Início Site Página 22

Mais de mil turistas esperados na Ilha de Moçambique no Dia Mundial do Turismo

Nampula (IKWELI) – Mais de mil turistas são esperados na cidade da Ilha de Moçambique durante as comemorações do Dia Mundial do Turismo que acontecem a 27 do corrente mês e o governo provincial está já promovendo uma campanha de boas-vindas à propósito.

Edson Consolo, da direcção provincial da Cultura e Turismo de Nampula, esteve a liderar uma equipa que estava dando boas-vindas aos turísticas no aeroporto internacional de Nampula na manhã desta quinta-feira (24) e disse, na ocasião, que a província dispõe de excelentes locais turísticos e apetecíveis de visitar.

“Desde o dia 1 de setembro, a direcção está a levar a cabo várias atividades. A cerimónia central do Dia Mundial do Turismo, que terá lugar no dia 27 de setembro, será realizada no distrito da Ilha de Moçambique. Também vai acontecer uma mesa-redonda e será feito o lançamento do Festival Wamphula Noophiya, anunciado para os dias 20 e 21 de novembro de 2026, na Praia de Fernão Veloso, em Nacala-a-Velha,” disse esta fonte, explicando que espera-se que a Ilha de Moçambique destaque o seu papel central como referência do património histórico e cultural e do Oceano Índico, dinamizando atividades de valorização patrimonial, visitas guiadas a pontos de interesse e o fortalecimento de investimentos destinados à recuperação e promoção do turismo local na província de Nampula, salientou a fonte. (Nelsa Momade)

Nacala: Governador de Nampula pede disponibilização de combustível para aliviar o sofrimento da população

Nacala (IKWELI) – A situação da escassez de combustíveis na província de Nampula, sobretudo nas cidades de Nacala e Nampula, fize com que o governador local, Eduardo Mariamo Abdula, fosse abordar aos distribuidores sedeados nas terminais oceânicas de Nacala para a disponibilização do produto ao mercado.

“Reunimos hoje com distribuidores de combustível de Nacala e pedimos a libertação de todas as reservas disponíveis para o mercado,” disse o governador, recordando que o pedido é “em nome da população de Nampula,” como forma “de ultrapassar a crise de fornecimento do produto que se regista em Nacala e na província de Nampula, em geral.”


Abdula referiu ainda que “preocupados com a situação, pedimos uma dispensa aos membros da Assembleia Provincial dos trabalhos da V Sessão Ordinária e deslocámo-nos a Nacala para nos inteirarmos da real situação por detrás da crise de combustível.”

“Durante o encontro com alguns distribuidores de produtos petrolíferos, pedimos, igualmente, a este grupo que nos ajude a controlar a situação, retomando o abastecimento do produto e, deste modo, ultrapassarmos a crise que se assiste nos últimos dias. Explicamos ainda que não fica bem para a província não ter combustível, enquanto todos os dias passam camiões de combustível destinados ao abastecimento de outras províncias e países vizinhos, deixando Nampula mergulhada numa crise de fornecimento.”


Num outro desenvolvimento, o governador afiançou que “pedimos igualmente aos distribuidores que façam uma distribuição equitativa do combustível pelos diferentes fornecedores e zonas onde se localizam as bombas de abastecimento, como forma de evitar a maior concentração de pessoas num único local e prevenir situações mais graves, como a que se registou no Quatro Caminhos, na cidade de Nampula.”


Esta deslocação demonstra a preocupação e a prioridade que “atribuímos à busca de soluções para o restabelecimento do normal abastecimento de combustível nas diferentes bombas da nossa província.” (Redação)

Presidente Chapo discute com o FMI e a IFC financiamento e investimento no primeiro dia em Nova Iorque

Nova Iorque (IKWELI) – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, discutiu na terça-feira (22), em Nova Iorque, com a Directora-Geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o Director-Geral da International Finance Corporation (IFC), Makhtar Diop, o financiamento da economia moçambicana e a mobilização de investimento privado. Os encontros marcaram o primeiro dia da visita de trabalho que o Chefe do Estado realiza por ocasião da 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, dia em que participou também na abertura do Debate Geral.


