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Moçambique avança com protocolo para proteger crianças associadas aos conflitos armados

Maputo (IKWELI) – A ministra moçambicana do Trabalho, Gênero e Acção Social, Ivete Alane anunciou, na sexta-feira (26), que está em curso a elaboração do protocolo de Entrega e Encaminhamento de Crianças Associadas aos Conflitos Armados, acompanhado do respetivo Mecanismo de Implementação.

Segundo explicou a ministra, o instrumento pretende estabelecer procedimentos claros na identificação, entrega, encaminhamento, assistência e reintegração das crianças afectadas. O seu objectivo é assegurar que cada criança seja tratada, antes de tudo, como vítima de graves violações dos seus direitos e receba protecção, apoio psicossocial, reunificação familiar, acesso à educação e oportunidades de reintegração.

Falando por ocasião da Comemoração Nacional do dia da Mão Vermelha, Ivete Alane, destacou que este é um passo importante para fortalecer o sistema nacional de protecção da criança e para assegurar que o interesse superior da criança esteja sempre no centro das nossas decisões.

Alane reconheceu que nenhuma instituição consegue enfrentar este desafio sozinha, “por isso o governo moçambicano e parceiros de cooperação vão continuar a trabalhar incansavelmente para que as crianças sejam protegidas, ouvidas, respeitadas e apoiadas,” assegurou

A ministra ainda destacou que as crianças moçambicanas devem viver em paz e em segurança. “Queremos que o nosso país seja um lugar onde todas as crianças possam viver em paz, brincar, estudar, crescer em segurança, desenvolver os seus talentos e realizar os seus sonhos.”

Já representante do Instituto da Lei para Criança, Paz e Segurança, Majo Joseph, defendeu um compromisso renovado do Estado, da sociedade civil e dos parceiros internacionais para prevenir o recrutamento e o uso de crianças em conflitos armados.

Na ocasião, apresentou um breve historial do Instituto da Lei para Criança, Paz e Segurança, organização fundada em 2007 pelo Tenente-General na Reserva Romeu Dalê, antigo Comandante da Missão de Assistência das Nações Unidas no Ruanda.

Tendo destacado que a criação da instituição foi motivada pelas experiências vividas durante o genocídio contra os tutsis, em 1994, quando equipas de manutenção da paz se depararam com crianças recrutadas e utilizadas para cometer atrocidades, sem que existissem orientações operacionais adequadas para lidar com essa realidade.

Durante o discurso, Majo Joseph citou dados do mais recente relatório do Secretário-Geral das Nações Unidas, que documenta 552 violações graves contra crianças em Moçambique, incluindo 175 casos de recrutamento e utilização de menores por grupos armados. “Estes números não são meras estatísticas, representam crianças com rostos, histórias e vidas reais,” sublinhou.

Apesar do cenário preocupante, reconheceu os esforços desenvolvidos pelo Governo de Moçambique em parceria com a UNICEF e o Instituto Dalê para capacitar as Forças Armadas de Defesa de Moçambique na prevenção do recrutamento e uso de crianças em conflitos armados. (Antónia Mazive)

Dom Inácio Saure exige esclarecimentos sobre assassinato do Bispo de Quelimane

Nampula (IKWELI) – O Arcebispo de Nampula e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), Dom Inácio Saure, afirmou que a Igreja Católica continua a aguardar uma verdade completa sobre o assassinato de Dom Osório Citora Afonso, Bispo de Quelimane e Administrador Apostólico da Beira, morto a 6 de Junho de 2026, na sua residência episcopal, em circunstâncias que permanecem por esclarecer.

Dom Inácio falava na manhã de domingo (28), na Paróquia de São Pedro, na cidade de Nampula, durante a celebração do Jubileu dos 75 anos daquela comunidade paroquial, ocasião em que voltou a manifestar a dor da Igreja e o apelo por justiça.

O prelado afirmou que os fiéis continuam à espera de uma resposta convincente sobre a morte do Pastor católico, defendendo que o esclarecimento do caso deve ser transparente e baseado na verdade.

“Não consigo terminar essa homilia sem reiterar o apelo da nota da Conferência Episcopal de Moçambique, sobre o bárbaro assassinato do meu irmão Dom Osório, insisto sobre isso, a verdade de toda a verdade, não apenas meias verdades só para satisfazer a curiosidade popular ingénua, o povo está a espera desta verdade, respiramos juntos, o povo está a espera dessa verdade, uma verdade completa não incompleta, os Apóstolos Pedro e Paulo intercedem por nós junto de Cristo, eles serviram com amor ao ponto de perder a vida como Dom Osório, como mártir, sim, Dom Osório é mártir da fé, não morreu por outra coisa, que também possamos dar a vida por Cristo, pela sua igreja, saibamos servir a igreja e nunca nos servirmos dela para nossos interesses egoístas.”

