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Marove leva a gestão artística para distritos de Nampula

Nampula (IKWELI) – A banda Marove da cidade de Nampula proporciona um workshop de treinamento para os artistas a nível dos distritos da província em matéria de gestão artística para que os fazedores das artes possam estar munidos de conhecimentos e ganharem com as suas actividades.

De acordo com Elcídio de Oliveira Fernando, vocalista e representante da banda em alusão, a iniciativa está inserida na comemoração dos vinte (20) anos de carreira da banda e surgiu a ideia de passar o conhecimento adquirido durante este período aos demais fazedores da arte, uma vez que não é fácil viver somente da arte, de forma particular a música na província de Nampula.

“Por causa das efemérides dos vinte anos de carreira, decidimos partilhar os conhecimentos nos distritos, onde já iniciamos em Nametil [Mogovolas] a dar treinamento aos artistas sobre gestão cultural, música como negócio para ganhar dinheiro como forma de transmitir aquilo que nós adquirimos no país e no estrangeiro, “disse, prosseguindo que “infelizmente estamos num país em que economicamente a arte não vende, não estou a dizer que não se pode fazer dinheiro com ela, mas não está a fácil você assumir que vive dela. Temos grandes lendas da música e que hoje pedem apoio para se sustentarem. Então, decidimos que é importante formar os companheiros para evitar que a formação fique apenas connosco.”

Para o nosso entrevistado, muitos artistas, principalmente dos distritos, não sabem como se posicionar no mercado, “uma vez que estamos num pais em que para ter apoio não é fácil.”

“Muitos artistas nos distritos não entendem sobre a gestão artística, mesmo alguns colegas a nível da cidade não percebem a cerca da gerência da arte. Temos que conhecer a música em questões de gerência de renda, como colocar música nas plataformas digitais, como vender e tudo isso achamos que são elementos necessários para ajudar os outros. Muitos artistas não entendem os direitos dos autores, um dos maiores legados é de deixar o que sabemos para os outros,” realçou Fernando.

Segundo a fonte, o projecto não está acelerado por causa de falta de logística uma vez que “não temos empresários culturais, mas temos empresários políticos, a maior parte dos empresários que temos decidem investir na política porque querem ganharem alguma coisa. A cultura como tal não temos, aqueles que decidem dar um valor ao artista, dão e depois começam a falar mal, se calhar vai passar todo ano a lamber na bota dele, você tem que aceitar tudo, seguir passos dele e isso não é poiar a cultura,” sublinhou.

Todavia, Fernando apela a resiliência para todos os fazedores da arte para alcançarem os seus sonhos, apesar de não ser fácil e que a arte deve ser olhada como negócio e não apenas proporcionar entretinimento como alguns dirigentes pesam que a cultura serve para distração. (Francisco Mário)

Acção Social sem dados de crianças no trabalho infantil em Nampula, mas o fenómeno preocupa a instituição

Nampula (IKWELI) – O departamento da Criança da direcção provincial do Género, Criança e Acção Social, em Nampula, anda preocupado com a prevalência do fenómeno de crianças no trabalho infantil na circunscrição.

Óscar Tito, responsável da área, disse ao Ikweli que a instituição não dispõe de dados sobre o número real de menores nessa situação.

A 12 de junho corrente, celebrou-se o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil e Tito disse que “uma das razoes da normalização de trabalho infantil, é que muita gente não conhece o instrumento de penalização. As principais formas de trabalho infantil são agricultura, nas minas, nas vendas ambulantes.”

No entanto, esta fonte anotou que de janeiro a maio do corrente ano, 64 crianças foram retiradas do trabalho infantil apenas na cidade de Nampula, concretamente nos mercados do Waresta, Matadouro, Mutauanha e Belenenses, dessas 47 já foram reintegradas nas escolas e as restantes estão em processo de reintegração.

O 12 de junho, Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, neste ano foi celebrado sob o lema “Proteger a criança é responsabilidade e dever de todos nós”.

Entretanto, pais e encarregados de educação ouvidos pelo Ikweli, além de condenar o uso de crianças em trabalhos árduos, o governo deve tomar medidas duras contra todos os envolvidos nessa prática, apontando que o lugar delas é na escola.

