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INATRO esclarece procedimentos e refuta alegações de morosidade nos serviços

Nampula (IKWELI) – O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO), em Nampula, veio a público esclarecer os procedimentos de acesso aos seus serviços, na sequência de várias preocupações manifestadas por utentes, que apontam alegada morosidade e falta de prontidão no atendimento.

O apelo surge numa altura em que cresce o índice de desinformação inerente aos serviços do INATRO em Nampula.

“Os serviços do INATRO são por antecipação. Ou seja, o processo começa com a organização por parte do utente interessado, de toda a documentação necessária, a deposição ou transferência das respetivas taxas do serviço pretendido e, por fim, a apresentação do interessado ao nosso balcão,” esclareceu o Delegado Provincial do INATRO, Samuel Dos Santos.

Segundo a fonte, o modelo de atendimento adoptado pela instituição baseia-se na pré-marcação, o que exige maior organização por parte dos utentes. “Seguindo o modelo de pré-marcação, é importante que saibam que o depósito ou a transferência deve ser feito/a 24 horas antes do dia do atendimento,” sublinhou.

O delegado do INATRO reforça ainda que não utiliza contas bancárias próprias para recepção de valores, nem aceita dinheiro físico directamente dos utentes, como forma de garantir transparência e evitar práticas ilícitas no processo de tramitação de documentos.

Samuel dos Santos disse ainda que para efetuar pagamentos, os utentes devem recorrer exclusivamente ao Portal do Utente do INATRO, acessível via telemóvel ou computador, onde é possível gerar a entidade e referências necessárias para o pagamento dos serviços, mediante a introdução do número da carta de condução e da data de nascimento.

A instituição esclarece igualmente que o número da carta de condução a ser inserido no sistema deve conter apenas oito dígitos, sem inclusão de barras ou outros caracteres adicionais, de modo a evitar erros no processamento.

No que diz respeito aos serviços do sector de veículos, como emissão de livretes e guias de trânsito, o INATRO indica que estes podem recorrer à carteira móvel, sendo tratados de forma imediata, desde que o utente apresente o comprovativo da operação.

Por fim, o INATRO alerta que não possui facilitadores externos, recomendando aos utentes que procurem atendimento apenas nos balcões oficiais, secretarias ou junto dos agentes de segurança, como forma de prevenir burlas, acrescentando ainda que serviços como consulta de multas, troca de cartas e submissão de reclamações podem ser realizados através do portal digital da instituição. (Malito João)

UniRovuma reforça ensino em Nampula com entrega de equipamentos informáticos através do projecto DILIGENCE

Nampula (IKWELI) – A Universidade Rovuma (UniRovuma) procedeu na tarde desta terça-feira (28) a entrega de equipamentos informáticos a instituições de ensino da cidade de Nampula, numa iniciativa que reforça o compromisso com a melhoria da qualidade educativa.

 A acção abrangeu as escolas secundárias de Napipine e Muatala, bem como o Instituto de Formação de Professores (IFP), beneficiando directamente alunos e docentes.

A cerimónia de entrega foi orientada pelo Reitor da instituição, Prof. Doutor Mário Jorge Caetano Brito dos Santos, que destacou a importância da tecnologia no contexto actual de ensino.

Na ocasião, Brito sublinhou que o acesso a ferramentas digitais é fundamental para preparar os estudantes para os desafios do mundo moderno e para elevar os padrões de aprendizagem.

Integrada no Projecto DILIGENCE, a iniciativa pretende impulsionar a literacia digital nas instituições beneficiárias, criando melhores condições para o processo de ensino e aprendizagem.

Com os novos equipamentos, espera-se maior dinamismo nas aulas, bem como o desenvolvimento de competências tecnológicas por parte dos estudantes.

Com esta acção, a Universidade Rovuma reafirma o seu papel como agente activo no desenvolvimento da educação em Moçambique, promovendo parcerias e iniciativas que contribuem para a modernização do sistema de ensino e para a formação de cidadãos mais preparados para o futuro.

“A Universidade Rovuma acolhe com elevado sentido institucional esta cerimónia de entrega de equipamentos informáticos no âmbito do projecto DILIGENCE, uma iniciativa que responde a forma concreta aos desafios actuais do sistema educativo moçambicano. O projecto DILIGENCE aborda a necessidade de reforçar a literacia digital, capacitando formadores, professores e docentes em serviço com particular atenção nas regiões mais recônditas.”

