Nampula (IKWELI) – Um homem de 39 anos de idade, pai de uma filha de 20 anos, perdeu a vida após se envolver numa briga violenta com um colega, num dos bares de venda de bebidas tradicionais, no bairro de Mutauanha, concretamente na Unidade Comunal de Namavi, na cidade de Nampula.
O acto ocorreu na tarde de sábado (26), quando o homem foi encontrado com sinais de esfaqueamento e coberto de sangue, segundo a família do malogrado, que, neste momento, encontra-se consternada com o sucedido.
Entretanto, a família da vítima acusa os amigos, sobretudo um deles, que é suspeito de ter brigado recentemente com o malogrado, de ser o principal autor do crime. Os familiares alegam que, quando consumia bebidas alcoólicas, a vítima envolvia-se frequentemente em brigas com os seus amigos ou mesmo com pessoas desconhecidas.
Segundo os familiares, na tarde do último sábado (26), o malogrado teria ido a um dos bares de venda de bebidas tradicionais, próximo da sua residência, para consumir bebidas na companhia dos seus amigos, onde teria ocorrido uma discussão que culminou numa briga.
De acordo com o seu cunhado, a família do malogrado apercebeu-se do sucedido na madrugada do último domingo (27), quando o encontrou no chão, a sangrar. Perante a situação, foram obrigados a encaminhar o corpo para a morgue do Hospital Central de Nampula (HCN), com o apoio de agentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), que se encontravam no local para proceder à remoção do corpo.
“A vítima já era um consumidor habitual de bebidas alcoólicas e entrava frequentemente em brigas com os seus colegas do bar aqui no bairro. No sábado, foi beber e brigou com o seu amigo no bar. Depois, foi para a casa dele à noite e não conseguiu mais sair. Só fomos descobrir na madrugada de domingo que já estava sem vida, a sangrar por todo o corpo, desde a testa até aos pés”, contou o cunhado.
A nossa equipa de reportagem tomou ainda conhecimento, através dos familiares da vítima, de que a sua esposa teria abandonado o lar devido ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas tradicionais, situação que, fazia com que o malogrado chegasse ao ponto de não conseguir alimentar-se adequadamente. (Virgínia Emília)
Nampula (IKWELI) – O secretário-geral da FRELIMO, Chakil Aboobacar, condenou a compra de mentalidades e liberdade no partido, o que, no seu entender, traduz-se na compra de votos nas eleições internas e alertou aos membros contra práticas destinadas a garantir posições de liderança através de pagamentos.
O pronunciamento foi feito nesta segunda-feira (28), na cidade de Nampula, durante uma conferência de imprensa que marcou o início da sua visita de trabalho à província onde, afirmou que o próximo congresso da FRELIMO será um momento de “purificação” das fileiras do partido, defendendo maior atenção aos comportamentos dos militantes durante o processo de preparação.
Segundo disse, a formação política está a desmontar alguns esquemas internos que podem influenciar a escolha dos futuros dirigentes. “O congresso elege o Comité Central e o presidente, e faz a revisão e aprovação dos estatutos do partido FRELIMO. É preciso sublinhar dois aspectos do nosso partido. Para além de eleger o presidente e os seus órgãos, no congresso vamos eleger várias figuras do partido FRELIMO. Ou seja, o congresso que vai acontecer aqui em Nampula é o momento mais alto, mas tudo isso começa na célula”, explicou.
“A direcção do partido está muito atenta a alguns comportamentos de alguns militantes. Alguns pagam pessoas para serem votados. Não queremos quadros que, para serem eleitos, tenham de pagar. O nosso partido é organizado, por isso, todos os que querem dirigir o partido devem estar com o povo”, sublinhou.
Aboobacar acrescentou que “vamos trabalhar incansavelmente, e já começámos. No congresso, não vale a pena pagar pessoas para serem eleitas. Esses que fazem isso são infiltrados no nosso partido.”
