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Para reduzir o sofrimento das mulheres: População de Muthita vai beneficiar de maternidade Anexa ao posto de saúde de Muatala

Nampula (IKWELI) – O Conselho Municipal da Cidade de Nampula realizou, na sexta-feira (18), o lançamento da primeira pedra para a construção de uma maternidade anexa ao posto de saúde de Muatala, com o objectivo de reduzir as longas distâncias percorridas pelas mulheres grávidas da unidade comunal de Muthita.

A obra está orçada em 5.791.983,12 meticais, com término previsto para 11/03/2027, perfazendo um período de 180 dias. A construção será financiada através do Fundo de Investimento Autárquico (FIA) e de receitas próprias do Conselho Municipal de Nampula.

De acordo com a vereadora de Saúde, Mulher e Ação Social do Município da Cidade de Nampula, Luísa da Conceição, que representou o presidente do município, o acto surge na sequência da operacionalização da promessa feita pelo presidente do Conselho Municipal de Nampula, Luís Giquira, aquando da campanha eleitoral no bairro de Muatala.

“Queremos dar dignidade as nossas mães que vivem em Muthita e que percorriam longas distâncias, ou iam para o Hospital Geral de Marrere ou para o Centro de Saúde 25 de Setembro. Daí que, para minimizar o sofrimento, foi concebida esta iniciativa de construção de uma maternidade.”

Na ocasião, Luísa disse que “com esta obra, que hoje inicia, e outras intervenções, pretende-se melhorar os serviços básicos para os munícipes, em particular para as mulheres de Nampula”.

Por outro lado, o empreiteiro responsável pela construção da maternidade foi desafiado a honrar o compromisso e concluir a obra dentro do prazo estabelecido, a fim de garantir assistência às parturientes.

“Uma palavra de apreço ao empreiteiro, para que trabalhe com responsabilidade e honestidade e garanta a execução da obra dentro dos prazos acordados. À população em geral, pedimos também espírito de colaboração e maior vigilância sobre a obra.”

Na mesma senda, as mulheres parturientes louvam a iniciativa e mostram-se expectantes quanto à redução do sofrimento com a construção da maternidade anexa à Unidade Sanitária de Muatala. (Nelsa Momade)

Dom Inácio Saure leva mensagem de esperança às reclusas da Rex

Nampula (IKWELI) – O Arcebispo Metropolitano de Nampula e presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), Dom Inácio Saure, visitou, na sexta-feira (18), o estabelecimento penitenciário, na repartição do regimento feminino da Rex, onde deixou uma mensagem de esperança as mulheres que se encontram privadas de liberdade.

Dom Inácio entende que a esperança não engana, daí o seu apelo é no sentido de as reclusas continuarem firmes e esperançosas de que um dia voltarão ao convívio familiar.

“Mensagem que podemos vos trazer é esta de esperança, quando nós nos encontrarmos em dificuldades o melhor remédio não é desesperar, também esses trabalhos que fazem aqui também vos ajudem e retomar a vida e assumir responsabilidades na família”.

O Arcebispo disse que a Igreja Católica procura partilhar com as reclusas aquilo que consegue, sobretudo por reconhecer as dificuldades enfrentadas dentro do estabelecimento penitenciário. “Na medida de possível quando nós conseguimos uma coisa para partilhar fazemos com muita alegria porque sabemos que aqui temos dificuldades e com essa situação de liberdade podem ter necessidade”.

Por sua vez, Adelino Tomás, director do Estabelecimento Penitenciário Provincial de Nampula, considera que a visita de Dom Inácio Saure constitui um gesto nobre e acontece num momento importante para as reclusas.

