Nampula (IKWELI) – O Governo do distrito da Ilha de Moçambique, em Nampula, promoveu, no último fim-de-semana, uma jornada de convivência comunitária na localidade de Sanculo, marcada pela valorização da pesca artesanal, gastronomia local e reforço do diálogo entre as autoridades e a população.
A iniciativa, liderada pela administradora distrital, Josina Taipo, transformou a zona costeira num espaço de celebração cultural e interação direta com os pescadores, considerados pilares da economia local.
O evento reuniu membros do Conselho Comunitário de Pesca, líderes tradicionais, com destaque para os régulos, além de representantes dos serviços distritais e técnicos governamentais.
Num ambiente descontraído, mas carregado de simbolismo, o peixe grelhado assumiu-se como elemento central do convívio, representando a ligação entre o Governo e a comunidade piscatória.
A gastronomia típica da Ilha também esteve em evidência, com destaque para pratos como ostras ao molho de coco, chima de diversas farinhas, mandioca, banana verde, peixe e lula grelhados, além do tradicional tocossado com caracata.
O encontro foi igualmente marcado por momentos culturais, cânticos e um ambiente de partilha, reforçando a identidade local e promovendo a união entre governantes e governados.
Com esta iniciativa, o Governo distrital disse que pretende consolidar um modelo de governação mais inclusivo, participativo e próximo das comunidades, privilegiando o diálogo direto e a valorização das tradições locais.
A jornada em Sanculo deixa como mensagem central a importância de construir soluções conjuntas com as comunidades, numa perspectiva de desenvolvimento sustentável e fortalecimento da identidade cultural. (Malito João)
Nampula (IKWELI) – A população de Nampula reagiu com entusiasmo ao lançamento do plano de 90 dias que visa combater o consumo e tráfico de drogas, apresentado esta segunda-feira (4) pelo governador da província, Eduardo Mariamo Abdula.
Durante o evento, vários participantes manifestaram apoio à iniciativa, considerando-a um passo importante para travar um problema que afecta famílias e comunidades. “Estamos muito felizes, nós pais, por o governo mostrar esse interesse de querer eliminar este mal de uma vez por todas. Gostei também do facto de o governador reconhecer que pode não ser em 90 dias, mas esperamos que todos os pais ajudem nesse processo,” afirmou Carlos Cândido.
Já Sara Felizardo, disse acreditar na seriedade do dirigente provincial, mas defendeu maior envolvimento das famílias. “Tenho fé que o governador é uma pessoa séria, por isso pedimos que cada pai faça a sua parte, acompanhando os seus filhos para evitar o consumo de drogas,” disse.
Alguns activistas sociais presentes no lançamento consideram que a iniciativa pode trazer resultados positivos a curto e médio prazo, sobretudo se houver colaboração entre governo e sociedade.
Isso acontece numa altura em que o governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, declarou “guerra cerrada” contra o consumo e tráfico de drogas, afirmando que as portas estão definitivamente fechadas para estas práticas.
O pronunciamento foi feito à margem do lançamento oficial do plano, que visa reforçar ações de prevenção, combate e reintegração social.
Na ocasião, Abdula garantiu que não haverá tolerância para práticas ilícitas, sublinhando que interesses financeiros não irão comprometer a integridade do Estado.
Dirigindo-se a população, o governante apelou à mudança de comportamento, mas deixou claro que a lei será aplicada com rigor. O governador concluiu apelando o envolvimento de toda a sociedade, destacando a importância da prevenção e do apoio aos cidadãos que pretendem abandonar o consumo de drogas. (Malito João)
Nampula (IKWELI) – Nos últimos dias, a cidade de Nampula ressente-se da crise de falta de combustíveis, fenómeno que leva os operadores de transporte semicolectivo de passageiros a ameaçarem paralisar actividades, enquanto viaturas particulares tendem a assumir a prática da actividade, embora que de forma tímida.
Ainda associado a crise de combustível, filas extensas de viaturas registam-se nas bombas de abastecimento e congestionam as principais ruas e avenidas na cidade de Nampula, com relatos de motoristas a dormirem nas estações de abastecimento por 1 ou 2 dias.
