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“Macondes” vão ganhar nova cara em Nampula

Nampula (IKWELI) – Os seis Prédios Macondes, localizados no bairro de Muahivire, na cidade de Nampula, poderão em breve apresentar uma nova imagem, graças a um projecto de pintura a ser promovido por uma empresa, com sede na cidade da Beira, província de Sofala, e actividade a decorrer em parceria com o conselho municipal.

A iniciativa foi acolhida com entusiasmo pelos moradores, que acreditam que as obras irão valorizar os edifícios e melhorar o ambiente urbano da cidade de Nampula.

O anúncio foi partilhado durante um encontro realizado esta quinta-feira (21), no recinto do segundo prédio, onde moradores, líderes comunitários e representantes do projecto discutiram os impactos da intervenção.

Muitos residentes consideram que os edifícios há muito necessitavam de reabilitação, sobretudo na componente estética.

A moradora Helena Morais afirmou que a pintura dos seis prédios vai beneficiar não apenas os residentes, mas também os munícipes da cidade de Nampula, uma vez que os edifícios se tornarão mais atrativos.

Contudo, chamou atenção para a falta de iluminação pública na rua onde os prédios estão implantados.

“Os prédios poderão ficar bonitos, mas a noite não terão o destaque desejado por causa da falta de iluminação pública”, alertou Helena Morais, apelando às autoridades municipais para resolverem o problema.

Outro residente, Zemilto Davide, valorizou a iniciativa, mas mostrou preocupação com o comportamento de alguns moradores em relação a conservação dos espaços comuns. Segundo explicou, a falta de fiscalização contribui para o depósito irregular de lixo nas imediações dos prédios.

“Essa reabilitação vai nos ajudar tendo em conta que faz tempo que isso não é reabilitado”, afirmou Zemilto Davide, defendendo maior vigilância para travar práticas que colocam em risco a saúde pública, sobretudo durante a época chuvosa.

O Secretário do bairro de Muahivire, Victor Sicula, garantiu que as preocupações apresentadas pelos moradores serão encaminhadas ao Conselho Municipal de Nampula. Acrescentou que haverá um esforço conjunto visando reforçar a limpeza nos arredores dos prédios e sensibilizar a população sobre o tratamento adequado do lixo.

Victor Sicula apelou, igualmente, ao empreiteiro responsável pela obra para que haja seriedade durante a execução dos trabalhos. O dirigente mostrou-se satisfeito pelo facto de os moradores não serem obrigados a contribuir financeiramente para a concretização da iniciativa.

Por sua vez, o empreiteiro Wilson Anselmo explicou que o projecto nasceu da preocupação com o elevado índice de desemprego juvenil.

Segundo disse, a proposta foi apresentada ao município de Nampula, tendo já recebido aprovação, faltando apenas a autorização final para o arranque das obras. “Primeiro, era para fazer três depois da conversa vimos que fazer seis prédios é mais ético. Sobre orçamento é segredo”, declarou Wilson Anselmo, acrescentando ainda que mais de 30 jovens serão empregados no projecto, sendo a maioria recrutada entre os próprios residentes dos Prédios Macondes. (Malito João)

Nicutha e Mutauanha clamam por pontecas

Nampula (IKWELI) – As populações que residentes próximos aos rios Nicutha, no bairro de Napipine e de Mutauanha, nos redores da cidade de Nampula, no Norte de Moçambique pedem as autoridades municipais para que encontrem estratégias de colocar alguns meios de travessia de modo a facilitar a circulação.

A preocupação foi manifestada durante uma ronda que o Ikweli fez nos bairros em destaque, onde foi possível constatar que os rios criam dificuldades para os moradores, de forma particular para as crianças que muitas das vezes precisam ser acompanhadas.

A título de exemplo, o rio Nicutha, no bairro de Napipine, concretamente na zona de Nakipiche que também é usado para irrigar hortícolas, tem criado dificuldades para as crianças poderem atravessar uma vez que pela extensão, fica complicado em colocar meios alternativos da iniciativa da população no sentido de minimizar a situação.

“É complicado as crianças atravessarem sozinhas, até que agora fica um pouco normal uma vez que as chuvas já diminuíram, porque, quando é o tempo chuvoso, quase fica impossível atravessar. Pela dimensão do rio, uma ponte tradicional fica difícil e peço as autoridades para este momento que não está a cair chuva tentarem organizar,” disse Odete António, moradora local.