“Essa visita acontece num momento de viragem, hoje temos cinquenta e uma mulheres, na sua maioria jovens mães, condenadas por crime ligado a pobreza, o nosso mandato não é trancar às pessoas é reeducar, é devolver a comunidade uma mulher melhor por isso a sua presença reforça a nossa missão, a igreja têm sido a nossa parceira fiel na assistência espiritual, na formação profissionalizante de corte e costura no apoio à sustentabilidade como nos ensina o vosso lema pastoral dar-lhes vós mesmo de comer”.

A representante das reclusas mostrou-se feliz com a presença do Arcebispo da Igreja Católica de Nampula e agradeceu pelo apoio prestado pela Arquidiocese, incluindo a entrega de material de higiene às mulheres privadas de liberdade.

“Agradecemos o seu gesto de pastor que está sempre disposto para levar a palavra que libera, com seu lema dei-lhe vós mesmo de comer, aqui a pretendemos partilhar tudo quando temos, agradecemos a arquidiocese pelo material de higiene e com a sua bênção por nós e pela às nossas famílias que ficaram lá fora, reze por nossos membros da guarda penitenciária e pela a direcção que nos aguarda com humanidade”. (Malito João)

Escassez de peixe seco afugenta vendedores do mercado do Matadouro

Nampula (IKWELI) – O mercado 25 de junho, popularmente conhecido por mercado do Matadouro, na cidade de Nampula, enfrenta escassez de peixe seco, situação que, para além de concorrer para a subida dos preços dos produtos, também afugenta os vendedores.

Os comerciantes dizem estar a enfrentar uma quebra acentuada nas vendas devido ao elevado custo da mercadoria e a redução da quantidade de peixe disponível para revenda, situação que tem afastado clientes e reduzido significativamente os lucros, dificultando a aquisição de alimentos e o pagamento das despesas familiares.

Dados facultados pelo chefe daquele mercado indicam que, até fevereiro deste ano, o local contava com cerca de 30 vendedores de peixe seco e salgado, mas actualmente, apenas 10 permanecem no negócio, enquanto os restantes 20 abandonaram a actividade.

Entre os produtos afectados pela escassez e subida de preços estão papahi, Nicussi, peixe-barba, também conhecido como mukhopo, peixe salgado, camarão seco, peixe chicoa e sardinha seca, entre outras espécies.

Ouvidos pela nossa reportagem, na sexta-feira (18), alguns vendedores afirmaram que a subida de preços começou a fazer-se sentir com maior intensidade no final do ano passado e continua a agravar as suas condições financeiras, tendo alguns antigos vendedores recorrido a outras actividades para garantir a sobrevivência, incluindo táxi-mota, venda de carvão vegetal, trabalho doméstico e carregamento de mercadorias no mercado grossista do Waresta.

Os comerciantes apontam, entre as principais causas da subida dos preços, o aumento do custo dos combustíveis, que, segundo eles, encarece a actividade dos pescadores artesanais e o transporte da mercadoria.

A nossa reportagem constatou que um saco de 90 quilogramas de papahi, que anteriormente custava entre 15.000,00Mt (quinze mil meticais) e 18.000,00Mt (dezoito mil meticais), chega actualmente aos 23.000,00Mt (vinte e três mil meticais).

No caso do peixe seco salgado, 10 quilogramas custam actualmente cerca de 1.250,00Mt (mil e duzentos e cinquenta meticais), contra os anteriores 1.000,00Mt (mil meticais). A mesma mercadoria, em quantidade de 20 quilogramas, chega a custar 2.500,00Mt (dois mil meticais).

Apesar da subida dos preços no local onde compram a mercadoria, os vendedores dizem-se obrigados a reduzir as quantidades adquiridas e a vender em pequenas porções, procurando manter os produtos acessíveis aos consumidores de baixa renda.

O nicussi, por exemplo, é vendido em pequenas quantidades, com preços que variam entre 10,00Mt (dez meticais) e 20,00Mt (vinte meticais). Já o camarão seco, peixe-barba, chicoa e outras espécies são vendidos em porções de 50,00Mt (cinquenta meticais), 100,00Mt (cem meticais) e 250,00Mt (duzentos e cinquenta meticais).

