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Reitor da UniRovuma defende avaliação permanente das instituições de ensino superior

Nampula (IKWELI) – A necessidade de reforçar os mecanismos de garantia da qualidade no ensino superior voltou a estar em destaque, com o reitor da Universidade Rovuma (UniRovuma), Mário Jorge Brito dos Santos, a defender que todas as Instituições de Ensino Superior (IES) do país participem de forma ativa nos processos de avaliação conduzidos pela Comissão Nacional de Avaliação e Qualidade (CNAQ).

Em entrevista de balanço sobre a participação da UniRovuma nas actividades de avaliação institucional, publicada na página da rede social Facebook da instituição, Brito dos Santos considerou que a submissão da documentação exigida pela CNAQ representa um passo essencial para elevar os padrões de qualidade do ensino superior em Moçambique e fortalecer a credibilidade das instituições.

O posicionamento do reitor, de acordo com a mesma publicação, surge numa altura em que a CNAQ continua a incentivar maior adesão das universidades, institutos e escolas superiores aos processos de avaliação. Durante um encontro nacional realizado no ano passado, na cidade de Nampula, a entidade manifestou preocupação com o facto de algumas instituições, públicas e privadas, ainda não submeterem os seus processos para apreciação.

Para o dirigente da UniRovuma, a melhoria contínua das instituições passa por avaliações periódicas e cada vez mais exigentes, abrangendo aspetos como a qualificação do corpo docente, as condições laboratoriais, os equipamentos e outros requisitos indispensáveis para a formação de profissionais competentes.

“A avaliação das nossas instituições é necessária para alcançarmos esse desiderato, que é o ensino de qualidade”, acrescentou o reitor da UniRovuma, destacando que “não podemos continuar a nos excluir desse processo, pois o que está em causa é o presente e o futuro da aceitação do nosso ensino no panorama nacional e internacional”.

Brito dos Santos assegurou que a UniRovuma mantém uma postura de abertura e cooperação com a CNAQ, sublinhando que a instituição está preparada para responder a qualquer processo de avaliação que lhe seja solicitado. Como exemplo dessa disponibilidade, referiu a recente visita de uma equipa da comissão para avaliar dois novos cursos que a universidade pretende introduzir na sua oferta formativa. (Malito João)

Retomada circulação na ER698 província de Cabo Delgado

Pemba (IKWELI) – Está, desde a última quinta-feira de julho findo, reposta a circulação de transeuntes e viaturas na estrada ER-698 que liga os distritos de Mueda e Montepuez na província de Cabo Delgado, após 5 professores terem sido interceptados por um grupo de terroristas quando seguia para uma capacitação no distrito de Montepuez.

Segundo informações a que o Ikweli teve acesso, o grupo de terroristas, em número não especificado, estava munido de armas de fogo de diversos calibres como AK-47, PK e RPG-7 com uniforme das forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), força local e dos fiscais de Kambaco Safari, e falava as línguas muani, suahili, maconde e macua.

Uma fonte policial informou a nossa equipa que as vítimas eram levadas para as matas e os que foram libertos o fizeram sob a condição de pagamento de 35.000,00Mt (trinta e cinco mil meticais) cada, totalizando 175.000,00Mt (cento e setenta e cinco mil meticais).

A via em questão é uma alternativa para quem não pode usar a EN380 para chegar aos distritos da região norte de Cabo Delgado, onde normalmente encontra-se posicionada uma escolta militar. (Redação)

Mogincual chama comunidades a defenderem a floresta

Nampula (IKWELI) – O governo do distrito de Mogincual, em Nampula, reforçou o apelo a gestão sustentável dos recursos florestais durante uma consulta comunitária realizada na localidade de Mepeone, posto administrativo de Quixaxe.

O encontro reuniu líderes comunitários, população e autoridades distritais para discutir formas de garantir uma exploração responsável da floresta e assegurar que os benefícios cheguem as comunidades locais.

Na ocasião, o administrador do distrito, João Bento Zampula, destacou que a consulta comunitária é um instrumento essencial para promover a transparência na exploração dos recursos naturais e incentivar a participação ativa da população.

O dirigente recordou que 20% das receitas provenientes da exploração florestal revertem para as comunidades, devendo ser investidas em projetos de desenvolvimento local.

