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Escritor defende intercâmbio cultural na construção da identidade humana

Nampula (IKWELI) – O escritor Victor Eddy propõe o intercâmbio de culturas distintas na construção da identidade humana, sem deixar de lado os traços individuais.

Edy falava no sábado (8), num Webinar organizado pelo Grupo de Escritores de Nampula (GEN) sob tema “A dualidade entre a luz e sombra na construção de identidade humana”, uma temática que tinha como intuito a análise profunda sobre como as oposições internas junto com a cultura moldam a definição de um indivíduo e sociedade em geral.

Para o escritor, a identidade humana não é um bloco único ou estático, mas sim resultado de negociações constantes entre aquilo que as pessoas escolhem expor a sociedade e aquilo que preferem manter em oculto.

“A identidade humana é dinâmica e não estática, resultado das vivências que as pessoas vão adquirindo ao longo do tempo onde mesmo sem querer irá influenciar a forma de ser e estar,” disse na ocasião.

“Todas as culturas são ricas, apesar de serem diferentes, então não é momento de alguém se mergulhar numa determinada vivência, alguma coisa acaba mudando,” disse.

No entender do orador, o mais importante é cada um saber qual é a sua essência “até que mesmo se a pessoa vive mergulhada nos hábitos e costumes dos outros, conseguirmos notar que um determinado indivíduo não é de uma certa cultura,” realçou.

Edy anotou igualmente, que o processo criativo e a própria literatura funcionam como um espelho onde a “luz da nossa consciência ilumina as sombras coletivas e individuais,” frisou. (Francisco Mário)

Em 10 dias no HCN: Perto de 150 mulheres vão beneficiar de cirurgias de fistulas obstétricas

Nampula (IKWELI) – O especialista em Cirurgia Geral e Urologia e director da Focus Fístula, Dr. Igor Vaz, prevê realizar até 150 cirurgias de fístula durante uma campanha médica que decorre na província de Nampula ao longo de dez dias, envolvendo especialistas nacionais e estrangeiros de vários países.

Segundo este especialista, a campanha reúne médicos provenientes do Congo, Madagáscar, Camarões, Quénia, Itália, México e Argentina, com o objectivo de operar pacientes com fístulas e promover a troca de experiências entre os especialistas envolvidos.

“Temos mais de 290 pacientes vindos dos diversos distritos da província. Nós não vamos conseguir cumprir todos os casos, só temos três salas de operação e três especialistas que vão operar os casos complicados, então vamos tentar operar o máximo de casos que vieram,” garantiu Vaz.

Segundo explicou, a capacidade de atendimento dependerá da complexidade das fístulas apresentadas pelos pacientes, uma vez que alguns casos exigem várias horas de intervenção cirúrgica, enquanto outros podem ser resolvidos em menos tempo.

“A confiança é que algumas vezes temos fístulas simples, por isso é possível operar mais casos, mas outras vezes casos muito complexos. Tudo isso não vamos conseguir operar. Uma fístula completa pode durar seis horas, significa que vai ocupar todo o dia de operação. Uma fístula simples pode levar meia hora, uma hora. Então, nos dias que tivermos fístulas simples, cada cirurgião pode operar cinco fístulas; se tivermos fístulas complexas, cada cirurgião vai operar uma fístula”.

De acordo com Igor Vaz, a campanha estava inicialmente programada para decorrer durante cinco dias, mas foi prolongada para dez dias devido ao elevado número de pacientes que procuram atendimento especializado.

“A campanha vai iniciar hoje. Ontem a campanha iniciou com diagnóstico das doentes que primeiro devem ser observadas. Nós não comprometemos com números. Cirurgias complexas vão ser 30 (trinta) doentes, se forem todas simples, somos capazes de chegar a 150 (cento e cinquenta)”.