“Agora não está fácil vender peixe seco”, disse Ali Abdala, vendedor de nicussi no mercado 25 de Junho, que apontou a falta de clientes e o elevado preço da mercadoria como estando a tornar o negócio cada vez mais difícil.

“Agora eles não aceitam a quantidade que nós disponibilizamos, dizem que é pouco, mas isso acontece porque lá onde levantamos está caro e não há esses peixes”, acrescentou.

Segundo Abdala, anteriormente conseguia adquirir 20 quilogramas de nicussi por cerca de 1.800,00Mt, mas actualmente a mesma quantidade custa aproximadamente 2.500,00Mt.

Por isso, explica que reduziu a quantidade adquirida para cinco ou seis quilogramas, investindo cerca de 1.500,00Mt e revendendo o produto em pequenas porções “só ganho 50,00Mt como lucro, dependendo do dia.”

Fernando Mussa, que vende peixe seco naquele mercado há cerca de 40 anos, também manifesta preocupação com o aumento dos custos. Mussa anotou que actualmente chega a vender três peixes por 50,00Mt cada e cinco por 100,00Mt, numa tentativa de conseguir alguma margem de lucro. “Este negócio já não ajuda nada, só que não podemos sentar em casa sem fazer nada. Nos tempos passados era muito normal. A gente comprava 10 cordas, que eram 20 peixes, a 160,00Mt (cento e sessenta meticais), mas isso começou desde o ano passado”, afirmou.

O vendedor acrescenta que vários colegas abandonaram o negócio por não conseguirem obter rendimentos suficientes. (Virgínia Emília)

AP de Nampula vai colocar DPI no plano de 2027

Nampula (IKWELI) – A Assembleia Provincial (AP) de Nampula pretende incluir o Desenvolvimento da Primeira Infância (DPI) nas suas discussões e nos instrumentos de planificação para 2027, numa iniciativa que pretende envolver os membros em seus trabalhos de fiscalização nos 23 distritos da província.

A garantia foi avançada na sexta-feira (18) pela porta-voz da instituição, Lídia Alberto, no encerramento de uma formação de cinco dias promovida pelo Fundo de Desenvolvimento da Comunidade (FDC).

Segundo Lídia Alberto, a capacitação permitiu aos membros da Assembleia Provincial adquirir conhecimentos que poderão ser levados para as comunidades, uma vez os representantes vêm dos distritos.

A porta-voz explicou que, nas próximas semanas, a Assembleia Provincial de Nampula deverá reunir-se para discutir vários pontos, entre eles o DPI, considerado uma ferramenta essencial para o bom crescimento das crianças.

“Nós aprendemos casos muito importantes como Assembleia Provincial de Nampula, tendo em conta que uma boa parte dos membros vêm dos distritos, eles vão poder levar as ferramentas para as comunidades para melhorar explicar as comunidades como que funciona e como é que se trabalha com a primeira infância da criança. Também a formação veio calhar, porque próxima semana teremos sessão onde iremos aprovar o plano e orçamento para 2027, lá os membros vão poder inserir o plano ligado ao Desenvolvimento da Primeira Infância”.

Lídia Alberto acredita que os conhecimentos adquiridos durante a capacitação vão contribuir para que a questão do DPI tenha maior expressão nos debates e nas comunidades, considerando que os membros da Assembleia Provincial também desempenham um papel de influência na promoção de boas práticas.

“Com essa formação vai ajudar a olharmos na criança. Notou-se na verdade que nalguns distritos não existem centros infantis, notando que existe mais na cidade de Nampula, então como nosso plano iremos também fazer a proposta abranger todos distritos da província de Nampula”.

Por seu turno, Fátima Mussa, Oficial da Advocacia na FDC, acredita que a capacitação reforçou as capacidades e qualificações dos membros da Assembleia Provincial no exercício das suas funções como fiscalizadores e representantes do povo.

