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Nampula: “Afrocinemakers” pretende fazer do cinema um negócio rentável

Nampula (IKWELI) – A academia de cinema “Afrocinemakers” pretende, a partir do próximo mês de Setembro, doptar jovens da cidade de Nampula de ferramentas ligadas ao cinema, com vista a rentabilizar a actividade.

Jared José Nota, Cineasta e coordenador do Projecto, explica que a iniciativa terá a duração de um mês e no momento decorre o processo de cadastro. “Existe muita dificuldade de encontrar jovens na província de Nampula com capacidades técnicas para o cinema, mas com o conhecimento das próprias ferramentas será possível.  Os visitantes chegam em Nampula procuram saber onde estão os cineastas e fica difícil localizá-los porque não conseguem fazer da sua arte uma carreira financeira,” disse Nota.

“O objectivo é que as pessoas descubram o cinema no sentido que os próximos festivais nacionais de cultura sejam ganhos pela província de Nampula porque quando os festivais acontecem não aparece a capital do Norte e isso é triste, aliás, todo Norte está fraco na área cinematográfica e isso deve mudar,” explicou ainda o responsável.

Ainda de acordo com o coordenador, as pessoas estão a consumir produtos de fora porque não há investimento local. “Fazer um filme mostrando a realidade de Nampula é uma grande valia, para além disso é um negócio muito rendável, quando sai alguém de fora fazer documentários de Nampula é uma perca para os nativos, por isso, ao treinar pessoas daqui iremos garantir emprego e muito mais. Muitos edifícios de cinema estão a ser transformados em Igrejas porque esta arte está fraca,” sublinhou Nota. 

Por seu turno, João Domingos Horácio, cineasta da província de Nampula, sublinhou que a formação será de extrema importância, “É uma oportunidade para a nossa província, por isso, todos jovens que queiram abraçar o mundo cinematográfico serão formados para que a nossa província possa estar na lista das que produzem conteúdos ligados ao cinema,” frisou Horácio. (Francisco Mário)

Nioce ligada a energia da rede pública nacional

Nampula (IKWELI) – A população da localidade de Nioce, distrito de Malema, sente-se satisfeita com a eletrificação daquela parcela do país depois de quase três anos de espera.

Um dos moradores da localidade Nioce disse sentir-se satisfeito com a chegada da rede elétrica naquela circunscrição, uma vez que entende que vai mudar o estilo de vida da população. “Estamos satisfeitos, de forma particular para o meu lado porque penso que vai mudar o estilo de vida daqui na nossa localidade, uma vez que as mulheres vão intensificar o seu negócio pois as senhoras é que ficam mais empenhadas nessa actividade. Portanto, a satisfação é enorme,” disse um morador da localidade de Nioce.

Raviesa Afonso, outro morador, disse que “agradecemos muito porque com esta energia vamos receber alguns investimentos para que o sofrimento possa reduzir. Estamos de parabéns porque outrora lamentávamos bastante, mas agora, certas famílias estão com alegria e as outras acredito que vão poder fazer a ligação daqui há algum tempo.”

Outro morador ainda referiu “com a presença de energia em Nioce estamos profundamente agradecidos, haverá muita mudança porque certas pessoas vão apostar no negócio. Eu como comerciante estava a sofrer muito, apesar de que ainda não liguei, tenho esperança, portanto penso mesmo que alguma coisa vai mudar,” declarou um dos comerciantes da localidade de Nioce. (Francisco Mário)

UniRovuma destaca resultados do Projecto STRIM e reforça aposta na segurança nas minas

Nampula (IKWELI) – A Faculdade de Engenharia da Universidade Rovuma (UniRovuma) apresentou, esta quarta-feira (29), os resultados finais do Projecto STRIM, uma iniciativa que visa reforçar a Saúde e Segurança Ocupacional (SSO) nas indústrias mineiras através da introdução de tecnologias inovadoras para a prevenção de acidentes de trabalho.

O projecto, segundo escreve a UniRovuma no seu sítio de internet, reuniu instituições nacionais e internacionais em torno de promoção de ambientes laborais mais seguros e da formação de profissionais especializados.

Na ocasião, o director-adjunto para a Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da Faculdade de Engenharia, Growene Will Queirós Mugas, citado na publicação, fez um balanço positivo da implementação do projecto, sublinhando que os resultados alcançados criam condições para a sua continuidade nos próximos cinco anos.