Para além da província de Nampula, o especialista revelou que a equipa médica já desenvolveu actividades na província de Sofala, tendo trabalhado igualmente no Hospital Geral da Beira, no âmbito das acções de tratamento e acompanhamento de pacientes com fístulas. (Malito João)

Defende o governador de Nampula: Proximidade à população é a mais clara forma de demostração da descentralização

Rapale (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, defendeu, nesta segunda-feira (10), no distrito de Rapale, que a descentralização deve aproximar os governantes das comunidades para permitir a identificação e resolução dos principais problemas que afectam a população.

A posição foi apresentada durante a cerimónia do Dia Africano da Descentralização, que contou com a participação de cidadãos provenientes de diferentes pontos da província.

Segundo Eduardo Abdula, a descentralização não deve ser confundida com actos de campanha ou comícios, deve constituir uma oportunidade para os dirigentes estarem no terreno e ouvirem directamente as preocupações da população. Para o governante, a presença das autoridades nas comunidades permite conhecer melhor as necessidades locais e encontrar respostas concretas.

Falando à população de Rapale, o governador reconheceu que o distrito enfrenta desafios relacionados com o acesso à água, energia eléctrica, estradas, saúde e disponibilidade de medicamentos nas unidades sanitárias.

Eduardo Abdula destacou ainda a necessidade de os sectores responsáveis apresentarem à população informações claras sobre as medidas previstas para responder a essas preocupações.

“Nós, os governadores, eu, governador, tenho que estar com meu povo aqui e tenho que saber quais são os problemas, aí sim vai valer a descentralização. Nós conhecemos os problemas de Rapale, temos a falta de água em Mutivaze, e temos estradas que não estão boas, a única estrada é essa. Mas também temos problemas de energia, muitos não conseguem fazer os seus trabalhos. Temos a falta de médicos e muitos centros de saúde não têm medicamentos. Descentralização é eu resolver esses problemas.”

O governador afirmou que o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, já conferiu aos governantes poderes para reforçar a intervenção nas comunidades, defendendo que os dirigentes dos sectores de saúde e educação devem deslocar-se à base para explicar à população quando e como serão solucionados os problemas existentes.

Num momento de interacção com a população, Eduardo Abdula agradeceu aos líderes comunitários e religiosos pela recepção e apelou para que a cerimónia fosse também marcada por um ambiente de união e celebração.

“Eu não gosto de ficar aqui em cima e meu povo estar aí, mas subi aqui para vocês me verem bem. Por isso, hoje não vamos falar de tristeza, vamos fazer música. Quero agradecer aos líderes comunitários e religiosos por nos terem recebido.” (Malito João)

Combate a uniões prematuras e consumo de “makha” Fevereiro exorta mulheres a serem mais vigilantes

Nampula (IKWELI) – A persistente ocorrência de casos de uniões prematuras, incluindo o tráfico e consumo de drogas, preocupa a administradora do distrito de Nampula, Etelvina Fevereiro, a qual apela as mulheres da circunscrição que dirige a ser mais vigilantes a esses fenómenos.

“Não deixem casar as meninas, ficarem grávidas muito cedo, porque ficar grávida enquanto criança prejudica a saúde e o futuro da própria criança. O lugar da menina e o rapaz é na escola.”

Fevereiro, ainda, reforçou que a responsabilização aos praticantes das uniões prematuras não deve falhar. “Nós temos esta tradição de fazer casar crianças muito cedo, e acabamos as prejudicando, esses homens que vão casar com as meninas, esses devem ir a cadeia,” concluiu Etelvina Fevereiro. (Virgínia Emília)

Nampula supera meta de produção no primeiro semestre

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula alcançou, no primeiro semestre do corrente ano, uma produção global de 101,46 mil milhões de meticais, correspondente a mais de 70% da meta anual estabelecida em 162,9 mil milhões de meticais, superando o referencial de 50% previsto para os primeiros seis meses do ano.