“Essas práticas não são boas para o desenvolvimento da criança e assim não poderão ajudar o crescimento da sua própria comunidade, o governo deve fazer o controlo dessas práticas,” disse Gildo José, pai e encarregado de educação, residente na cidade de Nampula.

Mariamo Travaço, encarregada de educação, residente em Mutauanha, aconselha as outras mães a mandarem as crianças para a escola, mesmo que não tenham condições como no seu caso.

Outrossim, Alima Matias, vendedora e criança de 15 anos de idade, que se encontrava a vender na avenida Eduardo Mondlane, disse que está na actividade porque foi obrigada a vender mandioca fresca pelos seus encarregados e por conta disso não vai à escola. “Quando peço para me colocarem na escola eles [os pais] disseram para esperar, por causa de vender, não me sinto bem quando vejo as outras crianças a irem na escola enquanto eu não e tem profissões que eu gostaria de ser”, desejou. (Fátima Manuel)

Angoche: Bancadas da AM dividem opiniões sobre o novo autarca

Nampula (IKWELI) – As bancadas da oposição na Assembleia Municipal de Angoche reagiram de forma distinta à entrada em funções de Abibo Momade Rajabo, novo autarca local.

O MDM [Movimento Democrático de Moçambique] manifesta expectativa por uma liderança capaz de responder aos desafios locais, apontando a necessidade de expandir a água potável para alguns bairros como Johar e Diamante Marisco, além de melhoria de infraestruturas sociais.

Benedito Selemane Mussa, da bancada do MDM, disse que o novo autarca é nativo da cidade de Angoche, por isso dele se espera algo diferente, uma vez que conhece a realidade de cidade.

“A população, centros de saúde, escolas, estradas, saneamento, água potável e expansão da cidade, tudo isso, ele encontrou desafios. Financeiramente o município está sem dinheiro, com dívidas por pagar e salários em atraso. Isso compromete as funções. O Estado não faz transferências há muito tempo. Sendo boa pessoa e honesta, pode ser pressionado e, dependendo apenas de receitas locais, ele deve conseguir cobrir todas as despesas do Conselho Municipal,” disse.

O MDM apela ao novo edil para não se aliar ao tribalismo. “Gostaria que não praticasse tribalismo e não se inclinasse para um lado. Mesmo com partidos diferentes, tem de ser social e aceitar conselhos, sem olhar a cor partidária. O mandato já vai com dois anos e seis meses e não vi nada que possa enumerar em termos de melhorias. Fala-se da retoma da pavimentação que liga o KM3 à Nkuanha, mas não acredito que aconteça devido a pessoas dentro do partido. No mandato da RENAMO, conseguimos ver alguma mudança, apesar de obras com problemas. Ele pode falar de trabalhos, mas está tudo complicado. Espero melhorias”, relatou Benedito Selemane Mussa, membro da assembleia municipal de Angoche pela bancada do MDM.

Entretanto, a RENAMO exige soluções urgentes para a crise salarial que afecta os trabalhadores municipais há nove meses. Através do seu relator da bancada municipal, Momade Sumalgi, a bancada recorda que os trabalhadores estão instáveis devido a essa situação

“Há uma instabilidade total dos trabalhadores. São nove meses sem salários. Gostava que o edil, Abibo Momade Rajabo, regularizasse essa situação o mais rápido possível. O que se tem falado é até amanhã, até amanhã’, e isso cria frustração. Que tenha um sentimento humano. Todo o trabalho municipal está lento. Há pessoas a trabalhar arduamente, mas sem salário, e isso é preocupante. Estivemos com o edil da RENAMO e a situação era completamente diferente. Houve problema de salários por três meses, mas resolveu-se. Diferente de agora, são nove meses. Que seja pago o dinheiro de nove meses aos funcionários e trabalhadores. Há uma densidade populacional muito elevada em Angoche, este é um lugar muito rico em minerais e mariscos, então não se justifica a falta de dinheiro. Situação alarmante. Por que é que isto acontece? Nós, da oposição, também temos opiniões que podem funcionar. O problema é que nunca nos ouvem. Oiçam as nossas ideias”, sustentou. 