Em Mutauanha, a população também pede intervenção das autoridades na colocação de pontecas em alguns riachos que atravessam aquela zona. “Pedimos ajuda porque há muita dificuldade em atravessar, principalmente as crianças, como alternativas colocamos um pau para tentar passar, mas é um grande perigo. Assim estamos a tentar contribuir pouco a pouco para ver se vamos conseguir colocar uma ponte condigna,” revelou um dos nossos entrevistados em Mutauanha. (Francisco Mário)

Quelimane: Manuel de Araújo acusado de estar a desviar receitas do município

Quelimane (IKWELI) – Os funcionários do Conselho Municipal da Cidade de Quelimane (CMCQ), na província da Zambézia, acusam o autarca local, Manuel de Araújo, de má gestação financeira e suposto desvio de receitas.

As denúncias surgem no contexto de reclamações em torno de atraso de seis meses de pagamentos de salários. Segundo os funcionários da autarquia de Quelimane, parte das receitas arrecadadas pelo município não estão a ser canalizadas para os cofres da instituição, levantando assim suspeitas sobre a gestação financeira da autarquia.

Celestino Albano, funcionário do município, pede intervenção das autoridades competentes para investigar o caso. “Não vou te esconder meu irmão, as nossas receitas estão sendo desviadas, o município não está sabendo gerir,” alegou Celestino, pedindo intervenção da procuradoria local. “Nós queremos que o Gabinete de Combate a Corrupção venha investigar o destino do dinheiro, valores que são arrecadados pelos transportes públicos municipais”.

Por sua vez, o funcionário da autarquia de Quelimane, Sérgio Lucas, disse não entender como é que o autarca consegue deslocar-se frequentemente para fora e dentro de Moçambique, se não há dinheiro nos cofres do município. “Queremos saber esta jogada do presidente de andar a viajar toda hora, onde sai o dinheiro para cobrir estas despesa das viagens, se ele fala que o município não tem dinheiro, e a gente está há 6 meses sem receber salário”.

No entanto, Carlos Jackson, chefe do gabinete do presidente do Conselho Municipal da Cidade de Quelimane, não confirmou e nem negou as acusações de desvio de receitas, mas garante que há um trabalho a ser levado a cabo pelos órgãos de fiscalização no sentido averiguar a veracidade das informações.

“Nós estamos abertos para tudo aquilo que é a contribuição para o Conselho Municipal, nós temos várias visitas do Tribunal Administrativo e da Inspeção, no sentido de trabalhar connosco para corrigir e melhorar aquilo que é a governação municipal”, respondeu o chefe do Gabinete de Manuel de Araújo. (Hermínio Raja)

Endividamento de funcionários públicos preocupa FRELIMO no Niassa

Lichinga (IKWELI) – O Primeiro-secretário do Comité Provincial da FRELIMO no Niassa, José Abibo Iassine, manifestou preocupação com o crescente nível de endividamento de alguns funcionários públicos, considerando que a situação pode estar a influenciar o posicionamento político de determinados trabalhadores do Estado.

Falando durante uma recente visita de trabalho ao distrito do Lago, o dirigente afirmou que há servidores públicos que, depois de contraírem empréstimos em diferentes bancos, acabam por enfrentar sérias dificuldades financeiras no final do mês, situação que, segundo disse, gera descontentamento e frustração.

De acordo com José Abibo Iassine, muitos funcionários ficam com valores reduzidos após os descontos bancários, realidade que, na sua visão, acaba por criar críticas dirigidas ao partido no poder, mesmo quando os problemas resultam de compromissos financeiros pessoais.

“O que estamos a assistir hoje em dia, alguns dos funcionários pedem dívidas em vários bancos e depois ficam na conta com 200,00Mt (duzentos meticais) e depois começam a culpar à Frelimo. A maioria dos nossos irmãos que vão cair na oposição depois estar connosco, se irmos na conta, vamos perceber que recebem 200,00Mt ou 500,00Mt (quinhentos meticais)”.

Aquele responsável político acrescentou que existem percepções de que alguns funcionários excessivamente endividados tendem a aproximar-se de partidos da oposição, embora não tenha apresentado dados concretos que comprovem essa ligação entre dificuldades financeiras e opções políticas.

Ainda assim, o dirigente entende que o fenómeno merece reflexão, sobretudo pelo impacto que pode causar na estabilidade das famílias, no rendimento profissional e no ambiente social dentro das instituições públicas.

Durante a intervenção, José Abibo Iassine defendeu a necessidade de reforçar a educação financeira entre os funcionários públicos, incentivando uma gestão mais equilibrada do salário e maior prudência na contratação de créditos bancários.

