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Nampula destruída pelas chuvas

Nampula (IKWELI) – O município de Nampula, o maior do norte de Moçambique, ressente-se dos efeitos das chuvas que se fazem sentir desde finais de Dezembro último, com relatos de mortes, destruição de casas e vias de acesso danificadas.

A nossa reportagem contabilizou, pelos relatos colhidos nos bairros, um total de dez vítimas mortais em consequências das enxuradas. A maioria delas foi arrastada pela força das águas

As vias de acesso são a outra vítima das chuvas. Ao nível da cidade cimento, os buracos nas estradas ressurgiram de forma agressiva e perigosa para a transitabilidade de todos os utentes, desde os automobilistas aos peões.

Aceder alguns bairros periféricos, como é o caso de Marrere e Murrapaniua, é um martírio total, tendo conta as crateras abertas pelas águas das chuvas e as pontes destruídas.

Outra contagem feita pelo nosso jornal está ligada com casas destruídas. Os bairros de Mutauanha, Muatala, Namicopo e Napipine, por onde passamos, o número de casas destruídas varia de 600 a 1000 unidades.

Este fenómeno já ameaça isolar algumas zonas residenciais. No bairro de Mutauanha, as unidades comunais do Piloto e Muthita, atravessadas pelo rio Naphuta, podem estar isoladas se as chuvas intensas que se fazem sentir, nos últimos dias, continuarem, uma vez que não há nenhuma ponte que une as duas zonas.  Entretanto, os moradores pedem para que as autoridades municipais criem soluções, construindo uma ponte ou aqueduto, para evitar que o pior venha acontecer.

Ruas de Nampulas após as chuvas

Falta de apoios

Os residentes, entrevistados pela nossa equipe de reportagem, mostraram-se preocupados pelo facto de as autoridades governamentais pouco, senão nada, fazerem para apoiar as vítimas a minorar o sofrimento, através de fornecimento de matérias de construção e abrigo.

Ana Arlindo, residente na Unidade Comunal de Muthita, perdeu boa parte dos seus bens, na sua maioria electrodomésticos, depois de que uma parede sua casa de construção precária desabou.

“Até agora não tive nenhum apoio e não sei se terei. Neste bairro parece que não temos as autoridades locais [secretários e chefes dos quarteiros]. Ainda não recebi sequer visita de um deles, pelo menos só para contabilizar os danos que as chuvas causaram. Nos anos passado a situação era diferente, havia pelo menos apoio”, disse Ana Arlindo, visivelmente preocupada.

“Deveria existir um plano de manutenção das ruas. É muito desgastante sempre que cai chuva termos que sofrer assim”, disse Caetano Alfredo, um cidadão residente no bairro Muhala – Expansão, na cidade de Nampula.

Um outro cidadão que não quis se identificar, mas residente no bairro de Muatala, concretamente na chamada zona da “Madalena Maluca”, disse que “basta cair chuva sofremos com nossos carros. Tem havido muitos buracos e os nossos carros pequenos têm enterrado. Precisamos de uma intervenção das autoridades municipais”.

Entretanto, para defender-se das chuvas e, consequentemente, o pior que as mesmas possam causar, algumas famílias, no bairro de Mutauanha, decidiram entulhar as estradas e canais da corrente de água com pedras e lixo.

Há famílias que encontraram outras formas de desviar a corrente das águas das chuvas. Elas usam sacos com areia no seu interior e colocam um por cima de outro, fazendo barreira, como forma de evitar a fuga das águas para o interior dos quintais das casas assim como nas estradas. Esta é mais uma outra alternativa para contornar os estragos. Mas, mesmo assim, o perigo continua eminente e se o mau tempo prevalecer, muitas casas poderão ceder.

Ano lectivo comprometido

Na província de Nampula, o ano lectivo escolar 2019, que arranca no próximo dia 1 de Fevereiro do corrente ano, poderá estar comprometido em diferentes distritos da província mais populosa de Moçambique, na sequência da destruição total e parcial de algumas salas de aulas.

A título de exemplo, só na cidade de Nampula, centenas de salas de aulas estão destruídas e muitas delas sem tectos.

Na Escola Primaria da Cerâmica, por exemplo, sete salas de aulas estão sem tecto devido a um vendaval que arrastou a cobertura.

Naquele estabelecimento de ensino primário, a nossa reportagem não conseguiu ouvir a direcção da escola para aferir o nível dos prejuízos. Contactados a secretaria da mesma foi nos informado, na altura, que nenhum membro da direcção estava presente e aconselharam-nos a voltar oportunamente.

