Namapa: Novos deslocados ainda não começaram a receber assistência

Nampula (IKWELI) – Os deslocados que fugiram do distrito de Chiúre, na vizinha província de Cabo Delgado, por conta do recrudescimento dos ataques terroristas, ainda não começaram a receber nenhum tipo de assistência humanitária na vila de Namapa, no distrito de Eráti.

O administrador daquele distrito, Manuel Manussa, confirmou ao Ikweli que desde a chegada, os deslocados ainda não começaram a receber mantimentos, mas acredita que o governo, no nível provincial, esteja a fazer de tudo para ajudar.

Esta fonte disse que, neste momento, os deslocados estão acolhidos na localidade de Milepha e na sede do posto administrativo de Alua.

Manussa acredita que os primeiros apoios poderão estar em Eráti a partir de amanha, dia 23, garantindo que esteja a acontecer algum carregamento de produtos que irão beneficiar aqueles deslocados, para “logo cedo iniciamos com o processo de distribuição”.

Não é só comida que falta aos deslocados, como também um local para dormir, bem como o reforço da segurança no distrito de Eráti.

Entretanto, em conferência de imprensa, o Secretário de Estado na província de Nampula, Jaime Neto, garantiu haver condições para apoiar aqueles concidadãos que procuram segurança fora das suas aldeias de origem. (Hermínio Raja)

Mais de quatro mil crianças sofrem de desnutrição aguda na província de Nampula

Nampula (IKWELI) – O total de 4.607 (quatro mil, seiscentos e sete) menores de idade, de ambos sexos, foram diagnosticados com desnutrição aguda na província de Nampula, no norte de Moçambique, durante o primeiro trimestre do corrente ano, 2021.

De acordo com o responsável provincial do Programa de Nutrição, Malverno Sueleque, os distritos de Monapo, Eráti e Nampula são os que registam o maior índice de desnutrição aguda, respectivamente com 720, 421 e 394 casos.

“Desnutrição é uma condição de doença em que uma pessoa pode se encontrar, devido a fraca ingestão de alimentos em quantidades suficientes para o seu organismo ou, também, pela ocorrência de doenças de forma frequente que fazem com que o seu organismo esteja a perder a massa do músculo, provocando assim emagrecimento de forma gradual. Quando a pessoa estiver nesta condição pode se dizer que a pessoa está desnutrida”, explicou Malverno Sueleque, para depois acrescentar que “temos a desnutrição aguda e a crónica. A desnutrição aguda caracteriza-se pela privação de ingestão de alimentos de curto período, ou a pessoa ficou exposta a doenças e depois se instalou a desnutrição dentro de um período muito curto. Enquanto a desnutrição crónica caracteriza-se por privação da ingestão alimentar num período longo e acaba comprometendo o crescimento das crianças, o que faz com que a idade da criança seja maior enquanto a altura continua baixa”.

Falando ao Ikweli, o responsável provincial do Programa de Nutrição apontou a insegurança alimentar que assolou algumas regiões da província, com maior destaque para o distrito de Monapo, o mau saneamento do meio e má preparação dos produtos alimentares disponíveis no seio das famílias, como sendo os factores que contribuem para que as crianças tenham a condição de desnutrição, o que faz com que o crescimento normal da criança seja comprometido, ou seja, “os nutrientes, por exemplo, ajudam na formação do cérebro. Então, quando uma criança desenvolve uma desnutrição crónica, o processo de desenvolvimento do organismo acaba ficando comprometido e consequentemente, o nível de inteligência vai ser baixo, ou seja, tudo que é a produção cognitiva será baixa”.

“Uma das causas é o saneamento do meio, a insegurança alimentar e as doenças. Ainda mais, se estas crianças não receberem os cuidados médicos adequados e por completo, a curto e médio prazo a criança pode desenvolver problemas de desnutrição. A questão do saneamento do meio se subscreve na água que as famílias consomem e o ambiente de higienização em que vivem. No entanto, se estes factores estiverem ainda a caracterizar as nossas sociedades, esperamos que haja casos de desnutrição nas comunidades.” Explicou a fonte.

O rastreio dos casos de desnutrição em todas as suas vertentes, de acordo com Dr. Sueleque é feito através do programa Pacote de Nutrição na Comunidade liderado pelos Agentes Polivalentes Elementares (APE’s), onde é feita a pesagem e medição do braço das crianças.

O nosso interlocutor explica ainda que a nível das unidades sanitárias é feito o mesmo procedimento, entre outros, que ajuda a identificar a criança tem ou não desnutrição aguda. Caso tenha, ela é referida ao programa.

Refere-se que, de acordo com o Estudo de Base de 2013, a província de Nampula, por sinal a mais populosa do país, possui uma alta taxa de desnutrição, sobretudo, crónica, com mais de 50 por cento. Ou seja, uma em cada duas crianças menores de cinco anos de idade não consegue atingir o seu potencial de crescimento físico, cognitivo e mental. (Esmeraldo Boquisse)

Detidos funcionários da saúde indiciados de roubo de medicamentos em Nacarôa

Ha falta de medicamentos nas farmacias publicas

Nampula (IKWELI) – Três funcionários públicos, afectos ao sector da saúde, no distrito de Nacarôa, no norte de Moçambique, encontram-se sob custodia policial indiciados de roubo de medicamentos dos Sistema Nacional de Saúde (SNS).

A detenção do grupo teve lugar no dia 25 de Janeiro findo, e sob ordens do Tribunal Judicial do Distrito de Eráti, depois de um aturado trabalho de investigação levado a cabo pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), sob orientação da Procuradoria da República do distrito de Nacarôa.