O dirigente concluiu apelando à responsabilidade individual na administração das finanças pessoais, sublinhando que o sobre-endividamento pode trazer consequências não apenas económicas, mas também sociais e políticas. (Malito João)

Escassez de combustível compromete recolha de lixo em Malema

Nampula (IKWELI) – A crise de combustíveis que afecta o país começa a produzir impactos visíveis na vila municipal de Malema, província de Nampula, onde o serviço de recolha de lixo está condicionado devido à falta de abastecimento dos camiões da edilidade local.

A situação preocupa moradores e comerciantes, sobretudo porque o lixo acumulado em alguns bairros e mercados está a criar um ambiente propício para a propagação de doenças e degradação ambiental. As autoridades municipais admitem dificuldades para manter a regularidade das operações de limpeza.

O mercado Municipal de Mutivaze-B registou um cenário considerado crítico, depois de um vendaval espalhar resíduos sólidos pelas vias de acesso, dificultando a circulação de pessoas, viaturas e vendedores que disputavam pequenos espaços para continuar as suas actividades comerciais.

Apesar da alegada escassez nas bombas de abastecimento, populares questionam o facto de haver combustível sendo vendido de forma abundante e clandestina em diferentes pontos das ruas da vila, muitas vezes a preços superiores aos oficiais.

Alguns, munícipes consideram contraditório que as instituições públicas enfrentem dificuldades de abastecimento enquanto o mercado informal continua activo.

A vereadora da área de Salubridade e Energia do Conselho Municipal de Malema, Zulmira Tembe, confirmou que a edilidade enfrenta limitações operacionais devido à insuficiência de combustível para garantir a circulação das viaturas de recolha de resíduos sólidos.

Segundo a responsável, o município foi obrigado a reduzir a frequência das rotas e priorizar apenas as zonas consideradas mais críticas, numa tentativa de minimizar os impactos da paralisação parcial do serviço de saneamento.

“Sobre  existência de foco de lixo no mercado da Gorongosa, só temos a frisar que em termos de actividade traçada pela vereação de salubridade, a gente faz a recolha de lixo em todos mercado e nas vias públicas, mas para o caso da semana passada tivemos dificuldade para os três meios alocados a vereação de salubridade para que fizesse actividade de recolha de lixo, acho que é de conhecimento de todos que a nível da autarquia temos da falta de combustível, então isso condicionou a movimentação dos nossos transportes.”

As autoridades municipais pedem compreensão aos munícipes e garantem que esforços estão em curso para restabelecer plenamente o serviço de recolha de lixo, logo que a situação de abastecimento de combustível volte à normalidade.

Entretanto, residentes apelam ao governo e as entidades fiscalizadoras para reforçarem o controlo sobre a venda ilegal de combustível, alegando que o fenómeno contribui para o agravamento da crise e prejudica sectores essenciais, como saúde, transporte e limpeza urbana. (Malito João)

Governador de Nampula defende preservação da biodiversidade para garantir futuro sustentável

Nampula (IKWELI) – O governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, afirmou, esta sexta-feira (22), que a preservação da biodiversidade é fundamental para assegurar a sobrevivência humana e o equilíbrio ambiental, apelando ao envolvimento colectivo na conservação dos recursos naturais.

A declaração foi feita por ocasião do Dia Mundial da Biodiversidade, em uma mensagem em que o dirigente destacou a importância dos ecossistemas existentes na província de Nampula, incluindo mangais, florestas de miombo, rios e áreas agrícolas que sustentam milhares de famílias.

“Hoje celebramos a vida em todas as suas formas. A biodiversidade é o alicerce da nossa sobrevivência, garante o ar que respiramos, a água que bebemos, os alimentos que colhemos e o equilíbrio do clima.”

Abdula defende que a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais devem ser assumidos como prioridade, numa altura em que os desafios ambientais exigem maior consciência por parte das comunidades e instituições.

“Em Nampula, essa riqueza está presente nos nossos mangais, nas florestas de miombo, nos rios e na diversidade agrícola que sustenta milhões de famílias. Proteger essa herança não é apenas dever do Estado, é responsabilidade de cada cidadão.”

O governante reafirmou ainda o compromisso do Governo Provincial em continuar a promover acções de conservação e restauração ambiental, considerando que a protecção da biodiversidade é indispensável para garantir qualidade de vida e um futuro sustentável para as próximas gerações. (Malito João)

CTA oferece diverso material para novo centro do INATRO em Nacala

Nampula (IKWELI) – O Conselho Empresarial Provincial de Nampula (CEP/CTA-Nampula) procedeu, na tarde desta quinta-feira (21), à entrega simbólica de material de apoio ao Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO, IP), destinado ao arranque das actividades do novo centro de atendimento da instituição em Nacala.