O executivo da FRELIMO pediu vigilância aos membros em todos os níveis, defendendo transparência na divulgação das listas dos candidatos. “Cada um de nós deve ser vigilante. As listas não devem ser escondidas no bolso, devem ser publicadas. Não queremos quadros que querem atingir os seus objectivos sem que nós os conheçamos. O congresso é momento de consolidação, por isso estamos a informar: cuidado com infiltrados, cuidado com aqueles que vos aproximam agora. Não pode aparecer um quadro especial num momento como este”, concluiu. (Malito João)
Nampula (IKWELI) – Retalhistas de combustível na cidade de Nampula levantam dúvidas sobre os critérios usados na distribuição de gasolina, após a entrada de camiões no terminal da empresa Petróleos de Moçambique (Petromoc). Alguns desses operadores, com contratos de fornecimento, afirmam continuar a receber informação de que não há disponibilidade do produto, uma situação que está a ser encarrada como manipulação. Segundo informações obtidas na tarde desta segunda-feira (28) junto de alguns retalhistas dão conta que quatro camiões de grande porte, carregados de gasolina terão chegado ao terminal da Petromoc em Nampula, onde alguns deles já estão á efectuar a descarga, enquanto outros permaneciam em movimentação no local. A situação está a gerar questionamentos entre retalhistas que dizem ter contratos de fornecimento com a Petromoc, mas que, segundo relatam, continuam a ser informados pelo departamento de vendas de que não existe gasolina disponível para levantamento. Os operadores pedem, por isso, esclarecimentos sobre o destino do combustível recebido no terminal e os critérios aplicados na sua distribuição, sobretudo numa altura em que a escassez do produto tem afectado o funcionamento normal dos postos de abastecimento na cidade e da economia local. “Os outros retalhistas estão a ser excluídos, não estão a conseguir nem uma gota, alguns estão a se a beneficiar de grandes quantidades quando outros que têm contrato estão aqui a não beneficiar de combustível, a gente quando questiona dizem que não há produto, mas há os que estão a beneficiar em grandes quantidades e nem contrato vinculado não têm,” denunciou um dos retalhistas. Uma outra a fonte explicou que “nós estamos aqui desde, e a quem que não está a receber nem um litro e a quem está a receber quantidade avultados, é isso que está a se passar e neste momento a equipa do IGREME [Inspecção Geral dos Recursos Minerais e Energia] está aí dentro está fiscalizar. Os retalhistas defendem que, perante a actual escassez, deve haver transparência na gestão e distribuição do combustível, incluindo informação clara sobre os volumes recebidos, os beneficiários e os critérios utilizados para garantir que os clientes contratualmente vinculados sejam tratados de forma uniforme.
E a fiscalização não tem explicação sobre a situação
O chefe do departamento de Fiscalização de Combustível e Energia em Nampula, Abdul Carimo, disse que as autoridades estão a averiguar a situação ao nível dos depósitos, tendo solicitado esclarecimentos sobre determinados aspectos relacionados com a distribuição do produto.
“Estamos num processo de averiguação, ao nível dos depósitos avançado pedimos esclarecimento determinados aspectos que ainda estamos a espera que nos forneçam essas informações que é para obtermos real informação, enquanto vamos observando vários aspectos pertinente”, explicou Carimo.
Questionado sobre a existência ou não de gasolina nos depósitos, o responsável disse que ainda não pode avançar com uma informação definitiva, enquanto aguarda pelos dados solicitados às entidades responsáveis pelos depósitos.
“Por isso que estou a dizer, se não irei avançar com uma informação, que pode não ser aquilo que se calhar vamos receber da solicitação que nós pedimos ao nível do depósito. Então sugerimos que posterior podermos ter alguma informação exaustiva sobre a quantidade de combustível existente naquele ponto”, esclareceu. (Malito João)
Nampula (IKWELI) – A Administração Regional das Águas do Norte (ARA Norte) garante que a barragem de Nampula, principal fonte de captação de água para consumo no maior centro urbano do norte de Moçambique, está com capacidade para fornecer água sem restrição nos próximos meses até a época chuvosa.
Carlitos Omar, delegado da ARA Norte, explicou, em entrevista ao Ikweli, que a barragem ainda está a descarregar sem, no entanto, haver possibilidade de interrupção.
