
Nampula (IKWELI) – A população da zona residencial de Nahene, no posto administrativo de Napipine, cidade de Nampula, continua a viver momentos de desespero devido aos frequentes ataques de crocodilos no rio Monapo.
Só na última semana, três pessoas perderam a vida em consequência de ataques dos paquidermes, que têm transformado a travessia do rio numa actividade de elevado risco.
Segundo apurou o Ikweli, os ataques ocorreram na zona da barragem de Nampula, no rio Monapo, onde moradores atravessam diariamente para aceder às suas machambas e outras fontes de sustento. As vítimas foram posteriormente enterradas pelas respectivas famílias, que manifestam profunda preocupação com a crescente insegurança.
Os residentes afirmam que a situação se agravou nos últimos tempos e lamentam a falta de intervenções concretas para travar os ataques. Muitas famílias dependem das áreas agrícolas localizadas do outro lado do rio, o que as obriga a continuar a enfrentar o perigo.
Xavier Nelson, residente local, descreveu o drama vivido pela comunidade e apelou à intervenção urgente das autoridades. “as nossas machambas, nossas casas estão lá em Monapo e nós não temos como não passar no rio Monapo porque é onde nós vamos na busca do sustento. Assim por exemplo os jovens que foram mortos por esse crocodilo estavam com suas lenhas para vender aqui na cidade, acabaram sendo mordidos e isso deixou todas às pessoas com medo de ir às suas machambas, por isso que estou mal e estamos a pedir ajuda.”
O morador acrescentou que o medo tomou conta da população, afectando directamente as actividades económicas das famílias que dependem da agricultura e da venda de produtos para sobreviver.
Por sua vez, Wilson Pedro relatou os contornos trágicos do mais recente ataque, sublinhando o impacto emocional causado pela violência dos crocodilos. “foi consumido na totalidade, somente a família encontrou cabeça no rio e nós enterramos somente essa cabeça e isso não é assunto que temos que olhar e calar, queremos ajuda, pelo menos uma ponteca para agente passar.”
Entretanto, a liderança comunitária também reconhece a gravidade da situação. Um dos líderes locais, Silvério Castro, afirmou que a população se sente sem alternativas para proteger as suas vidas e garantir a continuidade das suas actividades diárias. “Na verdade, estamos mal, precisamos de ajuda, porque essa situação é muito grave, toda hora somos comunicados que Crocodilo já mordeu alguém e isso é complicado. E esses dias a situação está pior, não passa uma semana sem ouvir a quem foi mordido,” lamentou o líder comunitário, apelando a uma resposta urgente para travar os ataques e garantir a segurança da população de Nahene. (Malito João)