A iniciativa, segundo o CEP/CTA-Nampula, visa apoiar o funcionamento do novo centro de trabalho do INATRO, reforçando as condições de atendimento aos cidadãos e agentes económicos naquele ponto da província de Nampula.

Durante a cerimónia, o presidente do CEP/CTA-Nampula, Shakeel Ahmad, afirmou que a entrega do material representa um gesto de cooperação institucional entre o sector privado e as instituições públicas.

Na sua intervenção, Ahmad destacou que o CEP de Nampula acredita que o desenvolvimento económico sustentável depende de instituições públicas funcionais, eficientes e próximas dos cidadãos, garantindo que a organização continuará disponível para apoiar iniciativas que promovam a melhoria do ambiente de negócios.

O presidente do CEP Nampula agradeceu ainda a empresa ABNASSIR MOTORES e aos membros da agremiação empresarial pelo envolvimento demonstrado na concretização da iniciativa.

“Gostaríamos igualmente de endereçar um agradecimento especial à empresa ABNASSIR MOTORES e aos membros do CEP/CTA-Nampula, pela pronta colaboração e espírito de parceria demonstrados nesta iniciativa. Este gesto revela o compromisso do empresariado local com o desenvolvimento institucional da província e com a promoção de soluções conjuntas em benefício da sociedade”, afirmou.

Shakeel Ahmad reconheceu, igualmente, o papel estratégico do INATRO no processo de modernização e organização do sector dos transportes rodoviários, sublinhando a importância da instituição na facilitação de serviços essenciais para empresas e cidadãos.

Na ocasião, o dirigente manifestou esperança de que o material entregue contribua para o pleno funcionamento do novo centro do INATRO em Nacala Porto, reiterando a abertura do CEP/CTA-Nampula para continuar a fortalecer a cooperação institucional com entidades públicas em prol do desenvolvimento da província.

Por seu turno Samuel dos Santos, o delegado do INATRO em Nampula, saudou e reconheceu o gesto do sector empresarial. “Nós recebemos aqui algum material de escritório composto por quatro cadeiras, quatro secretárias mesas, duas estantes e algum material para impressão, esse gesto para nós representa o culminar de um desafio interno que nós temos como INATRO que é expandir os serviços desta instituição”. (Malito João)

Nazira Abdula leva água potável e colchões para o Hospital Geral de Marrere

Nampula (IKWELI) – A esposa do governador de Nampula, Nazira Abdula, ofereceu ao Hospital Geral de Marrere 100 colchões e um furo de abastecimento de água potável, para melhorar a situação de higiene e saneamento do meio naquela unidade sanitária que há 4 anos não tinha acesso ao precioso líquido.

Esta oferta, segundo disse, é em resultado dos pedidos feitos ao governador Eduardo Mariamo Abdula, durante as celebrações do 65º aniversário natalício.

“No âmbito dos 65 anos do tio Salim, governador da província de Nampula, houve um choro da parte do Comité de Gestão e Humanização, que ajuda os profissionais de saúde a identificar os problemas, mas também a arranjar soluções. O governador ouviu o vosso pedido nesse dia, não só pediram colchões, referiam a questão de água e nós hoje trouxemos a resposta do vosso pedido,” disse a Dra. Nazira Abdula, prosseguindo que “desde já queríamos agradecer ao Comité de Gestão e Humanização pelo apoio que tem dado nessa unidade sanitária.”

Num outro desenvolvimento, a fonte assegurou que “a nossa preocupação é melhorar o conforto dos nossos doentes. Está aqui o vosso pedido.”

Igualmente, a esposa do governador garantiu que o seu gabinete continuará a trabalhar para garantir confortos as pessoas carenciadas, idosos, doentes, crianças e mulheres, tendo referido que, num passado recente, o Hospital Distrital de Angoche, também, beneficiou de colchões e o centro de saúde de Anchilo ganhou lençois.

Paulino Julião, director geral do Hospital Geral de Marrere, na escondeu a sua satisfação, tendo afirmando que “isso significa muito para a nossa unidade sanitária, esses colchões mudam o sentido de vida, o conforto ao nível do hospital. Os doentes estão a sorrir.”“Queremos agradecer ao tio Salim nesse gesto incansável de olhar e aproximar mais a comunidade. Respondeu e respondeu bem aquilo que foi o pedido do nosso comité e hoje está aqui a nossa mãe a concretizar aquilo que foi a promessa de S. Excia o governador da província,” conclui a fonte. (Redação e Nelsa Momade)

Governador Eduardo Abdula destaca diversidade cultural como símbolo de união em Nampula

O governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, defendeu esta quinta-feira (21), na capital provincial, a valorização da diversidade cultural como factor essencial para a convivência pacífica, união entre os povos e fortalecimento da identidade moçambicana, durante as celebrações do Dia Mundial da Diversidade Cultural.


