Arrancam as obras de conclusão da Rua da França em Nampula

Nampula (IKWELI) – O conselho autárquico de Nampula dispõe de onze milhões de meticais para a conclusão das obras de construção da Rua da França, no bairro de Carrupeia, as quais arrancam ainda neste mês de Março.

Historicamente, as obras em referência começaram a ser executadas no último mandato de Castro Namuaca, último autarca eleito pela lista do partido Frelimo para dirigir a maior autarquia do norte de Moçambique. Mahamudo Amurane, o jovem autarca barbaramente assassinado, também, mexeu a rua mas, não prosseguiu como se esperava por ter rescindido o contrato com o respectivo empreiteiro por irregulares no processo de execução.

Paulo Vahanle, o primeiro presidente do município de Nampula vindo da Renamo, decidiu dar cobro a obra, cuja infra-estrutura é de grande importância para os residentes do município, especialmente aos dos bairros de Carrupeia e Namicopo.

Yazido Muhamade, vereador de Manutenção e Obras no conselho autárquico de Nampula, garantiu ao nosso jornal que nos próximos dias um concurso público para a apuração do empreiteiro será lançado.

As referidas obras, segundo o vereador, deverão compreender três fases, precisamente o enchimento, tapamento de buracos e pavimento da estrada.

Relativamente a outros pontos da cidade, a fonte revelou que estão em curso obras de intervenção que compreendem o tapamento de buracos causados pelas chuvas que desde finais de Dezembro último se fazem sentir na região. (Teresa Paposseco)

Campeonato provincial de basquetebol: Sporting de Nampula mede forças com a União Juvenil de Napipine

Nampula (IKWELI) – A equipa do Sporting de Nampula defronta hoje, sexta-feira (1), a União Juvenil de Napipine em desafio da sétima jornada do campeonato provincial de basquetebol em sénior masculino da temporada de 2019.

As duas formações estão separadas por, apenas, um ponto na tabela classificativa da competição, com os leões de Nampula na liderança com doze pontos.

O jogo da noite desta sexta-feira é decisivo para os dois emblemas, por isso que os seus treinadores prometem montar equipas coesas para saírem da quadra com um bom proveito.

A equipa da União Juvenil de Napipine pretende reverter o resultado, de derrota, conseguido diante do seu rival na primeira mão. Esta equipa é considerada como sendo a que tem o melhor ataque, com um total de quinhentos e quatro pontos e tem o jogador mais concretizador da prova, Tuyo Albino.

“Reconhecemos as qualidades do Sporting, mas neste momento a nossa equipa está proibida de perder visto que se voltarmos a perder, as nossas contas ficam complicadas. Queremos ganhar o jogo frente ao Sporting porque o nosso objectivo é de sermos campeões”, disse Feliciano João, treinador da União Juvenil de Napipine, para quem durante a semana as atenções dos seus pupilos estavam viradas com aspectos ligados ao sector ofensivo.

No lado do Sporting de Nampula reina um ambiente de confiança. Brayen Alface, treinador do conjunto leonino, reconhece que defrontar Napipine é uma tarefa difícil mas acredita que é possível repetir o feito registado no primeiro encontro diante do mesmo adversário.

“Os jogos com a União Juvenil de Napipine são sempre clássicos. Sabemos que eles vêm com pressão para nós. Vamos fazer o nosso máximo para contrariar a pressão deles e vencermos o jogo”, disse o mister Brayen.

“A nossa preocupação está na zona quatro e cinco, nos ressaltos, uma vez que Napipine tem bons homens a defender nesta zona. Por isso que a nossa estratégia consistirá em lances exteriores, e em certas ocasiões com algumas penetrações que obrigaram ao adversário a cometer muitas faltas que vão nos levar a zona de lances livres”, espera a fonte. (Constantino Henriques)

Praças digitais ajudam estudantes em Pemba

Pemba (IKWELI) – A instalação de terminais de internet de acesso gratuito, denominado por “Praças Digitais”, tem vindo a ajudar os estudantes da cidade de Pemba, na província de Cabo Delgado, com as suas pesquisas académicas.