Brito dos Santos disse que a capacitação dos docentes e outros intervenientes da educação não se limita no uso da técnica das ferramentas digitais mais íntegra sobretudo uma visão pedagógica orientada para o pensamento crítico.

“Para a acção consciente dos profissionais, para o envolvimento social e ambiental inclusivo no processo educativo. Deste modo através de workshops, a aprendizagem colaborativa virtual, por isso temos este equipamento que vai facilitar a colaboração virtual, teremos eventos presenciais de aprendizagem activa e a Universidade está aqui exatamente para desempenhar esse papel e termos escolas de inverno híbridas em que esses dois métodos pedagógicos serão explorados de forma intensa.”

O reitor da Universidade Rovuma disse ainda que o projecto DILIGENCE mobiliza formadores e profissionais de diferentes níveis de ensino “criando uma comunidade de prática orientada para inovação em Moçambique. A universidade Rovuma entende que é deste modo que o desenvolvimento se efectiva, caminhando com os outros. Queremos estabelecer pontes de desenvolvimento, pontes de crescimento interinstitucionais, partilhando conhecimento e construindo soluções conjuntas para o desenvolvimento comum.”

Nilza Zilo, do Instituto de formação de Professores em representação dos beneficiários disse que “a recepção destes equipamentos informáticos, doados pelo o projecto DILIGENCE Literacia digital, transcende o valor material que cada item possui no seu todo. Estamos perante um investimento estratégico na capacitação intelectual e tecnológica dos nossos alunos e futuros professores, ao magnífico reitor e a equipa da UniRovuma agradecemos a visão de integração e o papel de ponto que desempenham entre o ensino superior e às comunidades educativas de base.” Entre os equipamentos oferecidos pela Universidade Rovuma, destacam-se computador, impressora, projector, entre outros informáticos. (Malito João)

Nampula: MDM acusa Giquira de agir de maneira desumana

Nampula IKWELI) – O Movimento Democrático de Moçambique (MDM), em Nampula, acusa o autarca a cidade de Nampula, Luís Giquira, de ser desumano, por alegadamente ter expulsado um número significativo de funcionários, na sua maioria da área de limpeza que trabalharam no mandato do seu antecessor, Paulo Vahanle.

Trata-se de funcionários que se supõe que tenham sido despedidos sem justa causa no ano de 2024, após ser descoberto que trabalhavam sem contratos de trabalho.

O chefe da bancada do MDM na Assembleia Municipal da cidade de Nampula, Carlos Saíde, disse recentemente que a situação em que os trabalhadores se encontram mancha a governação de Giquira e “preocupa-nos a renúncia das nomeações pelo Tribunal Administrativo de alguns funcionários após serem nomeados, que depois são despedidos do seu emprego, e julgamos imprudente, é urgente o fim deste procedimento que não dignifica o departamento dos Recursos Humanos, assim como do seu executivo.”

Ainda durante a sua intervenção, a fonte referiu que são pais de família que ficaram sem emprego e até agora sem qualquer justificação. “Ser nomeado um pai de família, passando um tempo, dois ou três meses, ser desnomeado, isso é desumano, então é perceber que se fôssemos nós, uma vez que tem famílias por cuidar, por isso pedimos a quem é de direito, para corrigir essa anomalia.”

Por outro lado, o Presidente do Conselho Municipal da cidade de Nampula, Luís Giquira, explicou que “a nomeação dos funcionários que estavam a trabalhar e depois de um tempo tiveram que cancelar os seus contratos, vistos pelo tribunal, a função de nós como município é cumprir a lei, e se os processos foram mal tramitados tiveram vistos feitos provavelmente em baixo de mesa ou num processo que não correspondeu o tempo, pelo qual devia ser visto.” (Virgínia Emília)

Boato ligado a órgãos genitais tira a vida a agente da PRM em Cabo Delgado

Pemba (IKWELI) – Um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), afecto a 3ª Esquadra da cidade de Pemba, província de Cabo Delgado, que em vida respondia pelo nome de Simão Mário, perdeu a vida no Hospital Provincial de Pemba (HCN), após ser confundido entre os que supostamente faziam desaparecer órgãos genitais.

