Refugiados detidos pela PRM em Nampula desapareceram

Nampula (IKWELI) – Onze cidadãos de nacionalidade estrangeira detidos na semana passada no Centro de Refugiados de Maratane pela Polícia da República de Moçambique (PRM) são dados como desaparecidos.

Segundo testemunhas entrevistados pelo IKWELI no local, o grupo dos refugiados foi detido, sem nenhum mandado judicial, durante a calada da noite por agentes da PRM.

Esta situação provocou uma revolta e instalou medo no seio de outros refugiados acolhidos naquele centro, o único da região Austral de África.

De acordo com um refugiado que não quis se identificar, temendo a perseguição das autoridades, a Polícia desencadeou, na semana passada, uma série de detenções nocturnas que culminaram com a captura de onze cidadãos.

“A Polícia estava no cruzamento, da entrada de Maratane, e capturou sete pessoas. Depois de noite, por volta das 2horas, entrou um carro da Polícia e dentro havia agentes que levavam as pessoas em busca e captura. Até agora não sabemos o paradeiro dessas pessoas [estrangeiros]. Assim são onze pessoas [detidas]. A maioria é da República Democrática do Congo e da Etiópia”, disse a nossa fonte.

Os refugiados afirmam que não foram informados das razões das detenções até porque, antes das mesmas, a região estava calma e tranquila, mas agora muitos vivem com medo, pois não sabem se não serão os próximos.

“Estamos com medo, porque nessa lista não sabemos quem será detido na noite de hoje. Quando entramos em Moçambique sabíamos que, também, eles [os moçambicanos] já foram refugiados. Moçambique agora vive na paz e prima pelo diálogo e como é que essa harmonia não pode entrar lá em Maratane?”, precisou o nosso entrevistado, cuja identidade a protegemos.

Os refugiados pedem, agora, a intervenção do governo e parceiros para o esclarecimento das detenções.

A Comissão Episcopal para Migrantes e Refugiados e Deslocados (CEMIRDE), uma organização pertencente a igreja católica, teve conhecimento atraves de terceiros, mas tenta apurar junto das autoridades governamentais locais.

O padre Pierre Arlian é o ponto focal da CEMIRDE em Nampula e disse que “eu ouvi isso, também, mas não confirmei. Estava a ligar para o administrador para, justamente, saber o que aconteceu. Não tenho certeza, só que alguns paroquianos falaram disso, mas as autoridades do campo (administrador) ainda não consegui falar com ele”.

Entretanto, as autoridades governamentais desconhecem as detenções. O Ikweli contactou, telefonicamente, o recém-nomeado administrador do Centro de Refugiados de Maratane, Chea Consolo.

Aquele responsável recusou-se a gravar entrevista, mas afirmou que não tinha conhecimento das alegadas detenções, e aconselhou-nos que contactássemos ao delegado do Instituto Nacional de Refugiados (INAR) em Nampula, este que, também, não quis falar e prometeu retornar a comunicação, o que não aconteceu até ao fecho desta reportagem.

Por seu turno, o porta-voz da Polícia moçambicana em Nampula, Zacarias Nacute, negou que haja uma operação que visava prender estrangeiros em Maratane e acrescentou que, em momento algum a Polícia prende um individuou e coloca-o em parte incerta.

“No momento, não trago subsídios sobre detenção de refugiados. Mas sempre que a Polícia faz detenção esses indivíduos não são dirigidos a partes incertas, mas sim encaminhados em diversas sob unidades que nós temos a nível da nossa província”, disse Nacute.

O Centro de Refugiados de Maratane alberga pouco mais 12 mil refugiados, oriundos de diferentes países, sobretudo a República Democrática de Congo, Burundi, Ruanda, Somália e Etiópia. (Sitoi Lutxeque)

“Avenida da ANE” está intransitável em Nampula

Nampula (IKWELI) – A avenida das FPLM no município de Nampula, norte de Moçambique, encontra-se em avançado estado de degradação, piorando com as chuvas que se fazem sentir na região desde finais de Dezembro de 2018.

No município de Nampula, duas avenidas não estão sob alçada do município local, nomeadamente a do Trabalho e das FPLM por pertencerem a estradas nacionais. Quando vivo, Mahamudo Amurane, então autarca de Nampula, tentou várias vezes persuadir a Administração Nacional de Estradas (ANE) para que a sua instituição tomasse a gestão da avenida das FPLM no sentido de torna-la decente.

A degradação daquela via tem solução a vista com as obras da reabilitação e construção da estrada Nampula – Nametil, cujas obras estão em curso pois, ela faz parte da mesma empreitada.