“Praças Digitais” é uma iniciativa do governo moçambicano implementada pelo Fundo do Serviço de Acesso Universal (FSAU), entidade adstrita a Autoridade Reguladora das Comunicações (ARC), a qual consiste na instalação de uma rede de internet gratuita em praças públicas nas autarquias do país.

O principal objectivo da iniciativa é a democratização do uso da internet, podendo proporcionar o acesso de cerca de 57.600 utilizadores por dia em cada Praça Digital.

A cidade de Pemba, em Cabo Delgado, é uma das autarquias contempladas pelo projecto desde o ano passado. Nesta cidade o sistema foi instalado na praia do Wimbe, um local turístico por isso, abrange um número maior de usuários, entre munícipes, estudantes e turistas.

É nestes últimos usuários que o serviço está a ter maior impacto. Os estudantes dizem que o serviço permite-lhes efectuar pesquisas, o que ajuda na elaboração de trabalhos académicos, sem quaisquer custos.

Segundo relevou Edmundo Manhiça, porta-voz do Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique, com a iniciativa pretende-se que, ao alargar o acesso à internet, os cidadãos das zonas abrangidas possam aproveitar as vantagens do mundo digital para aumento do seu conhecimento, conectividade com o mundo, desenvolvimento da economia digital, entre outras vantagens.

“Estas praças digitais têm como objectivo principal promover a inclusão digital. Ninguém deve ficar por fora, ninguém deve pensar que a internet é para aqueles que têm, não! Desfrutemos de forma positiva, busquemos aquela informação que precisamos para a escola para o nosso próprio desenvolvimento, informação que beneficie a nossa comunidade”, disse a fonte.

“Em cada praça podem estar conectados simultaneamente 200 usuários, sendo que cada um tem um tempo de utilização de uma hora, findo o qual é desconectado automaticamente, libertando o IP para a conexão de outro utilizador”, esclareceu Edmundo Manhiça.

“É uma boa nova para os estudantes de Pemba. Contrariamente ao que é habitual, já não é necessário usar qualquer cartão de telefonia móvel. Nem é preciso gastar algum valor na compra de crédito. Basta apenas ter um smartphone, tablete ou computador, ligar-se a rede WI-FI e seguir as instruções”, disseram alguns estudantes entrevistados pelo nosso jornal.

“A internet daqui ajuda-me a fazer os meus trabalhos da escola e ter outros conhecimentos de outros países”, disse Bacar Jussa, estudante do ensino secundário para quem iniciativas desta natureza devem ser expandidas a mais lugares da cidade.

Ahamada Macame, outro estudante que prestou o seu depoimento disse que a internet facilita a vida de muitos dos seus colegas. “Viemos aqui pesquisar os nossos trabalhos da escola, antigamente comprava crédito para converter em megas, mas agora não preciso isso. Uso WI-FI daqui da praia”, disse Macame. (Delfim Anacleto)

Mal-do-Panamá leva empresa a falência em Nampula

Nampula (IKWELI) – A fusariose da banana, doença mundialmente conhecida como o “Mal-do-Panamá”, levou a falência a empresa Matanuska nos distritos de Monapo e Erati, no norte de Moçambique, e com ela várias famílias, também, viram a sua fonte de sobrevivência comprometida.

Entre os anos 2013 e 2018, a Matanuska mandou para o olho da rua mais de quatro mil trabalhadores e perto de 1.550 hectares de terras foram perdidas devido a acção da doença.

Segundo apurou o nosso jornal das autoridades do sector da agricultura o Mal-do-Panamá, doença causada por um fungo que impede a planta de receber nutrientes e água, tem estado a devastar a cultura nas províncias de Nampula e Cabo Delgado.

A situação já está a preocupar as entidades que tutelam a sanidade vegetal nestas duas províncias por isso, durante dois dias quadros do sector reuniram para discutir as soluções prováveis para colmatar a situação. Para além de técnicos da direcção provincial da Agricultura e Segurança Alimentar (DPASA) de Nampula, também, juntaram-se técnicos do nível ministerial e parceiros de implementação.

