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Mototaxistas abandona actividade por falta de gasolina

Alto Molócuè (IKWELI) – A vila de Alto Molócuè, na província da Zambézia, está desde a passada sexta-feira (24) sem gasolina nas bombas de abastecimento, situação que está a obrigar alguns operadores de moto táxi a abandonarem a actividade.

Segundo apurou o Ikweli, a escassez começou a registar-se no dia 19 do corrente mês, onde apenas uma bomba se encontrava a fornecer gasolina, porém a partir da sexta-feira até a manhã desta segunda-feira (27) não existe sequer uma bomba que abastece o precioso recurso, criando um impacto negativo a população.

“Estamos toda vila sem nenhuma bomba de combustível a fornecer gasolina desde sábado passado e até agora (manhã de segunda-feira, 27), estamos 100% sem gasolina, a circulação de viaturas está reduzida, e para as motas andarem, é mediante algumas pessoas que vendem na rua, e pela crise custa 200,00Mt (duzentos meticais) o litro,” disse Filipe António, residente da vila de Alto Molócuè.

Como consequência, “a população que recorria as motas, sente-se obrigada a madrugar para não atrasar, uma vez que alguns operadores já estão a abandonar a actividade e os que ainda continuam, aplicam preços altos. As distâncias que era de 20,00Mt (vinte meticais) passou a ser de 30,00Mt (trinta meticais) à 40,00Mt (quarenta meticais), de 50,00Mt (cinquenta meticais) à 60,00Mt (sessenta meticais),” revelou outra fonte. Quase em todo país enfrenta-se uma grave crise de combustíveis, com filas longas em alguns postos de abastecimento, impondo sacrifícios diários para manter a rotina. (Francisco Mário)

O ressurgimento de Vahanle o antigo autarca de Nampula já não quer saber de polémicas, mas de produção de comida

Nampula (IKWELI) – O antigo autarca da cidade de Nampula, Paulo Vahanle, afirmou exclusivamente ao Ikweli que decidiu “sumir do mapa” como forma de evitar polémicas e preservar sua dignidade, optando por dedicar-se ao trabalho nas suas machambas, localizadas em vários distritos da província.

Segundo Vahanle, a abertura e o cultivo das machambas representam não apenas uma actividade de subsistência, mas também uma estratégia pessoal para se distanciar de rumores que, segundo ele, colocam em causa a sua imagem.

O ex-presidente do Conselho Municipal de Nampula declarou, igualmente, que não sente saudades de dirigir a cidade, mas reconhece e agradece o apoio e o carinho que recebeu da população durante o período em que esteve à frente do município.

“Eu sempre amei o povo de Nampula. Quando me expulsaram, fiquei no meu canto. Por isso estou a tratar das minhas machambas, estou a capinar. Já tinha dito que, quando saísse, iria para a machamba sentar lá. Hoje tenho uma boa produção, consigo um pouco de tudo, com destaque para o amendoim,” afirmou.

Vahanle acrescentou que possui machambas nos distritos de Angoche, Murrupula e Meconta, onde se dedica ao cultivo de diversos produtos, reforçando a sua ligação antiga à agricultura.

“Nunca passei fome na minha vida porque sempre fui camponês. Mesmo quando era edil, não estava lá para roubar, mas sim para trabalhar. E quando terminou o meu tempo, saí sem roubar nada,” sublinhou.

O antigo dirigente afirmou ainda que, após o fim do seu mandato, tem sido alvo de tentativas de perseguição, mas garante que não existem elementos que sustentem quaisquer acusações contra si. “Tentam perseguir-me, mas não encontram motivos, porque todas as contas estão completas,” concluiu. (Malito João)

Nacala: Consumidor de drogas mata seus irmãos e desfere golpes na sua progenitora

Nampula (IKWELI) – Um crime chocante abalou a cidade de Nacala, na província de Nampula, onde, na madrugada de domingo (26), um jovem de aproximadamente 20 anos de idade terá assassinado brutalmente seus três irmãos menores no bairro de Naherenque/Napala.

De acordo com informações da Polícia da República de Moçambique (PRM), o caso foi reportado por volta das 03h00, através de uma denúncia telefónica que dava conta de um homicídio numa residência localizada nas proximidades de um campo de futebol.

Uma equipa policial deslocou-se imediatamente ao local, onde confirmou um cenário macabro, encontrando três crianças sem vida dentro da residência. No mesmo local, foi possível proceder à detenção do presumível autor do crime.