Segundo Growene Mugas, o STRIM teve como principal objectivo melhorar as condições de trabalho no sector mineiro, promovendo uma cultura de prevenção baseada no recurso a tecnologias modernas, complementando as medidas tradicionais de protecção individual utilizadas nas minas.

“Nós estamos aqui para apresentar o projecto no qual fizemos parte o STRIM financiado pela união europeia no qual a Universidade Rovuma faz parte. O acervo principal deste projecto era melhorar as condições de trabalho dos funcionários usando tecnologias, favorecendo o sistema de saúde ocupacional não só no uso do EPI, mas também no uso da tecnologia que facilita ao acesso aos espaços e modelo desses espaços.”

Financiado em mais de 940 mil euros, o projecto permitiu reforçar as capacidades institucionais da UniRovuma, sobretudo através da mobilidade académica. No âmbito desta componente, três docentes da Faculdade de Engenharia beneficiaram de formação especializada em Saúde e Segurança Ocupacional na Universidade do Porto, em Portugal.

Durante a conferência foram igualmente apresentados os principais resultados científicos e académicos do projecto, entre os quais o desenvolvimento do currículo do Mestrado em Saúde e Segurança Ocupacional, a integração de conteúdos de SSO nos cursos de engenharia, a produção de três e-books formativos, aulas em vídeo com recurso a tecnologias 3D, realidade virtual e realidade aumentada, bem como a publicação de artigos científicos e capítulos de livros.

Por sua vez, o analista de projectos da Nacala Logístics, Arcanjo Marcos, considerou que o STRIM representa um passo importante para a redução dos riscos laborais nas actividades mineiras, defendendo o fortalecimento das parcerias entre as universidades e o sector empresarial para tornar os locais de trabalho mais seguros.

A conferência reuniu representantes de diferentes universidades, estudantes, instituições governamentais, empresas mineiras e parceiros internacionais, proporcionando um espaço de partilha de experiências, disseminação de boas práticas e fortalecimento da cooperação entre a academia e o sector produtivo, com vista à sustentabilidade dos resultados alcançados. (Malito João)

Mau atendimento na administração pública deputados exortam população de Nampula a denunciar

Nampula (IKWELI) – Deputados membros da Comissão de Administração Pública e Poder Local na Assembleia da República (4ª Comissão) apelam a população da província de Nampula a denunciarem as irregularidades constatadas nas diferentes instituições públicas, para posterior responsabilização daqueles que não servem os cidadãos devidamente.

Os pronunciamentos foram feitos pelo Vice-Presidente da comissão, Tomé Shakushasha, após um encontro com o Secretário de Estado da Província de Nampula, Fernando Bemane de Sousa, tendo afirmado que a população deve ser o olho e o termómetro para o funcionamento das instituições do Estado moçambicano.

“Em casos de mau atendimento, a população deve denunciar e apelamos aos dirigentes, como os diretores, administradores, chefes dos postos administrativos para que abram os seus gabinetes no sentido de que a população venha colocar as suas preocupações porque só assim é que teremos noção de que o nível de prestação de serviços satisfaz a comunidade ou não,” apelou Shakushasha.

O político chamou igualmente atenção para a falta de caixas de reclamações em alguns locais visitados pela comissão, “aliás, nos distritos em que nós passamos (Moma, Larde, e na cidade de Nampula) não encontramos as caixas de reclamações, pelo que recomendamos. Entretanto, os dirigentes podem se reinventar no sentido de encontrar outros mecanismos para que a denuncia chegue a eles. Podemos partilhar um exemplo do Niassa em que o Secretário do Estado, nas sextas-feiras abre o seu gabinete para todos sem que haja a necessidade de marcar audiência,” realçou.

De acordo com o nosso entrevistado, as conversas que a população tem com o Secretário do Estado do Niassa resultaram em vários processos disciplinares e expulsão de alguns funcionários. “Então são esses mecanismos que os nossos dirigentes devem procurar adoptar, uma vez que as caixas de reclamações as vezes são preenchidas, mas não se abrem, assim sendo, o dia em que o cidadão tiver um contacto direito com um determinado dirigente, chega a informação,” sublinhou o Vice-Presidente da administração Pública e Poder local.