A boa nova é que existe um fundo para apoiar as empresas afectadas por esta praga, segundo disse Marta Soares, da TechnoServe, que garantiu a disponibilidade de trezentos milhões de meticais.

A TechnoServe vem prestando assistência técnica aos agronegócios em Moçambique com alto potencial de crescimento desde 1998. A empresa vem ajudando a criar um sector agrícola comercial competitivo e sustentável, que gera oportunidades para pequenos produtores e fornecedores rurais e novos empregos para os pobres rurais.

Os actuais ministros moçambicanos da Agricultura e Segurança Alimentar o e da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, nomeadamente, Higíno Marrule e Celso Correia, já trabalharam para a TechnoServe.

No âmbito deste financiamento, segundo Marta Soares, numa primeira fase, 24 milhões de meticais serão disponibilizados à DPASA de Nampula para treinar as comunidades locais. O fundo remanescente deverá ser requisitado pelas empresas que operam na região.

Este financiamento é garantido pelo Departamento da Agricultura do governo americano, através da sua agência de cooperação internacional (USAID) desde o ano passado de 2018.

O governo de Nampula confirma que o combate da praga está acima da capacidade do executivo da província mais populosa do país, segundo Jaime Chissico, director provincial da Agricultura e Segurança Alimentar.

Chissico disse, também, que a situação já está a causar prejuízos económicos para a província, incluindo a balança de colecta de receitas.

Para o dirigente, a maior esperança recai sobre as instituições de investigação agrária, como é o caso do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), que devem encontrar soluções para a doença.

Antónia Vaz, chefe do Departamento de Sanidade Vegetal no Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar, disse, na ocasião, que a doença é de difícil combater pelo facto de ter capacidade de permanecer no solo por mais de 30 anos mas, nem por isso, as medidas de combate devem vergar, por isso, a investigação é a maior esperança para pôr fim a doença.

Em virtude da praga, estas doenças províncias fazem parte das que não devem exportar a banana e respectivas mudas para outros cantos do país e do mundo.

O Mal-do-Panamá corre, regularmente, na Malásia, Austrália, China, Filipinas, Indonésia e Taiwan. (Celestino Manuel)

“Osvaldo Ossufo Momade é competente”

  • Afirma Paulo Vahanle, justificando a nomeação do filho do presidente da Renamo para Vereador do Pelouro de Mercados e Feiras

Nampula (IKWELI) – Durante o primeiro mandato de Paulo Vahanle como autarca de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, que durou perto de nove meses, a opinião pública sempre o criticou por, maioritariamente, ter indicado “pessoas da terceira idade” para ocuparem posições de chefia no organigrama da autarquia, sobretudo vereadores.

Com inicio do actual mandato de cinco anos a 7 de Fevereiro último, Vahanle fez reformas. Muitas das caras que faziam parte do Conselho Municipal foram parar na Assembleia Municipal local como membros.

Das novas indicações, por sinal das mais jovens, Osvaldo Ossufo Momade, filho do presidente da Renamo, Ossufo Momade, foi a cara mais visível e que por sinal provocou muitos comentários na opinião pública local e nacional.

Com apenas 32 anos de idade, Osvaldo é considerado como um forte militante da Renamo e que tem dado o melhor de se para vida do partido na província de Nampula, maior círculo eleitoral do país.

O presidente do Conselho Autárquico de Nampula, finalmente, justificou a sua decisão na nomeação de Osvaldo por razões, exclusivamente, de competência e não favoritismo político ou bajulação do seu presidente partidário.

Para Vahanle não existe ligação possível entre a nomeação do jovem vereador com “o facto de ser filho de quem é”.

Osvaldo Ossufo Momade que renunciou a Assembleia Municipal é o actual vereador de Mercados e Feiras de Nampula.

Vahanle não descarta a hipótese de a militância política partidária, por si, do jovem vereador tenha contado na sua nomeação mas, “não é nenhuma forma de procurar agradar ao pai”.

