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No ensino superior Moçambique está abaixo dos padrões exigidos a nível do continente

Nampula (IKWELI) – O coordenador do Conselho Nacional de Avaliação da Qualidade do Ensino Superior (CNAQ), Maireles Ribeiro, disse, na sexta-feira (17), na cidade de Nampula, que Moçambique enfrenta desafios na qualificação académica quando comparado com outros países do continente, situação que dificulta a inserção de alguns estudantes em instituições de ensino internacionais.


Ribeiro falava durante a auscultação para adesão aos padrões globais de qualificação do ensino superior. “A auscultação decorre através de um facto que é verificável, que há crescente mobilidade académica, onde as projeções da UNESCO mostram que mais há mais de 235 000 000 de estudantes no ensino superior dos quais 64 000 000 são estudantes internacionais, número que veio a duplicar nos últimos vinte anos e se espera ainda o aumento nas próximas décadas onde cerca de 50% estudam fora das suas regiões de origem e abre grande desafio no âmbito das qualificações,” explicou o coordenador do CNAQ.


“Hoje em dia verifica-se uma enorme mobilidade académica, pois em algumas vezes temos moçambicanos que completam, por exemplo, a licenciatura e querem prosseguir no estrangeiro e, entretanto, há dificuldades daquilo que são estes níveis obtidos,” acrescentou ainda a fonte.


Ribeiro esclareceu que em Moçambique existe um quadro de qualificações que está sendo desenvolvido com vista a igualar as qualificações às exigências regionais. “Estamos aqui para garantir a sua ratificação porque no nosso ordenamento jurídico, os tratos e acordos internacionais, validamente aprovados e ratificados vigoram após a sua publicação oficial, o que significa dizer que ao nível diplomático, o Estado moçambicano, o governo pode ter aceitado, mas essa aceitação depende aquilo que é a ratificação pela Assembleia da República,” disse, esclarecendo que, “se as qualificações encontram essas proximidades, referenciação, então garante-se aquilo que é a compatibilidade e isto permite que um estudante que tenha obtido qualificações em Moçambique possa prosseguir com outros níveis de qualificações em outras latitudes,” garantiu Ribeiro.


Por seu turno, Custódio Tamele, em representação da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), disse na ocasião que a qualificação académica deve ser uma ponte entre continentes e sublinhou que “a grande preocupação da UNESCO, não é só reconhecer as qualificações, mas criar um ecossistema de confiança no ensino superior porque havendo confiança, aumenta a mobilidade, irá melhorar a cooperação científica, e o crescimento da internacionalização.”

Académicos querem que mudanças reflitam realidade moçambicana
Amarildo Gussule, docente universitário e investigador, assegurou que existem desafios para a qualificação devido aos custos operacionais que advêm da implementação de cada curso. “Hoje, não temos aqueles resultados que esperávamos, estamos num processo e temos que reconhecer esta situação, mas tudo está a ser feito para a melhoria de ensino. Aconselho para que seja aprovada esta convenção, mas antes procure-se saber quais são os padrões internacionais que se pretendem, porque neste preciso momento temos impedimento de docentes com nível de licenciatura a lecionarem no ensino superior, mas em muitas instituições isso acontece porque estão no processo de mudança,” disse Gussule.


“Corremos o risco de simplesmente quererem docentes com o nível de doutoramento e ai haverá muitos constrangimentos, porque em nenhuma instituição de Moçambique tem docentes completos com nível de doutoramento, temos carência de docentes qualificados com nível de mestrados e doutoramento, principalmente nas áreas técnicas,” realçou o nosso entrevistado.
Na mesma senda, o docente universitário José Faquira entende que antes de pensar nas aderências dos pactos internacionais sobre a qualidade, é necessário pensar num trabalho interno do Estado moçambicano tendo em conta as várias dificuldades de qualidade básicas das instituições de ensino desde o nível primário, secundário pois são o suporte das qualidades dos estudantes universitários.
“Não basta aderirmos as convenções e os pactos internacionais para termos acesso as portadas das outras latitudes, para que depois a nossa representação não seja digna. Devemos aderir sabendo qual será a nossa dignidade, temos que estar presentes em outros espaços dignamente representados, é preciso que nos sintamos preparados para estarmos nessa aderência,” exortou Faquira.
À semelhança do Gussule e Faquira, o docente universitário Óscar Namuholopa assegurou que o instrumento será de importância na medida em que vai integrar Moçambique a nível regional e global no que tange a integração dos seus quadros e ao nível de competitividade do ensino superior.