Os utentes já se queixam e dizem que as suas viaturas e outros meios circulantes já estão a pagar caro com a situação da estrada, entendendo-se que é mais uma estrada nos buracos e não buracos na estrada.

Na mesma avenida fica um terminal inter-distrital de transporte de pessoas e bens para os distritos de Angoche, Moma, Mogovolas, Liupo e Mogincual e com a situação os operadores vêm-se obrigados a abandonar os passageiros há uma enorme distância.

Os utentes pedem para que a parte correspondente a zona urbana seja reparada com alguma urgência, no sentido de garantir que o sofrimento das pessoas seja minimizado.

Enquanto isso, o conselho municipal de Nampula ocupa-se em tapar alguns buracos na avenida das FPLM na parte correspondente à zona cimento da urbe. (Celestino Manuel e Redacção)

FIPAG está a burlar consumidores em Nampula

Nampula (IKWELI) – Os clientes do Fundo de Investimento do Património e Abastecimento de Água (FIPAG) no município de Nampula, norte do país, acusam a instituição de estar a burla-los através de operações fraudulentas no processo de pagamento de facturas de consumo de água.

Segundo contaram ao nosso jornal, em cada fim do mês de consumo, quando os clientes se dirigem para o estabelecimento a fim de efectuar os pagamentos são obrigados a deixar o valor [sem o processamento do pagamento] e a respectiva factura e, em troca recebem uma senha, devidamente, carimbada.

Nas senhas consta o valor global que o cliente deixou. Assim, os clientes são recomendados a voltar no dia seguinte por o sistema não estar em condições. E quando voltam na data prometida apenas lhes é dito que o pagamento já foi lançado no sistema mas, sem nenhum comprovativo.

Para a surpresa destes, no mês subsequente a nova factura chega bastante alta, facto que deixa claro que o pagamento do mês anterior não reflectiu nas contas e/ou sistema da empresa. E quando se dirigem para reclamações lhes é informado que o sistema será resolvido nos períodos posteriores.

Timóteo Meque, um dos clientes lesados pelo esquema montado no FIPAG, contou ao nosso jornal que no mês de Novembro de 2018 recebeu uma factura com o valor de 835,95Mts, e no mês de Dezembro a multa e a dívida aumentaram, respectivamente.

Hermenegilda Luciano, também cliente do FIPAG, disse que no mês de Outubro de 2018 recebeu uma factura com o valor de 430,48Mts, e quando se dirigiu aquela empresa a fim de pagar foi dita que não havia sistema. No entanto, foi lhe recomendada para deixar a factura e o respectivo valor, no sentido de depois de restabelecido o sistema os técnicos procederem com o pagamento. Facto que não chegou a ser cumprido, acabando a cliente por ser multada pela suposta canalização tardia do valor da factura anterior.

No entanto, no mês de Novembro, esta mesma consumidora recebeu uma factura de 500,00Mts com uma dívida do mês anterior de 430,48Mts, facto que despertou a sua atenção, relativamente, ao não pagamento da factura do mês de Outubro.

Confrontada com esta situação, a senhora Hermenegilda dirigiu-se a tesouraria do FIPAG pelo que, como resposta, lhe foi dita que o problema seria resolvido, exigindo-a paciência.

Burlados mas sem água

Ainda com todas estas artimanhas consideradas pelo público como sendo burla institucional, a água não jorra nas torneiras de muitos consumidores.

Há zonas residenciais em que a água fornecida pelo FIPAG fica mais de uma semana sem gotejar nas torneiras, facto que deixa ainda mais agastado os clientes.

Em outros bairros do município de Nampula, há relatos de que há mais de três meses que a água não chega nas famílias e a empresa não dá nenhuma satisfação, excepto a distribuição regular das facturas de consumo.

Fragilidade do sistema

Por sua vez o Chefe do Departamento da Planificação e Monitoria, no Fundo de Investimento do Património e Abastecimento de Agua (FIPAG), área operacional de Nampula, Chaual Faquira, reconhece a fragilidade do sistema em alguns postos de cobrança a nível da cidade de Nampula, mas nega a existência de técnicos burladores na instituição.

Porém, aquele responsável fez saber que, caso se prove a veracidade das denúncias, pondera tomar medidas administrativas aos funcionários envolvidos no sentido de responsabiliza-los. (Celestino Manuel)

Há instituições de ensino técnico ilegais em Nampula

Nampula (IKWELI) – A direcção provincial do Ensino Superior, Técnico, Profissional de Nampula declara tolerância zero contra todas as instituições de ensino técnico profissional que funcionam ilegalmente neste ponto do país.