Ponte sobre rio Muepelume em perigo  

O acesso ao Hospital Geral de Marrere, o segundo maior da província de Nampula, está ameaçado. A ponte sobre rio Muepelume, infra-estrutura que dá acesso a unidade sanitária, está a corroer-se com a corrente das águas do rio, cujo caudal aumentou com as chuvas, e deixa preocupado os utentes e pacientes da unidade sanitária.

“Se as chuvas continuarem e o governo não fazer uma intervenção, estaremos isolados do Hospital ao resto da cidade”, disse André Kupula, cidadão entrevistado pelo nosso jornal.

Alias, aquela ponte não só dá acesso ao Hospital Geral de Marrere, mas, também, ao bairro nobre e de expansão com o mesmo nome, bem como ao campus da Universidade Lúrio.

Entretanto, para evitar o pior, as autoridades municipais já estão a raspar a estrada de terra batida. A edilidade promete fazer a reposição do saibro removido pelas águas que já passam por cima da ponte.

De acordo com o autarca Paulo Vahanle, a intenção é de, futuramente, asfaltar a estrada, uma promessa que já foi feita por ele na campanha das eleições intercalares do ano passado.

Refira-se que a edilidade adquiriu recentemente equipamentos para manutenção de estradas na cidade de Nampula. Informações em nosso poder, indicam que o Conselho Municipal de Nampula já dispõe de pouco mais de três milhões de meticais para fazer face ao plano de continência nesta época chuvosa. (Elisabeth Tavares e Sitoi Lutxeque)

Nampula vai contratar apenas 20 técnicos superiores para o Sector da Educação

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, a mais populosa de Moçambique, prevê contratar apenas vinte professores com formação superior para o sector da Educação e Desenvolvimento Humano para o ano lectivo de 2019.

Eugénia Aristides, directora provincial adjunta da Educação e Desenvolvimento Humano, que tornou publicamente as vagas, fez saber que somente 1.410 novos professores serão contratados, sendo “1.290 docentes do nível quatro (N4), 100 do N3 e 20 docentes de N1”.

Para os professores de nível médio formados nos institutos espalhados pela província há vagas garantidas mas, a grande disputa está mesmo para os de nível superior, tendo em conta os números de graduados vindos das instituições públicas e privadas de ensino superior existentes em Nampula.

Espera-se que os novos quadros superiores sejam distribuídos pelos 23 distritos que Nampula dispõe, o que quer dizer que há distritos que não terão novos professores com formação superior.

O processo de apuração, que iniciou em Dezembro do ano passado e com duração de trinta dias, poderá terminar no próximo dia 20 de Janeiro corrente.

Todavia, a situação de escassez de vagas abre espaço para a prática de actos de corrupção. Segundo denúncias recebidas na nossa redacção, por cada vaga do nível superior cobra-se, no mínimo, 20.000,00Mt (vinte mil meticais). (Sitoi Lutxeque)

SERNIC sem punho para esclarecer assassinatos em Nampula

Nampula (IKWELI) – O governo moçambicano extinguiu há dois anos a Polícia de Investigação Criminal (PIC) e, para o seu lugar instituiu o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), medida tomada em vista a oferecer ao cidadão e aos órgãos de administração da justiça no país maior facilidade de esclarecimento de actos criminais através de uma boa investigação policial.

A nova instituição viu-se dotada de autonomia patrimonial e administrativa, facto com que se esperava uma melhor actuação, incluindo que a partir de então os laboratórios do SERNIC ficaram mais munidos e com uma nova massa pensante que, recorrentemente, foi treinada, até fora do país.

Na cidade e província de Nampula viu-se uma outra imagem da instituição, incluindo serviços de Piquete.

Ainda assim, o esclarecimento de crimes maiores, sobretudo os hediondos de natureza de assassinatos de figuras públicas e políticas ainda ficou um mistério para os investigadores. Muitos dos actores nunca chegaram a ser conhecidos.

Há a memória o assassinato de Mahamudo Amurane, terceiro autarca eleito, democraticamente, no mais importante centro urbano do norte de Moçambique. Este acto macabro deu-se em Outubro de 2017 mas, até agora, o crime está por esclarecer.

A instituição foi reestruturada mas, os resultados da sua actuação demoram a chegar e isto não agrada aos cidadãos que vem um serviço de investigação dedicado aos pilha galinha e nunca aos “grandes” criminosos e os criminosos de colarinho branco.

Da transição da PIC para o SERNIC os arquivos, mandados para a nova instituição, ainda carregavam casos de assassinatos inocentes por esclarecer.

