Moçambique ocupa 32.º lugar entre países mais acolhedores e 136.º no ranking de passaportes

Maputo (IKWELI) – Moçambique ocupa o 32.º lugar entre 199 países no ranking de países mais acolhedores, indicador que mede a facilidade de entrada concedida a passaportes estrangeiros. No sentido inverso da mobilidade internacional, o ranking do passaporte moçambicano coloca o documento na 136.ª posição global em 2026, com uma pontuação de mobilidade de 67 e acesso a 33,8% dos destinos avaliados.

O total de 67 destinos acessíveis resulta de 32 destinos sem visto, 31 classificados na categoria de visto à chegada ou outros mecanismos de entrada facilitada e quatro com autorização eletrónica de viagem, eTA. Outros 131 destinos exigem visto. A soma das três modalidades de acesso facilitado corresponde à pontuação de mobilidade indicada no relatório.

África concentra a maior cobertura regional

Em África, o passaporte de Moçambique ocupa o 22.º lugar entre 54 países e alcança 67,9% de cobertura, a percentagem mais alta entre as regiões apresentadas no relatório. Dos destinos africanos avaliados, 18 permitem entrada sem visto, 15 estão na categoria de visto à chegada ou procedimentos facilitados, três utilizam autorização eletrónica de viagem e 17 exigem visto.

Entre os acessos sem visto com relevância regional estão Angola e a África do Sul, ambos com estadia indicada de 30 dias, além do Malawi, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe, com 90 dias. Eswatini surge com 30 dias, enquanto Quénia e Ruanda aparecem, respetivamente, com 90 e 30 dias.

Cobertura regional vai de 0% a 67,9%

Fora de África, os resultados variam de forma significativa. As Caraíbas apresentam 56,3% de acesso, com sete destinos sem visto e dois na categoria de visto à chegada ou entrada facilitada; a Oceânia regista 42,9%, com três destinos sem visto e três nessa categoria; e a América do Norte apresenta 34,8%, com seis destinos sem visto e dois com entrada facilitada. Na América do Sul, a cobertura é de 25,0%, enquanto na Ásia chega a 28,0%.

Na Europa, todos os 47 destinos listados exigem visto ao passaporte moçambicano, o que corresponde a 0% de acesso facilitado. O mesmo resultado de 0% aparece nos seis países do Golfo, nos cinco destinos da Ásia Central e nos 17 destinos classificados na região do Médio Oriente.

Estadias longas e procedimentos eletrónicos

A lista mundial mostra diferenças relevantes não apenas no tipo de entrada, mas também no período de permanência. Dominica permite entrada sem visto por 180 dias e Vanuatu por 120 dias. Singapura aparece entre os destinos sem visto com cartão de chegada e estadia de 30 dias, enquanto o Suriname surge com cartão de turista e 90 dias.

Entre os destinos classificados na categoria de visto à chegada ou outros mecanismos simplificados, o Nepal apresenta até 150 dias e vários países indicam disponibilidade de visto eletrónico, incluindo Índia, Indonésia e Vietname. Nos quatro destinos associados a autorização eletrónica de viagem, o relatório identifica a Costa do Marfim com pré-registo e 90 dias, Gana com 90 dias, Seicheles com registo de turista e 90 dias, e Sri Lanka com 30 dias.

Reciprocidade mostra dois sentidos distintos

Os sinais de reciprocidade reforçam a necessidade de separar a mobilidade do passaporte moçambicano dos requisitos de visto para entrar em Moçambique. O relatório lista 128 países cujos passaportes podem entrar em Moçambique sem visto, com autorização eletrónica ou através de visto à chegada, embora esses mesmos países exijam visto ao passaporte moçambicano.

No sentido oposto, Bangladesh, Índia e Sri Lanka aparecem como três casos em que os respetivos passaportes necessitam de visto para entrar em Moçambique, ao passo que o passaporte moçambicano dispõe de entrada sem visto, autorização eletrónica ou visto à chegada nesses destinos. O dado é apresentado como sinal de reciprocidade e não atribui causas políticas, diplomáticas ou económicas às diferenças observadas.

Posições em grupos comparáveis

Nos recortes complementares do relatório, Moçambique ocupa o 7.º lugar entre 10 países classificados pela língua oficial portuguesa. Entre os 57 países da Organização da Cooperação Islâmica, surge em 24.º; na União Africana, repete a 22.ª posição entre 54; e na Commonwealth ocupa o 48.º lugar entre 56 países. No G77, o passaporte moçambicano está em 82.º entre 132 membros, enquanto entre os membros da Organização Mundial do Comércio aparece em 126.º entre 159.

O conjunto de indicadores mostra uma mobilidade internacional concentrada sobretudo no continente africano e em partes das Caraíbas e da Oceânia, ao mesmo tempo que a maioria dos destinos globais continua a exigir visto. A pontuação de mobilidade de 67, a cobertura mundial de 33,8% e a 32.ª posição na classificação de acolhimento oferecem duas perspetivas complementares: a facilidade de saída para titulares do passaporte moçambicano e a facilidade de entrada concedida por Moçambique a titulares de passaportes estrangeiros. (Redação)

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