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Comunidade de Nahene 1 satisfação com a construção de novas salas de aula

Nampula (IKWELI) – A comunidade de Nahene 1, na periferia da cidade de Nampula, está satisfeita com o arranque das obras de construção de salas de aula na escola primária local.

Orçada em mais de 4 milhões de meticais, a infra-estrutura, cujas obras decorrem com o financiamento da Comunidade de Sant’ Egidio, deverá retirar crianças que aprendem a ler e a escrever ao relento.

Com a conclusão das obras, previstas para novembro próximo, espera-se que cerca de 1.200 alunos passem a estudar em condições condignas.

Os pais e encarregados de educação consideram que a construção representa um importante alívio para as crianças, sobretudo porque estudar ao ar livre expõe os alunos a vários riscos como atropelamentos por motorizadas e bicicletas, além das dificuldades enfrentadas durante a época chuvosa.

Glória Fernando, mãe de três filhos, incluindo um de 10 anos que frequenta a 3ª classe ao relento, disse estar satisfeita com a iniciativa. “Estou feliz por saber que estão a construir mais salas de aula para ajudar os nossos filhos que estudam ao relento, porque são muitos os riscos que eles enfrentam. Já tivemos vários casos de atropelamento de crianças enquanto estudavam, sobretudo porque ficam fora das salas e próximo da estrada, onde passam motas e bicicletas”, afirmou.

Por sua vez, Teresa Safata considera que a construção das novas salas representa um sinal de crescimento da escola, mas recorda as dificuldades enfrentadas pelos alunos que estudam ao ar livre, principalmente durante a época chuvosa.

“Agradecemos pela iniciativa, porque vemos que a nossa escola já está a crescer com as salas de aula que estão a ser construídas. Antes destas salas, os alunos estudavam ao relento e, durante o período chuvoso, passavam mal e, por vezes, acabavam por ficar algum tempo sem estudar”, explicou.

Apesar da satisfação com a construção das duas salas, os pais e encarregados de educação defendem que ainda há muito por fazer. Entre as principais necessidades apontadas estão a alocação de carteiras, reabilitação das salas existentes, instalação de um sistema de abastecimento de água potável e melhoria de outros serviços básicos.

O secretário da unidade comunal de Nahene-1, Vasconcelos Rachide, também considera positiva a iniciativa, mas alerta que as duas salas não serão suficientes para responder à crescente procura. “O número de alunos que estudam ao relento continua a crescer. Pior ainda é durante o período chuvoso, quando os alunos ficam sem acesso às aulas. Isso é prejudicial, porque ficam sem aprender. Com estas duas salas que estão a ser construídas, ainda não será possível acomodar todas as turmas que estudam ao relento”, explicou.

Rachide revelou ainda que existem expectativas em relação à construção de uma escola básica na comunidade, uma vez que muitas crianças percorrem longas distâncias para chegar às instituições de ensino deste nível. “Prometeram que vão procurar mecanismos para a construção de uma escola básica para os nossos alunos, que passam por dificuldades para chegar às escolas distantes daqui. Esperamos que isso se concretize”, disse.

O director da Escola Primária e Completa de Nahene-1, Pedro Culehane, acredita que a construção das novas salas permitirá reduzir significativamente o número de alunos que estudam ao ar livre. “Acreditamos que vamos sair da situação mais difícil, que é o elevado número de alunos que estudam ao ar livre. No próximo ano estaremos melhor”, afirmou.

Segundo o director, a escola conta actualmente com 2.143 alunos, dos quais cerca de 1.200 serão beneficiados directamente pelas duas novas salas de aula. A instituição possui ainda 11 turmas que funcionam ao relento, devido à insuficiência de infra-estruturas.

Culehane destacou igualmente a contribuição dos pais e encarregados de educação, tanto em materiais de construção como em valores monetários, para a construção de pelo menos seis salas de aula, numa iniciativa que visa reduzir o número de alunos que estudam em condições precárias.

