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Na presente época chuvosa: CISLAMO vai apoiar com cestas básicas e material de construção 300 famílias vulneráveis em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Conselho Islâmico de Moçambique (CISLAMO), delegação provincial de Nampula, diz estar preocupado com a prevalência de famílias que continuam a construir em zonas de risco, alegando estarem a colocar em risco as suas próprias vidas.

Como forma de garantir protecção das mesmas, o Conselho Islâmico de Moçambique, em coordenação com parceiros de cooperação, prevê ajudar com cestas básicas, material de construção, insumos agrícolas e kits de pesca, um total de 300 famílias em situação de vulnerabilidade, nos distritos de Nampula, Mogovolas, Murrupula, Nacala, Meconta, Memba e Eráti.

De acordo com o Sheik Abdulmagid António, delegado do CISLAMO em Nampula, a iniciativa enquadra-se no âmbito de campanha solidária para com as famílias vulneráveis na presente época chuvosa.

Na mesma senda, o nosso interlocutor garantiu que, numa primeira fase, serão abrangidas as zonas rurais. (Virgínia Emília)

Governo prevê expansão do transporte escolar BAZA para a cidade de Nampula até Agosto de 2027

Maputo (IKWELI) – O Governo prevê expandir o projecto de transporte escolar BAZA para a cidade de Nampula até Agosto de 2027, no âmbito das recomendações da Segunda Sessão do Conselho Coordenador do Ministério dos Transportes e Logística, que estabelece a mobilidade como uma das prioridades para melhorar os serviços de transporte e beneficiar as populações.

A iniciativa enquadra-se nos esforços do Governo para melhorar a mobilidade e assegurar que os serviços de transporte respondam às necessidades da população. Para o efeito, foi definido Agosto de 2027 como prazo para a expansão do projecto BAZA à cidade de Nampula.

No encerramento da sessão, na quinta-feira (15) o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, reafirmou o compromisso do governo de acompanhar sistematicamente a execução das recomendações, sublinhando que o sucesso das decisões depende do cumprimento dos prazos e da apresentação de resultados concretos.

O dirigente apelou ainda aos sectores envolvidos para assumirem as suas responsabilidades na implementação dos projectos prioritários, destacando a necessidade de maior coordenação, capacidade de execução e prestação de contas.

Para além da expansão do transporte Baza, o ministro recomendou igualmente a execução da entrega e o início das operações do projecto-piloto de massificação do uso do Gás Natural Veicular, na Província de Inhambane, até Março de 2027. (Antónia Mazive)

Até Abril de 2027: IFEPOM deve apresentar roteiro para abertura do sector ferroviário ao investimento privado

Maputo (IKWELI) – O Instituto Ferro-Portuário de Moçambique, I.P. (IFEPOM), deverá preparar e submeter, até Abril de 2027, um roteiro detalhado para avaliar a capacidade da infra-estrutura ferroviária existente e definir as condições técnicas, operacionais, regulamentares e económicas para a participação de entidades privadas no sector ferroviário.

A iniciativa visa mobilizar investimentos, optimizar a utilização da rede e reforçar a competitividade dos corredores logísticos nacionais.

A recomendação foi feita pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, durante o encerramento do segundo Conselho Coordenador, realizado na quinta-feira (15), em Marracuene, província de Maputo. Na ocasião, o governante defendeu que o documento deve apresentar etapas de execução, prazos, responsabilidades institucionais e instrumentos de apoio à tomada de decisão, servindo de base para a implementação de medidas concretas.

“Não pretendemos um documento meramente conceptual. Precisamos de uma base técnica sólida que permita avançar para decisões de implementação, promover uma utilização mais eficiente da infra-estrutura ferroviária, mobilizar investimento e reforçar a competitividade dos corredores logísticos nacionais”, afirmou Matlombe.