Os dados foram apresentados na manhã de sábado (8), pelo porta-voz do Conselho Executivo Provincial de Nampula, William Simão Tunzine, após a realização da X Sessão Ordinária do órgão, que avaliou, entre outros aspectos, o desempenho económico e social da província durante os primeiros seis meses do ano.

Segundo Tunzine, o desempenho alcançado demonstra uma evolução positiva da economia provincial, uma vez que, a metade do exercício económico, Nampula já tinha realizado cerca de 70% da produção global prevista para todo o ano.

O governante considera que os resultados colocam a província numa posição favorável para alcançar ou até superar a meta anual. “Nós estivemos reunidos na X Sessão Ordinária do Conselho Executivo Provincial de Nampula, e conversámos sobre diversos aspectos da vida da nossa província. Como sabem, há necessidade de os sectores falarem da produção global da nossa província. É preciso perceber que o principal indicador macroeconómico utilizado para aferir o desempenho da província é a produção global. Para o exercício económico de 2026, a província tinha uma meta fixada de 162,9 mil milhões de meticais. Estivemos a fazer a avaliação e chegámos a ter informação de que, como província, no primeiro semestre de 2026 foi alcançada uma produção na ordem de 101,46 mil milhões de meticais, o que representa cerca de 70% da nossa meta anual”, explicou Tunzine.

O porta-voz do Governo Provincial assegurou ainda que “esses números significam que, até Junho de 2026, a província de Nampula ultrapassou largamente o referencial esperado, que era de 50%. Na metade do ano, estamos acima de 50%”.

Na mesma ocasião, o director provincial do Plano e Finanças, Saimon Nacohi, abordou o desempenho da arrecadação de receitas, destacando que o Conselho Executivo Provincial tinha programado arrecadar cerca de 32 milhões de meticais durante o presente ano.

Segundo Nacohi, “do nosso lado, como Conselho Executivo Provincial, temos algumas atribuições na arrecadação de receitas, mas há um constrangimento que nós temos: ainda não foi definido, a nível nacional, qual é o perfil tributário dos Conselhos Executivos Provinciais”.

Nacohi acrescentou que existe ainda outro constrangimento relacionado com algumas taxas que eram cobradas pelos Conselhos Executivos Provinciais e que passaram para os Conselhos de Representação do Estado, por força da legislação.

Apesar dos constrangimentos, Nacohi assegurou que o Conselho Executivo Provincial continuará a trabalhar para melhorar a arrecadação de receitas durante o segundo semestre, enquanto o Governo Provincial procura ultrapassar os obstáculos existentes e consolidar o desempenho económico alcançado na primeira metade de 2026. (Malito João)

Mogincual luta contra “makha”

Nampula (IKWELI) – Mais de 1.500 pessoas saíram as ruas da vila de Mogincual, na província de Nampula, na manhã de sábado (8), numa marcha de sensibilização e repúdio ao consumo e tráfico de drogas, numa demonstração pública de união contra o avanço do consumo das substâncias ilícitas, sobretudo entre adolescentes e jovens.

Sob o lema “STOP MAKHA”, a marcha juntou alunos, pais e encarregados de educação, professores, funcionários públicos, membros do Governo do Distrito, associações juvenis e representantes da sociedade civil, que percorreram as principais artérias da vila exibindo dísticos e entoando cânticos de sensibilização sobre os riscos do consumo e tráfico de drogas.

Liderada pelo administrador do distrito de Mogincual, João Bento Zampula, a iniciativa destacou a necessidade de reforçar a vigilância comunitária e o envolvimento de diferentes sectores da sociedade na prevenção deste fenómeno.

Zampula declarou tolerância zero ao consumo e venda de drogas no distrito e apelou aos jovens para canalizarem as suas energias para actividades produtivas. “O lugar dos jovens é na escola, na pesca, na agricultura e no comércio”, frisou o administrador.

O dirigente defendeu ainda que o combate às drogas não deve ser responsabilidade exclusiva das autoridades, mas uma missão colectiva que envolve famílias, escolas, líderes comunitários, Governo, organizações juvenis e sociedade civil.