“O senhor Osvaldo Momade é membro do partido e é, sim, filho do presidente e que não tem nada haver a posição do seu pai, uma vez ele ter ascendido a presidência quando o Osvaldo era funcionário do Município de Nampula. Dizer que, nós na Renamo ensinamos nossos filhos a trabalhar; soar para ganhar o próprio pão, o que é difícil noutros partidos”, respondeu, visivelmente desapontado com a pergunta feita pelos jornalistas sobre a nomeação do filho do seu chefe no partido.

Vahanle lamentou que “o que é mais complicado e triste é ver filhos dos dirigentes deste país com contas bancárias cheias de dinheiro, inclusive com fortunas fora do país sem se quer terem trabalhado na vida”, para depois defender que “ensinar e dar oportunidade a um filho a ganhar a vida eu não vejo nenhuma inconveniência”.

“Deixem-nos que façamos o nosso trabalho e desempenhamos o nosso papel. O que nós queremos são resultados independentemente das especulações. Se os filhos dos outros tivessem trabalhado hoje não teríamos alguém preso por conta das ilegalidades”, disse Vahanle, garantindo que conhece bem as leis moçambicanas, considerando que já foi deputado da Assembleia da República, onde já pertenceu a Comissão Permanente. (Sitoi Lutxeque)

Mortes por soterração não são novidade em Montepuez

  • A situação arrasta-se há anos perante uma actuação governamental parcial e defensora dos interesses da Montepuez Ruby Mining. O último acidente de que a empresa atribui culpa a cidadãos estrangeiros que traficam aquela pedra preciosa na região vem juntar-se aos enterros através de maquinarias de pessoas vivas protagonizados pela empresa sob forte guarnição das Forças de Defesa e Segurança.

Pemba (IKWELI) – Uma nova tragédia teve lugar no distrito de Montepuez, no norte de Moçambique, onde oito garimpeiros ilegais encontraram a morte soterrados por terra quando, ilegalmente, tentavam extrair pedras de ruby na região.

A direcção da empresa Montepuez Ruby Mining, através do seu Gestor de Assuntos Corporativos, Raime Pachinuapa, por sinal filho do veterano da luta armada de libertação nacional, Raimundo Pachinuapa, reagiu ao incidente e culpa a cidadãos estrangeiros que se dedicam ao tráfico do minério naquela região.

Em Montepuez, estrangeiros, na sua maioria proveniente dos países africanos dos Grandes Lagos, promovem a prática ilegal do garimpo e a preços aliciantes compram o produto conseguido pelos populares locais.

Esta situação vem sendo motivo de discórdia entre a população local e a empresa, esta última que vezes sem conta, sob protecção do governo, já violou sistematicamente os direitos humanos na região, incluindo o assassinato de pessoas por, também, soterramento.

Relatos que o nosso jornal colheu na região apontam que “muitos jovens já foram enterrados vivos nas covas onde procuram o ruby por máquinas da empresa que sem respeito pela vida e dignidade da pessoa humano actuaram contra as vítimas”.

Alias, vídeos que correram o mundo todo davam conta da violação de direitos humanos por parte dos seguranças da empresa MRM em conluio com as FDS.

Como resultado das denúncias sobre a violação dos direitos humanos em Montepuez, organizações humanitárias internacionais apelaram, sempre, o fim de tais praticas e um grupo de advogados de Londres, Leigh Day, conseguiu, a favor das comunidades locais, forçar a empresa a aceitar indemnizar famílias que perderam seus bens, incluindo a terra nas investidas da MRM.

A partir de Londres, um processo foi instituído pela firma de advocacia e direitos humanos Leigh Day e a Gemfields, uma das sócias da MRM, assumiu pagar 8,3 milhões de dólares para acomodar as reclamações vindas das comunidades.

São reclamações ligadas a assassinatos, torturas, espancamentos, queimadas e outro tipo de violações dos direitos humanos.

No último trimestre do ano passado de 2018, técnicos da Leigh Day trabalharam com membros das comunidades vítimas das brutalidades da MRM a fim de colherem provas bastantes para o processo em tribunal que, acabou conhecendo um desfecho extrajudicial.