Em Dezembro de 2016 foi assassinado, na sua residência, no bairro de Mutauanha, José Murevete, membro da Assembleia Provincial de Nampula pela bancada da Renamo, por indivíduos até agora desconhecidos.

Dias depois e no mesmo mês, José Naitale, outro membro sénior da RENAMO, foi, igualmente, morto a tiros a escassos metros da sua casa, no bairro de Namutequeliua, na cidade de Nampula.

Confiem no SERNIC

David Henriques é o director do SERNIC em Nampula e, em entrevista a Rádio Moçambique, emissora pública de radiodifusão, pediu confiança por parte dos cidadãos. “Confiem no SERNIC e denunciem os criminosos. Eles vivem nas nossas comunidades”, disse.

“A investigação leva o seu tempo. É preciso muito trabalho, de perícia, para esclarecer um caso criminal. Mas estamos num bom passo porque temos conseguido esclarecer alguns casos”; precisou Henriques. (Aunício da Silva e Sitoi Lutxeque)

Copa Muzorone aconteceu

Nampula (IKWELI) – Terminou no último fim-de-semana a Copa Muzorone em futebol onze que se realiza, anualmente, no bairro Muhala Belenenses, arredores da cidade de Nampula, tendo saído vencedora a equipa do Desportivo do Pave.

A edição 2018 – 2019 realizou-se em condições anormais, pelo facto de o campo que acolheu as partidas encontrar-se em avançado estado de degradação, facto que de certa forma perigava os praticantes da modalidade.

A semelhança da edição passada, esta temporada foi preciso a última jornada para se conhecer o campeão, o que em parte pode se justificar pela competitividade das equipas envolvidas na prova, o que fez com que a tabela classificativa se mantivesse equilibrada.

Alias, como nota ilustrativa a turma do Desportivo levantou o troféu do primeiro lugar com 26 pontos, a mesma pontuação do Schalk 04, o segundo classificado.

Em jogo da final da competição, o Desportivo de Pave precisou de um empate a uma bola diante do Lenged Futebol Clube, disputado no maltratado campo de Muzorone.

O jogo contou com uma moldura humana jamais vista naquele recinto desportivo, considerando que era o último da temporada e por sinal o que decidiria o campeão.

Com um apito incontestável do senhor Adamugy, os artistas começaram o espectáculo com  animação ao público, embora com muita ansiedade nos bancos técnicos.

A equipa do Desportivo foi a primeira a protagonizar jogadas perigosas e que obrigaram ao seu adversário a jogar no último terço do seu sector defensivo, mas a falta de harmonia de Payo e Abacar, dianteiros dos campeões, foi o principal pecado, uma vez que todas tentativas de remates eram desenquadradas a baliza do guarda-redes Ochoa.

Foram quase 15 minutos de maior domínio do jogo para o Desportivo, que mesmo com as péssimas condições do campo conseguia manter a coesão entre todos sectores. Por essas alturas o Legend FC não apresentava inspiração, pelo que não tivesse jogadas de realce.

No meio desse sofrimento, e sob pressão do seu público as lendas acordaram em campo, e num primeiro ensaio de jogada de ataque conseguiram furar a muralha defensiva, fortemente, constituída pelos centrais Juma e Gelito, em parceria com Chai e Azevedo pelas laterais, mas a jogada não criou grandes problemas ao guarda-redes Sílvio.

A bola ia rolando e as emoções nas bancadas estavam num nível incontrolável. Nesses instantes, assistia-se uma partida equilibrada, com as duas partes a visitarem nos meios terrenos simétricos.

Ora, no meio disso tudo destaca-se uma jogada de Valdo do Legend Futebol Clube na passagem do minuto 20. No meio de rua ensaiou um remate frontal que não entrou para o golo fruto da excelente intervenção do guarda-redes Sílvio. Foi um lance que remeteu aos presentes a cruzar os braços na cabeça.

A partida ia decorrendo, e minutos depois, os Legends voltaram a criar perigo a baliza de Sílvio. Jonas, produto da academia do Benfica de Nampula, partiu do meio campo e com recurso ao flanco esquerdo driblou aos adversários que teve pela frente e de seguida ensaiou um remate cruzado que foi, directamente, para uma defesa apertada do guarda-redes Sílvio da turma do desportivo.

Sem tardar, Sílvio voltou a mostrar o seu heroísmo naquela partida depois de defender, inesperadamente, uma bomba de Sidónio. Até aqui, sinal mais para o Legend, o que obrigava a equipa técnica do Desportivo a fazer anti-jogo. Aliás, o mister Zito vezes sem conta dirigiu palavras não agradáveis ao árbitro do encontro, o que forçou ao Adamugy a convida-lo a abandonar o banco técnico.

