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Promete o ministro da Agricultura: Moçambique vai acelerar agronegócio com foco no emprego

Maputo (IKWELI) – O ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, garantiu, nesta terça-feira (06), que Moçambique vai acelerar a transformação do sector agrário, apostando no financiamento e na criação de cadeias de valor capazes de gerar emprego, rendimento e oportunidades de investimento.

A informação foi avançada durante o seminário sobre o Desenvolvimento do Agronegócio em Moçambique, onde o governante disse que a nova abordagem passa por colocar a agricultura no centro da governação, deixando de ser encarada apenas como responsabilidade do ministério que tutela o sector e passando a constituir uma agenda transversal do Governo.

“É necessário ver a agricultura não como subsistência, mas como uma fonte de geração de renda e de emprego”, afirmou Albino, defendendo uma intervenção coordenada entre os diferentes sectores para responder aos principais constrangimentos que afectam o desenvolvimento do agronegócio.

O ministro destacou que o desenvolvimento da agricultura depende de factores como logística, disponibilidade de água, energia e de um ambiente regulatório previsível e favorável ao investimento “não há agricultura sem logística, não há agricultura sem água, não há agricultura sem energia, não há agricultura sem um quadro regulatório global favorável”, disse.

Albino apontou ainda a previsibilidade das políticas públicas como fundamental para atrair investimentos de longo prazo. Segundo explicou, alterações frequentes nas regras podem reduzir a confiança dos investidores e dificultar a expansão das empresas do agronegócio.

Como resposta a estes desafios, o Governo aprovou recentemente um Programa de Transformação Agrária, que deverá ser implementado como uma iniciativa presidencial, envolvendo diferentes ministérios e intervenientes da cadeia de valor agrícola.

A intenção, segundo Albino, é fazer da agricultura uma iniciativa presidencial, levando as instituições públicas a trabalhar em torno de uma mesma agenda, com responsabilidades definidas e mecanismos de prestação de contas.

No domínio do financiamento, o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas pretende reforçar o papel do GAPI – Sociedade de Investimentos como instituição de financiamento ao desenvolvimento do sector agrário.

Albino explicou que o Governo está a utilizar o GAPI como um dos principais canais para fazer chegar crédito aos produtores, sem excluir a participação dos bancos comerciais.

Segundo o ministro, num ano de experiência, o programa já conta com cerca de 400 operações financiadas “são operações reais e as pessoas estão a produzir e a fazer coisas diferentes no campo,” afirmou.

“Para transformar uma agricultura de subsistência numa agricultura orientada para o mercado, é preciso dotar os agricultores de conhecimento e valores empresariais”, acrescentou.

 Governo vai lançar programa de incubação de agronegócio

O ministro anunciou o lançamento, ainda este ano, de um amplo programa de incubação no agronegócio, com a meta de beneficiar pelo menos mil empreendedores por ano.

O programa deverá envolver o sector privado, empresas, instituições e associações interessadas em apoiar a formação de novos empreendedores.

Albino defendeu que a incubação não deve ser uma iniciativa exclusiva do Estado, mas contar com a participação de pessoas e instituições com conhecimento teórico e experiência prática, capazes de preparar os beneficiários para entrar no mercado e desenvolver negócios sustentáveis.

O ministro admitiu ainda que, futuramente, o acesso a determinadas modalidades de financiamento poderá estar condicionado à passagem dos beneficiários por programas de incubação, como forma de reduzir os riscos associados aos investimentos. (Antónia Mazive)

Acidentes de viação em Nampula: INATRO “insiste” que o homem é o principal perigo nas estradas

Nampula (IKWELI) – Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 1.6 milhões de pessoas morrem anualmente no mundo vítimas de acidentes de viação e, segundo a mesma agremiação, os acidentes rodoviários representam a principal causa de morte entre crianças e jovens entre os 5 e 29 anos de idade, sendo que 92% das mortes de trânsito em todo o mundo ocorrem em países de baixa e média renda.

Em 2025, o Procurador-Geral da República (PGR), Américo Letela, revelou durante a apresentação anual do Estado da Justiça no país que Moçambique registrou 611 acidentes de viação, resultando na morte de 830 pessoas, um aumento de 5 óbitos em comparação com o mesmo período do ano passado.

Falando durante uma reflexão sobre os acidentes de viação promovida pelo Secretário de Estado na província de Nampula, Fernando Bemane, o delegado provincial do Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO), Samuel Dos Santos, considera que o comportamento humano é a principal causa do aumento do número de acidentes de viação na província, que subiram de 23 óbitos nos primeiros 8 meses do ano 2025, para 37 no presente ano.