Durante todo esse tempo que a violação dos direitos humanos na região era prática institucional, nunca se conheceu alguma posição oficial por parte da MRM ou algum membro do governo.

Ainda assim, activistas de direitos humanos e jornalistas que denunciavam tais práticas foram sempre vítimas de perseguição. Igualmente, um procurador da República viu sua imagem vilipendiada através de uma publicidade desonesta da empresa por defender as famílias camponesas locais.

“A Montepuez Ruby Mining Limitada (MRM) foi informada esta manhã, sobre o colapso de um buraco escavado por mineiros ilegais dentro da sua concessão mineira”, descreve a empresa num comunicado de imprensa, o qual prossegue afirmando que “relatórios não confirmados sugerem que o buraco colapsou entre as 4h00 e 06h00 da manhã do dia 25 de Fevereiro, no seguimento de chuvas intensas, e soterrou 11 mineiros ilegais. A MRM desde que foi informada desta ocorrência, tem estado a providenciar assistência humanitária, comida, água, pessoal, equipamentos e maquinaria de escavação”.

O mesmo documento refere que até ao momento da sua distribuição oito corpos sem vida tinham sido recuperados, e um outro mineiro ilegal que tentava salvar os seus amigos foi resgatado com vida.

“Como país precisamos actuar contra esta actividade ilegal”, afirma Raime Pachinuapa, citado pelo comunicado da sua empresa, lamentando que “a MRM está profundamente triste com esta tragédia”.

A mesma nota cita o mesmo Pachinuapa como tendo dito que “estas trágicas mortes estão ligadas a habilidade que determinados compradores estrangeiros têm de conduzir suas operações de compra ilegal de rubis a olhos vistos em cidades como a de Montepuez, sem que as autoridades tomem as devidas medidas”.

Raime Pachinuapa reclama agora a actuação das autoridades para a prevalência da legalidade na região, esquecendo-se assim que quando foi a vez de a sua firma violar direitos humanos nunca chamou pelo poder do estado.

Segundo o mesmo documento, o filho de Pachinuapa afirma que “estes [compradores estrangeiros] também têm a capacidade de entrar e sair do país, principalmente através do aeroporto de Pemba, muitas vezes sem a documentação requerida, pagando subornos a elementos das autoridades. (Aunício da Silva)

 

*Fotos de Estácio Valoi

 

 

 

Três meses depois de descobertos em vala comum continua desconhecida as identidades dos corpos encontrados em Murrupula

Nampula (IKWELI) – O Ministério Público em Nampula ainda não tem pistas sobre a proveniência e muito menos a identificação dos corpos descobertos em finais do ano passado em Namukuira, no distrito de Murrupula, numa vala comum [ver edição 227 do IKWELI, de 23 de Outubro de 2018].

Os sete corpos foram depositados por desconhecidos durante uma madrugada e, até ao momento nenhuma pista aponta para o esclarecimento do crime que, vozes locais apontam para o conflito entre traficantes de minérios que operam na região.

A Procuradoria Provincial de Nampula foi a entidade pública que liderou a equipe multissectorial que para lá se deslocou, incluindo agentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), Medicina Legal e a Polícia da República de Moçambique (PRM).

“A nível processual, existem indicações de causas que levaram a morte daqueles sete indivíduos, mas por se tratar de matéria processual e num processo muito complexo estamos a dizer que é prematuro nós revelarmos agora as causas da morte sob pena de prejudicarmos a continuação da investigação”; anotou a Doutora Hermínia Borca, porta-voz da Procuradoria Provincial de Nampula.

Neste momento, de acordo com a magistrada do Ministério Público, correm trabalhos de identificar quem eram os sete indivíduos, dos quais duas mulheres, e a sua verdadeira origem assim como os meios ou modalidades usadas para o seu despejo nas matas de Namukuira.

