Há um inimigo silencioso a instalar-se em Nampula, e o mais grave é que não atua sozinho. A droga pesada conhecida como “Maca” está a infiltrar-se nas nossas comunidades com uma facilidade assustadora, destruindo jovens e transformando sonhos em autênticos pesadelos.
Não se trata apenas de consumo. Trata-se de um sistema. Um circuito bem organizado, com tentáculos que, tudo indica, alcançam sectores que deveriam ser parte da solução — e não do problema. Quando colaboradores de transportadoras são apontados como facilitadores deste tráfico, estamos perante um sinal claro de que algo está profundamente errado.
E mais inquietante ainda: a droga passa. Passa por estradas, por postos de controlo, por barreiras que deveriam impedir exatamente este tipo de crime. Como é possível? A resposta, ainda que incómoda, é conhecida por todos — corrupção, cumplicidade e silêncio.
Nampula corre o risco de se tornar um corredor aberto para o narcotráfico. E enquanto isso acontece, a juventude vai sendo sacrificada, dia após dia, perante a inércia de quem tem o dever de agir.
Ainda assim, há sinais de esperança que não podem ser ignorados. Uma entidade patronal, demonstrando responsabilidade e compromisso, denunciou três casos concretos de transporte desta droga, o que levou à detenção de dois indivíduos entregues ao SERNIC. Este exemplo prova que, quando há vontade, é possível combater este mal.
Mas sejamos claros: isso não basta.
Quantos mais casos estão a passar despercebidos? Quantos “Chapas 100” transportam, lado a lado com cidadãos inocentes, substâncias que destroem vidas?
Quantos motoristas e operadores já se renderam ao dinheiro fácil, ignorando o impacto devastador das suas ações?
A sociedade exige respostas — e exige agora. Não queremos operações superficiais nem detenções simbólicas. Queremos uma investigação séria, profunda e sem interferências, que identifique os verdadeiros donos deste negócio: os financiadores, os grandes distribuidores e todos os que, nas sombras, lucram com a desgraça alheia.
É preciso romper com o ciclo de impunidade. É preciso responsabilizar não só quem transporta, mas também quem permite que a droga circule livremente. O silêncio institucional já não pode ser tolerado.
A juventude moçambicana não pode continuar a ser abandonada à sua sorte. Drogas não são alternativa. São destruição. São atraso. São morte social.
Se nada for feito com urgência, estaremos, enquanto sociedade, a ser cúmplices desta tragédia.
E a história não perdoa os cúmplices. (Por Luís Vasconcelos – Um Olhar Atento)