Com Makhtar Diop, a conversa incidiu sobre a mobilização de capital para o sector privado e para projectos estruturantes. O dirigente da IFC, instituição do Grupo Banco Mundial, mostrou-se disponível para aumentar o investimento em Moçambique e apontou oportunidades na agricultura e no agro-negócio, na energia, incluindo as renováveis, nas infra-estruturas, na economia digital e na inclusão financeira.
No Forbes Africa Day, fórum de negócios dedicado às oportunidades económicas de África, Daniel Chapo lançou “From Captivity to the Presidency of the Republic”, versão inglesa do seu livro “Do Cativeiro à Presidência da República”. Numa entrevista interactiva perante investidores e empresários, apresentou as reformas em curso: as novas leis de minas, de petróleo e gás e de conteúdo local, e a unidade de entrega criada no seu Gabinete para acompanhar investimentos. Citou o pagamento antecipado da dívida ao FMI como demonstração de “disciplina e responsabilidade”. Referiu os projectos de gás natural liquefeito de Cabo Delgado, com a ENI, a TotalEnergies e a ExxonMobil, mas insistiu na diversificação da economia. “O sector privado é a chave para o desenvolvimento de Moçambique”, afirmou, antes de destacar o potencial de Cahora Bassa para abastecer de electricidade a região da SADC e de convidar investidores norte-americanos a conhecer as oportunidades do sector.

Jeffrey Sachs, presidente da UN Sustainable Development Solutions Network, disse acreditar, depois do encontro com o Chefe do Estado, que Moçambique “pode alcançar um desenvolvimento económico muito rápido”. Defendeu investimentos na educação, na saúde e em infra-estruturas como a electricidade, a internet e as estradas, e indicou a China e a Índia entre os países interessados em apoiar o país.


O encontro de cortesia com António Guterres decorreu no último ano do mandato do Secretário-Geral, que termina em Dezembro, quando se prepara a escolha do seu sucessor. A agenda em Nova Iorque, que a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação descreveu como de dois dias, 22 e 23 de Setembro, prevê ainda a partilha da experiência moçambicana em matéria de paz e desenvolvimento, com destaque para o Diálogo Nacional Inclusivo, e um encontro com a comunidade moçambicana. (Redação)

CISLAMO em Nampula satisfeito com permissão do uso do lenço nas instituições de ensino

Nampula (IKWELI) – O Conselho Islâmico (CISLAMO) na província de Nampula mostra-se satisfeito com a decisão do Ministério da Educação e Cultura de permitir que as alunas se apresentem nas diferentes instituições de ensino usando o lenço, lembrando que há anos que se aguardava por uma decisão desta natureza.

A posição surge depois de um despacho do Ministério da Educação e Cultura que não restringe o acesso de alunas ou formandas trajadas de lenço, de modo a assegurar o pleno gozo do direito à educação.

“Sem prejuízo do uso do uniforme adoptado pelo estabelecimento público e privado dos sistemas de Educação Geral, Educação e Formação de Professores e de Educação Profissional, de acordo com o previsto no respectivo regulamento interno, é permitido o uso do lenço às alunas ou formandas, desde que não vede o rosto, de modo a permitir que as mesmas sejam devidamente identificadas”, lê-se no despacho.

Para a materialização da decisão, de acordo com o despacho, os estabelecimentos de ensino público e privado devem garantir a observância de todas as medidas de segurança nos respectivos estabelecimentos de ensino, em particular as adoptadas para o acesso e uso dos laboratórios, oficinas e salas de aulas práticas.

Abdulmagid António, delegado do Conselho Islâmico na província de Nampula, disse que a autorização do uso do lenço nas instituições de ensino público e privado representa um avanço, assim como o reconhecimento da liberdade religiosa e da igualdade no tratamento dos cidadãos muçulmanos no país.

“Nós, como Conselho Islâmico, temos defendido o uso do lenço nas instituições públicas porque Moçambique é um Estado laico e pluralista. Temos diferentes comunidades religiosas e devem receber tratamento igual. Havia um grande constrangimento e, com o despacho, consideramos que houve uma superação desses constrangimentos, pois é um sinal de inclusão”, disse.

O delegado sublinhou que tudo será feito usando os canais próprios para que também o Governo autorize a realização de fotografias com lenço no momento de tratar o Bilhete de Identidade.

“O que nós queremos é que isso seja transformado numa lei. Não queremos que sejam comunicados, mas uma lei aprovada para o uso do lenço nos documentos oficiais”, frisou António. (Francisco Mário)

El Niño pode levar 8 milhões de crianças à fome aguda na África Oriental e Austral até 2027

Maputo (IKWELI) – Cerca de 8 milhões de crianças na África Oriental e Austral poderão enfrentar fome aguda até ao início de 2027, um aumento de 30%, devido ao agravamento da insegurança alimentar associado aos efeitos do fenómeno climático El Niño, alerta a Save the Children.

A organização estima que o número de pessoas em situação de crise ou pior nos seis países analisados possa subir de 12,6 milhões para 16,4 milhões até Março de 2027. A análise abrange Moçambique, Malawi, Zâmbia, Madagáscar, Uganda e Quénia, países onde dados recentes da Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC) apontam para uma possível deterioração das condições alimentares nos próximos meses.

Num comunicado partilhado à imprensa, a organização alertou que, caso as autoridades e os parceiros não tomem medidas urgentes, o número de crianças afectadas pela escassez severa de alimentos poderá aumentar de seis para oito milhões.

