
Nampula (IKWELI) – Um homem suspeito de integrar um grupo envolvido em furtos foi morto por populares na madrugada de domingo (6), na zona de Terrene, bairro de Murrapaniua, na cidade de Nampula.
O corpo da vítima foi posteriormente queimado, num episódio que voltou a expor a crescente onda de justiça pelas próprias mãos na capital provincial.
De acordo com relatos de moradores, o suposto malfeitor fazia-se acompanhar por outros três indivíduos quando o grupo terá invadido uma residência com a intenção de furtar bens.
Ainda segundo as mesmas fontes, os proprietários da casa aperceberam-se da presença dos suspeitos e pediram socorro, levando vários moradores a perseguirem os alegados criminosos pelas imediações.
Durante a perseguição, três dos suspeitos conseguiram colocar-se em fuga. No entanto, um deles foi alcançado nas proximidades do rio Nicutha.
Testemunhas afirmam que o homem foi violentamente agredido por um grupo de populares. O espancamento terminou com a morte da vítima, cujo corpo foi posteriormente incendiado.
“Quando chegamos ao local já havia muita gente. A polícia estava a guardar o corpo enquanto se aguardava a chegada do SERNIC [Serviço Nacional de Investigação Criminal] para a remoção,” contou um residente que acompanhou a ocorrência.
Outra moradora, Gina Macário, condenou o acto de linchamento, embora reconheça que os casos de criminalidade têm gerado medo e revolta entre os residentes do bairro. “É muito triste ver uma pessoa morrer dessa forma. Ninguém deve fazer justiça com as próprias mãos. Precisamos que a polícia reforce o patrulhamento, porque há muitos casos de roubos e a população vive com medo,” afirmou.
Até ao momento, as autoridades ainda não divulgaram informações oficiais sobre a identidade da vítima, nem confirmaram as circunstâncias em que o alegado furto ocorreu também não há informações sobre o paradeiro dos restantes suspeitos.
Os casos de linchamento têm-se tornado frequentes em vários bairros da cidade de Nampula, um fenómeno que preocupa líderes comunitários e outros populares com lucidez mental.
A prática, além de constituir crime, evidencia a necessidade de reforçar a segurança pública, melhorar a investigação criminal e restaurar a confiança da população nas instituições responsáveis pela administração da justiça. (Malito João)