Ainda durante o encontro, o delegado do INATRO, disse que o Estado está preocupado com o número cada vez mais crescente de acidentes de viação e acções estão a ser empreendidas com vista a travar o mal.

“O Estado moçambicano, através do Ministério dos Transportes, está preocupado com os acidentes, e por isso está em curso a revisão do Código de Estrada que contem novas alterações significativas e substanciais para responder os desafios ao longo da via pública. Entre os meses de Janeiro e Agosto de 2026, Nampula registou 37 óbitos em treze (13) casos de acidentes de viação, contra vinte e três (23) óbitos em 17 casos de acidentes de viação do mesmo período do ano 2025,” revelou, secundando que “há necessidade de continuar a doptar de conhecimento os mototaxistas sobre a educação pública e outros que se fazem na via, com esta iniciativa, acreditamos que vão reduzir os casos.”

Trauma e dor entre as vítimas

Adélia Samuel, de 40 anos de idade, é sobrevivente de um acidente de viação. A nossa interlocutora lembra como fosse hoje o acidente que lhe acometeu quando voltava de Nacarôa, local onde costuma comprar produtos para revenda.

“Tudo começou quando estava em um chapa-100, o carro capotou, não sei muito bem o que terá causado a situação, mas depois do acidente o carro pegou fogo fazendo mortes e eu fui uma das sobreviventes. Agora restaram somente as cicatrizes na cabeça, e grande parte do corpo sofreu queimaduras.”

O vendedor de carvão vegetal, José Francisco, de 35 anos de idade, não lembra com bons olhos o julho de 2026, mês em que um aparatoso acidente interrompeu a sua carreira de 10 anos enquanto facilitador de vidas através daquele combustível doméstico essencial para as famílias.

 “Em julho enquanto vendia carvão na bicicleta, um carro, em excesso de velocidade, me bateu e deixou-me em estado grave. A bicicleta foi destruída, estou internado há 36 dias dentro do Hospital Central de Nampula, passando momentos de dor e tristeza longe da família, os médicos ainda recomendam repouso e neste momento não posso andar.”

Agricultor de profissão, Lucas Acácio, de 25 anos de idade, viu o seu trajecto interrompido quando em mais um dia de trabalho embateu contra um carro. “Estava em uma motorizada sem capacete e nem colete e embati com um carro. O motorista pôs-se em fuga, agora não consigo andar e antes do acidente capinava para revender produtos, era o meu sustento e da minha família, agora que não posso andar, a minha vida está complicada e não sei o que fazer, peço socorro para me alimentar.”

O médico legista do Hospital Central de Nampula, Dino Soares, anota que os acidentes de viação e os traumas são as maiores causas de morte evitáveis, afectando de forma desproporcional jovens e crianças.

“Se formos a reparar aquilo que é a faixa etária, jovens entre 21, 30 e 40 anos, são as maiores vítimas mortais de sinistralidade, são pessoas em idade activa que produzem para as suas famílias e isso poderá trazer um impacto directo na economia de Nampula, o número de acidentes de viação é maior, também há crianças menores de 5 anos envolvidas neste processo,” disse a fonte.

O HCN entende que o elevado número de sinistros rodoviários que dão entrada nas suas urgências deixa marcas permanentes nas vítimas. “Na ortopedia, antes os pacientes, vítimas de acidente, eram internados em 15 camas no máximo e actualmente cerca de 21 camas são ocupadas, numa altura em que há vítimas com fraturas graves que necessitam de intervenções cirúrgicas e cuidados pós-operatórios.”

Mas o que estará por detrás dos recorrentes acidentes de viação?

Para o chefe da repartição de Segurança Rodoviária no INATRO em Nampula, António Uaqueia, a causa dos acidentes de viação não é comum, mas o comportamento humano está entre as causas principais.

“É complexo dizer o que propicia a sinistralidade rodoviária, porém, o comportamento humano é a principal causa dos acidentes associado a falta de acesso de averbamento provisional. Há condutores que fazem carga de passageiros, este problema é real e antigo.”

Enquanto isso, o administrador do distrito de Nacala̵, Morchido Momade, aponta a sobrecarga nos veículos como parte das causas. “A realização da actividade de táxi mota tem sido um meio importante para o autoemprego de muitos jovens, entretanto, notamos que há mau uso do mesmo meio, porque em Nacala temos assistido jovens que exercem a actividade com irresponsabilidade, dois ou mais passageiros em uma só motorizada, as crianças em idade escolar passam maior risco de vida.”