O agravamento da situação em grande parte dos países da região ocorre num contexto marcado por conflitos, fome, deslocamentos, instabilidade económica e cortes no financiamento humanitário “a chegada do El Niño poderá provocar secas severas, perdas de culturas agrícolas e perdas de gado em várias partes da África Austral”, diz o comunicado.

 Moçambique entre os países sob pressão

Segundo o comunicado, em Moçambique, muitas comunidades das províncias centrais ainda estão a recuperar das cheias severas registadas no início deste ano, enquanto os deslocamentos provocados pelo conflito em Cabo Delgado continuam a exercer pressão sobre os serviços de alimentação, água e saúde.

A Save the Children alerta que novos choques climáticos poderão agravar as dificuldades enfrentadas pelas famílias que já dispõem de poucos recursos para responder a situações de emergência.

Para além da perda de alimentos e meios de subsistência, a organização considera que as crianças poderão enfrentar maiores riscos de trabalho infantil, tráfico, negligência, violência, uniões prematuras forçadas e outras formas de exploração.

De acordo com o comunicado, entre os seis países analisados, a Zâmbia poderá registar um dos aumentos mais acentuados. A previsão aponta para um aumento de 80% no número de pessoas em situação de crise alimentar, ultrapassando 1,2 milhões.

Também são previstos aumentos significativos em Madagáscar, Malawi e Moçambique, de 75%, 55% e 35%, respectivamente.

No Uganda, o número de pessoas em situação de crise ou pior poderá aumentar 44% até 2027, representando um agravamento em comparação com os números anteriores. Na região de Karamoja, no nordeste do país, o número de pessoas em níveis de crise ou emergência já aumentou mais de 40%.

No Quénia, a situação alimentar poderá melhorar globalmente até ao início de 2027, depois da deterioração registada este ano. No entanto, a organização prevê um agravamento entre as populações refugiadas, devido ao risco de cheias associadas ao El Niño.

Crianças menores de cinco anos entre as mais vulneráveis

Em Madagáscar, cerca de 502.000 crianças menores de cinco anos deverão sofrer de desnutrição aguda entre Maio de 2026 e Abril de 2027, segundo os dados citados pela Save the Children. Deste número, cerca de 78.000 crianças deverão sofrer de desnutrição aguda grave, a forma mais mortal de desnutrição, que requer tratamento médico urgente.

A organização defende que os impactos sobre as crianças podem ir além da falta imediata de alimentos, uma vez que a desnutrição pode afectar a saúde, a frequência escolar e o desenvolvimento infantil.

Perante os riscos previstos, a Save the Children defende que governos, doadores e organizações humanitárias actuem antes que os efeitos mais graves do El Niño se façam sentir.

Yvonne Arunga, directora regional da Save the Children para a África Oriental e Austral, afirmou que “a comunidade internacional e os doadores devem investir agora, antes que as secas, cheias e crises alimentares se agravem. Cada dólar investido para ajudar as comunidades a prepararem-se e a agir antecipadamente pode salvar vidas, proteger meios de subsistência e reduzir a necessidade de respostas humanitárias muito maiores mais tarde”. (Antónia Mazive)

Crise de combustível ganha contornos alarmante em Alto Molócuè

Quelimane (IKWELI) – A população da vila de Alto Molócuè, na província da Zambézia, continua a sofrer com a crise de combustível, sobretudo a gasolina, que deixa os operadores de táxi mota, assim como outros utentes no geral, em desespero.

“Aqui está pior, até penso que em alguns lugares a situação está normal, mas para nós parece um sofrimento que não tem fim. Das vezes que o combustível tem nas bombas tiram para algumas pessoas com tambores e estes de tambores vendem para os de galões, e por sua vez, estes vendem na rua a 200,00Mt (duzentos meticais) e 250,00Mt (duzentos e cinquenta meticais) por litro,” disse Filipe Manuel, um residente local.

A fonte sublinhou que os retalhistas só abastecem por vergonha, pois “é normal abastecerem duas horas do tempo e depois dizerem que já acabou gasolina, mas aparecem carros cheios de tambores e abastecem. E isso impacta negativamente para todos porque o transporte regista subida,” anotou a fonte. 

“O cidadão comum também paga com a crise, onde éramos cobrados 30,00Mt (trinta meticais), passamos a pagar 50,00Mt (cinquenta meticais). Um troço que pagávamos 150,00Mt (cento e cinquenta meticais), agora pagamos 200,00Mt (duzentos meticais) e isso está complicado,” afirmou outro cidadão daquela circunscrição geográfica. (Francisco Mário)

“Aprender para Crescer” quer cortar barreiras que limitam crianças com deficiência em Nampula

Nampula (IKWELI) – Crianças com deficiência na província de Nampula continua a passar por situações de descriminação, um fenómeno que preocupa os defensores e protectores dos seus direitos.