“Este ano é abençoado em relação a água, pois a época chuvosa passada foi muito produtiva. Nos outros anos, nesta altura estaríamos numa situação complicada, sobretudo em Nampula,” disse a fonte, prosseguindo que “o que nós estamos a fazer neste momento, é fazer estreito alinhamento com a empresa que fornece água, de modo que esses tirem água e forneçam aos bairros. Até agora não anunciamos restrições porque ainda temos água, a barragem está a descarregar.”
A fonte destacou que, de acordo com as previsões meteorológicas, este ano haverá chuva atempadamente e isso vai permitir que a barragem não registre restrições.
“Nas épocas passadas, nesta altura estaríamos a 60%, 70%, mas agora estamos em 90%. Neste momento estamos a terminar um estudo para a criação de nova barragem no distrito de Rapale e a previsão é até Novembro entregarmos o relatório para o próximo ano procurarmos financiamentos,” disse. (Francisco Mário)
Nampula (IKWELI) – O país assinala nesta quinta-feira o dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), data que recorda o início da luta armada de libertação nacional, em 25 de Setembro de 1964.
Na cidade de Nampula, as cerimónias centrais, dirigidas pelo Secretário de Estado na Província, Fernando Bemane, decorreram na Praça dos Heróis Nacionais, num programa marcado pela deposição de coroa de flores, desfile das Forças Armadas, condecoração de antigos combatentes da Luta Armada de Libertação Nacional, entre outras actividades alusivas à efeméride.
Na sua intervenção, Fernando Bemane começou por saudar os 17 condecorados em reconhecimento do “sacrifício, coragem, nacionalismo e dedicação à causa da pátria”, recordando que a história de Moçambique foi construída também através do esforço de homens e mulheres que sacrificaram os seus interesses pessoais na luta pela liberdade e pela soberania nacional.
Na mesma ocasião, o dirigente provincial exortou às Forças Armadas de Defesa Nacional a darem continuidade com a luta pela defesa da pátria, destacando a luta contra o terrorismo em Cabo Delgado, pela paz e pela defesa da soberania nacional.
“Os jovens da geração do 25 de setembro superaram as divisões étnicas, raciais e tribais e lutaram imbuídos no ideal comum de liberdade e unidade nacional. Aos jovens da actual geração, exortamos e encorajamos a dedicarem-se com mesma bravura, espírito patriótico, entrega e sacrifício consentido na luta contra o terrorismo, na defesa da nossa integridade territorial, da paz e soberania nacional, pois são pressupostos essenciais para a conquista da independência económica que almejamos alcançar.”
No entanto, Fernando Bemane não deixou de reconhecer o papel das Forças de Defesa e Segurança, sublinhando que, para além do combate ao terrorismo, as forças têm estado presentes em momentos difíceis das comunidades: “honramos a vossa dedicação e coragem, pois para além de combater rigorosamente o terrorismo, garantirem a defesa da soberania, estão sempre presentes nos momentos mais difíceis da vida nas comunidades, prestando solidariedade, bem como assistência às populações durante a ocorrência de eventos extremos como ciclones e cheias.”
Por seu turno, o Coronel Gabriel Fermeiro, das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, enquadrou a data no legado deixado pela geração que participou na luta armada de libertação nacional, tendo ainda referido que a defesa da pátria não constitui uma responsabilidade exclusiva das Forças Armadas, mas envolve igualmente outras forças de segurança e o próprio povo.
“Temos um grande desafio entre todos nós. As Forças Armadas é apenas a linha da frente, mas a defesa dessa pátria pertence a todo o povo moçambicano. Hoje é mais um dia que nós demonstramos que é possível manter essa pátria, que é possível manter um país seguro, porque tanto as Forças Armadas como outras forças de segurança e o povo moçambicano estão prontos para defender essa pátria.”
O Coronel serviu-se da ocasião para destacar que o terrorismo em Cabo Delgado não deve ser entendido como uma questão restrita àquela província, mas uma questão de abrangência nacional.
“O desafio do terrorismo não é só de Cabo Delgado, é de todo o país. Por isso que as Forças Armadas, em qualquer parte desse território, estão em prontidão para poder fazer face a qualquer ameaça, não só no Teatro Operacional Norte, mas para intervir em qualquer parte deste país.”