Trata-se, maioritariamente, de instituições do ramo privado que se dedicam a formações de curto prazo, emitindo, assim, certificados falsos para os seus clientes, por isso, a medida agora é o encerramento por definitivo das mesmas.

Leo Jamal, director provincial do Ensino Superior, Técnico, Profissional em Nampula, confirma o caso em entrevista ao nosso jornal, apontando que para o presente ano uma instituição vai fechar as portas e outras vão banir cursos que leccionam sem licença devida.

“Apelamos aos pais e encarregados de educação para que sempre perguntem se a instituição do ensino técnico tem alvará e se nele consta o curso no qual pretendem inscrever os seus educandos, porque ao contrário, corre-se o risco de se investir no educando durante muito tempo, para depois não ter certificado válido”, disse o dirigente.

O nosso interlocutor não quis revelar os nomes das instituições técnicas que funcionam ilegalmente na província de Nampula, porque segundo ele, só poderá tornar publica as respectivas identidades depois do despacho oficial.

A nossa equipa de reportagem, apurou de fontes seguras que o Instituto de Administração e Comunicação (IAC) e o Instituto MAJOMA não vão funcionar neste ano na cidade de Nampula, dado ao seu relacionamento as irregularidades anteriores.

Em relação ao IAC, apuramos ainda que no presente ano apenas vai operar na província do Niassa. (Constantino Henriques)

Ameaças e intimidação a jornalistas SERNIC pressionado a procura mostrar serviços em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), na província de Nampula, maior círculo eleitoral do país, finalmente cedeu a pressão e começou a tentar investigar as ameaças de que foram vítimas quatro jornalistas e um observador eleitoral.

Trata-se dos padres Benvindo Tapua, Cantifula de Castro, respectivamente director e director adjunto da Rádio Encontro, Aunício da Silva, jornalista e director editorial do Jornal Ikweli, Arlindo Chissale, jornalista da Rádio Comunitária de Nacala e António Mutoua, presidente da Sala da Paz, uma plataforma de observação eleitoral.

As ameaças tiveram lugar, largamente, em Outubro do ano passado, logo após o anúncio dos resultados das quintas eleições autárquicas, em que a Frelimo perdeu em cinco dos sete municípios de Nampula.

As vítimas receberam chamadas com números privados, ameaçando-as que poderiam ter consequências graves com a derrota da Frelimo nos municípios de Nampula, Nacala-Porto, Ilha de Moçambique, Angoche e Malema.

Estranhamente dos cinco intimados, apenas duas pessoas é que receberem as notificações enquanto as outras três até ao fecho desta edição ainda não haviam recebido sequer uma notificação para serem ouvidos, depois que a Rádio Encontro negou receber as intimações das outras vítimas pois, todos vinham identificados como sendo trabalhadores daquela estação de rádio católica.

Na sexta-feira, foram ouvidos, como declarantes, os padres Benvindo Tapua e Cantifula de Castro, todos gestores da Rádio Encontro, uma estação emissora pertencente à igreja católica, que transmite as suas emissões desde 30 de Dezembro de 1995, na cidade de Nampula.

Em entrevista ao Jornal Ikweli, o padre Cantifula de Castro, director adjunto da Rádio Encontro, lamentou e disse que o SERNIC, só depois de ter sido pressionado é que, decidiu tomar uma posição de tentativa de investigação, tendo recordado que a sua instituição já havia denunciado um outro caso de ameaças de morte em Março do mesmo ano, quando Paulo Vahanle, da Renamo, derrotou Amisse Cololo da Frelimo, em eleição intercalar realizada no município de Nampula para o preenchimento da vacatura na presidência da autarquia originada pelo assassinato bárbaro do autarca Mahamudo Amurane.

“SERNIC agora mostra-se preocupado porque alguém deu um empurrão, que é a Liga Nacional dos Direitos Humanos. Provavelmente, se não tivesse sido inscrito este ofício [da Liga] nada poderia acontecer para que houvesse estas audições”, disse o clérigo.

O Padre Cantifula de Castro está optimista quanto ao esclarecimento e à responsabilização dos indivíduos que lhes ameaçavam de morte. “Como é um organismo [Liga] extra Governo que está a fazer pressão, temos fé que podemos colher resultados que favoráveis”, precisou.

Apesar de não ter recebido nenhuma convocatória oficial, o nosso Director Editorial e PCA da Agência de Comunicação e Informação R&A, Lda, detentora do Jornal Ikweli, Aunício da Silva, foi um dos intimados, mas sem nenhum  documento formal.