A 4ª Comissão da Assembleia da República de Moçambique trabalha em diferentes pontos de Nampula até o dia 4 de Agosto próximo. (Francisco Mário)

Nutricionista desencoraja o consumo excessivo de caldos industrializados

Nampula (IKWELI) – A nutricionista Patrícia Chitive, fundadora da marca Nutri N’weti, uma iniciativa dedicada ao combate à desnutrição crónica em Moçambique através da promoção da educação alimentar e nutricional com recurso a alimentos produzidos localmente, defende a redução do consumo de caldos industrializados devido aos riscos que representam para a saúde das famílias consumidoras.

Falando ao Ikweli, na manhã desta quarta-feira (29), Chitive explicou que os caldos industrializados possuem elevados níveis de sódio e outros aditivos que, quando consumidos com frequência, aumentam significativamente o risco de hipertensão arterial e outras doenças crónicas.

“Esta iniciativa surge da minha carreira como nutricionista e também da observação da realidade alimentar do nosso país. A maior parte das refeições é preparada com recurso aos caldos industrializados. O nosso objetivo é desencorajar o consumo excessivo destes produtos para reduzir os índices de doenças como a hipertensão e as doenças cardíacas”, afirmou.

Patrícia Chitive anotou que, no seu trabalho de campo, um dos maiores desafios enfrentados na sensibilização da população é a comunicação, tendo apontado que enquanto os profissionais de saúde alertam para os riscos do consumo excessivo destes produtos, a publicidade promove os caldos como ingredientes indispensáveis para conferir sabor aos alimentos.

“A comunicação continua a ser o nosso maior desafio. Enquanto procuramos desencorajar o consumo excessivo dos caldos, os meios de comunicação divulgam publicidade que incentiva a sua utilização. Isso cria uma barreira na educação alimentar da população”, lamentou.

A nutricionista considera, igualmente, que as empresas fabricantes devem ser mais transparentes na informação prestada aos consumidores, permitindo-lhes fazer escolhas conscientes.

“Todo o alimento deve apresentar um rótulo claro com a sua composição nutricional. As empresas devem garantir que o consumidor tenha autonomia para decidir com base na informação disponível. Tal como acontece com as bebidas alcoólicas, que alertam para os riscos do consumo excessivo, os produtos alimentares também devem informar claramente sobre os possíveis impactos na saúde.”

Para combater o uso excessivo dos caldos industrializados, Patrícia Chitive tem desenvolvido acções de educação alimentar, sobretudo nas zonas rurais, onde, segundo disse, o caldo industrializado faz parte da alimentação diária de muitas famílias.

As actividades incluem demonstrações culinárias com recurso a alimentos produzidos localmente e o ensino da preparação de caldos naturais à base de ervas aromáticas e outros ingredientes acessíveis nos mercados locais.

A especialista alertou ainda que o consumo frequente destes produtos altera o paladar, tornando as pessoas dependentes do sabor artificial e dificultando a apreciação do sabor natural dos alimentos.

Na entrevista, a nossa fonte apelou às famílias, especialmente às donas de casa, para reduzirem o uso destes aditivos na preparação das refeições.

“Nós somos os principais responsáveis pela nossa saúde. Muitas doenças podem ser prevenidas através das nossas escolhas alimentares. Não é necessário recorrer aos caldos industrializados para garantir sabor na comida. Existem alternativas naturais, mais saudáveis e acessíveis”, recomendou. (Fátima Mugaveia)

Manasse defende maior coordenação para transformar desafios da juventude em oportunidades

Nampula (IKWELI) – O ministro moçambicano da Juventude e Desporto, Caifadine Paulo Manasse, defendeu, esta quinta-feira (30), em Nampula, o reforço da coordenação entre os diferentes sectores do Estado para acelerar a implementação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento dos adolescentes e jovens.

A posição foi apresentada durante a abertura do Seminário Regional do Comité Intersectorial de Apoio ao Desenvolvimento de Adolescentes e Jovens (CIADAJ) – Zona Norte que pareciam administradores dos distritos das províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa.

Na sua intervenção, o governante afirmou que a realização do seminário integra um ciclo nacional de encontros destinado a fortalecer a coordenação intersectorial, promover a partilha de experiências e consolidar uma abordagem participativa na implementação das políticas de juventude.