Segundo dados preliminares, o jovem terá utilizado um machado e uma enxada para desferir golpes fatais contra os seus irmãos.

As vítimas foram identificadas como Lélio, de 8 anos de idade, Matilde Carimo de 4 anos, e Faruque Daniel, de apenas 2 anos, que não resistiram à violência dos ferimentos e morreram no local.

Após o ataque às crianças, o indiciado terá ainda agredido gravemente a sua própria mãe, que foi socorrida de urgência e encontra-se internada numa unidade hospitalar em estado clínico considerado grave.

Informações recolhidas no local pelo Ikweli indicam que o suspeito poderá ter cometido o crime sob efeito de substâncias psicotrópicas, nomeadamente metafetamina, conhecidas localmente como “makha”, um fenómeno que preocupa cada vez mais as autoridades.

O caso reacende o debate sobre o consumo de drogas no seio da juventude, sobretudo o uso de “makha”, que tem vindo a ser associado a comportamentos violentos e à desestruturação familiar, representando um desafio crescente para a segurança e saúde pública em várias comunidades. (Malito João)

Nampula: Mulheres Jornalistas discutem Protocolo para o combate do Assédio Sexual nas redações

Nampula (IKWELI) – As mulheres profissionais da comunicação social, em Nampula, quebraram o silêncio na manhã da última Sexta-feira (24), ao decidir discutir mecanismos de combate ao assédio moral e sexual, Violência Baseada no Gênero, entre outros desafios que se impõem ao grupo.

A iniciativa surge no contexto das comemorações do 8 de Março, dia internacional da mulher, do 7 de Abril dia, da mulher moçambicana associado ao dia do jornalista moçambicano celebrado anualmente a cada 11 de Abril e 48 anos da criação do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ).

De acordo com Adina Shuale, Secretária para área de Formação do SNJ em Nampula, com o encontro pretende-se criar uma rede de partilha e resolução de questões sensíveis em coordenação com as autoridades competentes para que haja responsabilização.

“Como mulheres jornalistas, achamos por bem criar uma oportunidade para discutir os desafios que como profissionais de comunicação enfrentamos no exercício da actividade. Neste encontro em específico, elegemos temas de extrema importância para nós, como é a questão do assédio moral e sexual que é um fenômeno comum, daí que este espaço é para partilha de experiências sobre o assédio dentro da redação, a relação com as fontes de informação, também temos a violência baseada do gênero e queremos quebrar esta situação e outra temática tem a ver com a relação entre trabalho e família, que é um desafio.”

Por outro lado, Sualehe avança que o assédio é uma realidade, embora não existam dados que revelem devido a falta de denúncia por vários factores.

“A cultura do silêncio ainda continua a fazer parte das vítimas de assédio sexual e embora hajam mecanismos dentro das organizações ou instituições, com esta distância espera-se maior abertura e apoio mútuo.”

Uma mulher jornalista e locutora que ocultamos a sua identidade afirmou ter sido vítima de assédio sexual e moral de forma recorrente, perpetrado por seu chefe de redação e as fontes que informação, mas o medo e o desespero de perder o emprego fez com que o acto fosse consumado.

“Eu trabalhei em um órgão de comunicação por sinal rádio, tive que ceder o assédio sexual ao meu chefe por aflição, mas ao longo do tempo percebi que aquela situação atormentava-me e tive que abandonar o trabalho volvidos 2 anos, optei em procurar outras estações de comunicação e actualmente me encontro em outra, tive que colocar limites sobre minha vida e dizer stop assédio.”

Outra vítima de assédio sexual entende que tais práticas colocam as mulheres em questões cada vez mais vulneráveis, falta de oportunidade e igualdade de gênero. (Nelsa Momade)

Malema: Produtores de Canhunha pede protecção na comercialização agrícola

Nampula (IKWELI) – Os produtores da comunidade de Canhunha, no distrito de Malema, exigem rigor na fiscalização dos preços praticados pelos compradores de produtos agrícolas, os quais, na maioria dos casos, impõem os valores, sem ter em conta o esforço empreendido pelos agricultores, sobretudo os do sector familiar.

António Gaspar, líder comunitário daquela circunscrição, denunciou ao Ikweli essas práticas, afirmando que quando “a população produz os seus produtos, não é comprado com um valor significativo, neste momento um quilo de milho custa 6,00Mt (seis meticais) e assim não conseguimos ganhar para resolver algumas necessidades.”