Informações em nossa posse dão conta de que o malogrado ter-se-ia deslocado para o distrito de Metuge, em direcção a sua machamba, mas tendo chegado a zona de Muepane, a sua motorizada teria avariado, e passando um indivíduo desconhecido, terá o acusado de ter tirado o seu órgão genital, a população que se encontrava nas redondezas, terá se enfurecido e partido para a agressão. Do local, o malogrado terá saído em vida, e sido evacuado rapidamente para o Hospital Geral de Pemba. A nossa equipe de reportagem contactou telefonicamente, o Comando Provincial da Polícia de República de Moçambique (PRM), em Cabo Delgado, através da Porta-voz, Eugénia Nhamuzua para falar sobre o assunto, mas não obteve qualquer resposta. (Virgínia Emília)

Funcionária detida por cobranças ilícitas numa maternidade Nampula

Nampula (IKWELI) – A directora provincial de Saúde de Nampula, Selma Xavier, confirmou na manhã desta quarta-feira (29) que foi detida uma funcionária afecta à maternidade do Centro de Saúde 25 de Setembro, acusada de cobranças ilícitas.

Segundo Xavier, há provas de que a funcionária cobrou ilicitamente a uma paciente para realizar o parto.

“Esse mesmo processo teve todos os trâmites que culminaram, do nosso lado, com a expulsão da funcionária e a mesma acabou sendo detida pela polícia”.

O número um da saúde em Nampula deixou ainda um alerta vermelho sobre a necessidade de um atendimento humanizado nos centros de saúde da província.

“Nós continuamos a apelar e a pautar pela humanização e por um bom atendimento aos nossos pacientes. Todos os que dão entrada nas nossas unidades sanitárias devem ser atendidos com dignidade. Isso faz parte do pacote e não só do ser profissional de saúde, então é nisso que temos que pautar”.

Para além deste processo, Selma Xavier disse que há outros processos a decorrer ao nível da província de Nampula. (Malito João)

Governador de Nampula engaja-se com população de Luazi para evitar constrangimentos na construção da estrada Nametil/Angoche

Angoche (IKWELI) – A população de Luazi, no posto administrativo de Nametória, a sul de Nampula, tentou paralisar as obras de construção da estrada Nametil/Luazi, naquele ponto da província, alegando incumprimento de promessas por parte da empreiteira portuguesa Mota Engil.
Eduardo Mariamo Abdula, governador de Nampula, teve de ir na tarde desta quarta-feira (29) àquela comunidade para saber, de facto, a origem do problema.
“Nos prometeram hospital, não estamos a ver nada, nos prometeram 3 furos de águas e nos prometeram mercado e não estamos a ver nada. E a Mota Engil já está quase para sair,” disse uma senhora que participou de um encontro popular dirigido pelo Governador.
Uma outra senhora de Luazi, também, queixou-se, apresentando as dificuldades por que passam na comunidade, afirmando que “o mais importante que estamos a pedir é o hospital, mercado e água. Só temos uma única torneira aqui, com essa minha idade não posso sair a pé para Nametoria.”
Francisco Suleimane, um respeitado idoso em Luazi, falou no encontro. Contextualizou a origem do problema. “Nós não pedimos, ele nos prometeram. Não tinha chegado a vez de nós pedirmos, então decidimos conversar como homens. Os homens [Mota Engil] pensavam que era brincadeira, mas ali era coisa séria.”
Esta fonte anotou que há 5 meses que lhes foi prometido a abertura de três furos de água, mas até então nada acontece. “Mandaram-nos limpar um espaço para abrir furo de água, há 5 meses que não acontece nada.”
Tio Salim, como carinhosamente é tratado o governador de Nampula, ouviu atentamente as reclamações e, também, fez seus pedidos, prometendo dias melhores.
“Eu vou fazer pedidos: primeiro, meus filhos vamos abrir a estrada. Eu quero que vocês ajudem a mim e eu ajude a vocês. Essa coisa de queimar aqui,
Queimar ali não vai nos levar a lugar nenhum, não vamos conseguir fazer nada. Queremos furo de água, sim, é nosso direito, mas se andarmos a queimar tudo, o dono do camião que abre furos de água vai ter medo de vir aqui,” disse o governador.
Abdula interagiu longamente com a população, até questionou: “Quando falta comida em casa, fechamos papá no quarto? Queimamos papá?”, ao que lhes foi respondido que “não.”
Com o diálogo e entendimento restabelecidos, a população, voluntariamente, retirou as barricadas que tinha colocado na via. (Redação)