Segundo explicou, o Governo pretende garantir que as necessidades dos jovens sejam consideradas desde o nível central até aos distritos. “Este ciclo de seminários não é coincidência é escolha política deliberada, materializando a agenda de governação que coloca a juventude no centro da acção governativa”, declarou Caifadine Manasse.

O ministro destacou ainda que o CIADAJ tem produzido resultados positivos em várias províncias, através da promoção de campanhas de sensibilização, criação de clubes juvenis, encaminhamento de jovens para serviços de saúde e protecção social, bem como iniciativas de formação profissional, empreendedorismo e inclusão económica. Contudo, advertiu que os desafios persistentes exigem maior mobilização de recursos e compromisso dos diferentes actores

“Investir na juventude é investir na estabilidade, na prosperidade e no futuro do nosso País”, afirmou o ministro, sublinhando que a participação efectiva dos jovens deve estar no centro dos processos de planificação e desenvolvimento.

Referindo-se ao papel do desporto, Caifadine Manasse considerou que a prática desportiva constitui um instrumento fundamental para prevenir a criminalidade, o consumo de drogas e outras situações de risco entre os adolescentes e jovens. Por isso, apelou aos administradores distritais para reservarem e valorizarem espaços destinados às actividades desportivas, considerando-os infra-estruturas essenciais para o desenvolvimento das comunidades.

“O desporto não é um luxo nem uma opção secundária de governação, é uma das políticas públicas mais eficazes e com maior retorno social ao alcance do Estado,” concluiu Caifadine Manasse. (Malito João)

Governador de Nampula desafia administradores a abrirem portas aos jovens

Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, exortou aos administradores dos 23 distritos da província a priorizarem políticas e iniciativas que promovam oportunidades para a juventude, defendendo que o desenvolvimento só será possível quando os jovens forem colocados no centro das decisões.

O apelo foi lançado nesta quinta-feira, durante a abertura do Seminário Regional Norte do Comité Intersectorial de Apoio ao Desenvolvimento de Adolescentes e Jovens (CIADAJ).

O encontro reúne administradores das províncias de Nampula, Niassa e Cabo Delgado e tem como objectivo reforçar a coordenação intersectorial, bem como fortalecer as capacidades de liderança e intervenção dos diferentes actores envolvidos na promoção do desenvolvimento de adolescentes e jovens.

Na ocasião, Eduardo Abdula afirmou que a juventude ocupa um lugar de destaque na agenda do Governo, sublinhando que a elevação da antiga Secretaria de Estado da Juventude para Ministério da Juventude e Desportos representa uma demonstração clara do compromisso do Executivo com este grupo social.

“A sua presença [do ministro da Juventude e Desportos] hoje aqui em Nampula enobrece, este seminário reforça o compromisso do governo central. Senhores administradores quero começar por enaltecer a vossa acção na linha da frente, são vocês que transformam a polícia em acção concreta, o discurso em escola, sem o vosso compromisso nenhuma estratégia chega ao bairro, ao posto administrativo ou comunidade, chega ao adolescente e jovens, por isso este seminário é um reconhecimento e uma aposta clara da vossa capacidade de liderar a mudança das províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa.”

O Governador acrescentou que o seminário representa uma oportunidade para alinhar estratégias e melhorar a intervenção dos diferentes sectores em benefício da juventude, apelando aos administradores para assumirem um papel cada vez mais activo na implementação das políticas públicas.

“Este seminário é mais uma ferramenta que colocamos nas vossas mãos através do ministério da juventude e desporto, uma ferramenta para refletirmos juntos para alinhar a nossa acção, para nos capacitarmos para sairmos daqui com orientações claras e como apoiar melhor os nossos adolescentes e jovens no âmbito do comitê intersectorial. O desafio é grande, mas eu confio na vossa experiência, na vossa liderança e no vosso amor por está terra,” disse o governante

Por sua vez, o Secretário de Estado na Província de Nampula, Fernando Bemane, manifestou a expectativa de que o encontro produza resultados concretos capazes de transformar as diferentes visões sobre o futuro da juventude em políticas públicas eficazes.

Segundo Bemane, o seminário deverá contribuir para a criação de mais oportunidades de emprego e auto-emprego para os jovens, impulsionando igualmente a economia digital como um dos caminhos para o desenvolvimento económico e social.