Fermeiro assegurou ainda que a situação de segurança em Nampula encontra-se controlada, tendo reiterado que a missão das Forças Armadas é proteger a população e os seus bens, missão que as tropas continuarão preparadas para intervir sempre que necessário.
Enquanto isso, Constantino Kwangaika, antigo Combatente da luta de Libertação Nacional, ouvido pelo Ikweli, trouxe um testemunho que reforça o peso simbólico da data, tendo recordado o sofrimento da geração que resistiu ao colonialismo e, mais tarde, enfrentou também anos de guerra interna no país.
Questionado sobre a actual situação de segurança em Cabo Delgado, o veterano manifestou a sua preocupação quanto a dimensão do real problema, tecendo críticas aos discursos oficiais tendentes a amenizar a situação, referindo que com boa coordenação a mesma já teria sido ultrapassada.
“Eu não sei por que o governo, de certa maneira, diz que está a acabar, porque essa guerra, é algo grande mesmo, que torna difícil para a gente entender. Naquela guerra de Cabo Delgado as pessoas estão a morrer. Porque a guerra contra a Renamo a gente conversou com ele, acabou. E a guerra pela independência, havia responsável, o colonizador português, nós combinamos e também acabou. Agora essas guerras dizem que não tem o dono, não tem líder e responsável. Mas será que é uma guerra que não tem o dono responsável mesmo? Por que eles têm arma? Quem tira arma? E quem tira fardamento?”
Kwangaika referiu ainda que o conflito armado se mantém activo em vários distritos da província, entre os quais mencionou Nangade, Palma, Muidumbe e Macomia, com aldeias atacadas recentemente e populações obrigadas a fugir para o mato. “Nós sofremos cinco distritos. Antes de ontem, também, entraram três aldeias, atacaram, e agora as pessoas estão no mato.”
O combatente terminou lamentando a ocorrência de mortos durante ataques a aldeias, bem como relatos de mulheres levadas pelos terroristas, descrevendo um cenário em que a violência persiste apesar dos esforços das forças de defesa e segurança. (Isidora Fernando, Belto Samuel)
Beira (IKWELI) — Pelo menos vinte e oito antigos combatentes da Luta de Libertação Nacional foram condecorados esta sexta-feira (25), na cidade da Beira, durante as celebrações do Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
A cerimónia decorreu no bairro de Chota, sob o lema “62 anos celebrando o legado da libertação da nação, consolidando a paz e a defesa nacional”, e contou com a participação de entidades governamentais, membros das Forças de Defesa e Segurança, antigos combatentes e representantes da comunidade.
As actividades iniciaram com um desfile das FADM, seguido da deposição de flores no monumento das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, em homenagem aos combatentes da Luta de Libertação Nacional.
Dos 28 combatentes condecorados, 16 são mulheres e 12 são homens, num acto de reconhecimento pelo seu contributo na luta pela independência nacional.
O Secretário de Estado da província de Sofala, Manuel Rodrigues Alberto, destacou a importância de preservar o legado dos antigos combatentes e apelou a actual geração, sobretudo aos jovens, para contribuir para o desenvolvimento do país através do trabalho, produção, conhecimento e inovação.
O governante defendeu igualmente maior participação dos cidadãos na resolução dos problemas das comunidades e apelou ao combate à corrupção, nepotismo e outros problemas sociais.
Por sua vez, o Coronel Mateus Cuenjel, das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, afirmou que o 25 de Setembro constitui uma oportunidade para recordar a história e reflectir sobre a responsabilidade das diferentes gerações na preservação da paz e da soberania nacional.
O oficial destacou ainda que os desafios actuais da defesa nacional vão para além dos conflitos convencionais, abrangendo também a criminalidade organizada e situações de emergência relacionadas com fenómenos climáticos, o que, segundo defendeu, exige preparação, disciplina e capacidade de resposta das forças de defesa e segurança.
A cerimónia contou também com um momento cultural apresentado pelo Grupo Cultural Zona Verde, um grupo de dança tradicional que trouxe manifestações da cultura moçambicana para as celebrações. (Aunícia Avelino)
Ilha de Moçambique (IKWELI) – O distrito da Ilha de Moçambique, na província de Nampula, acolheu, neste domingo, 27 de Setembro, as celebrações do Dia Mundial do Turismo, com uma mesa-redonda dedicada à reflexão sobre o uso da inteligência artificial e da inovação tecnológica para melhorar o sector e a valorização da cultura.