Os chapeiros estão a perder muito com a crise de combustíveis, enquanto o governo não se pronunciar o mais urgente possível, provavelmente os chapeiros parem de circular ou aumentem os preços para que pelo menos consigamos a receita,” disse Dionísio Ali, transportador de passageiros.
Issufo Amade, também operador de “chapa-100”, disse em entrevista ao Ikweli que não é do seu agrado carregar até as paragens mais próximas, mas a situação não favorece. “Com a falta de combustível, conseguimos carregar até as paragens mais próximas, não é do nosso agrado aumentar o preço do chapa, mas a crise de combustível nos pressiona, estamos a falar que 1 litro está a custar 300,00Mt (trezentos meticais), antes estava a 83,00Mt (trinta e três meticais), o que não compensa nada.”
Por outro lado, munícipes denunciam que há indivíduos não licenciados que usam suas viaturas particulares para fazer o transporte semicolectivo de passageiros na cidade de Nampula.
“Nos últimos dias e por causa da falta de combustível em diferentes bombas de combustível, viaturas, na sua maioria de caixa aberta, entram na rota em jeito de socorrer, daí que da paragem da zona da memória com destino a Waresta, custa o valor de 15,00Mt (quinze meticais), em algum momento sentimos que nesta situação toda, há roubalheira que prejudica os passageiros,” disse Elsa Cassimo.
Outra fonte, Maria Helena, afirmou que “caminhamos em dias piores e vemos pessoas diferentes a aproveitarem-se da situação da falta de combustível, os chapeiros ameaçam paralisar a actividade ou encurtar a rota, também notamos que há muitos carros de caixa aberta que fazem o transporte a luz do dia no valor de 15,00Mt e no final do dia 20,00Mt (vinte meticais), essas situações deixam os passageiros sem escolha.” (Nelsa Momade)
Canal (IKWELI) – A Incubadora de Startups e Aceleradora de Empresas da Universidade Rovuma (UniRovuma) graduou mais de 40 empreendedores em Nacala-Porto, no âmbito de um programa de capacitação em gestão de negócios. No total, 46 empreendedores concluíram a formação, dos quais 28, correspondentes a 60 por cento, são mulheres, e os restantes homens. Durante cerca de quatro meses, os participantes foram capacitados em áreas como gestão estratégica de negócios, finanças, registos contabilísticos e marketing. A formação foi facilitada por docentes da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais (FACEE) e do Instituto Superior de Transporte, Logística e Telecomunicações (ISTLT), no âmbito do projecto OHOLO, financiado pela Technoserve, que visa fortalecer o tecido empresarial no Corredor de Nacala. Segundo o director da FACEE, professor Castigo José Castigo, a graduação não marca o fim do processo formativo, uma vez que os empreendedores continuarão a ser acompanhados durante mais quatro meses, incluindo sessões de treinamento nos seus locais de actividade. Falando no encerramento da iniciativa, o responsável destacou que a faculdade continuará a promover programas semelhantes, no quadro da incubação empresarial e do incentivo ao empreendedorismo, em linha com as atribuições da UniRovuma. A cerimónia de encerramento contou com a presença de representantes da Administração do Distrito de Nacala-Porto e do Conselho Municipal da cidade, que testemunharam a conclusão da formação. (Redação)
Nampula (IKWELI) – O Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), Dom Inácio Saure, manifestou recentemente profunda angústia face a mais um ataque terrorista contra uma missão católica na Diocese de Pemba, na província de Cabo Delgado. De acordo com o prelado, o ataque terá deixado sinais claros de incitamento ao ódio religioso. Segundo disse, o acto não só fere a fé dos cristãos, como também atinge duramente a vida social da comunidade local, que dependia da missão tanto para a assistência espiritual como para apoio humano básico. “Foi com profunda dor que recebi ao cair da tarde da sexta-feira passada, dia 1 de Maio em curso, a notícia do ataque no dia 30 de Abril contra missão Caótica de São Luís Maria de Monforte de Nhewene da Diocese de Pemba, criada em 1946 pelos missionários Monfortinino da Olanda, um autêntico património dos primeiros anos da evangelização de Cabo Delgado”. Dom Inácio Saure alerta que este tipo de violência ameaça seriamente a convivência pacífica entre os