Aunício da Silva afirmou que só teve conhecimento através de colegas que foi intimado, mas não sabe a data certa para a sua audição.

O jornalista e director editorial do Ikweli  não tem dúvida que o SERNIC pouca coisa poderá fazer, para além do silêncio que já habituou aos moçambicanos, no que concerne a esclarecimentos de determinados crimes.

“As convocatórias para interrogatórios nos Serviços Nacional de investigação Criminal são o reflexo de um Estado e sistema falhados. Portanto, num momento de desespero, querendo mostrar serviço, por causa da pressão da Liga dos Direitos Humanos, há esse interesse por parte do SERNIC em esclarecer a questão, mas sabemos que isso não vai dar em nada. Já tivemos casos muito mais complicados, como o assassinato de Mahamudo Amurane e de tantos outros membros da RENAMO na província de Nampula que não foram, até hoje, esclarecidos”, disse.

O nosso jornal ouviu o jurista Arlindo Muririua sobre este caso. O jurista, que também já foi observador eleitoral em muitos processos, entente que o facto de as audições iniciarem agora pode ser um aproveitamento político, face as próximas eleições gerais marcadas para Outubro.

“Estas convocatórias não seriam para as investigações, mas para informar [os visados] sobre as pistas que têm. O SERNIC às vezes perde o sentido do tempo. Nós vimos que Amurane morreu há um ano, mas quando aproximavam as eleições [de Outubro passado] foi quando anunciaram que os arguidos tinham sido constituídos”, disse. O analista acrescentou que não haverá nada de especial no caso das ameaças de mortes contra os jornalistas. (Sitoi Lutxeque e Redacção)

Os “15” voltam a atacar Nampula

Para além de roubar bens e espancar as suas vítimas, o grupo de malfeitores é acusado, também, de violar sexualmente menores de idade.

Nampula (IKWELI) – Perante uma polícia apática e agarrada a números de redução de casos criminais, malfeitores continuam a semear terror nos bairros da cidade de Nampula e o famoso grupo dos “15” acaba de ressurgir, actuando tranquilamente sem se preocupação com uma possível neutralização.

A actuação deste grupo de malfeitores começou no bairro de Mutauanha, arredores da maior cidade do norte de Moçambique, e vai progredindo para outras unidades residenciais.

O modus operandis do grupo compreende, para além de roubo e agressões físicas as suas vítimas, violações sexuais em grupo, muitas das vezes perante os seus parentes, impossibilitados de defender as suas mulheres e filhas.

Na quinta-feira da semana passada, o grupo actuou na Unidade Comunal de Muthita, onde para além de espancar violentamente a cidadãos locais, violou sexualmente uma menor de 15 anos de idade.

A mãe da menor escapou por pouco, porque o seu guarda ofereceu-se, em troca, para ser espancado no lugar de ver violada a sua patroa.

“Eram muitos gatunos e todos eles mascarados. Quando eles chegaram (naquela noite) amararão o guarda e espancaram-no. Por causa do grito do guarda, a menor tentou abrir a porta, como eles já haviam entrado no quintal, decidiram entrar no interior da casa. Violaram-lhe e queriam, também, violar a sua mãe”, conta uma vizinha da família que sofreu da investida dos “15”.

Um trabalhador da Electricidade de Moçambique (EDM) que vive naquele bairro contou-nos que a sua residência, também, foi vandalizada pelo mesmo grupo de malfeitores.

“Invadiram o meu quintal e introduziram-se no interior do mesmo. Partiram vidros da minha janela. Quando notei um ambiente estranho comecei a gritar a pedir socorro. Eles pediam que eu abrisse a porta. A sorte que tive é que os meus vizinhos ligaram para a Polícia, mas quando a mesma chegou já era tarde”; disse esta fonte que nos pedi a não revelação da sua identidade.

A PRM e os seus números

 Zacarias Nacute é o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) no comando provincial de Nampula e quando questionado pela nossa reportagem sobre o recrudescimento da criminalidade na cidade de Nampula desdramatizou a situação, socorrendo-se dos números de casos registados em períodos comparativos entre 2019 e 2018.

Ele justifica-se pelo facto da província ter registado, na semana passada, sete casos criminais contra dez do igual período do ano passado.

“O trabalho da Polícia continua ininterrupto. Portanto, há redução da criminalidade e não se trata do aumento”, gaba-se o polícia falante.