“Precisamos sempre lembrar que a ciência do desenvolvimento da primeira infância é uma área extremamente importante, quando nós estamos a falar do desenvolvimento do capital humano. Nampula particularmente é preciso que haja um investimento muito grande e seja priorizada esta área, uma vez que estamos a falar de uma província que têm uma população numerosa, precisamos aproveitar todas as vantagens.”

A representante da FDC reconhece que já existem trabalhos desenvolvidos pelas entidades governamentais, mas defende que uma maior coordenação entre os diferentes sectores poderá tornar as intervenções mais eficientes. (Malito João)

Dom Inácio teme que os graduados da UCM sofram o risco de engrossarem exército de desempregados

Nampula (IKWELI) – O Arcebispo de Nampula e presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), Dom Inácio Saure, alertou, na sexta-feira (18), aos graduados da Universidade Católica de Moçambique (UCM) para o risco de alguns deles integrarem o crescente número de cidadãos formados que enfrentam o desemprego no país.

Falando durante a homilia da cerimónia de graduação, Dom Inácio Saure considerou o desemprego de pessoas formadas como um dos problemas que marcam a realidade moçambicana.

“Infelizmente, nesse Moçambique, nossa terra gloriosa, o vale das lágrimas apresenta-se muitas vezes muito profundo. Vou citar apenas dois exemplos nos citadinos, pensemos no exército de desempregos, infelizmente alguns graduados vão ingressar e engrossar o exército dos desempregados formados que, infelizmente, alguns dos hoje graduados, é um dos nossos vergonhosos vales de lágrimas em Moçambique”.

O Arcebispo apelou aos graduados para que façam uso dos conhecimentos adquiridos durante a formação com consciência e responsabilidade, mesmo perante as dificuldades que possam encontrar no mercado de trabalho.

Dom Inácio Saure abordou também a morte de Dom Osório Citora Afonso, Bispo de Quelimane, Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira e Secretário Geral da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM).

“O segundo exemplo, pensemos na injusta privação do conhecimento em tempo razoável, de verdade legitimamente queremos conhecer que havendo boa vontade séria possível, como o caso das circunstâncias do assassinato de Dom Osório Citora Afonso, filho querido desta terra, Bispo de Quelimane”.

Ao falar sobre o assunto, lamentou a falta de esclarecimentos sobre as circunstâncias do assassinato do prelado, ocorrido em Quelimane, defendendo que a verdade deve ser conhecida.

“A Conferência Episcopal de Moçambique está enlutada desde Junho último e, infelizmente, até hoje ela está sujeita, contra toda a sua vontade, a só ouvir só revelações de uma Velha Chica que, muito provavelmente, nunca chegaremos a conhecer, e sabem porquê? porque, ousar dizer a verdade em Moçambique, sem esconder a cara, constitui um grande risco, o risco da própria vida.”

Na mesma intervenção, o Arcebispo questionou quem deve esclarecer o caso e pediu às autoridades competentes que apresentem informações sobre os responsáveis e as motivações do crime.

“Afinal, a quem compete nos dizer e quando, quais foram os mandantes, portanto, o autor moral, o autor material, as motivações do cobarde e bárbaro assassinato do humilde homem de Deus e do povo? Quem foram?”. Esse crime odioso abriu mais um vale de lágrimas muito profundo para os moçambicanos. Em dia de graduação da UCM como hoje iluminado pela palavra de Deus que acabamos de escutar, penso que não estaria fora de lugar levarmos a voz para exigir energicamente que às autoridades competentes deste país saíam do modismo vergonhoso para dizer a verdade aos moçambicanos, a igreja, e o mundo sobre o caso de Dom Osório”.

Dom Inácio Saure terminou apelando aos graduados, especialmente aos formados em Direito, para que usem a ciência com consciência e coloquem os conhecimentos adquiridos ao serviço da sociedade.