Abibo Momade Rajabo tomou posse a 4 de Junho, sucedendo Dalila Abdul Raimo Ussene, falecida a 26 de Maio. O novo edil assume a liderança de um município marcado por dificuldades financeiras, dívidas acumuladas e salários em atraso. (José Pinto)

Albinos continuam a exigir respeito pelos seus direitos em Nampula

Nampula (IKWELI) – A activista Olívia Ernesto Oliveira, da associação Amor à Vida, uma organização que defende a pessoa com albinismo, exortou, no sábado (13), no lançamento da semana de conscientização sobre a violência da pessoa com albinismo, sobre a necessidade do respeito das pessoas com albinismo naquele ponto do país.

Este ano, a conscientização decorre sob o lema “Celebrando Todos os Tons de Pele”.

“As pessoas com albinismo são pessoas normais, não proporcionamos riqueza, portanto, temos o desafio sobre a inclusão social porque existe muitos preconceitos. Estamos a lutar para inclusão financeira, porque existem pessoas com albinismo com capacidade para exercer certas funções, mas não são alavancadas por conta da nossa pele. Tivemos vários casos, na nossa associação, de pessoas formadas e com capacidades, que já remeteram documentos em diferentes instituições, mas sem sucesso por ser albinas,” disse de Oliveira.

Por seu turno, Fátima Félex Raul, chefe da repartição da pessoa com deficiência na direcção provincial do Género, Criança e Acção Social, também, exigiu o respeito pelas pessoas albinas.

“Precisamos de divulgar os direitos porque há muito estigma, precisamos ter respeito, pois a pessoa com albinismo tem o mesmo direito da pessoa sem albinismo. Devemos chamá-los pelos seus próprios nomes não pela cor que eles apresentam,” disse Raul. (Francisco Mário)

Arcebispo de Nampula manifesta satisfação com Chapo

Nampula (IKWELI) – As exéquias de Dom Osório Citora Afonso ficaram marcadas pela emoção, pela dimensão da mobilização religiosa e pela presença de milhares de pessoas que acorreram para a última despedida do bispo assassinado. Entre os muitos momentos da cerimónia, uma breve intervenção de Dom Inácio Saur acabaria por introduzir um elemento adicional na leitura dos acontecimentos dos últimos dias.*

Ao dirigir-se aos presentes, o Arcebispo de Nampula e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique agradeceu publicamente o apoio prestado pelo Presidente da República durante todo o processo das exéquias. Revelou que a Igreja tinha inicialmente previsto transportar o corpo de Dom Osório por via terrestre entre Quelimane e Nampula, mas que a solução foi alterada após autorização presidencial para que a deslocação fosse realizada por via aérea.

A referência poderia ter permanecido no plano logístico. No entanto, Dom Inácio decidiu ir além da descrição dos factos. Destacou a presença de Daniel Chapo desde Quelimane e associou-a simbolicamente ao conjunto dos moçambicanos.

“Podemos considerar que é a presença que vale 30 milhões de moçambicanos desde ontem connosco”, afirmou.

A frase foi pronunciada num contexto particularmente sensível. Desde o assassinato de Dom Osório, o país assistiu ao surgimento de múltiplas interpretações sobre as possíveis motivações do crime. A ausência de conclusões públicas da investigação abriu espaço para especulações, suspeitas e leituras de natureza política.

A referência surgiu quando o país continua sem respostas para as perguntas levantadas pelo assassinato de Dom Osório. Enquanto a investigação prossegue, o Presidente da Conferência Episcopal escolheu destacar outro aspecto dos últimos dias: o apoio recebido para a realização das exéquias e o acompanhamento do processo por parte do Chefe de Estado.

O significado da declaração não reside apenas no agradecimento. Reside também no facto de a Igreja ter considerado importante torná-lo público. Em situações de elevada tensão social, as instituições escolhem cuidadosamente aquilo que dizem e aquilo que preferem omitir. A intervenção de Dom Inácio mostra que a Conferência Episcopal entendeu que o apoio recebido durante as exéquias merecia ser conhecido pelos fiéis e pela opinião pública.

Isso não significa uma tomada de posição sobre a investigação nem uma validação de qualquer hipótese relacionada com o crime. A própria Igreja evitou entrar nesse terreno ao longo das cerimónias. O que a declaração evidencia é outra realidade: apesar do ambiente de suspeição que se instalou após a morte de Dom Osório, a liderança católica optou por sublinhar a cooperação existente durante a organização das exéquias.