No domínio da logística e dos corredores de desenvolvimento, o ministro defendeu a necessidade de transformar as vantagens geográficas de Moçambique em ganhos concretos de competitividade. Segundo explicou, os corredores de Maputo, Beira e Nacala devem funcionar como plataformas de desenvolvimento económico, assegurando a ligação eficiente entre portos, caminhos-de-ferro, estradas, fronteiras e centros de produção.

Matlombe apelou ainda ao reforço da coordenação entre os diferentes modos de transporte, à melhoria da previsibilidade dos serviços e à identificação de medidas concretas para reduzir o tempo e os custos de movimentação de mercadorias. Sublinhou que as recomendações do segundo Conselho Coordenador devem ser traduzidas em planos de implementação com prioridades definidas, responsabilidades claras e metas mensuráveis, de modo a permitir o acompanhamento rigoroso da execução das actividades e dos projectos.

Apesar dos desafios existentes, o governante considerou que Moçambique dispõe de instituições, quadros técnicos e projectos estruturantes capazes de contribuir para o desenvolvimento do país. Por isso, apelou à coesão, à colaboração e ao compromisso de todas as instituições, defendendo o reforço da cooperação intersectorial, a partilha de soluções e a eliminação de barreiras institucionais.

Matlombe sublinhou, por fim, que o interesse público deve prevalecer sobre as conveniências particulares de cada instituição, uma vez que, apesar das diferentes atribuições, todas partilham a missão de servir o cidadão e contribuir para o desenvolvimento nacional. (Antónia Mazive)

Vinte e três jovens beneficiam de kits para o autoemprego

Nampula (IKWELI) – Pelo menos 23 jovens, das províncias de Nampula e Cabo Delgado, beneficiaram de kits de autoemprego do Instituto Nacional de Emprego (INEP), uma estratégia que visa combater o desemprego juvenil.

A entrega foi feita na sexta-feira (16), pelo o ministro da Juventude e Tecnologia, Caifadine Manasse, durante a inauguração da Incubadora de Empreendedorismo Juvenil de Nampula, que contou com a participação dos representantes das embaixadas de Portugal e Alemanha, assim como estruturas governamentais e privadas.

Segundo a coordenadora do projeto mais emprego, Ana Cristina, os kits que foram dados aos beneficiários vai permitir aumentar o Empreendedorismo dos jovens de Nampula e Cabo Delegado. “Vai apostar na criação e na aceleração do autoemprego juvenil sobretudo nos sectores estratégicos e áreas inovadoras,” disse Ana Cristina do mais emprego.

Por sua vez, o director do Gabinete do governador, Calquer Nuno de Albuquerque, defendeu que a inauguração da incubadora de Empreendedorismo Juvenil é uma iniciativa de louvar porque vai responder às preocupações que o governo enfrentava sobre o desemprego.

“Temos muitos jovens que querem trabalhar, que procuram uma oportunidade para iniciar uma actividade, mas que encontram dificuldades e muitas vezes não conseguem ultrapassar sozinhos, por conta da falta de financiamento, formação, acompanhamento e por muitas vezes também os instrumentos essenciais para iniciar uma atividade e esta incubadora pode ajudar a ultrapassar algumas destas situações.”

Enquanto isso, Ruth Paradzai, em representação dos beneficiários dos kits, agradeceu a iniciativa do programa Meu kit meu emprego, “Para nós esta iniciativa representa mais do que atribuição de equipa, isso vai permitir que a gente faça desenvolver as nossas comunidades. A nossa participação neste processo permitiu adquirir conhecimentos e compreender melhor as responsabilidades que acompanham esta oportunidade, agradecemos a todas instituições envolvidas pelo apoio e o trabalho desenvolvido ao longo das diferentes etapas.”