Quando faltavam alguns minutos para o término da primeira parte, a partida ficou interrompida, na sequência da falta de bola, porque a única que estava sendo usada não oferecia condições para se dar seguimento com o jogo.

Depois de um acordo entre o árbitro e os capitães das equipas foi-se ao intervalo com perspectiva de compensar o tempo em falta na etapa complementar enquanto a comissão organizadora criava condições para adquirir outras bolas para garantir a continuidade da etapa complementar.

Os golos daquele encontro surgiram no segundo tempo por intermédio de Izidine aos 51 minutos para o Desportivo e Toré aos 65 minutos para o Legend Futebol Clube.

A Copa Muzorone foi disputada num recinto em péssimas condições. Os desportistas que a cada fim-de-semana recorrem ao local para matar o seu vício desportivo, não se cansam de pedir socorro, para que no mínimo seja nivelado. (Constantino Henriques)

 

Há falta de medicamentos nos hospitais públicos de Nampula

  • Numa altura em que até o paracetamol falta, as autoridades tutelares apontam a má gestão como sendo a causa do défice.

Nampula (IKWELI) – Há mais de dois meses em que ir as unidades sanitárias públicas da província de Nampula, por padecer de uma enfermidade, e regressar a casa com um único comprimido virou excepção.

A equipa do IKWELI visitou diferentes centros de saúde da província e, nas respectivas farmácias o ambiente é desolador. Pacientes que cumprem longas filas para triagem, quando chegam as farmácias apenas lhes é dito que não há fármacos, incluindo o paracetamol.

Igualmente, o equipamento de trabalho dos técnicos e agentes da saúde, também, escasseia, até luvas, para não se referir dos produtos de limpeza e higiene.

Há quem defenda que tal crise, jamais vista no sector, devesse a má gestão e ao desvio dos medicamentos mas, sem provas materiais.

Só no município de Nampula, os nossos repórteres dirigiram-se a várias unidades sanitárias, com destaque para o 1º de Maio, Muhala – Expansão, Mutava – Rex, 25 de Setembro, Hospital Psiquiátrico, Hospital Geral de Marrere, Hospital Militar e o próprio Hospital Central de Nampula e o cenário é de que em casos de uma receita de três fármacos, os pacientes apenas recebem um único e o restante que “se virem”.

Nesta época chuvosa, casos de malária tendem a surgir na província de Nampula e, ao nível dos municípios pior ainda, com a situação irregular da recolha de resíduos sólidos.

Os medicamentos anti – maláricos não existem nas farmácias públicas e, única saída são as privadas que praticam preços proibitivos.

“Eu tive infecção urinária e receitaram-me estes medicamentos [exibindo-nos a receita], mas não encontrei nenhum na farmácia do hospital. Tenho de ir a farmácia privada, assim que eu tiver dinheiro. Agora não posso ir só para procurar saber dos preços e não comprar”, disse-nos a paciente Manuela, que acabava de ser atendida no Centro de Saúde 1º de Maio.

“Até coarctem, aqui não tem! A minha filha tem malária mas, só deram-me paracetamol. Sei que eles (os farmacêuticos) estão a proibir coarctem. Mas enfim, tenho de ir a casa e voltar depois de dois dias para ver se terei a sorte de encontrar”, conta a senhora Ermelinda, interpelada pelo nosso repórter no Centro de Saúde 25 de Setembro, na cidade de Nampula, para depois avançar que “eu não tenho esse 250 para ir na farmácia privada”.

Um paciente diagnosticado com uma ITS (Infecção de Transmissão Sexual) no centro de saúde de Mutava REX ao nosso jornal disse que a sua ida aquela unidade apenas valeu-lhe a orientação de que está infectado pois, “medicamento que é bom não tem nada”.

“Fui numa farmácia, na cidade, e as duas receitas, minha e da minha esposa custaram-me 240 meticais”, disse o paciente que reside em Mutava REX.

“O Centro de Saúde trabalha com sensibilidade, considera bem aos doentes, só que há dois meses que não há medicamentos e, exemplo concreto, minha filha quando estava com malária tive que comprar os medicamentos numa farmácia privada e fui cobrado 160 meticais”, disse Eduardo Bacar.

O cenário repete-se em todas unidades sanitárias, incluindo as dos distritos, de onde os nossos correspondentes indicam que a situação é ainda mais drástica por falta de opção há farmácias privadas.

Não há fármacos suficientes

Suleimane Isidoro é o médico – chefe provincial de Nampula e, em entrevista ao nosso jornal, apontou não haver ruptura de stock de medicamentos na mais populosa província do país, acusando os seus colegas de serem maus gestores.