A declaração foi feita pela própria liderança da Igreja Católica moçambicana, poucos dias depois do assassinato de Dom Osório e numa altura em que a investigação continua sem conclusões públicas.

Com o encerramento das exéquias, termina uma etapa marcada pela homenagem e pelo luto. A investigação prossegue. A declaração de Dom Inácio Saur permanece como um dos factos mais relevantes produzidos durante as cerimónias, não pelo que afirma sobre o crime, mas pela forma como enquadra publicamente o relacionamento mantido entre a Igreja e o Estado durante aqueles dias. (Redação)

“Dom Osório Citora Afonso não pertenceu apenas à Diocese de Quelimane. Pertenceu a todo o povo

moçambicano,” Eduardo Mariamo Abdula na missa de corpo presente

Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, exaltou as qualidades humanas e religiosas de Dom Osório Citora Afonso, bispo de Quelimane assassinado à tiro na sua residência, cuja missa de corpo presente teve lugar na manhã deste sábado (13) na cidade de Nampula.

Missionário da Consolada, Dom Citora era um destacado líder da igreja católica em Moçambique sendo crítico dentro e fora dela.

“Hoje estamos aqui para nos despedirmos de um filho de Nampula, de um pastor da Igreja e de um homem que dedicou a sua vida ao serviço de Deus e ao serviço do próximo. Dom Osório Citora Afonso não pertenceu apenas à Diocese de Quelimane. Pertenceu a todo o povo moçambicano. Pela sua simplicidade, pela sua proximidade com as comunidades, pela sua voz serena e pela sua dedicação aos mais necessitados, conquistou o respeito e o carinho de todos quantos tiveram o privilégio de o conhecer,” anotou o governador na sua intervenção.

Abdula disse, ainda, que “a notícia da sua morte abalou-nos profundamente. Não apenas pela perda de um líder espiritual, mas também pelas circunstâncias dolorosas em que essa perda ocorreu. Como povo, sentimos tristeza. Como crentes, sentimos pesar. Como sociedade, sentimos indignação,” recordando que “a violência pode interromper uma vida, mas nunca conseguirá apagar o testemunho de fé, de serviço e de amor ao próximo que Dom Osório nos deixou.”

“E que nós, inspirados pelo seu exemplo, encontremos forças para continuar a construir um país mais justo, mais fraterno e mais humano,” este é o desejo do governador de Nampula.

“Assassinato de Dom Osório Citora ultrapassa o seio da igreja católica,” Daniel Chapo, na última homenagem ao prelado em Quelimane

Nampula (IKWELI) -O Presidente da República (PR), Daniel Chapo, disse, nesta sexta-feira (12), em Quelimane, capital da Zambézia, que o assassinato do bispo local, Dom Osório Citora Afonso, ultrapassa o seio da igreja católica, pois atinge toda a sociedade moçambicana.

Chapo anotou que a voz do bispo foi silenciada de forma “bárbara e covarde”, num espaço que deveria simbolizar paz e comunhão.

Segundo disse, a peregrinação do prelado na terra foi orientado pelos valores de integridade, humildade e simplicidade.

Na ocasião, o PR garantiu a realização de uma investigação rigorosa e célere sobre o assassinato de Dom Osório Citora Afonso, para a responsabilização criminal dos actores morais e materiais.

Os restos mortais de Dom Osório Citora Afonso chegaram ao meio da tarde desta sexta-feira (12) na cidade de Nampula, onde na manhã deste sábado serão sepultados em cemitério religioso. (Redação)

Escassez de peixe preocupa angocheanos

Nampula (IKWELI) – Os pescadores do distrito de Angoche, a sul de Nampula, andam preocupados com a fraca produção pesqueira nos últimos meses, situação alegadamente que sucede após a introdução da veda pesqueira que foi introduzida entre outubro do ano passado à março deste ano.

“Antes conseguia 30 caixas, agora são 15 a 20,” afirma o pescador Amisse Juma.