Para Dom Inácio Saure, a reconciliação só pode existir quando a verdade for plenamente reposta, razão pela qual insistiu que as autoridades continuem a investigar o caso até ao seu completo esclarecimento.

O Presidente da CEM considera que a morte de Dom Osório continua a ser uma ferida aberta para a Igreja Católica em Moçambique, que permanece em oração e a espera de justiça.

Dirigindo-se aos fiéis da Paróquia de São Pedro, o Arcebispo apelou para que o Jubileu dos 75 anos seja vivido como um verdadeiro tempo de conversão, renovação espiritual e compromisso com os valores do Evangelho.

Dom Inácio concluiu exortando os cristãos a permanecerem firmes na fé, servindo a Igreja com humildade, amor e espírito de missão, seguindo o exemplo deixado por Dom Osório Citora, que classificou como um mártir da fé. (Malito João)

Giquira vai apoiar reabilitação da igreja de São Pedro

Nampula (IKWELI) – O autarca da cidade de Nampula, Luís Giquira, participou na manhã de domingo (28) na missa de acção de graças pelos 75 anos da Paróquia São Pedro de Napipine, onde anunciou um apoio financeiro de 100.000,00Mt (cem mil meticais) para as obras de reabilitação da igreja.

Durante a celebração, Giquira pediu bênçãos para que a cidade de Nampula continue a prosperar e afirmou que o donativo visa contribuir para a continuidade das obras de melhoria da infraestrutura da paróquia. O gesto foi recebido com aplausos e manifestações de gratidão por parte dos fiéis.

O evento contou com a presença de várias individualidades, entre elas o Reitor da Universidade Rovuma, o chefe do Posto Administrativo de Napipine e sacerdotes provenientes de vários pontos da província de Nampula.

Na ocasião, Luís Giquira afirmou que “queremos continuar a caminhar juntos com todas as comunidades aqui presentes, aos nossos irmãos queridos e pais que continuemos a cultivar esta paz que a cidade almeja, queremos contar com as vossas orações, queremos contar com as vossas preces para a nossa governação que também é vossa, tenha sucessos.”

Um dos fiéis destacou que a contribuição representa um passo significativo para a concretização das obras. “Eu em particular olho como um gesto nobre e um passo gigante para aquilo que é nosso programa que é ver a nossa igreja reabilitada, eu ouvi que para reabilitação da telha da nossa igreja, podemos precisar perto de 5 milhões, mas com essa ajuda é um passo para fazer qualquer coisa dentro ou fora da igreja.”

Por sua vez, Celso Castro manifestou satisfação com o donativo, acreditando que o valor poderá ajudar na execução de algumas das intervenções prioritárias da paróquia. “Estamos muito felizes com esse apoio e esperemos que venham mais apoios.” (Malito João)

Esperando apenas autorização do Governo: Há homens prontos para eliminar crocodilos no rio Monapo

Nampula (IKWELI) – A liderança comunitária de Kuthuxi, na zona residencial de Nahene, bairro da Barragem, na cidade de Nampula, afirma que há pessoas disponíveis para eliminar crocodilos que continuam a provocar mortes no rio Monapo, aguardando apenas autorização do Governo.

A preocupação surge numa altura em que, nas últimas semanas, várias pessoas perderam a vida após serem atacadas por crocodilos quando tentavam atravessar o rio Monapo, situação que tem mergulhado diversas famílias em luto e gerado medo entre as comunidades que dependem daquela travessia.

Em declarações exclusivas ao Ikweli, o líder comunitário do segundo escalão, Albino João, explicou que, após várias reuniões comunitárias, apareceram cidadãos dispostos a enfrentar os répteis, pedindo apenas apoio alimentar. “Depois de muitas reuniões existiram pessoas de boa vontade que somente pediram farinha de milho para acabar com crocodilos no rio Monapo,” afirmou.

Albino João acredita que, caso o Governo autorize a iniciativa, será possível reduzir o número de crocodilos. “Muitas pessoas que vivem em Natikiri, Nahene até Murrapaniua fazem as suas Machambas aqui em Monapo, então o único caminho é esse. E nesse tempo de pouca água algumas pessoas tentam atravessar sem canoa, mas são mordidos por crocodilos, mesmo em tempo de muita água tem pessoas que não têm possibilidades de pagar canoa, 100 meticais,” disse.