“Os corpos foram encontrados num estado avançado de decomposição e temos de determinar quando é que isso aconteceu, logo numa zona recôndita fora de uma área residencial. Portanto, é muito complexa a investigação que está sendo levado a cabo”, concluiu a Doutora Hermínia Borca. (Sitoi Lutxeque)

No norte de Cabo Delgado: O povo sempre morreu, eles a assistirem…..!

Mocímboa da Praia (IKWELI) – Há mais de um ano e seis meses que uma equipa do jornal IKWELI, frequentemente, desloca-se as zonas onde ocorrem ataques na província de Cabo Delgado, respectivamente nos distritos de Palma, Macomia, Mocímboa da Praia, Nangade e Quissanga, o cenário é desolador. Fome, medo, insegurança e futuro de gerações destruído.

Um pouco por todos os cantos destes cinco distritos estão instaladas posições militares. Os elementos ali acantonados dedicam-se, quase que exclusivamente, do consumo de álcool de fabrico local, destruição dos poucos lares/famílias (açambarcando mulheres casadas sob ameaças aos seus maridos) que ainda ali existem, bem como o saque dos parcos bens que ainda podiam alimentar as comunidades.

De há uns tempos para cá, segundo apurámos, os homens das aldeias tem mais medo dos militares do governo do que dos atacantes insurgentes pois, qualquer força oferecida pelos membros das comunidades aos membros das Forças Armadas de Defesa e Segurança (FADS) que pretendem algum bem nas comunidades há, imediatamente, espancamento.

Por exemplo, em Mocímboa da Praia, uma fonte nossa que trabalha num estabelecimento bancário local conta-nos que “aqui acontecem coisas tristes. Por exemplo, se um militar quer a sua namorada pode muito bem inventar que te suspeita de seres aliado aos insurgentes e ai vem te recolher”.

 

A mesma nossa fonte conduz-nos pelos poucos locais de diversão que ainda existem em Mocímboa da Praia e aponta que “todos aqui são militares. Não vale a pena tentarmos nenhuma mulher aqui, vamos embora”.

Minutos depois decidimos visitar alguns locais da periferia da autarquia de Mocímboa da Praia para encontrarmos um local onde pudéssemos, livremente, beber uma cerveja. Cenário nada diferente. “Estão a ver aqueles ali?”, pergunta curiosamente a nossa fonte, para depois por se responder que “são militares. Aqui vamos ser estrategas. Vamos cumprimentar a eles e pagar cerveja”.

Entramos na barraca e cumprimentamos a todos. Pedimos para que sentássemos nas cadeiras vagas que estavam na mesa onde estavam os jovens militares, eis que não ofereceram resistência. Estamos por detrás de uma escola primária que virou um quartel militar, aliás, há escassos quilómetros do local onde teve palco o primeiro ataque dos insurgentes na vila da Mocímboa da Praia.

São 20h30 e os nossos “novos” amigos já nos apelam para voltarmos aonde estamos hospedados. A nossa equipa oferece mais cerveja aos militares e um deles garante-nos que “a vossa ida vamos todos no vosso carro e nós voltamos a pé, porque se saírem sozinhos não vão chegar. Serão detidos e até batidos. Aqui estamos cansados e nossa raiva cai sobre qualquer um”.

21h15 Minutos, decidimos sair do local e garantimos aos nossos “amigos” militares que nada ia acontecer. Trocamos de contactos telefónicos, para que na eventualidade de algo ocorrer chamássemos pelo socorro deles.

Estamos em Setembro do ano 2018. A situação torna-se calma em algum momento. O país prepara as quintas eleições autárquicas na história da descentralização do país.

No dia seguinte simulamos uma malária e fomos directamente para a única clínica privada que existe no município de Mocímboa da Praia. Tudo militarizado.

O técnico que atende ao nosso colega garante que o mesmo não tem malária, depois de observar alguns diagnósticos rápidos.

Na sala ao fundo é possível ouvir gritos de dor. Ousamo-nos e perguntamos ao técnico sobre o que se passava e a resposta não podia ser diferente: “nossos colegas sofreram ataques pela madrugada e foram trazidos para cá”.

