Empresas moçambicanas instadas a organizar-se para beneficiarem das oportunidades do sector de mineração

Nacala (IKWELI) – Com a aprovação da Lei n.º 9/2026, a 3 de Junho do corrente ano, que estabelece o novo regime de gestão e valorização do conteúdo local, assente no facto de que as entidades devem dar preferência a pessoas singulares e coletivas moçambicanas no acto de contratação e/ou aquisição de bens e serviços, empresários moçambicanos foram, durante o segundo dia da Conferência de Adição de Valor aos Recursos Minerais e Energéticos Disponíveis (CAVAME-d), instados a melhor se organizar para que acedam as diferentes oportunidades que o sector mineiro dispõe.

Falando na ocasião, Gareth Clifton, representante da Kenmare em Moçambique, referiu que há evoluções no que concerne às competências técnicas das empresas moçambicanas, mas ainda permanecem desafios.

“Temos operado a mina de Moma há 20 anos, vemos que as empresas nacionais agora têm bastante competência no conhecimento dos requisitos de segurança, ambiente e qualidade que há 20 anos elas não tinham. Mas permanecem desafios, algumas vezes é o preço, que está muitas vezes fora do controle das empresas nacionais muitas vezes influenciado por dependência de importações, custas logísticas que muitas vezes são muito elevadas, dificuldades de acesso a divisas e de acesso ao financiamento, limitada escala de produção local, o que faz com que as empresas nacionais tenham valores mais elevados em relação as estrangeiras, e limitada resposta das empresas nacionais aos concursos que lançamos, muitas vezes recebemos cinco ou duas empresas. As vezes contactamos empresas moçambicanas e elas não conseguem cumprir com o prazo de entrega,” declarou.

O representante do Conselho Empresarial Distrital de Nacala, Rukssat Moti, fala de empresas que ainda permanecem desorganizadas, factor que dificulta o acesso às oportunidades. “Elas muitas vezes não conseguem sentir aquilo que é o verdadeiro desenvolvimento, há um grande desafio por parte das empresas locais, elas muitas vezes não estão organizadas, muitas delas não estão legalizadas, há falta de mão-de-obra qualificada, o que muitas vezes acaba dando direito a preferência de mão-de-obra externa.”


Os princípios basilares que norteiam a nova lei de conteúdo local compõem a preservação do interesse local, a capacitação e integração das empresas moçambicanas, a contratação de mão-de-obra nacional, incentivo e estabelecimento de parcerias empresariais e a transferência de aquisição de bens e serviços. (Felismina Maposse, em Nacala)

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