Por outro lado, “isso pode nos trazer alguns desafios na medida em que esses instrumentos foram concebidos olhando determinadas realidades alheias a Moçambique, o desafio é de saber se as realidades moçambicanas estarão respeitadas aos níveis desses instrumentos globais, se não, seremos obrigados a observar estreitamente o que estes instrumentos regem sem observar os nossos valores culturais que devem ser lecionados ao nível das nossas instituições do ensino superior,” argumentou Namuholopa. (Francisco Mário)

Mais um traficante de “makha” detido em Angoche

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM) deteve um jovem no distrito de Angoche, província de Nampula, por suspeita de envolvimento no tráfico de metanfetamina, uma substância conhecida localmente por “Makha”.

Segundo apuramos, a detenção ocorreu durante uma operação de patrulhamento, na qual os agentes encontraram inicialmente dois frascos contendo a droga e, posteriormente, localizaram outros dois frascos escondidos no interior de uma camisa quando o suspeito já se encontrava nas instalações do Comando Distrital da PRM.

O comandante distrital da PRM em Angoche, Carlitos Inácio, explicou que a detenção resulta das acções permanentes de combate ao consumo e comercialização de estupefacientes no distrito.

“O cidadão foi interpelado durante uma patrulha e, na revista, encontramos dois frascos contendo a substância vulgarmente conhecida por “SAL”. Posteriormente, quando foi conduzido ao comando distrital, localizamos mais dois frascos escondidos no interior de uma camisa,” explicou o comandante.

Segundo Carlitos Inácio, durante o interrogatório, o suspeito afirmou que os frascos lhe tinham sido entregues por um amigo para os comercializar, informação que está a ser investigada pela polícia com o objetivo de identificar e localizar o alegado fornecedor da substância.

Na mesma ocasião, o comandante lançou um apelo à juventude para se afastar do consumo e da comercialização de drogas, reiterando o compromisso da corporação no combate a este tipo de crime. “Peço à camada juvenil que abandone o consumo e a venda de droga. A polícia continuará firme no combate a este mal e vai responsabilizar todos os envolvidos,” afirmou.

Carlitos Inácio destacou ainda o papel da população no apoio às operações policiais, considerando que as denúncias têm sido fundamentais para o sucesso das acções de prevenção e repressão ao tráfico de estupefacientes.

“A nossa principal arma é a denúncia popular. Há uma parte da população que não aceita este mal e informa a polícia sempre que identifica situações suspeitas. É graças a essa colaboração que temos conseguido travar o tráfico e o consumo de droga no distrito,” sublinhou.

Entretanto, ouvido pela imprensa nas instalações do Comando Distrital da PRM, o indiciado rejeitou as acusações de tráfico e sustentou que apenas é consumidor da substância. “Eu consumo, não vendo. O frasco foi-me entregue por outra pessoa. É a primeira vez e eu não fazia ideia do que tinha lá dentro,” declarou.

O caso continua sob investigação, enquanto a PRM prossegue diligências para identificar e deter outros indivíduos eventualmente ligados à rede de distribuição de droga no distrito de Angoche. (Malito João)

GirlMove Academy está a capacitar mais de 2 mi raparigas em literacia escolar em Nampula

Nampula (IKWELI) – A GirlMove Academy está a capacitar, desde março último até ao período dos exames escolares finais, 2.200 raparigas das 6.ª e 9.ª classes em literacia escolar, em 70 escolas da província de Nampula.

A informação foi avançada pela representante da organização, Denisse Danane, durante uma entrevista concedida à margem do debate interdisciplinar “Da Sala de Aulas à Transformação Social”, realizado na cidade de Nampula.

Do total de beneficiárias, 1.900 frequentam a 6.ª classe e 300 a 9.ª classe. O número de escolas abrangidas aumentou de 11, no ano passado, para 70 este ano.

Segundo a organização, cerca de metade das raparigas já apresenta progressos significativos em literacia.

Denise aponta como desafios na implementação da iniciativa os factores socioeconómicos, culturais e institucionais, as uniões prematuras, a gravidez precoce, a escassez de professores e de salas de aula, bem como a superlotação das turmas.

“Perante essas barreiras, estamos a pensar, em conjunto, em soluções que possam promover uma mudança estrutural”, afirmou a representante, desafiando o Governo e os parceiros de desenvolvimento a promoverem mais debates para identificar respostas aos problemas estruturais da educação.