Na recepção de 50 toneladas de medicamentos: Governador de Nampula enaltece papel do PR no novo modelo de descentralização

Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, que na manhã desta quarta-feira (29) recebeu 50 toneladas de medicamentos e outros materiais médicos, enalteceu o papel do Presidente da República (PR), Daniel Chapo, no novo modelo de governação descentralizada, cujo pacto foi aprovado, na semana passada, pelo parlamento moçambicano.
“Neste momento, permitam-me saudar Sua Excelência o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, pela liderança firme na condução da nova Lei de Descentralização, recentemente aprovada pela Assembleia da República. A descentralização é um processo novo na nossa governação. Exige coragem, exige determinação, exige mudança de mentalidade. Mas é o caminho certo para aproximar o poder do cidadão e dar respostas mais rápidas aos problemas do povo. Nampula agradece esta visão e este instrumento. E assumimos aqui o compromisso: vamos acompanhar, vamos implementar, vamos trabalhar para que esta Lei se traduza em mais serviços, mais eficiência e mais dignidade para os nampulenses,” disse o governador.
Para o apoio, Abdula referiu que “a doação que hoje recebemos não surge por acaso. É consequência directa de um diálogo sério e de um apelo que foi lançado pelo Conselho Executivo Provincial, e que encontrou eco. Esta acção encontra enquadramento no Memorando de Entendimento previamente assinado entre o Conselho Executivo Provincial e a Nacala Logistics, que estabelece as bases desta cooperação e traduz um compromisso que queremos contínuo, estruturado e com impacto real,” por isso “essa resposta traduz-se hoje na entrega de cerca de 50 toneladas de medicamentos, entre antibióticos, soro, gazes e luvas, que irão reforçar de forma significativa a capacidade de resposta das nossas unidades sanitárias, em particular no atendimento hospitalar e nos blocos operatórios.”
Num outro desenvolvimento, o governador afiançou que “importa sublinhar que esta não é uma ação isolada. Integra-se num conjunto mais amplo de intervenções já asseguradas no âmbito do mesmo Memorando de Entendimento,” tanto é que “para além deste apoio imediato ao setor da saúde, a Nacala Logistics comprometeu-se com ações concretas em áreas essenciais: a reabilitação e apetrechamento do Centro de Saúde de Nacala-a-Velha; a intervenção em infraestruturas de segurança, com obras em postos policiais em Nacala-a-Velha, Namicopo e Mutuali; a reabilitação de escolas ao longo do corredor; o reforço do Hospital de Marrere com camas e equipamentos; bem como melhorias em infraestruturas estratégicas e comunitárias, incluindo o Aeroporto de Nampula, espaços públicos e equipamentos desportivos.”
Acrescem ainda iniciativas com impacto social directo, como o apoio ao Fórum Nacional de Turismo e a promoção de atividades geradoras de rendimento, nomeadamente através da disponibilização de máquinas de costura para o distrito de Nacala-a-Velha.
“Este conjunto de ações demonstra que estamos perante uma parceria séria, com visão e com impacto concreto em múltiplos setores — saúde, segurança, educação e desenvolvimento social,” reconheceu o governador.
Por seu turno, B.P. Awasthi, CEO da Nacala Logistics, a instituição que representa “assinou um MoU [Memorna do de com o Governo da Província de Nampula, qual visa à implementação de iniciativas de apoio ao desenvolvimento relativo aos programas de subsistência e extensão comunitária em 10 distritos ao longo do corredor. É no âmbito deste MOU, e em resposta ào pedido de Sua Excelência o Governador, que a Nacala Logistics apresenta neste momento, diversos medicamentos, para fazer face a exacassez dos mesmos nas unidades sanitárias da província.”
“Neste contexto, faço a entrega do primeiro lote composto por 14.000 unidades de Lactato de ringer 1000ml, 5.000 unidades de Soro fisiológico 1000ml, 5.000 unidades de Dextrose a 5% 1000ml, 84.000 unidades de Amoxicilina cps 500mg, 20.000 comprimidos de Ciprofloxacina 500mg,
890.000 comprimidos de Metronidazol 250mg, 50.000 comprimidos de Paracetamol 500mg, 10.000 unidades de Paracetamol suspensão 120mg/5ml, 20.000 comprimidos Butilescopolamina 2mg, 150 unidades de Ceftriaxona injectável, 1.000 comprimidos de Salbutamol, 2.000 comprimidos de Prednisolona 20mg, 10.000 comprimidos de Clorfeniramina 4mg, 1.000 unidades de Hexacloreto de benzeno, 20.000 comprimidos de Albendazol 400mg, 8.000 comprimidos de Griseofulvina 500mg, 4.000 bisnagas de Clotrimazole creme, 100.000 Luvas de exame, 10.000 unidades de Iodopovidona, 20.000 unidades de Gaze,” apontou B.P. Awasthi, prometendo que “brevemente iremos entregar o segundo lote composto por 5.000 unidades de Soro fisiológico 1000ml, 5.000 unidades de Dextrose a 5% 1000ml, 15.000 unidades de Amoxicilina suspensão 250mg/5ml, 10.000 unidades de Paracetamol suspensão 120mg/5ml, 20.000 comprimidos de Albendazol 400mg, 25.000 barras de Sabão Mainato,20.000 unidades de Purificador de água.” (Redação)