O nosso entrevistado sugeriu que “pelo menos este tempo deveríamos vender para os comerciantes por 12,00Mt (doze meticais) por quilo, mesmo mais que isso. Por causa de algumas necessidades a população vende o milho a 6,00Mt por kg e chega um tempo que os mesmos compradores vendem 4000,00Mt (quatrocentos meticais) uma latinha, isso é sentimental para o povo.”

Assim sendo, “estamos a pedir que fiscalizem no sentido de resolver este problema, estou a pedir o governo do distrito para que resolva esta situação para que consigamos vender os nossos produtos com o melhor preço, e a população sentir-se feliz.” (Francisco Mário)

Recém-nascido abandonado em uma lixeira em Murrapaniua

Nampula (IKWELI) – Os moradores da zona do Trim Trim, no bairro de Murrapaniua, nos arredores da cidade de Nampula, acordaram na manhã da última quinta-feira (23) em alvoroço, devido a um recém-nascido que teria sido lançado num dos contentores de lixo daquela área.

Segundo fontes no local, por volta das 5 horas da manhã, uma criança que se dirigia ao contentor para depositar lixo deparou-se com um bebê, numa situação chocante que está a dividir opiniões sobre a responsabilidade e maturidade de algumas parturientes.

A descoberta do recém-nascido gerou comoção imediata entre os residentes, que rapidamente se aglomeraram no local, tentando compreender como um acto daquela natureza teria ocorrido no seio da comunidade.

A situação abalou profundamente a comunidade de Murrapaniua e não só, deixando várias mães em estado de choque, tendo em conta tratar-se de um cenário considerado triste e desumano.

Amélia Raul disse que até então ninguém sabe a proveniência da suposta mãe, assegurando que “o bebê já foi recuperado, não sei o estado de saúde dele porque estava mesmo no lixo de contentor e estamos muito tristes com esse assunto que essa senhora fez.”

Com lágrimas no fundo dos olhos, outra senhora da mesma comunidade comentou que “a mulher que fez isso não tem coração, porque teve coragem de ter paciência durante nove meses depois deitar o seu bebê, isso é muito triste, se essa senhora for localizada, deve entrar na cadeia, porque o que ela fez é crime e é pecado, não pode se admitir esse tipo de pessoa aqui nosso bairro.”

Xavier Carlos, mesmo sem saber as razões, criticou o comportamento, que considera macabro, pois “essa pessoa que fez isso não importa se é menor de idade ou não, mas o que eu peço é punir a pessoa que fez isso, porque não se pode normalizar essa situação que não é pela primeira vez que isso acontece, mas precisamos de mudanças aqui na nossa cidade de Nampula.” (Malito João)

Operadores de “chapa-100” continuam a exigir aumento de tarifas na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – A Associação dos Transportadores Rodoviários de Nampula (ASTRA) submeteu, na sexta-feira (24) passada, uma proposta de revisão das tarifas do transporte semi-coletivo à Assembleia Municipal da capital provincial, numa iniciativa que reacende o debate sobre o custo de vida e a sustentabilidade do sector na cidade.

A proposta foi apresentada durante um encontro realizado no salão nobre do conselho municipal, que reuniu membros da assembleia, representantes do município, sociedade civil e munícipes.

O objectivo central foi recolher sensibilidades e abrir espaço para contribuições, num ambiente marcado por preocupações tanto dos operadores, como dos utentes.

Os transportadores defendem que a tarifa, em vigor desde 2021, já não corresponde à realidade económica do sector. Segundo a ASTRA, o aumento dos custos operacionais, incluindo combustível e manutenção, têm reduzido significativamente a rentabilidade da actividade, sobretudo em rotas longas como a que liga Muahivire/Expansão ao mercado grossista do Waresta.

Luís Vasconcelos, presidente da ASTRA, apresentou dois cenários, um aumento directo para 15,00Mt (quinze meticais) por percurso completo ou a implementação de um sistema faseado que pode elevar o custo total até 20,00Mt (vinte meticais), dependendo da distância percorrida. A proposta procura ajustar os preços sem descurar a realidade dos passageiros.

Entretanto, Gamito dos Santos, director executivo da Associação Kóxukhuro, reconhece a complexidade do tema.

