
Nampula (IKWELI) – A província de Nampula quer fazer das danças tradicionais um dos meios de atracão de visitantes a capital do Norte, uma forma de resgatar as danças que estão em via de extinção, como é o caso de makiekie e inssiripwiti.
A informação foi partilhada ao Ikweli pelos técnicos da direcção provincial da Cultura e Turismo e pelos professores de dança na Casa Provincial de Cultura de Nampula, onde mostraram interesse em reavivar as danças locais, uma vez que entendem existir muitas danças em extinção.
“Nós pensamos em fazer mapeamento de todas as danças que estão em via de extinção e neste momento estamos na fase piloto, estamos num processo de pesquisa a partir da base,” explicou Célio Dias, técnico da direção Provincial da Cultura e Turismo e professor de dança.
A fonte avançou, ainda, que “estamos ainda a criar condições para nos deslocarmos aos distritos para aferirmos no sentido de sabermos como é que a gente vai responder este problema, porque sentimos que há uma ligeira necessidade de passarmos o bastão para as gerações vindouras e preservar aquilo que é a nossa cultura ao nível local, vermos como vamos levar as danças a trabalhar com às escolas,” reiterou o nosso entrevistado.
“Se tudo dependesse de nós diria que neste preciso momento já estamos a trabalhar fortemente, mas o orçamento não está disponível, estamos ainda a procura de parceiros para nos apoiarem.”
Na mesma senda, Cristina Daniel Souana, técnica da direcção provincial da Cultura e Turismo de Nampula e professora de dança na Casa Provincial de Cultura de Nampula, sublinhou que a ideia é de ir ao terreno, interagir com os mais velhos para conhecer a história das danças.
A fonte reiterou que para além de se estar a lecionar as danças tradicionais, há uma necessidade de englobar algumas das três regiões de Moçambique de modo que os praticantes tenham a capacidade de interpretar várias danças do país.
“Estamos a tentar mudar a mentalidade de se apegar somente com danças de um determinado ponto do Moçambique, queremos que os nossos bailarinos tenham a capacidade de conhecer as danças do centro, sul e Norte, buscando a originalidade das mesmas.”
Todavia, Souana apontou as dificuldades enfrentados por bailarinos na província de Nampula, “porque tem danças que entram a timbila e precisamos de ter variedades dos instrumentos para adequar as danças de todas as regiões que estamos a dar. Por outra, há uma ligeira necessidade de conhecer que tipo de indumentária deve ser usada para uma determinada dança.”
Os nossos entrevistados apelam igualmente a sociedade a mudar a mentalidade e começar a perceber que a dança é uma ciência, valorizar qualquer expressão artística e deixar de dar migalhas na contratação dos dançarinos. (Francisco Mário)