0 37 de setembro do corrente ano foi celebrado sob o lema “Agenda Digital e Inteligência Artificial para Redesenhar o Turismo”.
O Museu da Ilha de Moçambique foi o palco de um debate sobre o futuro do turismo, numa perspectiva de maior automatização dos serviços, sem perder a identidade cultural e o calor humano que caracterizam a hospitalidade, juntando diferentes actores da área.
“Este debate vai fazer uma ponte entre dois mundos, estamos a falar de patrimônio, inteligência artificial, tradição, hospitalidade humana e a transformação digital, o turismo está a viver mudanças profundas e somos chamados a fazer com que o turista visite o nosso destino através da transformação digital,” explicou a directora provincial da Cultura e Turismo em Nampula, Jamila Bicá.
A dirigente considera que o turista contemporâneo está cada vez mais conectado, informado e exigente. Antes de escolher um destino, pesquisa, compara e consulta diferentes plataformas digitais, o que exige maior investimento na transformação digital do sector.
“Esse novo contexto faz com que já não basta que o destino tenha novas paisagens, patrimônio histórico, manifestações culturais, gastronomias e comunidades hospitaleiras, é necessário transformar os recursos em experiências, tornar acessíveis e proporcional em um espaço digital competitivo”
Nampula prevê colocar a tecnologia ao serviço da valorização do património cultural, sem comprometer a identidade local, secundou a nossa fonte “é preciso manter vivas as histórias, os rituais e as diferentes formas culturais, também a tecnologia oferece novas oportunidade, queremos desenhar mapas turísticas, interativos e disponibilizar conteúdos em diferentes línguas”
Durante o debate sobre o uso da inteligência artificial e da inovação, os participantes foram desafiados a apresentar propostas concretas para o aumento da cadeia de valor do turismo.
Entretanto, o Município da Ilha de Moçambique aponta o crescimento demográfico, a precariedade da segurança e os problemas de mobilidade urbana como alguns dos principais desafios da região, que precisam de ser melhorados para atrai mais actividade turística “temos a única via de acesso ao dispor, continuamos a resistir-se dos meios circulares e polícia local para responder a demanda local nos festais e finais de semana prolongados,” disse o autarca da Ilha de Moçambique, Momade Ali, apontando que o lema deste ano poderá contribuir para o desenvolvimento sociocultural e económico. (Nelsa Momade)
Nampula (IKWELI) – O Fórum das Associações Moçambicanas de Pessoas com Deficiência (FAMOD), tem vindo a empreender esforços para que funcionário públicos, na província de Nampula, prestem serviço de qualidade e humanitário as pessoas com deficiência.
Com efeito, na semana passada, a organização capacitou, pelo menos, 30 funcionários públicos, no âmbito da Lei 10/2024, que estabelece e defende os direitos das pessoas com deficiência.
Os beneficiários entendem que a capacitação é de mais valia, porque permitiu a percepção deles sobre a matéria em referência.
“É preciso que a direcção implemente as medidas de inclusão de pessoas com deficiência nos mecanismos de acessibilidade física, e de pessoas capacitadas para interpretação de línguas de sinais nas fiscalizações. É preocupação nossa ver que pessoas caldeirantes não têm acesso a transportes públicos, mas vamos arranjar mecanismos adaptáveis para os transportes públicos para que eles tenham acessibilidade como os outros indivíduos,” disse Norberto Daniel, da direcção provincial dos Transportes e Comunicações.
Victoria Bacela, do Instituto Nacional de Emprego, explicou que foi possível adquirir conhecimentos sobre a convivência com pessoas com deficiência e que “já aprendemos como é que podemos li dar com pessoas com deficiência nas nossas instituições, assim como quando nós precisamos de incluir a elas numa certa actividade e que aspectos podem ser observados, assim como também saber os tipos de equipamentos de trabalha que devemos adquirir para também as pessoas com deficiência terem acesso”
“As barreiras que sempre existiram, foi mesmo por falta de conhecimento, e também a ignorância porque nem todos nós tínhamos conhecimento de como tratar as pessoas com deficiência, a outra parte era de não querer aplicar. Nós do sector de emprego conseguimos constatar isso que maior parte das instituições e empresas não existem alguém com deficiência, então isso acaba trazendo uma preocupação”, salientou.