Sobre o caso de Muthita, apuramos que foram detidos, na madrugada da última segunda-feira, pelo menos 12 indivíduos indiciados na perturbação da ordem e tranquilidade.

A detenção dos mesmos foi feita numa “operação madrugada” que percorreu quase todo o bairro a procura dos gatunos, por volta das 3horas.

Contudo, Nacute não sabe sobre esta operação, mas adianta que foram detidos na semana passada, a nível da província mais populosa do país, pelo menos, 23 cidadãos envolvidos em actos criminais.

Um dos indiciados, cujo nome omitimos por presunção de inocência, é acusado de falsificar documentos sobretudo cartas de condução em coordenação com agentes do Instituto Nacional de Transportes Terrestres (INATTER) em Nampula. (Sitoi Lutxeque)

Nampula prepara-se para as eleições de 15 de Outubro próximo

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, maior círculo eleitoral do país, arrancou com os preparativos em vista as eleições gerais e para as assembleias provinciais, bem como as primeiras para os governadores provinciais marcadas para o dia 15 do próximo mês de Outubro.

Com efeito, arrancou ontem, segunda-feira (14), a formação dos órgãos de apoio à Comissão Nacional de Eleições (CNE), pertencentes aos distritos não autárquicos, a qual teve inicio no distrito de Murrupula.

A formação tem por objectivo dotar os técnicos dos órgãos de apoio conhecimentos ligados aos instrumentos legais de gestão dos processos eleitorais, bem como o decurso do próprio processo.

António Macorica, vogal da CNE, disse, em conferência de imprensa realizada na cidade de Nampula, que a formação, também, envovle membros do governo e considera como o arranque da preparação do processo eleitoral de 2019.

De acordo com a fonte, a formação vai ter a duração de dois dias por cada distrito não autárquico. (Celestino Manuel)

Governo com dificuldades de descobrir o inimigo no conflito armado de Cabo Delgado

  • Como resultado, militares destacados para a região perseguem jornalistas e activistas de direitos humanos.

Pemba (IKWELI) – Longe dos holofotes e do mais importante perimetro de segurança instalado na avenida Julius Nyerere, na cidade de Maputo, famílias camponesas dos distritos de Nangade, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma e Quissanga, no norte da província de Cabo Delgado, vivem momentos de terror há mais de dois anos.

Mulheres, crianças e jovens sofrem todos os dias. Na insegurança do que pode acontecer pela noite a dentro reiventam medidas de segurança própria para que mais mortes não aconteçam naquelas aldeias organizadas desde os tempos primordiais da independência nacional.

Por estes distritos há posições militares espalhadas por todas as esquinas. É um verdadeiro estado de sítio que se vive na região mas, ninguém, publicamente fala disso.

Jovens miliatres destacados para uma missão desconhecida, apenas, ocupam-se do consumo do álcool, sobretudo bebidas de fabrico local. Eles não conhecem o inimigo que “caçam” e arriscam a dizer que a situação é ainda mais complexa do que a de Gorongosa (conflito que opõe o governo e o braço armado da Renamo). Para as comunidades os militares semeiam terror no seio delas

Nossos contactos militares na região mostram um certo nível de desespero, segundo contam nas conversas que, frequentemente, mantemos.

De Maputo, sede do poder político moçambicano, nada se fala. Por vezes, Inácio Dina, porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) apresenta algumas teorias no briefing que mantém nas terças-feiras com a imprensa mas, nem com isso as matanças e a destruição de habitações páram.

O Comandante-Geral da PRM, o bem articulado Bernardino Rafael, também, já veio várias vezes ao público avançar suas percepções sobre a situação. Aliás, este especialista em combate a pirataria já teria avançado nomes e captura dos líderes dos insurgentes mas, nem por isso, a situação amainou.

O Atanásio Mtumuke, o ministro moçambicano da Defesa, também, já falou das suas e classifica os insurgentes como jovens desempregados e sem conhecimentos para ingrenar para uma vida pacífica na sociedade.

Enquanto passam esses discursos, a população vai sofrendo. Quem escala por aqueles distritos não lhe sobra dúvida que a situação é grave.

O silêncio que se quer

 Jornalistas do sector público baseados na província de Cabo Delgado tem ordens superiores, e bastante claras, para não reportar a situação, por isso, instalou-se um medo enorme nos escribas dos órgãos de informação público ali existentes.

A memória que existe de uma reportagem a respeito foi mesmo no começo do conflito quando, Floriberto Fernandes, da TVM em Pemba, fez uma produção noticiosa no meio do fogo cruzado.