A fonte admite que pode haver falta de um e/ou de outro fármaco mas, não se pode dar na generalidade a falta de medicamentos.

No seu entender, o problema é de gestão e desorganização por parte das unidades sanitárias.

“De 5 de Dezembro a 5 de Janeiro corrente fizemos a distribuição de medicamentos nas unidades sanitárias. Temos feito de forma muito antecipada, ou seja fornecemos medicamentos para um mês de consumo e um de reserva, para o mês seguinte”, disse o Doutor Isidoro.

Por outro lado, o nosso interlocutor defendeu que “há colegas que gerem mal os medicamentos. Como é que se explica que os de dois meses só acabem num único mês?”.

O nosso entrevistado fez saber ainda que o seu sector já disponibilizou quantidades de medicamentos para os distritos com problemas de vias de acesso para evitar quaisquer situação que possam isolá-los do resto da província pelas chuvas que se registam.

“Já fizemos a distribuição de medicamentos suficientes para até ao mês de Março para os distritos de Angoche, Liupo, Mogincual, Moma e Lalaua”, garantiu o dirigente.

Assumido ou não pelos gestores do sector de saúde em Nampula, o certo é que não há medicamentos e outros artigos médicos nas unidades sanitárias da mais populosa província do país. (Elisabeth Tavares, Constantino Henriques e Sitoi Lutxeque)

Nampula continua sendo paraíso de tráficos

  • A PRM apreendeu pontas de marfim e pedras preciosas nas mãos de traficantes.

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, no norte do país, continua sendo um dos preferenciais pontos de trânsito para o tráfico de natureza diversa, desde seres humanos, animais selvagens (e respectivos troféus), drogas, armas de fogo e madeira.

Alguns destes produtos são originários da mais populosa província de Moçambique mas, outros estão mesmo em trânsito.

Últimas informações em nosso poder indicam que, pelos menos, sete pontas de marfim e mais de vinte quilogramas de pedras preciosas, incluindo o cobre foram apreendidas em Nampula, no último domingo pelas autoridades policiais. A mercadoria provinha do distrito de Nacarôa.

Há suspeitas de que as pontas de marfim eram provenientes da reserva do Niassa e que a posterior seguiriam para Ásia, através do aeroporto internacional de Nampula.

A apreensão das pontas de marfim teve palco no bairro dos Belenenses, arredores da cidade de Nampula e estavam na posse de três indivíduos que pretendiam comercializar a um outro de nacionalidade estrangeira.

O bairro dos Belenenses tem se destacado como maior albergue de cidadãos de nacionalidade estrangeira, na sua maioria provenientes dos países africanos localizados na região dos Grandes Lagos, bem como tem sido um dos principais pontos de tráfico e consumo de drogas no município.

Um trabalho coordenado entre a Polícia da República de Moçambique (PRM) e o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) culminou com a detenção, em flagrante delito, de dois dos três indiciados do tráfico das pontas de marfim.

Segundo apuramos das fontes policiais, o Samito, o cabecilha da “gang” pôs-se em fuga no momento da rusga, facto que fez com que a corporação usa-se força letal para imobiliza-lo, o que sucedeu com o baleamento numa das suas pernas.

Dinheiro falso

Igualmente, a polícia diz que recuperou quatro volumes de folha de produção de notas falsas de dólar norte-americano, bem como notas falsas e outros objectos de prática criminal.

Paulo, de 55 anos de idade, residente no bairro de Namutequeliua, é um dos três indivíduos indiciados no tráfico de pontas de marfim e pedras preciosas. Ele é garimpeiro ilegal, confesso, há bastante tempo.

Além de extrair as pedras preciosas e semi-preciosas, numa das regiões em Nacarôa, compra e comercializa os minérios para cidadãos, na sua maioria, de origem estrangeira.

No dia da sua detenção, de acordo com ele, teria sido solicitado pelo seu comparsa Samito para o campo de Namutequeliua, vulgarmente conhecido como “campo dos Makondes”, alegadamente, porque tinha um cliente. Mas, na verdade, não se tratavam de clientes, mas sim investigadores policiais.

“Pediram que lhes acompanhasse na minha casa e lhes mostrasse as pedras e cobre, fiz o mesmo porque era meu. Marfim, não tenho nada haver mas, só vi na minha casa. Daí levaram-me a Polícia”, disse Paulo.

Era intenção de Paulo levar o seu produto para comercializar na vizinha província da Zambézia mas, quis o azar bater-lhe a porta e ser traído pelo seu amigo.