Para alguns representantes, o reajuste pode ser compreensível face aos encargos do sector, mas defendem que qualquer decisão deve salvaguardar o poder de compra dos cidadãos, num contexto económico já considerado desafiante. (Malito João)

Dois óbitos e mais de 20 detidos em conexão com encolhimento de genitais masculinos em Nampula

O boato sobre um possível encolhimento e/ou desaparecimento de órgãos genitais masculinos por meio de um toque mágico já fez, na província de Nampula, pelo menos dois mortos e mais de 20 pessoas suspeitas de serem vítimas foram detidas pela polícia.
Segundo sabe o Ikweli, os casos mais gritantes tiveram palco nos distritos de Eráti, Monapo e Meconta.
Na manhã desta segunda-feira (27), a Polícia da República de Moçambique (PRM) e o Hospital Central de Nampula (HCN) realizaram um briefing com a imprensa para falar do fenómeno.
Dércio Samuel, que é chefe do departamento de Relações Públicas no comando provincial da PRM em Nampula, informou que de 23 a 26 do corrente mês, foram registados 16 casos de desinformação referente e que resultaram na desordem pública. Igualmente, 24 pessoas tiveram de parar nos calabouços pelo seu papel neste exercício.
Destes casos, 10 casos ocorreram na cidade de Nampula e 14 nos distritos de Nacala, Meconta, Moma, Angoche, Eráti e Monapo.
Dércio Samuel explicou ainda que foi constatado o envolvimento de crianças e adolescentes, que estariam a ser aliciados com o objectivo de criar pânico e medo na população.
A fonte acrescentou que indivíduos desconhecidos estariam a incitar agressões contra pessoas inocentes, com o intuito de se apoderarem de bens, recorrendo à desinformação para fomentar a violência.
Segundo Dércio Samuel, após investigação, algumas das supostas vítimas admitiram que, com o passar do tempo, os seus órgãos genitais voltaram ao normal, embora aleguem problemas de potência. Para o membro da corporação, trata-se de um fenómeno não comprovado.
A nossa equipa de reportagem entrevistou 3 dos 24 detidos, que alegaram ter sentido encolhimento dos órgãos genitais após contacto físico com desconhecidos.
A título de exemplo, um indivíduo de 21 anos, vendedor de frutas na zona dos Bombeiros, relatou que, desde o dia em que foi abordado, enfrenta problemas de impotência sexual. “Eu estava a vender bananas quando apareceu um senhor que queria comprar. Depois de lhe devolver o troco, ele tocou-me e comecei a sentir sintomas estranhos no meu pénis. Fui atrás dele para explicar que não me sentia bem após o contacto. A população, ao aperceber-se da situação, começou a agredi-lo, causando-lhe ferimentos. Ele foi levado ao Centro de Saúde 25 de Setembro e depois ao Hospital Central [de Nampula]. Desde então, não consigo ter ereção, sendo que antes tinha regularmente.”, alegou.
Por outro lado, um indivíduo de 40 anos, também suposta vítima, afirmou que “o meu pénis ficou frio depois de ter sido tocado por um homem que tinha saído das celas. Até agora não consigo ter ereção, serve apenas para urinar. Apesar de o tamanho estar a voltar ao normal, não tenho a mesma capacidade de antes.”
Um terceiro indivíduo, de 30 anos, está indiciado por incitar violência contra um cidadão acusado de feitiçaria, no contexto de um caso semelhante.
Entretanto, o Hospital Central de Nampula (HCN), através do psicólogo clínico Ibraimo Colabo, confirmou a entrada de 8 pacientes relacionados com alegados casos de encolhimento dos órgãos genitais. Destes, apenas dois foram associados a um quadro de síndrome psicogénica, caracterizado por crenças e pânico coletivo.
Colabo explicou que o fenómeno pode estar associado a vulnerabilidades como stresse excessivo, trauma, perturbações mentais, ansiedade e pânico agudo, muitas vezes influenciados por crenças culturais.
Acrescentou ainda que os exames médicos realizados indicam que todas as vítimas se encontram em bom estado de saúde, sem qualquer complicação física.
Na ocasião, o clínico apelou à sociedade para evitar a propagação de desinformação e aderir às medidas de prevenção, alertando que tais boatos podem contribuir para o agravamento de crises sociais. (Virgínia Emília)

Moza Banco promove debate sobre o papel da mulher na sociedade moçambicana

Maputo (IKWELI) – O Moza Banco acolheu, esta quinta-feira, em Maputo, o I Moza Talks 2026, uma iniciativa que reuniu académicas, pensadoras e convidados em torno do tema “O lugar da Mulher em Moçambique”. O encontro enquadrou-se numa reflexão que propôs revisitar o “rosto da mulher” a partir de uma leitura enraizada na realidade cultural e social moçambicana, promovendo o questionamento de paradigmas e a valorização de narrativas locais.