Neste prisma, a Fundação Fé e Cooperação (FEC), em cooperação com os Missionários do Espírito Santo e o governo, tem vindo a envidar esforços para que estas crianças não sofram violência doméstica e de outros tipos.

Com efeito, desta parceria resulta a implementação do projecto “Aprender para Crescer”, que beneficia crianças com deficiência, com idades que variam entre os 3 e os 13 anos, como forma de combater as barreiras que comprometem o futuro das mesmas.

A iniciativa poderá contar com a participação de líderes comunitários, representantes do Governo e da sociedade civil, com vista a ajudar crianças com diferentes tipos de deficiência, seja física, mental, auditiva, neurológica, entre outras.

A mesma tem como principal objectivo contribuir para o fortalecimento das actividades relacionadas com a inclusão social de crianças com deficiência, melhorar a qualidade da formação dos professores para responder aos desafios pedagógicos ao nível das instituições de ensino, melhorar as infra-estruturas públicas de ensino e aprendizagem e ultrapassar outras barreiras que continuam a impedir que crianças com necessidades especiais tenham acesso a serviços básicos, sobretudo no sector da educação, como casas de banho adequadas, falta de rampas e carteiras não adaptadas para aquelas crianças.

Segundo os responsáveis, a fase piloto do projecto foi lançada em janeiro do presente ano, com uma previsão de duração de três anos e um financiamento total de 200 mil euros, equivalente a pouco mais de 14 milhões de meticais, financiado pela Miserion, através da Igreja Católica Alemã.

Numa primeira fase, o projecto prevê abranger directamente cerca de 75 crianças com deficiência, com idades que variam entre os 3 e os 13 anos. Deste universo, 50% são raparigas. Indirectamente, espera-se alcançar um universo de cinco mil crianças.

Ainda no âmbito do mesmo projecto, pretende-se formar um total de 50 professores, entre mulheres e homens, afectos a seis escolas de ensino básico e primário e a cinco escolinhas, em matéria de inclusão social, direitos e protecção de crianças com deficiência, incluindo questões pedagógicas, de modo a responder à diversidade na sala de aula. A formação terá a duração de seis meses e decorrerá na cidade de Nampula, concretamente nos bairros de Natikiri, Marrere e Mutauanha.

O Ikweli entrevistou algumas mães e encarregadas de educação que deram o seu testemunho de superação em relação aos desafios que os seus filhos enfrentam no quotidiano.

A título de exemplo, dona Nércia Francisco, de 30 anos de idade, mãe de três filhos, sendo que duas são crianças com deficiência física e mental, residentes no bairro de Murrapaniua e ela conta que já não sabe onde recorrer para encontrar tratamento para a sua filha, que é deficiente do membro inferior esquerdo, contou que a menina tem actualmente 11 anos de idade e frequenta a 6.ª classe na Escola Primária de Murrapaniua-2, nos arredores da cidade de Nampula.

Esta mãe conta que a sua filha teria sido diagnosticada com a doença em 2015, ano em que nasceu.

A fonte explicou que, sem pensar duas vezes, teve de recorrer a exames médicos no Hospital Central de Nampula (HCN), onde lhe foi dito que a pequena tinha um tumor no osso do membro inferior esquerdo, causado por “asfixia”.

“Esta menina tem problema de osso, na perna esquerda, então o mesmo esticou diferentemente da outra, onde, para andar com essa perna deficiente, são com os dedos. Esta criança nasceu com desmaios e teve que ser transferida para o Hospital Central, onde fiquei durante sete dias no berçário. Nos primeiros quatro dias, a criança alimentava-se de leite materno através de tubos que tinham sido colocados nas narinas, porque não conseguia chupar a mama, não chorava e não fazia nada,” contou a dona Nércia Francisco.

Na mesma senda, a nossa fonte revelou que, depois de levar a sua filha ao Hospital Central de Nampula foi diagnosticada com um tumor dentro do osso do membro inferior esquerdo. Segundo explicou, naquela maior unidade sanitária da região Norte do país não havia um especialista para o tratamento daquele tipo de doença.

Ainda em conversa com a nossa equipa de reportagem, Nércia Francisco revelou que, depois de descobrir que a sua filha padecia da doença, e após esta completar dois anos de idade, em 2017, descobriu igualmente que já apresentava outros problemas de perturbações mentais. Foi então transferida do Hospital Central de Nampula, onde se encontrava internada, para o Hospital Psiquiátrico de Nampula.

“Ao andar do tempo comecei a ver comportamentos estranhos nela. Batia nas pessoas, mordia e arranhava. Foi no mesmo período que os médicos descobriram o problema e tiveram que a transferir para o Hospital Psiquiátrico, onde fez o tratamento durante 10 meses, mas nenhum dos medicamentos fazia bem para ela. Os ataques continuavam num ritmo violento e acelerado, e as pessoas acabavam por lhe bater e humilhar por causa da sua condição, uma vez que ela vivia a arranhar-se e a sangrar.”