Nosso colaborador na cidade de Pemba apurou que a ordem de enveredar pelo silêncio foi bastante acatada que os jornalistas mesmo fora do ambiente de trabalho escusam-se há algum comentário a respeito.

A única aparição de histórias noticiosas ligadas ao conflito armado que se vivem em Cabo Delgado nas estações públicas de Pemba é mesmo quando se trata de uma informação oficial. Mais do que isso, o jornalista corre risco de perder emprego.

“Nós já nos foi dito para não falarmos desse assunto”, disse uma jornalista de um órgão público ao nosso jornal.

Este silêncio forçado dos órgãos de informação públicos é ainda mais grave quando na situação de defender interesses da população as mesmas estações divertem os seus utentes com informações enganosas, pois, o certo é que naqueles distritos está a se morrer.

Não somente a população indefesa está a morrer mas, também, jovens militares destacados para aquelas missões.

Perseguição a jornalistas e activistas de direitos humanos

 Desesperados e sem saber como dar um relatório plausível aos dirigentes que “relaxados” vivem do melhor na capital do país, os jovens militares viram-se forçados a identificar novos inimigos.

Neste caso são jornalistas independentes e activistas de direitos humanos que procuram, a todo o custo reportar a violação dos direitos humanos na região, bem como a situação que as populações locais vivem.

Em finais de Dezembro do último ano, o jornalista Estácios Valoi foi vítima das investidas dos militares. Capturado e sem direito a defesa foi obrigado a manter-se numa posição militar no distrito de Mocímboa da Praia.

Valoi estava na companhia de um investigador de direitos humanos e do seu assistente. Os três viram-se o seu equipamento de trabalho confiscado pelos militares, incluindo telefones celulares.

Até agora o equipamento que inclui computadores e camêras fotográficas está com os militares, depois que foram violadas as suas contas de email e redes sociais.

Já no começo deste 2019, os militares brindaram ao mundo com a detenção de mais um jornalista. Desta vez, o azar foi para o coordenador da Rádio Comunitária Nacedje, localizada na sede do distrito de Macomia, Amade Abubacar, o qual apenas fez o seu trabalho, publicando o dilema pelo qual famílias que abandonam as zonas propensas aos ataques estão a passar.

Amade Abubacar foi transportado numa viatura militar para uma base localizada no distrito de Mueda, como se de um criminoso se trata-se.

Tal como Estácio Valoi e seus acompanhantes, Amade Abubacar, também, viu os seus direitos fundamentais, liberdades e garantias violados. Torturado psicologicamente para assumir informações produzidas pelos militares desesperados, o jovem continua no cativeiro destes.

Pelo mundo a fora já há posições a repudiarem o cenário de perseguição de jornalistas. O Comité para a Protecção de Jornalistas e a Amnistia Internacional já, publicamente, manifestarem a sua preocupação com o cenário.

“As autoridades moçambicanas devem libertar imediata e incondicionalmente o jornalista Amade Abubacar da detenção arbitrária pelas forças militares e pôr termo à crescente repressãodos jornalistas”, declarou a Amnistia Internacional em comunicado.

“Amade Abubacar é um jornalista respeitado que estava a recolher testemunhos sobre a fuga de pessoas a ataques letais em Cabo Delgado quando foi apreendido pela polícia. Esta é a mais recente manifestação de desprezo pela liberdade de expressão e pela liberdade dos média por parte das autoridades moçambicanas, que vêem nos jornalistas uma ameaça e os tratam como criminosos”, disse Tigere Chagutah, Director Adjunto da Amnistia Internacional para a África Austral.

“Amade Abubacar está a ser mantido em detenção solitária, sem acesso a um advogado nem respeito pelos procedimentos adequados. As autoridades moçambicanas devem libertá-lo imediata e incondicionalmente e assegurar que os jornalistas consigam fazer o seu trabalho sem medo de represálias”, precisou Tigere.

Tigere Chagutah comenta que “em vez de perseguir os jornalistas que reportam os ataques em Cabo Delgado, as autoridades moçambicanas deveriam tentar compreender as causas profundas da violência e tomar medidas para proteger os cidadãos,” comentou. (Aunício da Silva)

Lixo sufoca Vahanle

Nampula (IKWELI) – A gestão de resíduos sólidos no município de Nampula, norte de Moçambique, constitui um dos principais entráves do actual autarca, Paulo Vahanle, o qual chegou ao poder em Março do ano passado, depois de vencer a eleição intercalar que tinha em vista o preenchimento da vacatura provocada pelo assassinato de Mahamudo Amurane, em Outubro de 2017.