“Ciência sem consciência é apenas a ruína da alma. O mesmo se diga também da autoridade sem dignidade que constitui uma autêntica desgraça para o povo. Aos amigos aqui graduados especialmente aos que cursaram o direito a auge da consciência para que onde que esteja mesmo desempregado, mas sobretudo a trabalhar honre a Universidade Católica de Moçambique celebrado qualidade Inovação”. (Malito João)

O encontro entre “dois” Salimos em Namige,

Namige (IKWELI) – Ambos nascidos a 22 de março, o governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, carinhosamente tido como tio Salimo, conheceu, na tarde de sexta-feira (18), um bebé que leva o mesmo nome que o seu.

Nascido na vila de Namige, sede do distrito de Mogincual, a sul de Nampula, o pequeno Salimo chegou ao governador pela ousadia da mãe, que decidiu abordar ao tio Salim logo após um comício popular por se orientado.

A coincidência de nome, como também da data de nascimento, comoveram ao governador, o qual comentou, diante da multidão, que “aqui tem um futuro governador”.

O momento emocionante foi marcado pela captação de fotografias e cordialidades.

Mogincual estabelece três áreas de reserva do pescado

Nampula (IKWELI) – O distrito de Mogincual, na província de Nampula, conta com mais de 122 mil habitantes, dos quais mais de 60% vivem de actividades pesqueiras, uma realidade que obrigou o Governo local a levar cada vez mais a sério a questão de uso sustentável dos recursos do mar.

De acordo com o administrador do distrito, João Bento Zampula, actualmente já são três áreas de reserva pesqueira com vista a garantir uso sustentável do mar. “Neste momento já temos três áreas de reserva que serão áreas que não se pode pescar, a própria comunidade é que decidiu e o peixe vai se reproduzindo naquelas áreas, então os investidores ao chegar devem saber vão explorar bastante o pescado. Com essa reserva, a pretensão é o aumento da produção e a produtividade.”

O distrito pode produzir mais de 600 toneladas de pescado por mês, embora os números possam avançar ou reduzir devido ao mau tempo no mar. Perante esta realidade, o Governo distrital aponta vários desafios, entre eles a melhoria das condições de trabalho dos pescadores.

“Estamos a falar o tipo de rede que o pescador usa, porque temos aquelas redes que são proibidas, especialmente a rede mosquiteira, e outra situação é a melhoria do esforço do próprio pescador, a melhoria das condições dos meios que os pescadores usam, estamos a falar dos barcos construídos com material local, mas muitas vezes alguns barcos não reúnem aquelas condições favoráveis principalmente quando são tempos maus.”

Para além das condições de segurança no mar, o Governo de Mogincual defende a diversificação das actividades dos pescadores, como forma de reduzir a dependência exclusiva da pesca e responder aos riscos associados à actividade.

“Actividade pesqueira é uma actividade de risco, o que nós estamos a incentivar o pescador é de que não use somente o mar como actividade principal, mas também que produza outros meios para a produção do próprio peixe, estamos a falar em cativeiro”. (Malito João)

O “milagre” que tio Salim levou à Mogincual

Namige (IKWELI) – Sexta-feira, 18 de setembro de 2026. Dia com céu pouco nublado, enquanto a vila de Namige, sede do distrito de Mogincual, a sul de Nampula, comemora os seus 64 anos de elevação à categoria, Maria António está, quase, em desespero na maternidade da unidade sanitária, necessitando de transporte para a sua transferência, porque o seu parto complicado não encontrava solução local.

Um desespero paira na equipa médica, incluindo nos parceiros que apoiam o sector da saúde no distrito.

Quis a sorte que Eduardo Mariamo Abdula, governador de Nampula, de que se conhece tio Salim, visita-se hoje, sexta-feira, o distrito de Mogincual.

Para Mogincual, Abdula mobilizou um carro ambulância e uma viatura operativa para a Polícia da República de Moçambique (PRM).