“Vossos colegas?”, perguntamos, algo inocente e o técnico cansado e alcoolizado responde “sim. Nossos colegas militares. A noite não foi boa para nós”.

Com a recomendação de o nosso colega tomar um paracetamol abandonamos as instalações da clínica privada que, a bom rigor, apenas serve aos militares, actualmente.

Perto das 12 horas fomos a um restaurante localizado no parque municipal local. Pedimos um pouco de tudo: iogurte de malambe para começar, uma cerveja, água e refresco. Solicitamos uma refeição para uma hora mais tarde, enquanto conversávamos com um contacto nosso baseado naquela vila.

A dona do estabelecimento mostra-se surpresa porque os clientes já não aparecem com regularidade. Mesmo assim, providencia o melhor dos pratos que a casa confecciona.

A nossa equipa decidiu dar uma volta pelos bairros do município e damos conta que uma equipa de deputados da Assembleia da República visita a autarquia.

Voltamos a refeição e a quantidade do que nos foi servido correspondia a um banquete digno de um monarca.

Já pela tarde a dentro fomos para a zona do aeródromo e mais tarde a escola secundária local. O sentimento era sempre o mesmo. Um misto de medo e falta de esperança. Um futuro desencontrado para os mais novos.

Setenta e duas horas são o nosso fundo de tempo em Mocímboa da Praia. Depois de duas noites pernoitadas decidimos dar uma volta pelas aldeias. Nosso contacto na Aldeia Quelimane chamamo-nos atenção da necessidade de não se identificarmos nunca como jornalistas e assim obedecemos.

Acto imediato a nossa entrada foi apresentação às autoridades tradicionais locais. O régulo, depois de receber as nossas oferendas, começa o seu discurso e durante a conversa faz uma pergunta inusitada: “vocês sabem mexer uma pistola?”. “Porque?”, perguntamos ao régulo, ao que nos respondeu: “a arma que me entregaram parece que não está boa”.

O dirigente local deixa, assim, claro que há uma distribuição de armas para defesa pessoal em muitas aldeias locais.

Ainda na mesma aldeia, uma senhora conta-nos que está a cuidar dos seus sobrinhos porque o pais deles foi assassinado numa outra aldeia próxima.

“Como está a ver aqui só fiquei com as crianças. Não sei como vou alimenta-los porque tenho medo de ir a machamba cultivar. Os militares nem sempre podem nos acompanhar”, disse a nossa fonte, cuja identidade não pudemos revelar.

Por volta das 11 saímos da aldeia Quelimane e tomamos a estrada para Macomia. Logo pela estrada um grupo de militares pedi-nos boleia para alcançarem a posição de que pertencem. Fomos abertos a solicitação e durante a viagem fomos ouvindo as lamentações que eram partilhadas pelos militares. Um deles devia ter deixado, juntamente com a sua unidade, as matas de Cabo Delgado dois meses antes.

“Nada irmãos. Aqui está difícil”, responde um dos oficiais quando o perguntamos sobre o fim dos ataques, para depois rematar: “sabes, ali em Gorongosa nós sabíamos contra quem estávamos a lutar mas, aqui, não conhecemos o nosso inimigo”.

Estamos quase a entrada da vila sede de Macomia e os nossos companheiros pedem para ficar.

Os nossos contactos na região afirmam que os ataques armados são constantes e cada vez mais fortes, sendo a população o elo mais fácil de abater por não dispor de sistemas de defesa funcionais.

Aliás, segundo contaram-nos a agressividade dos insurgentes é tal que consegue penetrar em aldeias onde, pelo poder tradicional, nem se quer as tropas colónias conseguiram penetrar.

Portanto, nossas fontes nos distritos sob ataque de insurgentes afirmam que a situação é drástica e sem futuro a vista. (Aunício da Silva)

Professor engravida menor de 16 anos no distrito de Liupo

Liupo (IKWELI) – Um professor que exerce as suas funções na Escola Primária e Completa de Nauali, na vila sede do distrito de Liupo, é acusado de ter violado e engravidado uma menor de 16 anos de idade, a qual foi pedi-la nos respectivos parentes para apoiar a sua esposa nos trabalhos domésticos.