O ministro da Juventude e Tecnologia, Caifadine Manasse, por sua vez, apelou aos beneficiários dos kits a usarem o material com muita responsabilidade, “Os kits que acabaram de receber são kits que têm que levar com muita responsabilidade, porque eles são mesmo para criar o autoemprego e o autoemprego é para criar condições primeiro para aquele que recebeu o kit e segundo para os próximos e aí vamos reduzir a pobreza,” disse acrescentando que, “Os jovens de Nampula têm que aproveitar esta infraestrutura, nós criamos estas condições para que o jovem venha a esta incubadora para serem orientados a fazer negócio e projeto, isto porque, só fazendo projetos com uma orientação é que nós podemos portar as nossas ideias para massificar as nossas ideias para que virem uma realidade.” (Hermínio Raja)

“O que lhes falta, frequentemente, é um por onde começar?” Eduardo Mariamo Abdula, na apresentação dos beneficiários do acredita emprega

Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, apelou, neste sábado (17) a necessidade de mentoria e orientação dos jovens para melhorarem e alinhar os seus pensamentos e iniciativas empreendedoras.

Abdula falava na cerimônia de apresentação dos beneficiários do programa governamental “acredita emprega”, edição 2026, dirigida pelo ministro moçambicano da Juventude e Desporto.

O governador começou por recordar que “Nampula é uma Província jovem. Essa juventude é uma das nossas maiores riquezas, mas representa também uma enorme responsabilidade,” tanto é que “todos os anos, milhares de jovens procuram uma oportunidade para trabalhar, iniciar um negócio, conquistar a sua independência económica e ajudar as suas famílias. Muitos têm ideias, capacidade e vontade de trabalhar. O que lhes falta, frequentemente, é um “por onde começar?” É precisamente por isso que programas como o Acredita Emprega são tão importantes.

Aos beneficiários, o governador chamou atenção para maior e melhor empenho com os apoios que são providos pelo governo. “O apoio que vão receber não é uma garantia de sucesso. É um ponto de partida. O sucesso dependerá, em grande medida, do vosso empenho, da vossa disciplina e da capacidade de transformar aquilo que aprenderem em actividades que produzam resultados. Queremos que daqui a algum tempo possamos encontrar entre vocês jovens que criaram os seus próprios negócios, que conquistaram a sua independência e que, por sua vez, começaram a dar emprego a outros jovens. Esse será o verdadeiro sucesso deste programa.” (Redação)

Arrancam obras da fábrica que vai produzir mais de trezentas toneladas de farinha de trigo por dia em Nacala

Nacala (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, lançou, nesta sexta-feira (16), a primeira pedra das obras de construção da fábrica de trigo da Capital Food na cidade de Nampula, empreendimento que espera produzir, por dia, mais de 300 (trezentas) toneladas.

“Estamos aqui hoje para participar no lançamento da primeira pedra da unidade industrial da Capital Foods, em Nacala. E, sendo absolutamente sincero, não podíamos estar aqui com mais alegria do que aquela que nos aquece o coração neste momento. Este momento que vivemos hoje em Nacala é a materialização da visão de Sua Excelência o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, quando afirma que a próxima grande fronteira da nossa paz chama-se transformação estrutural da nossa economia, para produzir e acrescentar valor dentro do nosso país, gerando emprego para a nossa juventude e mulheres. É exactamente isso que estamos a fazer aqui hoje.”

Segundo Abdula, “ver nascer um empreendimento industrial desta dimensão, com tudo o que representa em termos de criação de emprego, de oportunidades para os nossos jovens, de dinamização das empresas locais e de crescimento da economia da nossa Província, é das coisas que mais nos animam e entusiasmam enquanto Governador. Porque é precisamente isto que queremos para Nampula: investimento que se transforme em emprego, em rendimento para as famílias e em melhores condições de vida para a nossa população.”

Num outro desenvolvimento, o governador precisou que “a Capital Foods não é uma empresa que esteja a dar os primeiros passos em Moçambique. Está presente no nosso país desde 2010, com operações na cidade da Beira. São mais de quinze anos de experiência.