Já a administradora do distrito de Nampula, Etelvina Fevereiro, entende que há atropelos constantes no Código de Estrada e os infractores continuam impunes. “Actualmente as motorizadas são desmontadas por razões alheias e coloca-se cada vez mais a saúde pública em risco, a polícia de trânsito sozinha não consegue garantir a fiscalização, é daí que há fracassos,” defendeu.

PT vê nas campanhas de educação cívica solução para os acidentes rodoviários 

O chefe de Educação Rodoviária da Polícia de Trânsito (PT) em Nampula, Egídio Pedro, assegurou que reduzir a sinistralidade passa por reforçar a fiscalização nas estradas e adoptar campanhas de educação cívica.

“Os meses de Julho e Agosto preocupam-nos porque registamos maior número de óbitos. A título de exemplo, são dois casos de acidentes ocorridos no mesmo local, na barragem de Nacala-à-Velha, o caso mais recente foi a colisão de um camião e um transporte semicolectivo de passageiros que causou 11 mortes e 5 feridos. O outro caso, foi a colisão de dois camiões, sendo que um dos motoristas morreu carbonizado.”

Segundo o responsável, uma das acções empreendidas para reduzir os acidentes, é a aplicação de multas que variam consoante a gravidade da infração, como por exemplo, para o excesso de velocidade num veículo ligeiro a multa é de 1.000,00Mt (mil meticais) meticais, moderado 2.000,00Mt (dois mil meticais) e grave 8.000,00Mt (oito mil meticais). (Nelsa Momade)

Com incentivos para desenvolverem suas actividades: Governo reconhece jovens criativos de Nampula

Nampula (IKWELI) – Cerca de 50 jovens da província de Nampula foram premiados, nesta terça-feira, no âmbito da Gala Provincial de Jovem Criativo, uma iniciativa do Governo que visa promover a autonomia económica e criar oportunidades para os jovens exporem aquilo que sabem fazer bem.

A presidente do Conselho Provincial da Juventude (CPJ) de Nampula, Irene Leite, reafirmou que o Prémio Jovem Criativo não deve ser visto apenas como um concurso, mas um espaço de reconhecimento de talentos. “O Prémio Jovem Criativo pode ser entendido como um concurso, mas é muito mais do que isso. É uma plataforma de reconhecimento, valorização, promoção e protecção do talento juvenil. É uma oportunidade para que o jovem demonstre que é capaz de transformar uma ideia numa iniciativa, numa proposta num resultado. Por isso, queremos reafirmar, nesta cerimónia, que a juventude de Nampula tem talento e criatividade. Devemos, por isso, olhar para este prémio como um investimento no capital humano da nossa juventude.”

Por sua vez, o Secretário de Estado na província de Nampula, Fernando Bemane de Sousa, encorajou os jovens a serem humildes, a terem autoestima e a aplicarem os seus conhecimentos em prol do desenvolvimento das suas comunidades.

“Os jovens ocupam um núcleo muito importante no nosso Programa Quinquenal do Governo 2025-2029, com foco nas áreas de educação de qualidade, formação técnico-profissional, emprego, autoemprego, inovação, inclusão digital, entre outras. Para a materialização deste propósito, foi concebido o programa Prémio Jovem Criativo, como uma recompensa anual que distingue jovens dos 15 aos 35 anos que se destacam nas áreas de inovação tecnológica, empreendedorismo e criação artística.”

Bemane de Sousa disse que o principal objectivo do programa é promover a autonomia económica, o emprego digno e a inclusão social, respondendo aos desafios relacionados com o emprego e a criação de oportunidades para a juventude. (Fátima Mugaveia, Foto: Belto Samuel)

Mecubúri: Governo reforça produção agrícola e obras públicas com novos meios

Nampula (IKWELI) – O governo do distrito de Mecubúri, na província de Nampula, está a implementar iniciativas para reforçar a capacidade de produção de hortícolas, com a entrega de 5 novos meios circulantes, iniciativa que prevê estimular a actividade comercial, segurança alimentar, assim como flexibilidade das obras públicas, nos próximos meses do ano em curso.

Numa altura em que os casos de desnutrição crónica têm estado a tomar conta da província de Nampula, sobretudo naquela região, envolvendo crianças e adultos, o Secretário Permanente (SP) de Mecubúri, José Topeleque, defende que a entrega dos 5 meios de circulantes, dentre eles duas viaturas e três motorizadas, deve facilitar o acesso aos campos agrícolas distantes. 