Apesar dos avanços, a direcção da escola e a comunidade defendem a necessidade de novas intervenções para garantir que todas as crianças tenham acesso a um ambiente escolar seguro, digno e adequado ao processo de ensino e aprendizagem. (Virgínia Emília)

Moçambique reforça sistema de saúde com nova entrega de medicamentos

Maputo (IKWELI) – O Governo de Moçambique recebeu, na segunda-feira (14), em Maputo, um novo lote de medicamentos e material médico-cirúrgico, avaliado em cerca de 35 milhões de dólares, com apoio do Banco Mundial, numa iniciativa que pretende melhorar a disponibilidade de insumos nas unidades sanitárias e garantir que os recursos cheguem efectivamente aos pacientes.

Durante a cerimónia, o ministro da Saúde, Ussene Isse, apelou ao rigor, transparência e controlo na utilização dos medicamentos e materiais hospitalares.

Isse destacou que a disponibilização dos produtos só terá impacto real se chegar aos doentes. “Podemos ter tantos medicamentos, mas se estes não chegam à boca do doente não melhora o atendimento”.

Uma das novidades apresentadas é a introdução de um selo de rastreabilidade nos medicamentos, mecanismo que deverá permitir acompanhar os produtos ao longo da cadeia de distribuição e ajudar a combater o roubo, desvio e outras irregularidades.

O ministro Isse considera a medida uma das reformas importantes para modernizar a gestão dos medicamentos no país, uma vez que surge num contexto de preocupação do Governo com o furto, desvio, desperdício e outras irregularidades na cadeia de abastecimento de medicamentos.

O director da divisão do Banco Mundial para Moçambique, Madagáscar, Maurícias, Camarões e Seicheles, Fily Sissoko, disse que a disponibilidade de medicamentos deve ser capaz de responder a necessidade do paciente.

Sissoko desafiou ao ministério da Saúde a ser capaz de identificar as estratégias anteriores, melhorar a distribuição e manter cada parte da rede de suplementos responsável pelo resultado. (Antónia Mazive)

PRM não confirma baleamento de dois agentes da UIR em Alua

Nampula (IKWELI) – O Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, não confirma o baleamento de dois agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), no posto administrativo de Alua, distrito de Eráti, alegadamente quando tentavam assaltar a residência de um agente económico.

Durante uma conferência de imprensa, nesta segunda-feira (14), na cidade de Nampula, o comandante provincial da PRM, Miquichone Afonso, foi questionado sobre o assunto e este afirmou não ter conhecimento do caso, mas garantiu que iria averiguar melhor a situação, para posteriormente se pronunciar perante a imprensa.

“Acho que não é momento oportuno para podermos nos pronunciar sobre isso. Estamos a buscar informações neste sentido. Aliás, estou a ouvir consigo que houve baleamento de polícias. Então, tenho que ir trabalhar para verificar se essa informação que está a trazer é real ou não. Vamos seguir a sua informação e, se tivermos algum resultado, será tornado público”, disse Afonso.

Refira-se que, desde esta segunda-feira, circulam nas redes sociais informações dando conta de que os dois agentes da UIR teriam sido os primeiros a disparar contra o segurança que guardava a residência e este, por sua vez, terá respondido aos disparos, atingindo os dois oficiais.

O incidente ocorreu na passada quinta-feira (10) de Setembro corrente sendo que os dois oficiais baleados alegadamente encontram-se internados na ortopedia do Hospital Central de Nampula (HCN). (Virgínia Emília)

Comunidade LGBTQIA+ ainda sente-se marginalizada em Nampula

Nampula (IKWELI) – A EKWEI, Associação para o Desenvolvimento Económico, Cultural e Cívico de Nampula, afirma que, durante o primeiro semestre do corrente ano, proveu assistência a 153 pessoas da comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros/Transexuais/Travestis, Queer, Intersexo, Assexuais e outras identidades (LGBTQIA+) vítimas de estigma e descriminação.

Na segunda-feira (14), a organização promoveu um encontro de operacionalização de um dos seus eixos de actuação, voltado à promoção dos direitos humanos dos membros da comunidade.

Moato Saíde, director executivo da EKWEI, disse que, dos casos assistidos, 142 encontraram soluções judicialmente.