Além de Nampula, a província de Sofala beneficiou em 2025, acções da GirlMove Academy, onde formou 2.487 raparigas, das quais 2.100 frequentavam a 6.ª classe e 387 a 9.ª classe.

Por sua vez, Margarida Costa, coordenadora do Laboratório de Educação Transformadora em Nampula, explicou que o objetivo da iniciativa é responder aos desafios do sistema educativo, reforçando a transição escolar e a permanência das raparigas na escola.

As formações têm privilegiado escolas rurais com baixos índices de literacia, entre as quais Matibane, Marratane, Marrere, Saua-Saua, Marcelino dos Santos, Anchilo e outras.

A GirlMove Academy existe há 10 anos e desenvolve as suas atividades nas províncias de Nampula e Sofala. A organização não-governamental (ONG) trabalha nas áreas da investigação académica, liderança feminina e inovação social, acolhendo anualmente entre 30 e 40 jovens de todo o país. (Virgínia Emília)

Médis Farmacêutica conta com novas e modernas instalações em Nampula

Nampula (IKWELI) – A Médis Farmacêutica conta, desde a última quinta-feira (16), com novas e modernas instalações na cidade de Nampula, e a sua inauguração foi dirigida pelo Governador da Província, Eduardo Mariamo Abdula.

O governo de Nampula olha o empreendimento como um reforço da capacidade de armazenamento e distribuição de medicamentos, contribuindo para melhorar a cadeia de abastecimento farmacêutico e o acesso da população a produtos de saúde.

Na ocasião, o Governador destacou que o investimento representa um sinal de confiança no potencial económico da província e reafirmou o compromisso do Executivo em criar um ambiente favorável ao investimento privado.

“Representa confiança em Nampula, representa investimento, representa emprego, representa a confiança de quem acredita que vale a pena investir na nossa Província,” afirmou Eduardo Mariamo Abdula.

Eduardo Abdula sublinhou ainda que o Governo Provincial encara o sector privado como um parceiro estratégico para o desenvolvimento económico e social, defendendo uma relação de proximidade entre o Estado e os investidores para impulsionar a criação de emprego e melhorar as condições de vida da população.

O dirigente explicou que o novo investimento da Médis Farmacêutica fortalece a capacidade logística do sector da saúde, reduz a pressão sobre os serviços públicos e torna mais eficiente a distribuição de medicamentos.

Dirigindo-se ao Grupo Azevedos, proprietário da empresa, Eduardo Abdula agradeceu pela escolha de Nampula para expandir os seus investimentos e manifestou o desejo de que esta iniciativa incentive outras empresas a apostarem na província.

“Esperamos que este investimento seja o primeiro de muitos e que constitua um sinal de confiança capaz de inspirar outras empresas a seguir o mesmo caminho,” declarou.

No encerramento da cerimónia, o Governador reiterou que Nampula reúne condições para consolidar-se como um dos principais pólos de investimento do país, garantindo que o Governo continuará a trabalhar para melhorar o ambiente de negócios e atrair novos investidores. Também felicitou a Médis Farmacêutica, o Grupo Azevedos e todos os trabalhadores envolvidos pela concretização do projecto. (Malito João)

No “Chapo Chapo”, Moma vence Larde por 3-1

Nampula (IKWELI) – A seleção do distrito de Moma, província de Nampula, derrotou, na tarde de sábado (18), a sua congênere do vizinho Larde por 3-1, em partida inserida no torneio recreativo “Chapo Chapo”, disputado no Campo 25 de Setembro, na vila de Moma.

Depois de uma primeira parte equilibrada, em que Larde foi para o intervalo a vencer por 1-0 e dominou grande parte da posse de bola, a formação da casa reagiu na etapa complementar e marcou três golos, garantindo uma vitória convincente.

O encontro atraiu milhares de espectadores provenientes dos distritos de Moma e Larde, que encheram o recinto desportivo para acompanhar a partida num ambiente de festa, confraternização e fair play. Homens, mulheres e jovens participaram activamente, transformando o evento numa verdadeira celebração popular.

O torneio recreativo “Chapo Chapo” é uma iniciativa do Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, que visa promover a convivência pacífica, a prática desportiva e o fortalecimento da unidade entre as comunidades. Na sua implementação tem contado com o envolvimento directo dos administradores distritais e das populações locais.

Com a vitória por 3-1 sobre Larde, Moma encerrou a jornada em clima de celebração, num evento que voltou a evidenciar o papel do desporto como instrumento de integração social e de aproximação entre as comunidades, em sintonia com os objectivos do recreativo “Chapo Chapo”.