A nossa fonte explicou que, não tendo bons resultados com o tratamento da filha, sentiu-se obrigada a recorrer a outras instâncias, como igrejas de diferentes crenças, mas também sem sucesso.

Igualmente, contou ter levado a filha à medicina tradicional, onde lhe foi dito que a criança carregava consigo um espírito maligno desde o ventre da mãe. Com esperança de ver a sua filha curada, recorreu ao tratamento tradicional, mas a situação acabou por piorar, tendo a criança começado a sofrer desmaios constantes e acabado por dar entrada na sala de reanimação do Hospital Central de Nampula.

“Levei-a para a medicina tradicional. Na altura, tinha três anos de idade. A médica tradicional disse que tinha que levar a criança antes de comer alguma coisa. Foi quando nos disse que a criança tinha algo que lhe fizeram engolir quando eu estava grávida. Tentei seguir aquilo, mas não me caiu bem, porque, quando foi dado o medicamento tradicional, a criança desmaiou e acabei por parar na reanimação do HCN. Ficou desde as 8 horas e só foi acordar às 15 horas do mesmo dia. Depois disso, aconselharam-nos a não voltar à medicina tradicional, porque os medicamentos deles são diferentes dos do hospital e não têm as mesmas medidas. Nós não chegámos a esconder nada, porque, quando chegámos ao hospital, tivemos que falar a verdade, que tínhamos levado a criança ao curandeiro. Disseram que aquilo tinha acontecido por causa da medicação tradicional e, de lá para cá, não dei mais. Isso foi em 2018”, contou.

Mesmo com esses desafios que tem enfrentado com a sua filha mais velha, aquela mãe diz nunca ter recebido apoio do Governo local para responder às suas necessidades médicas e sociais, tendo acrescentado que apenas este ano recebeu uma cadeira de rodas para o seu filho mais novo, que também padece da mesma doença, “asfixia”, mas que, segundo contou, tem afectado o membro de forma menos severa e permitido alguma mobilidade.

A mãe contou que foi possível descobrir a condição graças a uma enfermeira. “Durante o desenvolvimento desse meu último filho, no início foi difícil descobrir este problema, mas, graças à enfermeira que me atendeu quando tinha cinco meses, através da balança de peso, percebeu que não conseguia sentar-se e foi quando ela me disse que estava doente. Foi difícil acreditar no início, mas hoje consigo ver que ele está doente e passei a levá-lo à fisioterapia.”

“Espero que o projecto nos ajude muito, de verdade, porque, se a minha filha passa humilhação por causa do estado dela, eu, como mãe, passo mal também. Pior ainda é esse mais novo, de seis anos, que não consegue fazer nada, nem sentar, nem comer. Tudo depende da mãe. Então, espero que ajudem e apoiem essas crianças, porque são crianças que querem juntar-se às outras”, concluiu, com esperança de mudança.

Por outro lado, Marta César, mãe de quatro filhas, sendo que a mais nova tem deficiência física e é paralítica, residente na Unidade Comunal de Piloto, bairro de Mutauanha, nos arredores da cidade de Nampula, conta que a sua filha nasceu com aquele problema em 2005, tendo descoberto a situação depois de três meses de vida.

Após ter levado a criança ao Hospital Central de Nampula, recebeu dos médicos a informação de que a criança não estava doente, tendo-lhe sido dada uma guia para um centro de acolhimento de crianças vulneráveis gerido pelas Irmãs.

“Os médicos, depois de a examinarem, disseram-me que a criança não estava doente, mas, como fui eu que lhe dei à luz, sinto que ela está doente. Foi quando me deram uma guia para a levar ao centro de acomodação das Irmãs. Quando cheguei lá, disseram-me que a criança não tinha espaço para viver, que estava cheio de crianças. Isso foi no mesmo ano em que ela nasceu e estava com três meses de vida.”

Não tendo outra opção, preferiu ficar com a sua filha, tendo recebido orientação da liderança local para a levar ao Infantário Provincial de Nampula, mas também sem sucesso, tendo sido rejeitada.

“Quando voltei para minha casa, tive outra orientação de que tinha que a levar para o Infantário Provincial de Nampula. Lá também me disseram que não havia espaço para a minha filha. Por não ver onde recorrer, levei a minha filha e começou a viver comigo até agora, que completou 19 anos de idade. Ela não consegue fazer nada, faz tudo aí mesmo, porque está rígida, não consegue movimentar-se, fica só deitada de costas. Eu tenho que fazer tudo por ela.”

