
Nampula (IKWELI) – Centenas de famílias que vivem atrás da Universidade Católica de Moçambique (UCM), na cidade de Nampula, concretamente no bairro Mutauanha, queixam-se de viver, há vários anos, expostas a doenças e a um cheiro nauseabundo provocado pela acumulação de resíduos sólidos, situação que, alegadamente, tem causado diversos problemas de saúde.
Os moradores afirmam que convivem diariamente com resíduos sólidos acumulados, que favorecem a proliferação de baratas, ratos, cobras, mosquitos, moscas e outros insectos, além da existência de águas estagnadas nas proximidades das residências.
De acordo com Amina Salimo, uma das moradoras, visivelmente agastada, os resíduos sólidos acumulam-se na vala de drenagem, que tem sido utilizada como local de depósito de lixo e, há bastante tempo, não recebe qualquer limpeza por parte das autoridades competentes.
“Logo de madrugada encontramos a vala cheia de lixo. Enfrentamos esta situação há muito tempo, desde a construção desta infraestrutura”, afirmou.
Amina explicou ainda que, desde que a vala foi construída e acabou transformada numa lixeira, surgiram dificuldades no escoamento das águas durante a época chuvosa, além de doenças como a malária e outras que as famílias contraem.
“Na época chuvosa, nós que vivemos próximo desta vala de drenagem, que agora serve de depósito de lixo, ficamos sem condições de atravessar. Somos obrigados a fazer a limpeza da vala, mas poucas pessoas participam”, lamentou.
A moradora considera que a área foi, alegadamente, esquecida pelo Conselho Municipal.
“Desde que a vala foi construída, nunca vimos o município fazer a devida limpeza. Nós, moradores, já sensibilizámos outras pessoas para não depositarem lixo naquele local, mas elas não aceitam. Apesar de existir um local apropriado para o depósito de resíduos, continuam a deitá-los aqui. Nós, que vivemos ao redor, sofremos com o mau cheiro e com o risco de doenças, como a malária, sobretudo as nossas crianças, que por vezes brincam nas proximidades”, disse.
Por sua vez, Nuro Satar, também residente da circunscrição, afirmou que parte do lixo é transportada por pessoas provenientes de outras zonas “As pessoas de outros bairros também vêm depositar lixo aqui. Quando chamamos a atenção, respondem como se fôssemos funcionários do Conselho Municipal. Assim, continuamos expostos ao risco de contrair doenças e outras infecções”, afirmou.
Como forma de salvaguardar a saúde dos moradores, sobretudo das crianças, Nuro Satar apela às autoridades e à liderança comunitária para que impeçam o depósito de lixo na vala de drenagem e estabeleçam horários específicos para a deposição dos resíduos. (Fátima Mugaveia)