“Os nossos jovens e adolescentes encontram-se, nos campos desportivos, no mercado, na escola, nas povoações, nas localidades, nos postos administrativos, em toda extinção territorial do nosso Moçambique, por isso a contribuição activa de cada um dos participantes e dos sectores aqui representados é determinante para sairmos aqui com ideais e acções claras e intervenções sectoriais concretas para que nosso seminário não seja uma mera formalidade.” (Malito João)

Nampula: Empresas de segurança privada continuam sendo apontadas como as que mais exploram trabalhadores

Nampula (IKWELI) – Trabalhadores de empresas do ramo de segurança privada na província de Nampula, no norte do país, continuam a se queixar das condições de trabalho precárias, incluindo salários insignificantes e outros atropelos à legislação laboral infringidos pelos patronatos.

Segundo os trabalhadores, a situação já tem barbas brancas e sempre que tentam confrontar o patronato são intimidados. “Não está fácil trabalhar como segurança aqui na cidade de Nampula, exercemos a actividade porque não temos como, nos pagam mal, nos insultam, pequena irregularidade somos descontados valores sem saber o critério usado para tal, pedimos a quem é de direito para nos socorrer,” lamentou um dos seguranças na cidade de Nampula.

“Assim que estamos a falar, eu estaria em casa, mas estou aqui porque a pessoa que estaria no meu lugar não apareceu. É um sofrimento muito terrível, não compensa nada, trabalhamos porque não temos alternativas. Para falar a verdade, o governo do nosso país, acho que, não pensou no salário dos seguranças. Onde eu trabalho, o mínimo é 5.000,00Mt (Cinco mil meticais), outros colegas das outras forças recebem até 4.000,00Mt (Quatro mil meticais) sabendo que o salário mínimo é 8.690.000Mt,” revelou outro trabalhador de uma empresa de segurança privada na cidade de Nampula.

Por seu turno, Agostinho Manjate, Secretário do Sindicato Nacional das Empresas de Segurança Privada na província de Nampula (SNESP), argumentou que a situação da segurança privada não é das melhores porque das empresas existentes em Nampula quase 80% não pagam salários mínimos e nem proporcionam condições favoráveis para o trabalho e nem têm escritórios, portanto são empresas difíceis de encontrar. “As empresas de segurança privada em Nampula já ganharam uma nova dinâmica de exploração do homem pelo homem porque no lugar de pagar o salário mínimo, muitas empresas até hoje estão a pagar 3.500,00Mt (Três mil e quinhentos meticais), 4.500,00Mt (quatro mil e quinhentos meticais). Das empresas existentes, podemos dizer que apenas quatro empresas é que pagam salário mínimo.”

Ainda de acordo com o nosso entrevistado, as empresas recusam-se a unir-se ao sindicato. “Os trabalhadores correm muitos riscos, fazem 24h/24h, um horário que muitos não vão poder conseguir fazer. Entra um determinado dia para sair o dia seguinte e se o seu colega não aparece, é obrigado a ficar dois dias no trabalho. Se for apanhado a sonecar é um problema, mas sabendo que passa dias a trabalhar sem descansar, sem ganhar devidamente, portanto a segurança privada é um novo modelo que se fez para exploração, é muito doloroso o que acontece,” sublinhou Manjate.

Aquele responsável disse que o sindicato destes trabalhadores tem enviado as reclamações para a Inspecção Geral do Trabalho. “Nós como sindicalistas não temos a decisão, e tudo que detetamos no terreno mandamos para Inspecção Geral do Trabalho, mas a segurança privada é tutelada por dois ministérios, que é o ministério do Trabalho e do Interior, portanto se nós vamos em cada um desses, cada um lança a responsabilidade para o outro e nós ficamos sem saber como devemos agir.”

O secretário ainda afirmou que houve uma marcha em repúdio a essas situações, mas não houve mudanças. “Fizemos um documento em 2015 para o ministério do Interior, tanto como o ministério do Trabalho, propondo uma saída para que possa haver a uniformização da tabela da cobrança porque se existe um valor estabelecido e aparece uma força a cobrar abaixo está contra lei.  Estas poucas empresas que conseguem pagar o salário mínimo estão quase para extinguir, porque os clientes não aderem e aparecem essas muitas que estão a explorar.” (Francisco Mário)

Durante o primeiro semestre: Desnutrição crónica matou 21 crianças no HCN

Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (HCN) registou 21 mortes de crianças por desnutrição durante o primeiro semestre de 2026, um aumento em relação às 19 verificadas no mesmo período do ano passado.