Durante o encontro, as autoridades alertaram para os riscos da exploração ilegal da floresta e das queimadas descontroladas, apelando ao reforço da vigilância comunitária e à denúncia de práticas que colocam em causa a conservação dos recursos naturais.

A população, por sua vez, manifestou preocupação com a proteção do património florestal e comprometeu-se a colaborar na sua preservação.

A iniciativa contou ainda com a participação do administrador do distrito de Liupo, César Nacuo, que partilhou experiências sobre gestão comunitária dos recursos naturais e conservação ambiental.

O intercâmbio entre os dois distritos foi apontado como uma oportunidade para fortalecer boas práticas de governação local e promover o uso sustentável das florestas. (Malito João)

Por consumidores de makha em Muatala: Líderes comunitários denunciam ameaças de morte e agressões físicas

Nampula (IKWELI) – Pelo menos 14 líderes comunitários da Unidade Comunal de Micolene, no bairro de Muatala, posto administrativo com o mesmo nome, nos arredores da cidade de Nampula, denunciam casos frequentes de ameaças de morte e agressões físicas protagonizadas por consumidores de drogas.

A situação obriga-os a abandonarem as suas residências durante a noite por receio de ataques e passam em residências de seus familiares, amigos e conhecidos longe de suas casas.

Augusto Feda, líder do 2º escalão naquela circunscrição, foi que denunciou o facto Ikweli, e, segundo explicou, os episódios tiveram início durante as manifestações de outubro de 2024, mas agravaram-se nas últimas semanas, impedindo a liderança local de viver com tranquilidade e de desfrutar do convívio familiar, devido ao constante receio de assaltos e agressões.

De acordo com a fonte, só este ano quatro líderes comunitários foram agredidos e espancados gravemente enquanto exerciam as suas funções. Alguns tiveram de abandonar as suas residências por temerem novos ataques de indivíduos alegadamente consumidores de drogas, como a soruma e a conhecida droga “makha”, que estariam descontentes com as acções de combate ao consumo dessas substâncias e a criminalidade desenvolvidas pelas autoridades comunitárias.

Augusto Feda considera preocupante a onda de perseguições, ameaças de morte e agressões físicas contra os líderes comunitários, numa altura em que a liderança local, em coordenação com o posto policial comunitário, tem realizado ações de vigilância noturna para combater a criminalidade que tem semeado o terror naquela circunscrição.

“Estamos a enfrentar uma situação muito difícil por causa da criminalidade. Já não conseguimos trabalhar como devíamos para combater este fenómeno, porque recebemos constantemente ameaças de agressão física e de morte, sobretudo durante a noite. Já tivemos colegas que foram agredidos com catanas. Quando comunicamos os casos a polícia, muitas vezes os suspeitos não são capturados. Sofremos com indivíduos que consomem álcool e drogas, que já não respeitam a liderança comunitária. Basta saberem onde mora um líder para tentarem invadir a sua casa. Até agora, desconhecemos a verdadeira causa deste comportamento”, explicou Augusto Feda, líder comunitário do 2.º escalão.

Augusto Feda acrescentou que o agravamento das perseguições e ameaças também está relacionado com a escassez de meios de trabalho para os agentes da polícia comunitária, como armas, pistolas e outros equipamentos. “Já não conseguimos dormir em paz. Somos perseguidos e ameaçados por jovens consumidores de drogas e por indivíduos embriagados. Além disso, não temos meios para nos defender. Não dispomos de armas nem de pistolas. Quando um líder sai apenas com uma catana, corre o risco de lhe ser retirada e de ser atacado com a sua própria arma”, lamentou.

Na ocasião, a fonte apelou ao reforço da presença e do apoio da Polícia da República de Moçambique (PRM), com vista a garantir maior segurança aos líderes comunitários e protegê-los das constantes agressões. (Virgínia Emília)

Mogincual: Novo presidente da associação de futebol local promete massificar a modalidade

Nampula (IKWELI) – Critério Mualape, jornalista de profissão, tomou posse, na última sexta-feira (31.8), como novo presidente da Associação Distrital de Futebol de Mogincual, na província de Nampula, com a missão de massificar modalidades e práticas desportivas.