Com a urgência de Mariamo António, que chegou da comunidade de Xa-Momade no dia anterior, a partir posto administrativo de Namige, a ambulância nem se quer esperou para ser entregue em cerimónia pública, tratou, de imediato, de desempenhar o papel para o qual o governador mobilizou o meio.

Pouco depois das 11h30, Mariamo foi preparada por uma equipa médica para seguir, na nova ambulância, para a vila de Monapo, com hospital em condições para assistir o seu parto.

“Essa ambulância entrou bem,” comentava-se no pátio do centro de saúde de Namige, enquanto a parturiente seguia para a ambulância.

De outros cantos ainda ouvia-se: “obrigado tio Salim. Esse sim, é mesmo governador. Está a fazer que o povo se sinta mesmo povo. Estamos felizes.”

Os acompanhantes de Mariamo António, que já se encontravam em desespero, comentavam que “se não fosse o governador, estaríamos muito mal, muito mal mesmo. Muito obrigado ao nosso governador.” (Redação)

Governo necessita de 4 mil milhões de dólares para o ProÁguaS

Maputo (IKWELI) – O ministro moçambicano das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, disse, nas discussões do XII Conselho Coordenador do sector, que o país necessita de 4 mil milhões de dólares para a implementação efectiva do Programa Nacional de Segurança Hídrica (PROÁguaS) 2026/2036.

Segundo o ministro, até ao momento apenas estão disponíveis 750 milhões, estando em mobilização, junto de parceiros, o remanescente.

Com financiamento garantido, serão possível expandir e melhorar os serviços de abastecimento de água e saneamento, reduzir perdas e reforçar a segurança hídrica no país, por isso exigiu maior colaboração e coordenação entre as instituições do sector de água e saneamento no país.

O XII Conselho Coordenador decorre no segundo ano de implementação do Programa Quinquenal do Governo 2025–2029, em alinhamento com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044 e os respectivos instrumentos anuais de planificação e orçamentação.

No âmbito do Programa Quinquenal do Governo e do PESOE 2025, o Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos programou 54 acções, traduzidas em 62 indicadores.

De acordo com a avaliação realizada, dos 62 indicadores, 34 foram integralmente cumpridos, correspondendo a 55%, três foram cumpridos com sucesso, representando 5% enquanto 25 não foram cumpridos, equivalentes a 40%. O desempenho médio global do MOPHRH situou-se em 62%.

No âmbito do abastecimento de água e saneamento, foram construídos 44 sistemas de abastecimento de água nas zonas rurais e 500 fontes de água, ampliando as possibilidades de acesso das comunidades à água segura.

Nas zonas urbanas, foram estabelecidas 10.743 ligações domiciliárias de água, que beneficiam 197.400 pessoas, das quais 102.648 mulheres e 94.752 homens.

Na província do Niassa, foram construídos quatro sistemas de abastecimento de água, nos distritos de Mavago, Majune, Muembe e Mandimba. Em Sofala, foi construído o Centro Distribuidor de Estoril, no Dondo.

No sector de saneamento, foram reabilitados oito quilómetros da rede de esgotos da cidade de Maputo, construídos 3.500 sanitários domiciliários na cidade de Tete e 15 sanitários escolares. (Antónia Mazive)

Governo prepara plano de 401 milhões de dólares para mitigar impactos do El Niño em Moçambique

Maputo (IKWELI) – O Governo de Moçambique prepara um Plano de Mitigação avaliado em cerca de 401 milhões de dólares norte-americanos para fazer face aos possíveis impactos do fenómeno El Niño durante a época chuvosa 2026/2027, com foco no abastecimento de água, agricultura, pecuária, saúde, educação, protecção social e assistência alimentar.

A informação foi avançada esta quinta-feira (17) pelo Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos (MOPHRH), Fernando Rafael, na abertura do 12.º Conselho Coordenador da instituição que se realiza em Maputo.

