
Ilha de Moçambique (IKWELI) – Jovens do distrito da Ilha de Moçambique, na província de Nampula, descobriram uma forma de pescar que está a transformar suas vidas. Trata-se de uma reforma em arpões, fabricados com material local e considerada por eles eficiente na captura do peixe.
Localmente chamam de pistola.
Segundo relatos colhidos pelo Ikweli, a vida dos pescadores começou a mudar significativamente, diferente da pesca tradicional com pequenas embarcações, que representava riscos constantes durante as actividades no mar, a nova técnica tem garantido maior segurança e melhores resultados.
Com a descoberta da pistola feita com material precário, os jovens da cidade municipal da Ilha de Moçambique celebram as mudanças positivas na sua actividade pesqueira.
Cassimo Hussene Momade conta que, no passado, a sua vida estava estagnada devido as dificuldades enfrentadas na pesca tradicional apenas com embarcação e rede. Segundo ele, com a fabricação dessas pistolas há muito sucesso na pesca.
“Passa bastante tempo que sou pescador, mas quando iniciei era mesmo pesca normal e nesses dias não estava a ver nada porque está cada vez mais difícil encontrar peixe, mas quando descobrimos essa pistola conseguimos ter muito peixe, até porque a embarcação usamos somente para chegar no meio do mar, mas depois de chegar lá usamos somente essa pistola e é muito bom, porque na verdade mesmo esse peixe ser tão grande não escapa, a gente consegue matar e com isso conseguimos organizar a nossa vida, estudamos e compramos muitas coisas através da pesca com pistola.”
Momade acrescenta que a pistola caseira salvou sua vida economicamente. Antes, conseguir 200,00Mt (duzentos meticais) por dia era uma questão de sorte. Hoje, a realidade é diferente, pois por dia “consigo até 2.000,00Mt (dois mil meticais), e isso facilita a minha vida e da minha família, porque na minha casa ninguém trabalha, todos confiam esse mesmo meu trabalho.”
Outro pescador, Abudo Amade, afirma que a nova técnica facilitou significativamente as actividades de pesca. Segundo ele, a melhoria no rendimento trouxe estabilidade familiar. “Com essa pistola muitos jovens estão a voltar a abraçar essa actividade de pesca.”
Agostinho Miguel, considerado mestre na fabricação das pistolas, explica que utiliza materiais simples e reaproveitados, como restos de ferro e borracha, mas destaca a resistência do equipamento.
Segundo ele, muitos jovens procuram o seu trabalho para adquirir a flecha, instrumento que os próprios pescadores passaram a chamar de pistola, reforçando assim uma actividade que tem devolvido esperança e sustento a várias famílias da Ilha de Moçambique. (Malito João)