“Vivo graças a venda de casas e recebo comissão. Nunca fui criminoso, mas fiquei surpreendido quando fui detido, alegando que falsifico notas”, disse outro elemento do grupo que alega ter sido traído pelo Samito.

Entretanto, Zacarias Nacute, porta-voz do Comando Provincial da Polícia da Republica de Moçambique em Nampula, disse que a detenção dos supostos criminosos resulta de um trabalho coordenado entre a sua corporação e o SERNIC, mediante às denúncias populares.

“Reiteramos apelos as populações no sentido de continuar a colaborar com as autoridades policiais na denuncia de casos criminais”; exortou. (Sitoi Lutxeque)

Cardoso promove curso de artes gráficas

Nampula (IKWELI) – O renomado artista gráfico Justino Cardoso promove, a partir de hoje, na cidade de Nampula um curso sobre artes gráficas para estudantes do curso de arquitectura e planeamento territorial e artes visuais das universidades Lúrio e Pedagógica.

“Há muita exigência e há muita gente a pedir para aprender para poder entrar na arena das artes”, justifica Cardoso, para depois avançar que a iniciativa insere-se no âmbito da celebração dos seus quarenta anos de carreira.

O artista diz que uma experiência anterior com a duração de três meses e financiada pela UNESCO teve resultados positivos, facto que o encoraja a prosseguir sozinho.

“Mas agora vou arrancar com meu programa pessoal. Como sabem coincide com os meus 40 anos de carreira”, explica o nosso entrevistado, que depois prossegue “pensei em arrancar com esse trabalho que será um curso de 6 meses focado em arte gráfica, banda desenhada e, também, expressão gráfica. É para ajudar os estudantes da Faculdade de Arquitectura e aqueles que frequentam a educação visual, por exemplo, na Universidade Pedagógica porque têm tido dificuldade sobre a expressão gráfica e, também, a anatomia, que é a forma correcta de caracterização”.

“Por tanto, vai durar 6 meses e com um número apenas de 30 participantes e acho que vai ser muito bom para os que estão muito interessados e que exigem sempre, que queriam fazer parte disso”, anota Justino Cardoso.

O nosso interlocutor avança que a iniciativa vai ter continuidade no sentido de garantir que outros actores interessados participem em outras ocasiões.

“É preciso abrir espaço e dar oportunidade as outras pessoas porque há sempre uma exigência que queriam, também, aprender e há outros, por exemplo, que querem e já desenham mas não tem conhecimento de várias técnicas, tem certas lacunas. Também, poderão vir, por exemplo, professores de banda desenhada de 6ª e 7ª classe. Eles não costumam aplicar mas, podem vir para terem experiência como devem dar aulas as crianças”, conclui Justino Cardoso. (Aunício da Silva)

Religiosos exigem fim das matanças em Cabo Delgado

Pemba (IKWELI) – Diferentes confissões religiosas com sede e representação na cidade de Pemba, norte de Moçambique, reuniram-se no primeiro dia do ano de 2019 para exigir o fim da instabilidade que se vive nos distritos do norte de Cabo Delgado, incluindo as matanças e perseguições decorrentes.

Representando o Conselho Cristão de Moçambique (CCM), a Igreja Católica, as comunidades Muçulmana, Hindu e Sant’ Egídio, os religiosos apelaram o envolvimento de todos os sectores da sociedade para a solução do problema.

No 1º de Janeiro de cada ano, o mundo assinala o Dia da Paz, por isso as confissões religiosas aproveitaram a ocasião para, com cartazes, dísticos, cânticos e outras mensagens, exigir de quem de direito para encontrar uma solução para o conflito sem rosto que se vive em Cabo Delgado.

Dom Luiz Fernando Lisboa, Bispo da Diocese de Pemba, nega que a insurgência que se vive em algumas regiões de Cabo Delgado tenha ligações com assuntos religiosos.

“Aqui em Cabo Delgado não há guerra entre as religiões. Nós estamos sempre unidos. Nós emanamo-nos sempre pela paz. Estamos sempre juntos, buscando a Justiça social, buscando o bem da população”, disse o clérigo.

O representante da comunidade muçulmana, Sheikh Eduardo Caribe, também fez um apelo: “Nós estamos em crise, respeitados irmãos, esta paz que nós queremos, falamos e cantamos, ainda não materializamos. Precisamos de gente consciente para poder dizer basta a guerra e isto ser materializado”.

Outro sim é que os religiosos se referiram aos conflitos eleitorais que o país vive, ciclicamente, desde 1994.