“Face as preocupações, neste momento acolhemos discussão com a sociedade civil e governo para reduzir os riscos de desigualdades de género persistentes, as normas sociais discriminatórias e represálias contra quem defende igualdade, saúde, direitos sexuais e reprodutivos, justiça ambiental e participação política. O Ambiente digital tornou-se um espaço hostil, o assédio online, discurso de ódio, eyberbullying, doxxing, roubo de identidade”, disse Moato Saíde

A fonte apontou que das vulnerabilidades às minorias sexuais destacam-se a falta de acesso a ferramentas de segurança digital, apoio jurídico, serviços psicossociais e mecanismos institucionais de protecção. (Nelsa Momade)

Sarampo continua “agressivo” em Nampula

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula está a registar aumento de casos de sarampo, tendo sido registado, até esta terça-feira (15), 1498 (mil, quatrocentos e noventa e oito) casos, dos quais três (3) casos resultaram em mortes.

Os distritos de Nampula, Eráti, Malema, Memba, Nacala, Mogovolas, Mecubúri, Muecate e Liupo são os que registam casos da doença.

Selma Xavier, directora provincial da Saúde de Nampula, disse, em conferência de imprensa, no final da 11ª sessão ordinária do Conselho Executivo Provincial realizada nesta terça-feira, 15 de setembro, que os distritos em alusão já beneficiaram de campanhas de bloqueio, de forma a evitar o alastramento da doença para os outros pontos.

“Os outros distritos não realizaram a campanha de bloqueio, mas estão a fazer vacinação de bloqueio em comunidades através de brigadas moveis, “disse.

De acordo com Xavier, não é possível fazer uma campanha muito abrangente porque no momento não há recursos. “Estamos a trabalhar com parceiros locais, temos a UniLúrio que está a apoiar na componente de vacinação. Agora estamos a preparar para a campanha do bloqueio nos dos distritos de Memba e Liupo.

Segundo aquela responsável, o que está a falhar para que a província continue a registar mais casos, é devido a falta de vacinação porque os que apanharam o surto são pessoas que nunca tiveram a vacina contra sarampo e estas pessoas geralmente estão distantes das unidades sanitárias, sendo que estes locais são brigadas moveis de vacinação. (Francisco Mário)

Mais de 300 membros abandonam ANAMOLA em Nacala

Nacala (IKWELI) – Mais de 300 militantes do partido ANAMOLA, no distrito de Nacala, reuniram-se no sábado passado na sua sede para renunciar à sua permanência no partido.

Segundo apurou o Ikweli, os mais de 300 membros e simpatizantes abandonaram aquela formação política por alegada falta de transparência e acusam o presidente, Venâncio Mondlane, de ser “um lobo revestido de pele de cordeiro”.

“Estamos aqui para informar ao público e a nação de que já saímos do ANAMOLA. Nós achávamos que podíamos encontrar um líder capaz de acolher o povo, que tanto clama pela libertação desta nação, mas, internamente, encontramos um ambiente de combate. Em vez de unir, ele divide os membros, levando-os ao SERNIC [Serviço Nacional de Investigação Criminal] e a Procuradoria. Ele não é o que diz ser. Por isso, vamos afastar-nos do seu partido. O ANAMOLA nasceu em Nacala e é aqui onde vai morrer,” afirmou um dos antigos militantes.

Na mesma senda, outro militante foi mais longe, chamando Venâncio Mondlane de “lobo devorador” e que “Venâncio Mondlane é um disfarçado. Ele é um lobo devorador e nós queremos sair o mais rápido possível do ANAMOLA. Sair é a palavra de ordem. Não queremos mais. Preferimos ficar em casa do que perder tempo com uma pessoa sem agenda”, declarou.