A vítima contou ao nosso jornal que Silvino Fernando começou a manter relações sexuais com ela quando ainda tinha 15 anos, portanto, no ano passado de 2018 e a pratica tinha lugar sempre que a esposa deste se ausentasse para o seu serviço.

“Quando a minha tia [esposa do violador] fosse ao serviço, ele me chamava para o quarto e fazia o que ele queria e me dizia para eu não falar minha família e muito menos a esposa dele. Eu não podia negar porque tinha medo de me expulsar da casa dele. A minha família é pobre e eu fiquei com medo de falar”, conta-nos a menor.

A mãe da vítima disse ao nosso jornal que nunca desconfiou da situação. “Só fui surpreendida em Dezembro do ano passado quando ela veio me visitar porque apresentava sinal de gravidez e quando lhe perguntei não me respondeu nada, só estava a chorar. Chamei a pessoa com quem vivia para perceber melhor. A pessoa dizia que não sabia de nada do que a menor estava a falar”, disse a senhora Assumane, mãe da vítima.

A confirmação da gravidez da menor veio quando a família decidiu levá-la para o centro de saúde local a fim de fazer os exames devidos.

Segundo contou a vítima, nunca antes tinha mantido relações sexuais com nenhum outro homem, senão o professor que foi o seu primeiro carrasco, estragando-lhe, assim, o futuro. A família exige que a justiça seja feita.

O médico André Mabunda, do centro de saúde de Liupo, confirmou que a menor está grávida de dois meses e que a mesma está, felizmente, saudável.

A família da vítima conta ainda que o professor Silvino expulsou a parente deles quando se apercebeu que já era do conhecimento deles as violações sexuais por ele cometidas.

O indiciado diz que tudo não passa de mentiras contra a sua figura, pelo facto de ter expulsado a menor da sua casa por lhe estar a faltar com o respeito.

O governo do distrito de Liupo, através do respectivo secretário permanente, Manuel Eduardo, confirma a ocorrência e assegura que tudo será devidamente averiguado para a responsabilização do infractor.

“Este não é comportamento de um educador que foi confiado pelo governo para ensinar e educar as crianças. Ao invés de aplicar o que aprendeu na formação faz coisas da sua cabeça, este tipo de indivíduo na merece trabalhar no estado, nem em qualquer outra instituição”, concluiu o governante. (Celestino Manuel)

Apreendidas 32 quilogramas de heroína em Nampula

Nampula (IKWELI) – Um trabalho operacional conjunto entre a Polícia da República de Moçambique (PRM), Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e as Alfândegas de Moçambique culminou na apreensão de 32 quilogramas de heroína no distrito de Murrupula, no norte do país.

Em conexão com o caso, segundo a PRM, dois indivíduos, de 47 e 25 anos de idade respectivamente, foram detidos por terem sido flagrados na posse da droga.

Os dois suspeitos seguiam numa viatura por eles alugada na cidade de Nacala-Porto com destino para a capital do país, Maputo, sob pretexto de carregar mobília de fabrico local para fins comerciais. Foi no meio dos bens em alusão que os dois homens esconderam a droga que viria a ser apreendida por operativos inteligentes do estado.

“Quando chegamos no controle de Ligonha nos mandaram parar. Começaram a revistar a viatura. Fui surpreendido pela polícia que no carro havia droga”, disse o condutor da viatura.

O outro suspeito, por sinal ajudante da viatura, disse que no momento da embalagem da mercadoria não se apercebeu que entre ela continha alguma droga.

Os dois indiciados negam o seu envolvimento no tráfico de drogas, atribuindo a culpa ao proprietário da mesma que no momento da apreensão estava ausente.

Zacarias Nacute, porta-voz do Comando Provincial da PRM em Nampula, disse a imprensa que já está em curso a instrução de um processo-crime para o apuramento do grau do envolvimento dos indiciados, incluindo a respectiva responsabilização. (Celestino Manuel)