Feito Tudo Male, coordenador nacional do recreativo “Chapo Chapo”, disse que a iniciativa visa juntar os jovens com o objectivo de descobrir vários talentos desportivos e promover harmonia social.

“Na verdade, hoje o movimento vem demonstrar aquilo que é a sua força. Com base neste movimento, podem ser descobertos vários talentos. Temos a conectividade dos jovens e nós, como organizadores, também vemos uma oportunidade de imprimir mais dinâmica em eventos como este. Então, é sábado-após-sábado, jogo-após-jogo, e a juventude está a corresponder àquilo que são as nossas expectativas.”

O coordenador nacional acrescentou ainda que o objectivo do torneio é, “primeiro, promover a coesão social dos jovens; segundo, descobrir talentos. Como podem imaginar, estamos a realizar este movimento num momento atípico. Basta vermos a qualidade do jogo que tivemos hoje para dizer que vale a pena imprimir esta dinâmica. Podem imaginar que, com base neste desporto, surgem talentos e também oportunidades para a economia. Esse é o nosso objectivo.”

Em vários distritos do país, a actividade tem mobilizado homens e mulheres que lotam os campos desportivos, demonstrando o espírito de união e participação comunitária. Para muitos participantes, o recreativo representa uma oportunidade de fortalecer os laços sociais e incentivar a convivência saudável entre os cidadãos. (Malito João, em Moma)

No Gabinfo: “Cai” Moiane “sobe” Canhemba

Após 11 anos sob direção de Emília Moiane, o Gabinete de Informação de Moçambique (Gabinfo) ganha um novo rosto, Luís Alves Do Rosário Canhemba toma as rédeas do órgão responsável pela comunicação social em Moçambique.

Aquando da tomada de posse, nesta Sexta-feira (17.07), a Primeira Ministra, Benvinda Levi disse esperar que o novo dirigente impulsione reformas no sector da comunicação social, orientadas para a melhoria dos serviços prestados aos cidadãos, colocando o interesse público no centro da actuação da instituição.

Até a data da sua nomeação, Luís Canhemba desempenhava a função de administrador executivo para o Pelouro Corporativo do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação (INTIC).

O novo Director do Gabinfo é Doutorando em Gestão de Empresas e Mestre em Administração e Governação, na especialidade de políticas Públicas.

Possui passagem pela Hidroelétrica de Cahora-Bassa, como Director do Gabinete do Conselho de Administração e foi presidente da União Desportiva do Songo.

 Emília Moiane é até ao momento a primeira mulher a ocupar um cargo de chefia desde a criação da organização em 1995. (Felismina Maposse)

UniRovuma acolhe debate que reforça compromisso com a paz e reconciliação

Nampula (IKWELI) – A Universidade Rovuma (UniRovuma), através do Campus Universitário de Nángala, do Instituto Superior de Desenvolvimento Rural e Biociências (ISDRB), acolheu recentemente, na cidade de Lichinga, província do Niassa, um encontro de reflexão sobre a paz e reconciliação em Moçambique, reunindo representantes do Governo, da Academia e da Sociedade Civil.

O encontro teve como principal objectivo analisar os principais focos de conflito, discutir estratégias de prevenção da violência e consolidar recomendações que serão apresentadas durante o II Fórum Nacional de Paz e Reconciliação, a realizar-se brevemente no país.

Decorrido sob o lema “A Voz das Comunidades na Preparação do II Fórum Nacional de Paz e Reconciliação”, o evento procurou valorizar o contributo das comunidades na construção de uma paz duradoura, promovendo um espaço de diálogo inclusivo e de concertação entre diferentes actores sociais.

Durante os debates, os participantes defenderam o reforço da cooperação entre o Governo, a Academia e a Sociedade Civil, considerando que a produção de evidências, o diálogo permanente e a definição de estratégias conjuntas são fundamentais para prevenir conflitos e consolidar a paz em Moçambique.

A sessão de abertura foi marcada pelas intervenções do representante do ISDRB, professor Arlindo Cornélio Ntunduatha, da representante da Sociedade Civil, Lídia João, e do director provincial de Educação, Félix Chapungo, que destacaram a necessidade de fortalecer o envolvimento das comunidades nos processos de reconciliação nacional.

Os trabalhos foram distribuídos em dois painéis. O primeiro abordou o diagnóstico situacional da província do Niassa, com a apresentação do relatório preliminar da cartografia de conflitos em quatro distritos, permitindo identificar os principais desafios ligados à segurança pública e aos conflitos emergentes.