Durante a marcha, foram igualmente abordados os efeitos do consumo de drogas na saúde física e mental, na educação, na segurança e no futuro das novas gerações, bem como as consequências legais ligadas ao cultivo, consumo, venda e circulação de substâncias ilícitas.

O director dos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia de Mogincual, Elídio Cândido, considerou o consumo de drogas um problema de dimensão global e defendeu uma intervenção articulada entre a escola e a família para travar o fenómeno.

A marcha enquadra-se nos esforços do governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, em promoção de uma educação integral, em consonância com os princípios do Plano Estratégico de Educação (PEE) 2020–2029, que prevê uma formação científica, técnica, cultural, física, moral, cívica e patriótica.

A mobilização serviu igualmente para o Conselho Distrital da Juventude de Mogincual lançar a programação da Semana Internacional da Juventude, sob o lema “Contextos diferentes, Aspirações comuns”, cujas actividades culminarão com o Dia Internacional da Juventude, celebrado a 12 de Agosto.

No encerramento, João Bento Zampula apelou à união permanente da comunidade no combate às drogas e deixou uma mensagem de mobilização “Unidos, Mogincual cresce”, concluiu. (Malito João)

Comissão parlamentar destaca progressos de Nampula e reforça confiança na governação provincial

Nampula (IKWELI) – A Comissão do Plano e Orçamento (CPO) da Assembleia da República enalteceu, esta sexta-feira (7), os progressos alcançados pela província de Nampula na implementação de programas de desenvolvimento económico e social, durante uma missão de fiscalização ao Conselho Executivo Provincial.

Os deputados consideraram que a província tem registado avanços importantes na execução das políticas públicas, evidenciando capacidade de recuperação e resiliência perante os desafios que enfrenta.

Apesar da avaliação positiva, os membros da CPO defenderam que os resultados poderão ser ainda mais expressivos caso sejam reforçadas a execução do orçamento, a coordenação entre as instituições públicas, a participação do sector privado e da sociedade civil, bem como a consolidação da estabilidade e da segurança em toda a província.

Na mesma ocasião, o governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, agradeceu o reconhecimento manifestado pelos deputados e aproveitou a oportunidade para solicitar o apoio da comissão junto do Governo Central, no sentido de acelerar a disponibilização da quota financeira destinada à província.

Segundo o dirigente, esses recursos permitirão impulsionar a execução de projectos prioritários e responder com maior eficácia às necessidades das comunidades.

Eduardo Abdula reiterou ainda que Nampula possui um enorme potencial produtivo e humano, defendendo a criação de um ambiente legal e financeiro mais favorável para dinamizar a economia local. O governante reafirmou o compromisso do Conselho Executivo Provincial em continuar a trabalhar para garantir um desenvolvimento sustentável e melhorar as condições de vida da população.

Falando em conferência de imprensa, Cernilde Muchanga de Mendonça, vice-presidente da CPO, constatou melhorias em vários sectores, com destaque para o reforço das acções de segurança, a recuperação económica e institucional e os investimentos realizados para elevar a qualidade dos serviços prestados à população.

Os parlamentares observaram ainda que a agricultura continua a ser a principal força da economia provincial, contribuindo com 41,1% da produção global de Nampula.

“A comissão de Plano e Orçamento estava na província de Nampula nos últimos sete dias onde esteve á fazer avaliação do desempenho, em relação ao plano económico e social e a execução orçamental, neste período, a comissão, para além da interação que manteve com o Conselho Executivo Provincial e os Serviço de Representação de Estado na província de Nampula, interagiu também com diferentes seguimentos da sociedade, mas também trabalhou nos distritos da Ilha de Moçambique e Mossuril. No geral, nós constatamos que o nível de produção global da província de Nampula é satisfatório, está em cerca de 70%, o processo da arrecadação de receita monstra ainda aquilo que é o programado.”