Por sua vez, Timóteo Bene, oficial de Política e Pesquisas na FAMOD Nacional, explicou que a capacitação teve como objectivo doptar os funcionários públicos de conhecimentos para que possam integrar, nas suas acções, as necessidades e os direitos das pessoas com deficiência.
Bene explicou ainda que, durante a capacitação, foi possível constatar a falta de conhecimentos por parte dos funcionários públicos sobre os direitos das pessoas com deficiência.
Segundo a fonte, a formação poderá contribuir para melhorar a actuação nos sectores da educação, saúde, comunicação e na construção de infra-estruturas públicas e privadas, garantindo maior acessibilidade das pessoas com deficiência aos serviços de saúde e educação.
Bene exortou, igualmente, a FAMOD provincial a realizar a monitoria nas instituições públicas, com vista a identificar as principais barreiras que impedem as pessoas com deficiência de ter acesso aos serviços públicos, bem como responsabilizar as instituições que continuarem a violar os direitos desta comunidade.
Na ocasião, a fonte fez saber que, nos próximos dias, a FAMOD pretende capacitar membros da Assembleia Provincial de Nampula e a comunidade em geral sobre planificação e orçamentação inclusiva, monitoria dos direitos humanos das pessoas com deficiência no comércio e na indústria extractiva. (Virgínia Emília)
Nampula (IKWELI) – Alguns agentes económicos da província de Nampula consideram serem exorbitantes os valores aplicados em determinadas multas previstas na lei 2/2026, que criam a Inspecção Geral de Segurança Alimentar e Económica (IGSAE).
Segundo disseram ao Ikweli, é importante que o órgão divulgue amplamente a legislação, de forma que os mesmos tenham domínio, pois em caso de aplicação de multas, os seus negócios poderão ir à falência.
Zeca Alberto, presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários de Nampula (ASTRA), questiona os valores das multas previstos na legislação, pois “ficamos com o entendimento de que há reboque das outras leis, e uma lei que pesa o volume de multas por infracções, ainda ela se baseia em altos valores como multa de quem cometer infracção, sendo uma visão que o volume da multa não pode ser ligada ao valor de uma lei, porque as leis não podem basear-se no volume alto dos valores, sendo que ainda não há estudos antropológicos, sociais que comprove que quando as multas são maiores a lei é boa”.
“Não há nenhuma relação directa entre o volume da multa e a eficácia da lei, sendo que esta lei tem multas muito pesadas, continua na senda das outras multas das outras leis que colocam valores sempre muito altos”.
Zeca Alberto manifesta ainda preocupação com os poderes atribuídos aos inspectores e o seu possível impacto nos direitos dos cidadãos. “Esta lei apresenta um inspector como um sujeito com poderes para deter, estamos preocupados até que ponto isto não fere a Constituição da República de Moçambique, sendo que a liberdade é um direito fundamental, e os direitos fundamentais do cidadão no que deve viver com a constitucionalidade a direito à liberdade.”
Apesar das preocupações, a ASTRA diz estar disponível para divulgar a legislação junto dos transportadores e defende a realização de capacitações para facilitar o seu cumprimento.
Por outro lado, Alexandre Casula, consultor de negócios em Nampula, considera positiva a aprovação da legislação, mas aponta dúvidas sobre a sua aplicação e a articulação entre as diferentes entidades fiscalizadoras. “Vem [a lei] mudar a dinâmica económica por parte dos agentes económicos, e garantir a segurança alimentar, apesar de apresentar algumas lacunas que é a questão das fiscalizações, porque temos que saber a delimitação da própria lei, até que ponto a lei pode ser aplicada, os seus limites e como é que as outras entidades fiscalizadoras com os agentes económicos vão se relacionar em relação a lei 2/2026”.