moçambicanos, colocando em risco valores fundamentais de tolerância e respeito entre diferentes crenças. “Ao cair da tarde de quinta-feira, atacaram a igreja paroquial de São Luís de Maria de Monforte, a secretaria e a residência dos missionários, vandalizaram a escola infantil, deixando toda missão reduzida a escombros. Essa bárbara destruição de infraestruturas ao serviço religioso e social da comunidade como se não bastasse, os atacantes voltaram a difundir de forma clara a mensagem de ódio contra os cristãos, isto contraria completamente a nossa cultura de convivência pacífica entre pessoas de diferentes crenças religiosas em Moçambique, nosso saber ser e fazer e nosso saber viver em paz.” O bispo católico condena com firmeza o ataque, classificando-o como um acto macabro que atenta contra os princípios da convivência humana e religiosa, apelando à rejeição de qualquer forma de violência motivada por crenças. “Como cristão e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, quero manifestar o meu mais veementemente repúdio a violência contra os cristãos e meu mais vigoroso apelo ao respeito mútuo e amor contra aqueles que se declaram filhos de Deus, caso particular entre crentes e religiões Abraâmicas como o cristianismo e Islão, pois o Deus de Abraão, o Deus de Muhammad e o Deus de Jesus Cristo não é Deus de ódio, Deus de crime, mas é Deus de amor, nunca apareça a Islamofobia, porque os muçulmanos não são nossos inimigos, eles são nossos irmãos muito amados e mais do que isso, confesso que o meu maior pecado é crer firmemente que todos homens crentes ou não, não podem, mas devem conviver em harmonia e em paz.” Perante mais este episódio de violência em Cabo Delgado, cresce o apelo à união, tolerância e reforço da segurança, numa altura em que comunidades inteiras continuam vulneráveis a ataques que não apenas destroem infraestruturas, mas também tentam quebrar o espírito de convivência pacífica que caracteriza Moçambique. (Malito João)
Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, lançou a campanha dos 90 dias intensivos de prevenção e consumo à droga na província, em resposta a situação catastrófica que envolve adolescentes e jovens nas comunidades locais. Preocupado com a situação, o governador prometeu em sessão da Assembleia Provincial, realizada em abril último, envolver-se, arduamente, nessa causa, porque os adolescentes e jovens estão a perder-se.
“Nampula não pode ser terra de droga,” disse o governador, recordando que “esta província é terra de trabalho, de gente honesta, de futuro.”
“E futuro não se constrói com jovens drogados, com crianças nas esquinas, com famílias destruídas pelo pó branco e pela soruma,” justificou o governador sobre o lançamento da campanha, que decorre sob lema “Tolerância Zero ao Tráfico e Consumo de Drogas em Nampula.” Num outro desenvolvimento, o governador questionou “porquê 90 dias?”, para justificativamente responder que “a droga não espera. Cada dia que passa é um filho que perdemos, uma escola que esvazia, um lar que chora. Serão 90 dias de acção intensiva: batida atrás de batida, prevenção em cada bairro, tratamento para quem quer sair, mas também 90 dias de mão dura para quem insiste em envenenar o nosso povo.”
As acções?
Tio Salim, o carismático governador de mais de 7 milhões de habitantes explicou que durante os 90 dias, “as nossas Forças de Defesa e Segurança, a PRM e o SERNIC, têm ordem clara: ir atrás dos traficantes, grandes e pequenos, do patrão ao que vende na esquina. Quem vende droga é inimigo desta terra, e ao inimigo não se dá trégua. Vamos desmantelar bases, fechar barracas, prender e levar à barra da justiça. E contamos com o Ministério Público e os tribunais para que a justiça seja célere e exemplar. A desordem respondemos com Lei e Ordem.”
“Levaremos prevenção às escolas e aos bairros, porque a droga entra onde falta ocupação e falta verdade. Vamos ocupar os jovens com desporto, cultura e formação. *Pais, conversem com os vossos filhos. Líderes religiosos, falem nas mesquitas e nas igrejas. Droga é haram, droga é pecado, droga é morte. Para quem caiu, há caminho: vamos reforçar o centro de reabilitação e trabalhar com a Saúde e parceiros. Quem quer ajuda terá a nossa mão. Quem quer continuar no crime terá a mão dura da Lei,” voltou a destacar o governador.