Falando ao Ikweli, na manhã desta terça-feira (15), Raul Novinte, ex-coordenador do partido ANAMOLA, sendo um dos que renunciou, reagiu afirmando que “eu sabia que cairia sobre a minha cabeça, mas participei na renúncia como um simples membro. Estive lá para atender e acompanhar. Eu sabia que as pessoas haveriam de me procurar porque estive lá, mas a questão é que simplesmente estive a renunciar ao partido ANAMOLA e a fazer a entrega do cartão. Neste momento, não vou falar nada. Acredito que o meu tempo para falar ainda não chegou. Depois de alguns meses, terei algo para falar.”  (Fátima Mugaveia)

Noventa quilogramas de soruma levam dois amigos aos calabouços

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, deteve dois camionistas, de nacionalidades moçambicana e tanzaniana, indiciado no transporte de drogas, precisamente a 90 quilogramas de cannabis sativa, também conhecida por soruma, na semana passada.

Os indiciados foram exibidos à imprensa na tarde desta terça-feira (15), na companhia de outros indivíduos identificados como praticantes de actos criminais.

Na mesma sequência, dois irmãos foram, também, exibidos, sob acusação de detenção na posse de 15 palitos de droga, na residência deles no bairro de Murrapaniua, na periferia da cidade de Nampula.

O primeiro grupo, dos camionistas, assumiu que transportava a droga para a cidade de Lichinga, capital da província do Niassa, afirmando que ganharia 30.000,00Mt (trinta mil meticais) com a operação.

“Fui contactado com o senhor Pablo para levar essa encomenda de 5 fardos de droga para Lichinga, e nunca tinha acontecido isso comigo desde na minha vida,” disse o indicado, de nacionalidade moçambicana. 

Outro detido disse que “polícia me apanhou na minha casa, com a minha soruma, 15 palitos que eu consumo, eles disseram que eu era vendedor de droga, mas eu disse que não era e levaram dinheiro 850,00Mt (oitocentos meticais), da minha mulher, levaram e juntaram com a soruma, alegando que era fruto de venda da mesma droga, e também levaram meu irmão que também não sabe o que está a acontecer. Eu fumo porque sou pedreiro e me ajuda a ter mais forças quando estou a trabalhar, comecei a fumar em 2012, e trabalho desde 2007. Essas drogas me vendem com pessoas no valor de 50,00Mt (cinquenta meticais) cada palito, eles trazem lá no meu trabalho e fico mais de duas semanas sem procurar”. 

De acordo com o porta-voz da (PRM) em Nampula, Dércio Samuel, a droga apreendida estava a caminho de Lichinga e estava camuflado em fardos com vista a distrair a fiscalização ao nível dos postos de controle. “Os mesmos indivíduos são tidos como consumidores e vendedores de droga, são eles que conseguem levar fora do país e vem introduzir cá em Moçambique.”

Ainda em Nampula, a polícia apresentou mais uma quadrilha composta por três indivíduos, com idades que variam entre 22 e 28 anos, acusados de semear terror, através de roubo e furto de bens na via pública e em residências, no distrito de Angoche. 

Um dos acusados, de 22 anos de idade, residente na cidade de Nampula, confirma que, com dois amigos de Moma e Angoche, praticara assaltos e roubos de computadores, plasma e motorizada, numa residência, na última semana. (Virgínia Emília)

Prevalência de acidentes de viação preocupa comandante da PRM em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Comandante Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, Miquichone Afonso, manifestou-se preocupado, na tarde desta segunda-feira (14), com a prevalência de casos de acidentes de viação.

Afonso dirigiu na ocasião ao lançamento da 34ª Jornada Nacional da Polícia de Trânsito, que decorre de 14 a 20 do corrente mês sob lema “A estrada, cada viagem segura é uma família feliz” e como objectivo promover a segurança rodoviária e preservação das vidas humanas, numa altura que os casos de sinistralidade rodoviária continuam a constituir motivo de luto na província.

Na ocasião, o comandante exortou aos agentes da Polícia de Trânsito e outros oficiais da corporação de segurança rodoviária a reforçarem o trabalho de sensibilização, fiscalização rodoviária, prevenção na condução sob efeito de álcool e excesso de velocidade, ultrapassagem irregulares, condições de veículos, incluindo o uso de capacete.

Afonso anotou que durante os dias de que há fiscalização rodoviária, não pode ser vista apenas como uma acção sancionatória, mas sim como um instrumento de prevenção e protecção da vida humana.

Igualmente, apelou aos condutores a conduzirem com prudência e a obedecem as regras de trânsito.

