Nampula (IKWELI) – Finalmente, reapareceu a professora responsável por um grupo de poupança no bairro de Napipine, nos arredores da cidade de Nampula, que tinha sido dada como desaparecida na semana passada, quando o seu grupo preparava-se para encerrar a temporada 2025 da prática.
Ela conta que tinha sido sequestrada e dos seus relatos, a narração é de bradar aos céus.
Segundo o testemunho da professora, ela tinha sido mantida em cativeiro num local desconhecido durante vários dias. No mesmo espaço, encontrava-se também outra mulher em circunstâncias semelhantes, que estava a ser submetida a relações sexuais com um cão, facto que levanta sérias preocupações quanto à natureza e aos objectivos do alegado crime, ainda não esclarecidos pelas autoridades.
De acordo com a vítima, durante o período em que esteve privada de liberdade não lhe foram exigidas somas de dinheiro, nem houve pedidos de resgate ou sexo muito menos torturas, situação que contraria o padrão habitual deste tipo de crimes e reforça a necessidade de uma investigação aprofundada.
A professora afirmou ainda ter sido submetida a actos considerados humilhantes e degradantes, cujos contornos estão a causar grande comoção pública, semeando assim o medo nas mulheres. Mas afirmou que terá escapado de manter relações sexuais com o cão porque os criminosos justificaram que ela era conterrânea dela.
“Levarem-me e me colocaram uma máscara, que parece com capacete e me colocaram no carro e lançaram-me numa lixeira e abriram esse capacete,” conta a vítima sobre a circunstância da sua liberação, afirmando, ainda, que terão lhe entregue 50,00Mt (cinquenta meticais), valor que serviria para tomar um táxi de mota. “Eu não neguei aquele dinheiro, apanhei, depois dali saí a correr, sem gosto de apanhar mota, depois comecei a seguir o caminho, aquela via da Faina, até onde estavam pessoas, pedi alguém para ligar para minha família, ligou e vieram me buscar.”
Num outro desenvolvimento, a fonte conta que “naquele local não me bateram e as pessoas que traziam comida era uma senhora de máscara. A menina que estava comigo não tinha comido. O sítio é escuro e até agora não faço ideia onde é que é o local, única coisa que me deixou mal foi esse capacete que fez acabar minhas forças, até esse momento só agradeço a Deus por estar aqui, assim a minha preocupação é essa outra menina que eu vi a se relacionar com cão onde está.”
O caso provocou choque e revolta no bairro de Napipine, onde a vítima reside, moradores defendem que o sucedido não deve ser tratado com leviandade e exigem uma investigação célere, transparente e rigorosa para identificar e responsabilizar os autores.
“Agora até andar sozinha durante o dia causa medo. Pensávamos que ela estava apenas desaparecida, mas afinal esteve vários dias em cativeiro. Isso deixou-nos muito assustadas”, disse Suraya Albino, residente do bairro, apelando a uma resposta firme das autoridades.
Outra moradora, Sónia Calisto, visivelmente abalada, afirmou que a situação não pode ser normalizada. Segundo disse, é urgente perceber quem são os responsáveis e quais as reais intenções por detrás deste alegado sequestro, defendendo uma actuação séria por parte do Governo.
Sónia apelou ainda às mulheres para redobrarem os cuidados, evitando andar sozinhas e recusando boleias de desconhecidos, numa altura em que o sentimento de insegurança cresce na cidade de Nampula.
Maurício Abdul, também residente na zona, considera que a população deve reforçar a vigilância comunitária. Para ele, a prudência no dia-a-dia pode ajudar a evitar novas ocorrências, enquanto as autoridades desenvolvem o seu trabalho de investigação.
O mesmo sublinhou que a colaboração entre a comunidade e a polícia é essencial para prevenir crimes desta natureza e restaurar a confiança da população nas instituições.
Enquanto se aguarda um posicionamento oficial das autoridades, o caso continua a dominar conversas café em bairros e espaços públicos da cidade, marcado por revolta, medo e uma exigência comum. Esclarecimento dos factos, justiça para as vítimas e responsabilização exemplar dos envolvidos seria um alívio para á população. (Malito João)





