Nampula: Artistas pedem maior proteção das suas obras

Nampula (IKWELI) – Os artistas da cidade de Nampula pedem ao governo moçambicano a criação de ferramentas que protejam as suas criações, sobretudo na era digital para que possam usufruir do esforço empreendido na produção das diferentes manifestações culturais.

O pedido foi feito na sexta-feira (31.7), na Casa Provincial da Cultura de Nampula, durante o lançamento da consulta pública sobre os direitos dos autores na era digital, onde afirmaram que a implementação do dispositivo, que protege os autores, vai ajudar o sector criativo porque só assim haverá benefícios pelos seus trabalhos.

“Com o mundo digital perdemos muito, eu penso que é de graça e com essa iniciativa, tenho esperança que com o pouco vai ser partilhado,” disse Igor Ângelo, actor do grupo teatral Nguenha.

O escritor Donça Damiro afirmou que na era digital os livros são falsificados com maior facilidade, porque o governo moçambicano tem défice na proteção dos direitos autorais daí que existe uma grande necessidade da protecção.

“Temos exemplos de alguns países como por exemplo Brasil em que uma frase que você vai citar sendo que não foi você quem escreveu deve identificar o autor, portanto é muito bom ter iniciativas para salvaguardar os interesses dos artistas,” realçou Damiro.

Na mesma senda, o músico e secretário executivo da Associação dos Músicos de Nampula, Sebastião Damas, assegurou que na era digital é possível levar o trabalho de um determinado artista e colocar a circular sem autorização do seu autor.

“Eu penso que deve-se usar um sistema de controle de forma que os nossos trabalhos não sejam pirateados. A tecnologia é boa, mas devemos saber usar havendo um grande controle, através das instituições do Estado para garantir os direitos dos autores,” apelou Damas.

O nosso entrevistado argumentou ainda que se não houver medidas, vão se beneficiando segundas pessoas em relação aos verdadeiros autores. “Aconselho que o governo tenha um papel muito importante para regulamentar com sanções aplicáveis,” exortou a fonte.

Já o delegado do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas, a nível da região Norte, Sónio Sulemane, explicou que com as transformações tecnológicas actuais surge a necessidade de aprimorar cada vez mais os instrumentos que protegem os artistas.

“Os desafios na era digital são bastantes como por exemplo, a usurpação dos direitos no digital. Se antigamente nós tínhamos uma versão mais tradicional, agora com a tecnologia as pessoas aproveitam o esforço alheio,” sublinhou o delegado. (Francisco Mário)

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