No entanto, Muchanga disse ainda que a sua comissão constatou um esforço por parte do governo provincial na implementação de vários programas para oferecer serviços básicos á população. “Verificamos que há um esforço que a província continua a fazer no sentido de uma melhor prestação de serviços básicos a sociedade, a monitoria e manutenção das vias de acessos, construção de escolas e salas de aulas, alocação de carteiras, mas também tem estado a trabalhar com a população sobretudo jovens no processo do financiamento do FDEL”.

“Portanto, achámos que com estas restrições orçamentais que se sentem ao nível da província, o governo continua a fazer um esforço no sentido de responder cabalmente aquelas que são as demandas da população”, concluiu a vice-presidente da Comissão do Plano e Orçamento da Assembleia da República de Moçambique. (Malito João)

Universidades aceitam desafio de Eduardo Abdula e assumem compromisso institucional contra “Makha”

Nampula (IKWELI) – As instituições de ensino superior da província de Nampula aceitaram o desafio lançado pelo governador Eduardo Mariamo Abdula ao assumirem o compromisso institucional de reforçar a prevenção e o combate ao tráfico e consumo de drogas.

O posicionamento foi manifestado durante a campanha “STOP MAKHA”, promovida pela Universidade Rovuma (UniRovuma), uma iniciativa que reuniu universidades, líderes religiosos, comunitários, estudantes e outras organizações em defesa de uma sociedade livre dos estupefacientes.

No encontro, o Reitor da UniLúrio, Prof. Eusébio Victor Macete, anunciou que a instituição irá organizar uma caminhada de sensibilização contra as drogas, enquanto a Universidade Politécnica apelou ao maior envolvimento das famílias na educação dos jovens.

“Para a universidade Lúrio, a questão da droga é séria, a droga afecta a sociedade, a juventude, aos estudantes. Nos próximos meses vamos convidar a todos para uma légua universitária.”

As Universidades Católica de Moçambique e Mussa Bin Bique garantiram que vão intensificar acções de consciencialização nas comunidades, reforçando os valores éticos e morais como instrumentos de prevenção.

“Nós como universidade Mussa Bin Bique, reconhecendo os efeitos nefastos do tráfico e consumo de droga sobre os jovens, temos levado a cabo actividades visando travar este mal. Concretamente temos incentivado os nossos estudantes, através do seu núcleo, a participarem nas actividades desportivas envolvendo outros estudantes de outras universidades sediadas na nossa província”, afirmou Carlos Migode, director da Faculdade de Direito e Negócio da Mussa Bin Bique.

A Academia Militar declarou igualmente estar preparada para se juntar aos esforços no combate à droga, considerada uma das maiores ameaças à juventude e à segurança da sociedade.

Líderes comunitários e religiosos também reafirmaram o compromisso de apoiar iniciativas que travem a propagação da “Makha” e de outras substâncias ilícitas.

Estudantes participantes da campanha defenderam que a informação e a educação são as principais armas para impedir que mais jovens entrem no mundo das drogas, destacando que a iniciativa fortaleceu o seu compromisso de multiplicar a mensagem de prevenção nas escolas e comunidades. (Malito João)

“Diagnóstico precoce pode evitar cirurgias e incapacidade por doenças da coluna,” alerta especialista

Quelimane (IKWELI) – O especialista em Neurocirurgia e Medicina Familiar, Dr. Maikel García Chávez, defende a necessidade de reforçar o diagnóstico precoce das doenças da coluna vertebral, sublinhando que a identificação atempada destas patologias pode evitar complicações graves, reduzir o número de cirurgias e melhorar significativamente a recuperação dos pacientes.

O posicionamento foi apresentado durante uma sessão clínica realizada neste fim-de-semana, no Hospital Central de Quelimane, província da Zambézia, sob o tema “Dor Raquídea Associada a Défice Neurológico, Diagnóstico Topográfico, Radiológico e Etiológico”.