O evento contou com a participação de diversas personalidades ligadas ao pensamento social e cultural, que, através de diferentes abordagens, procuraram analisar o percurso da mulher ao longo do tempo, entre desafios históricos, conquistas actuais e perspectivas futuras, num exercício de reflexão colectiva sobre o papel do género na construção da sociedade.

Na ocasião, a Directora de Corporate do Moza Banco, Samira Franco, destacou a importância de se criarem espaços de diálogo que permitam repensar o posicionamento da mulher na sociedade, sublinhando que o desenvolvimento sustentável depende da participação plena de todos os segmentos sociais.

“O desenvolvimento económico e social só é possível quando todos ocupam, com dignidade, o espaço que lhes é devido. A mulher não pode continuar a ser vista como um elemento periférico, mas sim como uma força central na dinâmica económica e social do país”, afirmou.

A responsável acrescentou ainda que, ao acolher este tipo de iniciativas, o Moza Banco reforça o seu compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva, promovendo não apenas o debate, mas também a implementação de soluções concretas que contribuam para o empoderamento feminino.

Neste contexto, o Banco tem vindo a materializar esta visão através de iniciativas como o projecto Moza Women, lançado em 2024, que agrega soluções financeiras e não financeiras orientadas para o fortalecimento do papel da mulher na economia, bem como através da promoção de práticas internas de equidade e inclusão.

Com a realização deste Moza Talks, o Moza Banco posiciona-se como um agente activo na promoção de pensamento crítico e na valorização de temas estruturantes para o futuro do país, reforçando o seu papel enquanto instituição comprometida com o desenvolvimento social e económico de Moçambique. (Redação)

Fenômeno “não me toca” provoca mortes e detenções em Cabo Delgado

Nampula (IKWELI) – O fenómeno conhecido como “não me toca”, associado a alegações de encolhimento de órgãos genitais após contacto físico com desconhecidos, que ocorre em Cabo Delgado, desde 18 de Abril, já resultou em pelo menos cinco mortes, nos distritos de Mocímboa da Praia, Meruge, Macomia e vários feridos e na detenção de dezenas de suspeitos envolvidos em actos de violência e desordem pública.

Os incidentes que tiveram início no dia 18 de abril e rapidamente desencadearam manifestações populares em diferentes distritos, como Mocímboa da Praia, Palma, Pemba, Metuge, Chiúre, Muidumbe, Montepuez e Macomia, onde a população alarmada acabou por gerar confrontos, agressões físicas e homicídios.

Em conferência de imprensa realizada na sexta-feira (23), o comandante provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Cabo Delgado, Assane Nyito, informou que 25 pessoas foram detidas sob suspeita de incitação à violência. Além disso, foram registados 17 casos relacionados ao fenómeno e instaurados vários processos, incluindo denúncias e autos de notícia.

No entanto, o comandante provincial alertou que o pânico generalizado tem contribuído para a paralisação de serviços públicos e privados, especialmente nos setores da educação e dos transportes.

Para conter a situação, agentes da PRM, em coordenação com líderes comunitários, intensificaram acções de sensibilização junto à população, apelando à calma e à denúncia de quaisquer atos suspeitos às autoridades competentes.

Por sua vez, o director provincial do Serviço de Saúde, Edson Fernando, confirmou a entrada de cinco pacientes em unidades sanitárias alegando encolhimento dos órgãos genitais após apertos de mão com indivíduos desconhecidos. No entanto, segundo o responsável, exames médicos realizados não encontraram evidências físicas que sustentem essas alegações.

Além disso, 24 pessoas deram entrada nas unidades de saúde vítimas de agressões físicas relacionadas ao pânico coletivo. As autoridades de saúde indicam que os casos podem estar associados a traumas psicológicos e ao medo generalizado, agravados pelo histórico recente de violência terrorista na região.

Edson Fernando, acrescentou que um grupo multidisciplinar, composto por médicos, psiquiatras, psicólogos e peritos forenses, foi criado para investigar os casos e prestar assistência às vítimas, mas reforçou que não há provas científicas que confirmem a existência de qualquer fenómeno de encolhimento dos órgãos genitais. (Virgínia Emília)