“Viemos falar com nosso pai, ele vai resolver esse problema de combustível,” motoqueiros da cidade de Nampula pedindo para aceder ao governador Eduardo Mariamo Abdula.

Nampula (IKWELI) – Mais de seiscentos motoqueiros da cidade de Nampula, na sua maioria operadores de táxi de mota, abordaram, na manhã desta segunda-feira (21), o governador da província, Eduardo Mariamo Abdula, para queixar-se do problema da falta de combustíveis.

Segundo disseram, a crise está afectando as suas vidas de forma drásticas, reduzindo as suas capacidades de geração de renda para as suas famílias.

“Viemos falar com nosso pai, ele vai resolver esse problema de combustível,” disseram os motoqueiros, convictos que, em Nampula, apenas o governador Abdula consegue prover solução para os problemas da população.

Antes de irem pedir solução ao governador, os motoqueiros colocaram barricadas com troncos, pedras e as próprias motorizadas nas zonas de Trim trim, Sipal, CFM e na estrada nova de acesso ao mercado do Matadouro, impedindo a circulação de viaturas privadas e de transportes semicolectivos de passageiros do município e privadas, onde obrigavam descarregamento de passageiros. 

A nossa equipa de reportagem deparou-se com o protesto por volta das 8 horas de hoje. No local, havia uma fila enorme de viaturas paradas em pleno semáforo e populares a registar a situação com telemóveis para partilhar nas redes sociais.

De acordo com os manifestantes, a falta de combustível dura há mais de quatro meses e tem dificultado o sustento das suas famílias. Alguns afirmam ser obrigados a passar noites nas bombas à espera de conseguir, pelo menos, dois litros de gasolina.

Um dos taxistas explicou que “estamos mal com esse assunto de combustível. As bombas não querem nos abastecer e nós comprovamos que o combustível existe. Eles aceitam só com requisições e nós não temos, então vamos fazer como? Eu, pelo menos, estou há uma semana que não consigo combustível e a pernoitar nas bombas”.

O mesmo taxista acrescento que “não tenho como fazer a receita. As nossas famílias estão a passar fome porque não conseguimos trazer comida. Por isso viemos manifestar aqui na estrada, como forma de pressionar os nossos dirigentes a regularizar este assunto, caso contrário isso vai piorar cada vez mais”.

Os motoqueiros suspeitam que o combustível esteja a ser vendido durante a noite a cidadãos estrangeiros e a viaturas governamentais, e reclamam da falta de explicação por parte dos gerentes das bombas.

“Por causa da falta de gasolina não está a ser fácil trabalhar. Quando entramos nas bombas percebemos que gasolina existe, mas não querem abastecer motorizadas. O problema é de mais de quatro meses e esperávamos que em setembro tivéssemos combustível. Dormimos lá até o dia seguinte, mas não conseguimos”. disse um dos manifestantes.

“Há duas semanas não consegui fazer a minha viagem em Caramacha, porque não conseguia abastecer a minha motorizada. Se não regularizarem, poderão enfrentar as consequências”, afirmou Castro Domingos, taxista numa das praças da cidade.

Outro motoqueiro que participava no protesto na EN1 comentou que “estamos há mais de quatro dias sem combustível. Somos pais, jovens e precisamos de dinheiro para sustentar. Quando procuramos saber com os gerentes, nunca nos dão resposta. Notamos que existem viaturas com matrícula estrangeira a transportar o mesmo combustível para os seus países. Se queres combustível de 200,00Mt (duzentos meticais) és obrigado a pagar mais 100,00. Se queres 6 litros, és obrigado a pagar 700,00Mt (setecentos meticais), por isso saímos para a rua para manifestar”.

Em menos de meia hora, uma força da Polícia da República de Moçambique (PRM) chegou ao local para desbloquear a estrada, removendo os obstáculos colocados pelos manifestantes para repor a transitabilidade de viaturas e pessoas. Apesar disso, os motoqueiros, acompanhados por alguns munícipes, insistiam em colocar pedras na via.

Posto esta situação, a esperança dos motoqueiros ficou o governador de Nampula, figura que eles explicam ser o governante sensato e com coração bom para resolver os problemas da sua população.

Nessa esperança, os motoqueiros foram parar em frente a residência oficial do governador, e este os recebeu, dialogou com os eles, para a satisfação dos mesmos.

Abdula pediu calma e explicou, em parte, a origem da crise de combustíveis, como também deixou claro que tal situação não deve dar espaço para oportunismo.

O governador prometeu continuar a defender o seu povo, dentro da justiça e honestidade. (Virgínia Emília)

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