Os dados foram apresentados nesta terça-feira (28) durante uma conferência de imprensa, numa altura em que a unidade sanitária reforça o apelo à prevenção e ao diagnóstico precoce da doença.

Segundo a médica pediatra, Dra. Amélia Raquel, o número de crianças internadas por desnutrição diminuiu. Nos primeiros seis meses de 2025, o HCN recebeu 481 crianças com este problema, enquanto no mesmo período de 2026 foram registados 316 internamentos. Ainda assim, a mortalidade aumentou, o que preocupa os profissionais de saúde.

O agravamento do número de óbitos está ainda, segundo a pediatra, relacionado com a chegada tardia das crianças ao hospital. “Muitas dão entrada em estado crítico e com várias complicações clínicas, reduzindo as possibilidades de recuperação, apesar dos esforços das equipas médicas.”

A especialista explicou que a desnutrição infantil resulta, principalmente, de práticas inadequadas de alimentação, como a ausência do aleitamento materno exclusivo e uma dieta pobre em nutrientes. Acrescentou que algumas crianças desenvolvem desnutrição devido a doenças congénitas ou crónicas, incluindo tumores e outras patologias que comprometem o seu estado nutricional.

Para inverter este cenário, o HCN recomenda que os pais e encarregados de educação cumpram rigorosamente as consultas de crescimento, controlo do peso e vacinação, permitindo identificar precocemente sinais de desnutrição e iniciar o tratamento antes do agravamento do quadro clínico.

Casos acompanhados naquela unidade sanitária mostram a importância da assistência especializada, pois uma mãe residente no bairro de Napipine relatou que a filha, nascida com problemas de saúde, apresentou melhorias após o internamento no HCN, enquanto outra, do bairro de Mutauanha, disse que a criança foi encaminhada ao hospital depois de sofrer diarreias persistentes durante cerca de dois meses sem evolução positiva no tratamento inicial.

Os profissionais de saúde defendem que a desnutrição infantil pode ser evitada com uma alimentação equilibrada desde os primeiros meses de vida, privilegiando alimentos nutritivos, consultas pré-natais durante a gravidez e o aleitamento materno exclusivo até aos seis meses. O HCN considera que estas medidas são fundamentais para reduzir a mortalidade infantil e garantir um crescimento saudável das crianças. (Malito João)

Em Nampula e Cabo Delgado :IMD defende uma exploração de recursos naturais que beneficie comunidades hospedeiras

Nampula (IKWELI) – O Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) realizou, nesta quarta-feira (29), uma capacitação dirigida a membros da Assembleia Provincial de Nampula, em negócios, direitos humanos, descentralização, planificação e orçamentação, cujo objectivo centra-se na busca de justiça para as comunidades hospedeiras nas zonas de exploração de recursos naturais das províncias de Nampula e Cabo Delgado.

A coordenadora de projectos do IMD, Lorena Mazive, entende que a capacitação dos membros da AP de Nampula vai possibilitar “doptar a Assembleia Provincial de conhecimentos sobre Direitos Humanos, Planificação, Orçamentação e até de Descentralização e estas temáticas vão contribuir para resolver alguns problemas específicos destas comunidades. Na monitoria, vai se verificar se a forma de actuação destas multinacionais, observa regras de direitos humanos.”

O Presidente da Assembleia Provincial de Nampula, Amisse Mahando, entende que a capacitação vai permitir aos membros da AP ter conhecimentos para actuação mais activa na defesa das comunidades. “A nossa província é rica em termos de indústria extrativa, mas a nossa população tem vindo a clamar por ajuda, a reclamar devido a violação de direitos humanos, e o nosso papel como assembleia provincial é cumprir e fazer cumprir a lei.”

A capacitação de membros da AP em Nampula tem a duração de dois dias e contempla as províncias de Cabo Delgado e Nampula, consideradas as que maior hospedam megaprojectos de maior valor económico.  (Felismina Maposse, Foto: Hermínio Raja)