Segundo a liderança comunitária, o perigo não escolhe hora, uma vez que os ataques acontecem até ao entardecer, aumentando o receio entre os moradores que diariamente atravessam o rio para trabalhar nas suas machambas.

“Existe um senhor que vive na outra margem, lá no rio Monapo, disse que pode matar todos crocodilos e já fizemos informação. Assim queremos remeter para ver se seremos autorizados chamar esse senhor para vir diminuir esses crocodilos”, acrescentou Albino João.

A comunidade espera agora uma resposta das autoridades, considerando que a redução da população de crocodilos poderá evitar novas tragédias e impedir que mais famílias continuem a perder os seus entes queridos nas águas do rio Monapo. (Malito João)

Homens de Nampula “fingem” não querer legalização da poligamia

Nampula (IKWELI) – O Conselho Islâmico de Moçambique (CISLAMO) submeteu, na última terça-feira (23), no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo (COTE), uma proposta de lei para a legalização da poligamia, assente na defesa de que muitas mulheres se encontram desprotegidas e sem direitos sociais.

O Ikweli saiu as ruas, na manhã desta segunda-feira (29), para entender de homens e mulheres qual é a sua opinião quanto a suposta legalização da poligamia.  

Uma mulher que preferiu anonimato defendeu que a ideia é valida, pois “pensando bem, é uma boa ideia, porque nós somos muitas e cada uma de nós precisa de marido, porque muitas vezes dormimos sozinhas cheias de frio só porque o nosso parceiro não tem coragem de dizer a minha rival que vocês são duas, eu sou a favor da poligamia,” frisou a fonte.

Na mesma linha, outra mulher que falou ao Ikweli declarou que a questão da poligamia merece uma reflexão profunda, uma vez que “os homens já o fazem, e a legalização da poligamia vai beneficiar ambos, e se o homem for corajoso, disser a outra, eu agora quero uma outra esposa e se ele conseguir clarificar e disser que não vai faltar nada para primeira, ai não vai criar problemas, se o homem tiver condições de sustentar as sua esposas, a legalização é bem-vinda,” destacou.

Os homens por sua vez, repudiam por completo a proposta de legalização. “Nós teremos muitos problemas, não temos dinheiro e nem condições para sustentar muitas mulheres e nem filhos, por isso eu digo não a poligamia,” disse Aurélio Feliciano

Na mesma senda, Juvêncio Jorge Bernardo comentou que “a poligamia não trará nenhum acto benéfico, porque não há condições para ter muitas esposas, e as religiões não podem usar esse discurso bíblico para fazer com que os moçambicanos adiram a esses pensamentos, tem assuntos muito importantes para serem discutidos e a poligamia não é uma delas. (Fátima Mugaveia)

Nampula: Governo capacita raparigas em matéria de água e saneamento

Nampula (IKWELI) – O projecto “Águas Seguras” para vilas e zonas rurais está a capacitar, na província de Nampula, um total de trinta (30) raparigas em matérias ligadas a água e saneamento.

O projecto, lançado nesta segunda-feira (29), é uma iniciativa de empreendedorismo feminino com o intuito de aumentar o abastecimento de água em algumas vilas e zonas rurais na província de Nampula e Zambézia, englobando infraestruturas básicas ligadas as famílias.

Faquira Massalo, diretor provincial das Obras Públicas de Nampula, disse que “a mulher é fonte de tudo e colocando ela no centro do negócio de água, estamos a garantir a sustentabilidade de infraestruturas a uma velocidade de construir sistemas de abastecimento de água, construir mais fontes dispersas, no entanto, há uma fraqueza na gestão das mesmas, por isso  com esta capacitação estamos a trazer mais mulheres jovens que foram selecionadas na província de Nampula que vão aprender a saber fazer negócios de água para poderem disseminar os mesmos junto das comunidades,” disse o director das Obras Públicas.

A capacitação irá garantir, igualmente um financiamento para as raparigas capacitadas. “Nós estamos a construir várias fontes e agora temos perto de cento e setenta e seis (176) fontes, aquelas que em língua local chamamos de fontenárias, estamos a preparar novos sistemas de abastecimento de água, assim como a construção de mais sanitários,” sublinhou.

Por seu turno, Claudina Bebane, Coordenadora do Projecto “Águas Seguras para Vilas e Zonas Rurais”, disse que o projecto foi desenhado depois de uma avaliação no país, tendo se notado que as províncias de Nampula e Zambézia têm menos fontes de abastecimento de água.