Segundo disse, está a enfrentar dificuldades para continuar com a actividade se a baixa produtividade for contínua. “Dependo da pesca para sobreviver. Houve tempos em que não conseguia quase nada, desde o início do ano passado. Fui obrigado a ficar em casa sem saber como alimentar a minha família.”

Ossufo Francisco, também pescador residente no bairro Inguri, afirma que apesar de satisfeito com a produção, está a notar redução da produção pesqueira e suspeita os desastres naturais. “Estou satisfeito com a produção deste ano. De janeiro até ao início deste mês, consegui muito peixe. Houve veda de janeiro a março. Teve um impacto negativo para mim e para os meus colegas. Conservamos localmente e depois exportamos, mas conseguimos até 20 caixas. Assim, consigo exportar e ficar com stock para consumo”, relatou. (José Pinto)

Governador de Nampula quer cultura na prevenção de uniões prematuras em Eráti

Namapa (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, defende o envolvimento directo da cultura no processo de prevenção das uniões prematuras no distrito de Eráti, a norte da província.

Nesta quinta-feira (11), Abdula trabalhou no distrito de Eráti, onde interagiu com os fazedores locais da cultura, sobretudo mulheres e raparigas.

Na ocasião, Eduardo Abdula apelou aos grupos culturais para que usem a influência que exercem junto das comunidades na transmissão de mensagens que desencorajem os pais e familiares a casar as suas filhas ainda menores.

O governante explicou igualmente que o fenómeno das uniões prematuras continua a afectar negativamente a vida de muitas raparigas, interrompendo os seus sonhos e comprometendo um futuro melhor. (Redação)

Nampula pretende atrair turistas através das danças tradicionais

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula quer fazer das danças tradicionais um dos meios de atracão de visitantes a capital do Norte, uma forma de resgatar as danças que estão em via de extinção, como é o caso de makiekie e inssiripwiti.

A informação foi partilhada ao Ikweli pelos técnicos da direcção provincial da Cultura e Turismo e pelos professores de dança na Casa Provincial de Cultura de Nampula, onde mostraram interesse em reavivar as danças locais, uma vez que entendem existir muitas danças em extinção.

“Nós pensamos em fazer mapeamento de todas as danças que estão em via de extinção e neste momento estamos na fase piloto, estamos num processo de pesquisa a partir da base,” explicou Célio Dias, técnico da direção Provincial da Cultura e Turismo e professor de dança.

A fonte avançou, ainda, que “estamos ainda a criar condições para nos deslocarmos aos distritos para aferirmos no sentido de sabermos como é que a gente vai responder este problema, porque sentimos que há uma ligeira necessidade de passarmos o bastão para as gerações vindouras e preservar aquilo que é a nossa cultura ao nível local, vermos como vamos levar as danças a trabalhar com às escolas,” reiterou o nosso entrevistado.

“Se tudo dependesse de nós diria que neste preciso momento já estamos a trabalhar fortemente, mas o orçamento não está disponível, estamos ainda a procura de parceiros para nos apoiarem.”

Na mesma senda, Cristina Daniel Souana, técnica da direcção provincial da Cultura e Turismo de Nampula e professora de dança na Casa Provincial de Cultura de Nampula, sublinhou que a ideia é de ir ao terreno, interagir com os mais velhos para conhecer a história das danças.

A fonte reiterou que para além de se estar a lecionar as danças tradicionais, há uma necessidade de englobar algumas das três regiões de Moçambique de modo que os praticantes tenham a capacidade de interpretar várias danças do país.

“Estamos a tentar mudar a mentalidade de se apegar somente com danças de um determinado ponto do Moçambique, queremos que os nossos bailarinos tenham a capacidade de conhecer as danças do centro, sul e Norte, buscando a originalidade das mesmas.”

Todavia, Souana apontou as dificuldades enfrentados por bailarinos na província de Nampula, “porque tem danças que entram a timbila e precisamos de ter variedades dos instrumentos para adequar as danças de todas as regiões que estamos a dar. Por outra, há uma ligeira necessidade de conhecer que tipo de indumentária deve ser usada para uma determinada dança.”

Os nossos entrevistados apelam igualmente a sociedade a mudar a mentalidade e começar a perceber que a dança é uma ciência, valorizar qualquer expressão artística e deixar de dar migalhas na contratação dos dançarinos. (Francisco Mário)