2019 É um ano, particularmente, importante para Moçambique, devido à realização das eleições Gerais, Legislativas e das Assembleias Provinciais, por isso mesmo os participantes da marcha entendem que o bom senso deve prevalecer nas instituições que lidam com o processo para que tudo decorra ao agrado da maioria  e que a vontade popular não seja subvertida.

“Se o país pretende uma verdadeira paz é necessário que a sociedade una esforços para que situações que marcaram negativamente as eleições autárquicas de 2018 sejam evitadas”, advertiu o representante do Conselho Cristão de Moçambique em Cabo Delgado, Emerson Ubisse.

“Essas eleições vão ser muito decisivas, vão ser muito concorridas e isso pode levantar bastantes ânimos. Temos que ter aprendido alguma coisa das eleições autárquicas, senão vamos reproduzir aquelas praticas de violência, aquilo tudo que marcou negativamente as eleições”. (Delfim Anacleto)

Distrito de Nampula não conseguiu inscrever alunos suficientes para a 1ª classe

Nampula (IKWELI) – O distrito de Nampula, no norte do país, não alcançou a meta de matricular cerca de 40 mil alunos de novos ingressos para a 1ª classe do Sistema Nacional de Ensino (SNE) para o ano lectivo de 2019, segundo dados facultados pela direcção da Educação local.

O director dos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia de Nampula, Henriques José, disse ao nosso jornal que da meta, apenas 29% é o que foi alcançado, o equivalente a pouco mais de 11.500 alunos.

A nossa fonte avançou que apenas duas escolas atingiram as metas atribuídas, nomeadamente Escola Primária e Completa 7 de Setembro e a de Mapara.

Para reverter o cenário o sector da Educação tentou mobilizar os pais e encarregados de educação mas, mesmo assim, quase que nada mudou.

“O distrito de Nampula é um dos que regista maior procura pelos serviços de educação, por isso quando até essas alturas não conseguimos atingir as metas, é difícil interpretar”, disse o dirigente.

Face a esta situação, os SDEJT de Nampula viram-se obrigados a prorrogar com o processo de matrículas até ao dia de levantamento estatístico, vulgo 3 de 3.

Com esta medida, acredita o nosso interlocutor, que o número poderá chegar aos 50 por cento, uma vez persistir o hábito dos pais e encarregados de educação de deixar tudo para o arranque das aulas.

“E porque não podemos deixar as crianças de fora, enquanto não alcançarmos com as metas vamos aceitar mais ingressos”, assegura o director José.

Recorde-se que as matrículas para as classes iniciais terminaram, oficialmente, no dia 31 de Dezembro de 2018.

O distrito de Nampula conta, actualmente, com 120 escolas, destas 14 são do ensino secundário geral, com a previsão de entrada em funcionamento de mais uma nova escola secundária, ainda este ano. (Constantino Henriques)

«QUAL A COR DO RACISMO? BRANCA? NEGRA? AMARELA? VERMELHA?

Desde os tempos de antes de os homens escreverem a Bíblia, já havia movimentos de povos que, armados de ferramentas mais desenvolvidas, se atreveram a ir por esse planeta fora à procura de espaços mais confortáveis. Curiosamente, partiram de África os primeiros povos colonizadores de outros continentes. O clima e a alimentação, e não só, foram-se encarregando de lhes aclarar a pele. Seria ridículo que ainda hoje nos lamentássemos, nós, povos de outros continentes, pelo facto de ainda nos correrem nas veias vestígios de sangue dos negros, ou, ainda mais risível, continuar a lamentar a invasão negra.

O racismo é um cancro próprio de ignorantes e, como tal, usado para manipular outros ignorantes, seja qual for a sua cor ou raça. Não viria nenhum mal ao mundo se não servisse para criar um ambiente conflituoso, em tudo contrário à condição humana.

Convém relermos e divulgar alguns preceitos da “Declaração de Ética Mundial”, um documento que todos deveríamos ler. Nenhum opinador responsável deveria divulgar as suas opiniões racistas na comunicação social, pois são mais perigosas que balas, capazes de contrariar o essencial da condição humana. Diz, a propósito, o diploma que referimos: “Consideramos a humanidade como nossa família. É preciso que almejemos ser amigáveis e generosos. Não podemos viver apenas em favor de nós mesmos, e, mais que isso, precisamos servir aos outros e jamais esquecer as crianças, os idosos, os pobres, os sofredores, os deficientes, os fugitivos e os solitários. Seja como for, jamais alguém deverá ser explorado ou tratado como cidadão de segunda classe. ”

