
Nampula (IKWELI) – O director executivo da Associação dos Refugiados de Moçambique (ARM), na cidade de Nampula, Ismael Abraham, afirma que a instituição tem acompanhado, à distância, as reclamações apresentadas por imigrantes de origem nigeriana sobre alegadas cobranças ilícitas praticadas por alguns agentes dos Serviços de Migração.
Segundo Ismael Abraham, que falava em entrevista na sexta-feira (24), os imigrantes nigerianos não fazem parte da área de actuação da associação, por razões não avançada.
“De facto, temos acompanhado essas informações, mas os imigrantes não fazem parte do nosso grupo de actuação. Nós somos uma associação de refugiados em Moçambique e trabalhamos com refugiados. É claro que também apoiamos alguns deslocados de Cabo Delgado, mas o nosso principal foco são os refugiados.”
“É verdade que, entre as comunidades de refugiados e de imigrantes, existe um entendimento de que há cidadãos com estatuto de migrante que estarão a usurpar o estatuto de refugiado, ou seja, são portadores de cartões de refugiado. Temos recebido essas queixas ao nível da associação e já realizámos encontros com as autoridades, tanto a nível provincial como nacional. No entanto, não temos qualquer prova que comprove esses factos. Sem provas, torna-se muito difícil afirmar, com firmeza, que essas alegações sejam verdadeiras ou falsas”, comentou.
Por outro lado, o representante da maioria dos refugiados acolhidos em Nampula, manifestou preocupação com denúncias relacionadas com migrantes que alegadamente se fazem passar por refugiados para cometer actos ilícitos.
“Uma das queixas é o uso dos números de identificação dos refugiados por pessoas que não são refugiadas. Isso é preocupante, porque essas pessoas podem cometer ilícitos e os refugiados acabarem por carregar uma responsabilidade que não lhes pertence. Pelo menos na base de dados do Governo de Moçambique, não temos refugiados de origem nigeriana, maliana ou senegalesa. Os refugiados registados são, maioritariamente, provenientes da região dos Grandes Lagos.”
Ismael Abraham revelou ainda que, em 2025, a liderança da comunidade congolesa procurou a associação para denunciar alegados casos de usurpação de identidade.
“A liderança da comunidade congolesa aproximou-se de nós em 2025 para apresentar a situação da usurpação. Orientámos que procurassem os Serviços de Migração na província, e esse encontro chegou a acontecer. A liderança apresentou essa preocupação para que a Migração estivesse atenta aos casos de usurpação, pois existe a probabilidade de algumas pessoas estarem a utilizar a nacionalidade congolesa sem o serem. Contudo, como já disse, tratam-se de reclamações sem provas concretas.” (Fátima Mugaveia)