E a comunidade é chamada denunciar, porque “denunciar não é intriga, denunciar é salvar uma vida. Dentro de 48 horas, lançaremos uma linha telefónica gratuita e um número de WhatsApp para denúncias anónimas – o número será divulgado nas rádios e nas portas de cada posto administrativo. Cada informante é um soldado nesta causa. Cada bairro deve ser uma trincheira contra a droga.”
Eduardo Abdula declarou que “não vamos aceitar que esta província seja corredor de droga. Não vamos aceitar que os nossos portos, aeroportos e estradas sirvam para envenenar Moçambique. *Não vamos aceitar que vendam morte aos nossos filhos à porta da escola,” tanto é que “deixo um aviso aos traficantes: Nampula fechou a porta. Ou param, ou vão parar na cadeia. Não há padrinho que vos salve. Não há dinheiro que compre o silêncio do Governo. Tolerância zero é tolerância zero.”
“Aos jovens, digo: a vida é a vossa maior riqueza. Não troquem o vosso futuro por cinco minutos de ilusão. A droga não faz de ninguém homem nem corajoso. Droga faz escravo. E Nampula não quer escravos. Quer jovens livres, fortes, a trabalhar,” apelou o chefe do Executivo provincial de Nampula, chamando aos pais para que “vigiem, acompanhem, perguntem com quem andam os vossos filhos. O silêncio em casa abre a porta da rua. E na rua, o traficante está à espera. Estamos dentro do mesmo barco. Nesta campanha, ou jogamos juntos, ou perdemos separados. Governo, Polícia, Escola, Igreja, Mesquita, Família – todos com a mesma camisola: a camisola de uma Nampula limpa.”
“Em 90 dias não vamos acabar com a droga. Mas vamos mostrar que Nampula acordou, que não aceita, que luta,” concluiu o governador Eduardo Mariamo Abdula. (Redação)
Nampula (IKWELI) – O Relatório mais recente do MISA Moçambique indica que, embora tenha havido uma redução no número de violações contra a liberdade de imprensa em 2025, o ambiente para os jornalistas no país continua preocupante.
De acordo com o documento divulgado este domingo (3), foram registados 15 casos de violações em 2025, contra 32 em 2024. Ainda assim, o MISA Moçambique alerta que esta diminuição não representa necessariamente melhorias estruturais, pois “a redução dos números não representa, por si só, uma melhoria do ambiente em que os media e os jornalistas operam.”
Segundo o mesmo documento, a maioria das ocorrências esteve relacionada com agressões físicas, mantendo um padrão recorrente no país, sendo que o Estado, incluindo agentes das Forças de Defesa e Segurança, são apontados como um dos principais responsáveis por estas violações. Segundo o relatório, “entidades públicas não hesitam em usar a força contra profissionais dos media”.
Um dos casos mais graves destacados é o desaparecimento do jornalista Arlindo Chissale, ocorrido em janeiro de 2025, no Norte do país. Mais de um ano depois, o caso permanece sem esclarecimento por parte das autoridades. O MISA considera que o incidente não é isolado, mas parte de um padrão de hostilização contra jornalistas que cobrem o conflito em Cabo Delgado. Chissale era um dos editores do Pinnacle News, um site de notícias gerais incluindo o terrorismo.
A situação no Norte continua crítica, com relatos de intimidação e restrições ao trabalho da imprensa, sendo que naquele ano um dos episódios foi de 16 jornalistas que foram ameaçados e tiveram equipamentos confiscados por forças de segurança durante uma cobertura pouco depois de deixarem a sede do distrito de Macomia em direcção à Muidumbe.
Em Moçambique, de acordo com o MISA, a pesar de existir um quadro legal que protege a liberdade de imprensa, incluindo a Constituição, o relatório aponta que a prática é diferente porque “as recorrentes violações registadas no país não resultam de um problema de fragilidade legal, mas da cultura autoritária vigente”, sublinha o documento.