Temos de saber e divulgar que “todos dependemos uns dos outros.” E, portanto, “nossas tradições religiosas e culturais diversas não nos devem impedir de assumir um posicionamento activo e comum contra todas as formas de desumanidade e em favor de mais humanidade.” É fundamental que tenhamos bem presente que “precisamos ser capazes de perdoar, à medida que aprendemos com o passado, mas jamais permitir que permaneçamos prisioneiros de lembranças de ódio. E ” (…) Não exploraremos, não lesaremos, não torturaremos, nem jamais mataremos qualquer ser humano, e renunciaremos à violência como meio para a solução de diferenças.” Pois ” todo ser humano – sem distinção de idade, sexo, raça, cor, capacidade física ou intelectual, língua, religião, convicção política, origem nacional ou social – é dotado de uma dignidade intocável e inalienável. Todos, portanto, tanto o Estado como o indivíduo, estão obrigados a respeitar essa dignidade e garantir-lhe defesa efectiva. Também na economia, na política e nos meios de comunicação, em institutos de pesquisa e em empreendimentos industriais, o ser humano deve ser sempre sujeito do Direito, e deve ser fim, jamais um mero meio, jamais um objecto de comercialização e industrialização. Ninguém está “além do bem e do mal”: nenhuma pessoa e nenhuma classe social, nenhum grupo de interesse, por mais influente que seja, e nenhum cartel de poder, nenhum aparato policial, nenhum exército e muito menos Estado algum. Ao contrário: todo ser humano, como ser dotado de razão e consciência moral, está obrigado a comportar-se de forma verdadeiramente humana, e a não se comportar de forma desumana; está obrigado a fazer o bem e não fazer o mal! ”

Não tenho a mínima dúvida que Mandela, esse negro universal, conhecia estes princípios e, mais, praticava-os. Enquanto outro filho de África, desconhecedor do que é humanidade, Mugabe chamado, apenas quis impor os seus desígnios pessoais, mascarando-os de actos de grande nacionalismo e amor aos negros. Os seus actos levaram ao massacre de populações e à ruína de um país. Mugabe nunca pode ser exemplo a seguir, como todos os racistas, fascistas e apólogos de princípios divisionistas, odientos, conflituosos.

Lembremos mais estas palavras da “Declaração de Ética Mundial”: «Inúmeras pessoas, em todas as regiões e religiões, esforçam-se por ter uma vida determinada não pelo egoísmo, mas pelo engajamento em favor dos semelhantes e do mundo que compartilham com eles. Ainda assim, há no mundo de hoje muito ódio, inveja, ciúme e violência: não apenas entre as pessoas enquanto indivíduos, mas também entre grupos sociais e étnicos, entre classes e raças, nações e religiões. O uso de violência, a comercialização de drogas e o crime organizado, munidos muitas vezes dos mais avançados recursos técnicos, alcançaram dimensões globais. Em muitos lugares ainda se governa com um terror “vindo de cima”; ditadores violentam seus próprios povos, a violência institucional é bastante difundida. Mesmo em países onde existem leis de defesa das liberdades individuais, presos são torturados, pessoas são mutiladas, reféns, assassinados.»

Não temos dúvidas que as pessoas praticam muitos actos condenáveis, o que confirma que, em vez de atiçarmos ódios e apregoarmos o divisionismo, devemos empenhar-nos na construção de um mundo mais solidário, mais justo, mais fraterno, onde qualquer ser se sinta feliz, sem agredir os outros nem o seu habitat.

A terminar, faremos apenas algumas perguntas.

-Serão os brancos os culpados da dizimação das florestas africanas?

-Serão os brancos os responsáveis pela usurpação das terras dos camponeses?

-Serão os brancos os criadores de seitas pseudo-religiosas onde os chefes abusam das jovens, perante a indiferença da justiça?

-Serão os brancos os responsáveis pelos casamentos prematuros de jovens moçambicanas a quem roubam o futuro?

Estas e outras muitas perguntas podem ser feitas, com a certeza de que na raiz desses males que afligem as populações e contribuem para o atraso do país, encontraremos políticos e gestores moçambicanos corruptos, ignorantes e incapazes de construírem soluções adequadas ao progresso das populações, sejam elas de que cor forem.

Os portugueses, pela experiência própria, sei que têm contribuído, na sua grande maioria, para criar empregos, apostar na formação de professores, de técnicos diversos, de gestores com qualidade, de médicos e de tantas ferramentas e infra-estruturas que preparam Moçambique para um desenvolvimento justo e mais qualificado para todos. Erros, falhas, haverá sempre, seja onde for que exista um ser humano, branco, negro, amarelo, vermelho, ou mestiço. Errar é próprio da natureza humana. Culpar os brancos de todos os males é, não só prova de ignorância, como de maldade.

 

Leonel Marcelino»