Na sua intervenção, o médico chamou atenção para a elevada incidência da dor na coluna, classificando-a como um dos principais desafios de saúde pública.

Segundo explicou, estima-se que cerca de 90% da população moçambicana enfrente este problema em alguma fase da vida, sendo os traumatismos, infecções, tumores, malformações congénitas e a hérnia discal as causas mais frequentes.

O especialista destacou que a hérnia discal afecta, sobretudo, pessoas jovens e em idade economicamente activa.

“O principal objectivo da abordagem clínica é alcançar um diagnóstico preciso, apoiado por exames complementares realizados de forma atempada. Identificar a doença nas fases iniciais permite definir rapidamente a conduta terapêutica, reduzindo o risco de agravamento do quadro clínico e aumentando as possibilidades de recuperação do paciente”, afirmou o Dr. Maikel García Chávez.

O neurocirurgião esclareceu ainda que a cirurgia não é a solução para todos os casos de dor na coluna. De acordo com o especialista, a complexidade destas doenças exige uma intervenção coordenada entre várias especialidades médicas, permitindo um tratamento mais completo e eficaz.

“O trabalho conjunto entre diferentes profissionais de saúde é fundamental para garantir uma assistência integral, baseada em evidências científicas e centrada no bem-estar do paciente”, concluiu o especialista, defendendo uma actuação multidisciplinar envolvendo áreas como Medicina Interna, Pediatria, Ortopedia, Fisioterapia, Neurocirurgia, entre outras. (Malito João)

Enfermeira regressa da Índia com novas competências para reforçar cuidados oncológicos em Quelimane

Quelimane (IKWELI) – A enfermeira Rosária Manhique regressou ao Hospital Central de Quelimane após concluir uma formação intensiva de três meses na Índia, onde adquiriu conhecimentos especializados em Oncologia que deverão contribuir para o reforço da assistência aos doentes com cancro na província da Zambézia.

Durante a capacitação, a profissional teve contacto directo com um dos mais avançados sistemas de tratamento oncológico, acompanhando todas as fases do atendimento ao paciente, desde a consulta inicial, diagnóstico e avaliação clínica, até ao encaminhamento para as enfermarias e tratamentos especializados.

De acordo com a beneficiária, a formação incluiu ainda estágios práticos nos serviços de radioterapia e na sala de moldes, considerada uma área fundamental para garantir maior precisão nos tratamentos contra o cancro, uma experiência que permitiu a enfermeira aprofundar técnicas modernas e actualizar conhecimentos sobre os cuidados prestados aos pacientes oncológicos.

“Foi uma formação extremamente proveitosa”, afirmou Rosária Manhique, destacando que a experiência lhe permitiu adquirir técnicas modernas e conhecimentos actualizados sobre a assistência aos doentes oncológicos.

Segundo a profissional, os conhecimentos adquiridos reforçaram a sua capacidade de identificar precocemente os sinais e sintomas da doença, permitindo prestar um acompanhamento mais eficaz, humanizado e adequado às necessidades dos pacientes.

Além da oncologia em adultos, Rosária Manhique recebeu formação específica em oncologia pediátrica, aprofundando conhecimentos sobre o diagnóstico e tratamento das neoplasias que afectam crianças, uma área considerada particularmente complexa e desafiante.

Com o regresso da enfermeira, o Hospital Central de Quelimane reforça a capacidade técnica da sua equipa de oncologia, passando a contar com uma profissional mais preparada para responder às crescentes necessidades dos doentes com cancro e contribuir para a melhoria da qualidade dos serviços de saúde na província, conforme considerou.

O regresso de Rosária Manhique representa um importante investimento na valorização dos recursos humanos do sector da saúde em Moçambique, numa altura em que o fortalecimento dos serviços oncológicos é apontado como uma das prioridades para responder ao aumento dos casos de cancro no país. (Malito João)