O Procurador distrital de Nacarôa, Dr. Alcides Bauque, disse ao Ikweli que “primeiro foi requerida a busca e apreensão, tendo em conta que já temos informações de que costumam a estar envolvidos em comércio de medicamentos, ou mesmo detêm medicamentos para assistência personalizada, ou seja, atendem pessoas em casa. Então foi a partir disto que foi requerida a busca e apreensão onde foram encontrados os medicamentos nas suas respectivas casas”.

Segundo esta fonte, no dia 25 de Janeiro tinham sido, ao todo, detidos quatros funcionários, mas depois de averiguações, notou-se que “um deles não devia ser detido, uma vez que foi encontrado com uma carteira de medicamento que era de consumo pessoal, por isso não há indícios para ele continuar detido”. (Esmeraldo Boquisse)

Cinco roceadores expulsos por desvio de insecticidas em Nampula

Nampula (IKWELI) – Pelos menos 5 roceadores dos distritos de Nampula e Eráti, no norte de Moçambique, foram expulsos da campanha de pulverização intra-domiciliária contra o mosquito causador da malaria, em curso na região, indiciados de desvio de insecticidas.

De acordo com Geraldino Avalinho, chefe do departamento de Saúde Pública em Nampula, os indiciados traficavam o material a produtores de hortícolas, e faziam-no durante a pulverização nas residências dos interessados.

“Nós temos um cumulativo de cinco ressoadores, sendo um no distrito de Eráti e quatro em Nampula, que desviaram insecticidas. Após a descoberta eles devolveram e, finalmente, foram afastados no processo de pulverização para desencorajar os outros que fazem parte do grupo. Infelizmente, alguns desviam para usar nas horticulturas ou em outras actividades que consiste na eliminação de insectos ou vectores”, informou a fonte.

Daí, “queremos desencorajar alguns cidadãos que, infelizmente, forjam os nossos roceadores a desviarem o insecticida que é usado para a pulverização intra-domiciliária para a prevenção da malária, visto que este produto foi adquirido olhando para aquilo que é o número de casas que devem ser abrangidas até ao final deste processo”, prosseguiu Avalinho.

Aquele responsável da Saúde Pública nos serviços provinciais de Assuntos Sociais de Nampula, deu a conhecer que não foram identificadas as pessoas que forjaram os roceadores a desviarem o insecticida. No entanto, chama atenção aos líderes comunitários no sentido de vigiarem esta prática, de maneiras que o produto adquirido pelas autoridades seja suficiente para o número de casas previsto para pulverizar.

O que acontece é que “quando um roceador sai ao campo com um determinado número de pacotes de insecticida, sabemos quantas casa ele poderá abranger com aquela quantidade. Neste sentido, no fim de trabalho, ele volta com uma ficha onde reporta o número de casas que foram abrangidas o que deve ser igual ao número de pacotes usados. Aliás, o stock deve ser algo que justifique o seu desempenho e uso de insecticida quando comparado com o que ele terá levado”.

Outrossim, “acontece que alguns perderam o controlo, tendo em conta que os líderes comunitários têm a responsabilidade de assinar as fichas de forma a confirmar que os roceadores pulverizaram um certo número de casa. Porém, há roceadores que não apresentam as suas fichas aos líderes comunitários, facto que nos chama atenção”.

De referir que na província de Nampula, as autoridades da saúde pretendem pulverizar 647 (seiscentas e quarenta e sete) residências num universo de 2.955,402 (duas milhões, novecentas e cinquenta e cinco mil e quatrocentas e duas) pessoas, na presente campanha que vai abranger oitos distritos, nomeadamente, Eráti, Nampula, Ribáuè, Nacala-Porto, Angoche, Monapo, Malema e Meconta.

A nossa fonte conclui que a escolha desses oito distritos se deve ao facto de serem as regiões que, nos últimos dois anos, apresentaram casos elevados de malária, o que preocupa as autoridades governamentais desta província e o seu lançamento foi feito no distrito de Eráti.(Esmeraldo Boquisse)

Malária faz das suas em Mirrote

Namapa (IKWELI) – A malária continua a ser uma das principais doenças de internamento e procura pelos serviços de saúde no posto administrativo de Mirrote, no distrito de Erati, no norte de Moçambique, segundo as autoridades locais.

O aumento de casos desta doença deixa preocupada a direcção do centro de saúde local que se vê abraços com uma provável incapacidade de prover fármacos suficientes aos pacientes.

Olívio Rafael é o director do Centro de Saúde de Mirrote e em entrevista ao nosso jornal disse que somente no mês de Janeiro último mais de mil casos de malária foram diagnosticados naquela unidade sanitária.

A fonte disse que esta subida do número de casos é movida pelo mau uso dos instrumentos de prevenção e combate à doença, como é o caso das redes mosquiteiras.

Para reverter o cenário, Olívio Rafael garantiu que técnicos daquela unidade sanitária tem vindo a sensibilizar as comunidades para a adopção de boas práticas de higiene individual e colectiva.

Ainda com esta subida de casos de malária, a nossa fonte garante que a situação epidemiológica em Mirrote está controlada, sobretudo porque não há registo gravoso de outras epidemias como nos anos anteriores.

“Em relação a outras doenças, de forma geral, estamos num bom caminho pois, não temos  registos elevados”, disse Rafael, para depois salientar que “a malária aumento por causa do mau uso  da rede mosquiteira. Nas nossas visitas a população  residente nesta sede tivemos o conhecimento que a rede é usada para a cobertura de casas e construção de casas de banho. Entretanto, apelamos aos residentes,   não só de Mirrote,   como, também, de outras localidades, a fazerem o bom uso  da rede mosquiteira”, concluiu o director daquele centro, Olívio Rafael. (Elisabeth Tavares)