E é precisamente por isso que a decisão de investir em Nacala assume um significado especial. Quando uma empresa que conhece bem a realidade moçambicana decide expandir para Nampula, está a dar-nos uma demonstração concreta de confiança no potencial económico da nossa Província.”

 O governador apontou, na ocasião, as potencialidades da província, que são mais do que suficientes para mobilizar investimentos. (Redação)

Governador de Nampula convida homens a envolverem-se activamente no planeamento familiar 

Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariano Abdula, destacou, nesta sexta-feira (16), que o planeamento familiar não deve ser tarefa exclusiva da mulher, convidando aos homens para envolverem-se activamente na prática.

O governador, que falava durante a Reunião Provincial de Advocacia para o Planeamento Familiar, lembrou a necessidade de se abordarem estratégias que reduzam o número de nascimentos a nível da província.

“Nampula é uma província de famílias numerosas, e os filhos são para nós uma bênção, são a nossa continuidade, a nossa força. Quando falamos de planeamento familiar não estamos a falar contra a família, estamos a falar a favor da saúde da família, a nossa própria fé e a tradição já nos ensina o que é planear. O livro sagrado recomenda que as mães amamentem seus filhos durante dois anos completos, e a ciência confirma o que a fé já sabia,” disse o governador

Ainda na ocasião, Abdula mostrou-se preocupado com as consequências trazidas pela falta de planeamento na vida das raparigas. “1 em cada 3 raparigas torna-se mãe antes dos 18 anos, muitas abandonam a escola e seus sonhos, tornando-se mais vulneráveis, por isso dizemos que o planeamento familiar não é apenas uma questão de saúde, é uma questão de dignidade, responsabilidade e acima de tudo de oportunidades.”

Aos homens, a recomendação foi clara, que também adiram ao planeamento familiar. “Queremos fazer um apelo especial aos homens de Nampula, se os filhos são de ambos, porque razão há-de caber apenas a mulher a responsabilidade de fazer o planeamento familiar. Um verdadeiro homem, protege a saúde da sua família. Esta reunião não deve servir apenas para repetir aquilo que todos já sabemos, os problemas já estão identificados, conhecemos as barreiras sociais, as limitações nos serviços, o que precisamos agora é de respostas e compromisso,” fincou. 

A Directora Provincial de Saúde, Selma Xavier, por sua vez, garantiu que o encontro abre espaço para advocacia, discussão sobre a mortalidade materna, assim como o emponderamento das famílias, dos jovens e das meninas em particular.  (Felismina Maposse *Foto: Belto Samuel)

Riqueza natural e direitos humanos em debate no norte do país

Pemba (IKWELI) – Encontros realizados em Pemba discutem a distribuição dos benefícios da exploração dos recursos naturais, as responsabilidades do Governo e das empresas e a participação das comunidades nas decisões sobre o desenvolvimento local.

Emprego para os jovens, água perto de casa, unidades sanitárias mais próximas das populações e maior participação nas decisões sobre os recursos naturais. Estas foram algumas das principais preocupações apresentadas durante a Semana de Negócios e Direitos Humanos, realizada na cidade de Pemba, onde representantes do Governo, empresas, sociedade civil e comunidades discutiram como transformar a riqueza natural de Cabo Delgado em melhores condições de vida para as populações.

Promovida pelo Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), no âmbito do Programa Cidadania, Negócios e Direitos Humanos (CNDH-MOZ), financiado pela União Europeia, a iniciativa decorreu entre 8 e 10 de Outubro de 2026 e compreendeu dois momentos principais. O primeiro foi uma conferência provincial dedicada aos desafios da exploração dos recursos naturais e à protecção dos direitos humanos. O segundo marcou a instalação do Grupo de Trabalho Provincial sobre Negócios e Direitos Humanos, criado para promover o diálogo entre o Governo, as empresas, a sociedade civil e as comunidades, procurando soluções para os problemas identificados nas zonas de exploração.