“Por enquanto, vamos realizar um campeonato a nível da vila de Liupo, com duração de 4 meses e vamos criar 12 equipas para massificar o desporto, uma vez que o desporto nos une, acolher os jovens que estão a se entregar em caminhos errados, então queremos acolher os mesmos para que não se desviem,” disse Mualape. 

Ele destacou ainda que um dos grandes objetivos é levar o distrito a disputar o Nampulense e ascender ao Moçambola. “O nosso grande sonho é de, pelo menos, uma equipa represente o nosso distrito no próximo ano,” realçou.

Entretanto, o presidente mostrou-se preocupado com o fraco investimento nas infraestruturas desportivas daquela vila, tomando como exemplo a falta de condições no campo. “Até este mesmo campo tinha sido emprestado para a classe desportiva, portanto, quero pedir ao nosso governo que nos dê um campo adequado.”

Na ocasião, o director dos Serviços DistritaIs de Educação, Juventude e Tecnologia de Liupo, Júlio Frederico António, afirmou que o sector da educação se compromete a avançar com as diretrizes do desporto, e existe um plano de acção para visitar todos os campos do distrito que conta com um total de 78 equipas que praticam o desporto.

“O nosso compromisso é apoiar estas equipas naquilo que estiver em nosso alcance, em particular o material desportivo. Também nos comprometemos em assistir os campos, nas últimas visitas encontramos campos mal localizados e achamos que é preciso encontrar espaços apropriados,” disse António.

O dirigente do sector da educação, frisou que há muita vontade da juventude em praticar o desporto. (Francisco Mário)

10 Processos crimes contra Pachoneia: Gamito dos Santos entende o cenário como uma perseguição política

Nampula (IKWELI) – O defensor de direitos humanos e director executivo da associação KÓXUKHURU, Gamito dos Santos, entende que os processos crimes contra o activista social Joaquim Pachoneia, mais conhecido por Jota Pachoneia, que se encontra preso na Penitenciária Provincial de Nampula, é uma perseguição política.

O membro da Associação Mentes Resilientes, Jota Pachoneia, foi detido na primeira semana do mês de Fevereiro do ano em curso com 7 processos crimes, e no final do mês de Julho a comunidade de activistas sociais ficou chocada com os actuais 10 processos crimes que pesam sobre o activista.

Em entrevista exclusiva, Gamito dos Santos, que se encontra em parte incerta por questões de segurança, explicou ao Ikweli que alguns governantes estão a se aproveitar da situação de Pachoneia para fazerem das suas.

“Como podem afectar os processos do Jota Pachoneia futuramente, é uma matéria jurídica. Mas como activista eu posso dizer que estamos aqui perante uma situação de perseguição política que estão a submeter aproveitando-se do momento, e isso chama-nos a razão de como proceder em vários casos nas próximas vezes,” disse o director da KÓXUKHURU.

Para dos Santos, entre as pessoas que estão a aproveitar-se da situação do Jota Pachoneia, consta o político Henriques Naweka, actual secretário da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLN) em Nampula e o proprietário do Hotel Plaza.

“O último processo que foi submetido, estou a ouvir dizer que tem a ver com o dono do Hotel Plaza, ele é quem submeteu o processo contra Pachoneia e o que ele está a ser acusado Pachoneia não sei, não estou a assumir que os processos contra Pachoneia sejam ilegítimos só o que me inquieta é o oportunismo destas pessoas.”

“Vejamos, o processo que tem a ver com o secretário da ACLLN, a situação aconteceu já há baste tempo, não há razões para depois da detenção do Pachoneia ele submeter o processo, porque não submeteu naquele mesmo tempo? As pessoas não podem ser oportunistas, aproveitar-se de momentos em apuros para resolver seus assuntos ou interesses pessoais,” então “eu não concordo com a forma como as pessoas estão a fazer os processos e fica a parecer uma acção coordenada e as coisas não podem acontecer assim,” frisou o activista social. (Hermínio Raja)

Mais de 40 pessoas com deficiência recebem meios de locomoção em Nampula

Nampula (IKWELI) – A edilidade da cidade de Nampula e a empresa Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) uniram esforços para devolver esperança a, pelo menos, 40 pessoas com deficiência, através da oferta de cadeiras de roda, triciclos e cestas básicas.

A entrega feita na manhã desta segunda-feira (03) representa, segundo, o autarca da cidade de Nampula, Luís Giquira, o esforço empreendido pelos seus parceiros de cooperação, na promoção da inclusão, solidariedade e justiça social.