O SP de Mecubúri ainda explicou que a entrega dos meios em referência enquadra-se no âmbito da implementação do projecto MozNorte, promovido pelo governo moçambicano em parceria com o Banco Mundial, com foco nas províncias de Nampula, Niassa e Cabo Delgado, com a duração de 5 anos (2021 a 2026).

Na ocasião, aquele dirigente apelou as entidades beneficiárias a usarem os meios circulantes para facilitar o acesso as comunidades distantes, alegando que terá tolerância zero aos responsáveis que estiverem a conduzir em estado de embriaguez, excesso de velocidade e outros factores que possam comprometer o plano do governo em vigor. (Virgínia Emília)

Maternidade do HCN recebeu mais de 100 parturientes no fim de semana prolongado pelo AGP

Nampula (IKWELI) – A maternidade do Hospital Central de Nampula (HCN) recebeu, no último fim-de-semana, por sinal prolongado pela celebração do 34º aniversário da assinatura dos Acordos Gerais da Paz, pelo menos, 106 parturientes, das quais 45 tiveram parto normal.

De acordo com o Dr. António Carlos, porta-voz do HCN, no mesmo período, aquela unidade sanitária observou um total de 1.656 pacientes em diferentes serviços, com destaque para o Banco de Socorros de adultos que recebeu 973 pacientes.

“Ao nível de medicina legal foram registados dois casos de violência sexual,” disse a fonte, anotando que os mesmos tiveram como vítimas crianças de 8 e 13 anos de idade, respectivamente, referenciados pelas unidades sanitárias de Muhala Expansão e Namicopo.

Segundo António Carlos, entre os pacientes atendidos no banco de socorros de adultos, 33 foram vítimas de acidentes de viação e 64 de agressão física. O responsável anotou que, comparativamente ao dia 4 de Outubro de 2025, houve aumento no número de pacientes observados no mesmo período deste ano.

No serviço de pediatria, o HCN observou “667 crianças, incluindo duas vítimas de mordedura por animais.”

Esta fonte precisou que, também, houve entrada de casos de sarampo, na ordem de 7 casos. (Malito João)

De acordo com o presidente da FISAT: Sustentabilidade exige indicadores concretos para orientar políticas ambientais e territoriais

Maputo (IKWELI) – O presidente da Fundação Internacional para a Sustentabilidade Ambiental e Territorial (FISAT), Julian Mora Aliseda, defendeu, durante a abertura do 11.º Congresso da organização, em Maputo, a necessidade de transformar o conceito de sustentabilidade em indicadores concretos e mensuráveis.

Segundo Aliseda, dados fiáveis são essenciais para orientar a planificação, o ordenamento territorial e urbano e responder de forma eficaz aos desafios ambientais e sociais.

O responsável observou que, apesar de o conceito de desenvolvimento sustentável ser amplamente utilizado, persistem diferentes interpretações sobre o seu significado. Por isso, defendeu a definição de indicadores que permitam avaliar, de forma objetiva, os progressos alcançados.

“Agora é o momento, em eventos como este, de definirmos quais são os indicadores que permitem medir”, afirmou, sublinhando que a medição não deve servir apenas para fins académicos, mas também como base para a tomada de decisões e para a planificação territorial.

Para Aliseda, a ausência de dados dificulta intervenções consistentes por parte das autoridades e instituições responsáveis pela gestão ambiental e territorial.

“Sem dados, não podemos intervir de uma maneira decidida e séria”, sublinhou o académico de nacionalidade espanhola.

O presidente da FISAT destacou ainda a importância da articulação entre o ordenamento territorial e a gestão ambiental como instrumentos fundamentais para enfrentar os desafios da sustentabilidade.

Por sua vez, o reitor da Universidade Joaquim Chissano, João Gabriel de Barros, afirmou que a concretização da sustentabilidade ambiental e territorial depende da capacidade de transformar princípios gerais em decisões fundamentadas e resultados verificáveis.

Segundo o reitor, a resiliência das comunidades às mudanças climáticas não pode ser avaliada apenas pela existência de planos de emergência ou pela capacidade de resposta após a ocorrência de eventos extremos. Defendeu, por isso, uma maior aproximação entre o conhecimento científico, a evidência empírica e a aplicação prática.