Embora realizados em Cabo Delgado, os encontros levantaram questões igualmente relevantes para Nampula e outras províncias do Norte do país, onde a exploração dos recursos naturais convive com dificuldades de acesso ao emprego, aos serviços públicos e às oportunidades económicas.

A conferência, subordinada ao tema «Direitos Humanos e Inclusão como Alavancas para a Criação de Valor», deu continuidade ao diálogo nacional realizado a 7 de Outubro, na Embaixada do Reino dos Países Baixos, em Maputo. Em Pemba, a discussão aproximou-se das preocupações vividas pelas comunidades que acolhem os investimentos.

Comunidades querem participar nas decisões sobre a utilização das receitas dos recursos naturais

A forma como os benefícios da exploração dos recursos naturais chegam às comunidades esteve entre os assuntos que mais marcaram a conferência. Os representantes comunitários defenderam que as populações devem ter oportunidade de identificar as suas necessidades e participar na escolha dos investimentos, em vez de serem chamadas apenas para validar decisões já tomadas.

Maria Namarocolo, presidente da Plataforma das Organizações da Sociedade Civil, e o presidente do Comité de Gestão de Recursos Naturais de Namanhumbir, no distrito de Montepuez, chamaram a atenção para a distância entre a riqueza produzida nas zonas mineiras e as condições de vida das famílias que nelas residem.

Para os representantes, não basta saber quanto os projectos extractivos produzem ou quanto contribuem para as receitas públicas. É igualmente importante perceber que benefícios chegam às comunidades e até que ponto estas conseguem influenciar a aplicação dos recursos destinados ao seu desenvolvimento.

Uma das principais preocupações esteve relacionada com os 2,65% das receitas provenientes da exploração dos recursos naturais destinados às comunidades locais. Segundo os relatos apresentados, a transferência destes fundos tem registado interrupções e atrasos prolongados, dificultando a realização de investimentos considerados prioritários pelas populações.

Os representantes afirmaram ainda que, mesmo quando os recursos são disponibilizados, nem sempre as comunidades participam efectivamente na escolha dos projectos. Em algumas situações, segundo explicaram, as autoridades distritais apresentam propostas praticamente definidas, ficando as populações com a possibilidade de as validar, mas com pouco espaço para discutir outras prioridades.

Jovens reclamam oportunidades de emprego e formação profissional

A falta de oportunidades de emprego para os jovens das comunidades que acolhem os grandes projectos extractivos foi outra preocupação levantada durante o encontro.

Os representantes comunitários questionaram o facto de muitos postos de trabalho serem ocupados por pessoas provenientes de outras regiões do país, enquanto jovens locais continuam sem acesso às oportunidades económicas criadas pela exploração dos recursos naturais.

As intervenções incluíram ainda denúncias de alegadas mortes de crianças e baleamentos de mineradores artesanais nas zonas mineiras. As circunstâncias destes episódios não foram esclarecidas durante o encontro, pelo que os relatos exigem investigação independente para apurar os factos e eventuais responsabilidades.

Apesar das preocupações apresentadas, os representantes comunitários reconheceram melhorias no relacionamento entre a Montepuez Ruby Mining (MRM) e as comunidades. Consideraram, no entanto, que os espaços de diálogo se tornaram menos regulares e defenderam a retoma de encontros com participação das empresas, autoridades, sociedade civil e representantes locais, para acompanhar reclamações e verificar as respostas dadas aos problemas identificados.

Montepuez Ruby Mining defende maior clareza nas responsabilidades do Governo e das empresas

A Montepuez Ruby Mining (MRM) reafirmou, durante a conferência, que o respeito pelos direitos humanos constitui uma responsabilidade das empresas e não deve depender da aprovação do Plano Nacional de Acção sobre Negócios e Direitos Humanos.