Luís Giquira disse, igualmente, que a entrega de meios de locomoção, visa combater as barreiras físicas e sociais que impedem milhares de pessoas com dificuldades de locomoção de participar em actividades nas comunidades e nas instituições públicas e privadas, devido o seu estado físico.

Na ocasião, aquele dirigente apelou as pessoas que se beneficiaram dos meios e produtos alimentares a fazerem o devido uso, e que conquistem novas oportunidades de formação e trabalhos.

Já o director executivo norte da empresa Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Augusto Atumane, explicou que a iniciativa neste momento também está a decorrer nas regiões nortes e sul do país, com vista a ajudar a melhorar a locomoção das pessoas com alguma condição física.

Atumane disse que a iniciativa se insere nas celebrações do 231⁰ aniversário dos CFM, assinalados no passado dia 8 de Julho, e no cumprimento das promessas feitas pela organização a população.

A nossa equipe de reportagem entrevistou alguns dos beneficiários que se mostraram felizes com a iniciativa.

Belta Mário, por exemplo é residente do bairro de Muatala, contou ao Ikweli que o seu neto, de 9 anos de idade, poderá ganhar alguma independência. “Ele nasceu assim, mas com essa cadeira de roda me sinto feliz, e espero que ele continue a fazer assim, porque nós que não trabalhamos, não temos como ajudar, sofria muito, ele fazia tudo aí, mas assim muita coisa poderá mudar muito.”

Por outro lado, Albertina Luís, também encarregada de educação de dois menores de 12 e 14 anos de idade deficientes físicos, declarou que “estou muito feliz por receber este meio, porque o meu filho passava muito mal, só para ir à escola tinha que procurar alguém para lhe levar a escola e as vezes ficavam uma ou duas semanas sem ir à escola, e assim tinha que contratar um taxista que mensalmente tinha que pagar 1.500,00Mt (mil e quinhentos meticais).” (Virgínia Emília)

Para reforçar competitividade das PME’s: Docente da UniRovuma regressa do Japão com novas estratégias

Nampula (IKWELI) – O docente da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais (FACEE) da Universidade Rovuma (UniRovuma), António Piereque Vavelua, regressou, recentemente do Japão, após concluir uma formação dedicada à promoção da produtividade, inovação e competitividade das pequenas e médias empresas (PME’s).

A capacitação reuniu especialistas de vários países e centrou-se na aplicação de metodologias modernas de gestão voltadas para o desenvolvimento sustentável.

Durante a formação, Vavelua diz ter aprofundado conhecimentos sobre a filosofia japonesa “Kaizen”, reconhecida mundialmente por incentivar a melhoria contínua dos processos produtivos através da redução de desperdícios, do envolvimento permanente dos trabalhadores e da construção de uma cultura organizacional baseada na eficiência, qualidade e inovação.

Além da abordagem teórica, enquanto formando, o docente aprendeu ferramentas práticas como o sistema 5S, o ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act), gestão visual, padronização de processos, resolução sistemática de problemas e mecanismos para o fortalecimento da produtividade e da qualidade nas organizações.

“Como docente, os conhecimentos adquiridos representam uma oportunidade estratégica para fortalecer as actividades de ensino, investigação e extensão universitária, particularmente na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais, em particular, e na UniRovuma, em geral,” explicou a fonte.

O académico considera que a experiência permitirá actualizar os conteúdos curriculares da universidade, incorporando metodologias contemporâneas de gestão empresarial que respondam aos desafios actuais do mercado e da economia.

“Esta vai permitir ainda a introdução da ‘filosofia Kaizen’ nas disciplinas de Gestão, Empreendedorismo, Administração, Economia e Agronegócios, desenvolver projectos de investigação aplicada sobre a competitividade empresarial em Moçambique, entre outras áreas de conhecimento.”

A participação de António Piereque Vavelua nesta iniciativa internacional é vista como um reforço das capacidades técnicas e científicas da UniRovuma, com potencial para impulsionar a investigação, a formação de profissionais mais qualificados e a transferência de conhecimentos para o sector empresarial moçambicano. (Malito João)

Cabo Delgado: Exploração ilegal de madeira preocupa AQUA

Pemba (IKWELI) – A Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental (AQUA, IP), em Cabo Delgado, denunciou, na sexta-feira (31.07), a exploração ilegal da madeira naquela parcela do país, principalmente em zonas afetadas pelo terrorismo.