O contexto político também influencia diretamente o sector. Após a crise pós-eleitoral de 2024, marcada por forte repressão, 2025 trouxe relativa estabilidade, mas sem mudanças profundas. Para o MISA, o posicionamento do novo Presidente Daniel Chapo será determinante para o futuro da imprensa no país. Daniel Chapo até tem aparecido através de comunicados sobre os dia da liberdade de imprensa, informação e dos jornalistas. Um dos momentos que marca o presente ano é a nova Lei de comunicação social e radiodifusão.
Refira-se que no ranking mundial, por exemplo, da Repórteres Sem Fronteiras, Moçambique subiu ligeiramente em 2025, mas o relatório indica que essa melhoria não reflete necessariamente avanços internos.
O MISA conclui que o país continua a enfrentar desafios significativos, defendendo a necessidade de maior compromisso político para garantir um ambiente seguro e livre para o exercício do jornalismo. (Redacção)
Nampula (IKWELI) – Os artistas da área da dança na cidade de Nampula lamentam a falta da valorização da actividade, alegadamente devido a falta de incentivos quando são solicitados para actuarem nos eventos, daí que pedem que o cenário seja ultrapassado para evitar abandono da arte.
A inquietação foi manifestada no dia 29 de abril, na cidade de Nampula durante a celebração do Dia Internacional da Dança, uma data instituída pelo Comité da dança da UNIESCO (organização das Nações Unidades para Educação, Ciência e Cultura) no ano de 1982, e que este ano a comemoração foi sob lema: Regulamentação Urgente das Competências da Dança.”
Domingos Três, vice-presidente da Associação de Grupos de Dança na cidade de Nampula, disse ao Ikweli que há falta de consideração da actividade, mas sempre que os eventos governamentais acontecem os artistas estão em prontidão para alegrar. “Pedimos material para o nosso trabalho, mas não recebemos respostas satisfatórias, queremos que o governo possa atender as nossas necessidades. É preciso que pelo menos água para beber nos deem. Por exemplo, hoje os grupos estavam aqui sentados, mas não tinham água para beber,” lamentou.
Três afirmou que existem muitos grupos que não têm material de actuação, o que poderia elevar avante a dança ao nível de Nampula se estivessem a receber incentivos, por isso “muitos grupos de dança não aparecem quando são solicitados porque sabem que não terão algo”.
Cristina Souana, coreógrafa e professora de dança na Casa de Cultua em Nampula, também apontou como a alegada falta da valorização, assim como a extinção de algumas danças como um grande problema que os artistas enfrentam ao nível de Nampula.
“Existem muitas danças que estão em via de extinção, é preciso trabalhar para evitar o desaparecimento. O outro desafio é a valorização do próprio artista, porque precisam de indumentárias. Na parte dos instrumentos, os instrumentistas de alguns grupos são alugados, e eles precisam de valores para pagarem os mesmos quando realizam um determinado evento. Assim sendo, quando se contracta um grupo deve ser pago, a partir da alimentação, transporte. Os grupos precisam de dinheiro para sustentar as danças que nós queremos ver porque eles têm muita força de vontade, mas se não são apoiados ficam desanimados,” apelou a fonte.
Como forma de resgatar as danças, a nossa entrevistada referiu que “existe um plano de ir nos distritos porque lá tem muita riqueza para oferecer, o que nós assistimos na cidade na área da dança é o fruto dos distritos. Também é preciso que os grupos que ainda mantêm, formem os jovens para seja os continuardes,” realçou.
Na ocasião, Baptista Júlio, em representação da directora provincial da Cultura e Turismo, afirmou que a dança, enquanto uma expressão universal, é importante na identidade cultural dos povos, pois traduz sentimentos com histórias, preserva tradições e reforça laços de presenças comunitárias.
“A província de Nampula dispõe 1.848 (mil, oitocentos e quarenta e oito) grupos culturais, 570 (quinhentos e setenta) cantores e músicos, 81 (oitenta e um) artistas dedicados a música tradicional. Estes números reflectem a vitalidade e riqueza do nosso património cultural,” referiu o representante.
Júlio anotou, igualmente, que a dança, para além da manifestação cultural, é também uma actividade económica e social e relevante que pode gerar emprego, renda, inclusão, sobretudo para os jovens.