A empresa reconheceu, contudo, a importância do Plano para estabelecer orientações comuns e clarificar as obrigações das instituições públicas, das empresas e dos demais intervenientes.

Na sua intervenção, a MRM chamou a atenção para problemas sociais e económicos que, segundo a empresa, já existiam nas zonas mineiras antes da instalação dos grandes investimentos. A mineração artesanal em Namanhumbir foi apresentada como exemplo das dificuldades que envolvem a pobreza, a falta de emprego e a protecção das crianças.

A empresa referiu que algumas crianças encontradas em áreas de mineração artesanal podem já estar afastadas da escola e inseridas em famílias com dificuldades de subsistência. Na perspectiva apresentada, estas situações exigem respostas que vão além da fiscalização das operações mineiras, incluindo medidas públicas de educação, protecção social e criação de oportunidades económicas.

A MRM defendeu que as empresas devem responder pelos impactos das suas actividades, cumprir as obrigações fiscais, laborais, sociais e ambientais e contribuir para a criação de emprego. Sustentou, porém, que não podem assumir isoladamente a responsabilidade pela resolução de problemas estruturais como a pobreza, o desemprego e a insuficiência de serviços públicos.

Ao Governo, segundo a posição apresentada, compete assegurar que as receitas arrecadadas sejam aplicadas em escolas, unidades sanitárias, estradas e outras infraestruturas necessárias ao desenvolvimento das comunidades.

A discussão evidenciou que as responsabilidades do Estado e das empresas são diferentes, mas complementares. O pagamento de impostos e outras contribuições não afasta a obrigação empresarial de prevenir impactos negativos e reparar danos pelos quais seja responsável. Da mesma forma, cabe ao Estado garantir que a riqueza gerada pela exploração dos recursos naturais contribua para melhorar os serviços públicos e proteger os direitos das populações.

Governo prevê aprovação do Plano Nacional de Acção até ao início de 2027

O Governo moçambicano espera aprovar o Plano Nacional de Acção sobre Negócios e Direitos Humanos ainda em 2026 ou, no máximo, no início de 2027.

A previsão foi apresentada por Rosalina Cossa, chefe do Departamento de Assuntos Transversais da Direcção Nacional de Cidadania e Direitos Humanos, do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos.

A responsável explicou que o documento continua a ser aperfeiçoado, tendo destacado a necessidade de reforçar as disposições relacionadas com a participação e a protecção das pessoas com deficiência.

Rosalina Cossa manifestou igualmente abertura para continuar a trabalhar com as organizações da sociedade civil na conclusão do processo, reconhecendo a importância dos seus contributos para a construção de um instrumento que responda aos desafios enfrentados pelas comunidades.

O Plano deverá orientar a actuação do Estado e das empresas na prevenção dos riscos associados às actividades empresariais, na protecção dos direitos humanos e no acesso a mecanismos de reclamação e reparação.

Durante os encontros, os participantes chamaram também a atenção para a necessidade de assegurar que a aprovação do documento seja acompanhada de condições para a sua implementação. A formação dos funcionários públicos, o reforço dos serviços responsáveis pela fiscalização e a participação efectiva das comunidades foram identificados como aspectos importantes para que o Plano produza resultados.

Cabo Delgado instala Grupo de Trabalho sobre Negócios e Direitos Humanos

A Semana de Negócios e Direitos Humanos ficou igualmente marcada pela realização da primeira reunião do Grupo de Trabalho Provincial, concebido como um espaço de diálogo entre instituições públicas, empresas, organizações da sociedade civil e comunidades.

A iniciativa pretende criar condições para que os problemas relacionados com as actividades empresariais sejam discutidos de forma regular, permitindo identificar possíveis soluções e acompanhar as respostas das instituições competentes.

Durante a reunião, foi proposta a participação do Governo Provincial e dos serviços responsáveis pela justiça, ambiente, economia, finanças e recursos naturais. Foi igualmente discutida a integração da Polícia da República de Moçambique e do Serviço Nacional de Investigação Criminal, bem como a possibilidade de envolver os serviços de migração.