Marta César disse que, por ter ouvido dos médicos que a sua filha não estava doente, achou melhor cuidar dela sozinha, sem intervenção médica nem dos centros de acolhimento.

“Não a levo mais ao hospital, porque sempre que vou fico de baixa poucos dias porque não tinha sangue, e os médicos dizem que ela não está doente. Ao curandeiro também não vou porque não tenho dinheiro para a levar. Foi quando preferi deixá-la assim. Ela não tem como ir à escola porque não consegue fazer nada. E agradeço por os meus vizinhos não a discriminarem; se fazem, nunca me demonstram.”

Marta, depois de tanto sofrer com a situação da filha, espera que o projecto possa contribuir positivamente para a sua vida e pede ajuda ao Governo local na promoção de actividades de solidariedade para crianças com deficiência que vivem em situação de vulnerabilidade.

Projecto prevê construção de escolinha para crianças com deficiência

O coordenador do projecto “Aprender para Crescer”, Aurélio Manuel, explicou que a iniciativa surge numa altura em que foi realizada uma actividade de mapeamento levada a cabo em parceria com o Governo Provincial, em coordenação com os Missionários do Espírito Santo, responsáveis pelo projecto, e parceiros de cooperação da Igreja Católica Alemã, em alguns bairros periféricos da cidade de Nampula, província com o mesmo nome.

Durante o levantamento, foi possível apurar a existência de limitações no acesso a alguns serviços básicos destinados à inclusão de crianças com deficiência, sobretudo no ensino pré-escolar.

“O projecto pretende construir uma escolinha no bairro de Marrere, que vai acolher várias crianças com deficiência. Nesta primeira fase, estamos a fazer o trabalho de advocacia e, no próximo ano, vamos trabalhar de forma mais prática com a comunidade, realizando actividades económicas com pais e encarregados de educação de crianças com deficiência. Nos próximos dois anos, o projecto e outras iniciativas que já estão em curso poderão abranger os distritos de Meconta, Angoche, Memba e Eráti, ao nível da província de Nampula.”

Por outro lado, Marta Monteiro, representante da Fundação Fé e Cooperação (FEC), uma organização portuguesa que trabalha em Moçambique, explicou que a província de Nampula, concretamente a cidade, foi escolhida devido ao elevado índice de discriminação e à existência de mitos no seio das comunidades sobre pessoas com deficiência, que são vistas como tendo baixa capacidade para aproveitar algumas oportunidades e como pessoas que não têm importância na sociedade devido ao seu estado físico ou de saúde.

Esta fonte acrescentou que os mitos existentes no seio das comunidades impedem a livre expressão das pessoas com deficiência, por alegadamente contribuírem para a violação dos seus direitos fundamentais.

Igualmente, acrescentou que, neste momento, decorrem estudos para identificar novas estratégias de combate ao fenómeno, alegando que algumas crianças com necessidades especiais são escondidas pelos seus progenitores.

Governo reconhece os desafios e garante trazer soluções

Muze Suale, da direcção provincial do Género, Criança e Acção Social de Nampula, referiu que o governo reconhece os desafios e que tem envidados esforços para colmatar a situação com o apoio de parceiros.

“Numa primeira fase, estamos a preparar a comunidade, os líderes comunitários e os técnicos que serão inseridos no projecto para actividades de inclusão da criança com deficiência nas escolas. Porque sabemos que a comunidade não tem conhecimento da política de protecção e dos direitos das pessoas com deficiência, nós, como Direcção Provincial de Género, estamos a fazer o possível para garantir o acesso à educação, à saúde e a outros serviços básicos e garantir que haja igualdade e equidade para todos. Estamos a implementar vários programas para responder às dificuldades e anseios dessas pessoas vulneráveis”, explicou.

A nossa fonte acrescentou que “temos problemas culturais, religiosos e crenças que fazem com que as comunidades permaneçam ainda com os seus mitos e preconceitos. Este é um trabalho que ainda vamos levar por muito tempo, para ver se conseguimos mudar as atitudes, sendo este um dos grandes desafios, por causa das suas crenças e por acreditarem em factos que não existem. Por isso, a discriminação continua contra crianças com deficiência.” (Virgínia Emília)

Alemanha, Suíça e União Europeia assinalam resultados do Programa Boa Governação Financeira em Moçambique e lançam nova fase de cooperação

Maputo (IKWELI) – Decorre desde ontem, com término previsto para hoje, na cidade de Maputo, o Fórum bianual do Programa de Parceria Boa Governação Financeira (BGF), que marca o encerramento da terceira fase e o lançamento oficial da quarta fase, que decorrerá entre Outubro de 2026 e Março de 2030, e conta com financiamento da Alemanha e Suíça.

Ao longo dos últimos três anos, a terceira fase do Programa de Parceria Boa Governação Financeira (BGF 3) apoiou o Governo de Moçambique e 26 municípios das províncias de Nampula, Niassa, Sofala e Inhambane.