O consultor questiona igualmente o impacto das multas sobre os pequenos operadores. “O agente económico busca encontrar o melhor ambiente de negócio, e as fiscalizações parecem serem inimigos do agente económico, mas também a questão das multas são salários mínimos e são valores altos em caso de infracções que se calhar numa primeira fase deviam ser muito bem avaliadas e revistas, porque estou a ver que tem multas que se baseiam até novecentos salários mínimos e para um agente económico, empreendedor, microempreendedor ou uma microempresa isto pode ser um pouco puxado, porque o seu volume de negócios nem anual chega a cobrir os novecentos salários mínimos que estão ali propostos”.
Ana Filipe, empresária do sector nutricional em Nampula, também defende maior diálogo entre os agentes económicos e as entidades de fiscalização. “Penso que ainda precisa de mais concentração, as taxas estão muito agressivas.”
A empresária chama ainda atenção para os constrangimentos enfrentados pelos operadores, sobretudo no transporte de mercadorias entre Maputo e Nampula. “Deve haver muito trabalho sim na fiscalização, mas acima de tudo uma conversa, porque os agentes económicos infelizmente acabam sendo lesados.”
IGSAE reconhece desafios e promete capacitação
A Inspecção Geral de Segurança Alimentar e Económica reconhece os desafios enfrentados pelos agentes económicos, mas garante que as fiscalizações serão realizadas com base na legislação em vigor.
Evandro Portugal, jurista da IGSAE em Nampula, explicou que a legislação surge também em resposta a denúncias de consumidores relacionadas com produtos falsificados e fora do prazo de validade.
Segundo o jurista, os operadores que violarem as normas estarão sujeitos às sanções previstas na legislação, de acordo com a gravidade da infracção.
A IGSAE prevê, igualmente, capacitar os agentes económicos da província de Nampula sobre a aplicação da nova legislação durante os processos de fiscalização. (Virgínia Emília)
Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Maputo (HCM) passou a realizar, pela primeira vez em Moçambique, a Colangiografia Pancreática Retrógrada Endoscópica (CPRE), uma técnica que permite diagnosticar e tratar doenças das vias biliares sem necessidade de recorrer a cirurgias mais invasivas.
A técnica é realizada por médicos gastroenterologistas, através da combinação de endoscopia e raio-X, permitindo tratar problemas relacionados com os canais que ligam o fígado, a vesícula biliar e o pâncreas. O procedimento possibilita ainda a realização de biópsias, drenagem de infecções, colocação de próteses (stents) e remoção de pedras.
Segundo a directora do Serviço de Gastroenterologia do HCM, Liana Mondlane, a introdução da CPRE representa um avanço para a medicina moçambicana, uma vez que os doentes que antes precisavam de tratamento no estrangeiro passam a poder ser atendidos no país.
“Iniciar com esta técnica no país é para nós um grande avanço, pois estaremos aptos para o atendimento aos pacientes que aparecem com sintomas como presença de olhos amarelos por conta da permanência da bílis no sangue e nos canais pelos quais eles deveriam ser drenados para o intestino. Estamos a dizer que, podemos tratar a obstrução das vias biliares por via endoscópica. Temos tido pacientes que necessitam deste procedimento e, antigamente mandávamos para o exterior, agora, estes pacientes vão beneficiar deste tratamento a nível nacional”, disse.
A especialista disse ainda que entre os pacientes que podem beneficiar do procedimento estão aqueles que apresentam dor abdominal intensa, urina escura, pele e olhos amarelos, fezes claras, comichão na pele, náuseas e vómitos frequentes, sintomas que podem estar associados a doenças das vias biliares.
A introdução da técnica ocorreu no âmbito do III Workshop de Endoscopia Digestiva Avançada, realizado recentemente no Serviço de Gastroenterologia do HCM, com o objectivo de capacitar médicos em técnicas de colocação de stents esofágicos e discutir casos clínicos.
A formação reuniu especialistas nacionais e internacionais, entre eles o professor doutor Eduardo Pinto, de nacionalidade portuguesa, e o professor doutor Mark Topazian, de nacionalidade norte-americana e durante os quatro dias de actividades, dezasseis pacientes com cancro do esófago beneficiaram da colocação paliativa de próteses esofágicas. (Malito João)