Ndaliwa Ine de Arune Valy chega a Nampula

Nampula (IKWELI) – O locutor da Rádio Moçambique, Arune Valy, lançou, nesta segunda-feira (27), na cidade de Nampula a sua obra com o título “Ndaliwa Ine: Mitos e realidades vividas”, composta por 130 (cento e trinta) crónicas que retratam diferentes vivências dos diferentes povos do país, assim como a pertinência do diálogo como mecanismo para fortalecer as relações entre os Estados.

O autor concentra suas crónicas na explicação de algumas crenças míticas do povo moçambicano e mostra também a importância dos estudos antropológicos, sociológicos, ciências da religião, assim como advertências morais, ou seja, a necessidade de honrar os pais que muitas vezes são acusados por questões de feitiçaria, tanto como exorta a relevância de respeitar os mais velhos uma vez que quando atinge uma determinada idade são excluídos na sociedade.

De acordo com Valy, existem certas crenças que a comunidade acredita, mesmo sem nenhuma explicação científica, como por exemplo, “a vida é de seis (6) em seis (6) meses. Cheguei a conclusão depois de fazer algumas pesquisas através da observação nos cemitérios que as pessoas morrem de seis (6) em seis (6) meses. Fui em alguns cemitérios da Beira, Maputo também Africa do Sul e também encontrei a mesma situação. Portanto, é preciso pesquizarmos e encontrarmos a razão deste acontecimento,” disse.

“Escrevo o livro para todas as classes socias, uma vez que a linguagem é de fácil perceção, não usei um vocabulário complicado para que todos possamos ter acesso e junto com algumas línguas nativas como forma de valorizar aquilo que é nosso,” frisou.

O autor exorta a toda camada social, e de forma particular a juventude para que cultive o hábito da leitura, pois ao ler permite que a pessoa possa viajar para outras realidades, conheça lugares, sem que chegue no sítio.” Não importa se é o livro físico ou eletrónico, porque tudo é leitura, uma pessoa que não lê não conhece o mundo, portanto, a nova geração tem que ler e escrever,” sublinhou a fonte.

Arune Valy nasceu em Setembro de 1955, na Província de Tete, tendo frequentado o ensino Primário na Escola Baptista Coelho (actual Escola Terceiro Congresso), frequentou o nível secundário na Escola Comercial e Industrial Doutor Lacerda de Almeida e prosseguiu para a Escola Secundária de Tete.

Valy é formado em Jornalismo pela Escola de Jornalismo. Em 1962, ingressou nos quadros da Rádio Moçambique, emissor provincial de Tete, onde relatava e comentava os jogos de futebol 11 e em 1996, foi nomeado chefe de redação, função que desempenhou até 2006. (Francisco Mário)

População de Cabo Delgado não quer saber de redes mosquiteiras distribuídas pelo MISAU por estas serem alegadamente mortíferas

Nampula (IKWELI) – A população da província de Cabo Delgado não quer receber as redes mosquiteiras distribuídas pelo Ministério da Saúde (MISAU), alegadamente por estarem na origem de mortes súbitas que ocorrem na região.

