Nampula (IKWELI) – O país assinala nesta quinta-feira o dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), data que recorda o início da luta armada de libertação nacional, em 25 de Setembro de 1964.
Na cidade de Nampula, as cerimónias centrais, dirigidas pelo Secretário de Estado na Província, Fernando Bemane, decorreram na Praça dos Heróis Nacionais, num programa marcado pela deposição de coroa de flores, desfile das Forças Armadas, condecoração de antigos combatentes da Luta Armada de Libertação Nacional, entre outras actividades alusivas à efeméride.
Na sua intervenção, Fernando Bemane começou por saudar os 17 condecorados em reconhecimento do “sacrifício, coragem, nacionalismo e dedicação à causa da pátria”, recordando que a história de Moçambique foi construída também através do esforço de homens e mulheres que sacrificaram os seus interesses pessoais na luta pela liberdade e pela soberania nacional.
Na mesma ocasião, o dirigente provincial exortou às Forças Armadas de Defesa Nacional a darem continuidade com a luta pela defesa da pátria, destacando a luta contra o terrorismo em Cabo Delgado, pela paz e pela defesa da soberania nacional.
“Os jovens da geração do 25 de setembro superaram as divisões étnicas, raciais e tribais e lutaram imbuídos no ideal comum de liberdade e unidade nacional. Aos jovens da actual geração, exortamos e encorajamos a dedicarem-se com mesma bravura, espírito patriótico, entrega e sacrifício consentido na luta contra o terrorismo, na defesa da nossa integridade territorial, da paz e soberania nacional, pois são pressupostos essenciais para a conquista da independência económica que almejamos alcançar.”
No entanto, Fernando Bemane não deixou de reconhecer o papel das Forças de Defesa e Segurança, sublinhando que, para além do combate ao terrorismo, as forças têm estado presentes em momentos difíceis das comunidades: “honramos a vossa dedicação e coragem, pois para além de combater rigorosamente o terrorismo, garantirem a defesa da soberania, estão sempre presentes nos momentos mais difíceis da vida nas comunidades, prestando solidariedade, bem como assistência às populações durante a ocorrência de eventos extremos como ciclones e cheias.”
Por seu turno, o Coronel Gabriel Fermeiro, das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, enquadrou a data no legado deixado pela geração que participou na luta armada de libertação nacional, tendo ainda referido que a defesa da pátria não constitui uma responsabilidade exclusiva das Forças Armadas, mas envolve igualmente outras forças de segurança e o próprio povo.
“Temos um grande desafio entre todos nós. As Forças Armadas é apenas a linha da frente, mas a defesa dessa pátria pertence a todo o povo moçambicano. Hoje é mais um dia que nós demonstramos que é possível manter essa pátria, que é possível manter um país seguro, porque tanto as Forças Armadas como outras forças de segurança e o povo moçambicano estão prontos para defender essa pátria.”
O Coronel serviu-se da ocasião para destacar que o terrorismo em Cabo Delgado não deve ser entendido como uma questão restrita àquela província, mas uma questão de abrangência nacional.
“O desafio do terrorismo não é só de Cabo Delgado, é de todo o país. Por isso que as Forças Armadas, em qualquer parte desse território, estão em prontidão para poder fazer face a qualquer ameaça, não só no Teatro Operacional Norte, mas para intervir em qualquer parte deste país.”
Fermeiro assegurou ainda que a situação de segurança em Nampula encontra-se controlada, tendo reiterado que a missão das Forças Armadas é proteger a população e os seus bens, missão que as tropas continuarão preparadas para intervir sempre que necessário.
Enquanto isso, Constantino Kwangaika, antigo Combatente da luta de Libertação Nacional, ouvido pelo Ikweli, trouxe um testemunho que reforça o peso simbólico da data, tendo recordado o sofrimento da geração que resistiu ao colonialismo e, mais tarde, enfrentou também anos de guerra interna no país.
Questionado sobre a actual situação de segurança em Cabo Delgado, o veterano manifestou a sua preocupação quanto a dimensão do real problema, tecendo críticas aos discurso oficiais tendentes a amenizar a situação, referindo que com boa coordenação a mesma ja teria sido ultrapassada.
“Eu não sei por que o governo, de certa maneira, diz que está a acabar, porque essa guerra, é algo grande mesmo, que torna difícil para a gente entender. Naquela guerra de Cabo Delgado as pessoas estão a morrer. Porque a guerra contra a Renamo a gente conversou com ele, acabou. E a guerra pela independência, havia responsável, o colonizador português, nós combinamos e também acabou. Agora essa guerra dizem que não tem o dono, não tem líder e responsável. Mas será que é uma guerra que não tem o dono responsável mesmo? Por que eles têm arma? Quem tira arma? E quem tira fardamento?”
Kwangaika referiu ainda que o conflito armado mantém-se activo em vários distritos da província, entre os quais mencionou Nangade, Palma, Muidumbe e Macomia, com aldeias atacadas recentemente e populações obrigadas a fugir para o mato. “Nós sofremos cinco distritos. Antes de ontem, também, entraram três aldeias, atacaram, e agora as pessoas estão no mato.”
O combatente terminou lamentando a ocorrência de mortos durante ataques a aldeias, bem como relatos de mulheres levadas pelos terroristas, descrevendo um cenário em que a violência persiste apesar dos esforços das forças de defesa e segurança. (Isidora Fernando)