Segundo explicou o ministro, o plano prevê prover assistência alimentar de emergência para 343.773 pessoas, correspondentes a cerca de 68.755 famílias, enquanto a protecção social contempla cerca de 234 mil famílias. As intervenções na agricultura abrangem mais de 155 mil agricultores, além de 90.500 criadores de gado, considerados grupos-alvo face ao fenómeno El Niño.

As intervenções previstas incluem a construção e reabilitação de sistemas de abastecimento de água, represas, reservatórios e furos multiusos, a distribuição de sementes resistentes à seca, a protecção do efectivo pecuário, o reforço da alimentação escolar; a assistência nutricional e sanitária, o apoio às famílias mais vulneráveis e o fortalecimento dos sistemas de monitoria hidrometeorológica e de alerta prévio.

O ministro assegurou que o Governo mobilizou 125 milhões de dólares através de apoio externo, destinados aos recursos hídricos, abastecimento de água, saneamento e higiene, agricultura, pecuária e pescas.

Fernando Rafael fez saber que a resposta será implementada de forma faseada, começando pela preparação e resposta imediata, seguindo-se a recuperação e estabilização e, posteriormente, o reforço da resiliência e da prevenção.

“Queremos proteger as populações, assegurar água, alimentos e serviços essenciais, mas também aproveitar esta resposta para construir infra-estruturas e comunidades mais resilientes às secas e a futuros eventos climáticos extremos”, frisou.

O ministro apelou à população para o uso racional da água, evitando desperdícios, protegendo as fontes de água, conservando alimentos e sementes, seguindo as orientações das autoridades e acompanhando permanentemente os avisos meteorológicos e os sistemas de alerta prévio.

Apesar dos desafios associados ao El Niño, o Governo prevê, para 2027, a continuidade dos investimentos destinados ao aumento da capacidade de armazenamento de água, à segurança das infra-estruturas hidráulicas, à protecção contra cheias e ao aprofundamento do conhecimento sobre os recursos hídricos superficiais e subterrâneos.

Na província de Cabo Delgado está prevista a continuação dos trabalhos relacionados com a Barragem de Muera, no distrito de Mueda, devendo o estudo atingir 40 por cento de execução.

Na província de Nampula, prevê-se a conclusão do estudo de avaliação de impacto ambiental e social da Barragem de Macuje, no distrito de Rapale, bem como a continuidade dos estudos relativos à Barragem de Saua-Saua.

Segundo disse o ministro, na província de Maputo, um dos investimentos de maior dimensão previstos é o início da construção do descarregador auxiliar da Barragem de Corumana, em Moamba, cuja execução física deverá atingir 20 por cento em 2027, mobilizando cerca de 665,6 milhões de meticais de financiamento externo. Em Matutuíne, deverá avançar a avaliação dos recursos hídricos subterrâneos em Salamanga.

“Prosseguiremos igualmente com a actualização da Carta Hidrogeológica Nacional, que deverá atingir 70 por cento, reforçando a nossa capacidade de conhecer e gerir de forma sustentável as reservas de água subterrânea do país. Na Bacia do Limpopo, daremos continuidade à reabilitação dos diques de defesa, particularmente na secção sul de Chókwè, com a meta de reabilitar 20 quilómetros de diques.”

“É também neste horizonte de 2027 que o ProÁguas deverá ganhar maior velocidade de implementação. A reforma institucional do abastecimento de água e saneamento deverá produzir resultados mensuráveis, enquanto a iniciativa presidencial de Terra Infra-estruturada deverá avançar para uma escala cada vez maior e a ANOP, IP deverá consolidar a sua capacidade institucional e técnica,” disse o ministro.

O dirigente referiu que essas metas só serão possíveis se for possível fazer convergir a planificação, o orçamento, a execução e a monitoria, sublinhando que a planificação para 2027 deve, por isso, começar pela articulação. (Antónia Mazive)