O Grupo deverá funcionar segundo as regras de Chatham House, que permitem utilizar a informação partilhada durante as reuniões sem revelar publicamente a identidade ou a afiliação de quem a forneceu. Pretende-se, desta forma, criar um ambiente de confiança que favoreça discussões abertas sobre questões sensíveis.

A participação das comunidades voltou a merecer atenção. Os intervenientes alertaram para situações em que as consultas públicas se limitam ao cumprimento de formalidades, sem oferecer às populações oportunidades reais de influenciar as decisões.

Defenderam, por isso, que as comunidades tenham acesso à informação, possam apresentar propostas e recebam esclarecimentos sobre a forma como os seus contributos são considerados pelas instituições.

Nas actividades participaram também representantes provinciais da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, do Provedor de Justiça e do Instituto do Patrocínio e Assistência Jurídica (IPAJ).

As instituições chamaram a atenção para as dificuldades que enfrentam na identificação e no acompanhamento de possíveis violações de direitos humanos. Segundo as intervenções, muitas situações não chegam aos mecanismos formais de denúncia, o que limita a possibilidade de intervenção dos serviços competentes.

A necessidade de reforçar a formação dos funcionários, melhorar os canais de reclamação e aproximar os serviços públicos das comunidades esteve entre as preocupações identificadas.

A instalação do Grupo de Trabalho representa, assim, uma oportunidade para dar continuidade às discussões iniciadas na conferência e criar um espaço mais próximo dos problemas enfrentados pelas populações.

Para as comunidades, contudo, o principal resultado não será apenas a realização de novas reuniões. Será a capacidade de obter respostas para as preocupações apresentadas, participar nas decisões sobre os recursos naturais e perceber melhorias concretas nas suas condições de vida.

O desafio que fica para o Governo, as empresas e a sociedade civil é transformar o diálogo em medidas que cheguem às zonas de exploração, assegurando que a riqueza produzida em Cabo Delgado se traduza também em oportunidades de desenvolvimento para as populações que vivem nesses territórios.(Redação)

Novo director da EMUSANA mantem aposta da edilidade em construir um aterro sanitário

Nampula (IKWELI) – Artur Afonso, que dirige a Empresa Municipal de Saneamento de Nampula (EMUSANA), no maior centro urbano do norte de Moçambique, garante que esforços continuam a ser empreendidos para que um aterro sanitário seja construído naquela autarquia.

Segundo disse a imprensa, actualmente já existe o espaço, de cerca de 25 hectares, onde será erguida a infra-estrutura, mas ainda faltam fundos para a execução do projecto.

“Temos que esclarecer que na cidade de Nampula ainda não temos aterro sanitário, temos um espaço de 25 hectares que pretendemos construir o nosso aterro sanitário, este é um projecto que já existe e estamos a trabalhar para sua execução,” disse a fonte em colectiva de imprensa, concluindo que “neste momento, a gestão dos nossos resíduos sólidos é feita na nossa lixeira, no lado de Natikiri.” (Hermínio Raja)

Duas raparigas violadas sexualmente em Carrupeia

Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (HCN), maior unidade da região norte de Moçambique, registou a entrada de dois casos de violação sexual de raparigas de 14 e 15 anos de idade, durante o último fim-de-semana na zona de Carrupeia, no bairro de Napipine.

Falando a imprensa, o porta-voz do HCN, António Carlos, disse estar preocupado com casos do género. “A violação das menores foi comprovada, receberam os tratamentos médicos e regressaram às suas casas, infelizmente temos recebido vários casos desta natureza.”

Por fim, Carlos assegurou que os casos foram encaminhados e denunciados ao Gabinete de Atendimento à Família e Menores Vítimas de Violência, visando a identificação e responsabilização dos agressores. (Nelsa Momade)