Quando assumiu as rédeas do mais importante centro urbano do norte de Moçambique, Paulo Vahanle não tinha bancada na Assembleia Municipal local, por isso, a aprovação dos seus projectos de governação viam-se ameaçados.

Na altura o Conselho Municipal estava enfermo de problemas, desde as dívidas com fornecedores bens e serviços, bem como a própria colecta de receitas.

Porém, mesmo depois de todo esse período, a recolha do lixo na autarquia não melhorou e a situação torna-se grave nesta época chuvosa.

Igualmente, a deficiente recolha de resíduos sólidos contribui no surgimento de um outro problema que é a intransitabilidade rodoviária na autarquia.

Os munícipes, maioritariamente eleitores de Vahanle, começam a ficar agastados com a situação pois, receiam a eclosão de doenças de origem hídrica.

A nossa reportagem esteve em diferentes bairros da autarquia e, constatamos que os resíduos sólidos já estão até a causar a intransitabilidade de viaturas. Também, notamos que, devido às chuvas que caem nos últimos dias, há cidadãos que partilham espaço com quantidades de lixo nos seus quintais, facto que periga a saúde deles.

Márcia Alberto, residente no bairro de Namutequeliua, lamentou pelo facto das autoridades municipais estarem pouco, senão nada, a fazer para a resolução do problema, este que, futuramente, poderá causar vitimais mortais devido a contracção de doenças de origem hídrica.

“Existem locais de difícil acesso, devido ao lixo, e com essas chuvas já está a causa mau cheiro assim como mosquitos”,  disse, visivelmente preocupada.

Bento Ponte, de 47 anos, é um outro cidadão ouvido pelo nosso jornal. Ele é residente do bairro de Muatala, concretamente na Zona do São José. Para ele, devido ao lixo, estão criadas todas as condições necessárias para a eclosão de doenças diarreicas, dai que pede a intervenção das autoridades que competem a remoção de resíduos sólidos.

“De tanto lixo existente o mau cheiro tornasse inevitável. Sou sapateiro e trabalho bem perto daqui. Esse cheiro nos faz mal”, lamentou o nosso entrevistado vincando apelos para remoção de quantidades de lixo que tira sossego os moradores.

Autarquia sem meios

Entretanto, o presidente do Conselho Autárquico de Nampula reconhece o problema do lixo que afecta quase todos os bairros, incluindo ruas da capital provincial, mas assegura que o mesmo será resolvido.

Outrossim, Vahanle alega a exiguidade de recursos materiais como sendo uma das causas que retarda a retirada de resíduos sólidos na cidade que dirige desde 18 de Abril do ano passado, quando ganhou a segunda volta da eleição intercalar.

“Realmente temos problemas de recolha de lixo em alguns bairros e estamos a espera de contentores e mais outras máquinas, só que o fornecedor, neste momento, está um pouco atrasado, visto que o equipamento vem de Portugal”, disse para acrescentar que “estamos a espera de 60  contentores para poder distribuir nas zonas  para o depósito do lixo”. (Elisabeth Tavares)

Nampula destruída pelas chuvas

Nampula (IKWELI) – O município de Nampula, o maior do norte de Moçambique, ressente-se dos efeitos das chuvas que se fazem sentir desde finais de Dezembro último, com relatos de mortes, destruição de casas e vias de acesso danificadas.

A nossa reportagem contabilizou, pelos relatos colhidos nos bairros, um total de dez vítimas mortais em consequências das enxuradas. A maioria delas foi arrastada pela força das águas

As vias de acesso são a outra vítima das chuvas. Ao nível da cidade cimento, os buracos nas estradas ressurgiram de forma agressiva e perigosa para a transitabilidade de todos os utentes, desde os automobilistas aos peões.

Aceder alguns bairros periféricos, como é o caso de Marrere e Murrapaniua, é um martírio total, tendo conta as crateras abertas pelas águas das chuvas e as pontes destruídas.

Outra contagem feita pelo nosso jornal está ligada com casas destruídas. Os bairros de Mutauanha, Muatala, Namicopo e Napipine, por onde passamos, o número de casas destruídas varia de 600 a 1000 unidades.

Este fenómeno já ameaça isolar algumas zonas residenciais. No bairro de Mutauanha, as unidades comunais do Piloto e Muthita, atravessadas pelo rio Naphuta, podem estar isoladas se as chuvas intensas que se fazem sentir, nos últimos dias, continuarem, uma vez que não há nenhuma ponte que une as duas zonas.  Entretanto, os moradores pedem para que as autoridades municipais criem soluções, construindo uma ponte ou aqueduto, para evitar que o pior venha acontecer.

