ASCON exorta África a comprar, produzir e comerciar seus próprios produtos

Acra/Lusaka (IKWELI) – O Professor Douglas K. Boateng, Embaixador Extraordinário da Boa Vontade da Confederação Africana da Cadeia de Suprimentos (ASCON), dirá, aos líderes da cadeia de suprimentos que reunirão na Zâmbia no corrente mês, que a África precisa produzir mais do que consome, comprar mais do que produz e levar com orgulho seus próprios produtos para o mundo se quiser criar empregos e construir uma força econômica duradoura.

O Professor Boateng fará o discurso de abertura na Conferência ASCON 2026, que se espera ser o maior encontro continental deste ano focado em cadeias de suprimentos e industrialização, reunindo profissionais de compras, formuladores de políticas, executivos corporativos, acadêmicos e tomadores de decisão de toda a África.

Intitulada “Quebrando Barreiras Através do ‘Feito na África’”, a palestra do Professor Boateng abordará a importância vital de o continente se apropriar de seus próprios produtos. “Os produtos manufaturados na África devem, progressivamente, ostentar a expressão ‘FEITO NA ÁFRICA’ como sua identidade continental, qualificada pelo país de produção: FEITO NA ÁFRICA, Produzido em Gana; FEITO NA ÁFRICA, Produzido na Nigéria; FEITO NA ÁFRICA, Produzido na Zâmbia”, afirma, enfatizando que o continente também não deve hesitar em utilizar todas as letras maiúsculas na rotulagem dos produtos.

“O país de produção indica a origem do produto. “FABRICADO NA ÁFRICA” informa ao mundo a família econômica à qual ele pertence”, afirma o Professor Boateng. “Um produto pode ser orgulhosamente produzido em Gana e orgulhosamente fabricado na África. O orgulho nacional e a identidade econômica pan-africana devem se reforçar, e não competir entre si”, acrescenta.

O professor Boateng afirma que seu discurso visa abrir um diálogo construtivo sobre sua posição de que a verdadeira integração continental exige mais do que postos alfandegários e acordos comerciais. Em vez disso, requer o desmantelamento das barreiras psicológicas, de aquisição e institucionais que impedem os africanos de produzir, comercializar e comprar uns dos outros com confiança, explica ele.

“Por muito tempo, a África exportou o que tinha, importou o que conseguia aprender a produzir progressivamente e depois se perguntou por que empregos industriais estavam sendo criados em outros lugares”, afirma o professor Boateng. “Não podemos continuar exportando a semente, importando o fruto já pronto e reclamando que nossos jovens não conseguem encontrar trabalho.”

O professor Boateng também pretende desafiar os milhares de participantes especializados em cadeias de suprimentos a enxergarem suas decisões diárias como instrumentos de industrialização. “Toda decisão importante de compras é potencialmente uma decisão de industrialização”, afirma.

“Quando uma instituição gasta, ela também está decidindo qual fábrica receberá a demanda, quais trabalhadores permanecerão empregados e onde a capacidade produtiva de amanhã será construída”, acrescenta o professor Boateng.

O secretário-geral da ASCON, John Karani, afirma que a Conferência ASCON 2026, que será realizada entre 23 e 25 de setembro em Livingstone, Zâmbia, no Radisson Blu Mosi-Oa-Tunya Resort, representa uma oportunidade para conectar a capacidade profissional da África com suas ambições industriais mais amplas.

“Trata-se de mobilizar as pessoas cujas decisões diárias influenciam a produção, o abastecimento e o comércio em toda a África”, diz Karani. “Rotular com orgulho nossos produtos e beneficiamento como sendo feitos no continente, ao mesmo tempo que destacamos o país de origem, nos desafia a conectar a força produtiva nacional a um ecossistema econômico africano mais forte”, afirma.

O professor Boateng concluirá argumentando que o futuro industrial da África depende, em última análise, das escolhas que os próprios africanos fizerem, lançando um desafio prático a todos os profissionais da cadeia de suprimentos. “A África que desejamos não chegará simplesmente aos nossos portos em contêineres. Precisamos imaginá-la, financiá-la, obter seus insumos, produzi-la e comercializá-la com orgulho”, afirma.

“Aprenda globalmente. Compita globalmente. Mas produza produtos africanos e leve a excelência africana com confiança para o mundo. A África que desejamos permanece firmemente em nossas próprias mãos”, enfatiza o Professor Boateng. No espírito de NyansaKasa, palavras de sabedoria, ele diz: “A aldeia de onde veio o tambor merece reconhecimento, mas quando o ritmo do tambor viajar, o mundo deve saber que é africano.” (Redação)

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