Testemunhas no local contam que a situação já causou a morte de uma pessoa, e esteve na origem de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), numa das comunidades daquele ponto do país, pois as redes mosquiteiras, no entender deles, têm medicamentos mortíferos.

Face à escalada de medo, o Sector de Saúde de Cabo Delgado reagiu prontamente com um comunicado oficial a desmentir a suspeita de existência de algum medicamento que cause morte nas redes mosquiteiras.

“Desde o dia 26 do mês em curso, tem circulado informações nas redes socias, alegando que em algumas comunidades da província de Cabo Delgado verificou-se existência de redes mosquiteiras distribuídas por Ministério da Saúde (MISAU) que teriam “chips” ou substância que estariam a causar “doença” ou “morte” nos seus utilizadores. Dada a gravidade destes rumores e o impacto negativo que pode gerar na saúde publica, este comunicado tem como objetivo esclarecer e tranquilizar a população que a informação que circula é falsa.”

Segundo o documento na posse do Ikweli, as redes mosquiteiras distribuídas pelo Ministério da Saúde são seguras, eficazes e especialmente para a prevenção da Malária. “Não existe qualquer fundamento que comprove a presença de “chips”, substância ou efeitos negativos associados ao seu uso, por isso apelamos a continuação do uso das mesmas.”

E essa informação, também, espalhou-se pela província de Nampula e moradores de Xequele, no distrito de Meconta, rejeitaram no último sábado (25) receber redes mosquiteiras.

O Ikweli contactou por via telefónica o administrador do distrito de Meconta, Orlando Pedro, quem disse não ter informação sobre o assunto. “Eu como administrador não tenho nenhuma informação desta natureza.”

De salientar que este é o segundo boato que abala as províncias da zona norte do país, incluído a província da Zambézia em menos de duas semanas. (Hermínio Raja)

Quebra de barreiras: Mulher mecânica leva água e esperança à Monapo

Nampula (IKWELI) – No distrito de Monapo, concretamente no posto administrativo de Netia, uma história de superação e coragem tem chamado atenção de muitas comunidades.

Trata-se de uma mulher que decidiu desafiar padrões sociais e assumir um papel pouco comum, tornando-se mecânica de máquinas de furos de água, um trabalho tradicionalmente dominado por homens.

Marília Niuane é o nome por trás desta história inspiradora. Com determinação e vontade de aprender, ela encontrou um caminho para transformar sua vida e, ao mesmo tempo, contribuir para o bem-estar das comunidades que dependem dessas máquinas para o acesso à água.

Sua jornada começou de forma simples, impulsionada pela sua inteligência natural e pela curiosidade em aprender algo novo. Posteriormente, teve a oportunidade de participar numa pequena capacitação promovida por um projecto local, o que fortaleceu ainda mais suas habilidades.

Num contexto onde muitas vezes as mulheres são subestimadas quanto à sua capacidade de realizar trabalhos técnicos, Marília decidiu provar o contrário. Hoje, ela domina a reparação de diferentes tipos de avarias em máquinas de furos de água. “Existem várias intervenções na reparação destas máquinas de furos de água, existe de 2.000,00Mt Mt (dois mil meticais), também existe de 1.500,00Mt (mil e quinhentos meticais) e existe outra que está 3.000,00Mt (três mil meticais) depende da avaria, porque onde aprendi, tenho tudo por escrito em termos de valores de cada reparação.”

Com o seu trabalho, dona Marília, como é carinhosamente tratada, tem conseguido não só garantir o seu sustento, mas também ampliar o seu campo de actuação, sendo chamada para diferentes localidades.

“Trabalho em Meconta, Muecate, assim em breve vou a Murrupula, fui chamada, e existem muitos homens que pensavam que aquilo tudo que eu faço alguém me ajuda, quando me viram de perto, acreditaram que na verdade sou eu que faço o trabalho. Gosto muito e já tenho muita coisa na minha casa, até vendo peças de montagem dessas máquinas.”

As suas viagens por diversos pontos administrativos e distritos mostram o reconhecimento crescente do seu trabalho. A cada nova intervenção, Marília reforça a confiança das comunidades no seu talento e dedicação.

Para além do impacto económico, o seu exemplo tem despertado curiosidade e admiração, sobretudo entre outras mulheres, que passam a ver novas possibilidades para as suas próprias vidas. (Malito João)