Dados partilhados ao Ikweli indicam que o apoio tem gerado resultados como “cerca de 560.000 moçambicanas e moçambicanos passaram a ter acesso a serviços administrativos mais rápidos e acessíveis, cerca de 8.000 cidadãos, dos quais 55% mulheres, participaram directamente na elaboração de políticas públicas municipais,

nomeadamente nos Planos e Orçamentos Autárquicos.”

“Os municípios parceiros aumentaram em 54% as suas receitas próprias através da criação de unidades tributárias, da digitalização de cadastros e de campanhas de sensibilização tributária,” explica uma nota de imprensa conjunta dos doadores da iniciativa, que prossegue esclarecendo que “com o Climate Scanner, o Tribunal Administrativo realizou a primeira auditória das políticas climáticas no país e reforçou a sua visibilidade pública como entidade de controlo externo de finanças publicas,” e que “o programa contribuiu ao estabelecimento da nova Escola de Governação,” onde “cerca de 4.600 servidores públicos foram capacitados para a melhoria da prestação de serviços, através de mais de 400 cursos de curta duração.

O evento reúne o Tribunal Administrativo, os Ministérios de Administração Estatal e Função Pública (MAEFP), das Finanças (MF), da Planificação e Desenvolvimento (MPD), da Agricultura, Ambiente e Pesca (MAAP), das Obras Públicas, Habitação, Recursos Hídricos (MOPHRH), a Associação Nacional dos Municípios de Moçambique (ANAMM), municípios parceiros bem como os parceiros de cooperação da Alemanha, da Suíça e da União Europeia, a academia e a GIZ.

Sob o lema “Experiências e Inovações para o Fortalecimento da Governação Multinível”, o evento inclui uma feira com 41 experiências e inovações municipais, salas de debate sobre temas como o futuro Tribunal de Contas; a nova Escola de Governação e a profissionalização da administração pública; a governação local participativa; a modernização e digitalização da administração pública; as relações entre o nível central e local; e a mobilização de receitas municipais.

No segundo dia, a nova fase do programa será oficialmente lançada pelo ministro de Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa e pela Presidente do Tribunal Administrativo, Ana Maria Gemo Bié.

Com uma contribuição de 15,8 Milhões de EUR para a quarta fase do programa Boa Governação Financeira (BGF 4), a Alemanha e a Suíça renovam o seu compromisso com a descentralização e gestão pública orientada no cidadão. A nova fase apoiará a construção de instituições públicas mais capazes, eficientes, transparentes e próximas do cidadão, alinhada com as prioridades nacionais e processo de reforma como o Diálogo Nacional Inclusivo. (Redação)

Na AP de Nampula: Alguns membros da oposição denunciam exclusão em benefícios

Nampula (IKWELI) – As bancadas dos partidos Renamo e PODEMOS na Assembleia Provincial (AP) de Nampula denunciam prováveis exclusões nos benefícios de determinados benefícios quando estão em actividades de fiscalização.

Martinho Noronha, que lidera a bancada do PODEMOS na AP de Nampula, disse que “houve um dinheiro destinado ao retiro para Nacala-à-Velha, que só chegou para alguns camaradas, mas outras bancadas não receberam. Eu, sabendo que houve irregularidade, porque recebeu-se um dinheiro público e esse dinheiro não prestou serviço, pedi que devolvessem ao CEP e, até então, não foi devolvido.”

Estes dois partidos políticos alegam que tenham sido intimidados, ainda que não avançaram os autores, por isso, na terça-feira (22), decidiram por abandonar parre das actividades da V sessão ordinária do órgão.

“Nós tivemos uma reunião de emergência em que saímos intimidados, com mais enfoque o meu colega da bancada do PODEMOS, que recebeu muita ameaça”, afirmou Hilário Ferreira, chefe da bancada da Renamo.

As duas bancadas apontam, também, de não disporem de condições para o seu trabalho, sobretudo a falta de gabinetes no edifício da AP para o seu funcionamento pleno. (Francisco Mário)

FADM celebram os seus 62 anos com foco na soberania nacional e no combate ao terrorismo

Nampula (IKWELI) – O país assinala nesta quinta-feira o dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), data que recorda o início da luta armada de libertação nacional, em 25 de Setembro de 1964.

Na cidade de Nampula, as cerimónias centrais, dirigidas pelo Secretário de Estado na Província, Fernando Bemane, decorreram na Praça dos Heróis Nacionais, num programa marcado pela deposição de coroa de flores, desfile das Forças Armadas, condecoração de antigos combatentes da Luta Armada de Libertação Nacional, entre outras actividades alusivas à efeméride. 