Falando perante a população e representantes culturais e convidados, no âmbito da celebração do Dia Mundial da Diversidade Cultural, Eduardo Abdula afirmou que a diversidade deve ser encarada como uma riqueza colectiva capaz de aproximar comunidades e reforçar os valores de fraternidade e respeito mútuo.


“Porque a diversidade não enfraquece sociedades; enriquece-as. Não divide povos, aproxima-os”, declarou o governador, sublinhando que o multiculturalismo deve continuar a ocupar um lugar central na construção de uma sociedade mais humana e inclusiva.


Na sua intervenção, o dirigente destacou que Nampula é uma província caracterizada pela coexistência de diferentes culturas, tradições e línguas, elementos que considera fundamentais para o enriquecimento social e histórico da região.


“Num tempo e num mundo em que o multiculturalismo é, tantas vezes, questionado, relativizado ou empurrado para segundo plano, cabe-nos, enquanto defensores da convivência pacífica, da diversidade e da dignidade humana, aproveitar todas as oportunidades para afirmar esses valores com clareza. Porque a diversidade não enfraquece sociedades; enriquece-as. Não divide povos, aproxima-os”.


O governador apelou aos jovens para preservarem as suas raízes culturais e valorizarem a identidade herdada das gerações anteriores, defendendo que a cultura representa um património essencial para o futuro da sociedade moçambicana.


“A nossa cultura, a nossa gastronomia, as nossas diversas línguas, a nossa arquitectura e tantas outras expressões da nossa identidade colectiva são, precisamente, produto dessa diversidade, desse encontro entre povos, influências, histórias e tradições que, ao longo do tempo, nos foram moldando e enriquecendo”.


“Um povo que perde a sua identidade cultural perde parte da sua alma”, enfatiza Eduardo Abdula, incentivando igualmente as famílias, líderes comunitários e educadores a continuarem a transmitir valores culturais às novas gerações.


Na ocasião, o governador reiterou a necessidade de combater todas as formas de discriminação, intolerância e preconceito, defendendo uma convivência harmoniosa entre povos e culturas, para que Nampula continue a afirmar-se como uma terra de acolhimento, respeito e unidade. (Malito João)

Escritoras de Nampula debatem papel da mulher na literatura

Nampula (IKWELI) – As mulheres escritoras da cidade de Nampula defenderam, esta quarta-feira (20), a necessidade de maior valorização das vozes femininas na literatura, durante um debate promovido pelo Grupo de Escritores da Província de Nampula (GEIN), que teve como objectivo incentivar a participação da mulher no universo literário e combater preconceitos históricos sobre a capacidade feminina de produzir obras literárias.

No evento, a jurista e escritora Paula Lovena afirmou que a literatura representa um instrumento de libertação e afirmação da mulher na sociedade. Segundo a oradora, durante muitos anos as mulheres enfrentaram preconceitos e limitações sociais que desencorajavam a expressão dos seus sentimentos e ideias através da escrita.

“Há vários anos, mulheres tinham ideias, mas com algum receio, porque carregavam preconceitos. Muitas vezes, expressar sentimentos amorosos era visto de forma negativa”, revelou Lovena, acrescentando que chegou a destruir os seus primeiros escritos por receio das críticas.

A escritora sublinhou que o papel da mulher na literatura “é de posição e libertação”, defendendo que as mulheres devem usar a escrita para denunciar problemas sociais como o femicídio, os abusos e outras formas de violência baseada no género.

Por sua vez, a escritora e jornalista Hermínia Francisco destacou que, nos primórdios, a literatura era vista como uma actividade predominantemente masculina. Contudo, segundo explicou, as mulheres foram conquistando espaço através da resistência e da utilização da escrita como ferramenta de emancipação social.

“As escritoras lutaram contra o silenciamento, usando a escrita como instrumento de crítica social. Durante muito tempo, muitas mulheres recorreram a pseudónimos para que as suas obras fossem aceites”, afirmou Francisco.

A oradora salientou que, apesar dos avanços registados, persistem desafios ligados à visibilidade das mulheres na literatura, sobretudo das escritoras negras e pertencentes a grupos marginalizados.

O encontro serviu igualmente para reflectir sobre a evolução da presença feminina na produção literária, passando de uma figura secundária para protagonista das próprias narrativas e vivências sociais.

Segundo os organizadores, o debate pretende contribuir para a desconstrução da ideia, construída ao longo dos anos, de que a mulher não possui capacidade para produzir obras literárias.(Francisco Mário)