O segundo painel centrou-se em matérias como a participação política, intolerância partidária, greves, vandalismo e discursos de ódio, procurando apontar mecanismos para transformar estes desafios em oportunidades de fortalecimento da convivência pacífica.

O encontro reconheceu igualmente o papel das rádios comunitárias, das organizações da sociedade civil, dos académicos e das redes locais na monitoria, prevenção de conflitos e promoção da cultura de paz.

Os participantes defenderam que o envolvimento destes actores é determinante para sensibilizar as comunidades, incentivar a resolução pacífica de conflitos e contribuir para uma estabilidade social duradoura em Moçambique. (Malito João)

Entre o cuidado e a falta de alternativas: Acompanhantes lotam Hospital Central de Nampula

Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (HCN) continua a registar um elevado número de acompanhantes de doentes, uma realidade que evidencia não apenas a preocupação das famílias com os seus entes queridos, mas também as dificuldades enfrentadas por muitos cidadãos provenientes dos distritos da província.

Em vários pontos da unidade sanitária é possível encontrar pessoas que passam dias e noites à espera de informações sobre o estado clínico dos familiares internados.

Segundo constatou o Ikweli, uma parte significativa dos acompanhantes vem de distritos distantes e afirma não possuir familiares ou recursos para garantir alojamento na cidade de Nampula durante o período de internamento dos pacientes.

Como consequência, muitos acabam por permanecer nos corredores e outros espaços do hospital, numa situação que desafia tanto as famílias como a própria instituição de saúde.

Um dos acompanhantes reconheceu que a presença excessiva de pessoas no recinto hospitalar também cria dificuldades para o funcionamento normal da unidade sanitária.

“Na verdade, o Hospital Central tem razão, as vezes mesmo aqui na maternidade encontram quase seis pessoas aí na maternidade a acompanharem uma pessoa grávida, então isso é complicado, em outras situações são pessoas que saem do distrito e aqui na cidade de Nampula não têm família e são obrigadas a dormir nos corredores, então é complicado alguém ficar fora do recinto sabendo que acompanhou uma paciente lá dentro, não sei, isso como pode ser resolvido, mas precisamos ajudar os profissionais de saúde a trabalhar a vontade,” disse a fonte.

Para muitos familiares, permanecer junto dos pacientes representa uma forma de oferecer apoio emocional e responder rapidamente a qualquer necessidade. No entanto, a permanência prolongada dentro do recinto hospitalar também levanta desafios relacionados com a circulação de pessoas, a higiene e a organização dos serviços de saúde.

Consciente desta realidade, o Hospital Central de Nampula tem procurado sensibilizar a população para a necessidade de cumprir as normas de acompanhamento dos doentes.

A direcção da unidade reconhece as dificuldades enfrentadas pelas famílias, sobretudo aquelas provenientes de zonas distantes, mas sublinha que o hospital precisa de manter condições adequadas para garantir assistência de qualidade a todos os pacientes.

Em conferência de imprensa realizada no dia 14 de Julho, o porta-voz do HCN, António Carlos, explicou que as novas medidas visam equilibrar o direito das famílias de acompanhar os seus parentes com a necessidade de preservar a funcionalidade da unidade sanitária.

O responsável acrescentou que a permanência de acompanhantes além do necessário compromete a circulação, a higiene, a segurança e o trabalho das equipas de saúde.

Com a entrada em vigor de medidas mais rigorosas para o controlo do acesso e permanência de acompanhantes, o HCN apela à compreensão e colaboração da população.

Importa recordar que apenas doentes graves dependentes de terceiros para a higiene e cuidados básicos, bem como crianças, têm direito a um único acompanhante permanente. (Malito João)

Tribunais de Nampula julgam dezenas de processos ligados à droga no primeiro semestre de 2026

Nampula (IKWELI) – Os tribunais judiciais da província de Nampula apreciaram, entre Abril e Junho de 2026, vários processos relacionados com crimes de consumo, cultivo, furto e tráfico de pequenas quantidades de estupefacientes.

A informação consta de um mapa estatístico dos Serviços Judiciais do Tribunal Judicial da Província de Nampula, que reúne decisões proferidas em diferentes secções e tribunais da província.

De acordo com o documento, a maioria dos casos está relacionada com o consumo de estupefacientes, envolvendo sobretudo cidadãos do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 19 e 51 anos.