Ruas de Nampulas após as chuvas

Falta de apoios

Os residentes, entrevistados pela nossa equipe de reportagem, mostraram-se preocupados pelo facto de as autoridades governamentais pouco, senão nada, fazerem para apoiar as vítimas a minorar o sofrimento, através de fornecimento de matérias de construção e abrigo.

Ana Arlindo, residente na Unidade Comunal de Muthita, perdeu boa parte dos seus bens, na sua maioria electrodomésticos, depois de que uma parede sua casa de construção precária desabou.

“Até agora não tive nenhum apoio e não sei se terei. Neste bairro parece que não temos as autoridades locais [secretários e chefes dos quarteiros]. Ainda não recebi sequer visita de um deles, pelo menos só para contabilizar os danos que as chuvas causaram. Nos anos passado a situação era diferente, havia pelo menos apoio”, disse Ana Arlindo, visivelmente preocupada.

“Deveria existir um plano de manutenção das ruas. É muito desgastante sempre que cai chuva termos que sofrer assim”, disse Caetano Alfredo, um cidadão residente no bairro Muhala – Expansão, na cidade de Nampula.

Um outro cidadão que não quis se identificar, mas residente no bairro de Muatala, concretamente na chamada zona da “Madalena Maluca”, disse que “basta cair chuva sofremos com nossos carros. Tem havido muitos buracos e os nossos carros pequenos têm enterrado. Precisamos de uma intervenção das autoridades municipais”.

Entretanto, para defender-se das chuvas e, consequentemente, o pior que as mesmas possam causar, algumas famílias, no bairro de Mutauanha, decidiram entulhar as estradas e canais da corrente de água com pedras e lixo.

Há famílias que encontraram outras formas de desviar a corrente das águas das chuvas. Elas usam sacos com areia no seu interior e colocam um por cima de outro, fazendo barreira, como forma de evitar a fuga das águas para o interior dos quintais das casas assim como nas estradas. Esta é mais uma outra alternativa para contornar os estragos. Mas, mesmo assim, o perigo continua eminente e se o mau tempo prevalecer, muitas casas poderão ceder.

Ano lectivo comprometido

Na província de Nampula, o ano lectivo escolar 2019, que arranca no próximo dia 1 de Fevereiro do corrente ano, poderá estar comprometido em diferentes distritos da província mais populosa de Moçambique, na sequência da destruição total e parcial de algumas salas de aulas.

A título de exemplo, só na cidade de Nampula, centenas de salas de aulas estão destruídas e muitas delas sem tectos.

Na Escola Primaria da Cerâmica, por exemplo, sete salas de aulas estão sem tecto devido a um vendaval que arrastou a cobertura.

Naquele estabelecimento de ensino primário, a nossa reportagem não conseguiu ouvir a direcção da escola para aferir o nível dos prejuízos. Contactados a secretaria da mesma foi nos informado, na altura, que nenhum membro da direcção estava presente e aconselharam-nos a voltar oportunamente.

Ponte sobre rio Muepelume em perigo  

O acesso ao Hospital Geral de Marrere, o segundo maior da província de Nampula, está ameaçado. A ponte sobre rio Muepelume, infra-estrutura que dá acesso a unidade sanitária, está a corroer-se com a corrente das águas do rio, cujo caudal aumentou com as chuvas, e deixa preocupado os utentes e pacientes da unidade sanitária.

“Se as chuvas continuarem e o governo não fazer uma intervenção, estaremos isolados do Hospital ao resto da cidade”, disse André Kupula, cidadão entrevistado pelo nosso jornal.

Alias, aquela ponte não só dá acesso ao Hospital Geral de Marrere, mas, também, ao bairro nobre e de expansão com o mesmo nome, bem como ao campus da Universidade Lúrio.

Entretanto, para evitar o pior, as autoridades municipais já estão a raspar a estrada de terra batida. A edilidade promete fazer a reposição do saibro removido pelas águas que já passam por cima da ponte.

De acordo com o autarca Paulo Vahanle, a intenção é de, futuramente, asfaltar a estrada, uma promessa que já foi feita por ele na campanha das eleições intercalares do ano passado.

Refira-se que a edilidade adquiriu recentemente equipamentos para manutenção de estradas na cidade de Nampula. Informações em nosso poder, indicam que o Conselho Municipal de Nampula já dispõe de pouco mais de três milhões de meticais para fazer face ao plano de continência nesta época chuvosa. (Elisabeth Tavares e Sitoi Lutxeque)