Dai que “para que este potencial seja explorado, torna-se imperioso a criação de instrumentos legais e normativos que orientem o exercício da atividade, que protejam os seus intervenientes e promovam a sua sustentabilidade,” frisou. (Francisco Mário)
Nampula (IKWELI) – Foi lançada na última quinta-feira (30) de abril, na cidade de Nampula, a obra literária com o título “A Viagem na Imaginação” do escritor e presidente do Grupo de Escritores de Nampula, Michael Nivorocha, abordando temas que residem na capacidade de desfazer a fronteira entre a realidade e a fantasia, despertando emoções que se julgam esquecidas.
A obra de 57 (cinquenta e sete) poemas, traz um olhar holístico, com um pouco de tudo dos conteúdos literários universal, ao apresentar temáticas que partem da meta-poética.
Segundo o autor, a obra está mergulhada nos acontecimentos sociais, ou seja, apresenta temáticas que exploram assuntos como amor, dor, o ódio e outros temas que levam os seres humanos a introspeção no sentido de encontrar o sentido da existência, assim como a pertinência do uso da imaginação. Isto é, cada verso é um apelo ao autoconhecimento, ao conforto com as emoções mais profundas e a reflexão sobre as complexas relações humanas.
“A imaginação leva a mudança significativa porque é dela que vem o pensamento, enquanto não houver a imaginação acho que o pensamento não vai existir. O processo de criação de qualquer coisa é o fruto da imaginação. Então, este pensamento tem como resultado de contribuir para o melhor, mudanças positivas. É impossível o ser humano viver sem imaginação, apenas a diferença reside de alguns materializarem e os outros ficarem na sua imaginação,” disse o autor da obra.
O escritor exorta aos jovens a terem coragem sobre as diferentes peripécias da vida e seguirem em frente, “mesmo em situações mais difíceis da existência humana, as vezes o cérebro faz questões e não existem repostas, então, coragem é o auge da fadiga,” sublinhou.
De acordo com Nivorocha, “o poeta nasce quando não pode falar com mundo, pega na caneta e exprime tudo o que lhe aparece na alma, quele momento que acha que não é compreendido pela sociedade, entra no seu interior para se expressar.”
Michael Nivorocha nasceu no bairro de Murrapaniua, na cidade de Nampula, é escritor, também activista literário, participou em diversas antologias de poemas e contos.” (Francisco Mário)
Nampula (IKWELI) – A propagação de informações “falsas” sobre o alegado encolhimento de órgãos genitais masculinos, supostamente causado por simples toque com a mão e que está a gerar preocupação crescente em várias pontos de Nampula e até com auxilio das redes sociais, tendo provocado reacções violentas por parte de cidadãos, resultando em casos de espancamentos, tortura e até mortes de pessoas inocentes, acusadas sem qualquer prova, levaram a Procuradoria Provincial a juntar-se no combate ao fenómeno.
Para efeito, aquele órgão de garante da legalidade promoveu, na semana passada, um encontro com os Serviços Provinciais de Saúde e a Polícia da República de Moçambique (PRM), com vista a avaliar a situação e definir estratégias conjuntas de resposta.
Durante a reunião, o procurador da área criminal, Cristóvão Mulieca, destacou a gravidade do fenómeno, considerando que os boatos estão a colocar em risco a ordem pública e a segurança dos cidadãos, exigindo uma intervenção urgente e coordenada.
Como medida imediata, as três instituições anunciaram o reforço de acções de sensibilização nas escolas e comunidades, através de palestras educativas destinadas a desmentir os mitos e prevenir comportamentos violentos.
Por sua vez, o médico-chefe provincial, Geraldino Avalinho, voltou a assegurar que não existe qualquer evidência clínica que sustente as alegações, sublinhando que nenhuma unidade sanitária registou casos relacionados com o suposto desaparecimento ou redução de órgãos genitais. Avalinho defendeu a criação de uma equipa multissectorial para intensificar a divulgação de informação credível, utilizando os meios de comunicação social e outros canais comunitários.
As autoridades apelam à população para que evite a propagação de rumores e recorra às instituições competentes sempre que surgirem dúvidas, de modo a evitar injustiças e proteger vidas humanas e alertam que a disseminação de desinformação e o incitamento à violência são crimes previstos e puníveis pela Lei moçambicana. (Malito João)