Entre os arguidos figuram desempregados, camponeses e comerciantes, tendo alguns processos resultado em absolvições, enquanto outros culminaram em penas de prisão, multas ou ambas as sanções.

O levantamento também indica a existência de processos por cultivo de cannabis sativa, furto associado ao consumo de estupefacientes e tráfico de pequenas quantidades de droga. As penas aplicadas variam desde alguns meses de prisão até cinco anos de reclusão, dependendo da natureza do crime e da decisão judicial em cada processo.

Os dados evidenciam a continuidade do combate ao consumo e tráfico de drogas na província de Nampula, através da actuação dos órgãos de administração da justiça.

As autoridades reiteram que a prevenção, a denúncia e o cumprimento da lei são essenciais para reduzir a criminalidade associada aos estupefacientes e proteger a saúde e a segurança públicas. (Malito João)

Regularização da invasão de terrenos: Igreja Católica satisfeita com intervenção do governador de Nampula

Nampula (IKWELI) – O arcebispo de Nampula e presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), dom Inácio Saure, manifestou satisfação com a intervenção do governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, no processo de regularização da invasão aos terrenos pertencentes à igreja.

A posição foi tornada pública durante um encontro realizado na manhã desta quinta-feira (16), na residência do arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, onde o prelado abordou o ponto de situação dos espaços invadidos durante as manifestações pós-eleitorais e o papel da justiça na resolução do conflito.

O governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, explicou na ocasião que “nós viemos aqui passar em revista porque sua excelência reverendíssima já vinha reclamando desde o ano passado junto ao meu Gabinete, mas também estive aqui, felizmente como dissemos o tribunal já está tomar decisão caso a caso, portanto a justiça ultrapassa às competência do governador ou de qualquer órgão da província se não o tribunal de tratar a devolução de César o que é de César, os terrenos já foram entregues, como disse o reverendíssima a justiça irá dar resposta com direito a recurso”.

Eduardo Mariamo Abdula acrescentou ainda que “em relação a esses terrenos que foram entregues a igreja, a população recebeu a visita do presidente do município que confortou, pelas imagens acredito que estão a encontrar soluções para reposição, para reassentamento dessas famílias, homens e mulheres, espero que tudo corra da melhor forma, mas também queremos tranquilidade e ordem na província, em particular na cidade”.

Por seu turno, o arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, recordou os prejuízos sofridos pela Igreja Católica durante as manifestações pós-eleitorais, destacando que “como sabeis, no âmbito das manifestações pós-eleitorais, a igreja católica em Nampula ficou muito prejudicada dos seus espaços, houve vandalização, uma farmácia que funciona aqui chamada farmácia Vicente graças a intervenção do exército essa casa não foi vandalizada também, havia intervenção do exército, evitou-se o pior, mas infelizmente o terreno de Nampaco tinha sido ocupado e nós tínhamos posto o caso em tribunal, porque nós temos todos documentos daquele terreno, o terreno não está ocioso temos lá as duas casas de formação e também por lado está um pouco para agricultura para que os nossos padres saibam sujar um pouco às mãos, inclusive foi destruir o murro de vedação”.

Dom Inácio Saure recordou que, perante a ocupação dos terrenos, a Arquidiocese decidiu denunciar publicamente a situação e recorrer aos tribunais para defender o património da Igreja.

Segundo o líder religioso, “nos preocupava o facto de depois de termos posto o caso em tribunal parecia que não tinha solução e agora finalmente o tribunal decidiu pela demolição das casas construídas ilegalmente sob nosso terreno e já tinham começado outro lado das irmãs Mater Dei. Nesse sentido, posso dizer que o tribunal fez o seu papel, então a igreja se contenta, é uma questão de justiça, porque as pessoas ocuparam deliberadamente, sabendo que era terreno da igreja.”

O arcebispo aproveitou a ocasião para agradecer a actuação da justiça e o acompanhamento do governador da província, manifestando esperança de que os restantes espaços pertencentes à Igreja Católica que ainda enfrentam problemas de ocupação possam, igualmente, ser regularizados, garantindo segurança jurídica e a continuidade das actividades religiosas, sociais e agrícolas desenvolvidas pela Arquidiocese.

O encontro entre Eduardo Mariamo Abdula e Dom Inácio Saure serviu para avaliar o estágio da resolução dos conflitos fundiários envolvendo património da Igreja Católica, num momento em que as autoridades provinciais defendem a manutenção da ordem, da tranquilidade e do respeito pelas decisões dos tribunais na província de Nampula. (Malito João)