Barros considerou que o congresso deve constituir um espaço de análise crítica, partilha de experiências e identificação de soluções práticas que possam ser testadas e aplicadas em contextos reais.

O reitor destacou ainda que Moçambique oferece um contexto relevante para a investigação sobre sustentabilidade, resiliência e ordenamento do território, devido à diversidade dos seus sistemas costeiros, fluviais, agrícolas e urbanos, bem como à exposição a fenómenos climáticos extremos.

Para Barros, a investigação científica deve considerar as especificidades de cada território, uma vez que uma solução adequada para uma cidade pode não ser aplicável a uma comunidade rural.

Neste contexto, defendeu que o diagnóstico baseado em evidências científicas deve constituir a base para a definição de soluções territorialmente sustentáveis, tendo em conta as características específicas de cada região. (Antónia Mazive)

Por falta de água potável: Moradores de Mutotope já não dormem

Nampula (IKWELI) – A escassez de água na zona residencial de Mutotope, no bairro Muhala-Expansão , nos arredores da cidade de Nampula, está a assumir contornos alarmantes, onde os moradores são obrigados a formar bichas durante a madrugada junto aos poucos poços existentes para conseguir o precioso líquido.

Segundo os moradores, nos últimos tempos, a preocupação da falta de água tende a aumentar, sobretudo porque a zona não está na rede de abastecimento do precioso líquido.

Mira Calisto, moradora de Mutotope, disse ao Ikweli que os poucos poços tradicionais existentes naquela área não são suficientes para responder a demanda. “Estamos mal com água nessa nossa zona, uma pessoa sai as 4 horas de madrugada para voltar as 12 horas. Se ter uma criança que estuda de manhã, as vezes pode ir à escola sem tomar banho por falta de água nesse nosso bairro. Por exemplo, temos um poço aqui perto da escola e, para além de nós que vivemos aqui, encontras uma bicha de alunos a pedir água para beber. Isso quer dizer que o problema de água aqui também afecta os alunos dessa escola de Mutotope, porque lá não tem nenhum poço de água. Então, estamos a pedir ajuda mesmo, não sei quem é a pessoa que deve cuidar dessa situação de água nessa nossa zona”.

Jaime Augusto, outro morador, reconhece as prioridades existentes por parte dos responsáveis por trazer água naquela zona, mas encara com preocupação aquilo que considera ser o sofrimento dos moradores de Mutotope. “Queremos ajuda. Vocês que são jornalistas, não sei se vão fazer chegar essa nossa preocupação, porque quando falamos não nos consideram, eu sei que existem muitas coisas para fazer, mas também essa água nos faz muita falta aqui no nosso bairro. Às vezes, nos faz pensar que as pessoas que vivem longe da cidade não são importantes, e nos sentimos esquecidos”.

Por sua vez, Pinto Felizardo acredita que a instalação de um furo de água naquela zona poderia minimizar o problema. “Compramos água do poço a 3,00Mt (três meticais), mas para tirar não é fácil pode ficar na bicha e água acabar, então, pelo menos pediam nos dar um furo de água para diminuir esse nosso sofrimento”.

A situação acontece numa altura em que vários bairros urbanos de Nampula também enfrentam sérios problemas no abastecimento de falta de água, com torneiras que não jorram o precioso líquido. Em Napipine, concretamente na zona de Mukhurua, a água sai de forma irregular, chegando apenas a pingar, sendo que para encher um galão de um litro pode levar cerca de três horas, de acordo com relatos de moradores. (Malito João)

Avenida 25 de Setembro reaberta com honras a Frelimo

Nampula (IKWELI) – O conselho autárquico da cidade de Nampula reabriu, após concluir a requalificação, a avenida 25 de Setembro, uma das mais importantes no maior centro urbano do norte de Moçambique, num evento dominado pelo partido Frelimo que, previamente, mobilizou aos seus membros para o evento.

A avenida 25 de Setembro é um traçado rodoviário que é da responsabilidade da Administração Nacional de Estradas (ANE), mas quis Luís Giquira, autarca da cidade de Nampula, que melhorasse a mesma.

As obras foram desenvolvidas por uma empresa chinesa, a qual cumpriu os prazos, alias executo-as em tempo recorde.