“Por isso, no âmbito de reduzir a problemática, o Banco Mundial e o governo moçambicano resolveram desenhar este projecto denominado Águas Seguras para tentar aumentar o serviço de abastecimento do precioso líquido em algumas vilas e zonas rurais de Nampula e Zambézia,” elucidou Bebane. (Francisco Mário, Foto: Belto Samuel)

Salários em atraso há 18 meses paralisam edifício das Pescas em Quelimane

Nampula (IKWELI) – O edifício das Pescas, na cidade de Quelimane, amanheceu de portas fechadas, esta segunda-feira (29), depois que funcionários da empresa Missosso Segurança Limitada decidiram impedir o acesso às instalações em protesto à 18 meses de salários em atraso.

A paralisação surpreendeu os funcionários dos Serviços Provinciais de Actividades Económicas, que, ao chegarem ao local de trabalho, encontraram as portas encerradas e vigilantes posicionados no exterior, impossibilitando a entrada.

O delegado da Missosso Segurança Limitada, Joaquim Maloa, explicou que a empresa mantém um contrato de prestação de serviços com os Serviços Provinciais de Actividades Económicas, mas a instituição acumula uma dívida estimada em cerca de um milhão de meticais, correspondente ao não pagamento de aproximadamente 67 mil meticais mensais.

Maloa afirmou que a situação se tornou insustentável e apelou à intervenção urgente das autoridades para regularizar os pagamentos, alegando que dezenas de trabalhadores enfrentam graves dificuldades por estarem há um ano e meio sem receber salários.

Por sua vez, o director dos Serviços Provinciais de Actividades Económicas, Chamusse dos Santos, declarou que não possui informações detalhadas sobre o contrato, justificando que assumiu o cargo depois da sua assinatura pelo anterior dirigente.

Até ao final da tarde desta segunda-feira, o impasse mantinha-se, com as portas da instituição encerradas e os funcionários concentrados no exterior, ao longo da Avenida Marginal, à espera de uma solução. (Malito João)

UniLúrio investe na formação de quadros para responder exigências tecnológicas

Nampula (IKWELI) – A Universidade Lúrio (UniLúrio), na província de Nampula, afirma que está a investir na formação de quadros face as exigências tecnológicas e melhoria de qualidade de formação na instituição.

A informação foi tornada pública pelo porta-voz da universidade, Serafino Mucova, no âmbito da celebração dos 19 anos de existência daquela instituição de ensino superior que conta com 20 cursos de licenciatura, distribuídos por 7 unidades orgânicas nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa.

Serafino Mucova reconhece que a instituição passa por desafios, com destaque para qualificação do corpo docente. “A universalidade Lúrio agora está a avançar rapidamente na formação dos seus quadros para fazer frente as grandes exigências tecnológicas, há um défice de docentes, porque o Estado não está a contratar e isso está a delimitar a capacidade de avançar em programas de investigação.” (Nelsa Momade)

Aluno da 12ª classe, engraxador de sapatos ganha motorizada do governador de Nampula

Nampula (IKWELI) – Um aluno da 12ª classe, numa das escolas secundárias da cidade de Nampula, teve uma manhã de segunda-feira (29) espetacular. Engraxador de sapatos, o jovem teve como cliente, nesta manha, o governador Eduardo Mariamo Abdula, que saiu do seu gabinete de trabalho caminhando e a procura de um polidor de sapatos.

Numa conversa breve, Abdula ficou a saber que o jovem aluno, nas horas vagas e para suprir as suas necessidades, dedica-se ao trabalho de engraxador.

Comovido, o governador ofereceu uma motorizada ao aluno, de forma a diversificar as suas fontes de rendimento, como também uma forma de reconhecer os esforços que o mesmo têm empreendido para evitar envolver-se em práticas desonestas. (Redação)

Aluno da 12ª classe, engraxador de sapatos ganha motorizada do governador de Nampula

Nampula (IKWELI) – Um aluno da 12ª classe, numa das escolas secundárias da cidade de Nampula, teve uma manhã de segunda-feira (29) espetacular. Engraxador de sapatos, o jovem teve como cliente, nesta manha, o governador Eduardo Mariamo Abdula, que saiu do seu gabinete de trabalho caminhando e a procura de um polidor de sapatos.

Numa conversa breve, Abdula ficou a saber que o jovem aluno, nas horas vagas e para suprir as suas necessidades, dedica-se ao trabalho de engraxador.

Comovido, o governador ofereceu uma motorizada ao aluno, de forma a diversificar as suas fontes de rendimento, como também uma forma de reconhecer os esforços que o mesmo têm empreendido para evitar envolver-se em práticas desonestas. (Redação)