Na sua intervenção, Fernando Bemane começou por saudar os 17 condecorados em reconhecimento do “sacrifício, coragem, nacionalismo e dedicação à causa da pátria”,  recordando que a história de Moçambique foi construída também através do esforço de homens e mulheres que sacrificaram os seus interesses pessoais na luta pela liberdade e pela soberania nacional.

Na mesma ocasião, o dirigente provincial exortou às Forças Armadas de Defesa Nacional a darem continuidade com a luta pela defesa da pátria, destacando a luta contra o terrorismo em Cabo Delgado, pela paz e pela defesa da soberania nacional.

“Os jovens da geração do 25 de setembro superaram as divisões étnicas, raciais e tribais e lutaram imbuídos no ideal comum de liberdade e unidade nacional. Aos jovens da actual geração,  exortamos e encorajamos a dedicarem-se com mesma bravura, espírito patriótico, entrega e sacrifício consentido na luta contra o terrorismo, na defesa da nossa integridade territorial, da paz e soberania nacional, pois são pressupostos essenciais para a conquista da independência económica que almejamos alcançar.”

No entanto, Fernando Bemane não deixou de  reconhecer o papel das Forças de Defesa e Segurança, sublinhando que, para além do combate ao terrorismo, as forças têm estado presentes em momentos difíceis das comunidades: “honramos a vossa dedicação e coragem, pois para além de combater rigorosamente o terrorismo, garantirem a defesa da soberania, estão sempre presentes nos momentos mais difíceis da vida nas comunidades, prestando solidariedade, bem como assistência às populações durante a ocorrência de eventos extremos como ciclones e cheias.”

Por seu turno, o Coronel Gabriel Fermeiro, das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, enquadrou a data no legado deixado pela geração que participou na luta armada de libertação nacional, tendo ainda referido que a defesa da pátria não constitui uma responsabilidade exclusiva das Forças Armadas, mas envolve igualmente outras forças de segurança e o próprio povo.

“Temos um grande desafio entre todos nós. As Forças Armadas é apenas a linha da frente, mas a defesa dessa pátria pertence a todo o povo moçambicano. Hoje é mais um dia que nós demonstramos que é possível manter essa pátria, que é possível manter um país seguro, porque tanto as Forças Armadas como outras forças de segurança e o povo moçambicano estão prontos para defender essa pátria.”

O Coronel serviu-se da ocasião para destacar que o terrorismo em Cabo Delgado não deve ser entendido como uma questão restrita àquela província, mas uma questão de abrangência nacional. 

 “O desafio do terrorismo não é só de Cabo Delgado, é de todo o país. Por isso que as Forças Armadas, em qualquer parte desse território, estão em prontidão para poder fazer face a qualquer ameaça, não só no Teatro Operacional Norte, mas para intervir em qualquer parte deste país.”

Fermeiro assegurou ainda que a situação de segurança em Nampula encontra-se controlada, tendo reiterado que a missão das Forças Armadas é proteger a população e os seus bens, missão que as tropas continuarão preparadas para intervir sempre que necessário.

Enquanto isso, Constantino Kwangaika, antigo Combatente da luta de Libertação Nacional, ouvido pelo Ikweli, trouxe um testemunho que reforça o peso simbólico da data, tendo recordado o sofrimento da geração que resistiu ao colonialismo e, mais tarde, enfrentou também anos de guerra interna no país.

Questionado sobre a actual situação de segurança em Cabo Delgado, o veterano manifestou a sua preocupação quanto a dimensão do real problema, tecendo críticas aos discurso oficiais tendentes a amenizar a situação, referindo que com boa coordenação a mesma ja teria sido ultrapassada.

“Eu não sei por que o governo, de certa maneira, diz que está a acabar, porque essa guerra, é algo grande mesmo, que torna difícil para a gente entender. Naquela guerra de Cabo Delgado as pessoas estão a morrer.  Porque a guerra contra a Renamo a gente conversou com ele, acabou. E a guerra pela independência, havia responsável, o colonizador português, nós combinamos e também acabou. Agora essa guerra dizem que não tem o dono, não tem líder e  responsável. Mas será que é uma guerra que não tem o dono responsável mesmo? Por que eles têm arma? Quem tira arma? E quem tira fardamento?”

 Kwangaika referiu ainda que o conflito armado mantém-se activo em vários distritos da província, entre os quais mencionou Nangade, Palma, Muidumbe e Macomia, com aldeias atacadas recentemente e populações obrigadas a fugir para o mato. “Nós sofremos cinco distritos.  Antes de ontem, também, entraram três aldeias, atacaram, e agora as pessoas estão no mato.”

O combatente terminou lamentando a ocorrência de mortos durante ataques a aldeias, bem como relatos de mulheres levadas pelos terroristas, descrevendo um cenário em que a violência persiste apesar dos esforços das forças de defesa e segurança. (Isidora Fernando)