“Nós Lançamos no dia 2 a primeira pedra para a requalificação desta estrada e tinha um prazo de 12 meses, mas felizmente levamos metade do tempo que estava previsto. As obras ainda não estão 100% terminadas, nós estamos preocupados com a segurança dos nossos munícipes, temos uma máquina que mandamos vir da China para colocar sinalização nas escadas, a máquina ainda não chegou devido a guerra, mas ela está a caminho.” (Hermínio Raja)

Mulher denuncia violência psicológica e agressões na Beira

Beira (IKWELI) – Uma mulher, de 45 anos de idade, denunciou à Polícia da República de Moçambique (PRM) um caso de violência psicológica, agressões físicas e ameaças de morte, ocorrido no dia 4 de Outubro de 2026, numa residência localizada na cidade da Beira, província de Sofala.

Segundo o depoimento da vítima, o incidente começou na sequência de uma discussão com o companheiro relacionada com um valor de 3.500,00Mt (três mil e quinhentos meticais) destinados à compra de alimentos. Durante a discussão, o homem supostamente apertou o pescoço da mulher e proferiu ameaças de morte, uma situação que levou o filho do casal a intervir para socorrer a mãe.

No dia seguinte, a mulher abandonou a residência e passou a viver num outro local. De acordo com a denúncia, posteriormente, o companheiro deslocou-se à nova residência, onde ao chegar arrombou a porta e destruiu mobílias e outros bens, alegadamente por não ter encontrado a vítima no local.

Mais tarde, o homem encontrou a mulher na companhia de dois polícias comunitários e, segundo o relato apresentado à Polícia, desferiu-lhe duas bofetadas. A vítima afirmou ter ficado com dores no ouvido direito na sequência das agressões.

Na sequência da denúncia, conforme sabe o Ikweli, a PRM deteve o suspeito e conduziu-o à 8.ª Esquadra, onde foram iniciados os procedimentos legais. (Aunícia Avelino)

Em cerimónia conjunta: Casais de Nampula procuram fortalecer o diálogo e a confiança no casamento

Nampula (IKWELI) – Cento e cinquenta e oito casais participaram, nesta segunda-feira (5), num seminário dedicado ao fortalecimento da vida matrimonial, realizado pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus, na zona na Subestação, no posto administrativo de Muatala, cidade de Nampula.

Mais do que ouvir ensinamentos religiosos, os participantes aproveitaram o encontro para reflectir sobre alguns dos problemas sociais que afectam a convivência dentro dos lares, entre eles a falta de diálogo, a pouca transparência na gestão dos rendimentos, a insatisfação sexual e a violência psicológica.

Durante a sessão, o pastor provincial daquela congregação religiosa, Jaime Victor, recorreu à passagem bíblica para falar sobre as responsabilidades de homens e mulheres no casamento.

Segundo explicou, o conhecimento e o respeito pelo papel de cada cônjuge podem ajudar a evitar conflitos e contribuir para uma relação baseada no amor e na compreensão.

O pastor chamou igualmente atenção para a importância de os casais partilharem a vida espiritual, alertando que diferenças nesse aspecto podem criar dificuldades na relação. Para Jaime Victor, ″o diálogo também não deve ser deixado de lado, mesmo quando a rotina profissional torna difícil encontrar tempo para conversar″.

O líder religioso apelou igualmente aos maridos para que encontrem espaço para ouvir as suas esposas depois da jornada de trabalho e as mulheres para que partilhem as suas experiências e responsabilidades durante os períodos em que os companheiros estão ausentes. Defendeu ainda maior transparência na utilização dos rendimentos familiares, sobretudo nos casos em que ambos trabalham.

Para os participantes, o seminário foi visto como uma oportunidade para abordar assuntos que muitas vezes permanecem dentro de casa sem serem discutidos. A expectativa manifestada é de que os ensinamentos recebidos ajudem os casais a encontrar formas de resolver conflitos e construir relações mais abertas e estáveis ″ficamos muito feliz com os ensinamentos do pastor Jaime Victor, hoje saímos desse encontro transformados, aprendemos que cada lar os problemas nunca faltam, por isso de hoje em diante já aprendemos a necessidade de diálogo no lar depois de agente enfrentar vários problemas. Aprendemos também que no nosso lar precisamos colocar Cristo em primeiro lugar, para o espírito mau não nos usem como bola″, um dos participantes.

Augusto Vieira, em representação do pastor sectorial, explicou que a igreja promove anualmente dois seminários para casais, sendo um no primeiro semestre e outro no final do ano. A iniciativa, segundo ele ″pretende criar um espaço para esclarecer dúvidas, superar diferenças e fortalecer a vida espiritual das famílias, consideradas fundamentais para o crescimento da igreja e social″. (Malito João)