Por sua vez, Samuel dos Santos, delegado provincial do Instituto Nacional de Transportes Rodoviários, em Nampula, destacou como principais causas de acidentes de viação em Nampula, o excesso de lotação na viatura, consumo de bebidas alcoólicas na condução.

“Maior parte dos pacientes internados nos hospitais são de casos de acidentes de viação, só neste ano já perdemos mais de 30 pessoas, então não podemos continuar a assistir percas nas nossas vias”.

Os condutores que se beneficiavam da sensibilização das autoridades policiais, dizem ter acatado a mensagem e garantem colocar em prática, com vista a reduzirem derramamento de sangues nas vias públicas. (Virgínia Emília)

Moçambique ocupa 32.º lugar entre países mais acolhedores e 136.º no ranking de passaportes

Maputo (IKWELI) – Moçambique ocupa o 32.º lugar entre 199 países no ranking de países mais acolhedores, indicador que mede a facilidade de entrada concedida a passaportes estrangeiros. No sentido inverso da mobilidade internacional, o ranking do passaporte moçambicano coloca o documento na 136.ª posição global em 2026, com uma pontuação de mobilidade de 67 e acesso a 33,8% dos destinos avaliados.

O total de 67 destinos acessíveis resulta de 32 destinos sem visto, 31 classificados na categoria de visto à chegada ou outros mecanismos de entrada facilitada e quatro com autorização eletrónica de viagem, eTA. Outros 131 destinos exigem visto. A soma das três modalidades de acesso facilitado corresponde à pontuação de mobilidade indicada no relatório.

África concentra a maior cobertura regional

Em África, o passaporte de Moçambique ocupa o 22.º lugar entre 54 países e alcança 67,9% de cobertura, a percentagem mais alta entre as regiões apresentadas no relatório. Dos destinos africanos avaliados, 18 permitem entrada sem visto, 15 estão na categoria de visto à chegada ou procedimentos facilitados, três utilizam autorização eletrónica de viagem e 17 exigem visto.

Entre os acessos sem visto com relevância regional estão Angola e a África do Sul, ambos com estadia indicada de 30 dias, além do Malawi, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe, com 90 dias. Eswatini surge com 30 dias, enquanto Quénia e Ruanda aparecem, respetivamente, com 90 e 30 dias.

Cobertura regional vai de 0% a 67,9%

Fora de África, os resultados variam de forma significativa. As Caraíbas apresentam 56,3% de acesso, com sete destinos sem visto e dois na categoria de visto à chegada ou entrada facilitada; a Oceânia regista 42,9%, com três destinos sem visto e três nessa categoria; e a América do Norte apresenta 34,8%, com seis destinos sem visto e dois com entrada facilitada. Na América do Sul, a cobertura é de 25,0%, enquanto na Ásia chega a 28,0%.

Na Europa, todos os 47 destinos listados exigem visto ao passaporte moçambicano, o que corresponde a 0% de acesso facilitado. O mesmo resultado de 0% aparece nos seis países do Golfo, nos cinco destinos da Ásia Central e nos 17 destinos classificados na região do Médio Oriente.

Estadias longas e procedimentos eletrónicos

A lista mundial mostra diferenças relevantes não apenas no tipo de entrada, mas também no período de permanência. Dominica permite entrada sem visto por 180 dias e Vanuatu por 120 dias. Singapura aparece entre os destinos sem visto com cartão de chegada e estadia de 30 dias, enquanto o Suriname surge com cartão de turista e 90 dias.

Entre os destinos classificados na categoria de visto à chegada ou outros mecanismos simplificados, o Nepal apresenta até 150 dias e vários países indicam disponibilidade de visto eletrónico, incluindo Índia, Indonésia e Vietname. Nos quatro destinos associados a autorização eletrónica de viagem, o relatório identifica a Costa do Marfim com pré-registo e 90 dias, Gana com 90 dias, Seicheles com registo de turista e 90 dias, e Sri Lanka com 30 dias.

