centro Penitenciário Aberto de Maguaza.

Durante o discurso de ocasião, o Director-Geral do SERNAP, David Arsénio, apelou aos recém-empossados a pautarem sua actuação nos princípios da legalidade, disciplina, integridade e espírito de missão. Segundo o dirigente, a nomeação representa não apenas uma progressão na carreira, mas também um voto de confiança e uma responsabilidade acrescida perante a instituição e a sociedade.

O Director-Geral desafiou ainda os novos responsáveis a concentrarem esforços no cumprimento das metas do SERNAP, com destaque para o reforço da segurança nos estabelecimentos penitenciários, combate à entrada de objectos ilícitos, prevenção de invasões e eliminação de práticas que possam facilitar fugas. Defendeu igualmente uma gestão mais eficiente e transparente, orientada para a reabilitação e reinserção social dos reclusos.

“Através deste acto, passam a assumir funções que exigem de vós um elevado sentido de responsabilidade, dedicação e lealdade aos vossos superiores hierárquicos. Esperamos de cada um de vós uma liderança pelo exemplo, capacidade de trabalho em equipa e compromisso inabalável com a missão do SERNAP,” frisou o Diretor-geral. (Malito João)

Durante o Primeiro Observatório Municipal: Giquira propõe escuta activa como estratégia para massificar seu governo

O Presidente do Conselho Municipal de Nampula (CMCN) disse nesta Quinta-feira (10) em Nampula que o seu governo vai atentar para as preocupações da população, assegurando que o Nampula pretende construir não tem cores partidárias.

Falando na ocasião, Giquira referiu que o que se está a construir não vai ficar para o seu governo, mas para a população, “O objetivo principal deste primeiro observatório é ter contribuições, queremos debates brancos, queremos enriquecer a nossa maneira de governar. O Nampula que queremos construir não tem cores partidárias, queremos ter a oportunidade de juntos pensarmos, sugerirmos, de juntos verificarmos o que podemos fazer para melhorar o ambiente de negócios, melhorar a nossa saúde a nível da nossa cidade. O Município sozinho não vai conseguir fazer. O que nós estamos a construir não vai ficar para este executivo, queremos construir uma cidade resiliente, queremos ter a oportunidade de juntos trabalharmos e definirmos prioridades,” disse o governante.

Giquira ainda reiterou que o seu governo pautará pela clareza na prestação de contas para a população, “A confiança entre o governo municipal e os cidadãos não se constrói com promessas retóricas, constrói-se com transparência, intransigência e prestação de contas rigorosa, nesta manhã o nosso executivo apresentará publicamente o balanço e o relatório da execução de planos de 2026referente ao primeiro trimestre, ver o nível de execução do nosso manifesto.”

Com a realização do Observatório municipal, Nampula torna-se o segundo município depois de Maputo que realiza uma acção do género no país. (Fátima Mugaveia)