
Nampula (IKWELI) – O jornalista e analista político moçambicano, Salomão Moiane, entende que o diálogo Nacional Inclusivo não vai evitar conflitos pós-eleitorais em Moçambique, porque a forma como o processo eleitoral é conduzido no país permite que haja desconfianças.
Moiane falava em um debate promovido pelo Centro de Integridade Pública (CIP) em análise sobre as actividades realizadas pela Comissão Técnica do Diálogo Inclusivo, defendendo que durante o diálogo não se verificou a discussão sobre os mecanismos para combater a fraude eleitoral.
“Até aqui não se discutiu a fraude em Moçambique, nas próximas eleições vamos ter uma fraude monumental e as pessoas que manifestaram contra os resultados em 2024 vão continuar a se manifestar, talvez em escala maior, porque já tiveram experiências de fazer manifestação de forma organizada. E a polícia que matou, se calhar vai matar mais,” argumentou.
“Eu queria saber o que a COTE discute lá que mostra que desta vez não haverá fraudes, fala-se do cenário moderado, sete anos não é nada, isso é instrumentalização de pessoas. Quando iniciamos com o debate da COTE era para encontrar mecanismos para que as pessoas saiam das eleições felizes,” disse.
O jornalista destacou que se o grupo político que vai ser entregue o pacote eleitoral não divulgar a proposta e discutir, optando apenas em mandar a assembleia, vai ser aprovada como vai ser proposta. “O parlamento é uma espécie de um notário, tudo o que chega lá é carimbado e acabou. Era bom que as propostas que vão estar prontas até Dezembro viessem para o debate público para nós darmos a nossa opinião,” realçou.
Moiane criticou, igualmente, a postura dos partidos políticos e entende que não há oposição, só ganham conforto e garantias materiais. “Temos três líderes dos partidos que estão no parlamento, outros sentados no Conselho de Estado, para ganhar imunidade, importância e não para ir trabalhar. O resultado é que os três que estão no parlamento não se reúnem desde que os líderes deles entraram no Conselho de Estado, não há reunião nem da comissão política nem do conselho nacional e nem de nada, estão sentados porque lá eles conseguem comer, ter os seus fatos engomados,” disse e acrescentou que “a oposição que temos é faz de conta. Oposição que passa seis meses sem aparecer a público para dar uma opinião, uma oposição que fica calada perante o custo de vida. Muitos partidos pensam que ficando calados vão ter algo, mas alguns não terão nem deputado e vão reclamar dizendo que nós apoiamos, trabalhamos juntos. Muitos pensam que vão ter votos sem o povo.” (Francisco Mário)





