Nelsa Momade defende que a roupa não deve ser motivo de violência sexual contra mulhe

Maputo (KWELI) – Nelsa Momade, repórter do jornal Ikweli, defendeu, recentemente em Maputo, que as roupas não podem ser apontadas como causa de frequentes casos de violência sexual contra Mulheres. 

A afirmação de Nelsa Momade foi feita no âmbito do TEDx Kamaxakeni Women que decorreu na cidade de Maputo, sob o lema “Diversidade e Inclusão”, evento organizado pela h2n.

Para Momade, nenhuma mulher deve ser vítima de violência sexual, porque violar uma mulher é destruir uma sociedade e não aceitar o desenvolvimento da mesma.

“É preciso que a sociedade, sobretudo os homens, respeitem as mulheres independentemente do seu vestuário”, disse Momade em uma entrevista.

Na ocasião, Nelsa avançou que uma pesquisa realizada em 2018 na Índia, indica que muitas mulheres são vítimas de violência sexual, como também no Afeganistão, sendo que nestes países, as mulheres vestem-se de roupas que cobrem todo corpo.

Momade revelou ainda que a província de Nampula registou, no primeiro semestre do presente ano, 36 casos de violência sexual contra mulheres, incluindo crianças.

“Se forem as roupas da mulher que as levassem a ser violentadas, então qual é a justificação da violência sexual contra criança?”, questionou.

Nelsa apela a sociedade a não ficar indiferente a esse tipo de situação, pautando sempre pela denúncia. “Exortar as autoridades, como todos actores responsáveis, a juntar esforços de modo a combater esse mal que só não afecta as mulheres, como também a sociedade no geral”.

No mesmo painel, foi possível ver outras apresentações, tal como a de Jesuína Pascoal, que debruçou sobre o tema “Menstruação: Maldição ou Bendição”. Na apresentação, Pascoal falou dos dilemas por conta da menstruação que incluem alguns estereótipos culturais que prejudicam as adolescentes. 

Jesuína Pascoal contou ao Ikweli que quando começou a menstruar com apenas 12 anos de idade, foi isolada de tudo e de todos pela sociedade, ela foi até tirada o direito de ser criança e de brincar com outras meninas. “Na minha sociedade, alguém que menstrua já é uma mulher, experimentei uma nova fase da minha vida, no lugar de ter uma orientação das mais velhas, fui mal falada, porque na minha sociedade se uma menina de 12 começa a menstruar, é porque envolveu-se sexualmente com um rapaz, o que não era verdade, eu era apenas uma criança”, contou.

Um outro desafio por ela enfrentado, foi ter que lidar com questões relacionadas com mitos e tabus, como é o caso de colocar sal na comida, porque entendia-se que podia causar hérnia ao pai. 

Jesuína esclarece “para que a mulher possa gerar um filho, deve partir de uma menstruação, então a menstruação deve ser vista por todos como uma bênção”, concluiu. (Antónia Mazive)