A denuncia foi feita pelo delegado da instituição, Achimo Francisco, no âmbito das celebrações do dia Internacional do fiscal de floresta e fauna bravia, quem explicou que trabalhos estão em curso, com vista a travar o acto que lesa o país em milhões de meticais. “Por causa da vasta fronteira com a Tanzânia, é possível que esta madeira esteja a ser retirada no país de forma ilegal, é um aspecto que procuramos trabalhar com as Forças de Defesa e Segurança, no sentido de podermos acautelar a exploração ilegal. Nós fizemos a apreensão no distrito de Mocímboa da Praia durante o primeiro trimestre de cerca de 2300 (dois mil e trezentas) pranchas de madeira processada, correspondente a oitenta metros cúbicos na espécie de chanfuta e umbila,” disse Francisco.

De acordo o delegado, como resultado da apreensão, houve multas e alguns infractores estão a responder pelo crime. “Temos um caso considerado grave em que o indivíduo fazia este processo de exploração ilegal de madeira no distrito de Mocímboa e as autoridades estão a investigar por onde levava.”

Para a fonte, existem algumas embarcações que vão ao Parque Nacional das Quirimbas transportando madeira e a agência tem chamado a razão de forma que trabalhem de forma legal, aproximando algumas comunidades licenciadas. (Francisco Mário)

Mocuba: Cristãos preocupados com o aumento da burla cibernética

Mocuba (IKWELI) – A comunidade cristã no distrito de Mocuba, na província da Zambézia, está preocupada com o crescente número de praticantes de burlas cibernéticas, conhecidos popularmente como “badueiros”, situação que tem estado a desgraçar muitas famílias.

A preocupação foi manifestada no domingo (2) pelo pároco da Igreja Católica em Mocuba, Abel Canada, durante uma missa por si celebrada, tendo apelado mais atenção da população e maior envolvimento no combate à este mal.

“É triste ver como estamos a normalizar esta situação dos badueiros na nossa cidade. Vemos crianças a trazer motorizadas e carros para as nossas casas e não fazemos nada. Meus irmãos, o futuro dos nossos jovens está comprometido por causa do imediatismo. O dinheiro fácil está a levar os nossos filhos para um caminho sem volta, e nós estamos apenas a assistir. É preciso tomarmos medidas para salvar estas crianças.”, disse alertando que crianças estão a virar bandidos.

Segundo o sacerdote, a cidade de Mocuba tornou-se num terreno fértil de crime cibernético devido ao crescimento da prática conhecida como “Bado”.

Segundo o líder religioso católico, em plena via pública, é comum observar jovens com idades entre os 15 e os 20 anos a circularem com carros e motorizadas alegadamente adquiridos através de burlas cibernéticas.

Na mesma ocasião, a administradora do distrito de Mocuba, Adelina Tavares, reforçou a necessidade de maior vigilância por parte das famílias. “Temos de ser vigilantes e acompanhar as nossas crianças para que não se percam e não tenham o seu futuro comprometido”, fortificou a mensagem sobre a luta contra os badueiros.

O Ikweli ouviu o senhor Zainadine Ossumane, pai de um jovem alegadamente envolvido em burlas cibernéticas. Este lamentou e manifestou preocupação pelo facto de o seu filho ter abandonado a escola.

“O meu filho já não vai à escola. Fica trancado no quarto a criar perfis falsos e a enganar pessoas, fazendo-se passar por mulher para conseguir dinheiro. Já comprou duas motorizadas. Sempre que converso com ele e digo que essa vida não é boa, falta-me ao respeito. A internet veio para prejudicar a vida dos nossos filhos porque eles não a estão a saber usar. Pedimos a quem de direito que nos ajude a acabar com este mal que nos tira o sono.”

Segundo relatos recolhidos, para obter dinheiro de forma rápida e fácil, os chamados “badueiros” submetem-se a rituais junto de curandeiros, os quais, alegadamente, exigem sacrifícios. Há ainda relatos de que alguns acabam por perder a vida em consequência dessas práticas. (Fátima Mugaveia)