Reciprocidade mostra dois sentidos distintos

Os sinais de reciprocidade reforçam a necessidade de separar a mobilidade do passaporte moçambicano dos requisitos de visto para entrar em Moçambique. O relatório lista 128 países cujos passaportes podem entrar em Moçambique sem visto, com autorização eletrónica ou através de visto à chegada, embora esses mesmos países exijam visto ao passaporte moçambicano.

No sentido oposto, Bangladesh, Índia e Sri Lanka aparecem como três casos em que os respetivos passaportes necessitam de visto para entrar em Moçambique, ao passo que o passaporte moçambicano dispõe de entrada sem visto, autorização eletrónica ou visto à chegada nesses destinos. O dado é apresentado como sinal de reciprocidade e não atribui causas políticas, diplomáticas ou económicas às diferenças observadas.

Posições em grupos comparáveis

Nos recortes complementares do relatório, Moçambique ocupa o 7.º lugar entre 10 países classificados pela língua oficial portuguesa. Entre os 57 países da Organização da Cooperação Islâmica, surge em 24.º; na União Africana, repete a 22.ª posição entre 54; e na Commonwealth ocupa o 48.º lugar entre 56 países. No G77, o passaporte moçambicano está em 82.º entre 132 membros, enquanto entre os membros da Organização Mundial do Comércio aparece em 126.º entre 159.

O conjunto de indicadores mostra uma mobilidade internacional concentrada sobretudo no continente africano e em partes das Caraíbas e da Oceânia, ao mesmo tempo que a maioria dos destinos globais continua a exigir visto. A pontuação de mobilidade de 67, a cobertura mundial de 33,8% e a 32.ª posição na classificação de acolhimento oferecem duas perspetivas complementares: a facilidade de saída para titulares do passaporte moçambicano e a facilidade de entrada concedida por Moçambique a titulares de passaportes estrangeiros. (Redação)

Docentes e investigadores da UP-Maputo lançam a obra «Didáctica do Português»

Maputo (IKWELI) – A Gala-Gala Edições anuncia o lançamento do livro «Didáctica do Português: Metodologias, Paradigmas Pedagógicos e Formação de Professores», uma obra colectiva que reúne pesquisas de docentes e investigadores da Universidade Pedagógica de Maputo sobre o ensino da Língua Portuguesa. A sessão de apresentação terá lugar no dia 22 de Setembro, pelas 15h00, na Sala dos Grandes Actos da UP-Maputo, e estará a cargo da académica Tomásia Mataruca Nhazilo.

Organizada pelas professoras e investigadoras Hildizina Norberto Dias e Orlanda Lídia da Silva Gomane, a obra tem 280 páginas e reúne doze estudos que propõem abordagens didácticas renovadas e reflectem sobre os paradigmas que sustentam a aprendizagem das diferentes habilidades linguísticas, abordando também os desafios práticos e teóricos da formação de professores.

A estrutura do livro divide-se em três eixos fundamentais: o primeiro aborda as questões gerais do processo de ensino-aprendizagem sob a óptica da interculturalidade, da diversidade e das políticas linguísticas; o segundo concentra-se em estratégias para o desenvolvimento de competências específicas, com ênfase no ensino da escrita e na análise dos manuais escolares; e o terceiro reúne reflexões sobre a dimensão estética da docência, a supervisão pedagógica e o compromisso político-cultural do professor na consolidação da moçambicanidade.

Pelo seu escopo e rigor analítico, a obra destina-se a docentes, formadores e investigadores das Ciências da Linguagem e da Didáctica de Línguas, visando contribuir directamente para a melhoria da qualidade do ensino do Português no país. Integram o volume os autores Agostinho Goenha, Angelina Comé, Artur Bernardo Minzo, David António, Ernesto Guimino Júnior, Hegren Lhunguana, Hildizina Norberto Dias, Ilídio Pedro, Jerónimo Simão, Jorgete de Jesus, Josefina Marília R. C. Ferrete, Orlanda Lídia da Silva Gomane, Paula Cruz e Valério David.

O título a integra a colecção «Nossa gente, nossas línguas», da Gala-Gala Edições. O evento de lançamento é de entrada livre e aberta a toda a comunidade académica e ao público em geral. (Redação)